Alemanha



CAPÍTULO 14 - ALEMANHA


TRÊS DIAS APÓS metade do mundo trouxa já havia admirado a foto do casal estampada na capa de uma revista de fofocas. O chefe de equipe parabenizou Rony, mesmo após o verdadeiro Ronald Chaperffield ter aparecido, cercado de modelos e vestindo apenas um poncho. Todos concordaram que Rony merecia o prêmio, com parte do qual quitou a dívida do hotel para Hermione.


- Não podemos mais ficar aqui! Agora somos procurados em dois mundos  – Hermione declarou, após ser interceptada por fãs pela quinta vez enquanto, tentavam, andar pelas ruas de Monte Carlo.


Haviam saído cedo naquela manhã, para conhecer a cidade na sua forma mais pura, embora, por recomendação de Hermione, tivessem passado longe dos cassinos.


“Sério?” pensou Harry. De alguma forma sempre acabavam desaparatando num local planejado por Hermione. Mas sabia que se ela fosse um produto de poção Polissuco, não teria beijado Rony, ou saberia que seus pais estavam enfeitiçados na Austrália.


- Para onde você quer ir? – ela perguntou, animando-o com um sorriso.


- Não sei – ele hesitou – para ser sincero ninguém nunca me fez essa pergunta.


- Vamos – Gina o estimulava – tem um mundo inteiro de opções.


- Está bem – Harry fechou os olhos, se fosse escolher, teria de ser um lugar seguro. Pensou em diversos lugares, visando a lista de segurança do Ministério. Um país que, pela História, estaria livre de Comensais, que não tivesse em sua história qualquer indício de atividade bruxa suspeita, onde os trouxas prevaleciam...


- Vamos para a Alemanha.


- Já me vejo tomando chopp – Rony brincou.


Subiram para a suíte, fizeram as malas e desaparatarm.


 Caíram em uma extensão de pedregúlhos, um estacionamento. Por sorte estava quase deserto por ali.


O estcionamento era de uma cervejaria, e o ar estava repleto de aromas etílicos. Chaminés cobertas de limo, exalavam o perfume de lingüíças asssando na chapa.


- Não podia ser um local mais habitado? – Hermione girou trezentos e sessenta graus, admirando a paisagem: era uma rodovia de pista simples, com acostamento estreito. O lado oposto da estrada era cercado por uma fileira de pinheiros muito verdes, com uma porteira ao longe. Harry ouvia através deles um mugir distante.


- Desculpe – pediu Harry – mas essa é a melhor imagem que eu tenho da Alemanha – olhou ao redor, se aquela era a melhor, qual seria a pior? – quer dizer, tenho outras, mas fiquei com medo de desaparatarmos em um local muito movimentado.


- Esse cenário pastoril está me deixando com fome – Rony esfregou a barriga – o que acham de comer? É por minha conta.


 O movimento interno era muitíssimo maior que o externo, garçonetes corriam de um lado para o outro, servindo pratos enormes de repolho, arroz, batatas e salsichas. Outras, carregavam literalmente barris de chopp, seguidas por mais outras, com canecas descomunais.


Hermione checou o menu riscado com giz na entrada:


- Parece um pouco caro... –  ela indicou – a porção mais barata paa quatro pessoas custa quase cem marcos!


- Deixe de ser tão pão-dura! – Rony ia pedindo uma mesa – já disse que é por minha conta.


 O lugar escolhido por Rony não foi dos melhores, ficava bem no meio da multidão, e as garçonetes trombavam por ali o tempo todo.


- Rony – Gina reclamava, já era a terceira vez que era bezuntada de molho por uma garçonete descuidada – essa mesa é uma bos...


- O que vão querer, meus jovens? – a garçonete interrompeu a blasfêmia de Gina.


- Por que toda atendente tem que ser tão simpática?! – Gina se esforçava para que seus sussurros a Harry não fossem percebidos pelos demais, no entanto, sua voz saía rouca devido ao tom ríspido e baixo.


- Vamos querer esta porção para quatro pessoas – Rony apontou no cardápio – e... – ele olhou, interrogando, para os demais – uns canecos de chopp?


- Rony, nós somos menores de idade! – Hermione gritou, completamente indignada com a falta de bom-senso do amigo.


- Claro – ele corou, alterando o pedido dos chopps por sucos de laranja.


