Convalescendo



Local desconhecido



Igor está sozinho novamente, foram apenas alguns minutos, mas serviu para aquietar um pouco o seu coração. Falta muito pouco. Ele diz para si mesmo. Em breve estaremos juntos novamente e quem sabe meu pai me perdoe pelo que eu fiz e possamos ser uma família.



O menino está sentindo muito a falta do pai. Pela primeira vez na sua vida ele soube o que era ter um pai de verdade, mesmo que o ex-apanhador seja uma pessoa bem fechada como ele também é. Igor sabe que o pai realmente o assumiu e estava tentando fazer o seu melhor. Espero não ter estragado tudo. Ele fala com seus botões



Uma voz conhecida interrompe seus pensamentos.



- Chegou a hora garoto – ele recebe um pergaminho – escreva o que eu disser, e lembre-se sem gracinhas.



O garoto pega o pergaminho com um suspiro. Igor só espera que ele realmente cumpra o que prometeu, caso contrário ele estará perdido...



XXXXX



No quartel dos aurores



A mente de Harry Potter trabalha furiosamente. Embora ele seja muito bom nas ações, ele também se tornou um excelente investigador. Não poderia ser diferente depois de tanto tempo, e ele se tornou tão bom graças a uma coisa que ele não tinha na juventude, paciência para analisar as pistas e neste momento é isso que ele está fazendo, ele precisa analisar tudo antes de procurar Draco Malfoy, caso contrário ele corre o risco de agir como o amigo de Hermione, não como o auror que ele é.



Foco, Harry, foco. Ele diz para si mesmo. Vamos analisar com calma, você precisa estar absolutamente convencido de que isso não é apenas um simples caso de traição. Vamos aos fatos.



Primeiro. Harry continua a sua divagação. O Draco sempre se mostrou totalmente apaixonado pela Hermione. Desde que começaram, ele brigou com a família, deixou muitos amigos de lado, tudo para ficar com ela. Ele nunca pareceu se interessar por mais ninguém, e depois a Hermione é muito perspicaz, se ela percebesse algo desta natureza, ela comentaria com a Gina e eu acabaria sabendo.



Segundo. Ele continua analisando. Temos o que o Snape me contou. O Draco nunca aparecia no hotel, ele não recebia visitas e segundo o que o Snape me disse, foi a ordem que o hotel recebeu. Harry faz uma anotação mental de perguntar para o loiro se ele deixou esse tipo de orientação.



Terceiro, a mulher. Harry para por um momento. Se por acaso o Draco quisesse um pouco de diversão enquanto estava na África do Sul, ele não seria idiota o suficiente para simplesmente se esquecer de dar notícias para a família, o loiro com certeza saberia que isso iria acionar os instintos de Hermione e isso definitivamente não seria bom. Ele diz para si mesmo. Harry conhece a amiga bem o suficiente para saber que apenas as suas responsabilidades com o trabalho e as filhas a impediram de partir em busca do marido.



Então vamos partir da hipótese que essa mulher misteriosa fez algo com o Draco para mantê-lo sob controle. O que ela queria? Ele diz para si mesmo e não pode conter uma careta ao imaginar o que eles poderiam estar fazendo. Será que ela é alguém obcecada por ele e que viu que essa era a única maneira de tê-lo? Harry sabe que Draco já passou por uma situação com uma mulher obcecada antes. Mas Pansy está morta, então quem poderia ser?



Ele suspira e se levanta. Harry sabe que tem outros afazeres que não podem ser relegados, então ele vai cuidar de seu trabalho torcendo para que as suas conjecturas não tirem o seu foco...



XXXXX



No hospital St Mungus



Draco está com as filhas e isso acalenta um pouco seu coração e faz com que ele pare pelo menos momentaneamente de pensar no que aconteceu em Joanesburgo. As suas bruxinhas têm o poder de fazer com que tudo pareça melhor



- Eu sabia que você voltaria, papai – Annie diz – eu sabia que você não iria faltar ao meu aniversário.



- Jamais, minha linda – Draco sorri ao mesmo tempo em que sente seu estômago se contorcer só em pensar na possibilidade de perder o evento tão esperado por sua caçula – e se tudo der certo, logo eu saio daqui e prometo passar algum tempo em casa pra gente matar as saudades.



- E quando você vai sair? – Lizzie pergunta, ela quer conversar com seu pai sobre seu sonho, mas evidentemente esse não é o momento ideal.



- Não sei ainda – Draco diz – eu tenho uma medibruxa muito rigorosa – ele sorri vendo que Hermione que havia ido até a entrada se despedir de Gina que estava lá ainda a pouco entra pela porta – vocês vão ter que perguntar pra ela



- A medibruxa rigorosa diz que você pode sair amanhã se estiver se sentindo bem – a morena diz, ela olha para as filhas – eu vou levar vocês em casa agora e volto, desculpa não ficar muito com vocês esses dias.



- Ora mamãe – Lizzie diz sarcasticamente – esse paciente é muito especial, então nada melhor do que dar toda atenção a ele – ela olha para o pai – e depois quanto mais você cuidar do papai, mais cedo ele virá pra casa e tudo volta ao normal.



- Isso mesmo minha linda – Draco diz – eu quero muito voltar pra casa, então vou monopolizar a sua mãe mais um pouquinho e depois sou todinho de vocês.



- Desse jeito eu fico com ciúmes – Hermione diz – será que vai sobrar um pouquinho para a mamãe quando o papai estiver em casa?



- Claro! – Draco diz - vai ter um pouquinho pra cada uma de vocês. Aliás, um pouquinho não, vai ser tudo pra vocês – ele sorri – em breve tudo vai voltar ao que era antes.



- Mamãe – Annie diz – eu queria ir ao banheiro, por favor.



