O baile de inverno



– O baile de inverno.

– Nenhuma surpresa nesse nome de capítulo. – Remo disse com um sorriso – É exatamente o que esperávamos.

– O que é ótimo. – Lily suspirou, relaxando um pouco o corpo – Estou um tanto cansada de surpresas…

Apesar da pesada carga de deveres de casa que os alunos do quarto ano tinham recebido para as férias, Harry não estava com a menor vontade de estudar quando o trimestre terminou, e passou a semana que antecedeu o Natal divertindo-se o máximo possível como todos os outros alunos.

– Talvez, em vez de se divertir com seus colegas, você devesse tentar solucionar aquele ovo! – Remo disse preocupado – Apenas uma sugestão… Seria um tanto humilhante se você não soubesse nada sobre a prova e os outros estivessem completamente preparados.


A Torre da Grifinória não parecia mais vazia agora do que estivera durante o tempo de aulas, parecia até ter encolhido ligeiramente, porque seus moradores estavam muito mais barulhentos do que o normal.
Fred e Jorge fizeram grande sucesso com os seus Cremes de Canário e, nos primeiros dois dias de férias, as pessoas não paravam de explodir em penas por todo o lado. Não tardou muito, porém, todos os alunos da Grifinória aprenderam a olhar a comida que outras pessoas ofereciam com extrema cautela, para a eventualidade de ter Creme de Canário escondido no meio e Jorge confidenciou a Harry que ele e Fred agora estavam trabalhando em outra invenção.

– Vocês deviam começar a oferecer comida para as pessoas das outras casas. – Tiago disse com uma risada – Imaginem como seria divertido ver pessoas se transformando em canários no meio dos corredores.

– Algumas pessoas fizeram isso. – Neville comentou rindo – Ana me contou que as pessoas estava explodindo em penas no salão comunal deles também…
– Uma amiga da Corvinal me disse que, depois do primeiro incidente com creme de canário, as pessoas pararam de aceitar comida das outras… – Gina deu de ombros – Acho que é por isso que dizem que eles são os mais inteligentes…
– Você fala bastante dessa Ana… – Alice murmurou para Neville antes de permitir que ele continuasse lendo.
– Ela é uma boa amiga. – Neville respondeu corando ligeiramente.

Harry fez uma anotação mental para, no futuro, jamais aceitar sequer uma batata frita de Fred e Jorge. Ele ainda não esquecera Duda e o Caramelo Incha-Língua.

– Você já devia ter aprendido a não aceitar nada deles há muito mais tempo! – Sirius riu.


Caía muita neve sobre o castelo e seus terrenos agora. A carruagem azul clara da Beauxbatons parecia uma enorme abóbora coberta de gelo ao lado da casinha de bolo glaçado que era a cabana de Hagrid, enquanto as escotilhas do navio de Durmstrang estavam foscas e o cordame branco de gelo. Os elfos domésticos na cozinha se desdobravam para preparar pratos nutritivos, ensopados que aqueciam e sobremesas deliciosas, e somente Fleur Delacor parecia ser capaz de encontrar de que reclamar.
— É pesada demais, essa comida de Hogwarts — ouviram-na reclamar mal-humorada, quando, certa noite, deixavam a Salão Principal atrás dela (Rony escondendo-se atrás de Harry, cuidando para não ser visto por Fleur). — Não vou caberr nas minhas vestes de baile!
— Aaah, mas que tragédia — comentou Hermione na hora em que Fleur ia chegando ao saguão de entrada. — Ela realmente se acha muito importante, essa aí, não é?

– Pelo visto, essa garota consegue reclamar de qualquer coisa. – Lily disse contrariada – Não deveria me surpreender… Foi ela quem ficou cochichando durante o discurso de Dumbledore!

– Você não tem ideia! – Gina murmurou consigo mesma.

— Hermione, com quem você vai ao baile? — perguntou Rony.
O garoto não parava de assediá-la com essa pergunta, na esperança de fazê-la responder sem querer ao ser perguntada quando menos esperasse. No entanto, Hermione meramente franzia a testa e dizia:
— Não vou lhe contar porque você iria caçoar de mim.

– Por que ele caçoaria de você? – Lily perguntou ligeiramente maldosa – Alguém convidou você para o baile por quem você é… Rony precisou que Harry arranjasse um par para ele!

– Meu irmão é um idiota. – Gina disse com uma risada – Ele arrumaria um jeito de implicar com Hermione, mesmo ele sendo o panaca que não conseguiu um par!

— Você está brincando, Weasley? — disse Malfoy às costas deles. — Você está dizendo que alguém convidou isso para ir ao baile? Não foi o sangue-ruim de molares compridos, foi?
Harry e Rony se viraram na mesma hora, mas Hermione disse em voz alta, acenando para alguém por cima do ombro de Malfoy:
— Olá, Professor Moody!
Malfoy ficou pálido e pulou para trás, procurando Moody com um olhar alucinado, mas o professor ainda estava à mesa, terminando seu ensopado.
— Que doninha nervosinha você é, hein? — comentou Hermione demonstrando desprezo, e ela, Rony e Harry subiram a escadaria de mármore dando boas risadas.

– Genial! – Sirius exclamou em meio a gargalhadas – Vocês deviam usar isso sempre!

– Ele merece isso! – Remo disse satisfeito – Vai aprender a não provocar vocês!
– Ele já devia ter aprendido depois do tabefe que a Mione deu na cara dele! – Gina disse aumentando as gargalhadas.

— Hermione, — disse Rony, olhando para ela de esguelha e, de repente, franzindo a testa — os seus dentes...
— Que têm eles?
— Bem, estão diferentes... Acabei de notar...
— Claro que estão, você esperava que eu ficasse com aquelas presas que Malfoy me deu?
— Não, quero dizer, eles estão diferentes do que eram antes de ele lançar o feitiço em você... Estão... Retos e... Do tamanho normal.
Hermione de repente sorriu muito travessamente, e Harry também reparou: era um sorriso diferente do que ele lembrava.
— Bem... Quando fui procurar Madame Pomfrey para consertar os dentes, ela segurou um espelho e me disse para mandar ela parar quando os dentes voltassem ao tamanho normal. E eu deixei ela demorar um pouco mais. — Hermione deu um sorriso ainda maior. — Papai e mamãe não vão ficar muito satisfeitos. Estou tentando convencer os dois a me deixar reduzir os dentes há séculos, mas eles queriam que eu continuasse com o aparelho. Sabe, eles são dentistas, daí acharem que dentes e magia não devem... Olhem lá! Pichitinho voltou!

– Eu sempre achei estranho todos falarem que você tinha dentes grandes mesmo. – Lily disse encarando Hermione com atenção – Sempre que citavam seus dentes nos livros eu olhava e não achava tão grandes assim…

– Pensava que você tinha apenas reduzido eles com magia quando aprendeu o feitiço. – Sirius deu de ombros.
– Eu achei que os pais dela tivessem reduzido… – Remo afirmou – Já sabíamos que eles eram dentistas.
– Não seria tão simples assim… – Lily riu – Dentistas não conseguem simplesmente reduzir dentes. Precisam usar aparelhos e deve demorar bastante…
– Nunca fui a um dentista. – Remo disse jogando os braços para cima – Só sei que eles são os médicos que cuidam dos dentes dos trouxas.
Hermione riu satisfeita antes de fazer sinal para Neville prosseguir com a leitura.

A corujinha de Rony piava feito louca no alto da balaustrada enfeitada de pingentes de gelo, um rolo de pergaminho amarrado à perna. As pessoas que passavam apontavam e riam, e um grupo de alunas do terceiro ano parou para comentar: "Ah, olha só que corujinha mínima! Não é uma gracinha?”
— Seu penoso babaca! — sibilou Rony correndo escada acima e agarrando Pichitinho. — Você entrega as cartas direto ao destinatário! Não fica por aí se exibindo! — Pichitinho piou alegremente, a cabeça espichando por cima da mão fechada de Rony. As garotas do terceiro ano pareceram muito chocadas.

– Você realmente devia ser um pouco mais agradável com o presente que dei a você. – Sirius bufou – Assim você fica parecendo bastante ingrato!

– Não exagere, Sirius! – Tiago disse rindo – Rony está apenas tentando ensinar a corujinha algumas regras…
– Afinal, quem precisa de uma coruja que não entrega as cartas ao destinatário? – Severo murmurou fazendo Sirius e Rony bufarem em uníssono e o resto dos presentes cair na gargalhada.

— Caiam fora! — disse Rony rispidamente, sacudindo a mão que segurava a coruja, que piou ainda mais alegremente ao sair voando pelos ares. — Aqui, toma, Harry — acrescentou Rony em voz baixa, enquanto as garotas saíam correndo com o ar escandalizado. Ele puxou a resposta da perna de Pichitinho, Harry embolsou-a e os três correram a lê-la na Torre da Grifinória.
Todos na sala comunal estavam demasiado ocupados extravasando a agitação das férias para observar o que alguém mais estivesse fazendo. Harry, Rony e Hermione se sentaram afastados dos colegas, junto a uma janela escura que lentamente se cobria de neve e Harry leu em voz alta.
“Caro Harry,
Parabéns por conseguir passar pelo Rabo-Córneo, quem pôs o seu nome naquele cálice não deve estar se sentindo muito feliz no momento! Eu ia sugerir um Feitiço Conjunctivitus, porque os olhos do dragão são o seu ponto mais fraco...