- Só uma coisa! – Gina interceptou a garçonete, já saindo – por que não tem quase nenhum carro no estacionamento? – ela parecia determinada a achar algum defeito naquela cervejaria, mau atendimento; ratos na cozinha ou coisa do tipo; só para se vingar daquelas garçonetes, que iam matando aos poucos sua blusa de veludo cor-de-rosa.


- Aqui na Alemanha nós estimulamos o uso do táxi, do transporte coletivo e da carona solidária, tudo para amenizar o risco de acidentes de trânsito – seu discurso era ensaiado. Só então Harry notou os diversos cartazes espalhados pelo local:


 WENN SIE TRINKEN NICHT FAHREN
IF YOU DRINK DO NOT DRIVE
SI BEBE NO CONDUZCA
SE BEBER NÃO DIRIJA


  Cerca de vinte minutos após, ela trouxe o pedido, sob o olhar de águia de Gina, que vigiava o pires do molho.


No início, Harry estranhou a combinação de sabores ácidos, amargos e agridoces, mas acabou se acostumando. Após mais algumas trombadas de garçonetes nas suas costas, eles pagaram a conta e foram embora.


Desaparatar para uma cidade um pouco mais movimentada foi mais fácil do que Harry imaginou: foi preciso apenas um banheiro de posto de gasolina. Dois minutos após já caminhavam pelo centro de Berlim.


“Unter den Linder”, foi o que Harry discerniu da placa fixada em um poste de iluminação pública do centro de Berlim. Aparentemente, aquela era a principal avenida da cidade, culminando no Portão de Brademburgo, o famoso cartão postal alemão.


- Meu Merlin! – Rony exclamou, era quase impossível de atravessar a avenida, tamanha era a movimentação.


- Calma, nós vamos passar para o lado de lá quando chegarmos ao Portão de Brademburgo – explicou Hermione.


 Quando chegaram ao portão, ele estava costumeiramente cercado de turistas, que faziam  pose diante da deusa Irene, no topo do portal em seu carro de guerra. O monumento como um todo era uma versão alemã do Arco do Triunfo, de Napoleão Bonaparte, e dava uma bela vista do parque através do qual se chagava ao Schloss Bellevue, a “Bela Vista”, conhecido por todos como o palácio do governo.


Seguiram pela praça, atravessando o portal e cortando uma pequena fatia do parque. Chegaram em uma avenida um pouco menos movimentada que a anterior, e andaram mais uma quadra, saindo completamente do perímetro do parque. Tudo essas coordenadas Hermione extría dos transeuntes, mas como não possuíam nenhum dicionário de alemão, tinham que confiar na sua tradução. Gina até sugeriu o uso do Feitiço Poliglota, mas Hermione não achou necessário.


Estavam agora em uma extensão aberta, numa ampla calçada, cercada por prédios de vidro. Do outro lado do rio Spree, Harry viu o cilíndro de vidro em meia-lua que era a estação de Berlim. Por uma ponte de pedestres chegaram ao outro lado do rio, mas a meta não era a estação, era um hotel que de preferência não consumisse todas as reservas de Hermione.


Se o hotel que Hermione idealizara realmente existisse, deveria estar mesmo muito longe, porque já estavam caminhando fazia mais de uma hora.


- Tudo isso porque uma certa pessoa não sabe atravessar uma rua! – reclamava Gina, alongando as pernas em um cruzamento.


-Ali? – Hermione perguntava para mais um transeunte – Muito obrigada! – ela agradeceu, sorrindo para o senhor, que saiu desconjurando a ignorância de certos turistas, quando o sinal abriu e Hermione se apressou para alcançar os amigos.


- Pessoal! – ela ofegava – Encontrei o hotel! – as faces ficaram mais animadas.


- Onde é? – perguntou Harry, agora tentando adivinhar o que aquele senhor falava com a mulher, pois gesticulava muito na sua direção.


- Dez quadras para lá – Hermione apontou para o outro lado da rua, felizmente não era o caminho oposto do que seguiam.


- O QUÊ? – Rony pareceu muito irritado quando o sinal abriu.


- SAKERL!!! – berrou o homem no conversível que quase atropelou Rony, Harry nem quis saber o que significava.


- Bem que ele podia ter nos dado uma carona – Rony olhou, com pesar, para o carro, que agora descrevia uma curva fechada  quase batendo num poste.


- Nem pensar! – disse Gina – Já corremos risco suficiente!


 Algumas quadras depois, Harry notou que alguém os seguia, mais especificamente uma dezena de moças visivelmente desesperadas. Toda vez que ele se virava, elas se escondiam atrás de uma árvore ou poste.


