Irritação



Pessoas! Mil perdões! Minha vida está incrivelmente complicada nestes últimos tempos, não encontrava cinco minutos sequer para escrever... Finalmente neste final de semana comecei a ver uma luz no fim do túnel e não era o Expresso de Hogwarts! Espero que logo tudo volte ao normal e eu consiga postar meus capítulos toda sexta-feira como vinha fazendo nos últimos anos...

Luíza Snape, obrigada por sua leitura do meu capítulo! Achei o comentário ótimo, embora acredite que exista paixão demais nesta família Black... Deixa eu explicar, falo aqui daquela paixão que cega as pessoas, que as fazem agir por impulso. Sirius é dominado por suas paixões, assim como Walburga o é. Isso faz com que ambos fiquem cegos para uma possibilidade de conversa e entendimento. Amo isso em Sirius, é o que lhe dá forças para lutar a favor do que acredita, é o que o faz conseguir fugir de Azkaban. Não é só o fato de ser um animago, é essa luz que ele carrega dentro de si, essa paixão... Bem isso é o que eu acho. E acho que é isso também que faz Regulus ir atrás da Horcrux no final. Acho que ele se aproxima muito de Sirius na sua maneira de agir por impulso e por paixão... Mas vou parar de falar, pois o final ainda demora para acontecer.

Mika Black, adoro escrever os finais dos capítulos... e o final do capítulo anterior foi um dos que mais gostei de escrever, porque pude ser econômica nas palavras e colocar a intensidade que eu queria. Seu feed back foi essencial para que eu visse que deu certo. Obrigada. :)

Hoje vi que tenho uma nova leitora, Laura Garcia, que deixou um comentário carinhoso no capítulo 5. Espero que ela continue lendo e que chegue aqui para ver meu agradecimento! Valeu, Laura! :)
Agora, vamos ao que interessa... Para quem não lembra do capítulo anterior, Regulus teve uma noite péssima, sonhou muito com o irmão e acordou com seu sangue Black fervendo nas veias...
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121. Irritação


 


Regulus passou o dia inteiro irritado, muito provavelmente por tido uma péssima noite, o que, nem para si mesmo, ele gostaria de admitir. Sentia-se inquieto e aquele parecia um dia impossível de se concentrar, então deixou o livro que Perkins havia lhe emprestado jogado sobre sua cama e desceu as escadas com pressa. Ao passar pela sala de estar sentiu um cheiro de pano queimado, mas parou somente o tempo necessário para ver sua mãe lançando feitiços contra a tapeçaria da família Black – estaria ela queimando o nome de Sirius? – ele sacudiu os ombros e então terminou sua jornada escada abaixo. Ele estava fechando a porta da frente de sua casa quando ouviu a mãe perguntar:


- Regulus, onde você está indo?


Ele fechou a porta sem responder e saiu apressado. Sirius não costumava contar a sua mãe onde ia, então ele não iria mais se preocupar em dizer. Tamanha era a raiva que sentia que ele apenas era capaz de enxergar aquilo que seus olhos focavam à sua frente, percebendo apenas vultos borrados à sua volta; de modo que ele mantinha os olhos fixos em pontos distantes da rua e os perseguia, trocando o foco de sua atenção tão logo esses pontos se tornassem próximos o suficiente para tocá-los. Ele não queria nada daquilo que pudesse tocar. Ele desprezava cada hidrante, cada toldo e papel amassado jogado no chão, como se fossem ofensas pessoais.


Regulus não sabia há quantas horas estava caminhando quando se deu conta que havia saído usando traje bruxo e deu de ombros. Se iria ofender ou assustar algum trouxa por estar em traje bruxo, tanto melhor. Uma mulher alta e loira à porta de uma pequena floricultura olhou para ele com estranheza. Ela segurava um buque de rosas vermelhas. Desta vez Regulus não pensou duas vezes, sacou sua varinha e apontou para a mulher, trocando a cor das rosas com a cor de seu tailleur cinzento. Regulus riu ensandecido, McGonagall precisava ter visto aquilo, pensou. A mulher mal teve tempo de notar o que havia acontecido antes de desmaiar e cair ruidosamente no chão, bloqueando sua passagem. Ele olhou para ela com desprezo e pulou suas pernas como se fossem barreiras em uma corrida de obstáculos. Ele estava duas casas à frente quando ouviu um homem gritar:


- Hei, garoto!


