E finalmente é natal



Natal em Hogwarts
O domingo de natal amanheceu nevando, assim até os professores acordaram tarde e, ao invés de preparar-se um café da manhã e um almoço de natal, os elfos decidiram fazer apenas uma grande refeição, próximo ao meio dia. A cozinha estava abarrotada de comidas variadas, que os trabalhadores do colégio tão gentilmente prepararam. Havia um pouco de tudo, gemada, suco de abóbora, cerveja amanteigada, hidromel, tortas de todos os tipos e tamanhos, rabanada, muffins e todo o tipo de gostosura, doce e salgada.


Certo grupo de alunos acordou tarde para o dia de natal. O sétimo ano da grifinória permaneceu dormindo, ou pelo menos ficou em seu dormitório, até quase 10h. A primeira a acordar foi Marlene, que levou cinco segundos para lembrar-se que era manhã de natal e começar a berrar.


- BATE O SINO, PEQUENINO, SINO DE BELÉM!!! ACORDA POVO DORMINHOCO!!!!


- Marlene, por Merlin, cala essa boca! Minha cabeça vai estourar! – Gemeu Catherine


- Ninguém mandou afogar as mágoas com doses de Uísque de Fogo, loirinha. Se o Remucho te deixou, ou melhor, nem isso, se ele saiu para um encontro, deixa para lá. Bola para frente, menina. Levanta essa cara amassada do travesseiro e vamos descer! – Disse Lily, já totalmente desperta e sacudindo a amiga.


- Lily Evans – Segurou-se para não dizer Potter. - me largue antes que eu te mostre como é que se levanta a cara do travesseiro! Tenho a sensação de que tocaram uma fanfarra na minha cabeça e depois soaram o sino de Belém no meu cérebro. Acho que preciso de um remédio mais forte. – Resmungou ela, levantando uma das mãos e repousando-a na testa.


- Ih... Será mesmo que você vai perder o natal, Cath?


- Vai nada, Lils. Não se preocupe, madame, porque a Super Lene tem a solução para o seu problema. – Rebateu a morena, abrindo uma nécessaire que tirara de dentro do malão minutos antes. – Isso é uma poção anti-ressaca. Beba tudo e sua cabeça volta ao normal em um período de até 1 hora e meia. Caso não se sinta satisfeita... Bom se não ficar satisfeita, nada. Você vai ser é uma má agradecida, porque não me pagou nada por um remédio caríssimo do boticário! – Brincou ela, dando à amiga um vidrinho que continha um líquido vermelho-sangue, que a loira bebeu em um gole e fez uma careta.


- O que raios é isso, Marlene. Uma dose de Cresce Ossos, com pimenta mexicana e peixe podre? – Inquiriu Catherine, que tinha a feição dobrada em uma careta.


- Não queria que remédio tivesse gosto de cerveja amanteigada, né Catherine? – Devolveu a ruiva, que esticava o lençol de sua cama.


- Não mesmo. Depois de ontem, quero mais é distância de qualquer bebida que não seja suco de abóbora. – Gemeu, levantando-se.


- Ótimo, assim tem mais gemada para mim. – Disse Lene, entrando no banheiro para sua higiene matinal.


Do outro lado da torre...


- ALUADOOOOO...


O maroto acordou assustado com o coro que cantarolava seu apelido. Não abriu o cortinado da cama de dossel, ficou de deitado e, abrindo os olhos devagar para acostumar-se com a claridade, disse.


- O que é?


- Ui! O lobinho tá estressado, Pontas.


- Acha que eu não ouvi, Almofadinhas? Nosso amigo Problema Peludo acordou de mau humor hoje.


- Engano de vocês. – Disse Remo, abrindo as cortinas vermelhas e mostrando seu rosto pálido para os amigos. – Acordei de ótimo humor. E feliz natal para vocês também! – Disse sarcástico.


- Feliz natal, Aluado. – Cumprimentou Pontas, dando um tapa fraco na nuca do amigo. – Mas e ai, lobinho? Como foi seu baile com a Srta. Merlin? - A malicia estava estampada na cara de Tiago.


- Na verdade, Pontas, o sobrenome correto é Oliveira, Melhissa Oliveira.


- Vamos combinar, Aluado, você tem um gosto pra lá de esquisito quando se trata dos nomes das garotas. Oliveira, cara, Oliveira? Parece o nome do fabricante de varinhas lá do Beco Diagonal – Zombou Almofadinhas. O outro apenas fez uma cara de deboche, como que dizendo “Nossa, que graça, Sirius. Enfartei de tanto rir, não viu?”


