Mais um membro na família



Nas empresas Malfoy



Blaise chega para trabalhar com um ânimo que ele não tinha há algum tempo, finalmente Draco Malfoy deu notícias. Ele não explicou muita coisa, mas só em saber que o loiro está bem, seu assessor já fica mais aliviado.



Draco falou que teria que se afastar do trabalho por alguns dias por questões de saúde, ele não explicou muita coisa, mas Blaise sabe que assim que for possível Draco o fará.



Ele está se preparando para analisar os papeis da semana, Blaise quer deixar o mínimo possível para Draco que já disse que se ele precisasse de ajuda, ele estaria a postos para assessorá-lo no que precisasse, mas Blaise sabe que se o loiro foi impedido de ir às empresas é porque ele realmente não está em condições, então ele quer incomodá-lo o mínimo possível.



- Bom dia, senhor Zabinni – uma voz conhecida chama a sua atenção e ele imediatamente sorri.



- Bom dia, Jezz. Eu já te disse que não precisa me chamar de senhor, só Blaise está bem?



- Eu vou me acostumar... Blaise – ela diz com um sorriso tímido – o senhor estava tão distraído, espero não ter te assustado.



- Ah não – Blaise diz – você não me assustou, mas sim eu estava distraído. É que o senhor Malfoy vai ficar afastado por alguns dias.



Oh! – ela murmura preocupada – ele está bem?



- Acho que sim – Blaise diz, ele na verdade não sabe direito o que aconteceu – o senhor Malfoy me enviou uma coruja dizendo que teria que ficar afastado por algum tempo por ordens médicas, mas não falou a respeito, então acho que não deve ser nada muito grave, se fosse ele diria, eu acho.



- Espero realmente que não seja – Jezz diz – eu tenho muita estima e gratidão pelo senhor Malfoy – ela suspira – espero que eu possa dizer isso a ele algum dia.



- Em breve ele estará de volta – Blaise diz e vê a moça assentir com a cabeça e dirigir-se a saída – Jezz! - ele fala em um impulso



- Pois não – ela se volta – precisa de mim pra alguma coisa?



- Não, é que... – Blaise fala parecendo sem jeito – é que você falou que gostaria de agradecer ao senhor Malfoy e bem, a filha caçula dele faz aniversário em alguns dias e bem, eu pensei que talvez você pudesse ir comigo, assim você poderia agradecer...



- Ah não, senhor Zabinni – Jezz fala parecendo escandalizada – não seria adequado. Eu sequer fui convidada, o que o senhor Malfoy iria pensar?



- Ele não pensaria nada, eu garanto – Blaise sorri – e depois ele sempre convida os funcionários mais próximos e se não fosse pela viagem com certeza ele já teria falado com você – ele vê que a moça parece indecisa – ora, vamos. Eu tenho certeza que ninguém vai se importar, pelo contrário. E depois você precisa se distrair, sair um pouco. Vai ser bom pra você, quem sabe você não faz novos amigos?



- Tudo bem, senhor Zabini, desculpe, Blaise. Eu vou com você – ela diz – se o senhor está dizendo que não há problema algum.



- Não há – Blaise sorri. Não era bem o que ele pensava quando cogitou chamá-la para um encontro, mas já é um começo...



XXXXX



Na Bulgária



Victor sente seu estômago se contorcer ao ver o homem desconhecido aparatar, a sua vontade é de persegui-lo e o ex-apanhador sabe que só não o faz porque não tem a mínima ideia de para onde ele foi.



Ele olha ao redor para tentar verificar os policiais, mas ele não vê ninguém fazendo nada, o que o deixa mais apreensivo. Victor teme que tudo dê errado e que ele nunca mais veja o seu menino.



Neste momento alguém o aborda – fique calmo senhor Krum, está tudo saindo exatamente como planejamos. Seu menino logo estará a salvo.



- Mas o que houve? – ele diz ainda atordoado – por que vocês não o pegaram? Meu filho pode estar correndo perigo! E se algo acontecer?



- Senhor Krum – o policial fala escolhendo as melhores palavras – é tudo uma questão de estratégia. Se a gente o pegasse agora, ele provavelmente poderia dizer que achou a mala e iria devolver ou dar alguma desculpa que acabaria sendo aceita se ele arrumasse um bom advogado, então tivemos que deixá-lo ir até o local onde seu filho está. Lá nós o pegaremos



- Mas onde meu filho está? – o ex-apanhador pergunta. Ele está a um passo do desespero – vocês o deixaram aparatar, como vão achar meu filho agora?



