A FONTE NO ÁTRIO



Era impressionante como Hermione se dava bem ajudando Rufus em suas reuniões, discursos e até mesmo na decisão final de projetos levados ao Ministério. Passavam-se semanas inteiras e ainda não havia nenhum sinal de vida ou até mesmo de morte de Snape. Os componentes da Ordem já tinham se reunido mais duas vezes depois da lua cheia para apurar os fatos, mas apenas Tonks levara notícias de que dois trouxas foram encontrados em uma linha de trem no pequeno interior de Londres, mortos sem nenhum mínimo ferimento. Porém na manhã seguinte o jornal de fotos imóveis mostrava que ambos tinham caído alcoolizados da estação e por meio disso terem batido a cabeça nos trilhos e morreram, o que dizia o perito trouxa.
Outubro terminou numa investida de ventos uivantes e chuvas impiedosas e novembro chegou, frio como um sopro minuano, com correntes de ar cortantes que queimavam as mãos e os rostos desprotegidos, as janelas falsas do Ministério mostrava um cinza pálido e pedras enormes de granizo ricocheteavam-nas, os picos dos prédios e ruas, eram cobertos por numa camada branca de neve, e a temperatura caíra tanto que trouxas usavam luvas grossas e dezenas de casacos sobre o ombro.
“Nível dois, Departamento de Execução de Leis da Magia, que inclui a Seção de Controle do Uso Indevido de Magia, o Quartel-general dos Aurores e os serviços administrativos da suprema corte dos bruxos.” Dizia a foz fina e doce de uma mulher ao passo que Harry e Hermione pegavam o elevador, seguidos por um amontoado de memorandos que ficaram rodando a luz que o elevador exalava.
Uma bruxa baixa e corcunda, com os braços atolados de pastas cor-perola que já vinha dentro do elevador, os cumprimentou.
- Srta. Granger, oh! Se não é o Potter! – Afastou os pergaminhos que tomavam a frente de toda a cara para olhar a cicatriz. – Mais de dois meses aqui, e pela primeira vez pego um elevador com o Senhor!
- Olá! – Harry acenou tímido com a cabeça.
- Olá, Sra. Mirlane. – Hermione retribuiu com um sorriso.
– Quer ajuda?! – Perguntaram os dois em coro ao ver o esforço que a velha fazia para equilibra as pastas.
- Ah, sim... sim... claro! – A Bruxa enfiara metade dos pergaminhos sobre os braços livres e finos de Hermione e dera apenas duas pequenas pastas a Harry.
Hermione cambaleou quando o elevador parou.
“Nível três, Departamento de Acidente e Catástrofes Mágicas, incluindo o Esquadrão de Reversão de Mágicas Acidentais, Central de Obliviação e Comissão de Justificativas Dignas de Trouxas.”
A maioria dos memorandos saíram porta a fora, dando lugar a mais aviõezinhos que rodopiavam a luz ao teto. Nenhum bruxo entrou nesse andar. O elevador voltou a descer.
- Sim, Hermione, o que falava mesmo do Victor?
- Ah, sim! Ele ganhou o prêmio de melhor jogador de quadribol do ano, lá na Bulgária. – Hermione sentia o peso das pastas.
- O Victor, o Krum? – A velha intrometeu-se.
- Sim, o que tem? – Harry cobria a cicatriz com um pedaço do cabelo, já se incomodara com os olhares da velha.
- Ele é meu sobrinho! – Disse orgulhando-se.
- Âh? – Harry e Hermione deixavam seus queixos caírem. – Como assim?
- É, o Victor é filho da Zelita, minha irmã! – Pigarreou. – Faz tempo que não vejo!
- Que legal. – Acrescentou Hermione.
- Ano passado...
“Nível Quatro, Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, que inclui as Divisões das Feras, Seres e espíritos, Seção de Ligação com Duendes, Escritório de Orientação sobre Pragas.”
- Essa voz é tão irritante! – Exclamou a velha se apertando ao canto da parede dando espaço para dois bruxos segurando uma única caixa gigante, adentra o elevador.
- Bom dia! – Disse os dois juntos.
Harry, Hermione e a velha baixinha retribuíram.
- O que carregam ai, meus jovens? – Harry achara perfeito os dois homens entrarem, só assim a velha não poderia mais encarar sua testa.
- Castrores! – exclamou um deles de roupas trouxas e um chapéu de fazendeiro, o elevador voltou a descer.
Ao ver a cara de dúvida da velha, o outro homem também de chapéu completou.
