O Conselho



Capítulo 60 – O Conselho

Depois de muita discussão, ficou resolvido que as crianças deveriam ficar na Toca, já que elas davam sinais de irritação pelo cárcere forçado a qual eles estavam submetidos. E a casa dos Weasley era a solução lógica.
Sirius e Mary moravam na Sede da Ordem, em Londres. Tiago e Lilian em Godric’s Hollow, que é uma vila com grande concentração de bruxos. Remo, tinha uma casa pequena que não suportaria a todos, ainda mais que Tonks o visitava constantemente, que era embaraçoso para o lobisomem.
Apesar da casa estar lotada, Molly não ligava. Adorava a casa cheia. Mesmo não concordando muito, ela permitiu que Gui levasse Fleur para a casa, algo com ficar de olho nos seus filhotes. Carlinhos estava de férias, mas para a mãe era apenas uma desculpa para ficar de olho na irmã. Até mesmo Hermione está lá. A matriarca esperava que pelo menos não tivesse netos ainda. Somente Percy faltava, pois tinha se mudado para Londres para ficar mais perto do trabalho e só visitava a família alguns fins de semana, já os gêmeos faziam questão de passar em casa.
Molly estava fazendo o café da manhã e apenas os irmãos Potter estavam acordados, assim como Arthur. Foi quando ela olhou para fora.
- Acho que temos visitas. – disse ela. – O que Dani está fazendo aqui, sozinha?
- Dani? – perguntou Cris pulando para a janela a fim de ver direito. – Será que aconteceu alguma coisa com Logan?
- Só tem uma forma de saber. – disse Arthur, e logo todos eles estavam atravessando o jardim.
- Desculpa aparecer sem avisar. – disse a menina, com Pumyra ao seu lado - mas temos que ficar na Inglaterra até as aulas.
- Claro, Dani. – disse Molly.
- Cadê o Logan? – perguntou Cris.
Mas antes que a loira pudesse responder, um vulto se joga sobre a menina a derrubando. Era Logan na sua forma de grifo, pelo tamanho, ele estava novamente preso nesta forma.
- Ele resolveu invadir a toca de um tigre da China. – disse Dani. - Precisou passar dois dias como grifo, então aconteceu isso. Para pegar os bigodes dele para nossas varinhas.
- Não sabia que isso podia acontecer, se ficasse muito tempo como um animago. – disse Arthur.
- Isso só acontece com quem tem muito poder e se transforma em um animal mágico. Um bruxo comum pode passar anos em sua forma animaga e nada acontecer.
- Você pode se apertar no quarto da Gina. E ele... – disse Molly.
- Nós trouxemos uma barraca, onde ficaremos, não se preocupe. – disse a menina.
- Ela é grande? – perguntou Arthur, e com a confirmação dela, continuou. – Acho que podemos mudar os meninos que estão no quarto do Rony para lá, e você e a Cris ficam no quarto dele, aliviando os quartos. Que tal?
- O Ti vai ter que ficar fora enquanto está assim, ele resfria muito o ambiente e pode atrapalhar o sono deles.
- Vamos entrar, agora que está tudo acertado, vocês precisam comer, e logo todos vão acordar.