Mas ele não se deu o trabalho de se virar e seguiu em frente. Ao cruzar a rua avistou um gato cinzento que remexia em grandes latas de lixo em frente a um restaurante de aspecto romântico, com flores e cortinas rendadas às janelas. O gato fazia bastante barulho, derrubando ora uma tampa, ora um latão inteiro, espalhando restos de comida por toda calçada.


- Gato inútil! – foi a única coisa que conseguiu dizer antes de acenar sua varinha mais uma vez, fazendo com que o latão de lixo ganhasse vida, arrastando-se no chão a perseguir o gato. Por onde passava, um rastro de pequenos feitiços foi ficando para trás: uma loja em que todos guarda-chuvas da vitrine se abriram ao mesmo tempo, uma máquina de vender chiclet cujo vidro se quebrou espalhando bolinhas coloridas por todo lado.


Ele parou de andar quando encontrou o rio Tâmisa, pulou a mureta que contornava o rio  e ali se sentou, dobrando os joelhos e os segurando na altura do peito, bufando enquanto sentia o suor a lhe escorrer pela testa.


- Da próxima vez que quiser falar comigo, sugiro uma coruja.


A voz de Perkins era quase inaudível devido ao movimento intenso de carros às suas costas.


- Venha, garoto, levante-se antes que os outros cheguem. Temos alguns feitiços para desfazer.


Regulus permaneceu sentado, sem se virar. Tinha sido pego. Qual seria sua pena desta vez?


- Você vai me prender. – disse, mal-humorado.


- Não.


Então levantou-se e encarou Perkins, desafiadoramente:


- Vai me denunciar?


- Não. – respondeu o homem, com uma expressão indecifrável no rosto. Então ouviu-se um estalido alto.


- Perkins, encontraram o delinquente? – perguntou um homem moreno de calças e casaco xadrex cor de vinho que surgira ao lado de Perkins.


- Não, cheguei tarde demais. – então virou-se para Regulus – você fez muito bem em me chamar, rapaz. Agora vamos acenar nossas varinhas e desfazer esta bagunça antes que o estrago seja ainda maior.


O homem olhou para Regulus franzindo a testa.


- Este garoto é menor de idade, ele não pode...


- Ah, ele é meu estagiário, ganhou permissão temporária para me ajudar durante este verão.


- Se é assim, - o homem balançou seu queixo quadrado para os lados, parecendo contrariado. – só nos resta apagar algumas memória. – dizendo isso, ele se afastou refazendo o caminho por onde Black havia andado, Regulus e Perkins o seguiram à uma certa distância.


- Eu não entendo... – disse Regulus. Perkins sorriu.


- Já faz algum tempo, Weasley e eu estávamos nos perguntando quanto tempo você conseguiria suportar a pressão do trabalho...


Então um Ford Anglia azul estacionou ao lado deles e o senhor Weasley abaixou o vidro e disse, enquanto enxugava o suor da testa.


- Está tudo certo, Perkins. Podemos ir. Ah, olá, garoto. Já limpei a bagunça que você fez. Está tudo bem agora.


Regulus cumprimentou o senhor Weasley com a cabeça e olhou de um homem para outro até que não aguentou e perguntou:


- Como assim? Eu não entendo.


- Você não explicou a ele, Perkins? – Arthur franziu a testa. Perkins negou com a cabeça. – Você sabe, já tivemos sua idade, garoto. Você tem dado duro todos os dias no Ministério sem reclamar, enquanto os garotos de sua idade estão desfrutando do verão... qualquer um iria entrar em colapso e fazer alguma bobagem...


- Ainda mais quando você tem contato diário com os pequenos malfeitos dos outros... tínhamos certeza que você acabaria por testar sua magia também. Então resolvemos colocar um feitiço em sua varinha, para o caso de acontecer algo... Um rastreador específico, nada ligado ao Ministério...


Regulus olhou sua varinha, incomodado. Então ele não poderia lançar feitiços sem que os dois soubessem? Aquilo definitivamente não estava em seus planos.


- Específico? – perguntou tentando disfarçar o descontentamento.


- Ah, sim. Uma ideia brilhante de Arthur, na verdade. Cada vez que você lançar um feitiço, em vez de haver um registro dele na pasta do Departamento da Execução das Leis da Magia, a informação é desviada para nosso bloco de notas. Pensamos que assim conseguiríamos fazer algo mais educativo por você... – disse Perkins.


- Mas fique tranquilo, assim que terminar o verão, retiraremos o feitiço. Agora entre no carro, lhe daremos uma carona.


