INVESTIGAÇÃO EM HOGWARTS



O ministro Kingsley Shacklebolt, Hermione Granger Weasley e Zacharias Flintchester, chefe investigativo de inovações da magia, chegaram a Hogwarts alguns dias depois com bastante discrição e se reuniram na sala da diretora MacGonagall. A gárgula que revelava a escada para a sala da diretora continuava lá. A senha agora era Garfieldis Felinus. A sala havia sido um pouco modificada, é verdade, mas as mesinhas de pernas finas e os instrumentos de prata continuavam lá, como uma lembrança de Dumbledore. A penseira foi retirada e guardada com cuidado pela própria MacGonagall. Em seu lugar estava uma bela escrivaninha, com pequenos livros e uma delicada luminária, que lembrava a silhueta esbelta de um gato. Do outro lado, havia um pequeno espelho e um móbile com miniaturas de gatos em porcelana. Um mimo de Minerva. Não havia mais o poleiro para a bela fênix e muito menos Fawkes. A ave desapareceu no mesmo dia em que Dumbledore foi sepultado. Ninguém nunca pôde esquecer a sua canção. E, é claro, os quadros dos ex-diretores de Hogwarts continuavam pendurados na parede atrás da mesa da diretora. Dumbledore estava lá, assim como Severus Snape. As expressões de todos eram de preocupação. Quando Hermione entrou na sala, não pôde conter sua emoção. Aquela seria, para sempre, a sala do diretor Dumbledore.

– Sejam bem-vindos, meus amigos! Uma pena que seja nestas condições.

– De fato, diretora MacGonagall, as circunstâncias são as mais inimagináveis possíveis. – respondeu o ministro. – Algum avanço desde que você se comunicou conosco?

– Infelizmente, não. Os professores se esforçaram e utilizamos os mais diversos feitiços. Aconteceu semelhante à infiltração: por alguns instantes conseguimos que elas voltassem a funcionar, mas elas pararam novamente.

– Isso nunca aconteceu um Hogwarts. E quanto à voz, diretora?

– Harry a ouviu, junto com alguns alunos, Hermione. Não se trata do basilisco, ele checou a Câmara. Também não se trata de um fantasma, porque pedi a todos os fantasmas da casa que averiguassem a existência de um desconhecido em Hogwarts. Eles reviraram tudo e não encontraram nada. Pirraça não foi avisado, por medidas de segurança.

– Então nós vamos passar o dia averiguando o nível de magia e verificando se foi obra de alguém – Zacharias afirmou. – A senhora vai acompanhar todo o processo, diretora?

– Sim, Sr Flintchester. Cada passo que vocês derem aqui na escola. Estou muito preocupada com esta situação. As crianças já comentam a possibilidade da magia de Hogwarts estar se extinguindo e temo que elas estejam certas.

– Vamos investigar detalhadamente, diretora MacGonagall. Não se preocupe. Se existe alguém que está por trás disso, vamos descobrir. E, se não houver nenhuma interferência externa nos eventos que acontecem na escola, vamos descobrir também. – Hermione disse, firme.

– Agradeço a vocês por virem.

– Infelizmente eu só posso permanecer por pouco tempo, a Sra sabe, são muitos problemas a resolver no Ministério da Magia. Mas faço questão de dar uma olhada e fazer o possível.

– Por onde gostariam de começar?

– Pela infiltração, que foi o primeiro evento, correto?

– Sim, Sr Flintchester.

– E depois de checarmos as escadas, diretora, gostaríamos de conversar com Harry Potter e, em seguida, com os alunos – o ministro completou.

A comitiva seguiu a diretora MacGonagall pelas passagens secretas que levavam ao térreo da escola. Os alunos olhavam curiosos para as figuras que se aproximavam da porta do lado esquerdo do hall de entrada e observavam o corredor da infiltração. Diante da pequena multidão que se formava para vê-los, MacGonagall sacou sua varinha.

Privatus!