Quando Rony virou-se, foi disso que elas precisaram para gritar:


- OH MEU DEUS! É RONALD CHAPEFFIELD!!


E então centenas, milhares de moças desesperadas, desinibinas e decididas saíram de cada beco e esquina, correndo atrás deles como cavalos de corrida. Numa reação puramente instintiva, o grupo partiu par o hotel o mais rápido possível, ignorando os sinais de trânsito que os impediam. A cada curva que faziam, a multidão parecia aumentar, e Harry lembrou-se dos documentários que Tia Petúnia o obrigava a assistir, sobre ccomo os veloceraptors caçavam em grupo.


A situação piorou quando, no último quarteirão, surgiram dezenas de paaprazis com seus flashs cegantes. Quando enfim chegaram ao hotel, as pessoas pareceram ter evaporado por completo, como se nunca tivessem existido. Caminhavam pelo hall num silêncio fúnebre, os hóspedes tentavam expressar indiferença, mas era praticamente impossível, afinal de contas o “Ronald” era alemão.


No balcão, a recepcionista estava de costas e quando se virou, não pôde conter um gritinho, derramando toda uma xícara de café sobre o seu colo.


- O qque desejam? – ela perguntou, trêmula.


- Gostaríamos de uma quarto simples, para quatro pessoas – Harry interveio, aparentemente Hermione já estva ocupada, desviando dos olhares curiosos.


Por um instante, a recepcionista ficou imóvel, refletindo se o que ela iria fazer era mesmo necessário.


- PPassaporte, por ffavor – ela estendeu a mão, esperando.


Harry congelou, era a mesma velha história que os obrigou a fugir da polícia francesa. Foi realmente muita sorte não terem pedido o passaporte em Mônaco, pelo preço da diária. Mas como a Alemanha fazia parte da União Européia, se fossem fichados ceratmente sua fuga da França seria descoberta e eles seriam presos. Mas talvez se....


- Passaporte. – a recepcionista pediu, agora num tom ríspido.


- Senhorita – Harry começou – pelo que eu sei, não precisamos de passaporte, pois nosso amigo, como pode ver, é um alemão muito famoso, com muitos contatos... – ele esperava que assim ela os liberasse.


Ela suspirou, pegou o telefone, discou alguns números, esperou, recolocou o fone no gancho e então falou:


- Podem se hospedar aqui de graça, mas  meu chefe quer um autógrafo de Ronald – ela apontou para Rony, que agora conversava com uma menininha corajosa, que irrompeu dos hóspedes:


- Você quer um autógrafo? – sua voz era serena – Sinto muito garotinha, mas acho que não sou quem você pensa, tome um doce....


As pessoas ao redor daquela cena pareceram derreter, seu ídolo era um sósia.


- Nosso amigo bebeu um pouco hoje cedo – Harry remendou, apesar da recepcionista já ter notado a farsa.


- Vou pedir que se retirem, antes que eu chame a Interpol – ela ameaçou.


- Mas senhorita, ele está completamente b....


Um choro de criança fatiou a conversa, era a garotinha do autógrafo. Agora sua cara estava coberta de furúnculos que estouravam de tanto pus. Rony lhe dera o doce errado.


- Tome! Coma a outra metade! – Rony tentava desesperadamente consertar o seu erro, enfiando na boca da menina a ponta colorida de outro doce, que fez seu lábio inchar por completo.


- Talvez deva chamar o Departamento de Narcóticos... – a recepcionista ia pegando no gancho do telefone quando a mãe da menina começou a espancar Rony com sua bolsa.


- Você...não...vai...mais...oferecer...nada...para...a...minha...filha!!! – mas Rony já havia feito a menina se curar.


Já imaginando como os policiais iriam revistar suas coisas, Harry agarrou no pulso de Hermione, que segurou na blusa de Gina, que puxou Rony pelo colarinho, que largou da mãe e da menina e desaparataram.


 - RONY, VOCÊ É A PIOR BESTA DA FACE DA TERRA!!!! – Gina e Hermione o repreendiam, enquanto entravam naquele teatro abandonado de Berlim.


- Agora somos decididamente procurados em dois mundos! – Harry não se importava, sabia que nada do que falasse iria melhorar a posição das meninas em relação a Rony.


- É que não são vocês que tem que bancar o astro!! – Rony levantou da poltrona em que estava, levantando uma pequena nuvem de partículas em suspensão.


