Onde estão minhas lembranças?



Na Bulgária



Victor Krum espera seu detetive particular que pediu um tempo a sós com os policiais. Ele não entendeu o motivo, mas o ex-apanhador tem plena confiança em seu homem e se ele acha que conversar com a polícia sem a sua presença pode ajudar, então que seja.



Pouco depois o detetive sai, ele olha para o búlgaro – se o senhor permitir, eu gostaria de conversar com os seus elfos – ele parece meio desconcertado – sem a sua presença – ele vê que o ex-apanhador o fita com curiosidade – não me leve a mal, mas eu sei o quanto alguns senhores deixam os elfos amedrontados. Eu sei que não é o seu caso – ele se apressa em dizer – mas eu acho que conseguiria maiores informações sozinho.



Victor olha para o detetive. Ele compreende bem o que o homem está dizendo, o búlgaro sabe que se ele ficasse com seus elfos, eles temeriam o tempo todo dizer algo que o desagradasse e talvez a conversa deixe passar algo importante – tudo bem – ele diz – eu só vou ordenar que eles digam toda a verdade e não deixem de responder nada do que você perguntar.



O detetive assente com a cabeça e eles partem em direção a residência de Victor Krum...



XXXXX



No hospital St Mungus



Hermione termina a sua ronda, ela passa pelo quanto onde Elly está, a senhora continua acordada, mas não dá sinais de lucidez. Mesmo assim Hermione passa alguns minutos conversando com ela, em seguida a morena vai para a sua sala preencher seus relatórios. Por mais que ela queira ficar com o marido, o seu senso de dever fala mais alto.



Ela está concentrada quando alguém bate a sua porta, Hermione murmura para entrar e Mel abre a porta – bom dia – ela a cumprimenta.



- Bom dia – Mel responde, ela vê que Hermione faz um sinal para que ela se sente – eu vim avisar que eu fui atrás da sobrinha da sua paciente ontem.



- Que ótimo! – Hermione fala – ela vem visitar a tia?



- Bem... – Mel diz meio desconcertada – eu fui a todos os locais que você indicou na cidade dela e faz meses que ninguém a vê. Eu fui a sua casa, no seu antigo trabalho, até perguntei para os vizinhos.



- Estranho – Hermione diz meio cismada – o Blaise me disse que ela falou que precisava ir à sua cidade por alguns dias para resolver algumas pendências no seu antigo emprego, será que eu entendi mal?



- Pode ser – Mel diz pensativa, o que logo é notado por Hermione.



- O que foi? – a morena pergunta – há mais alguma coisa?



- Bem – Mel fala meio desconcertada – é que as pessoas com quem eu conversei, nenhuma delas parecia gostar muito da sobrinha da sua paciente e você passou um quadro de uma pessoa tão gentil. Eu só achei estranho.



- É estranho mesmo – Hermione diz – ela é uma mocinha tão educada, mas enfim... – ela suspira – obrigada de qualquer forma. A minha paciente está acordada, mas não está lúcida. Então acho que não fará muita diferença mesmo, de qualquer forma ela não deve demorar a aparecer.



Tudo bem – Mel diz – se precisar que eu faça mais alguma coisa, pode pedir – ela fala enquanto se retira.



Estranho isso... Hermione fala para si mesma. Eu tenho certeza que o Blaise disse que ela iria para a cidade natal. O que será que aconteceu?



XXXXX



Na casa de Harry Potter



O dia acabou de amanhecer e Harry se prepara para ir ao quartel dos aurores. Ele quer deixar tudo em ordem antes de ir para a casa do seu ex-professor de poções. Harry quer conversar com ele mais uma vez sobre o que aconteceu. É hora de tomar algum tipo de atitude.



- Você não dormiu muito bem essa noite – ele ouve a voz da esposa. Ela o conhece muito bem pra saber que existe alguma coisa.



- É verdade, eu não dormi – ele diz. Harry respira fundo, ele não pode dizer tudo a respeito do resgate de Draco, mas ele pode dizer alguma coisa e quem sabe isso aquiete o seu coração.



Ele olha para a esposa – eu não te contei ontem porque ainda estava processando tudo que aconteceu, nós encontramos o Malfoy.



- Encontraram? – Gina diz surpresa – não sabia que você tinha mandado alguém atrás dele.