Dois dias se passaram, e tiveram poucos problemas com o grifo, a não ser os rosnados para Harry e Tiago, quando este aparecia aqui, e a caçada costumeira a Sirius quando este passou para visitar as filhas.
Durante aquela tarde, uma coruja surgiu com uma carta, como estava endereçada para Logan, Cris abriu.
A ruiva foi lendo e cada vez ficava mais horrorizada.
- COMO VOCÊ PODE? – berrou ela para o grifo que não entendia nada. – Depois do que você me falou no Beco Diagonal. Encontros em Hogsmeade, com outra. Ela dá detalhes, fala de tatuagem. EU ODEIO VOCÊ.
O que mais surpreendeu foi o tapa que ela deu, no rosto do namorado.
A mágoa que foi vista no olhar do animago foi de cortar o coração, ele levantou voo e se embrenhou na floresta que tinha perto da Toca.
- Por que você fez isso? – perguntou Dani com o dedo na cara dela. – Ele nem pode se defender destas acusações. Aliás, essa carta fala de uma tatuagem na perna, coisa que ele não tem. Ainda mais um Pégaso.
- Mas... – balbuciou Cris.
- Mas, nada. – continuou a brasileira. – Você não estranhou que a coruja tenha ido direto para você ao invés de ir para perto do Ti. Me de esse envelope. Viu ele estava direcionado para você. Essa menina queria que vocês brigassem. Aposto que a coruja foi instruída para entregar somente quando ele estivesse por perto para que você visse.
- Eu gritei com ele. – disse a menina desconsolada. – Armaram pra mim e caí.
- O maior problema é que parece que ele perdeu a humanidade, e agora temos uma fera solta por ai. – disse Harry.
- Temos que procurá-lo. – disse Gina.
- Vamos. – disse Cris começando a ir em direção a floresta.
- Você fica onde está. – disse Dani. – Você já errou com o Ti, hoje, não cometa outro erro saindo da proteção que ele colocou em volta da Toca com ele do jeito que está.
- Ela tem razão. – disse Harry. – Eu vou com ela e Carlinhos procurar o grifo desembestado.
- Eu também vou. – disse Gina.
- Nem pensar mocinha. – disse Molly. – Nenhum ruivo sai das minhas vistas, bem o Carlinhos está acostumado a animais selvagens pode ajudar a procurar o Logan.
- Pumyra cuide ela. – disse Dani para a gata, que olhava feio para Cris.
O trio saiu em direção à floresta, deixando para trás uma ruiva em lágrimas sendo consolada pelas amigas.
Eles seguiram a direção que Logan tinha ido, mas sabiam que isso podia ser enganoso. Ele agora era uma fera completa e pensaria como uma. Carlinhos sugeriu que eles fossem em direção ao riacho que tinha perto, fonte de água e comida.
Depois de meia hora de caminhada, onde os três estavam atentos a todos os sinais e barulhos.
Dani se abaixou e analisou a temperatura da água.
- Ele está perto. Isso aqui está congelante.
- Concordo com você. – disse Carlinhos apontando para uma moita. – Aquelas folhas estão quebradas e queimadas, algo grande e frio passou por ali há pouco tempo.
- Vamos. – disse Harry, quanto mais rápido eles achassem o grifo perdido, mais cedo veria o sorriso da irmã.
Mais alguns minutos de caminhada e encontraram o grifo enrolado em uma clareira. Parecia que tinha algo enrolado nele.
- Tem algo errado. – disse Dani.
- Provavelmente, aquele bloco de gelo ali. – disse Harry apontando para o outro lado da clareira.
Ele e Carlinhos seguiram para lá enquanto Dani via como estava o irmão.
O moreno passou a mão para limpar o bloco e ver lá dentro.
- É um demônio. – disse Carlinhos. – Deve ser dos inferiores, para ser congelado assim.
Eles voltaram para perto de Dani.
- Ele está bem. – disse a loira. – Mas acho que temos um problema.
Os dois se aproximaram para ver, mas foram recebidos por rosnados de perigo. Porém eles viram algo entre suas patas dianteiras.
- O que é aquilo? – perguntou Harry.
- Se for o que estou pensando, é realmente algo surpreendente. – disse Carlinhos.
- Sim, essa é uma fada.  – disse a menina. - Daquelas parecidas com os contos trouxas. Não essas venenosas que temos por aqui, as mordentes. São ligadas à natureza.
- Então essa é uma Fada do Gelo. – disse Harry entendendo o pensamento da menina.
- Quase. É uma Fada Azul, cujo elemento é o gelo. – disse Carlinhos. – Mas segundo as lendas, que agora se provam verdade. Ela vive no Ártico.
- Acho que nosso amigo Picolé pode explicar a presença dela aqui. Eles as usam como fonte de energia e guia. – disse Dani. – Eles usam elementos opostos, ou o gosto das Fadas por coisas bonitas.
- Qual o problema? – perguntou Carlinhos.
- Ela é uma fada. Ela é uma fada Azul. – disse Dani enumerando os fatos. – Ela está machucada. Ele está magoado. Não vai ser fácil levá-lo de volta.
- O que faremos? – perguntou Harry preocupado. – Se mamãe souber vai vir aqui leva-lo pela orelha, por magoar a filhinha dela. Ou pior trazer a Fada até aqui para se desculpar com ele.
- Deixa comigo. - disse a loira. – Ti, me escute. Você tem que voltar.
Ele balançou a cabeça negativamente, mas pelo menos estava entendendo.
- Sei que você está magoado, mas você tem que entender o lado dela, ela gosta de você, pois isso teve aquela reação. – ele novamente balançou a cabeça negando. – Bom isso não importa, agora. Você gosta dela, ama, para ser mais exata. Você precisa proteger a ruiva. Sua ruiva. Lembra.
