O Último Uso



Capítulo 34
O ULTIMO USO


Algumas vassouras cortavam o céu.
As nuvens eram densas e o céu estava escuro. Harry se via rodeado de Dementadores. “Expecto Patronum”, gritava ele, mas nada adiantava. Eles estavam por toda parte e pegariam o Harry. Sugariam toda sua alma, tudo o que havia de bom nele. Harry perdia as forças...
Harry caiu num descampado. O mesmo cemitério de alguns anos atrás. Ele estava diante da tumba de Tom Riddle e sua cabeça doía como nunca. Voldemort aproximou-se vagarosamente e tudo ficou escuro.

- Harry! Harry! Harry, acorde!

Harry abriu os olhos nesse momento.
O professor Lupin estava na frente de Harry balançando-o enquanto a sala inteira olhava para o menino. Harry tinha dormido no meio da aula e visto algumas coisas. Era um sonho? Uma premonição? Ou já tinha ocorrido? Não sabia dizer.
Mione agora trazia para ele um copo de água que Lupin tinha mandado buscar. O professor encarava Harry muito preocupado. Os olhos do garoto estavam vermelhos e seu cabelo estava bagunçado.

- Está tudo bem, Harry?

- Acho... Que sim. – Respondeu ele à Mione mentindo fervorosamente: sua cabeça doia como se estivesse sendo moída.

- Bom, - Lupin voltou a lousa onde explicava a origem da mágica negra. – a arte das trevas surgiu de uma necessidade de se criar feitiços de cura. Uma proposta inocente, mas que trouxe o mal. A própria Maldição Suprema foi criada na intenção de devolver a vida às pessoas. Um ato falho que trouxe a desgraça desde então.

Lupin encarou Harry por cima dos ombros enquanto estava virado para a lousa. Harry entendeu: Lupin sabia que Harry não estava bem. Tinha visto de novo o que não podia ver.
A aula terminou, mas, como era esperado, Lupin pediu para falar com Harry a sós. Mas é claro que “a sós com Harry” significava que Mione e Rony iam participar inteiramente da conversa.

- Harry... O que você viu?

- Nada.

- Porque está mentindo, Harry? – Indagou Lupin deixando-o sem graça. – Nós queremos te ajudar.

- Não entendi direito. Voltei ao cemitério onde Riddle foi enterrado... Cai da vassoura... Os dementadores me derrubaram. Eu não vi o rosto dele. Mas ouvi seus passos e sua respiração. De repente eu estava aos pés dele. E tudo ficou escuro...

- Harry... Quero que vá para a Grifinória e descanse está bem? Descanse!

***

Harry estava deitado em sua cama no quarto da Grifinória, mas não estava descansando. Pensava ainda no sonho – ou pesadelo – que acabara de ter. Uma revoada de dementadores a sua volta e de repente... Ele.
E naquele momento uma outra preocupação invadiu a cabeça de Harry: a mensagem oculta de seu pai. O segredo escondido por trás das belas palavras do poema.

O ELO NÃO PERMITIRÁ DESTRUI-LA FACILMENTE.

- Destrui-la. – Dizia Harry baixinho para si mesmo.

Só podia estar referindo-se a Horcrux. A última Horcrux. Mas o que o seu pai sabia sobre isso afinal? Harry então achou melhor abrir o jogo a RAB. Ver o que ela achava daquilo tudo. Ver ser ela podia encontrar alguma conexão entre as frases: O ELO NÃO PERMITIRÁ DESTRUI-LA FACILMENTE e LILLY, A HORCRUX ESTA COM A IRMÃ DELA EM ALMA.

- A Horcrux estava com a irmã dela em alma e o elo não permitirá que ela seja facilmente destruída... – Dizia Harry para si mesmo. – Preciso contar isso a RAB.

***

RAB encarava o horizonte através de sua janela: calmo como um templo. O sol se punha vagarosamente enquanto Harry, Rony e Mione iam de um lado a outro da sala. Harry estava preocupado querendo respostas e Rony e Mione estavam preocupados com Harry, que estava extremamente inquieto.
Havia dez minutos desde que RAB se calara. Ela, pela primeira vez, parecia não ter uma resposta na ponta da língua e o silêncio só não dominava a sala, porque as jóias e bijouterias de RAB tilintavam ao andar.

- “Elo”... Só pode estar se referindo a um Elo Infinito, Harry.

- O mesmo que liga os anéis? – Questionou Mione intrigada.