– Eu sabia que essa seria a minha sugestão. – Sirius disse contente – Parece que não mudei muito mesmo.

– Você passou doze anos trancafiado injustamente em Azkaban, não teve tempo de mudar muito… – Remo suspirou.
– Pelo menos, já sou bastante inteligente, então não perdi tanta coisa… – Sirius deu de ombros – Só a chance de ajudar o Harry e dar a ele uma infância feliz… Mas vamos mudar isso.

— Foi o que Krum usou! — murmurou Hermione.
Mas do seu jeito foi melhor, estou impressionado.
Porém, não fique se sentindo muito satisfeito consigo mesmo, Harry. Você só deu conta de uma tarefa, quem o inscreveu no torneio vai ter muitas outras oportunidades se quer realmente lhe fazer mal.

– Infelizmente, eu tenho razão. – Sirius suspirou – O infiltrado de Voldemort deve estar contando com as duas outras provas para acabar com você…

– Ou algo ainda pior. – Severo disse pensativo – Pettigrew sugeriu que usassem outro bruxo qualquer para o plano deles… Então o plano deles não pode ser simplesmente matá-lo – completou encarando Harry com curiosidade.
– Snape tem razão. – Remo disse franzindo a testa desconfortável – O plano dele é mais complexo do que matar Harry... Talvez estejamos encarando tudo o que acontece nesse livro de forma errada… Talvez inscrever Harry não tenha como objetivo fazer a morte dele parecer acidental…
– Isso é ainda mais assustador do que antes. – Lily suspirou colocando a mão no peito, desgostosa.

Mantenha os olhos abertos — particularmente quando a pessoa de quem já falamos estiver por perto — e se concentre em não se meter em confusões.
Mande notícias, contínuo querendo saber de qualquer coisa anormal.
Sirius”.
— Ele está falando exatamente a mesma coisa que Moody — disse Harry em voz baixa, guardando a carta dentro das vestes. — "Vigilância constante!" Parece até que eu ando por aí com os olhos fechados, ricocheteando nas paredes...

– Quase isso, – Tiago disse tentando quebrar a tensão – você tem o talento incrível de sempre desconfiar das pessoas erradas.

– Pelo menos, isso facilita tudo para a gente, – Remo disse levantando uma sobrancelha – basta excluirmos da nossa lista de suspeitos as pessoas que Harry incluir na lista dele.
– Com exceção de Voldemort, é claro. – Sirius disse acenando para Remo em concordância.

— Mas ele tem razão, Harry, — disse Hermione — você ainda tem duas tarefas a cumprir. Devia realmente dar uma olhada naquele ovo, sabe, e começar a estudar o que significa...
— Hermione, ainda faltam séculos! — disse Rony com rispidez. — Quer jogar uma partida de xadrez, Harry?
— OK — disse Harry. Depois, vendo a expressão de Hermione. — Vamos, como é que vou me concentrar nessa barulheira? Não vou conseguir nem ouvir o ovo com essa turma berrando.

– Não vai conseguir ouvir o ovo? – Remo perguntou irônico – Essa é a sua desculpa? O ovo quase deixou todos surdos quando você o abriu no dia da primeira tarefa!

– Além de conseguir sempre desconfiar das pessoas erradas, Harry sempre inventa as piores desculpas! – Gina concordou com Remo rindo.

— Ah, imagino que não — suspirou ela, se sentando para assistir à partida, que terminou num excitante xeque-mate de Rony, envolvendo dois peões corajosos, mas imprudentes e um bispo muito violento.
Harry acordou, de repente, na manhã de Natal. Imaginando o que teria causado o seu abrupto retorno à consciência, ele abriu os olhos e viu uma coisa de olhos muito grandes, verdes e redondos que o encarava na escuridão, tão próximo que a coisa e ele estavam quase nariz contra nariz.
— Dobby!— berrou Harry, afastando-se do elfo tão depressa que quase caiu da cama. — Não faz isso!
— Dobby sente muito, meu senhor! — esganiçou-se o elfo com a voz cheia de ansiedade, saltando pra trás com os longos dedos cobrindo a boca. — Dobby só está querendo desejar a Harry Potter "Feliz Natal" e lhe trazer um presente, meu senhor! Harry Potter disse que Dobby podia vir vê-lo um dia desses, meu senhor!
— Tudo bem — disse Harry, ainda respirando muito acelerado, enquanto seu coração voltava ao normal. — Da próxima vez é só me cutucar ou outra coisa assim, não se debruça sobre mim desse jeito...

– Pobre Dobby, – Tiago disse com uma gargalhada – você não explicou isso a ele quando disse que ele podia te fazer uma visita! Nunca deixe de ser extremamente específico com elfos domésticos.


Harry afastou as cortinas da cama, apanhou os óculos na mesa de cabeceira e colocou-os. Seu berro acordara Rony, Simas, Dino e Neville. Os quatro estavam espiando entre as cortinas de suas camas, as pálpebras pesadas e os cabelos desmanchados.
— Alguém está atacando você, Harry? — perguntou Simas sonolento.
— Não, é só o Dobby — resmungou Harry. — Pode voltar a dormir.
— Ah... Presentes! — exclamou Simas, vendo a montanha aos pés de sua cama.
Rony, Dino e Neville resolveram que, uma vez que estavam acordados, era melhor começarem a abrir os presentes, também. Harry se voltou para Dobby, que agora estava de pé, nervoso, ao lado de sua cama, ainda com o ar preocupado por ter perturbado o garoto. Havia um enfeite de Natal preso à argola do seu abafador.
— Dobby pode dar o presente dele a Harry Potter? — perguntou ele hesitante.
— Claro que pode. Hum... Também tenho uma coisinha para você.
Era mentira; não comprara nada para Dobby, mas abriu depressa o seu malão e tirou um par de meias enrolado, e particularmente cheias de bolotinhas.

– Você pode até ter mentido para ele, – Lily disse sorrindo para Harry com carinho – mas foi muito delicado da sua parte arrumar um presente para ele.

– Mesmo o presente sendo um par de meias usadas. – Tiago riu concordando com Lily enfaticamente.

Eram suas meias mais velhas e piores, amarelo-mostarda e, tempos atrás, tinham pertencido ao tio Válter. A razão por que estavam tão emboloradas é que Harry as usava para embrulhar o bisbilhoscópio. Ele desembrulhou o objeto e entregou as meias a Dobby, dizendo:
— Desculpe, me esqueci de embrulhar...
Mas Dobby ficou absolutamente encantado.
— As meias são as peças favoritas, favoritas mesmo, de Dobby, meu senhor! — disse o elfo rasgando as meias velhas que calçava e pondo as do tio Válter.

– Considerando que foi uma das suas meias que libertou ele, – Sirius disse rindo – isso faz todo o sentido do mundo.


— Agora tenho sete, meu senhor... Mas, meu senhor... — disse ele arregalando os olhos, depois de puxar as meias até onde pôde, de modo que elas chegaram à bainha dos seus shorts — eles se enganaram na loja, Harry Potter, lhe venderam duas meias iguais!

– Pobre Dobby! – Alice disse risonha – Mal sabe ele que os bruxos usam meias iguais todos os dias.

– Mas que coisa totalmente sem graça, não é? – Sirius perguntou pensativo – Devíamos usar meias coloridas e usar as vestes um pouco acima dos tornozelos para que elas apareçam em destaque!

— Ah, não, Harry, como foi que você não viu isso! — exclamou Rony, rindo lá de sua cama, que agora estava juncada de papel de embrulho. — Vou dizer o que vou fazer, Dobby, aqui, tome mais duas e você pode combiná-las como deve ser. E aqui está seu suéter.
O garoto atirou para Dobby um par de meias roxas que acabara de desembrulhar e o suéter tricotado à mão que a Sra. Weasley lhe mandara.

– Mamãe não gostaria nada de saber disso. – Gina bufou – Já te falei como é importante para ela a tradição dos suéteres.

– Ela não precisa saber! – Rony replicou – O que ela não sabe, não pode magoá-la!

Dobby não coube em si de contentamento.
— Meu senhor, o senhor é muito bondoso! — guinchou ele com os olhos transbordantes de lágrimas, fazendo profundas reverências para Rony. — Dobby sabia que o senhor devia ser um grande bruxo, porque é o maior amigo de Harry Potter, mas Dobby não sabia que também era tão grande em generosidade de alma, tão nobre, tão sem egoísmo...

– Dobby realmente não te conhece bem. – Gina revirou os olhos – Sem egoísmo...

– Não sou egoísta! – Rony respondeu irritado – Mas é difícil ser generoso quando você não tem nada só seu! Você não sabe como é, você é menina, não teve que passar a vida inteira usando as roupas do seu irmão mais velho.
– Você que pensa. – Gina bufou – Algumas das minhas roupas são roupas suas que mamãe mudou de cor.
Neville baixou os olhos para o livro e voltou à leitura, constrangido.

— São apenas meias — disse Rony, cujas orelhas coraram ligeiramente, embora ele parecesse muito satisfeito. — Uau, Harry — ele acabara de abrir o presente de Harry, um boné do Chudley Cannon. — Maneiro! — Enfiou o boné na cabeça, onde a cor se chocou violentamente com os seus cabelos.