O grifo pareceu pensar um momento e depois olhou para pequena fada nas suas patas.
- Você pode levá-la. – disse a menina. – Ela está sozinha mesmo, longe de casa.
Logan começou a se erguer, sem deixar a fada encostar no chão. E começou a andar em direção ao caminho que os outros vieram, usando apenas três patas, já que a outra servia para segurar sua nova amiga.
- Deixa que eu leve. – disse Carlinhos.
Mas quase levou uma mordida, quando estendeu a mão.
- Ele é do tipo autossuficiente. – disse Harry. – E também não vai deixar ninguém com cabelo de fogo encostar nela, talvez a Fada, mas somente depois que a confusão passar.
- Vocês não entendem nada, mesmo. Além disso, ela tem que ser resfriada, aqui está muito quente. - disse Dani, e se aproximou do irmão. – Eu levo. Assim vai ser mais rápido. Eu posso deixá-la confortável.
O grifo estendeu a pata e entregou a criatura frágil para Dani.
- Você não quer ir trabalhar comigo? – perguntou o ruivo. – Aposto que os dragões vão fazer o que você quiser.
- Tentador. Mas temos tempo para isso. Vamos logo.
O caminho de volta foi mais rápido, pois eles não precisavam se preocupara tanto em achar nada.
Logan olhou para o grupo que estava esperando por eles, deu um suspiro, e andou em direção a uma sombra da casa. Puxou a irmã para ir com ele. E os dois começaram a cuidar da fadinha, juntamente com a flamecat.
Harry sentiu que devia explicar, contou tudo o que aconteceu na floresta.
- Onde você pensa que vai mocinha? – perguntou Molly ao ver que Cris ia em direção os irmãos.
- Preciso ver como ele está.
- Você não ouviu nada. Ele não vai deixar você se aproximar. Ninguém com cabelos vermelhos deve se aproximar enquanto a fada estiver se curando. – disse Molly.
- Mas... – disse a ruiva.
- Dê um jeito no seu cabelo, e não adianta magia. – disse ela. – Vou arrumar algo para ele comer, Fleur você poderia me ajudar. Você pode chegar perto dele, de qualquer jeito.
Todos entraram, exceto Harry, Cris e Gina.
- Eu preciso falar com ele. – disse Cris.
- Não adianta, Fada. Ele agora não vai te escutar. – disse Harry. – A Dani conversou com ele, e nem nela, ele acreditou.
- Ele está magoado com você. – disse Gina. – Não é você mesma que vive dizendo que ele sofre com o ódio das pessoas por ele. Suas palavras foram fortes.
- Mas o que eu posso fazer?
- Deixe seu cabelo azul como no Beco. – disse Gina. – Quem sabe ele deixa você chegar perto.
- E cuide da fadinha sem falar nada. – disse o moreno. – assim ele vai ter tempo para pensar.
Ela passou o resto da tarde toda tentando mudar seu cabelo. Até que perto do anoitecer pensou em tudo e começou a ficar com raiva da pessoa que mandou a carta, que provavelmente queria separar os dois, e ao invés de sentir seu sangue ferver, ele congelava.
Olhou para seu cabelo e viu as mechas. Ficou feliz, mas precisava de um sentimento diferente para ativar isso, raiva nem sempre é bem vinda.
Ele se aproximou aos poucos, mais com medo de uma rejeição do que ser atacada. Ela percebeu que quando se aproximou, a fadinha brilhou um pouco mais.
Logan pareceu nem perceber nada, mas Dani olhou para ela.
- Eu sou uma Fada. – disse ela.
A menina então congelou a asa da fadinha que sorriu feliz.  
Molly convenceu Dani de que era melhor o grifo dormir dentro de casa, assim ele se sentiria seguro e poder descansar. Não foi difícil levar Logan para dentro, já que a loira disse que dormiria com ele ali.
Os dias foram se passando e a fadinha melhorava de forma espantosa, pelo menos era o que Dani dizia, já que era a única que tinha visto uma antes.
No sábado, ela já estava voando pelos jardins, e todos viam que ela brincava com o grifo, onde ela o sobrevoava, e o gatinho tinha que encostar o nariz nela. Todos já podiam chegar perto da dupla, mas aquela brincadeira era só dos dois. Harry preferia manter alguma distância, e com ele Gina.
Num determinado momento, a fadinha foi em direção a Cris, voando em círculos sobre a cabeça dela.
Molly na sua experiência, ordenou sem problemas que todos entrassem. Dani e Harry foram mais relutantes, por isso ficaram na porta.
A fadinha disse algo no ouvido da menina, ou foi isso que ela percebeu, enquanto o grifo sentava a sua frente.
- Eu preciso me desculpar. – disse ela. – Eu não te odeio. Eu falei sem pensar. Papai diz que eu tenho o gênio da mamãe, que explode, não pensa em nada e depois fica se remoendo. Eu te amo e você sabe disso. E também sabe que eu sou ciumenta como o papai.
Ela abaixou o olhar para não ver a rejeição novamente.
- Eu sei. – ela olhou para frente, não sabia que grifos falavam. Mas a sua frente está um humano, o seu humano. – Eu também te amo
Eles se beijaram, com a fadinha soltando cristais de gelo sobre eles. Assim que separaram os lábios, a pequena criatura magica voou em direção o ombro da menina novamente, porem, ao invés de pousar ali, entrou sobre a sua blusa e sumiu.
- Parece que ela gostou de você. – disse Logan olhando para a tatuagem que ela tinha no local, que agora parecia viva com a de demônio dele. – Agora ela faz parte de você.
- Foi o melhor presente que me deram. – disse ela o beijando novamente.
Todos dentro da casa vibraram.