- São dois filhotes de Castrores, estavam vomitando todo o capim essa manhã.
- Uh! - A bruxa fingira que sabia o que eram aqueles animais.
Harry e Hermione entreolharam-se e permaneceram calados alguns segundos, até a voz fina invadir novamente.
“Nível cinco, departamento de Cooperação Internacional em Magia, incorporando o organismo de Padrões de Comercio Mágico Internacional, o Escritório Internacional de Direito em Magia e a Confederação Internacional de Bruxos, sede Britânica.”
Mas memorandos entraram e saíram.
- Oh, aqui que eu desço! – Exclamou a velha se espremendo para passar por detrás da caixa.
– Foi um prazer. – Disse Harry e Hermione.
- Meu também! – Exclamou a velha recebendo as pastas de volta aos braços.
- Tenham uma boa tarde! – E sumiu ao que o elevador voltou a descer.
- De onde conhece essa ai, Mione? – Harry encolhera a testa.
- Ah, ela trabalha na secretaria de Comércio, ela já foi varias vezes no escritório do Rufus! – Sorriu.
- Ah!
O elevador continuou descendo e recebendo mais memorandos a cada Nível.
“Átrio, passagem de saída e entrada para o Ministério da Magia, Saguão principal, onde ocorrem as Revistas de Seguranças e entregas de varinhas apreendidas.”
Harry seguiu com Hermione atrás dos dois Cavaleiros removendo a caixa.
A cabeça loira e alta mirando o pé da fonte dos dois irmãos mágicos fez com que Hermione e Harry parassem ao lado do rapaz de capas azuis escuro.
- Boa tarde, Draco. – Disse Hermione sorrindo ao rapaz.
- Olá! – Exclamou mesmo sem olhar a cara da garota.
- Andou fazendo pedidos para a fonte?! – Harry riu.
- Muito engraçadinho, Potter! – Disse virando-se para os garotos.
- Harry, não vai começar com essas brigas de primário! – Hermione correra a mão nos bolsos. Sua capa por muitos dias fora motivo de inveja e discórdia entre as bruxas do Ministério, tinha como cor um rosa-bebê, com golas de pêlo felino, bastante macia. Os bolsos tinham bordados com fios de prata e o capuz, que ela usava freqüentemente fora das paredes do ministério, a fazia parecer uma raposa.
- Sim! E ai, Draco, como está se saindo sendo assistente do Cris? – Harry perguntou sereno.
- Bem, quer dizer, a mamãe quem me obriga! – Disse ríspido.
- Como assim? – Indagou Hermione.
- É, eu poderia ficar no Brasil, como no ano passado, treinando quadribol, mas...
- Você estava no Brasil treinando quadribol? – Harry largou um olhar de inveja.
- Sim, depois que meu pai... er... minha mãe me mandou para uma comunidade Bruxa de lá. Não aguentava ficar naquela casa sem nada pra fazer.
- É verdade que lá tem campos enormes de ventos estupendos?! – Harry ficara concentrado nas palavras de Draco, nunca fora ver os campos do Brasil.
- É sim, o pior é o calor, degrada qualquer ser humano! – Exclamou.
- Sim, vocês não vão falar de quadribol, né? – Hermione interrompera.
- Ah, Mione, não jogo quadribol há séculos!
- Podíamos marcar uma partida qualquer dia! – Exclamou o garoto que antes só pensava em trapacear para pegar o pomo antes de Harry.
Lúcio ter sido assassinado por um dos seus aliados naturalmente tinha feito de Draco outra pessoa, não exibia aquele ar arrogante e prepotente de antes, era um novo homem.
- Claro que sim!
- Draco, como se saiu nos seus NIEM’s? – Hermione achara um assunto pra cortar de vez o quadribol.
- Não tão bem! – Disse virando o rosto novamente para a fonte. – ‘O’ em Poções e Transfiguração, ‘E’ em DCAT e o resto foram de ‘A’s.
- Uh, nada mal! – Hermione esperava a mesma pergunta para ela, quando viu que não receberia, completou; - Tirei um ‘E’ em DCAT! – Mirou a água que saia das três pontas do tridente do Sereamus.
- O resto, ‘O’? – Pigarreou. – Já era de se esperar.
- O Harry também, teve as mesmas notas que eu.
Ao escutar seu nome Harry voltara ao presente, fora alguns segundos a três anos atrás quando jogara dez galeões para ser absolvido no julgamento.