– Eu não merecia esse presente. – Rony suspirou – Não depois de como te tratei...

Harry jogou a mão para cima displicentemente e acenou para Neville continuar lendo.

Dobby em seguida entregou um pacotinho a Harry, que continha nada menos que... Meias.
— Dobby fez elas com as próprias mãos, meu senhor! — disse o elfo alegremente. — Comprou a lã com o ordenado dele, meu senhor!
A meia esquerda era vermelho-berrante e tinha uns desenhos de vassouras, a direita era verde, com um desenho de nós.
— Elas são... Elas são realmente... Ah, muito obrigado, Dobby — disse Harry e calçou-as, fazendo os olhos de Dobby marejarem novamente de felicidade.
— Dobby precisa ir agora, meu senhor, já estamos preparando o almoço de Natal na cozinha! — E saiu apressado do dormitório, acenando um adeus para Rony e os outros garotos ao passar.

– Acho que essa é a única utilidade que ele vê para o salário... – Tiago disse sorrindo para Harry carinhoso – Mas isso provavelmente fez ele mais feliz do que comprar coisas para ele mesmo.

– Eu até pensei em dar alguma coisa para ele, – Neville disse com um meio sorriso – mas eu estava completamente desprevenido...
– Nós nunca esperamos que um elfo-doméstico apareça no meio do nosso dormitório na manhã de natal... – Frank disse em tom de justificativa, antes de Neville retomar a leitura.

Os outros presentes de Harry foram muito mais satisfatórios do que as meias desparelhadas de Dobby — com exceção óbvia do presente dos Dursley, que consistia em uma única folha de papel absorvente, o mais pobre que já recebera, Harry supôs que eles, também, deviam estar se lembrando do Caramelo Incha-Língua.

– Eu nem ao menos sei porque eles ainda mandam presentes. – Sirius revirou os olhos – Não é como se eles se importassem muito.

– Talvez minha irmã sinta um pouco de culpa… – Lily suspirou – Nossa relação era muito boa quando éramos mais novas, antes da carta de Hogwarts, talvez ela ainda tenha algum carinho por mim...
– Você sabe que o que sua irmã tem de você é inveja. – Severo disse, esquecendo-se por um momento, que Lily e ele não eram mais amigos – Você sabe que o que ela queria era vir para Hogwarts junto com você.
– Então é isso? – Tiago perguntou a Lily surpreso – O ódio que sua irmã tem dos bruxos é pura inveja?
– Acho que sim. – Lily sussurrou triste – Ela não reagiu nada bem… Achava que meus pais gostavam mais de mim do que dela por eu ser bruxa, porque eles estavam orgulhosos…
– Na verdade isso faz muito sentido. – Remo disse pensativo – Ela provavelmente tinha medo do filho dela viver o mesmo que ela… Por isso tratava o Harry tão mal.
– Isso não é justificativa. – Lily bufou – Nada justifica tratar uma criança mal. – completou olhando de soslaio para Severo.
– Eu disse que faz sentido, – Remo disse categórico – não disse que ela tinha razão.

Hermione dera a Harry um livro intitulado Os Times de Quadribol da Grã-Bretanha e da Irlanda, Rony, uma grande sacola de bombas de bosta, Sirius, um canivete maneiro com acessórios para abrir qualquer porta e desfazer qualquer nó

– Isso não pode ser coincidência! – Tiago disse sorrindo para Sirius abertamente.

– O que não pode ser coincidência? – Alice perguntou curiosa.
– No natal passado, Tiago me deu de presente esse canivete suíço encantado. – Sirius disse retirando o canivete vermelho do bolso das vestes.
– É esse! – Harry exclamou espantado – É esse o canivete que você me deu!
– Não acredito! – Tiago disse emocionado – Você deu a ele o canivete que eu enfeiticei para você…
– Eu provavelmente achei que fosse ser mais útil para ele que para mim. – Sirius suspirou olhando Tiago e Harry emotivo – Não acredito que não contei que foi você quem me deu o canivete…
– Não precisava contar. – Tiago sorriu – Significa muito para mim, de qualquer forma.

e Hagrid, uma enorme caixa de doces com todos os que Harry mais gostava — Feijõezinhos de Todos os Sabores Bertie Botts, Sapos de Chocolate, Chicles de Baba-Bola e Delícias Gasosas. Ganhara, também, é claro, o pacote habitual da Sra. Weasley, incluindo um novo suéter (verde com a estampa de um dragão — Harry imaginou que Carlinhos lhe contara tudo sobre o Rabo-Córneo) e uma grande quantidade de tortas caseiras de frutas secas.
Harry e Rony se encontraram com Hermione na sala comunal e desceram juntos para tomar o café da manhã. Os três passaram a maior parte da manhã na Torre da Grifinória, onde todos se divertiam com os presentes recebidos, depois voltaram ao Salão Principal para um almoço magnífico, que incluía no mínimo uns cem perus e pudins de Natal e montanhas de Bolachas Mágicas de Cribbage.
Os garotos saíram para os jardins à tarde, a neve estava intocada, exceto pelas valas fundas feitas pelos estudantes de Durmstrang e Beauxbatons a caminho do castelo. Hermione preferiu assistir à batalha de bolas de neve de Harry com os Weasley, em vez de tomar parte nela e, às cinco horas, disse que ia subir para se preparar para o baile.
— Quê, você precisa de três horas? — perguntou Rony, olhando para ela incrédulo e pagando por esse lapso de concentração: uma enorme bola, atirada por Jorge, atingiu-o com força do lado da cabeça.

– Garotas precisam de mais tempo para se arrumar. – Alice justificou sorrindo para Hermione – Precisamos arrumar o cabelo, fazer maquiagem, ajustar o vestido… Não é tão simples como apenas colocar as vestes!

– E os feitiços para cabelo são bastante complicados. – Lily concordou – Eu gosto de usar a varinha para fazer cachos em dias especiais… No ano passado, uma garota do primeiro ano tentou fazer isso e ficou careca…
– Eu lembro disso! – Alice não conseguiu segurar a risada – Por sorte, Madame Pomfrey tinha um pouco de poção capilar no estoque dela.
– Me pergunto porque… – Sirius disse curioso.
– Pelo que entendi, é uma coisa até comum. – Lily deu de ombros – Quando levei a menina a enfermaria, Madame Pomfrey ficou murmurando sobre como as garotas viviam fazendo isso e como ela devia proibir feitiços capilares…

— Com quem é que você vai? — gritou ele para Hermione, mas a garota apenas acenou e desapareceu pela escada de acesso ao castelo.
Não houve o chá de Natal àquela tarde porque o baile incluía um banquete, de modo que às sete horas, quando ficou difícil fazer pontaria direito, os garotos abandonaram a batalha de bolas de neve e marcharam de volta ao salão comunal.
A Mulher Gorda estava sentada em sua moldura com a amiga Violeta do andar de baixo, as duas extremamente tontas, caixas vazias de bombons recheados de licor amontoadas sob o quadro.
— Lutas de Covil é isso aí! — riu-se ela quando os garotos disseram a senha, e ela girou o quadro para frente para deixá-los passar.
Harry, Rony, Simas, Dino e Neville trocaram a roupa por vestes a rigor no dormitório, todos se sentindo muito constrangidos, mas nenhum tanto quanto Rony, que se examinou no comprido espelho a um canto, com cara de desgosto.
Não havia como contornar o fato de que as vestes dele pareciam mais um vestido do que qualquer outra coisa. Numa tentativa desesperada de fazê-las parecer mais masculinas, ele usou um Feitiço de Corte nos babados do decote e das mangas. Funcionou bastante bem, pelo menos se livrara das rendas, embora não tivesse feito um trabalho muito caprichado, e as barras ainda parecessem lastimavelmente esfiapadas quando eles desceram.

Rony encarou os próprios pés constrangido.

– Talvez, se você não tivesse sido tão chato comigo, eu poderia ter te ajudado com suas vestes. – Hermione afirmou condescendente – Eu, pelo menos, não deixaria você todo esfiapado… E poderíamos mudar a cor das vestes também…
– Ele não merecia. – Gina afirmou categórica – Ele estava se superando em idiotice naquele ano.

— Eu ainda não consigo entender como foi que vocês dois ficaram com as garotas mais bonitas do ano — murmurou Dino.
— Magnetismo animal — disse Rony deprimido, puxando fiapos das bainhas dos punhos.
O salão comunal estava com um ar estranho, cheio de gente usando diferentes cores em lugar da massa negra de sempre. Parvati esperava Harry ao pé da escada. Estava realmente muito bonita, com vestes rosa-choque, sua longa trança negra entrelaçada com ouro e pulseiras de ouro reluzindo nos braços.
Harry se sentiu aliviado de ver que ela não estava dando risadinhas.
— Você... Hum... Está bonita — disse ele sem jeito.
— Obrigada. Padma vai se encontrar com você no saguão de entrada — acrescentou para Rony.
— Certo — disse Rony, olhando à volta. — Cadê Hermione?
Parvati deu de ombros.

– Talvez, se você tivesse convidado ela cedo, e não como última opção, saberia onde ela está… – Alice implicou, ainda se lembrando do que Rony e Harry falaram de Neville.