- Na verdade, eu não mandei – ele esclarece – você não vai acreditar, o Snape se ofereceu pra ir atrás, eu apenas facilitei as coisas.



- E o que aconteceu? – a ruiva pergunta curiosa – ele deu alguma explicação para não ter dado notícias?



- Na verdade é mais complicado, ruiva – Harry diz – ele foi encontrado totalmente entorpecido, como se tivesse sido enfeitiçado ou tivesse tomado algo. Nós o levamos para o hospital e eu não sei de muita coisa mais – ele diz torcendo para que ela não perceba que ele está escondendo algo.



Pra sua sorte, Gina esta tão surpresa com o que ele narrou que não percebe nada nas entrelinhas – e como ele está? – a ruiva pergunta.



- Ele está no hospital – Harry diz – ele estava muito fraco e desnutrido, mas não posso dizer muita coisa. Eu vou interrogá-lo quando ele estiver em condições.



- Nossa! – Gina diz – eu vou dar um pulinho no hospital pra ver como ele está e dar uma força para a Hermione.



- Faça isso – Harry diz enquanto dá um beijo na esposa – eu vou para o quartel mais cedo. Quero adiantar umas coisas por lá. Tudo bem pra você?



Gina assente com a cabeça – tudo bem. Eu vou terminar tudo por aqui e despachar a turminha para a escola, nos encontramos mais tarde.



Harry parte para o quartel dos aurores, aliviado por Gina não ter feito muitas perguntas. Só resta agora tentar resolver este mistério o mais rápido possível, antes que a sua esposa ou mesmo Hermione descubra alguma coisa.



XXXXX



Nas empresas Malfoy



Blaise respira fundo e prepara-se para mais um dia. Ele está cada vez mais preocupado, Draco ainda não deu notícias e ele sabe que isso definitivamente não é normal.



Ele até está se saindo bem. Blaise vem mantendo as empresas a pleno vapor, mas ele sabe que vai chegar um momento que o estresse da situação irá cobrar o seu preço. Ele não sabe há quantos dias não tem uma noite completa de sono.



Uma batida na porta interrompe seus pensamentos. Ele vê a porta se abrir e no mesmo instante seu semblante se abre em um sorriso.



- Senhor Zabinni... – Jezz fala relutante – mil perdões por não ter dado mais notícias. Eu realmente sinto muito e se o senhor quiser, eu estou pronta para voltar ao trabalho.



- É claro que eu quero! – ele diz entusiasmado – mas você está bem? Quer dizer, você já se recuperou?



- Sim, eu estou perfeitamente bem agora – ela diz – e desculpe sobre o transtorno, é que disseram que podia ser contagioso então eu não quis arriscar.



- Tudo bem - Blaise diz – mas agora você está realmente bem? Quer dizer você já se recuperou? Não tem problema vir trabalhar? Não quero que você coloque em risco a sua saúde.



- Eu estou bem, senhor Zabinni – Jezz diz – na verdade eu poderia estar melhor, mas estou bem para trabalhar – ela baixa os olhos – eu não queria que o senhor ou o senhor Malfoy ficassem com uma impressão errada sobre mim, já que eu saí por tanto tempo. Eu posso ver o senhor Malfoy? Eu gostaria de me desculpar com ele também.



- Ele ainda não retornou – Blaise fala, meio desconcertado – mas confie em mim quando eu digo que está tudo bem, pode voltar ao trabalho. Por falar nisso a sua tia acordou – ele se lembra de dizer – a senhora Malfoy te procurou pra avisar... Você está bem? – ele nota que a garota parece perder a cor.



- Sim, tudo bem – ela diz depois de um minuto – como eu falei eu ainda não estou totalmente recuperada, mas vai passar. O que o senhor disse pra ela? – ela baixa os olhos – é que eu não quero que ela pense que eu esperei o senhor Malfoy sair para faltar ao trabalho...



- Eu disse que você precisou resolver algumas questões em sua cidade e que em breve retornaria – ele diz – mas como falei antes, não precisa se preocupar. Você saiu com a minha autorização. Agora se você já está realmente bem, poderia me ajudar com uns relatórios?



- Sim senhor – ela diz enquanto se prepara para ir a sua sala – eu ajudo com prazer.



- Jezz! – ele diz.



A moça se volta – sim, senhor.



- Não precisa me chamar de senhor – Blaise sorri – só Blaise, por favor.