No domingo, Molly fez um belo almoço para todos, isso incluía Percy, os marotos, e Mel.
- Meninos arrumem a mesa. – ordenou Molly. – Nada de brincar com as mesas, ouviu Gui, Carlinhos. Nem sei pra que eu ainda me importo em dizer isso.
- Almofadinhas, levanta e vem ajudar. – disse Remo.
- Eu não, ela disse Meninos. – disse o auror.
- Por acaso você é menina? – perguntou Tiago.
- Não. – respondeu ele indignado pela pergunta e por não ter pensado nela antes de falar bobagem. – Ela quis dizer crianças.
- E isso faz diferença para Molly? – perguntou Arthur. – Eu sou uma criança pra ela.
- Como se você tivesse crescido. – disse Mary jogando as toalhas nas mãos do marido. – Vá.
- Só vou porque você está pedindo com jeitinho. – disse ele.
Molly fez isso, pois sabia que ia demorar para a mesa estar arrumada, até lá teria terminado de fazer o almoço.
Um vento estranho passou pelo jardim, fazendo com que Logan, Tiago, Sirius, Remo e Harry ficassem atentos.
O primeiro agir foi Logan, que num instante estava ao lado de Cris, no outro estava parado perto da cerca da casa com uma besta em cada mão, apontando para pontos específicos da floresta. Seu lugar fora ocupado por Dani que portava uma espada curta na mão.
- É muita falta de educação aparecer para o almoço sem convite ou aviso. – disse ele para quem quer que fosse.
Ninguém podia ver nada ainda, mas também não era sentido magia.
- Pai, você pode me explicar. – disse ele para um ponto a sua direita. – Por que motivo o Conselhos dos Anciões está fazendo aqui?
- Eles vieram ver o andamento de sua missão. – disse um homem aparecendo naquele ponto. – Eu estou aqui para evitar abusos.
Era obvio que ele era um caçador, pelo porte e pelas armas que ostentava. Depois disso mais cinco homens apareceram a frente de Logan. Este ainda apontava a besta da mão esquerda para um ponto.
- Revele-se Raptor. – ordenou.
Um rapaz de vinte poucos anos surgiu dali, mas isso não fez com que saísse da mira do bruxo.
- Cadê ela? – perguntou Dani em português.
- Está vindo. – respondeu o primeiro homem. – Você não acha que sua mãe perderia a chance de conhecer a nora.
- As noras. – disse Logan, e se virando para os caçadores. – Mais um passo para frente e teremos que escolher um novo conselho.
- Isso é uma ameaça? – perguntou um dos anciões.
- Não, uma alerta. – disse Logan. – Essa casa está protegida por mim com inúmeros feitiços letais.
Essa revelação fez os caçadores darem um passo para trás, magia era algo que eles respeitavam.
Um vulto saltou sobre Logan.
- Mãe. – reclamou ele. – Estou tentando ser ameaçador aqui.
- Deixa de ser bobo, Tiaguinho. – disse ela. – Você sabe que eles têm medo de você de qualquer jeito.
 - Pessoal essa é minha mãe, Cláudia. – disse o brasileiro, e todos puseram ver que ele estava com os olhos de felinos e caninos desenvolvidos. – Mãe, esse é o pessoal. A minha Fada é aquela do lado da Dani. Agora vou terminar isso aqui.
Ele se voltou para o conselho.
- Vamos começar com essa joça logo, não quero perder o almoço da Molly.
- Eu, General Van Helsing, Alfa dos Caçadores, abro esse conselho.
- General Estegossauro, representante dos Caçadores da África se apresenta.
- General Maverick, representante dos Caçadores da América se apresenta.
- General Buda, representante da Ásia se apresenta.
- General Tristão, representante da Europa se apresenta.
- General Crocodilo, representante da Oceania se apresenta.

