Os marotos o quê?



A manhã de sábado foi tranquila, Lily trancafiou-se na biblioteca com Marlene, estudando transfiguração. Catherine ficou na torre, lendo as cartas de sua avó. Remo estava estranhamente melancólico e os marotos tentavam animá-lo.


- Qual é cara? Lua cheia!! Diversão!! – Instigou Pontas.


- É exatamente por isso! Vocês se divertem, eu não! Não é confortável... Aguentar vocês todo dia colando meus deveres, sabiam? – Mudou rapidamente de assunto ao perceber a aproximação das garotas.


- Six! Perde essa mania! Começa a estudar de uma vez, poxa vida! – Brigou Lene, que já entendera qual era o assunto de conversa dos marotos. O namorado deu de ombros. Ela sentou-se no braço da poltrona da sala comunal. – Você viaja hoje, né Remo?


- Uhum! – Ele assentiu tristemente. – Vou depois do almoço.


- Quando que você vai voltar, Remi? – Questionou Lily, sentada no tapete, com a cabeça escorada nas pernas de Marlene.


- Na sexta. Espero não perder muita coisa. Cath, anota para mim tudo de Astronomia, por favor? Lily, o resto das matérias é contigo, beleza?


- Tranquilo. Espero que sua avó melhore de uma vez. Já faz meses que ela está mal, né? – Perguntou Lily.


- É. – Respondeu vagamente, calou-se.


Almoçaram e despediram-se do maroto, que foi até a sala do diretor com sua mochila, que continha algumas mudas de roupas e um livro grosso “O código Leonardo.”, de autoria trouxa. De lá, oculto por um feitiço de ilusão, foi levado até a enfermaria, onde ficou até o fim da tarde, organizando-se. Uma área restrita da enfermaria era apenas sua, lá se encontravam poções especiais para tratar os efeitos colaterais pós-noite de lua cheia. Sua tarde passou rápida e era cerca de cinco horas quando o céu começou a escurecer.


- Sr. Lupin – Chamou uma jovem enfermeira, conhecida como Madame Pomfrey. – Hora de irmos.


Lupin assentiu calado, fechou a mochila e repousou o livro que recém começara a ler, sobre a maca. Arrastou-se para fora da salinha e saiu, por uma porta dos fundos que levava até a entrada do Salgueiro Lutador. A enfermeira o acompanhou até a entrada e ficou observando-o fazer o caminho por dentro do túnel até a casa em Hogsmeade. Vigiou a área para garantir que ninguém observava nada, de perto ou de longe. Quando a lua começou a surgir no céu, decidiu que deveria voltar ao castelo para não correr riscos. Ao fazer o caminho até os portões de entrada, viu dois jovens do segundo ano da grifinória saindo sorrateiros de dentro do prédio.


- Aonde vão, senhores? – Inquiriu autoritária.


- Nós... Nós vamos... Ehrm...


- Vamos cumprir uma detenção! Ficamos acordados até depois da hora, outro dia, e nossa monitora chefe nos deu detenção. Temos de cumpri-la na Floresta Negra. – Mentiu descaradamente um dos meninos.


- A sós? De modo nenhum. Para dentro. Só podem sair com a autorização do diretor da casa de vocês, conheço muito bem a Srta. Evans e sei que ela nunca seria imprudente desse modo. VAMOS, PARA O CASTELO! – Repreendeu ela.


Os dois a acompanharam calados, por vezes resmungavam coisas e brigavam entre si. Dentro do castelo, as garotas jantavam animadas, a exceção de Lene. Os marotos pareciam em ritmo de festa, alegres e risonhos. Retornaram do grande salão. Lily sentou-se na “sua” poltrona de frente para a lareira e ficou a observar o fogo crepitando. Em um sofá afastado estava uma Lene chorosa e um Sirius tenso.


- Lene... Não fica assim. Sabe que eu preciso ir, ele é meu amigo.


- Mas eu não concordo, é perigoso e ilegal, Sirius! Quando vão meter na cabeça que é uma loucura?


- Pelos amigos, se faz qualquer coisa, Lene. Pode falar o que quiser, não vou mudar meu ponto de vista. – Reclamou.


- É muito nobre de vocês, fazerem isso por ele. Toma cuidado, tá? – Disse mais alegre.


- Pode deixar, não vai se livrar de mim assim, tão fácil. – Brincou, segurando as mãos da garota. – Te adoro!


- Eu também! – E beijou delicadamente os lábios do maroto, que a abraçou e beijou-a os cabelos. – Vai lá, senão eu não vou ter coragem de te deixar ir. Tchau, Six. Até amanhã. – Sussurrou.


 - Tchau, Lene. Durma bem! – E saiu da sala para encontrar com Pontas e Rabicho nos jardins.


Pouco tempo depois as garotas subiram para o dormitório, tomaram banho e se vestiram para dormir. Marlene não passou uma boa noite, tirava rápidos cochilos e, ao acordar, ia até sua janela para olhar para o Salgueiro. A neve caía pesada do lado de fora e o vento era congelante. Suspirava e olhava para o céu, observando a lua. Quando o cansaço aumentava e seus olhos ardiam devido ao ar gelado, retornava para suas cobertas e fechava os olhos, tentando dormir. Sonhava com o cão negro de olhos azuis que sabia que estava na casa dos gritos.


 Os dias da semana se passavam assim, os marotos apareciam quase mortos de sono pela manhã, faltavam os dois últimos períodos de aula e após o jantar não eram vistos, até o outro dia.


Era uma quinta-feira quando Sirius veio até Lily para conversar.