Uma cortina dupla-face determinou a área de isolamento para que o trio do Ministério pudesse trabalhar sossegado. De fora, parecia que a porta permanecia fechada e que não havia ninguém. Os alunos logo retornaram aos seus afazeres.

– De onde vem essa água, Minerva? – preguntou o ministro.

– É do Lago de Hogwarts, sem dúvida.

– Lá embaixo está alagado, também?

– Sim, mas em menor escala. Por isso não entendemos. Se a água vem do Lago, como ela pode estar mais alagada aqui em cima do que lá embaixo?

– De fato, muito estranho, Diretora MacGonagall. Vou checar os corredores de baixo. – Zacharias se retirou.

– A água parece vir de dentro das paredes – Hermione observou.

– Também pensamos assim, mas quando utilizamos o feitiço petra rejuntus, depois de 8,5min, a água reapareceu por todos os lugares ao mesmo tempo. Nenhum outro tipo de feitiço direcionado à água funciona. É como se ela mesma estivesse com algum tipo de proteção.

Hermione tentou uma série de feitiços, dos mais simples aos mais complexos e nada acontecia à água.

– Zacharias, vamos fazer a água retroceder por alguns instantes, ok? Veja se há alguma mudança.

– Ok!

– Permita-me, Sra Weasley. Petra rejuntos! Temos apenas 8,5min. Vasculhem tudo.

Eles vasculharam as pedras, todo o corredor, o teto e o chão. Parecia que a água nunca estivera ali. No exato momento, a água retornou, vinda de todos os lados ao mesmo tempo. Era impossível definir sua origem. Hermione estava curiosa e confusa.

Incantatem revelium!

Todo o corredor se iluminou.

– Isso é inútil, Srta Granger, digo, Sra Weasley. Hogwarts foi reconstruída por feitiços, portanto, tudo aqui é magia. Tudo irá brilhar, não importa onde você utilize este feitiço.

– Eu sei, Minerva. Agora vamos ver se tem um feitiço mais novo. Incantatem recente revelium!
Parte do corredor tomou uma outra coloração, ainda mais iluminada.

Incantatem recente revelio maximum!

Nada aconteceu. Nenhuma parte começou a brilhar mais do que a outra e ela se decepcionou. Zacharias estava retornando para junto deles, também com uma expressão negativa.

– Não há nada lá embaixo. A solução deste feitiço se encontra neste corredor.

– Então temos apenas a certeza de que a água é do Lago de Hogwarts, segundo os testes comparativos que vocês fizeram, não é, Minerva?

– Sim, ministro.

– E a certeza de que a chave está nas paredes de pedra do castelo.

– Como assim, Hermione?

– É das paredes que a água vem, diretora. Por isso o feitiço lançado nelas conseguiu segurar a água por um tempo.

– Os encanamentos, talvez? Mas já lançamos um feitiço de remendo, caso algum cano estivesse fissurado.

– E se eles estiverem protegidos contra qualquer tipo de feitiço? São canos antigos e duvido que os fundadores não tivessem se preocupado em assegurar que eles não fossem atingidos por nada. – o ministro estava bastante inquieto – Vamos as escadas, então?

– Sim, senhor. – Hermione e Zacharias responderam ao chefe.

Mais uma vez a diretora MacGonagall utilizou o feitiço privatus para assegurar as investigações. O trio investigador examinou todos os detalhes possíveis e foram em cada escada analisar os danos. Hermione utilizou mais uma vez o seu feitiço e, desta vez, houve um brilho mais intenso do que outros. Alguém havia praticado o reducto em um escudo de armadura e o havia reduzido a pó. As marcas brilhantes na armadura e o pó luminoso espalhado no chão permitiam tal conclusão.

– Bom, isso é bem recente.

– Por Merlim! Estas crianças vão acabar destruindo o patrimônio da escola, uma hora dessas. Refingo!

O escudo voltou ao seu estado inicial.

– Minerva, você sabe me informar se as escadas pararam da mesma posição, após o feitiço que vocês lançaram?

– Bom, Ministro, eu creio que não. Mas não posso lhe afirmar, pois não me atentei a isto. Vou questionar os professores, é claro, mas acho improvável. Vou deixá-los por um instante e trazer o Prof Potter até aqui. Com licença.