- Sim, Hermione, a mesma Arte Mágica Milenar. E confesso que Voldemort foi extremamente esperto dessa vez. Protegeu essa Horcrux usando o elo infinito. De modo que, ligando-a a um outro objeto, ele pode mante-la indestrutível.

- Não entendi... – Comentou Rony tentando entender as palavras um tanto confusas de RAB.

- É simples Rony. O Elo Mágico Infinito permite que dois objetos se liguem tão fortemente que um não pode ser destruído enquanto o outro não for. Ambos terão que ser destruídos ao mesmo tempo. Isso faz com que Voldemort tenha um trunfo nas mãos. Além de ter que achar uma Horcrux, teremos que achar também o objeto “irmão” que está ligado a ela.

- No entanto, a segunda frase diz: a Horcrux está com sua irmã em alma. Isso significa que elas estão juntas.

- Não necessariamente, Harry. Elas podiam estar juntas na época em que seu pai escreveu a mensagem, mas agora... Quem sabe? – Explicou RAB olhando preocupada para Harry. - O que se sabe é que seu pai descobriu o paradeiro da Horcrux e estava se comunicando com sua mãe. Voldemort deve ter descoberto isso, ou seja, mais um motivo para tê-los matado.

- Mas meu pai não vivia junto com a minha mãe? Porque escreveria uma carta? Porque simplesmente não disse isso a ela?

- Harry... Tem uma parte da história que você não sabe. Não é importante de fato, mas explica a sua dúvida. Na noite em que seus pais morreram, ele tinha acabado de chegar de uma longa viagem que tinha feito. Ele estava num lugar procurando a Horcrux num favor à Dumbledore, mas quando soube da ameaça sobre você e sua mãe ele voltou para casa correndo. Chegou poucos minutos antes de Voldemort...

- Isso explica porque meu pai teria escrito a carta. Porque estava longe de minha mãe, mas não teve tempo de concluir sua pesquisa porque...

- Porque ele faleceu. Muito do que seu pai sabia, Harry, se perdeu junto com a sua memória... O que ele conseguiu transmitir está nessa carta para que sua mãe tirasse nossas próprias conclusões. Parece ironia do destino, mas sua Tia Petúnia nos deu um mapa para a última Horcrux ao te entregar esse poema aparentemente bobo.

Uma pausa se deu.
Harry olhava o cenário lá fora. As flores indicando a chegada da primavera já começavam a brotar da terra colorindo o cenário negro que se instara em Hogwarts. O clima estava ficando, dia- a- dia , mais ameno. Harry não conseguia achar explicação mais plausível que a de RAB para o significado das frases, mas as pistas eram escassas.

- Bom... Eu ainda penso em algo de Godric Griffyndor...

- Eu também, Mione. – Disse Rony que estava do lado.

- Bom... – Disse RAB olhando sorridente para o dorminhoco Chapéu Seletor. – Já pensaram sobre o nosso amigo, aqui? Ele foi de Godric Griffyndor...
O chapéu não se mexeu. Só roncava sobre a estante de madeira grossa enquanto RAB sorria.

- Riddle não deixaria sua Horcrux dentro da sala de Dumbledore...

RAB fez um sinal de negação como se não concordasse com as palavras de Harry. Ele não estava entendendo o que ela queria dizer com aquilo e Harry então começou a se perguntar: o que mais RAB sabe que eu não sei?

- Harry... Não posso te contar o porquê agora... Mas tenho razões sérias para acreditar que a Horcrux a que seu pai se refere, está aqui dentro de Hogwarts...

- Como sabe?

- Já disse... Não posso dizer de onde tirei isso. É uma idéia maluca, eu sei... Mas encare-a como uma intuição minha. A Horcrux está próxima de nós... - Harry, Rony e Mione encararam RAB assustados. Aquela idéia era incabível. – Mas eu estava brincando quando falei do chapéu seletor... O nosso amigo aqui é falante e totalmente fiel a Godric e, portanto, a todos os diretores de Hogwarts. Se ele fosse uma Horcrux ele certamente falaria.

- Mas tem... A espada de Godric... A que eu usei contra o Basilisco. Encaixaria-se perfeitamente não é? – Disse Harry tentando estabelecer idéias na sua cabeça confusa. – Ela está em Hogwarts e pertenceu à Grifinória...

- Sim... Uma ótima dedução... – RAB dirigiu-se a sua escrivaninha no centro da sala circular. Abriu uma gaveta e tirou de dentro um pano de veludo azul. Quando o abriu, Harry pode ver a espada de Godric brilhando como sempre, mas com um risco no centro. Uma marca como se tivesse sido quebrada e reconstituída.