Sim senhor, quer dizer sim Blaise – Jezz sorri e se retira.



XXXXX



Enquanto isso na Bulgária



O detetive larga-se em uma cadeira, exausto. Interrogar elfos nunca é uma tarefa fácil, pois mesmo que eles recebam ordens de falar a verdade, eles sempre temem estar fazendo algo que desagrade seus amos. Então o que seria algo relativamente simples se transforma em sessões intermináveis de choro e tentativas de autopunição.



E não foi diferente com os elfos de Victor Krum, mas felizmente depois de um tempo considerável, ele conseguiu algumas coisas interessantes sobre o filho do apanhador. Ele ficou sabendo que o garoto era muito gentil com todos eles, mas era bem reservado e muitas vezes parecia estar com medo, ele descobriu também que o garoto ficava muito no jardim quando não havia ninguém olhando, como se estivesse esperando alguma coisa ou alguém.



Ele ainda não falou com o Krum, mas o detetive desconfia que a pessoa que levou o menino é alguém a quem Igor está ligado de alguma forma, só assim essa pessoa teria conseguido burlar as proteções. A pergunta agora é por que?



Ele tem algumas idéias em mente, mas primeiro ele precisa investigar um pouco mais e para isso ele vai ter que voltar a sua antiga investigação...



XXXXX



Na casa da família Malfoy



Lizzie demorou mais para acordar do que de costume e só o fez por que Ginpsy ameaçou colocar a sua cabeça no forno por estar incomodando a pequena senhorita Malfoy. A menina dormiu mal, não porque tivesse sonhado, mas porque seu pai não saiu da sua cabeça.



A menina está satisfeita por seu pai finalmente ter retornado mesmo que esteja no hospital, mas a coincidência dela ter sonhado aquele sonho justamente no momento em que ele estava desaparecido não sai da sua cabeça. Lizzie sabe que algo aconteceu e ela sente em seu coração que essa história ainda não acabou.



Ela termina de se arrumar e desce para encontrar a irmã. A sua mãe deixou um recado que depois da escola, virá pegá-las para ver o pai. Quem sabe assim ela descubra alguma coisa que aquiete o seu coração...



XXXXX



Mais tarde na casa de Severo Snape



O mestre de poções ouve alguém bater na porta. Antes mesmo que ele vá atender, ele já tem uma ideia de quem seja.



- Espero que você não faça disso um hábito, Potter – Snape diz enquanto abre o caminho para seu ex-aluno.



- Não farei – Harry responde enquanto entra – mas devido às atuais circunstâncias, creio que quanto antes, a gente conversar e definir como agiremos, melhor.



- Concordo – Snape diz – você tem alguma ideia sobre por onde começar?



- Primeiro eu acho que nós não deveríamos falar sobre o estado em que o encontramos, isso poderia alarmar quem fez isso com ele e podemos perder a pista – Harry diz e vê Snape concordar com um aceno de cabeça – quanto menos pessoas souberem do que aconteceu, melhor.



- Eu penso que deveria ir com mais freqüência às empresas Malfoy – Snape diz – eu estou investigando o que aconteceu com a secretária dele, então tenho uma desculpa perfeita para estar lá. A minha intuição diz que foi alguém de lá ou então alguém que tenha alguma ligação com um funcionário ou algo assim – ele vê Harry concordar e continua – temos também que inventar um motivo plausível para o senhor Malfoy não ter dado notícias, afinal as pessoas da empresa com certeza notaram que seu chefe não se comunicou com ninguém.



- Eu posso ver isso com ele – Harry diz – eu vou interrogá-lo mais tarde, ele já deve estar melhor, talvez ele possa falar um pouco sobre o que aconteceu.



Snape vê que o seu ex-aluno se prepara para sair – Potter! – ele diz



Harry se volta e olha para o professor. Snape completa:



- Quando você for interrogar o Malfoy, lembre-se que você está lá como um auror e não como amigo da esposa dele.