- Eu vou levar você – Hermione pega a mão da caçula – você quer ir também Lizzie?



- Não, eu vou ficar aqui – Lizzie diz e vê a sua mãe levar a sua irmã. Ela olha para o pai, Lizzie quer falar com ele a respeito do seu sonho, mas não sabe se agora seria a melhor hora.



- O que foi, Lizzie? – o loiro indaga intrigado – você está tão quieta.



A menina olha para o pai e neste momento seu sonho vem em sua mente. A casa diferente, a ausência paterna, uma angústia toma conta do seu coração e seus olhos se enchem de lágrimas, mas Lizzie não fala nada, ela não pode, é como se uma bola travasse a sua garganta e a impedisse.



- Ei bruxinha – Draco fala meio assustado. A sua filha mais velha raramente perde o controle – vem cá – ele a abraça – agora eu estou aqui, vai ficar tudo bem.



- Está tudo bem? – Hermione entra e vê que Lizzie chorou – aconteceu alguma coisa?



- Não mãe, não aconteceu nada – a menina diz enquanto limpa uma lágrima com as costas da mão – é só que o papai ficou fora por tanto tempo e agora está aqui no hospital e meio que transbordou – ela fala meio sem jeito



- Tudo bem bruxinha – o loiro diz acariciando os cabelos da filha – agora acabou e vai ficar tudo bem, eu juro, você confia em mim? – ele vê a menina assentir com a cabeça – ótimo! Agora melhora essa carinha e vai pra casa, amanhã eu estou lá e nós podemos fazer uma festa do pijama.



Antes que Hermione saia com as meninas, ela ouve alguém bater na porta. Harry entra meio sem jeito – oi Mione, espero que não se importe, mas eu achei melhor vir conversar com o Draco o quanto antes...



- Tudo bem – Hermione diz – só que eu preciso levar as meninas e ver como as coisas estão, se você não se incomodar...



- Sem problemas – Harry diz. Ele no fundo está aliviado, pois Hermione provavelmente descobriria que ele está com a conversa com Snape na cabeça – eu não vou demorar nem incomodar muito o Draco. É só que eu queria resolver isso o mais rápido possível.



- Nós também queremos – a morena diz enquanto dá um selinho no marido dizendo – eu vou deixar você responder as perguntas do Harry com a condição – ela olha para o amigo e para o marido – de que caso você sinta qualquer coisa, o interrogatório pare, tudo bem?



- Entendido – Harry diz – eu não vou forçar a barra, pode ficar tranquila.



Hermione se retira deixando o marido sozinho com Harry Potter – você está bem? – Harry pergunta – porque se você não estiver, eu volto depois ou vou a sua casa outro dia.



- Estou bem – Draco suspira – o problema é que eu não sei se vou ser muito útil, eu não consigo lembrar de nada.



- Mas talvez conversando um pouco, você se lembre de alguma coisa – Harry diz – quem sabe só nós dois, sem a presença de Hermione, você consiga dizer algo



- Eu não lembro de nada – Draco olha para o auror – e por que eu deveria lembrar de algo sem a presença de Hermione? O que você sabe que eu não sei?



Harry encara o loiro meio sem jeito. Definitivamente não era assim que ele esperava iniciar este interrogatório...



XXXXX



Na Bulgária



Victor krum está sozinho. Seu detetive após o interrogatório com os elfos disse que precisava investigar uma suposição que tinha. Não uma pista, uma suposição, ele frisou de maneira enigmática e não lhe disse mais nada. O ex-apanhador sabe como seu homem trabalha, mesmo assim ele não se sente confortável em ficar no escuro quando se trata do seu garoto.



O búlgaro não pode deixar de pensar no filho a cada minuto. Além da óbvia preocupação com o seu bem estar, ele já se pegou pensando se ele está com medo, se ele está sozinho, se ele está machucado, com fome, com frio. Victor nunca imaginou que um dia tivesse este instinto paterno, ou seja lá o nome dado a esse sentimento. Mas de uma coisa o ex-apanhador tem certeza, se algo acontecer com seu menino ele nunca se perdoará.



Seus pensamentos são interrompidos por um elfo que vem lhe avisar que há um pergaminho no jardim...



XXXXX



Na casa da família Malfoy



Hermione dá algumas ordens aos elfos e se prepara para voltar ao hospital. Ela percebeu que Annie está feliz e falante ao passo que Lizzie está mais calada do que de costume. Ela mal tocou no jantar.



- Está tudo bem? – ela pergunta para a filha mais velha – o papai logo estará em casa, tudo vai voltar ao normal.



- Eu sei, está tudo bem mãe – a menina responde meio sem jeito – como eu falei, meio que transbordou – Lizzie diz lutando para não verter em lágrimas novamente – se vocês dizem que tudo vai ficar bem, eu acredito – ela para por um minuto – eu só queria saber o que aconteceu...



Hermione olha para a filha. Infelizmente ela não tem essa resposta e ela também está bastante curiosa – eu não sei direito, Lizzie. Seu pai não falou muito, mas eu tenho certeza que quando ele melhorar, nós vamos conversar sobre isso – ela suspira – vamos ter mais um pouquinho de paciência, ok.



A menina assente com a cabeça que, aliás, está fervilhando a essa altura do campeonato, mas não ha nada que ela possa fazer no momento, a não ser esperar o pai voltar...





Capítulo postado e a autora explodindo de orgulho por estar conseguindo manter a regularidade. Espero que gostem e deixem uma palavrinha de incentivo, eu sei que esse foi curtinho, mas não queria enrolar muito pois as aulas remotas começaram e provavelmente meu tempo vai diminuir.



Bjos e até o próximo, e quem puder deixar uma palavrinha vai me deixar muito feliz


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Comentários (1)

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