– O senhor acha, Ministro, que as escadas tenham parado no mesmo lugar? – Flintchester perguntou.

– Acho improvável, mas diante das poucas evidências que temos, não podemos descartar nenhum detalhe que pareça insuspeito a um primeiro olhar.

– Acho que não devemos descartar o boato dos feitiços em Hogwarts estarem se extinguindo. Muita gente participou da reconstrução da escola e alguém pode ter feito alguma coisa errada naquele corredor e nas escadas.

– É uma verdade, Sra Weasley. No arquivo de Reconstrução de Hogwarts, no Ministério, você encontrará a lista de cada pessoa que ajudou na reconstrução da escola e o local onde trabalhou. Procure-os e entreviste-os. Leve um auror para pressionar ainda mais. Se algum deles fez alguma emenda mal feita, porque estava cansado, temos que descobrir exatamente onde foi isto.

Harry entrou na área isolada, seguido pela diretora MacGonagall. Hermione e Shacklebolt sorriram amigavelmente para ele, afinal, eram íntimos e Flintchester apenas fez um cumprimento com a cabeça.

– Como está essa sua nova vida de professor, Harry? E as aulas?

– É mais difícil do que imagina, Mione. Mas até agora me saí muito bem. Como vai, ministro Shacklebolt? Flintchester.

– Estou um pouco preocupado com isso tudo, Harry.

– Até as crianças estão. Hoje um aluno veio me perguntar se toda a magia de Hogwarts terminar, ela vai desmoronar como um prédio implodido.

– Então essa história de fim da magia em Hogwarts realmente está na cabeça das crianças. Bom, elas são bem mais sensíveis do que nós, adultos, pois elas têm a mente mais aberta para o novo. Será uma questão de tempo até que o Profeta Diário dê sua versão dos fatos.

– Ministro, não quero alarmar os pais das crianças.

– Então sugiro, Minerva, que mande uma carta a cada família explicando o que aconteceu. Posso segurar a imprensa por alguns dias, mas é só.

– Eu agradeço, meu amigo.

– Então, Harry, conte-nos o que aconteceu aqui? – o ministro perguntou.

– Eu estava descendo as escadas, pois queria fazer uma visita a Hagrid. As escadas começaram a se mover normalmente e, de repente, pararam. Pude escutar outros sons de pancada além dos meus e perguntei se alguém estava machucado. Então descobri que Alvo, Rose, Jonathan, Peter, Deymon, Khai e Elizabeth estavam nas escadas. Mas eles não se machucaram. Então ouvimos uma voz rouca, distante e cansada. Ele disse “dor... está escuro...Por favor... liberte-me... liberte-me...” Na mesma hora meu coração congelou e pensei na possibilidade do basilisco ter deixado algum ovo. As crianças também ouviram a voz, o que me deixou mais tranqüilo, pois sei que meu filho e Rose não são ofidioglotas. Por segurança, já fui até a Câmara Secreta e vasculhei por todos os lugares. Não há nada lá. Então perguntei se alguma delas conseguiu identificar de onde vinha, mas eles discordaram da origem. Eu mesmo pensei que vinha do meu lado direito. Mas, ao que parece, veio de todas as direções. Então chamamos os professores e levamos as crianças para os dormitórios.

– Harry, nós sabemos que as escadas gostam de mudar de lugar, mas o que eu gostaria de saber é se todas se moveram. Normalmente, elas agem assim quando um aluno está subindo.

– Agora que você comentou, Mione, de fato, todas se moveram e pararam ao mesmo tempo. Posso perguntar para as crianças, mas tenho convicção nisso.

– Isso é diferente – Hermione ponderou.

– E então a diretora MacGonagall chamou todos os professores e fantasmas das casas para fazerem uma busca para achar o dono desta “voz”.

– Exatamente, ministro. – Harry afirmou.

– E o que eles descobriram, Minerva?