- Eles precisam dessa coisa toda? – perguntou Rony. – Eu estou com fome.
- Algumas coisas são obrigatórias. – disse Dani. – Mas são chatas demais.
- Van Helsing é apenas um codinome por ele ser o Alfa? – perguntou Hermione. - Não tem nada por trás disso?
- Não, papai é o único que não usa codinome. – disse a menina e todos arregalaram os olhos. – Tá vendo por que ele não conta.
- Bom então realmente esse é um almoço em família. – disse Molly se refazendo. – Vocês dois estão convidados, mas o resto vai sair daqui assim que acabar isso tudo.
- Podemos ver de onde eles tiram essa posse autoritária. – disse Fernanda.

- Wolverine, você está sendo acusado de não cumprir sua missão. – disse Maverick, que parecia ser o líder deste conselho.
- Que missão? – perguntou Logan.
- Evitar a liberação dos demônios, evitando que a profecia realizada depois da guerra ancestral fosse cumprida. – disse Maverick, em um sotaque francês.
- Isso é matar a chave. – disse Estegossauro, em sua típica arrogância norte-americana.
- Vocês devia saber que existem inúmeras formas de se interpretar uma profecia. Nem mesmo os centauros afirmam com certeza suas interpretações.
- O que você quer dizer com isso? – perguntou Crocodilo com seu sotaque típico australiano.

“Muitas eras se passaram quando surgirá uma chance dos seres da escuridão destruir os celestiais. A Chave nascerá marcada, por seres da Natureza, sobre a proteção do fogo. O Inimigo Transformado em Aliado se encarregará da Chave. Somente com o Sacrifício da Chave perante um Demônio abrirá os portais do Inferno.”

- Nem sempre podemos identificar com absoluta certeza quem é o alvo delas. Neste caso eu posso afirmar que atrás de mim existem quatro pessoas que se enquadram na profecia. Marcadas pela natureza, protegidas pelo fogo. Ruivas, nascidas com o símbolo do fogo na cabeça. Uma é protegida por outros sete cabeças de fogo, duas têm grifos reais como bichinhos de estimação, e a última é protegida por mim. Como posso saber qual é a chave. Esse fato se repete por todo o mundo e pelo tempo. Matar uma, não acaba com a profecia.
- Demogorgon acredita que ela é a chave. – disse Tristão, com um sotaque russo.
- Só por que ele acredita que Minha Fada é a chave perfeita, que ele não pode mudar de ideia caso ela por ventura suma de seu alcance.
- E o Inimigo transformado em Aliado, como você explica se não for você. – disse Estegossauro com um sorriso.
- Um traidor. – disse ele simplesmente. – E alguém que está de um lado e se bandeia para o outro por uma infinidade de motivos. Raiva, cobiça, ambição, amor, medo, entre outros. Os três não ruivos atrás de mim, com mais de vinte anos, foram traídos por um amigo. O de olhos azuis fugiu de casa e foi considerado desertor, um inimigo, logo um aliado do outro lado. Posso citar outros exemplos, na historia humana, dos caçadores, bruxos, centauros, duendes, vampiros e outros grupos.
Os anciões ficaram pensativos.
- Sem contar que se eu a matasse, ou qualquer outra ruiva, eu estaria fazendo o sacrifício perante um Demônio, sendo o responsável pela abertura dos portais do inferno.
- Como assim? – perguntou Raptor, que nada tinha haver com o conselho, apesar de ser filho do Estegossauro.
- Assim.  – disse Logan, ele olhou para o interlocutor e começou a mudar.
Asas de dragão surgiram nas suas costas, sua pele mudou para um tom mais avermelhado, e unhas cresceram. – Caso você não saiba, eu sou um demônio. E é melhor ficar quieto, que dino de fora não dá palpite.

-As unhas são somente efeito dramático. – disse Rafael, que acabou de chegar e abraçou a namorada. – Ele não gosta de usar as garras quando não está lutando.
- Quero saber tudo sobre a sua família, entendeu. – disse Fernanda. – Senão você será um caçador solitário.
- Vamos prestar atenção no meu irmão ali.