- Ruiva? – Lily o observou, meio surpresa. – Já chega, né? Olha, eu errei, fui um idiota, tapado... O que você quiser achar que eu tenha sido, mas eu me arrependo de ter te enganado. Poxa, sou teu  amigo... Não gosto de ficar brigado, me perdoa Ruiva?


- Tá! Perdoado! – E abraçou-o. – Senti sua falta, cachorro! E nunca mais apronte comigo!


- Sim, senhora, capitã Evans! – Zoou girando a ruiva baixinha no ar.


- Ei, ei, ei! Pode ir parando por ai! Black, justifique isso!


- O... O que, Lene? – Questionou preocupado que Marlene estivesse tendo uma crise de ciúmes.


- Você que deixar minha amiga tonta?De tonto nesse grupo basta você, né? – Brincou. – Fico feliz que tenham feito as pazes. Bem, então so falta o Tiago tomar vergonha na cara e falar contigo, Pepper!


Lily corou levemente e puxou os amigos para a aula. De tarde, Sirius sumiu, junto com Tiago, para a enfermaria. Foram visitar Aluado, que tinha recém saído do efeito das poções do sono que bebera pela manhã.


- Fala, Aluadoo!  - Sirius disse alto, fazendo algazarra na enfermaria.


- Shhhh. Almofadinhas, por Merlin, fale baixo. Sabe que minha cabeça ainda está estourando de dor! – Exclamou Remo.


- E ai... Como você, tá? – Questionou Tiago.


- Bem, me recuperando aos poucos, mas... Bem! – Sorriu otimista.


A sala aquietou-se, nada de vozes, nem barulhos, cada um absorto em seus pensamentos.


- Ei, adivinhem!


- O que? – Questionaram Pontas e Aluado juntos, muito curiosos.


- Fiz as pazes com a Lils. – Sorriu contente.


Aluado fez um ‘toca aqui’ e Pontas fechou a cara.


- Que foi? – Perguntou Sirius.


- Nada! Nada! Só o fato de que, meus amigos tramam contra mim e a garota que eu amo, ela descobre, grita com todos, faz as pazes com quem armou tudo, mas eu... Que sou o inocente dessa história toda, ela não é capaz de sequer me desejar ‘bom dia’. – Disse Tiago, com mágoa.


- Pois então, fale com ela!


- Como se fosse tão fácil, Remo! Lily tem um temperamento muito... Vocês sabem que ela é estressada! Eu estava me ajeitando com ela, mas vocês resolveram intervir na coisa, olha no que deu?!


- Pontas, desculpa! Já pedimos que nos perdoasse! Não imaginamos que ia sair do controle!


- Sabe o que é, Sirius? Vocês acabaram com toda a chance que eu tinha de a Lily vir a se tornar minha família! Minha única família!


- Está exagerando, Pontas. E tia Sam e tio Wiliam? Seus pais eles... Também são sua família, cara. – Disse Aluado, tentando amenizar a situação.


- Meus pais? MEUS PAIS? ALUADO...


- Calma, Pontas. Respira... Ele não disse por mal. Ele nem sabe! Relaxa!


- Do que eu não sei? – Questionou Remo.


- QUE MEUS PAIS ESTÃO MORTOS! – Gritou Tiago enfurecido.


O silêncio imperou na sala, Sirius teve certeza de que, se tivesse uma faca ou espada, poderia cortar o ar, de tão denso que estava.


- Eu... Eu não fazia ideia! Desculpe. – Murmurou Aluado, envergonhado. – Você não disse!


- Não, eu não disse. – Repetiu um Tiago sério.


- Achei que os marotos dividiam tudo. Os segredos, as dificuldades... – Falou Remo, muito baixo.


- Então, talvez, eu não seja um maroto! Então, talvez, eu não deva constar como criador do mapa. Porque eu não contei que fiquei órfão no verão. – Disse com raiva. – Quer saber, vai ser assim! Os marotos acabam aqui! Pelo menos para mim, os marotos acabaram! – Pegou o mapa em sua mochila. – Eu juro solenemente não fazer nada de bom. Eu, Tiago Potter, membro do grupo dos marotos, conhecido como Pontas, me retiro desse grupo, removendo meu nome do mapa. Malfeito feito. Toma, o mapa é todo de vocês.  – Jogou com violência o mapa para a cama de Remo


Os dois ficaram boquiabertos, o grupo dos marotos se desfizera. Ninguém falou nada por longos minutos, eis que Sirius resolve se pronunciar.


- Você é um perfeito idiota! Não vou deixar que jogue nossa amizade no ralo desse modo. Não, me deixa continuar. – Disse quando viu Tiago abrindo a boca para protestar. – Você está com a cabeça quente, suba, tome um banho e deite. Quem sabe põem os pensamentos em ordem. E isso – mostrou o mapa para ele. – não quer dizer que você deixou de ser maroto. Sempre vai ser! Eu converso com você mais tarde, Aluado. Vamos, torre da grifinória agora! – Saiu da sala puxando Tiago pelo braço. Despediu-se mudamente de Remo e foi embora com o amigo/irmão.
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N/A: Segundo capítulo do dia!!!
:) :) Gente!!! Muito feliz!!!! Valeu mesmo!!!
Obrigada outra vez!!
De uma autora exultante,
Morgana Pontas Potter 

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Comentários (1)

  • Talisman José da Silva Moraes

    Égua!! Que capítulo fantástico!!! Me surpreendeu completamente! Louco pars ver com será o próximo! Se não for pedir muito... Você poderia fazer capítulos um pouco mais longos?  

    2014-03-22
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