- Não enrola, Aluado. O que rolou ontem à noite. – Insistiu Tiago. O rosto dele e de Sirius estava com um sorriso enorme, mas nem de longe era bondoso. A malícia era pura.


- Nada! – Respondeu rápido demais. Os demais se entreolharam. – Nada mesmo. Fomos à festa e só! Nadica de nada aconteceu. – Justificava-se ao extremo.


- Sirius, pega no meu malão a dose de Veritasserum, por favor? – Ameaçou Tiago.


- Deu, galera. Eu falo. Nada de Veritasserum. Aliás, como trouxe isso para a escola? – Desistiu o maroto


- Não trouxe, era só para ameaçar mesmo. – Riu Potter, a cara de Lupin era de frustração e desdém, ele havia mesmo caído nas baboseiras que Sirius e Tiago planejaram.


- Agora abre o bico e conta tudo Remucho. – Provocou Sirius, apertando as bochechas de Aluado.


- Sai! Tá, eu falo! É que... Meio que eu... EubeijeiaMelhissa. – Disse, atropelando as palavras da frase.


- Como é? – Queixaram-se os outros dois.


- Eu beijei a Melhissa. – Ele disse pausadamente, em um sussurro. Corou violentamente e suas orelhas arderam como brasa.


Seguiu-se um período de silêncio. O único som que se escutava era o da respiração pesada de Rabicho, que dormia a sono solto na cama ao lado. Remo olhava para o chão, muito constrangido. As bochechas escarlates e as orelhas queimando de vergonha.


- O LOBINHO BEIJOU A SRTA. MERLIN!!!!!! – Gritaram os outros dois. Rabicho caiu da cama, assustado.


Tentou levantar-se, mas bateu a cabeça na quina da mesa de cabeceira e voltou ao chão, gritando como um porco que vai para o abate e com as mãos sobre a parte de trás do crânio. Remo foi em socorro do amigo, porque estava constrangido demais para olhar para Almofadinhas ou Pontas, amparou Rabicho com os braços e depositou-o de volta em sua cama. Virou-se para os outros dois.


Tiago e Sirius rodavam pelo quarto, dançando uma espécie de quadrilha, davam os braços e rodavam de um lado para o outro, pulando. Tiago estava com um calção de dormir, azul, e uma camisa de malha, branca, já Sirius usava um pijama verde com estampa de pinheiros e estrelas de natal. A cena era cômica se fosse levado em consideração o fato de que ambos tinham mais de 16 anos de idade. 


 - Chega! – Disse o loiro por entre os risos.


- Nem acredito que você beijou mesmo ela, Aluado.


- Eu ainda sou homem, humano e maroto, Almofadinhas.


- Mas como foi, Aluado? – Questionou Pontas.


- Isso lá é pergunta que se faça, Pontas? – Repreendeu Almofadas. Remo ficou grato. – O que nós queremos saber não é como foi que ocorreu, isso invade a privacidade do Aluado – Remo assentiu. – , o que queremos saber é, ela beija bem?


- SIRIUS!


- Mas é verdade! Ora, vai que ela beija mal, Aluado?


- Se ela beijar mal, o que não é o caso, o problema é meu, Pontas! – Disse Remo, enfezando-se com os amigos.


- Ah, está bem, Aluado. Não seja chato! Desculpe! – Pediu Tiago. – Vai nos contar ou não o que aconteceu?


E Remo contou. Foram dez minutos de história, devido às muitas interrupções de Sirius, mas finalmente ele terminou de contar e os amigos estavam com uma cara de felicidade.


- Parabéns, Aluado! – Disse Sirius contente.


- É cara, você merece mesmo ser feliz. – Disse Tiago, dando-lhe tapinhas amigáveis nas costas. – Agora que tal nos trocarmos e descermos para ver as meninas?


- Por meninas, você deve entender Lily, Almofadas. – Zombou Remo.


- Olha aí, vê se pode... É só o lobinho ter uma noite de festa que pensa que é comediante para vim roubar meu posto de piadista. Vai ter que pegar muita menina para vim me tirar desse lugar, Aluado! Tome vergonha nessa cara peluda!! – Teimou Sirius, abrindo o malão para escolher suas roupas.