– Temos a certeza de que não se trata de um fantasma, pois eles fizeram uma busca completa em Hogwarts. Nenhum vestígio de ectoplasma externo foi encontrado. Já quanto aos professores, tivemos poucas certezas. Mais uma vez, conseguimos fazer as escadas voltarem a se mover, contudo, foi por um período curto. As buscas também resultaram em nada.

– Qual o feitiço que vocês utilizaram, diretora? – Flintchester perguntou.

Vide retornum.

– Então feitiços lançados nas pedras não funcionaram?

– Não. Somente este, abstrato.

– Hum... isso é interessante. Feitiços abstratos só funcionam em seres com vida. Não deveria funcionar em mármore e pedra. De quem foi a interessante idéia?

– Da professora Trelawney.

– Carmelita Trelawney...sim, ela é realmente boa com feitiços. Gostaria de conversar com ela.

– No momento ela está dando aula, Sr Flintchester. Posso pedir que o encontre depois.

– Ficaria muito grato, diretora.

– O que vocês acham que está acontecendo com a escola? – Harry perguntou.

– Ainda não temos uma posição, Harry. Coisas estranhas estão acontecendo a Hogwarts. É como se... como se...

– Como se ela quisesse nos dizer algo? – Harry tentou completar o pensamento da amiga..

– Ainda é cedo para afirmar qualquer coisa. – o ministro salientou. – Pode ser uma falha humana, também. Vamos verificar isso. Mas de uma coisa temos certeza: não há um bruxo envolvido nos eventos estranhos de Hogwarts. Eu preciso voltar ao Ministério.

– Você acha que a conclusão da investigação vai demorar, Ministro?

– Espero que não Harry. E espero que mais nada aconteça na escola. Preciso ir. Mantenham-me informado. Adeus Minerva. Harry.

O ministro Shacklebolt saiu discretamente e utilizou a Rede de Flu para voltar ao Ministério.

– Diretora, a senhora poderia chamar as crianças, por favor?

– Harry, você poderia me fazer esta gentileza?

– Claro, diretora. Um instante.

Harry caminhou rapidamente pela escola. Ele estava mergulhado em pensamentos que convergiam a um único ponto: a magia de Hogwarts estaria acabando? A escola que lhe ofereceu tanto conhecimento e tantas aventuras, que o fez sentir que tinha um lugar no mundo e pessoas que o amavam, que o ajudou a descobrir quem ele realmente era, estaria fadada à destruição? Hogwarts, que havia resistido à última grande guerra contra as artes das trevas? Ele não podia acreditar. Tinha que fazer algo. Deveria existir algo que ele pudesse fazer, como antes. Ele, Rony e Mione precisavam se encontrar a sós. Harry interrompeu a aula de Poções do Prof. Slughorn para chamar Rose, Jonathan, Khai, Deymon e Elizabeth. Os deixou na Câmara vazia esperando, enquanto ia buscar Alvo e Peter na aula de História.

– O que será que querem com a gente? – Khai perguntou.

– Provavelmente algo relacionado com as escadas, não é? O pessoal do Ministério deve ter chegado. – Rose respondeu sob olhares atravessados dos sonserinos.

– Ela é muito intrometida! – Khai sussurrou.

– É uma Granger. O que você esperava? – Deymon respondeu baixinho – Pelo menos ela não é a melhor em tudo, como a mãe dela. As coisas vão ser bem diferentes dessa vez.

– O que vocês estão cochichando aí?

– Nada, Carter. – Malfoy respondeu.

– Lizzie, você acha que vão prender a gente e nos interrogar? – sussurou para a irmã.

– Por que? A gente não fez nada de errado. Só estávamos no lugar errado na hora errada.

– No colégio a gente também tava no lugar errado e na hora errada, lembra?

– Aqui é diferente. Lá na escola eles têm que acreditar na gente ou não. Aqui, se eles quiserem nos forçar a falar a verdade, eles podem. É muito fácil.

– É?

– É. Tem uma poção pra isso.

– Que absurdo!

– São bruxos, John. Eles têm seus métodos.

Harry chegou, seguido por Alvo e Peter.