— Vamos descer, então, Harry?
— OK — concordou o menino, desejando poder continuar no salão comunal.
Fred piscou para ele ao passar pelo buraco do retrato.
O saguão de entrada também estava apinhado de estudantes, todos andando por ali à espera de que dessem oito horas, quando as portas para o Salão Principal seriam abertas. As pessoas que iam encontrar pares de outras Casas procuravam atravessar a aglomeração, tentando localizar uns aos outros.
Parvati encontrou a irmã Padma e levou-a até Harry e Rony.
— Oi — cumprimentou Padma, que estava tão bonita quanto Parvati, de vestes turquesa-forte. Mas não parecia muito entusiasmada com a idéia de ter Rony como par, seus olhos escuros se demoraram nas mangas e no decote esfiapados das vestes do garoto quando o examinou de alto a baixo.
— Oi — disse Rony sem olhar para ela, mas espiando os convidados. — Ah, não...
Ele dobrou ligeiramente os joelhos para se esconder atrás de Harry, porque Fleur Delacour ia passando, absolutamente fantástica com suas vestes de cetim cinza-prateado, acompanhada pelo capitão do time de Quadribol da Corvinal, Rogério Davies. Quando os dois desapareceram, Rony se endireitou e ficou examinando as cabeças das pessoas que estavam de costas.
— Cadê a Hermione? — indagou outra vez.

– Eu não gostaria de ir a um baile com alguém que está obviamente interessado em outra garota… – Lily afirmou com uma risadinha – Sem querer insinuar nada.


Um grupo de alunos da Sonserina vinha subindo as escadas do seu salão comunal na masmorra.
Malfoy à frente; usava vestes de veludo negro com a gola alta, que na opinião de Harry o faziam parecer um padre. Pansy Parkinson estava agarrada ao braço de Malfoy, com vestes rosa-claro cheias de babadinhos.

– Ela sempre foi apaixonadinha por ele. – Gina contou com uma gargalhada – Uma amiga minha da Corvinal tem uma irmã na Sonserina, e ela me disse que Pansy é completamente ridícula, uma piada no salão comunal.

– Talvez se ela tivesse vencido o esquilo… – Sirius disse rindo com Gina.

Crabbe e Goyle vinham de verde, pareciam pedregulhos cobertos de limo e nenhum dos dois, Harry ficou satisfeito de constatar, conseguira encontrar um par.
As portas de carvalho da entrada se abriram e todos se viraram para olhar os alunos de Durmstrang entrarem com o Professor Karkaroff. Krum vinha à frente da delegação, acompanhado por uma garota bonita, de vestes azuis, que Harry não conhecia.

Hermione, Gina e Neville caíram na gargalhada ao mesmo tempo, enquanto Rony bufava irritado.

– Por que estão rindo? – Alice perguntou curiosa.
– Você já vai saber. – Neville disse voltando a ler.

Por cima das cabeças do grupo, ele viu que a área do gramado logo à entrada do castelo fora transformada em uma espécie de gruta cheia de luzes encantadas — ou seja, centenas de fadinhas vivas encontravam-se sentadas nas roseiras que tinham sido conjuradas ali e esvoaçavam sobre as estátuas que pareciam representar Papai Noel e suas renas.
Então a voz da Professora Minerva McGonagall chamou:
— Campeões aqui, por favor!
Parvati ajeitou as franjas, sorridente, ela e Harry disseram "Vemos vocês daqui a pouco", para Rony e Padma, e se adiantaram, a aglomeração de pessoas que conversavam se abriu para deixá-los passar. A professora, que trajava vestes a rigor de tartan vermelho, e enfeitara a aba do chapéu com uma guirlanda bem feiosa de cardos, — a flor nacional da Escócia — mandou-os esperar a um lado das portas, enquanto os demais entravam. Eles deviam entrar no Salão Principal em cortejo, quando os outros estudantes se sentassem. Fleur Delacour e Rogério Davies pararam mais próximos às portas. Davies parecia tão aturdido com a sua sorte de ter Fleur como par que mal conseguia desgrudar os olhos dela.
Cedrico e Cho ficaram ao lado de Harry, o garoto desviou o olhar para não precisar conversar com eles. Em lugar disso, seu olhar recaiu sobre a garota ao lado de Krum. Seu queixo caiu.
Era Hermione.

– Krum? – Lily perguntou espantada – Você foi com Krum ao baile!

– Agora as risadas de vocês fazem sentido! – Alice exclamou entre risadinhas – Harry não reconheceu Hermione!
– Agora muita coisa faz sentido! – Remo disse encarando Rony e Hermione com atenção – Especialmente porque, no livro, Rony parecia adorar Krum, e aqui ele parece não gostar nada dele.
– Mais importante que isso, – Tiago interrompeu Remo com um aceno de mão – você foi ao baile com um jogador internacional de quadribol! E você nem ao menos sabe o que é uma finta de Wronski!
– Não fique tão surpreso. – Hermione riu – Eu não precisava realmente saber quadribol para ir ao baile!

Mas ela não parecia nadinha com a Hermione. Fizera alguma coisa com os cabelos, não estavam mais lanzudos, mas lisos e brilhantes e enrolados num elegante nó na nuca. Estava usando vestes feitas de um tecido etéreo azul-pervinca, e tinha uma postura um tanto diferente — ou talvez fosse meramente a ausência dos vinte e tantos livros que ela normalmente carregava às costas. E sorria — um sorriso um pouco nervoso, era verdade — mas a redução no tamanho dos dentes da frente era mais visível que nunca.
Harry não conseguia compreender como não a vira antes.

– Porque eu era a última pessoa que você esperava ver ao lado do Vitor? – Hermione perguntou irônica.

– Talvez. – Harry admitiu ligeiramente contrariado – Ou porque você estava muito diferente do normal...
– Cuidado. – Sirius alertou com uma risada – Garotas costumam encarar essa frase como uma insinuação de que normalmente elas são feias.
– Não se preocupe, – Hermione disse entre risos – não sou uma dessas garotas fúteis...

— Oi, Harry! — disse ela. — Oi, Parvati!
Parvati mirava Hermione com depreciativa incredulidade. E não era a única, tampouco, quando as portas do Salão Principal se abriram, o fã-clube de Krum que fazia ponto na biblioteca passou, lançando a Hermione olhares de profundo desprezo.

– Pelo menos, agora sabemos porque ele vivia na biblioteca! – Tiago disse com uma gargalhada.

– Você não tem como saber se era por isso! – Lily disse rindo – Ele podia muito bem estar estudando.
– Ele não estava estudando. – Sirius riu – Ele não me parece o tipo que estuda!

Pansy Parkinson boquiabriu-se ao passar com Malfoy, e mesmo ele não pareceu capaz de encontrar uma ofensa para atirar a Hermione. Rony, porém, passou direto por ela sem sequer olhar.

– Não me reconheceu? – Hermione perguntou a Rony levantando uma sobrancelha.

– Não. – Rony respondeu constrangido – Mas você estava realmente diferente… E eu não estava te procurando…

Depois que estavam todos sentados no salão, a Professora Minerva mandou os campeões e seus pares formarem um cortejo, de dois em dois, e a seguiram. Os garotos obedeceram e todos no salão aplaudiram, quando eles entraram e se dirigiram a uma grande mesa redonda no fundo do salão, onde estavam sentados os juizes.
As paredes do salão estavam cobertas de gelo prateado e cintilante, com centenas de guirlandas de visco e azevinho cruzando o teto escuro salpicado de estrelas.
As mesas das Casas haviam desaparecido; em lugar delas havia umas cem mesinhas iluminadas com lanternas, que acomodavam, cada uma, doze pessoas.
Harry se concentrou em não tropeçar nos próprios pés. Parvati parecia estar se divertindo, sorria radiante para todos, conduzindo Harry com tanta firmeza que ele teve a sensação de que era um cachorrinho de concurso que ela estava ensinando a desfilar.

– Considerando que você estava se esforçando para não tropeçar nos próprios pés, – Gina disse com uma risadinha – pelo menos Parvati fez você parecer confiante.

Tiago riu ao perceber que Gina não tinha qualquer sinal de ciúmes na voz.

Ele avistou Rony e Padma ao se aproximar da mesa principal. Rony observava Hermione passar com os olhos apertados. Padma parecia chateada.

– Vou repetir, – Lily disse entre risinhos – se eu estivesse no lugar da Padma, não estaria nada feliz do meu par estar prestando muito mais atenção em outra garota.

Rony corou até as orelhas e baixou os olhos completamente envergonhado.

Dumbledore sorriu feliz quando os campeões se aproximaram da mesa principal, mas Karkaroff tinha uma expressão parecidíssima com a de Rony ao ver Krum e Hermione se aproximarem.

– Será que ele sabe que você é nascida-trouxa? – Lily perguntou ligeiramente preocupada.

– Não acho que ele teria como saber. – Remo respondeu pensativo – A não ser por aquele artigo da Skeeter…
– Considerando que ele é um comensal da morte… – Sirius suspirou – Não deve estar nada feliz em ver um dos pupilos dele confraternizando com uma nascida-trouxa…

Ludo Bagman, esta noite de vestes roxo-berrante, com grandes estrelas amarelas, batia palmas com tanto entusiasmo quanto qualquer estudante e Madame Maxime, que trocara o uniforme costumeiro de cetim negro por um vestido rodado de seda lilás, os aplaudia educadamente. Mas o Sr. Crouch, Harry percebeu de súbito, não estava presente. A quinta cadeira à mesa estava ocupada por Percy Weasley.