E um a um eles se trocaram. Sirius vestiu seu jeans e um suéter com um pinheiro de natal, Pontas optou por usar um jeans escuro e uma camisa de malha preta, por cima pôs uma camiseta quadriculada branca e cinza. Remo vestiu a já casual calça de moletom, negra, uma camisa vermelha, em que se via escrito em dourado “MAROTOS”, um presente que sua mãe lhe dera no ano anterior. Todos colocaram tênis confortáveis e luvas quentinhas, Lupin ainda lembrou-se de pegar seu casaco de couro antes de descer para a sala comunal.


Viram as amigas já na sala, rodeadas de presentes de todos os tamanhos. Elas os esperavam, impacientes. Não estavam sós, observavam os novatos do primeiro e segundos anos, abrirem, excitados, os pacotes recheados de doces e lembranças natalinas.


- Feliz Natal Grifinória!!! – Berrou Sirius, de cima da escada. Desceu-a correndo e, em um pulo, jogou-se no sofá vermelho, entre Lene e Lily, Cath estava abaixada ao pé da árvore, recolhendo os presentes que lhe pertenciam. – Bom dia, meninas!!! Lenezinha!!! – Virou-se para a jovem e deu-lhe um beijo de tirar o fôlego, Lily olhava tudo, fazendo caretas para Tiago, que ria da cena.


A ruiva estava usando um vestido verde-oliva, que ia até seus joelhos, calçou a sapatilha preta no pé que não estava engessado e prendeu os cabelos ruivos em uma trança, o prendedor de cabelos tinha o formato de um laço era da cor do vestido, Cath estava mais casual que a amiga, uma legging preta e uma blusa branca com o leão da grifinória estampado, os cabelos loiros caiam embaraçados pelas costas, calçara uma sandália romana negra, por fim, Marlene. Mckinon, elegantíssima como sempre, tinha escovado seus longos cabelos negros com muito zelo e os deixado cair graciosamente por suas costas, trajava seu tradicional vestido de natal, com mangas que iam até os cotovelos e de tecido branco, as extremidades do vestido, porém, eram vermelhas, a morena ainda tinha completado o visual com suas botas negras de cano alto. Todas puseram luvas e cachecóis pretos, presente da mãe de Lily.


- Ok! Chega, Almofadas. Já tá imoral, cara! – E separou o casal, com um visível esforço. Lily ria da cara de pau do amigo Potter.


- Ao invés de me atrapalhar, por que não vai agarrar a ruiva, eim? – Zombou o maroto, zombeteiro. Evans corou e Tiago ficou levemente constrangido. Cath e Remo gargalhavam da cena.


- Porque... Porque ela não ia gostar!


- Beija tão mal assim, Tiago? – Devolveu Catherine sentando-se no braço do sofá. Os amigos gargalhavam.


- Ei! Não esculachem o coitado! Tiago não deve beijar tão mal assim! – Defendeu Lily.


- E você tá doida para confirmar a teoria, né Lils! – Rebateu Lene, pendurada ao pescoço de Sirius que chorava de rir.


A ruiva corou até ficar da cor de seus cabelos e sorriu constrangida. Tiago entrou na brincadeira e riu também. Como a única séria da sala era a pobre Lily, ela decidiu liberar seu lado maroto.


- É! – Os amigos a fitaram, surpresos. – Que cara é essa? Duvidam que eu beije o Tiago?


Todos assentiram e a ruiva riu. Dentre os seis, Tiago era o mais surpreso, sua cara estava com uma expressão que mesclava surpresa, felicidade e ansiedade.


- Beleza, lá vai então. – Puxou o amigo e aproximou seus rostos, Tiago fechou os olhos e esperou para sentir os lábios da ruiva nos seus, mas...


- Assim, não vale, Lily! Você trapaceou!


- Eu não, Lene! Eu disse que beijaria o Tiago, não disse onde nem como! – Defendeu-se, tinha dado uma beijoca nas bochechas do moreno, que sorriu alegre.


Remo meneou a cabeça, sorridente e então chamou a atenção para si.


- Que tal trocarmos os presentes, agora? – Todos assentiram entusiasmados. – Bom, os meus são... – Encontrou-os debaixo da árvore. – Tá! Esse é seu, Pontas. E esse seu, Almofadinhas.


Tiago ganhara um kit de manutenção de vassouras e Sirius, um pôster autografado do time inglês “Orgulho de Portree”.