– Pronto, crianças. Agora, sigam-me.

Os oito caminharam através da passagem secreta que os levava até o quarto andar, sob olhares curiosos dos alunos que estavam fora da sala. O pequeno grupo sumiu através do encantamento de MacGonagall.

– Mãe!

– Tia?

– Oi, Rosie! Como você está, Al?

– A senhora que veio fazer a investigação do Ministério?

– Sim, Al. E este é um colega, Zacharias Flintchester. Ele é chefe investigativo de inovações da magia.

– Então vocês estão achando que o que está acontecendo é uma inovação no Mundo da Magia?

– Ho, ho, ho! Calma mocinha! Nós não dissemos nada.

– Desculpe, Chester.

– Não tem problema, Hermione. Mentes ávidas são sempre bem-vindas ao mundo. Então, precisamos da ajuda de vocês para resolver a questão das escadas.

– O que temos que fazer? – Peter perguntou – Uma reconstituição daquela noite?

– Eu não colocaria em melhores palavras, meu jovem – Flintchester respondeu, sorridente.

– Legal!

– Bom, quando vocês chegaram aqui, o que aconteceu?

– Eu e Jonathan subimos esta escada a caminho de nossa Sala Comunal.

– E nós descemos por aquela. – Alvo respondeu por todos.

– E onde vocês estavam quando as escadas pararam de se mover? Podem ficar lá?

As crianças voltaram às posições daquela noite.

– Vocês poderiam me dizer, crianças, se esta é a posição das escadas daquela noite?

– Por que, mãe? Alguém mexeu nela?

– Bom, ela parece um pouco diferente. – Alvo disse.

– Pra mim foi um pouco antes – Jonathan avisou.

– Não sei se foi essa posição que pararam não, mãe. A gente não reparou nisso.

– Estávamos muito assustados, Sra Weasley. – Peter concluiu.

– E quando a vocês? – Flintchester se direcionava aos sonserinos – Estão muito calados.

– Vai ver que eles não querem ajudar.

– Rose! – Hermione olhava com repreensão para a filha.

– Esta é uma investigação do Ministério, crianças. Vocês têm algo a acrescentar?

– Eles já falaram bastante, senhor. – Malfoy foi seco.

– Eu só discordo da posição das escadas.

– Como assim, mocinha?

– Elas estão no mesmo lugar que deixamos naquele dia. E não me chame de mocinha. Meu nome é Elizabeth Carter.

– Você não é a neta de Dumbledore? – Hermione perguntou surpresa.

– E...? Sou filha dos Carter.

– Bom, Srta Carter, então você acha que as escadas estão no mesmo lugar?

– Ela não disse que acha. As escadas estão no mesmo lugar. – Khai apoiou a colega.

– Elas estão no mesmo lugar.

– Como você tem tanta certeza? – Rose questionou.

– Física.

– Lá vem. – John revirou os olhos.

– Você não tem idade para saber física!

– Acontece, Rose, que minha tia é professora de ciências e ela me ensinou tudo.

Jonathan assentiu com a cabeça, confirmando as informações da irmã.

– Quando começamos a nos mover, eu comecei a contar o tempo, só por diversão. Se pegarmos a posição final como esta e a posição inicial como zero, mais a velocidade que normalmente se movem, que já foi descrita em <Hogwarts, uma história, temos o tempo exato que eu contei. Portanto, a posição final é esta.

Os presentes estavam perplexos com a tranqüilidade com a qual Lizzie descrevia seu argumento. Jonathan era o único que suspirava de chatice.

– Impressionante! – a diretora MacGonagall sorria para ela.

– Então as escadas voltaram para o mesmo lugar.

– Como assim, pai? Elas se moveram de novo? Vocês conseguiram isso?

Hermione olhava repreensiva para Harry. Ele havia falado demais.

– Muito bem, crianças. E quanto à voz, como ela soava?

– Era uma voz de velho. – Peter disse.

– Só porque estava distante e fraca, você não pode dizer que era de um velho – Malfoy afirmou.