– Crouch é realmente muito estranho. – Frank disse pensativo – Mais uma vez ele escolhe não aparecer em um evento que ele organizou…

– Resta saber qual a explicação para a ausência dele. – Remo concordou – É uma atitude definitivamente estranha…
– Você consideraria uma atitude suspeita? – Sirius perguntou coçando a cabeça.
– Não… – Remo respondeu espantado – Crouch é conhecido por ser completamente contra qualquer coisa que não seja completamente legal!
– Talvez isso seja apenas uma grande fachada. – Sirius ponderou – Ele pode estar escondendo suas reais intenções há anos!
– Eu acho que você está começando a ver suspeitos em todos os lugares. – Tiago afirmou categórico – Se aparecer alguma coisa contra ele, podemos pensar nisso… Mas por hora ele é apenas um esquisito que não gosta de festas.

Quando os campeões e seus pares chegaram à mesa, Percy puxou uma cadeira vazia ao seu lado, olhando significativamente para Harry. Harry entendeu a deixa e se sentou ao lado do garoto, que trajava vestes a rigor azul-marinho, novíssimas, e exibia uma expressão de grande presunção.
— Fui promovido — disse Percy, antes mesmo que Harry lhe perguntasse e, pelo seu tom, parecia estar anunciando sua eleição para Supremo Dirigente do Universo. — Agora sou assistente pessoal do Sr. Crouch, e estou aqui para representá-lo.
— Por que é que ele não veio? — perguntou Harry. Não se sentia nada ansioso para passar o jantar ouvindo uma aula sobre o fundo dos caldeirões.
— Receio que o Sr. Crouch não esteja passando bem, nada bem. Não tem estado bem desde a Copa Mundial. O que não chega a surpreender, excesso de trabalho. Já não é tão jovem quanto era, embora continue genial, é claro, a cabeça continua brilhante como sempre foi. Mas a Copa Mundial foi um fiasco para todo o Ministério, e depois, o Sr. Crouch sofreu um grande choque pessoal com o mau comportamento do seu elfo doméstico, Blinky, ou sei lá que nome tinha. Naturalmente ele a dispensou em seguida, mas, bem, como disse, meu chefe está ficando velho, precisa de alguém para cuidar dele, e acho que seu conforto em casa sofreu um decidido baque desde que o elfo foi embora. Depois, então, tivemos que organizar o torneio, e o rescaldo da Copa Mundial para resolver, aquela nojenta da Skeeter xeretando por toda parte, não, coitado, ele está passando um tranqüilo e merecido Natal. Só fico satisfeito por ele saber que tem alguém de confiança para substituí-lo.

– É o que ele merece depois de como ele tratou a Winky. – Lily disse categórica.

– Ainda assim… – Sirius disse franzindo a testa desconfiado – Não seria difícil para ele arrumar um novo elfo-doméstico… E ele não é tão velho assim.
– Talvez a atitude dele seja um pouco suspeita mesmo. – Tiago deu de ombros – Mas não temos como saber ainda.

Harry teve muita vontade de perguntar se o Sr. Crouch já parara de chamar Percy de "Weatherby", mas resistiu à tentação. Ainda não havia comida nas travessas de ouro, apenas pequenos menus diante de cada convidado. Harry apanhou o dele hesitante e espiou para os lados — não havia garçons.
Dumbledore, no entanto, examinou atentamente o próprio menu, depois ordenou muito claramente ao seu prato:
— Costeletas de porco!
E as costeletas de porco apareceram. Entendendo a idéia, os demais ocupantes da mesa também fizeram os pedidos aos seus pratos.

– É bem parecido com o método que usamos aqui. – Frank disse interessado – Só não temos menus...

– Devíamos exigir menus! – Sirius disse com uma gargalhada.

Harry olhou para Hermione a ver o que ela achava desse novo e complicado método de jantar, — certamente significava muito mais trabalho para os elfos domésticos! — mas, ao menos uma vez na vida, Hermione não parecia estar pensando no F.A.L.E. Estava profundamente absorta conversando com Vítor Krum e parecia nem notar o que estava comendo.

– Acho que não estava percebendo mesmo. – Hermione confessou com uma risadinha que fez Rony bufar audivelmente – Mas não é um método tão complicado assim… Hoje eu sei que, com a magia deles, isso não é nada difícil… – completou olhando Rony de soslaio.


Agora ocorria a Harry que ele nunca chegara a ouvir Krum falar antes, mas sem dúvida o garoto estava falando agora e, pelo visto, com muito entusiasmo.
— Pom, temos um castelo também, non é ton grrande quanto este, nem ton conforrtável, acho — ia ele dizendo a Hermione. — Temos só quatro andarres, e as larreirras só são acesas parra finalidades mágicas. Mas a prroprriedade em que ecstá a escola é ainda maiorr do que esta, emborra no inverrno a gente tenha muito pouca luz solarr, porr isso não aprroveitamos muito os jarrdins. Mas no verrão todo o dia sobrrevoamos os lagos e montanhas...
— Ora, ora, Vítor! — disse Karkaroff, com uma risada que não se estendeu aos seus olhos frios. — Não vá contar mais nada, agora, ou a nossa encantadora amiga vai saber exatamente onde nos encontrar!
Dumbledore sorriu, seus olhos cintilando.
— Igor, tanto segredo... A pessoa poderia até pensar que você não quer visitas.
— Bom, Dumbledore, — disse Karkaroff, mostrando os dentes amarelos — todos protegemos os nossos domínios, não? Todos não guardamos zelosamente os templos de saber que nos foram confiados? Não estamos certos em nos orgulhar de que somente nós conhecemos os segredos de nossas escolas, e, mais uma vez, certos em protegê-las?

– Eu diria que Dumbledore, definitivamente, não conhece todos os segredos de Hogwarts. – Tiago disse com uma risada sombria – Se ele soubesse o que nós fazemos todos os meses na lua cheia...

– Eu definitivamente seria expulso. – Remo interrompeu Tiago – Ele não ficaria nada feliz em saber como influenciei mal vocês depois de toda a confiança que ele depositou em mim…
– Sinceramente Remo, – Sirius disse soltando uma risada pelo nariz – você realmente acha que tem a capacidade de nos influenciar a fazer qualquer coisa?
– Sinto muito não pensar em você como um grande rebelde, – Tiago disse rindo com Sirius – mas você dobra até as suas meias, Remo, as meias!

— Ah, eu nunca sonharia em presumir que conheço todos os segredos de Hogwarts, Igor — disse Dumbledore amigavelmente. — Ainda hoje de manhã, por exemplo, a caminho do banheiro, virei para o lado errado e me vi em um aposento de belas proporções que eu nunca vira antes, e que continha uma coleção realmente magnífica de penicos. Quando voltei para investigá-lo mais de perto, descobri que o aposento desaparecera. Mas preciso ficar atento para reencontrá-lo. É possível que só esteja acessível às cinco e meia da manhã. Ou talvez só apareça com a lua em quartil ou quando quem procura está com a bexiga excepcionalmente cheia.

– A sala precisa! – Tiago disse categórico.

– Que sala é essa? – Lily perguntou confusa – Nunca vi uma sala cheia de penicos em Hogwarts…
– É porque não é simplesmente uma sala cheia de penicos… – Tiago explicou – Ela muda de acordo com o que a pessoa mais precisa no momento em que a encontra…
– Nos deparamos com ela pela primeira vez quando estávamos no primeiro ano. – Sirius contou – Estávamos explorando o castelo de madrugada, Tiago estava sem a capa, e precisávamos nos esconder de McGonagall que estava fazendo a ronda.
– Muito antes de criarmos o mapa. – Remo explicou.
– Nessa ocasião, a sala se mostrou uma sala de aulas abandonada com um armário grande em um canto. – Sirius continuou – Nos escondemos no armário por algum tempo até o caminho ficar livre.
– Encontramos a sala mais algumas vezes ao longo dos anos… – Tiago tomou a palavra – Mas, quando estávamos criando o mapa, descobrimos que a sala é imapeável.
– E, na verdade, nunca usamos ela de propósito, – Remo disse pensativo – apenas trombávamos com ela quando necessário… Usamos ela para esconder algumas coisas, em uma sala onde aparentemente todo mundo esconde coisas, nos escondemos nela algumas vezes…
– E uma vez encontrei vários livros interessantes de quadribol na sala. – Tiago disse rindo.
– Acho que nunca encontrei essa sala. – Lily disse ligeiramente decepcionada.
– É mais fácil para transgressores como nós encontrar uma sala como essa. – Tiago disse bagunçando os cabelos com a mão – Não imagino você andando a esmo pela escola desesperada para se esconder de um professor…
– Imagino que as pessoas não consigam encontrar a sala depois. – Remo disse pensativo – A sala onde escondemos algumas coisas estava abarrotada… As pessoas devem encontrá-la no momento de desespero e depois não se lembram de como encontraram.