- Senhor Krum – o policial tenta acalmá-lo – eu lhe asseguro que nós temos mais informações sobre o caso do que parece, o senhor tem a minha palavra que antes do final do dia eles estarão a salvo sob a sua guarda. Apenas confie – o policial diz e aparata antes que Victor consiga lhe perguntar o que ele quis dizer quando falou: eles estarão a salvo...



XXXXX



No hospital St Mungus



Hermione terminou de fazer a sua ronda costumeira, felizmente nenhum caso grave que a obrigue a ficar mais do que o planejado. Tudo o que ela quer no momento é ficar com o seu marido e assegurar que ele está realmente bem.



A morena está bem cismada. Não é preciso ser muito inteligente pra saber que aconteceu alguma coisa e que talvez Harry saiba mais do que ele está contando. A forma enfática com que ele interrogou seu marido lhe diz isso, Hermione confia em seu marido e se ele diz que não se lembra de nada, ela acredita. Mas isso não impede que ela tenha um pressentimento que não vai gostar quando toda a história for esclarecida.



Ela se dirige ao quarto de Elly se sentindo meio culpada. Hermione tem consciência que ultimamente está relegando a sua paciente, um pouco por tudo que aconteceu na sua vida, um pouco por não ter a mínima ideia do que fazer para ajudar. A secretária do seu marido não corre mais perigo de vida o que a alivia um pouco, mas ao mesmo tempo o estado em que ela se encontra definitivamente a preocupa.



Ela vê a mulher com a mesma expressão vaga dos últimos dias, Hermione sabe que provavelmente ela não está escutando, mas mesmo assim ela vai conversar um pouco com a senhora, então ela se senta a seu lado e diz:



- Bom dia, Elly, desculpe não ter vindo nos últimos dias, eu andei com problemas – ela segura a sua mão – não quero chatear você com isso. Eu prometo que quando você sair, a gente vai tomar uma xícara de chá e eu te conto tudo o que aconteceu – ela sorri – isso se o Draco ou o Blaise não te contarem antes, eu sei que eles são duas velhas fofoqueiras naquela empresa.



Hermione vê que a mulher a encara e por um ínfimo segundo, ela parece entender alguma coisa. A morena não se apega a isso, pois na sua mente pratica talvez seja apenas o que o seu coração gostaria que acontecesse.



Então ela segue a sua intuição por mais que o seu lado racional diga que isso é uma perda de tempo e continua conversando – eu ainda não consegui avisar a sua sobrinha que você acordou, mas eu prometo que assim que for possível ela virá ver você, eu tenho que sair agora, mas amanhã eu volto.



Ela dá um beijo na face da senhora e se prepara para sair, quando ela ouve um murmúrio:



Jezz...



Hermione se volta rapidamente, mas antes que ela possa falar ou fazer alguma coisa os olhos da senhora voltam a fixar o vazio...



XXXXX



Na Bulgária



Victor está em casa. Só que ele pode fazer no momento é aguardar, mas ele não pode de maneira alguma dizer que está calmo. Ao contrário, a impressão que ele tem é que vai vomitar por causa da ansiedade. A sua imaginação já lhe trouxe várias cenas a sua mente, nem todas agradáveis.



O ex-apanhador luta para tirar qualquer pensamento ruim da cabeça. Em outra ocasião, ele pegaria a sua vassoura e voaria por aí o mais rápido possível. Isso sempre funcionou, mas no momento ele sabe que isso não conseguiria afastar a sua apreensão e pior, ele estaria seriamente arriscado a levar um tombo por falta de concentração.



Antes que a sua preocupação tome proporções astronômicas, ele ouve um barulho na porta. Victor se lança a ela antes que qualquer um dos seus elfos venha atender, ele vê o seu homem de confiança que se encontra com alguns hematomas, mas com um sorriso radiante. Ao lado dele dois policiais e cada um deles segura uma criança desacordada e o ex-apanhador reconhece uma delas, seu filho Igor.



- Igor! – as palavras saltam da sua boca e antes que ele possa perceber, ele toma o menino em suas mãos, por um ínfimo segundo ele pensou o pior, mas ao tocar no seu menino ele percebe que ele está vivo. Victor sempre foi um homem duro, mas neste momento as lágrimas escorrem livremente em sua face.