– A voz disse “dor... está escuro...Por favor... liberte-me... liberte-me...” – Rose completou.

– E de onde vinha a voz, Srta Weasley?

– Eu ouvi como se viesse do outro lado desse andar, diretora MacGonagall.

– E quanto a vocês?

– Em realmente não sei, diretora. – Alvo disse.

– Eu acho que veio de baixo, diretora – Malfoy disse.

– Eu também pensei ter ouvido de baixo para cima – Khai concordou.

– Pra mim foi justamente o contrário. Veio de cima. – Jonathan discordou.

– Eu tenho certeza de que veio do terceiro andar. – Peter afirmou.

– Pra mim veio das escadas.

– Como é que pode vir das escadas? – Rose contestou.

– Não sei. Só estou dizendo que, para mim, pareceu vir das escadas. Algum problema com o que eu acho ou deixo de achar?

– E você tem uma teoria brilhante que explique tudo?

– É claro que não.

Rose sorriu triunfante.

– Mas tenho minha intuição e ela nunca falha.

Rose revirou os olhos.

– Já chega dessa briguinha! – a diretora foi ríspida – Vocês já podem ir, agora. Estão liberados e muito obrigada. Ah! Malfoy!

– Sim, senhora?

– Avise aos sonserinos envolvidos naquele episódio que nos encontraremos hoje, após as aulas, na sala do Prof Slughorn, está bem?

– Sim, diretora.

As crianças se retiraram e se dispersaram.

– Então, é possível ter alguma conclusão?

– Sinto muito, diretora. Ainda não é possível. O que está acontecendo em Hogwarts é algo sem precedentes na História.

– Acredito, diretora, que o dono desta misteriosa voz seja a chave para o que estamos vendo. Precisamos encontrar a origem o mais rápido possível.

– Além disso, Hermione, temos que torcer para que nada mais aconteça.

– Sim, Harry.

Eles permaneceram o resto do dia vasculhando os locais indicados pelas crianças. Não encontraram nenhum vestígio. Flintchester encontrou com a Prof Trelawney e discutiram os feitiços utilizados. Hermione falou com todos os professores da casa e pegou depoimentos e detalhes. Era fato que quase todos os professores partiam do pressuposto de que Hogwarts queria lhes dizer algo. E todos concordavam que encontrar o dono da voz significava resolver tudo. No fim do dia, eles se encontraram mais uma vez na sala da Diretora. O Ministro estava presente, mais uma vez.

– Diretora, nós vasculhamos tudo e fizemos o possível. Infelizmente, nos parece que Hogwarts está realmente reagindo a alguma coisa. Vamos pesquisar e descobrir o que é. Com certeza está conectado à misteriosa voz.

– Minerva, se você não se importar, gostaria que alguns bruxos do ministério ficassem na escola, de plantão, para o caso de outra ocorrência. Eles ficariam posicionados nas escadarias e no hall de entrada.

– Eu não sei, ministro. Isso deixaria as crianças ainda mais assustadas. Hogwarts sempre foi independente do Ministério e isto poderia provocar ainda mais ataques à escola, meu amigo. Sei que os tempos são outros, mas a imprensa não deixa de opinar, não é?

– Animagos.

– Perdão, Sra Weasley?

– Podemos utilizar animagos, ministro. Desta forma as crianças não ficariam desconfiadas e nem a imprensa teria como saber que o Ministério está vigiando Hogwarts.

– De fato, Sra Weasley, posso convocá-los. O que me diz, diretora?

– Acredito que a Sra Weasley encontrou um meio-termo.

– Os envio assim que possível. Com licença, preciso ir.

– Se me permite, senhor, gostaria de ficar um pouco mais.

– É claro, Sra Weasley. E parabéns pela nova aluna da Grifinória.

– Obrigada, senhor.

O ministro Shacklebolt e Zacharias Flintchester voltaram ao Ministério pela rede de Flu.

– Hermione, querida, eu preciso ir às masmorras.

– Não se preocupe, diretora. Eu sei como andar pela escola.