Perkins e Regulus entraram no carro. Assim que entrou, Regulus notou que Weasley havia feito algumas modificações, como adaptar um largo sofá no lugar do banco traseiro. Era confortável e imperceptível quando visto pelo lado de fora, ele se sentou no sofá, fechou a porta e ficou observando as pessoas nas calçadas. Trouxas eram mesmo cegos, o mundo fervia em acontecimentos no mundo bruxo e eles continuavam suas vidinhas pacatas e sem graça como se tudo o que acontecia era obra da natureza ou do acaso. Aquilo aborrecia qualquer um. Regulus olhou para os dois homens no banco da frente. Eles conversavam animadamente como se ele não estivesse ali e não pareciam, de forma alguma aborrecidos. Como dois bruxos adultos podiam agir daquela forma? O que, de educativo havia em rastrear seus feitiços e lhe dar uma carona?


Eles seguiam por uma rua estreita e suja, afastando-se cada vez mais dos lugares que ele conhecia quando o carro simplesmente parou no meio da rua.


- Oh, de novo, não! – disse Weasley.


- O que aconteceu? – perguntou Perkins.


- O motor... eu não sei... vamos dar uma olhada.


Weasley olhou para Perkins e então abriu o capô e os dois saíram do carro. O motor começou a fumegar. Regulus olhou pasmo para os dois homens à frente do carro e saiu do carro também.


- Qual é o problema?


- Este é o problema. Eu não sei. Não faço a mínima ideia de como funciona. – disse Weasley com os olhos fixos na fumaça que saía do motor.


- Por que o senhor não usa sua varinha e saímos daqui? Não precisa saber como funciona... Apenas dê um jeito nisso!


Arthur Weasley balançou a cabeça para os lados.


- Não é assim que as coisas funcionam. Se eu acenar minha varinha, nunca vou ver exatamente o que acontece, vou continuar ignorando os problemas e fingindo que não existem. Não posso fazer isso.


- Com licença, senhor, precisa de ajuda? – perguntou um rapaz loiro de aparência pobre que passava pela rua.


- Se o senhor soubre como consertar isso, lhe serei muito grato! – respondeu Weasley.


O rapaz sorriu.


- Vamos ver o que posso fazer... primeiro vamos empurrar o carro para tirá-lo do meio da rua. Não querermos atrapalhar o trânsito, não é mesmo?


Regulus olhou ao longo da rua. Não havia sinal algum de outros carros.


- Hei, não fique parado, venha ajudar a empurrar!


Sem vontade nenhuma, ele fez o que lhe foi pedido. Depois postou-se ao lado de Perkins e Weasley para observar o garoto mexer e remexer no motor. Era impossível compreender o que, exatamente, o rapaz procurava ou qual sua intenção em soltar e apertar mangueiras e parafusos.


- Está aqui. A correia dentada se rompeu. Vocês têm sorte, tenho uma na oficina. Volto já.


Mal houve tempo para assimilar o que ele havia falado e o rapaz já estava de volta com algo na mão que, para Regulus, estava longe de ser uma correia com dentes.  Algums tempo depois, o rapaz ordenou:


- Dê a partida.


Arthur prontamente sentou-se no banco do motorista e deu a partida. Para a surpresa dos três bruxos, o conserto havia funcionado. Perkins pagou ao rapaz pelo conserto, que se agradeceu e se despediu deles, colocando seus serviços à disposição. Então todos entraram no carro, deixando para trás a rua estreita e seus habitantantes simpáticos.


- Você viu, garoto? Os trouxas têm habilidades e conhecimentos que não podemos ignorar...


Regulus sorriu forçosamente para Weasley que o olhava pelo retrovisor, apenas para calar o homem, fingindo concordar. Já tinha tido o suficiente de cultura trouxa para um dia só.




 

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Comentários (2)

  • Mika Black

     Se eu voltasse alguns capítulos jamais iria acreditar que isso algum dia aconteceria, Regulus é uma pessoa muito controlada, machucar aquela mulher foi a maior demonstração de ódio que ele poderia fazer. Teve sorte do Perkins ser um cara legal, se os pais dele soubessem seria pior ainda... Sinceramente não vejo a hora dele voltar pra escola, ou encontar-se com algum amigo, sem Sirius na casa, Reg fica louco.  O sr Wesley é incrível, ele é um bruxo admirável! Quem dera os outros fossem como ele. Se o Regulus estivesse normal ele também veria bondade no sr Wesley. Tenho pena da família Black, está toda desconcertada! Até o próximo cap! 

    2015-04-06
  • Luiza Snape

    AHahhahaha, esses blacks precisam fazer terapia em família!MAs o reg exagerou dessa vez, ainda bem que o perkins limpou a barra dele! 

    2015-03-30
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