- Não  acredito que você torce para esse time, Sirius! – Brigou Lene.


- Não! Eu só coleciono pôsters de time famosos. – Disse com descaso. - Valeu Aluado!


Aluado retribuiu com um aceno de cabeça. – Continuando, Lene, Lily e Cath... Esses são de vocês.


Marlene recebera um par de luvas de couro, para usar durante os jogos de quadribol, Catherine fora presenteada com um cachecol de linho dourado e Lily ganhara um livro.


- 100 ervas e fungos mágicos que mudaram a história? Valeu Remoooo! – E a ruiva o abraçou. – Não faz ideia do quanto estava a fim de comprar esse livro. Semestre passado fiquei horas do passeio à Hogsmeade só paquerando ele na vitrine da papelaria! Eu amei mesmo, obrigada!


 - Que bom que gostou, foguinho. – E abraçou a amiga pelos ombros. – E vocês? Que acharam?


- Remo... Couro de dragão... Eu te amo!!!!!! – Marlene pulou nos braços do amigo e o beijou na bochecha. A loira agradeceu seu maravilhoso artigo da moda e, imediatamente, o trocou pelo que recebera da mãe da amiga.


Sirius então entregou seus presentes. Para Aluado, comprara um livro intitulado “Os 100 maiores aurores do século”, Pontas ganhara um óculos de grau especial, feito sob medida para os jogos de quadribol, Lily e Catherine receberam kit de doces da Dedosdemel e Marlene fora presenteada com um colar de ouro, que possuía um pingente de rubis, em forma de vassoura de quadribol. Foi a vez de Catherine entregar aos amigos suas lembranças.


Lily recebeu um conjunto de maquiagem bruxa, Marlene, a nova edição de “Quadribol Através dos Séculos”, Sirius, Tiago e Remo canecas com seus nomes escritos em vermelho, de última hora ela tivera a ideia de acrescentar mais um detalhe. No presente de Almofadinhas, havia o desenho de um cão negro na parte de trás do objeto, no de Pontas, um cervo e no de Remo, um lobo.


- Catherine, se a ideia era dar presentes originais, você conseguiu! – Disse Remo por entre os risos.


Lene retirou os presentes que comprara de debaixo da árvore e foi entregando. Para Lily ela dera um álbum, recheado de fotos de todos os seus amigos, desde o primeiro ano, havia até uma página para Severo Snape. Cath ganhou “Hogwarts, uma história”, Remo recebeu um marca páginas de livro, da Zonko’s, era um rosto, cujos olhos seguiam que o observasse e fazia caretas. Tiago, obviamente, ganhou um novo pomo de ouro e Sirius? Sirius recebeu um envelope.


- Sério, Lene? É isso que você dá para o seu namorado? O menor pacote? Um envelope? – Fez drama o maroto Black


- É! Não gostou, devolve. Conheço babuínos que seriam mais gratos. – Os amigos riram. Sirius revirou os olhos e abriu seu presente com uma visível cara de desagrado, mas a careta foi murchando e no lugar, surgiu a mais imprevisível das reações.


Os olhos se arregalaram, a boca se abriu gradativamente até ficar escancarada e, por fim, veio o maior sorriso do universo.


- Eu não acredito! Isso é sério mesmo, Marlene? – A morena assentiu, os olhos do maroto retornaram ao papel e ele ainda não parecia crente. – Não é uma pegadinha? – Ela negou. – Não é nenhuma armação dos marotos? – Outra negativa. Ninguém entendia nada. – Céus! Não pode ser! Isso é... Nem sei o que é!


- Pelo amor de Merlin, Sirius! O que tem nesse papel! – Disse Catherine, imaginando que sabia o que era.


- É só uma notícia que vai mudar minha vida.


- Você vai ser pai? – Perguntou Tiago, pulando da poltrona e indo até o amigo, com uma expressão de choque. Remo e Lily arregalaram os olhos. Marlene ria gostosamente e Sirius não pode deixar de acompanhá-la. Depois de alguns minutos.


- Ô, Pontas... Você só leva tudo para o lado malicioso, né criatura perdida? – Zombou Black. – Não, eu não vou ser pai! Você acha que eu sou tão inconseqüente assim? – Tiago deu de ombros, rindo. – E esse é meu melhor amigo, tá! – Os outros riram. – Pega logo e lê o envelope, seu curioso!