Com um movimento de varinha de MacGonagall, a pena começou a escrever sobre o pergaminho.

– Eu não tenho dúvidas, querida. Mas creio que as passagens secretas entre os andares e suas senhas não foram do seu tempo, não é? – entregou o pergaminho e sorriu amigavelmente.

– Então a velha Hogwarts tem novos truques!

– Nunca cutuque um dragão adormecido, querida!

Elas se despediram e Hermione foi atrás de Rose. Queria conversar um pouco mais com sua filha antes de ir embora. Rose estava parada na ponte coberta de Hogwarts conversando com Jonathan, Peter e Alvo.

– A gente devia chamar o James.

– A gente fala com James depois, Rose. Vocês ouviram o que meu pai disse? Eles conseguiram consertar as escadas e elas voltaram para o lugar em que pararam da primeira vez.

– Alto lá, Alvo Severo! Quem disse que voltou ao lugar foi aquela sonserina.

– Mas ela argumentou bem. – Peter disse.

– Vamos assumir que as escadas voltaram para o mesmo lugar. Isso quer dizer alguma coisa, não é? Vai, Rose!

– Bom, na certa significa que Hogwarts quer passar alguma mensagem. A gente tem que pensar o que uma infiltração e escadas paradas têm em comum. De onde vem a água da infiltração?

– Eu ouvi dizer que a água é do Lago. – Peter disse – Parece que alguém fez um teste. Pelo menos era o que alguns lufos do último ano estavam conversando.

– Se Hogwarts quer dizer alguma coisa com essa água, só pode ser que isso tem alguma coisa a ver com o Lago.

– Você acha que tem um montro lá, Rose?

– Tem muita coisa lá, Alvo.

– Mas a gente não pode simplesmente entrar no Lago e mergulhar. É extremamente perigoso. Os sereieiros e as lulas não iriam gostar. Nem as outras...coisas que existem lá.

– Você está com medo, Alvo? Garanto que James não teria.

– Você quer deixar meu irmão de lado, só um pouquinho? A coisa é séria.

– Eu acho que a gente tem que mergulhar.

– E se algo acontecer com a gente, Rose? – Peter quis saber.

– A gente tem que se preparar para isso, ora. Existem inúmeros feitiços que a gente pode utilizar para mergulhar e para afastar os sereieiros, as lulas e as outras coisas.

– Mas só estamos no 1º ano de Hogwarts. A gente mal saiu do wingardium leviosa!

– Mas a gente sabe um bocado de feitiços, Al. Pelo menos, a teoria.

– Mas Peter e Jonathan não. Vamos arriscar a vida deles?

Peter e John empalideceram com as palavras de Potter.

– Ah, tá bom! A gente tem que pensar em outra coisa, então.

– Isso está muito difícil!

– O que está difícil, crianças?

Os quatro tomaram um grande susto. Harry havia acabado de se aproximar sem que as crianças notassem sua presença.

– O que estão fazendo, se isolando da companhia de outros alunos? Se eu não conhecesse vocês diria que estão tramando alguma coisa.

– Não, tio. A gente...

– A gente só tava falando como está difícil o tal desafio da professora Trelawney. Além da gente não saber quem será do nosso grupo no final do ano, ainda temos que saber todos aqueles feitiços de cor. Eu não achava que seria tão complicado.

Os outros concordaram com Peter.

– Sabem o que é muito engraçado? - Harry perguntou – Se eu fosse um professor, no meu tempo, e visse essa cena, com certeza acharia que vocês estão tramando alguma aventura e ficaria de olho em vocês.

Estava claro que Harry não estava acreditando na história de Peter.

– Mas pai, se estivéssemos realmente aprontando alguma aventura, James tinha que estar com a gente, né?

– Verdade, Al. Ele não perderia uma oportunidade dessas. Rose, sua mãe está lhe procurando por toda a escola. Acho que ela quer lhe fazer mil perguntas e recomendações antes de ir embora. Vamos voltar?

– Vamos sim.

O pequeno grupo caminhava sem preocupação de volta aos pátios da escola.

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