A DIVIDA PAGA



- Não, não, ele está vivo... – Hermione precipitou-se. – Snape estava lançando um Cruciatus nele, quando a Ordem entrou...
- E onde estão? – Tonks observava enojada todo aquele sangue a sua volta.
- O Snape fugiu pelos fundos... junto... junto...
- Junto com quem, HERMIONE?!
- Com os Washiman... Eles correram para a floresta e a Ordem foi atrás...
- Ah, Harry... Espere-me. – Gritou a voz mansa de Tonks, quando o garoto já corria para fora da cabana pelos fundos.
Voltava para o emaranhado de árvores de troncos altos e espessos. Harry vira dois vultos correrem bem mais à frente. Parou sua corrida para se situar para onde ir. Tonks o acompanhou.
- Calma, Harry!
- Vamos... vamos... alguém correu por ali! – Gritou ele, apontando para diversos trocos mais adiante.
Seu braço estava firme, esticado com a varinha presa nos dedos. As vestes se prendiam nos ganhos, causando alguns arranhões. Harry sentia que Tonks arfava em seu cangote.
- Harry, ali... ali! – Gritou Tonks, mudando o caminho atrás dele. O garoto a seguiu.
Harry observou afoito, apurando seus olhos para enxergar quem estava se debatendo, caído ao chão.
- Pela Ordem de Merlin! – Disse Tonks se jogando encima do corpo. – É o Diggle.
- Ele está bem? – Harry perguntou ao ver que Tonks tentava escutar os batimentos do rapaz.
- Pelo menos ainda está vivo! – Disse ela, abraçando o corpo. – Vou aparatar ao St. Mungus... Voltarei em instantes...
Harry piscou os olhos e no instante seguinte o chão estava ali, puro, sem mais ninguém. Olhou a sua volta: só via troncos de árvores e uma neblina forte que o cobria até o tornozelo.
Escolheu o lado que mais lhe convinha e correu a procura de algo que ao menos se mexesse.
- Peguei um, Quim! – Harry escutou uma voz ecoar próximo dali. Mudou o trajeto e tentou segui-la.
Caminhou por alguns segundos se desviando de tudo que era sólido a sua frente, até que viu claramente a silhueta de Arthur, Quim e uma garota que Harry virá no sonho.
Arthur apontava a varinha para a garota. Os dois estavam a poucos metros de distância Quim corria para alcançá-los.
- Pode deixar, Harry... Tomamos conta aqui! – Exclamou o recém-Ministro da Magia ao encontrar o garoto mirando a varinha também para a menina.
- Quim... você sabe quem é essa?! – Perguntou ele, fixando o olhar na menina. Existia um corte imenso no seu vestido, de onde fluía bastante o sangue. Sua barriga parecia ter sido vitima de uma cirurgia inacabada.
- Uma das Washiman, Harry, ela está sobre imperius! – Exclamou Quim. Arthur nem olhara para Harry, tinha sua varinha apontada para a garota.
- Não, não! – Quim arregalou os olhos para o garoto, Arthur pareceu querer olhá-lo também. – Isso é uma reencarnação de alguns dos Comensais da Morte...
- Isso não existe, Harry... os mortos não voltam...
- Quim, escute o que estou falando... um deles pode ser o Voldemort!!!!
- Harry, você deve estar delirando...
- QUIM... É VERDADE! Não estou delirando. Eu vi... – Harry não achava as palavras corretas para explicar o que estava acontecendo. – O livro e o espelho... era pra isso que o Snape os queriam. O espelho tem o poder de trazer os espíritos de volta em outros corpos!
- Harry... Isso não existe... – Quim já segurava os dois ombros do garoto, fixo os dois olhares.
- Expeliarmus! – Gritou uma voz um pouco longe, fazendo a varinha de Arthur voar pelos ares e a menina correr para o lado do homem barbudo que acabara de invocar o feitiço.
- Rodolfo, o moleque sabe! – Disse a menina deixando que os olhos de Quim e Arthur se voltassem para Harry.
- Avada Kedavra! – O feitiço dito novamente pelo homem barbudo acertou em cheio um troco quando Harry se jogou no chão.