-Pai... – o menino murmura – você está aqui... – ele olha ao redor e vê que está em casa – onde ela está? – ele fala assustado



- Fique calmo, Igor - o policial diz – ela está aqui também. Acabou, vocês dois estão bem.



- Desculpa pai, eu não queria – o menino chora – mas se eu não fizesse, ele iria levar ela embora. Ele disse que eu nunca mais a veria, eu não podia deixar...



Victor olha para o filho e a outra criança que ainda está dormindo, ele está aliviado por seu filho estar bem, mas o ex-apanhador tem que confessar que ele não está entendendo nada.



- Quem fez isso, filho? – Victor olha para o filho – quem disse que te machucaria? E quem é ela?



Igor olha para o pai e respira fundo. Agora é a hora em que ele finalmente vai saber que tipo de homem é o seu pai...



- Meu padrasto – ele diz com a voz tremulante – ele me levou pra você e disse que eu tinha que fazer você gostar de mim, aí depois ele me pegaria e pediria dinheiro. Eu não queria, mas ele falou que se eu não fizesse isso, ele iria machucar ela e que a gente nunca mais ficaria junto.



- Filho, por favor, se acalme e conta essa história direito – o ex-apanhador consegue dizer em meio ao atordoamento – quem é essa criança?



- É a Natasha – o menino sussurra – ela é minha irmã



- É a irmã dele – o seu homem de confiança diz com um sorriso na face – a irmã gêmea...



XXXXX



No quartel dos aurores



Harry está concentrado, mais concentrado do que deveria visto que o que ocupa a sua mente não é nenhum caso oficial. Ele está pensando em tudo o que aconteceu com a família Malfoy. Primeiro o acidente com a secretária, acidente este que ainda não está esclarecido, e agora esta história com o Draco. Harry tem uma grande intuição que estes dois acontecimentos estão de alguma forma interligados.



Primeiro este acidente estranho. Ele fala para si mesmo. Uma senhora de idade que nunca fez mal a uma mosca, que não tem conhecimento ou interesse algum em poções e do nada faz alguma coisa que causa uma grande explosão da qual ela escapa por pouco, uma senhora que pelo que Hermione disse não tem nenhuma economia que pudesse justificar a sua morte, pelo menos que ele saiba.



Pelo menos que eles saibam... As palavras vêm a sua mente e ele se levanta num impulso. É hora de investigar um pouco mais sobre as finanças de Ellora Summer...



XXXXX



Na casa da família Malfoy



Draco está pensativo. Ele olha as filhas brincando no jardim com as suas mini vassouras de quadribol, mas a sua mente está longe. Ele tenta lembrar o que aconteceu na África do Sul, o loiro sabe que não tardará para que o Potter venha fazer mais uma rodada interminável de perguntas desconfortáveis, e ao pensar nisso o vislumbre da figura feminina que ele teve pela manhã vem a sua mente.



Ele não consegue entender o que aconteceu e isso o preocupa muito, principalmente se ele levar em conta os seus sonhos anteriores e agora o sonho da sua filha mais velha. O loiro sabe que está em um momento crucial da sua vida e desta vez ele não tem a mínima ideia do que fazer, a única certeza que ele tem é que vai lutar com todas as suas armas para que nada atrapalhe a sua vida...



XXXXX



Na Bulgária



Igor vê o seu pai sentado em uma cadeira com o olhar vazio. Ele sabia que a revelação da sua irmã seria um choque, mas não imaginava que fosse assim. Seu pai está calado há vários minutos, enquanto seu olhar dança entre ele e a sua irmã.



- Pai, desculpa – ele balbucia – eu fui obrigado. Eu não podia contar sobre ela, meu padrasto disse que iria sumir com a Natasha, eu não podia – ele respira fundo – eu não posso ficar longe da minha irmã, ela é tudo que eu tenho...



- Gêmeos – o ex-apanhador fala mais para si mesmo. Quando ele descobriu que era pai de um garoto de dez anos, ele pensou que nada mais na vida o surpreenderia, mas o destino lhe mostrou da forma mais irônica que ele estava enganado.



- Senhor Krum – seu homem de confiança diz – eu vou esclarecer tudo assim que o senhor estiver em condições de ouvir toda a história. Eu sei que o senhor está em choque, mas creio que quando souber como tudo aconteceu, o senhor vai compreender.