Tiago pegou o papel e teve uma reação semelhante à do amigo. Então saiu pulando pela sala.


- Afinal Lene, o que nesse papel. – Perguntou Lily, roída de curiosidade.


 - Sirius me contou uma vez, que tinha o sonho de ser jogador de quadribol, aí eu entre em contato com o Chuddley Cannons, o time favorito do Six, e disse que gostaria de apresentar a eles um excelente jogador e se era de interesse do time um artilheiro novo. Terça eles me responderam, e eis aí a carta. Sirius foi convidado para fazer um teste de admissão no time, assim que concluir o 7º ano.


   Lily chocou-se e nada pode falar, ainda surpresa com a notícia. Tiago parara de bancar o coelho e sentara ao lado da ruiva, vermelho e ofegante.


- Almofadinhas, esse é o melhor presente do mundo! Tenha certeza! – Sirius sorriu e virou-se para Lene.


- Ainda não te agradeci...


- Faça isso mais tarde. Só nós dois! – Disse Lene, sorrindo marota. Os amigos riram. – Bem, falta a Pepper e o porco espinho darem seus presentes...


- Oi gente! – Falou alguém, vindo das escadas. Rabicho descia bagunçando os cabelos para tentar imitar os de Tiago. Usava um jeans surrado e um moletom cinza que lembrava um pijama. Calçara as galochas de neve.


- Olá, Rabicho. Como vai a cabeça? – Disse Remo cordialmente.


- Dói menos. – Ele disse, mostrando o ponto em que se ferira, havia um corte cujo sangue fora estancado com um pano.


- O que aconteceu com a sua cabeça, Pedro? – Perguntou Cath


- Bati na cabeceira quando caí da cama com o berro do Tiago e do Sirius.


- Por que berraram? – Quis saber Lily


- Porque o Aluado beijou a Srta. Merlin. – Soltou Sirius, sem pensar, rindo.


- Cale a boca, Almofadinhas! – Brigou Tiago, Remo corou até atingir a cor de um tomate e ficou calado, mostrando um interesse sobrenatural pela caneca nova.


- Como é que é? Remo e Melhissa? Ai. Meu. Merlin! Como assim, Remo? Merlin, por que não contou para a gente?


- Isso foi ontem, Lils, não tinha como eu contar. – Respondeu corado. Lily e Lene deram palminhas e se juntaram para um abraço no maroto.


- Ai, Merlin! Que perfeito, Remo! – Vibrou Lene. Cath, mesmo sem empolgação, veio parabenizar o amigo, sentindo que uma parte de si estava morrendo em grande dor.


- Tá, isso é tudo muito lindo... Vamos tomar café? Tô morrendo de fome! –Reclamou Rabicho


- Quer dizer almoçar, né? Já é quase meio dia. Mas é verdade, também tô faminto. – Corrigiu Pontas


- Então vamos, Tiago. Terminamos depois com os presentes.


Eles desceram as escadarias juntos. A mesa da grifinória estava repleta de comidas deliciosas, tortas, empadas, bolos, cozidos, pães... De tudo um pouco. Quando estavam de saída para a torre, Remo viu, com o canto do olho, que Melhissa se levantara de sua mesa com um pacote nas mãos e vinha a seu encontro. Suas orelhas queimaram e ele empurrou os amigos para a porta principal, apressado. Mel seguiu-o, quase correndo.


- Rem... Remo, espera... – Pediu ela. Os amigos pararam e o maroto girou nos calcanhares para fitá-la.


- O...oi, Mel. Fale...


- Eh... Eu queria... Eh... Dar seu presente e... Falar em particular. – À menção da ultima frase, Remo corou.


- É claro... – Não continuou. Depois de um tempo, soltou. – Então... Pode falar


- Preferia que fosse a sós. – Disse abaixando a cabeça um pouco. – Mas tudo bem. Aqui. – Estendeu-o um pacote fino e vermelho, com um laço azul. – Feliz natal.


Ela saiu dali tão rapidamente quanto aparecera e Remo ficou observando o caminho pelo qual  ela saíra, por um bom tempo. Seu transe findou-se quando ouviu Sirius estalando os dedos em seu ouvido, para chamar atenção


- Ahm... Oi, Almofadinhas.


- Adotou o apelido de vez, né? Aluado todo... – Zombou o moreno


- Chega, Sirius. – Disse Lupin cansado.