- Você a quebrou?

- Sim, Harry. Foi a primeira providência que tomei quando você me disse da sua teoria sobre a última Horcrux pertencer a Grifinória. Mas destruir uma Horcrux não é tão fácil quanto quebrar um espelho. Quando você destrói você se sente mal. É como se um cheiro podre estivesse no ar. A maldade sai de dentro e te dá vontade de vomitar... Não senti isso ao destruir a espada e logo percebi que tinha me enganado. Por isso a concertei...

- E agora temos a prova de que ela não era mesmo uma Horcrux... – Explicou Mione ligando os fatos.

- Que quer dizer, Mione? – Perguntou Rony ainda confuso.

- As frases de Tiago Potter só provam que a espada não poderia ser uma Horcrux, Rony! Se existe um elo entre a última Horcrux e sua irmã, RAB não teria conseguido quebrá-la...

- Bem pensando, srta. Granger. – Disse RAB abrindo um breve sorriso. – Agora sugiro que vão descansar. Pensem sobre isso... Eu também preciso pensar...

***

As flores de todas cores e tamanhos dominaram a paisagem de Hogwarts marcando o início definitivo da primavera. Porém, o céu não estava tão alegre: há muito tempo que as nuvens impediam que se visse o sol e o cenário, apesar de colorido, ainda era escuro.
O duende Flitwick tinha ficado maluco. Os trabalhos de casa eram extremamente longos e complexos e somando-se aos da professora McGonagall, era simplesmente impossível marcar reuniões da Rosa Branca.
Gina e Luna, que ainda não sofriam tanto com os N.I.E.M. eram as duas únicas pessoas que tinham tempo para pensar em questões do Elo e tentavam, a todo custo, desvendar o mistério que envolvia a última Horcrux.

- Pessoal... – Disseram Luna e Gina sentando-se ao lado de Harry, Ron, Mione e Neville na mesa da Grifinória enquanto Denetra se aproximava. Luna continuou. – Eu e a Gina temos uma teoria.

- Temos dois objetos que pertenceram a Godric. – Disse Gina empolgando-se. – Que estão em Hogwarts por muito tempo. Que estão, de alguma forma, ligados a Riddle e que, por mais incrível que pareça, descobrimos estar ligados por um Elo Infinito.

- Contem!

- As chaves da Escola.

- As chaves? – Perguntou Rony achando aquela idéia muito idiota. – Querem dizer... As que abrem as portas do castelo?

- Elas mesmas! – Disse Luna explicando-se. – Conversamos com Quim... O auror, sabem? – Todos confirmaram. – Bom, descobrimos que, além de estar protegendo Hogwarts, ele assumiu o cargo de Guardião das Chaves e professor de Trato Com Criaturas Mágicas temporariamente...

- E daí ele nos contou que, para abrir o portão principal do castelo, é necessária uma combinação de duas chaves Mestras. Duas chaves que, combinadas, abrem qualquer porta da escola inteira. – Explicava Gina enquanto todos prestavam a máxima atenção. – As chaves foram feitas por Godric e ligadas pelo elo para que uma nunca pudesse se desvencilhar da outra!

- E, de alguma forma, as chaves que abrem todas as portas da escola, representam uma coisa muito importante para Riddle. Afinal, elas abrem as portas da escola em que ele estudou toda sua vida! E tem mais: ninguém nunca pensaria em destruir as chaves de Hogwarts então é perfeito para guardar uma alma! – Concluiu Luna seguindo-se de grande silêncio. – Antes de falar com RAB achamos que deveriam saber...

***

A teoria de Gina e Luna era totalmente plausível e se encaixavam perfeitamente a todos os indícios que Harry tinha sobre a última Horcrux. Imediatamente naquela tarde, RAB mandou fazerem uma cópia das chaves para o caso de terem que destrui-las. As originais foram levadas a sua sala, onde todo o Elo se encontrava naquele momento.
Lupin, Tonks e Minerva também estavam ali na grande sala em formato oval esperando o grande momento. As duas chaves estavam ali, sobre a mesa e RAB estava diante delas com um frasco em mãos que Harry reconheceu imediatamente: tratava-se de Sangue de Dragão.

- O último uso do sangue de Dragão é destruir o indestrutível... Se uma dessas chaves for a merda de uma Horcrux, saberemos agora!

RAB abriu o frasco e deixou caírem gotas sobre as chaves que começaram a se derreter e se deformar diante dos olhos de todos. A grande platéia assistia ao espetáculo da destruição de uma possível Horcrux em silêncio. RAB sorriu.

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