Harry riu para dentro do prato de gulache. Percy franziu a testa, mas Harry poderia jurar que Dumbledore lhe dera uma piscadela quase imperceptível.
Entrementes, Fleur Delacour criticava as decorações de Hogwarts com Rogério Davies.
— Isse non é nada — disse ela contemplando as paredes cintilantes do Salão Principal com ar de pouco caso. — No Palace de Beauxbatons, tems esculturres de gelo em volta da sala de jantarr no Natall. Eles não derretem, é clarro... parrecem enorrmes estátues de diamante, faiscande pela sala. E a comida é simplesman superrbe. E temes corres de ninfes das mates, cantando serrenatas enquanto comemes. Não temes essas armadurras feies nos corrredorres e se um dia um polterrgeisr entrrasse em Beauxbatons, serria expulso assim. — E ela bateu a mão com impaciência na mesa.

– Beauxbatons me parece uma escola extremamente sem graça. – Sirius disse fingindo um bocejo.


Rogério Davies observava a garota falar com uma expressão aturdida no rosto e a toda hora errava ao levar o garfo à boca. Harry teve a impressão de que o garoto estava ocupado demais admirando Fleur para escutar uma única palavra do que ela dizia.
— Absolutamente certa — disse ele depressa, batendo com a própria mão na mesa como fizera Fleur. — Assim. É claro.

– A parte Veela de Fleur deve ter deixado ele completamente embasbacado. – Remo riu – Ela não deve ter muito domínio sobre esse lado dela... Ou alguns garotos são simplesmente mais suscetíveis aos encantos dela que outros...


Harry correu os olhos pelo salão. Hagrid estava sentado a uma das mesas reservadas aos professores, voltara a vestir o seu horrível terno peludo marrom, e tinha os olhos fixos na mesa principal.
Harry o viu dar um discreto aceno e, ao olhar para os lados, viu Madame Maxime retribuir o aceno, suas opalas faiscando à luz das velas.

– Vocês vão continuar dizendo que eles não são perfeitos um para o outro? – Alice perguntou empolgada.

– Ela já usou ele para conseguir informações. – Tiago deu de ombros – Se ela continuar com ele depois do torneio, posso dizer que você tem alguma razão.

Hermione agora ensinava Krum a pronunciar seu nome corretamente; ele não parava de chamá-la de Hermy-on.
— Her-mi-o-ne — dizia ela lenta e claramente.
— Herm-on-nini.
— Está bastante parecido — disse ela, encontrando os olhos de Harry e sorrindo.

Rony bufou, obviamente irritado.


Quando toda a comida fora consumida, Dumbledore se levantou e pediu aos estudantes que fizessem o mesmo. Então, a um aceno de sua varinha, as mesas se encostaram às paredes, deixando o salão vazio, em seguida ele conjurou uma plataforma ao longo da parede direita. Sobre ela foram colocados uma bateria, alguns violões, um alaúde, um violoncelo e algumas gaitas de foles.
As Esquisitonas subiram, então, no palco sob aplausos delirantemente entusiásticos, eram todas extremamente cabeludas, trajavam vestes negras que haviam sido artisticamente rasgadas. Apanharam seus instrumentos e Harry, que estivera tão interessado em observá-las que quase esqueceu o que viria a seguir, de repente percebeu que as lanternas de todas as outras mesas tinham se apagado e que os outros campeões e seus pares estavam em pé.
— Anda! — sibilou Parvati. — Temos que dançar!
Harry tropeçou nas vestes ao se levantar. As Esquisitonas tocaram uma música lenta e triste, Harry entrou na pista de dança bem iluminada, evitando cuidadosamente o olhar dos colegas (ele viu Simas e Dino acenarem para ele entre risinhos), e no momento seguinte, Parvati agarrara suas mãos, colocara uma em torno da própria cintura e segurava a outra na dela. Não foi tão mal como poderia ter sido, pensou Harry, girando lentamente no mesmo lugar (Parvati o conduzia).

– No final, você encontrou o par certo… – Hermione disse com uma risada – Não imagino outra garota que teria um pulso tão forte para te conduzir o tempo todo… Parvati tem um certo talento para dominação…

– Um grande talento, eu diria. – Gina disse entre as gargalhadas dos presentes – Nós nem ao menos percebemos que era ela quem estava conduzindo.

Mantinha os olhos fixos sobre as cabeças das pessoas que assistiam, mas dali a pouco muitas delas também vieram para a pista de dança, de modo que os campeões deixaram de ser o centro das atenções. Neville e Gina dançavam próximos a ele — Harry via Gina fazer freqüentes caretas sempre que Neville pisava seus pés

– Desculpa. – Neville levantou os olhos do livro e murmurou para Gina constrangido.

– Não foi tão ruim assim. – Gina respondeu com uma careta.

— e Dumbledore valsava com Madame Maxime. Ficava tão pequeno junto a ela que a ponta do seu chapéu cônico mal roçava o queixo da bruxa, no entanto, Madame Máxime se movia graciosamente para uma mulher daquele tamanho.
Olho-Tonto Moody estava seguindo um compasso de dois tempos extremamente desajeitado com a Professora Sinistra, que nervosamente evitava a perna de madeira do seu par.
— Belas meias, Potter — rosnou Moody ao passar, seu olho mágico espiando através das vestes de Harry.
— Ah... São, Dobby, o elfo doméstico, tricotou-as para mim — disse Harry, sorrindo.
— Ele dá arrepios! — sussurrou Parvati, quando Moody se afastou batendo a perna de pau. — Acho que não deviam permitir aquele olho dele!

– Ai está, – Hermione sorriu com ironia – a boa e velha Parvati que todos conhecemos...

– Você não gosta muito das meninas do seu dormitório, não é? – Lily perguntou a Hermione carinhosamente.
– Eu passei minha vida toda sendo deixada de lado pelas crianças da minha escola... – Hermione suspirou – Quando cheguei à Hogwarts, pensei que tudo seria diferente, que ninguém gostava de mim antes porque eu realmente era especial, como minha mãe sempre disse... Mas até o dia das bruxas do primeiro ano, tudo era exatamente o mesmo... E as garotas do meu dormitório eram ainda piores do que Harry e Rony...
– Mas pelo menos nós ficamos amigos no dia das bruxas. – Harry sorriu para Hermione com carinho.
– E nós nos conhecemos por causa do Rony. – Gina disse abrindo um grande sorriso.

Harry ouviu a última nota trêmula da gaita de foles com alívio. As Esquisitonas pararam de tocar, os aplausos encheram mais uma vez o Salão Principal e Harry soltou Parvati.
— Vamos sentar um pouco?
— Ah... Mas... Agora vem uma realmente boa! — disse Parvati, ao ouvir as Esquisitonas começarem uma nova música, que era muito mais movimentada.
— Não, não gosto dessa — mentiu Harry e conduziu a garota para fora da pista de dança, passando por Fred e Angelina, que dançavam com tanta exuberância que as pessoas à volta deles se afastavam com medo de se machucar, e se dirigiram à mesa em que Rony e Padma estavam sentados.
— Como é que vocês estão indo? — perguntou Harry a Rony, se sentando e abrindo uma garrafa de cerveja amanteigada.
Rony não respondeu. Olhava feio para Hermione e Krum, que dançavam ali perto. Padma estava sentada com os braços e as pernas cruzadas, um pé balançando ao ritmo da música. De vez em quando ela lançava um olhar aborrecido a Rony, que a ignorava completamente.

– Você nem ao menos chamou a garota para dançar, não é? – Lily perguntou levantando a sobrancelha para Rony.

– Na verdade, não... – Rony suspirou.
– Ela não deve ter ficado nada satisfeita... – Alice disse fazendo careta.

Parvati se sentou do outro lado de Harry, cruzou os braços e as pernas também e, minutos depois, foi convidada a dançar por um garoto da Beauxbatons.
— Você se importa, Harry? — perguntou Parvati.
— Quê? — disse Harry, que estava observando Cho e Cedrico.
— Ah, nada — retrucou Parvati e saiu com o garoto da Beauxbatons.

– Você não foi nem um pouco cavalheiro com a garota. – Lily suspirou ligeiramente decepcionada – Sei que ela não era sua primeira opção… Mas ela aceitou ir com você, e ainda arrumou um par para o Rony… O mínimo que você devia fazer era tratar ela bem!

– E a Cho-rona não merecia toda essa atenção também. – Tiago disse concordando com Lily enfaticamente.
– E você também foi um bocado ingrato. – Alice acrescentou para Rony.
– Resumindo, – Sirius disse sem conseguir segurar as risadas – vocês dois realmente precisam de aulas sobre como tratar mulheres…

Quando a música terminou, ela não voltou. Hermione apareceu e se sentou na cadeira vazia de Parvati. Estava com o rosto um pouco afogueado de dançar.
— Oi — disse Harry. Rony não disse nada.
— Está quente, não acham? — disse ela se abanando com a mão. — Vítor foi apanhar alguma coisa para a gente beber. — Rony lhe lançou um olhar irritado.
— Vítor?— disse ele. — Ele ainda não lhe pediu para chamá-lo de Vitinho?
Hermione olhou para o garoto surpresa.
— Que é que há com você?
— Se você não sabe, — disse ele sarcasticamente — não sou eu que vou lhe dizer.

– Eu diria que Rony está completamente arrependido por não ter convidado você. – Remo disse para Hermione com um meio sorriso – Mas talvez nem ele reconheça isso.