- Por que não falou com ela? – Questionou Pontas - Pensei que gostasse dela. Não a beijou ontem?


- Foi, mas...


- Não vai dar uma de Tiago e nem olhar mais na cara dela, né Remo? –Repreendeu Pepper.


- Ei! Eu estou aqui, Lily! - Os amigos riram.


- Não! Eu só... Não sei o que dizer para ela. É muito vergonhoso tudo isso, porque fui eu que a beijei e, depois de tudo, sei que não posso arriscar a felicidade dela. Ela sabe do meu... Probleminha.


- Ela sabe? – Perguntou Sirius, abismado. O loiro assentiu. – Então não vejo problema! Ela já sabe, nada a esconder.


- É exatamente por ela saber. Se ficarmos juntos, estarei estragando a vida dela. Ela sabe que sou um monstro assassino e quer ficar comigo por pura pena. Ela sabe que nunca vou ter alguém, e mais... Se não der certo nosso relacionamento, quem tem certeza que ela não vai ficar espalhando por aí que... Que o Lupin é um monstro, sanguinário que tem uma doença bizarra que faz dele um animal todo mês?


- É uma grande bobagem tudo isso! – Justificou Marlene. – Melhissa nunca faria isso! Você vê coisas onde não existem, Remo!


- Vocês acham que é fácil, mas não é mesmo! Ela não me merece! Ninguém me merece, eu sou um ser feito para ficar sozinho!


- Tá, Sr. Complexo de Rejeição. Agora já chega. Abriu o presente?– Disse Tiago com descaso. - O que foi que ganhou dela?


Remo não sabia ainda. Abriu o pacote, a verdade é que ele continha um cartão de natal e alguns doces da Dedosdemel. Remo corou devido às piadinhas dos marotos e os suspiros apaixonados de Lily e Lene. Nenhum deles havia notado que Pedro e Catherine não estavam mais ali.


Eles subiram para a sala comunal. Faltava Lily e Tiago entregarem seus presentes. Todos se sentaram.


- Falta a Cath! Não começo sem ela. - Lily fez birra.


- Vou chamá-la. –Disse Lene, subindo ao dormitório.


(Narrado pela Catherine)


Chega, chega, chega! Tudo isso é um absurdo, é uma mentira, uma falsidade! E me dói tanto!!!


Não dá mais! Eu não agüento mais sofrer pelo Remo! Eu não posso mais deixar que as coisas sejam assim, não dá mais certo me enganar.


Ele está com a Melhissa e eu não posso reclamar, eu nunca fiz nada para mostrar que gostava dele. Só não posso deixar que ele me machuque assim!


Agora estão todos lá em baixo, comemorando o natal, mas desde que o Sirius contou que o Aludo tinha beijado a Melhissa, eu não tenho ritmo de festa. Como queria que tudo fosse mais fácil e não doesse tanto! Estou afogando meu pobre travesseiro com essa água salgada do meu choro.


Eu não queria chorar, mas eu não controlo o que sinto! É tão... Tão terrível ver ele todo corado de apaixonado ao lado dela e saber que... Que se eu tivesse feito diferente, podia ser eu lá!


Não é inveja, é remorso! Eu quero que ele seja feliz e... Não é comigo que ele será, pelo visto! Eu só... Só quero que essa dor que aperta meu coração passe de uma vez. Sinto-me tão culpada de tentar esquecê-lo. Penso que é errado estar com outra pessoa para ver se tiro ele da cabeça...


Mas é só da cabeça, porque do coração... Remo já está preso lá no fundo do meu coração, e acho que não tenho vontade de tirá-lo de lá!


Já tinha um tempinho que eu subi quando a Lene entrou me chamando. Eu fiquei quietinha na minha cama, talvez ela concluísse que eu não estava ali. Mas a Marlene anda demais com o Six, então ela desenvolveu uma habilidade sobrenatural de procurar as coisas e não desistir.


- Oi loira! Vamos descer porque... Cath, que houve amorê!


Eu neguei para ela. Nada! Não tinha ocorrido nada. Nada era uma palavra tão fantástica e tão terrível! Dava esperança e também destruía esperança.


- É ele de novo, não? – Eu neguei outra vez, com os olhos cerrados. Mas eu não sou tão boa de fingir sentimento como a Lily, então aquela lágrima nojenta escorreu pela minha bochecha sem que eu controlasse. Droga! – Ora Catherine, chega! Isso já é demais! Eu sei que você o adora, mas já deu! Só sabe chorar por ele, não dá mais. Se é o quer vá atrás! Se não, ele será de outras!