- Eu quero ouvir – Victor finalmente se recompõe – eu quero entender o que aconteceu. Gêmeos... – ele balbucia mais uma vez



- Sim – o homem de confiança diz – quando o senhor me pediu para investigar como o Igor vivia, eu fui para a cidade onde ele morava e comecei a procurar. Eu soube que a mãe dele havia se casado com um homem local, um homem que pai nenhum gostaria de ver perto da sua filha, mas talvez pelo fato de ser mãe solteira, ela tenha achado que isso era uma alternativa mais aceitável.



Victor assente com a cabeça se sentindo um pouco culpado. Ele imagina que na pequena cidade onde a sua avó morava, uma mãe solteira não teria uma vida fácil. Seu homem de confiança continua:



- Bem, eu comecei a investigar e uma coisa me chamou atenção logo de cara. Todas as pessoas com quem eu conversei sempre disseram de como a vida dela havia sido dura e eles sempre falavam nas crianças, no plural. No início eu imaginei que ela teria tido outro filho com este homem e eu ia começar a investigar melhor quando você me chamou por causa do sequestro.



- Ele olha para o ex-apanhador que lhe faz um aceno para que continue – bem, quando você me chamou, eu conversei com os elfos e eles disseram que o Igor às vezes parecia muito assustado, como se visse algo ou alguém que lhe dava medo. Eles não viram o que era, mas eu comecei a ficar desconfiado que o padrasto deveria estar rondando a casa e tentando pegá-lo ou ameaçá-lo, então quando nós fomos à polícia eu contei o que havia descoberto e nós começamos a agir. Eu voltei para a cidade em que seus filhos viviam e descobri quem era o padrasto e comecei a segui-lo discretamente, eu não podia fazer nada ainda porque não tinha nenhuma certeza e depois se ele desconfiasse poderia fazer alguma coisa com o Igor.



- Nós estávamos sempre nos comunicando – o policial diz – então quando ele descobriu que o padrasto passava muito tempo em uma casa fora da cidade, nós imaginamos que ele iria pra lá pegar as crianças e armamos a tocaia. Ele foi preso e seus filhos libertados, o Igor me contou tudo sobre como o padrasto havia sumido com a sua irmã gêmea e o estava ameaçando caso ele não colaborasse e como o padrasto estava com o dinheiro do resgate há provas suficientes para que ele não saia tão cedo da prisão.



Victor olha para o filho que agora se encontra abraçado a garotinha. Natasha, sua filha. Ele estava tão atordoado que apenas agora conseguiu olhar direito para a menina que o fita com um olhar assustado, os mesmo olhos do seu filho.



- Ei – o ex-apanhador finalmente consegue dizer – você se parece muito com a sua mãe, sabia? – ele vê a menina assentir com a cabeça e sorri – acabou, agora vocês estão seguros. Eu juro que ninguém mais vai separar vocês.



- Você jura, pai? – Igor diz com os olhos brilhantes, ele abaixa a cabeça – ele sempre dizia que você não me queria, que você só ia ficar comigo pra ninguém falar e que se eu não fizesse o que ele pediu ele ia tirar a minha irmã também e eu ia ficar sozinho...



Victor respira fundo. A sua vontade neste momento é amaldiçoar este homem até que ele não tenha mais consciência de quem é, mas ele sabe que agora precisa se focar no seu filho, ou melhor, nos seus filhos. Eles têm um longo caminho pela frente e ele vai fazer o que for preciso para que ele e suas crianças sejam uma família...



Família... Até que a palavra não soa mal. Nada mal, diga se por sinal. Então ele diz:



- Eu juro, filho – ele passa a mão em sua face, em seguida na face da sua filha recém conhecida – eu prometo a vocês que ninguém vai separar a gente, nós vamos ser uma família...





NOTA DA AUTORA



Mais um capítulo e desta vez eu acho que surpreendi algumas pessoas, acertei? Quando eu comecei a história, confesso que muita coisa ainda não estava definida na minha cabeça, mas a parte do desfecho do sequestro foi uma das coisas que eu pensei desde o início. Espero que tenham gostado e quem puder deixar uma palavrinha vai me deixar muito feliz.



Bjos e até o próximo



PS - Este capítulo já estava pronto há algum tempo mas os problemas com o site não me permitiram postar. Tenho outro capítulo pronto também que postarei em alguns dias. 


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Comentários (1)

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