- Estupefaça! – Gritou Quim, procurando a primeira árvore para se esconder. Harry se espremia com Arthur atrás de um troco mais elevado.
- Um deles pode ser o VOLDEMORT! – Harry guinchou alto. Arthur tremeu ao seu lado.
- Qual deles Harry?! – O Sr. Weasley segurava de volta sua varinha.
- Eu não sei, pode ser qualquer um!
- Você tem certeza disso, Har... – Um jato de luz verde passou poucos centímetros da cabeça que Harry descuidou-se em deixar aparecer. – CUIDADO!
- Tenho certeza, SIM!
- Reducto! – Exclamou a voz fina da Comensal.
O tronco que Arthur e Harry faziam de escudo se evaporou. Os dois correram em direções contrárias. F
Feitiços passavam e ricocheteavam em todas as árvores no encalço de Harry.
- Estupefaça! – Gritou Quim, arrancando um punhado de areia do chão.
- Amico... vá atrás do Harry! – Antes que Harry pudesse se afastar, ele escutou os gemidos e gritinhos que a garota dera ao ser acertada por um Cruciatus lançado pela varinha de Arthur.
Harry se escondeu atrás de outro tronco e observou Quim flutuar o corpo contorcendo-se de Amico.
- MAS ISSO NÃO É POSSÍVEL! – Harry apurou seus ouvidos e percebeu que fora a voz estrondosa de seu padrinho quem gritara atrás do amontoado de mato verde às suas costas.
Harry endireitou a varinha na mão e correu para dentro do mato, onde revelará uma clareira muito parecida com a que Grope fizera na floresta negra.
- ESTAMOS QUITES, priminho! – Agora era uma voz mais macia que ecoava. Harry correu pelo mato alto até avistar novamente o chão nebuloso, o sol estava prontamente posto no meio do céu.
- Não por muito tempo! – A voz de Sirius era cada vez mais nítida. – Estupefaça!
- Isso é o que pode conseguir?! – A voz feminina riu.
Harry avistou os cabelos encaracolados e negros do padrinho: estava agachado atrás de um amontoado de areia. Sirius olhou para trás depressa ao ver a zoada de passos, sua varinha foi junto.
- Ah, Harry... abaixe-se.. rápido! – Poucos milésimos depois de Harry se colocar deitado ao lado do padrinho, o jato verde passou arrancando boa parte da areia atrás da qual estavam.
- Essa é a Belatrix?!
- Como sabe?! – Sirius assustou-se. – De início pensei ser um imperius...
- Mas tem a personalidade de sua prima?
- ISSO... deve ser coincidência.
- Não, é realmente a Belatrix. Snape reencarnou os espíritos dos Comensais nesses corpos.
- Isso não é possível Harry. Nem no mundo dos Bruxos...
- Sirius, e o Voldemort também! Acredite em mim...
- O SNAPE, HARRY! – Gritou à voz de Sirius ensurdecendo-o. Estava a centímetros do seu ouvido.
Harry olhou depressa para dentro das árvores e viu os cabelos oleosos de Snape esvoaçarem ao correr pela floresta.
- Cuide da Belatrix! – Exclamou o garoto conjurando um protego assim que levantou para adentrar novamente a floresta, o que impediu que o Avada Kedavra, vindo de Belatrix atrás de uma árvore, o atingisse.
Harry tombou em alguns ganhos ao chão, mas se manteve de pé seguindo os passos de Snape, que acabara de perceber sua presença ao lançar um Petrificus que passou entre as pernas do garoto.
- Muito espertinho você, heim, Potter! – Gritou Snape, mudando o trajeto para a direita, onde Harry pôde observar haver outra clareira.
- Estupefaça! – Exclamou Harry, mirando a varinha para Snape a menos de vinte metros a sua frente. O feitiço se evaporou.
- Ainda não aprendeu?! – Snape riu ao alcançar à clareira.
Harry acabara de notar o lago extenso em sua frente, uma casinha de madeira e telhado de palha se alojava ao lado de um píer, que levava a um pequeno barco de pescador ancorado.
Snape estava totalmente parado à espera de Harry, a varinha mirada para o garoto, e Harry apressou-se:
- Avada Kedavra!