– Claro que não reconhece. – Gina revirou os olhos – Rony não reconheceria um sentimento, nem se o sentimento dançasse nu na frente dele, só com o abafador de chá de Dobby na cabeça. – completou fazendo todos caírem na gargalhada.

Hermione encarou-o demoradamente, depois Harry, mas este sacudiu os ombros.
— Rony, que é...
— Ele é da Durmstrang — vociferou Rony. — Está competindo contra o Harry! Contra Hogwarts! Você... Você está... — Rony obviamente estava procurando palavras suficientemente fortes para descrever o crime de Hermione — confraternizando com o inimigo, é isso que você está fazendo!

– Agora acredito que Rony está simplesmente lutando contra os próprios sentimentos… – Tiago suspirou – E inventando desculpas para justificar a irritação dele…


Hermione ficou boquiaberta.
— Não seja tão burro! — respondeu ela após um momento. — O inimigo! Francamente, quem é que ficou todo excitado quando viu o Krum chegar? Quem é que queria pedir um autógrafo a ele? Quem é que tem um modelinho dele no dormitório?
Rony preferiu ignorar as perguntas.
— Suponho que ele a tenha convidado para vir com ele quando os dois estavam na biblioteca?
— Isso mesmo — disse Hermione, as manchas rosadas em seu rosto se intensificando. — E daí?
— Que aconteceu, estava tentando convencê-lo a participar do fale, é?
— Não, não estava, não! Se você quer realmente saber, ele... Ele disse que estava indo todos os dias à biblioteca para tentar falar comigo, mas não conseguia reunir coragem.

– Eu sabia que ele não estava na biblioteca para estudar! – Sirius exclamou vitorioso – Isso faz muito mais sentido do que ele estar estudando!


Hermione disse isso muito depressa e corou tanto que ficou quase da mesma cor do vestido de Parvati.
— E, é... Isto é o que ele conta — disse Rony em tom desagradável.
— E o que é que você quer dizer com isso?
— É óbvio, não é? Ele é aluno do Karkaroff não é? E sabe que você anda em companhia do... Ele só está tentando se aproximar do Harry, tirar informações sobre ele ou até chegar perto bastante para azarar ele...

– Isso não foi nada bom! – Alice exclamou com uma careta – Eu sinceramente não sei como você é amiga dele até hoje…

Rony baixou os olhos completamente constrangido, mas Hermione apenas riu.
– Ele nunca foi muito bom em lidar com sentimentos. – Hermione disse entre risadas.

Hermione pareceu ter sido esbofeteada por Rony. Quando falou, tinha a voz trêmula.
— Para sua informação, ele não me fez uma única pergunta sobre o Harry, nem umazinha...
Rony mudou o rumo da conversa com a velocidade da luz.
— Então está na esperança de você o ajudar a decifrar a mensagem do ovo! Suponho que tenham andado juntando as cabeças durante aquelas sessõezinhas íntimas na biblioteca...

– Como é possível que você consiga piorar tudo ainda mais? – Alice perguntou a Rony abismada – Para mim, é óbvio que você está com ciúmes, mas está agindo como um verdadeiro babaca, insinuando que Krum só se interessou por ela por causa do Harry ou da inteligência dela. Quando você mesmo só reconheceu que ela é uma garota dias antes!

Rony suspirou sem saber o que dizer, rever todas as atitudes que teve aquele ano, só mostrou a ele que tinha que agradecer muito pelos amigos continuarem ao seu lado.

— Eu nunca o ajudaria com aquele ovo! — exclamou Hermione, com ar de indignação. — Nunca. Como é que você pode dizer uma coisa dessas... Eu quero que Harry vença o torneio. Harry sabe disso, não sabe, Harry?
— Você tem um jeito engraçado de demonstrar isso — desdenhou Rony.
— O torneio é justamente para se conhecer bruxos estrangeiros e fazer amizade com eles! — disse Hermione com voz aguda.
— Não é não. É para se ganhar!

– Estou começando a ficar com pena de você... – Lily suspirou – Você é completamente obtuso! Não está enxergando seus próprios sentimentos, e ainda fica colocando a culpa na Mione!


As pessoas estavam começando a olhar para eles.
— Rony, — disse Harry em voz baixa — eu não tenho nada contra Hermione vir com o Krum...

– É claro que não tem! – Gina não conseguiu esconder a risada – Você não tem uma paixonite secreta pela Hermione!


Mas Rony não deu atenção a Harry tampouco.
— Por que você não vai procurar o Vitinho, ele deve estar se perguntando aonde é que você anda — disse Rony.
— Pare de chamá-lo de Vitinho!— Hermione ficou de pé e saiu decidida pela pista de dança, desaparecendo na multidão.
Rony acompanhou-a com uma expressão no rosto que misturava raiva e satisfação.
— Você não vai me convidar para dançar? — perguntou Padma a ele.

– Eu tinha me esquecido completamente que ela ainda estava sentada com vocês! – Alice disse surpresa – Se eu estivesse no lugar dela, já teria sumido dali há muito tempo.

– Qualquer garota teria… – Gina riu – Vocês dois foram completamente desagradáveis, da até para sentir pena das gêmeas.

— Não — disse Rony, ainda olhando feio para as costas de Hermione.
— Ótimo — retrucou Padma se levantando e indo se juntar a Parvati e ao garoto de Beauxbatons, que conjurou um amigo para se reunir a eles tão depressa que Harry seria capaz de jurar que chamara o amigo com um Feitiço Convocatório.
— Onde está Hermi-o-nini? — perguntou uma voz.
Krum acabara de chegar à mesa segurando duas cervejas amanteigadas.
— Não faço idéia — disse Rony emburrado, erguendo os olhos. — Perdeu ela, foi?
Krum ficou mais uma vez carrancudo.
— Pom, se focê a virr, diga que apanhei as bebidas — disse ele se afastando curvado.

– O mais interessante é que, se o Krum tivesse falado com você poucas horas antes, você teria ficado completamente encantado. – Tiago disse risonho – E ainda assim você não assume seus sentimentos.


— Fez amizade com Vítor Krum, Harry?
Percy apareceu animado, esfregando as mãos e com um ar extremamente pomposo.
— Excelente! Essa é a idéia, sabe, da Cooperação Internacional em Magia.
Para contrariedade de Harry, Percy imediatamente ocupou a cadeira que Padma deixara livre. A mesa principal agora estava vazia; o Professor Dumbledore dançava com a Professora Sprout, Ludo Bagman com a Professora McGonagall, Maxime com Hagrid abriam uma estrada pela pista de dança ao valsar entre os estudantes, e Karkaroff não estava à vista. Quando a música seguinte terminou, todos aplaudiram mais uma vez e Harry viu Ludo Bagman beijar a mão da Professora McGonagall e refazer seu caminho entre os dançarinos, momento em que Fred e Jorge o assediaram.
— Que é que eles acham que estão fazendo, importunando um funcionário do primeiro escalão do Ministério? — sibilou Percy, observando os gêmeos, desconfiado. — Que falta de respeito...
Mas Ludo Bagman se desvencilhou dos garotos muito rapidamente e, ao ver Harry, acenou e se aproximou da mesa.

– Isso é estranho. – Sirius disse pensativo – Bagman adorou os gêmeos na copa mundial… Por que fugiria deles no baile?

– Talvez tenha fugido só porque viu o Harry mesmo. – Frank deu de ombros – Ele está sempre atrás do Harry…
– Ainda assim é estranho, – Sirius disse categórico – na copa mundial ele fez apostas com os gêmeos, se interessou pelos produtos…
– Acho que você está fazendo a pergunta errada. – Remo coçou a cabeça – A pergunta certa é: O que os gêmeos querem com Bagman?
– Tudo isso é estranho. – Sirius bufou fazendo sinal para Neville continuar lendo.

— Espero que meus irmãos não o tenham incomodado, Sr. Bagman! — disse Percy na mesma hora.
— Quê? Ah, não, de modo algum, de modo algum! Não, eles estavam me dizendo mais alguma coisa sobre aquelas varinhas falsas que inventaram. Queriam saber se eu podia sugerir como comercializá-las. Prometi colocá-los em contato com alguns conhecidos na Zonko’s...

– Está explicado. – Frank disse despreocupado – Isso se encaixa perfeitamente com tudo o que sabemos sobre os gêmeos…

– Talvez. – Sirius franziu a testa ainda desconfiado.

Percy não pareceu nada feliz com a resposta e Harry podia apostar que o irmão iria correndo contar à Sra. Weasley no minuto em que chegasse em casa.
Pelo visto, os planos dos gêmeos haviam se tornado mais ambiciosos ultimamente, se estavam pensando em vender seus produtos no varejo.
Bagman abriu a boca para perguntar alguma coisa a Harry, mas Percy o distraiu.
— Como é que o senhor acha que o torneio está correndo, Sr. Bagman? O nosso departamento está bastante satisfeito, o probleminha com o Cálice de Fogo — ele lançou um olhar a Harry — foi lamentável, naturalmente, mas as coisas parecem ter corrido muito bem até agora, o senhor não acha?

– Estou começando a ficar com pena do Percy, – Remo suspirou – ele se esforça demais para fazer parte do ministério… Espero que ele não perca a cabeça por isso.