- Nada mal! – Disse Draco, antes sentiria inveja, agora nem ao menos desprezo era percebido em sua face. – Não é a toa que se tornou auror mesmo sem fazer os testes precisos.
- O Moody nos avisou, mas eu não acreditava...
- O que? – Perguntou Draco, Hermione também fez cara de dúvida a Harry.
- Que cairiam maldições imperdoáveis no NIME’s!
- Ah, Harry, isso estava claro pra mim, você acha que a Minerva iria deixar seus alunos sem saberem se defender do que estava por vim? – Hermione pausou. – Se você não lembra, o Vol-demort estava vivo e tinha muitos seguidores na época.
- É, eu também não acreditei de início, mas realmente era de se esperar que a McGonagall tomasse a atitude de ensinar aos alunos os feitiços com o que iriam lutar.
- Uhm, certamente que sim! Draco, e como está agora? Ainda morando naquela casa do Ministério? – Indagou Harry.
- Sim, sim! Mamãe está dando uns pega no Rufus! – Draco riu. – É engraçado ver os dois se beijando.
- Sério? Deve ser legal ter um padrasto que é Ministro da Magia! – Disse Hermione. – O Rufus é legal.
- É sim, ele até conseguiu um emprego pra mim, mamãe quem pediu! – Pausou. – Mas queria voltar para o Brasil.
- Mas às vezes ele age tão estranho. – Hermione pensara.
- Como assim, Granger? – Draco indagou.
– Semana passada mesmo, ele recebeu uma coruja na sua mesa, e ficou muito assustado com o remetente, correu para o banheiro do escritório para ler a carta. – Hermione rira com Harry.
- Ah, sim... Ultimamente ele anda meio misterioso. – Draco continuara. - Um dia desses, mamãe pegou um pedaço de pergaminho rasgado em suas vetes, o Rufus fez um super-escândalo.
- Deve ser o estresse que esse trabalho traz! – Exclamou Harry que jamas pensara que estaria de papo com um Malfoy.
Os jatos de água não paravam de sair por todas aberturas das estatuas, era realmente lindo aqueles Testrálios (antes de ter que subir em um no quinto ano em Hogwarts, achara o Testrálios o bicho mais estranho do mundo) com as asas abertas, saía água por cada pontinha após as curvas das asas de morcego gigante.
Os três ficaram ali escorados na fonte por bons minutos, chegando a entrar em assuntos inimagináveis, um pequeno acontecimento no qual uma velha caíra no meio do saguão há dois dias, arrancara muitas risadas do trio, até notarem que o movimento agitado do Átrio havia se cessado por completo, deveriam ter perdido a hora no papo.
- Devemos ir, Hermione! – Exclamou Harry consultando o relógio d’ouro de bolso que fôra enviado por Sirius da Suíça.
- Eu também não sei o que eu ainda estou fazendo aqui, mamãe deve estar arrancando os cabelos. – Draco se ajeitara, passando a mão nos cabelos loiros, cuidadosamente alinhados, porém não mais lisos como antes.
- Ah, Draco, nunca acharia que um dia na vida iria dizer isso. – Hermione engoliu em seco. – Mas foi muito boa essa tarde.
- O mesmo a você, Granger! – O garoto loiro seguiu em direção a cabine. – Noite, Potter, Granger!
- Noite! – Coro.
O garoto adentrou o elevador e desapareceu de vista. Além de Harry e Hermione, só Érico, em pé a posto lendo à edição especial de esportes do Profeta Diário na frente dos elevadores e Grul, que escrevia um memorando lentamente por detrás do balcão da secretaria, localizavam-se no Átrio.
- Molly vai arrancar nossos estômagos! – Disse Hermione dando um sorriso meia boca.
- Ah, vai sim! – Harry retribuiu o sorriso.
Os dois voltaram a caminhar juntos o mesmo percurso que os Cavaleiros e Draco fizeram a pouco, até o elevador da cabine.
- Nos vemos amanhã, Grul! – Exclamou Hermione completamente educada, quando Harry já estava venerando a luz clara do elevador.
- Até, noite, Srta. Granger! – Disse o rapaz sem tirar os olhos do pergaminho.
A garota juntou-se a Harry dentro da cabine que já começara a subir com o comando. A visão da rua extremamente deserta e coberta de branco, fizera com que Hermione colocasse seu rotineiro e invejável capuz, o mesmo fizera Harry.