Harry até pensa em dizer que é sempre profissional, mas ele sabe que não estará sendo totalmente sincero, ele sabe que vai ser muito difícil encarar o loiro sem se lembrar da conversa que teve com Snape a respeito do seu resgate, mas ele sabe que deve se esforçar se não pelo loiro por Hermione que o conhece muito bem e fatalmente desconfiará se ele não souber como agir. Então ele diz:



- Vou fazer o meu melhor – ele pensa por um instante – se me permite uma sugestão, eu acho que o senhor também deveria fazer uma visita ao Malfoy. Uma visita informal, eu digo. Quem sabe ele diga alguma coisa que não diria pra mim. Eu sou amigo da Hermione, então se ele lembrar de alguma coisa referente à mulher, vai ser difícil ele me contar.



- Posso dar um jeito nisso – o mestre de poções diz – qualquer coisa entre em contato.



- Entrarei – Harry diz enquanto se retira.



XXXXX



No hospital St Mungus



Draco se sente fraco, mas ele está totalmente desperto, a impressão que ele tem é que ficou muito tempo desacordado. Neste momento ele está tentando lembrar alguma coisa a respeito do que aconteceu na África do Sul.



Ele suspira frustrado. A sua mente é um borrão de cenas inteligíveis e escuridão total. Como eu fiquei tanto tempo assim? Ele se pergunta enquanto força as suas memórias, sem sucesso.



Neste momento Hermione chega – tudo bem? – ela pergunta – você está sentindo alguma coisa?



- Na verdade eu estou me sentindo mal por ter ficado tanto tempo sem dar notícias – ele diz com um suspiro – vocês devem ter ficado preocupadas.



- Nós ficamos – Hermione diz enquanto se senta ao lado do marido – a gente sabia que você nunca ficaria sem dar notícias. Até as meninas notaram que tinha algo errado. Foi bem difícil, eu não vou negar, mas agora tudo passou.



- Não – Draco diz – não passou – ele olha para a esposa – eu não sei o que aconteceu comigo, Hermione. Simplesmente não lembro! Eu estava aqui tentando, mas não consegui lembrar nada. É como se eu me hospedasse naquele hotel e simplesmente acordasse aqui no hospital.



- Você não deve se preocupar com isso por enquanto – Hermione diz. Ela conhece o marido e sabe o quanto ele se sente incomodado por não ter o controle da situação – no momento foque apenas em seu restabelecimento, com o tempo você deve se lembrar – ela para por um momento – quando você se sentir melhor, o Harry virá pra fazer algumas perguntas.



- Não sei se vou ajudar muito – o loiro suspira desanimado – eu não consigo lembrar nada. Isso é tão frustrante!



- Você vai se lembrar, é só questão de tempo. A propósito, a Elly acordou – a morena diz tentando dirigir o foco do marido para outra coisa.



- É mesmo? – Draco se espanta – e como ela está?



Hermione suspira – ela acordou, mas é como se não tivesse acordada. Não fala, não anda sem ajuda. Se eu não soubesse o que aconteceu, acharia que ela estava sobre o efeito de cruciatus.



- Estranho – Draco diz meio cismado – o Snape não descobriu nada sobre o que aconteceu?



- Na verdade ele meio que deixou isso de lado quando você parou de dar notícias – Hermione suspira – eu confesso que eu também fiz isso... O que foi? – ela para ao ver que o marido parece estranho.



- Não sei direito – Draco fala pensativo – eu tive um vislumbre do professor Snape no hotel em que eu estava...



- É porque foi ele quem te resgatou – Hermione explica – você lembrou mais alguma coisa?



- Não – Draco diz após um momento – foi só um vislumbre de poucos segundos - ele olha para a esposa – eu quero agradecer pelo que ele fez.



- Depois a gente vê isso, tudo bem? – Hermione diz – eu vou sair um pouco. Quero passar em casa e pegar as meninas, elas devem estar ansiosas



- Faça isso – Draco sorri – eu estou morrendo de saudades delas.



Hermione dá um beijo no marido e se retira deixando o loiro absorto em seus pensamentos...





NOTA DA AUTORA



Mais um capítulo postadinho, estou morrendo de orgulho por estar conseguindo postar com alguma frequência. Vou fazer o possível para não enrolar muito, mas não prometo nada ok.



Espero que tenham gostado, fiquem bem e se puderem não saiam de casa. Quem puder deixar uma palavrinha vai me deixar muito feliz



Bjos e até o próximo


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Comentários (1)

  • Renata Alvarenga

    Acho que minhas suspeitas estão se confirmando... Que bom que está conseguindo postar com regularidade, estou super curiosa para saber como as coisas irão se desenrolar.

    2020-06-29
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