- Ele já é da Melhissa. – Eu disse franca. Não havia ciúme na minha voz. – Eu vacilei, perdi-o! Tá, aceito isso de boa, mas... Dói tanto quando vejo os dois! É um aperto no coração, que você nem imagina. Eu só quero que isso passe! Ele me machuca quando fala dela, mas nem percebe porque eu nunca contei como o adoro.


- Não vai mais correr atrás dele? – Eu neguei. – Então, amiga... Já tá mais que na hora de limpar esse coraçãozinho. Não suporto te ver triste, Cath! Você é quase uma irmã para mim! Conta para ele de uma vez! Conta que gosta dele e pede que ele não te machuque! Já deu de sofrer, amorê! 


 - Eu adoro seus conselhos, Lene! Obrigada, querida! Te adoro demais, minha amiga. - E ela me abraçou forte. – Agora vamos descer que eu quero o presente da Pepper.


(Narrado em 3ª pessoa)


Elas desceram as escadas juntas e chegaram à sala comunal.


- Afe, amém! Ia tirar um cochilo com tanta demora.


- Não exagera, Almofadas. – Corrigiu Tiago. – Agora, começa, Lils.


- Tá! Lene, esse é seu. Cath, aqui. Remi... Ah, tá aqui. Sirius e Tiago! – Entregou todos os pacotes.


Lene e Cath haviam recebido pulseiras iguais, a de Lene tinha turmalinas negras* e a de Cath, citrinos**. Remo fora presenteado com um bisbilhoscópio novo, o objeto era todo de vidro, Lily estimava demais o amigo e deu-lhe um presente à altura do carinho que tinha pelo loiro. Sirius ganhara um pacote pesado que ele julgou ser um livro, mas ao abrir era um kit para manutenção de vassouras. Por fim, restou Tiago que demorou a abrir seu presente.


- Eu também perdi meu pai, Tiago. – Ele sorriu triste para a ruiva, girando nas mãos o pacote de presente ainda não aberto. – Eu tinha 13 anos na época, e eu sei como é difícil o primeiro natal sem o pai ou, no seu caso, pais... Eu me senti mal por você ontem porque... Porque vi minha dor em você. – Ela continuou, olhou para cima e respirou fundo, fechou as pálpebras. – É só uma lembrança que o Sirius me ajudou a preparar de última hora.


Ele rasgou o pacote com delicadeza, sentindo o coração disparar. Era um caderno de couro, nada de muito diferente de seus próprios cadernos de estudos. Abriu a capa devagar e na primeira folha estavam escritas mensagens. A escrita, grossa e pesada, de Sirius era a primeira, seguida dos traços retos e precisos de Catherine. As letras fortes e redondas de Marlene vinham em terceiro, acompanhadas das de Rabicho, miúdas e agrupadas. As palavras de Remo surgiam logo em baixo, uma escrita rápida e arrojada, como era de seu feitio. A caligrafia fina e inclinada de Lily era a última da página. Todas as mensagens falavam de amizade, amor, carinho e força.


Tiago sentiu os olhos arderem, virou a página seguinte, uma foto de seus pais, abraçados sob o pinheiro de natal. Sirius encontrara a foto no malão do amigo e cedeu-a à Lily. As outras páginas possuíam fotos do marotos, das amigas, da turma toda, da casa da grifinória quando ganharam a taça das casas no ano anterior, do time de quadribol entrando em campo, com Lene, Sirius e Tiago juntos nas vassouras... Ele derramou uma lágrima e abraçou todos os amigos de uma vez só, sussurrou um obrigado quase inaudível e fechou os olhos, sentindo que este era um natal muito especial.
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N/A: Outro capítulo monstruosamente grande!
O que vocês imaginam que seja o presente do Pontas para a Lily??
Este cap é o 17, tenho o 18 e o 19 prontos, mas ainda estou escrevendo (o 20). O próximo cap posto logo em breve, mas o 19 só estará online quando eu terminar esse que estou fazendo, o que deve ser lá por quinta.
Para mim é mais fácil postar nas quintas e nas sextas, por causa da escola e do treino de xadrez que vou começar.
Espero um comentário para fazer a postagem!
Esperando que vocês compreendam minha situação,
Morgana Pontas Potter 

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Comentários (1)

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