- Sem contar que se encarregar não quer dizer matar. Poder ser cuidar, proteger. E é isso que estou fazendo. Portanto minha missão está indo bem.
Os pensadores cochicharam e deram sua sentença.
- Devido a esses fatos que passaram despercebidos pelos tempos. Você continua na sua missão.
- Acho que alguém melhor deva segui-la. – disse Raptor. – Eu te desafio pela honra de cumprir essa missão, e pela ruiva.
O silêncio tomou conta daquela pequena clareira. Como assim pela ruiva, pensavam todos, ele não pode fazer isso. Tiago e Harry já tiravam suas varinhas para atacar aquele atrevido.
- Aceito. – disse Logan, já de volta a sua forma anterior, surpreendendo aos bruxos. – Quais as regras?
- Uma arma. Sem Magia.– disse Maverick. – quem sair do espaço determinado perde. O desafio termina quando um dos anciões determinar, ou quando um dos oponentes desistir. Se preparem.
- Mel, Tonks. Vocês podem traçar uma arena aqui, não quero ser acusado de trapaça.
As duas criaram uma arena octogonal.
- Se alguém passar por elas fica vermelho. – disse Mel.
- Obrigado.
Enquanto isso Raptor selecionava sua arma. Ele separa uma espada japonesa. Em seguida os dois se arrumam na arena.
- Eu usarei a Kōri no kami, conhecida como Deus do Gelo. – disse ele retirando a espada de sua bainha. Ela parecia congelar o ar ao seu redor criando uma nevoa. – Ela possui a lâmina invertida, mais para defesa do que para ataque, mas pode congelar qualquer coisa que toque.
Para provar toco com a ponta no chão, congelando a grama ao redor. Depois começou a fazer movimentos com ela.
- Eu usarei o meu corpo. – disse Logan, o que fez os anciões, principalmente Estegossauro suar frio.
- Como você pode usar apenas o seu corpo. – disse o desafiante. – Eu sou o recordista em duelos sem armas, o mais novo a comandar um batalhão aos 16 anos, recordista...

Enquanto ele enumerava seus recordes e qualidades.
- Ele é tão bom assim? – perguntou Flávia preocupada.
- Que nada, esses recordes são da família dele. – disse Rafael. – Nem mesmo consta algum recorde dele nos Estados Unidos.
- Entre os caçadores eles possuem recordes entre famílias, países de origem e geral. – disse Dani tentando explicar melhor as coisas que o irmão, que parecia estar com raiva. – Claro que o Ti está em uma categoria diferente, seus recordes são classificados em outra lista.
- Alguém quer pipoca? – perguntou Cláudia.
- Ela é mesmo sua mãe. – comentou Gina para a loirinha.
- Ele vai brigar pra ficar comigo, como se eu fosse um objeto? – perguntou Cris decepcionada.
- São regras antiquadas. – disse Dani. – Papai está tentando mudar. Mas quando se briga por alguém, significa que para os caçadores e somente para eles, essa pessoa está comprometida com ela. Não há necessidade de um relacionamento, mas impede que outros caçadores tenham também. Para evitar isso, geralmente, os caçadores pedem uma audiência com pelo menos um ancião para anunciar que a pessoa é sua. O Ti nunca se preocupou com isso, já que ele também é um bruxo. Sendo você uma também, as coisas são mais complexas para os caçadores.
- Ele só aceitou para que ninguém o separasse de você. Caso ele recusasse, ele, perante os caçadores, não poderia chegar perto de você. – disse Cláudia. – Como ele nunca ia desistir de você, ele se tornaria um renegado, e seria caçado. Ai sim seria um grave problema. Já que todos os caçadores tentariam pega-lo, e como sabemos, não conseguiriam. E se algo acontecesse com você no meio do caminho, eu teria pena de quem entrasse no caminho dele.
- Eu queria uma prova de amor desta. – disse Mary.
- É impressão minha ou esses meninos sempre nos deixam em situações complicadas? – disse Sirius para Remo.
- Por que ele vai usar uma arma mágica? – perguntou Hermione. – Pensei que não pudessem usar nada do mundo bruxo.
- Ser uma arma mágica, não significa ser bruxa. – disse Rafael. – Centauros, Duendes, Vampiros, Yokais, Demônios, Anjos e outros, também fazem armas. Aquela em especial foi feita por um Yokai, que são muito comuns no oriente.

Quando eles voltaram as atenções para os duelistas, Raptor ainda falava.
- E por isso você não tem a menor chance contra mim. – disse ele com um sorriso vitorioso.
- Que comece o duelo. – disse Maverick.
Raptor começou tentando encostar a espada em Logan que só se desviava, mas alguns pontos congelados começaram a aparecer na roupa dele, nada que fosse muito preocupante, até que a espada encosta em sua coxa esquerda, o que visivelmente atrapalha um pouco os movimentos.