- É Rony, você realmente está sofrendo bastante! – Hermione foi irônica.


- Tantas chances você tem de ser honesto, poderia mentir só daquela vez? – perguntou Gina.


- Não adianta fazer nada, não podemos continuar assim! – disse Gina.


- O que você quer dizer com isso? – Harry já temia o pior.


- Vamos nos entegar – as palavras pareciam tijolos saindo da boca de Gina, tanto para ela como para Harry – já envolvemos muita gente nisso, e duvido que ela já não saiba onde é que estamos, se é que somos nós, ou você quem ela quer.


Segundos se passaram e Harry saiu do lado do piano em que estava encostado, para falar:


- Ela está procurando por nós sim – disse Harry, passara as noites refletindo sobre aquilo e tinha essa certeza. Já havia passado pela sua cabeça que ela quisesse distraí-los para pegar os Wesleys; ou até que ela estava apenas brincando com eles; mas a sua conclusão final foi arrebatadora.


Se ela estivesse mesmo grávida de Voldemort, e disso Harry tinha certeza, ele transferiu alguns dos seus poderes para o seu filho, por simples hereditariedade. Se alguém fosse matar Belatrix, ela inconscientemente iria fazer pelo filho o que Lílian fez por Harry, e o filho de Voldemort teria a mesma proteção que Harry. Nesse ponto, a magia dependia de quem fosse matar Leastrenge, pois a proteção seria contra essa pessoa. Era aí que Harry entrava. Quando ela foi até a Romênia para enfrentar Harry, estava disposta a morrer, mesmo tendo outra opção, exatamente como Lílian, o que a tornava um sacrifício “puro” e a magia, perfeita.


- Um golpe de mestre – disse Rony, após Harry terminar. Potter agora pousava sua cabeça no teclado do piano, que soava conforme este se movia.


- Realmente – Gina parecia atordoada.


- No entanto – interferiu Hermione – como você tem tanta certeza que o feto venha a sobreviver?


- Fiz as contas – Harry ergueu, com muito custo, a cabeça – ela pode estar grávida de no mínimo seis meses, o que é um tempo perfeitamente aceitável para um bebê se formar. Mesmo que ele sofra um aborto espontâneo, a criança ainda tem chances, poucas, mas tem.


- Por isso não podemos nos entregar agora – Gina entendeu.


- Exatamente, agora – frizou Harry – nossa única chance é esperar com que esse filho nasça, para assim poder separá-lo de Belatrix, e impedir o feitiço de se concretizar.


- O único problema – disse Rony – é que não podemos ser pegos por ela nesse  meio tempo. Quer dizer, após tudo o que eu provoquei, é bem possível que o Ministério, ou Belatrix, já saiba onde nós estamos.


- Mas isso pode ser bom para nós – argumentou Gina – se o Ministério souber que nós não fomos seqüestrados, fai lançar todas as suas armas contra Leastrenge.


- Entretanto, ela também terá que procurar por nós ela mesma, aumentando nossos riscos – terminou Harry.


Independente se fosse Belatrix ou o Ministério, a certeza era que o mundo bruxo já estava a par daquela desaparatação diante de oitenta trouxas. Por segurança, iriam permanecer na Alemanha, pois raciocinaram que quem estivesse procurando por eles iria contar com que tivessem mudado de localização. Mesmo assim, resolveram mudar de identidade.


O processo foi muito simples. Estuporaram alguns trouxas, duplicaram suas vestes, alterando a cor, depois finalizaram com um feitiço da memória. Também mudaram a cor do cabelo. Harry ficou ruivo, Rony moreno e Hermione castanha, mas nada foi mais esquisito do que ver Gina loira ondulada.


Harry não se sentia ele mesmo, mas se era pela segurança iria ter que se acostumar. Foram para um ponto movimentado da cidade, o Checkpoit Charlie, ou os restos do Muro de Berlim. Lá havia uma pequena exposição com fotos de época e jornais.


Harry se admirou ao ver pessoas tirando fotos naquele lugar outrora tão sinistro, mas o que notou foi a ausência de Gina.


- Hermione – ele perguntou – onde está Gina?


- Ela estava do meu lado a um minuto – respondeu ela – depois disse que ia comprar um sorvete para nós – ela apontou para um quiosque duas quadras adiante, mas Gina não estava lá. Em seu lugar havia um homem muito alto de capa, olhando fixamente para Harry, segurando Gina pelo pulso.


Quando um carro passou eles não estavam mais lá, haviam desaparecido.

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