Snape nem se movimentou, mas algo quente e ardido pareceu penetrar as entranhas de Harry. Parecia que estava sendo chicoteado por um chicote invisível.
Um jorro de sangue espirrou de sua cara, metade da bochecha estava entreaberta O mesmo aconteceu com os braços, agora seus dedos não sustentavam mais a varinha, e nem suas pernas sustentavam seu corpo.
Harry caiu sobre as pedras miúdas que circulavam o lago. Contorcia-se, e novos cortes surgiam por todo o corpo. Snape ria cinicamente apontando a varinha para o corpo ensangüentando de Harry.
- Perfeito agora não, Potter? Querendo ser sempre o herói. Tentando estragar os planos alheios!
Harry gritava de dor.
- Agora você vai sofrer o que merece por querer estragar meus planos! – Snape se irritava. – Você acha que foi fácil matar o Alvo? Você acha que foi fácil me aliar novamente ao Lord para enfraquecê-lo? Ah, Potter, não é um garoto sortudo, filhinho do trouxa do Tiago, que vai me apanhar, querer tomar o poder que sempre planejei ter!
Se Harry continuasse perdendo tanto sangue como estava, em menos de uma hora estaria morto. Snape ondulou a varinha e o corpo de Harry rolou até o píer, as tábuas rangeram.
- Ter que passar dezesseis anos da minha vida ensinando aquela matéria inútil, esperando a hora certa... Ah, Potter, você me enoja!
O corpo de Harry continuou rolando pelo píer. Ele sentia que não agüentaria mais nenhum minuto. Novos e novos cortes surgiam, eram impossível decifrar o rosto dele, eram poucos os pedaços que ainda estavam intactos. Snape caminhava lentamente acompanhando o corpo do garoto; a varinha ondulava a cada rodada que Harry dava pelas tábuas.
- Como descobriu onde me achar, heim, Potter?! – Snape olhava com raiva, ódio, desprezo e com muita arrogância para o corpo rolando até a ponta do píer. A abeça de Harry acabara de bater no casco do barco ancorado. – Mais um daqueles sonhos idiotas? Entrou na mente do Voldemort outra vez?
- Argh... urrrr! – Os dentes de Harry estavam presos um ao outro, nunca sentira tanta dor na vida, seus braços estavam fixo nas costas.
- Eu sabia que era um erro usar o Voldemort nisso. Pensava várias vezes se iria trazê-lo de volta para ser meu servo.
- Arrrrrr!
- Cale a boca, Potter! Escute-me! – Snape bradava. – Talvez o Voldemort fosse muito poderoso para se sujeitar a ser meu servo. Então, Potter, reinarei sozinho agora, SOZINHO, apenas com MEUS, meus seguidores que estão acabando com a vida de seus amiguinhos neste momento! Você acabará como comida de peixe, Potter. Grande final para ‘O eleito’, não?! – Snape soltou uma gargalhada satisfeita. Harry sentiu que chegara seu fim. A única coisa em que pensou foi Gina, em encontrá-la de novo
- ARRRRRRRR! – Harry gritou firme, agora sentia que todos seus órgãos se explodiam dentro de si, como se estivesse comido uma bomba que acabara de estourar.
- Diga adeus, Potter...
- AVADA KEDAVRA! – Gritou uma voz bastante rouca. Os braços de Harry se desprenderam e a explosão que acabara de sentir tinha cessado. Sentia um alívio, mesmo com o corpo todo ardendo e dolorido.
Ele viu o corpo de Snape cair petrificado nas tábuas do píer e logo mergulhar nas águas escuras do lado. Um rapaz alto de ombros largos estava com a varinha apontada para onde Snape estava antes. Sua barriga trazia uma grande mancha de sangue semelhante a que Harry vira nos corpos de que Amico e Rodolfo haviam se apossado.
- Agora estamos quites, Potter. Você me salvou quando eu era ainda um rato. E todo bruxo que se preze deve pagar a sua divida, então agora posso acabar com você...
- Avada Kedavra! – Um novo jato de luz verde, igual ao que a pouco acertara Snape, voou de dentre as árvores ao longe.

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