- Eu não acredito que ele vai fazer isso. – disse Dani.
- Isso o que? – perguntou Cris preocupada.
- Ele está brincando com ele. – disse Harry.
- Ele está aprontando alguma, isso sim. – disse Rafael. – o que será bem feito.
- Eu acho que ele está mais que certo. – disse Cláudia.
- Sabe esse negócio de vocês saberem o futuro não é muito legal. – disse Sirius. – Isso assusta mais que ajuda.
- Eu sei mais que o futuro. – disse Cláudia. – E acho que seu amigo concorda comigo.
Sirius olhou para Tiago e viu um sorriso maroto nele, realmente ele sabia o que ia acontecer.

Raptor sorriu mais uma vez vitorioso, quando conseguiu congelar o pé direito do adversário prendendo-o no chão.
- Acho que agora você não consegue mais se esquivar dos meus golpes. – disse ele.
- Uma pena. Estava sendo um bom exercício. – disse Logan, parecendo um pouco chateado.
Isso fez com que o outro congelasse seu outro pé no chão, assim como sua barriga, o deixando congelado do peito para baixo.
- Agora o golpe final. – disse o americano.
Ele levantou a espada indicando que o golpe seria na cabeça. Abaixou a espada com força, mas não chegou a acertar a cabeça. Logan amparou a espada com as mãos.
- Isso não vai te salvar. Enquanto você segura a espada, vou congelar todo o seu corpo e vencer o duelo.
Apesar disso, Logan parecia estar sorrindo quando seu rosto foi tomado pela camada de gelo.
Assim que percebeu que seu oponente estava completamente tomado pelo gelo, Raptor tentou retirar sua espada das mãos dele, mas ela parecia ter ficado presa ali.
Ele desistiu de tirar dali, e começou a caminhar em direção ao conselho, esperando ver o olhar orgulhoso no pai, como tinha visto no Alfa quando o filho confrontou e venceu o conselho, mais viu decepção.
- Se você sair da arena, será considerado desistente, e assim perderá a luta. – disse Maverick.
- Como? Ele não pode mais se mover. Ele perdeu. – disse Raptor.
- Você acaba de esquecer algumas das mais básicas regras de um caçador. – disse Estegossauro.  – Atrapalhou uma reunião do Conselho, Desafiou, se vangloriou e deu as costas para seu adversário, imaginando uma vitória fácil. Desconhece quem está combatendo e o pior acaba de entregar uma arma para o adversário, ao deixá-la nas mãos dele. E agora quer desistir sem garantir uma vitória incontestável.
- Eu venci. – disse ele.
- Eu acho que não. – disse Logan.
Todos se viraram para ele, esperando que o gelo se quebrasse ou derretesse, mas ele parecia ser a pele de Logan.
- Interessante essa espada. E mais interessante é que você nunca conseguiria usar todos os poderes dela, já que você não tem afinidade com nenhum dos elementos dela. – disse o brasileiro, com um movimento da mão, a espada começa a pegar fogo, novamente o fogo azul.
Isso só impressionou Raptor e Percy, que não estava entendendo nada, mas estava louco para perguntar.
Logan faz mais um movimento e pequenas bolinhas do fogo saem da espada e param na frente de cada mulher presente, virando uma rosa de fogo. Isso com exceção de Cris que recebeu um buque inteiro.
- Tratar bem as mulheres fui eu quem ensinou. – disse Van Helsing.
A bainha da espada que estava presa ao cinto de Raptor foi parar nas mãos de Logan. O gelo da pele foi sendo absorvida.
- Não se pode usar magia aqui. – disse o americano tentando desclassificar o adversário.
- Eu não fiz nada, a bainha só veio para seu novo dono. – disse Logan como se ensinasse a um recruta as regras básicas, depois jogou a espada para Dani. – Cuide dela pra mim.
- Raptor, você pode escolher outra arma, que lhe será entregue. – disse Maverick.
Ele escolheu em seu arsenal, uma espada medieval, com um cumprimento médio.
- Agora você vai ver porque me chamam de Velociraptor.
Ele então deu um pique em uma velocidade de recordista de corrida, e fez um movimento que indicava que ia corta a cabeça de Logan, garantindo a sua vitória incontestável desta vez.
Mas ele mal viu, Logan se movimentando interceptando sua mão, fazendo a espada cair, e com um golpe marcial, deu uma rasteira, levantando o adversário e o derrubando no chão, e com um novo movimento com a mão que prendia o pulso adversário desloca o ombro dele.
Sem permitir que Raptor se recuperasse, Logan o prende no chão, usando um pé para paralisar seu braço bom, e o joelho no seu peito, que além de prendê-lo no chão definitivamente, atrapalhava a respiração.
- Eu venci. – disse de forma incontestável Logan.
- Não! – disse Raptor tentando se mexer.
Logan então encosta o punho fechado no queixo dele, fazendo as garras das laterais aparecerem e passaram perto do rosto dele, enquanto a do meio, cresceu apenas ate encostar no queixo dele.
- Wolverine vence. – disse Maverick.
Ele então se levanta e para em frente ao conselho, onde todos verbalizam a sua vitória, então ele sai da arena.
Raptor também se levanta, mas com dificuldade, e se dirige para uma árvore, para assim colocar no lugar o ombro deslocado.
- General Wolverine, Comandante dos X-men, Filho de Gabriel Van Helsing com Cláudia Pendragon, Predador da Décima Classe, você recebe a benção para seu relacionamento com Cristiana, do Legado do Potter.
- Isso é serio. – Disse o Alfa. - Nem mesmo eu consegui a benção, só permissão.