Harry e Hermione saíram da cabine lutando para abrir a porta, que prendia com a grossa camada de neve ao seu exterior. Os pequenos e despedaçados prédios ao seguir da rua deveriam estar sendo dominados por pivetes ou vagabundos de rua, para se proteger do frio intenso, pois se escutavam alguns barulhos ao passar andando pela frente das vidraças estilhaçadas, onde flocos de neve entravam.
- Aparatamos logo? – Perguntou Harry encolhendo os braços gélidos.
- Perfeitamente.
E com um pequeno ‘craque’ os amigos sumiram ao meio da calçada vazia.

- Com o Draco Malfoy?! – Rony pigarreou na mesa de jantar.
- Sim, ele mesmo. – Hermione dera um gole de suco-de-abóbora . – Bastante mudado.
- Encontrei o Draco no elevador faz um tempo, o garoto parece outra pessoa. – Sr. Weasley sorriu aos presentes na mesa. – Chegou até a me cumprimentar.
- Ah, com certeza vocês não estão falando do Draco Malfoy que eu conheço. – Disse Rony arrancando outro pedaço da coxa assada.
A mesa de jantar – como sempre – era farta. Vinha regada com ensopado de camarão fresco e tortinhas de amora. O grande lustre ao meio da sala deixava que as taças e cálices ficassem ainda mais brilhosos.
- E como se saiu hoje, Rony? – Perguntou Harry ao amigo que acabava de dar um beijo melado em Hermione.
- Nada bem! Ninguém está contratando funcionários nestas datas. – Rony mordera travava uma batalha com o talher e o frango. – Alegam que estão com pouco movimento.
Nos últimos dias Rony tentava arrumar algum emprego – Molly o obrigara – mas não tinha muito sucesso com as lojas do Beco Diagonal, nem mesmo as Gemialidades Weasleys o aceitaram.
- É nisso que dá não tirar boas notas no NIEM’s. – Retrucou Molly a uma ponta da mesa. – Se seguisse o exemplo do Harry e da Hermione...
- Ah, mamãe, não começa! – Exclamou o garoto desistindo do garfo e deslocando o frango com a própria mão.
A Sra. Weasley não parava de falar com Rony era o único filho no qual não tinha emprego. Citara se não trinta vezes por dia o nome de Gui, Carlinhos e Percy e suas determinadas funções.
O quadro de Dumbledore por vezes babava durante todo o jantar, o ex-diretor vivia dormindo com tanto tédio preso a um quadro. Acordava toda manhã com Dorothy limpando sua moldura ou Dobby esforçando para ascender à lareira.
- Harry aquela menina encantadora esteve aqui hoje á tarde. – Dizia Molly ao que Hermione e Rony fingiam vomitar.
- A Letícia?
- Sim, essa mesma! – A Sr. Weasley repunha o prato do marido.
- Ela disse o que queria? – Indagou.
- Não, não. – Quase derrubava uma concha de ensopado fora do prato. – Quando disse que não estava, foi embora.
- Obrigado, senhora. – Agradeceu.
- Oh, nada!
- “O Harryzinho está ai? Gostaria de falar com ele.”- A tentativa falha de imitar a voz doce e lenta de Letícia deixara Harry constrangido ao gargalhar da Sr. e Sra. Weasley.

- Não sei porque vocês não gostam da Letícia! – Exclamou ao subir o primeiro degrau da escada para os quartos.
- Você sabe sim, Harry. – Disse Hermione fazendo uma cara de não-comi-muito-bem.
- Ela é chata demais, cara! – Rony se sustentava no corrimão, sua barriga pesara com o jantar.
- Ela só é um pouco curiosa, não tem culpa de ter sido criada em casa, sem amigos. – Chegaram ao topo dos degraus.
- Ah, Harry, ela é inconveniente e muito burra! – Hermione falara com firmeza.
- Ela não é burra, Hermione. – Harry começava a se irritar. – Só não é tão come-livros-adoidado como você.
Aquelas discussões onde era envolvido o nome de Letícia, já faziam parte do cotidiano do trio.
- Noite! – Exclamou Hermione ao direcionar a porta branca de carvalho do seu quarto.
- Noite. – Disseram os amigos.
Harry e Rony deram mais alguns passos até seus quartos para que pudessem se despedir.
O dia não fôra nada agitado, mas Harry sentia um enorme cansaço em seu corpo ao admirar o colchão forrado de travesseiros azuis, muito convidativos e quentes.
Arrancou o sapato e caiu na cama, nenhum pensamento invadira-lhe a cabeça, de imediato dormiu.

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