No fundo de tudo está Raptor boquiaberto. Ele realmente não sabia quem era o seu adversário, esperava alguém mais fraco, mesmo sabendo que era um predador, esperava que eles demorassem mais para se fortalecerem.
Olhou em volta e viu uma das bruxas que conjuraram a arena. Percebeu que a de cabelo rosa estava com o lobisomem. Então ele tentaria a outra.
- Oi, gata. – disse ele já a puxando pela cintura.
Ela não se abalou.
- Me desculpa, mas não gosto de perdedores. – disse ela.
- Aquilo não foi nada. Não se pode vencer um predador. – disse ele, se aproximando mais.
- Me desculpe. Mas não gosto de você. – disse ela. – Você tentou acabar de destruir o namoro da Cris. E agora tem a cara de pau de vir para cima de mim. Se toca.
- Um beijo e você não resistirá. – disse ele.
- Duvido. – disse ela, e quando ele novamente a puxou, ela deu uma bruta joelhada entre suas pernas. – Nenhuma mulher gosta disso.
- Você vai me pagar.
Ela chegou perto dele e sussurrou ao seu ouvido.
- Eu aprendi com os melhores a como tratar idiotas como você. São esses quatro atrás de mim, também conhecidos como Cavaleiros do Apocalipse. Te garanto que se eles te pegarem, você pode ter certeza que terá uma morte lenta e muito dolorosa, mesmo para um caçador. – ela se afastou e se aproximou dos quatro. – tenho tudo sobre controle.

Rafael se adiantou e pediu a palavra.
- Eu, Major Arcanjo, comandante do Esquadrão do Céu, solicito, pelo código, a permissão para incluir Fernanda Black em minha família, como minha companheira.
- Você está ciente de tudo que isso acarreta? – perguntou Buda.
- Sim. – respondeu.
- Você sabe que não poderá se relacionar mais com ninguém pertencente a família Caçadora? – perguntou novamente o indiano.
- Sim.
- Está preparado para passar pelos três desafios?
- Sim.
- Você precisa de um caçador com patente acima da sua para abençoar a união, que não seja o Alfa.
- Tem a mim. – disse Logan.
- A partir de agora, Fernanda Black possui compromisso com Gal Arcanjo, e somente com ele. O casamento só poderá ocorrer depois dos desafios cumpridos.
- Esteja certo que serão convidados.
Os anciões se viraram para desaparecer quando Logan chamou a atenção deles.
- Esperem. – disse ele.
Eles mal se viraram e foram recebidos por flechas, que se alojaram no ombro esquerdo de cada um.
- Isso é por atrapalharem uma missão importante.
Eles nada disseram somente se viraram e saíram, e nem viram que Raptor tinha três flechas no corpo, uma em cada ombro e uma na perna.
Quando se juntou ao outros ele falou.
- Eu esperava um desafio maior. – disse ele dando um beijo na namorada. – Ninguém mais queria me desafiar.
- Não? Por quê? – perguntou Neville.
- O último que fez também era um predador. Filho de uma caçadora com um meio gigante, chamado Atlas. – disse Rafael. – Foi a melhor batalha que vi.
- Sem contar que Atlas só passou um mês na enfermaria do QG. – disse Gabriel. – e meu menino, saiu como se fosse uma encenação.
- Deixemos a conversa para o almoço. – disse Molly.
- Finalmente. – disseram todos os ruivos.

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