— Ah, sim, — respondeu Bagman animado — tem sido um grande divertimento. Como anda o velho Bartô? Que pena que ele não pôde vir.
— Ah, tenho certeza de que o Sr. Crouch não vai tardar a melhorar e voltar ao trabalho, — disse Percy cheio de importância — mas, nesse meio tempo, estou preparado para cobrir a lacuna. Claro que não é somente comparecer a bailes, — ele deu uma breve risada — ah, não, tenho precisado cuidar de problemas de todo o tipo que surgem na ausência dele, o senhor ouviu falar que Ali Bashir foi apanhado contrabandeando um carregamento de tapetes voadores para dentro do país? E que temos tentado persuadir a Transilvânia a assinar uma sanção internacional aos duelos, tenho uma reunião com o chefe da cooperação em magia transilvano no próximo ano...

– Então Crouch também não está cumprindo com as obrigações mais sérias dele? – Remo disse desconfiado – Faltar ao baile é uma coisa, deixar Percy responsável por tudo no ministério é bem mais sério.

– Resta saber se o problema dele é por causa de Voldemort, ou se não tem relação nenhuma com os planos dele. – Tiago disse pensativo – Talvez o problema de Crouch seja completamente diferente…
– Eu diria que é coincidência demais ele ficar doente bem no meio de tudo isso. – Sirius disse receoso.

— Vamos dar uma volta, — murmurou Rony para Harry — sair de perto de Percy...
Fingindo que queriam se reabastecer de bebidas, Harry e Rony saíram da mesa, contornaram a pista de dança e seguiram para o saguão de entrada. As portas estavam abertas de par em par e as fadinhas luminosas no roseiral piscavam e cintilavam quando os garotos desceram os degraus da entrada e se viram cercados de plantas que formavam caminhos serpeantes e de grandes estátuas de pedra. Harry ouviu um rumorejo de água caindo, que lhe pareceu uma fonte. Aqui e ali as pessoas estavam sentadas em bancos entalhados. Os dois garotos tomaram um dos caminhos que passava pelo roseiral, mas tinham dado apenas alguns passos quando ouviram uma voz desagradável e conhecida.
—... Não vejo com o que tem de se preocupar, Igor.
— Severo, você não pode fingir que isto não está acontecendo! — a voz de Karkaroff era baixa e ansiosa como se cuidasse para ninguém os ouvir. — Tem se tornado cada vez mais nítida nos últimos meses. Estou começando a me preocupar seriamente, não posso negar...

– Então você também é amigo de Karkaroff? – Sirius estreitou os olhos para Severo.

– E deve ser um amigo intimo. – Tiago disse pensativo – Karkaroff obviamente está fazendo confidências com você...
– Eu não conheço Karkaroff. – Severo disse categórico.
– Ainda. – Lily suspirou decepcionada – Mas se continuar no caminho que pretende seguir, vai conhecer...
– Isso não interessa, pelo menos não agora. – Remo disse encarando o livro – Karkaroff disse que está preocupado pois tem algo mais nítido nos últimos meses... E acho que ele só pode estar falando da marca...
– Eu não sei como a marca funciona... – Tiago coçou a cabeça – Não sei se ela perderia a cor em algum momento, a ponto de poder ficar mais nítida...
– Mas nós sabemos que Voldemort está se reerguendo no período de tempo que Karkaroff diz que algo está mais nítido. – Remo bufou – E sabemos que ele é um comensal, e ser comensal é um trabalho para a vida toda...

— Então, fuja — disse a voz de Snape secamente. — Fuja, eu apresentarei suas desculpas. Eu, no entanto, vou permanecer em Hogwarts.

– Mas Karkaroff está com medo? – Alice perguntou confusa – Se ele sabe que Voldemort está se reerguendo e ele é um comensal, ele não devia ficar feliz?

– Ele está livre. – Sirius deu de ombros – Ele entregou vários outros comensais da morte para ser libertado. Isso é motivo o bastante para ter medo…
– Mas se Karkaroff está com tanto medo assim, – Lily ponderou – ele não pode ser o homem infiltrado de Voldemort...
– Ou ele pode estar sondando Snape para saber o que ele sabe e se ele ainda é fiel. – Sirius respondeu decidido.
– Não acho que seja isso. – Tiago disse coçando a cabeça e observando Severo pelo canto do olho.

Os dois professores contornaram um canto. Snape levava a varinha na mão e ia estourando roseiras, com a expressão mal-humoradíssima. Ouviam-se gritinhos em muitos arbustos e vultos escuros saiam correndo para fora deles.
— Dez pontos a menos para Lufa-Lufa, Fawcett! — rosnou Snape, quando uma garota passou correndo por ele. — E dez para Corvinal, também, Stebbins! — quando um garoto passou no encalço dela.

– Stebbins? – Frank perguntou interessado – Tem um Stebbins no nosso ano, é um garoto legal… Deve ser pai, ou tio desse…


— E que é que vocês dois estão fazendo? — acrescentou ele, avistando Harry e Rony mais adiante no caminho.
Karkaroff, percebeu Harry, pareceu ligeiramente desconfortável ao vê-los parados ali. Levou a mão nervosamente à barbicha e começou a enrolá-la com o dedo.
— Estamos passeando — respondeu Rony secamente. — Não é contra a lei, é?
— Então continuem passeando! — rosnou Snape, e passou roçando por eles, sua longa capa negra se abrindo como uma vela enfunada às suas costas.
Karkaroff apressou-se em alcançar o colega. Os dois garotos continuaram a descer pelo caminho.
— Que será que deixou o Karkaroff tão preocupado? — murmurou Rony.
— E desde quando ele e Snape estão se chamando pelo nome de batismo? — indagou Harry lentamente.

– De tudo o que vocês escutaram, o grau de intimidade entre eles é o menos preocupante… – Remo suspirou.


Os garotos tinham chegado a uma enorme rena de pedra agora, por cima da qual avistaram o jorro cintilante de um alto chafariz. Avistaram também, sentadas em um banco de pedra, as silhuetas escuras de duas pessoas, que contemplavam a água ao luar. Então Harry ouviu a voz de Hagrid.
— O momento em que vi você, eu soube — ia ele dizendo, numa voz estranhamente rouca.

– Que lindo! – Alice disse esquecendo-se de tudo o que estavam conversando sobre Karkaroff – Hagrid vai se declarar!

Frank revirou os olhos para a namorada com carinho.

Harry e Rony se imobilizaram. Por alguma razão aquilo não parecia o tipo de cena que eles deviam interromper... Harry virou-se para olhar o caminho e viu Fleur Delacour e Rogério Davies parados, meio escondidos por uma roseira próxima. Bateu no ombro de Rony e acenou a cabeça para o lado dos dois, querendo indicar que ele e Rony poderiam facilmente sair por ali sem serem notados (Fleur e Davies pareceram a Harry muito ocupados), mas Rony, os olhos se arregalando de terror ao ver Fleur, sacudiu a cabeça com vigor e puxou Harry para mais junto das sombras atrás da rena.
— Que é que você soube, Agrrid? — perguntou Madame Maxime, com um audível ronronar na voz baixa.
Harry decididamente não queria escutar aquilo, sabia que Hagrid iria odiar ser entreouvido numa situação daquelas (ele teria sentido o mesmo) — se fosse possível, o garoto teria enfiado os dedos nos ouvidos e cantarolado alto, mas isto não era realmente uma opção. Em lugar disso, tentou se interessar por um besouro que rastejava pelo dorso da rena, mas o besouro simplesmente não era interessante o bastante para bloquear as palavras seguintes de Hagrid.
— Eu simplesmente soube... Soube que você era como eu... Puxou ao seu pai ou à sua mãe?

– O que Hagrid quer dizer com isso? – Frank perguntou espantado – Isso não parece uma declaração de amor para mim...

– Acho que estamos prestes a descobrir a origem do tamanho de Hagrid. – Tiago disse mexendo-se desconfortável no sofá – E eu tenho a impressão de que não vai ser nada agradável.

— Eu... Eu não sei o que você querr dizerr com isso, Agrrid...
— Puxei à minha mãe — disse Hagrid em voz baixa. — Ela foi uma das últimas na Grã-Bretanha. Claro, eu não consigo me lembrar muito bem dela... Ela foi embora, entende. Quando eu tinha uns três anos. Não era um tipo muito maternal. Bem... Não é natureza delas, não é mesmo? Não sei o que aconteceu com ela, pode até ter morrido pelo que sei...
Madame Maxime não respondeu. E Harry, contra sua vontade, tirou os olhos do besouro e espiou por cima dos chifres da rena, escutando... Ele nunca ouvira Hagrid falar da infância antes.

Todos os que não conheciam o segredo de Hagrid se entreolharam chocados, sem palavras.


— Meu pai ficou com o coração partido quando ela foi embora. Um cara miudinho, o meu pai era. Quando cheguei aos seis anos podia levantar e colocar ele em cima da cômoda quando me contrariava. Costumava fazer ele rir... — A voz grave de Hagrid quebrou. Madame Maxime o escutava, imóvel, aparentemente contemplando o chafariz de prata. — Papai me criou... Mas ele morreu é claro, logo depois que entrei para a escola. Meio que tive de abrir o meu caminho sozinho depois disso. Mas veja, Dumbledore foi uma grande ajuda. Muito bom para mim, ele foi...
Hagrid puxou um grande lenço de seda encardido e assoou o nariz com força.
— Então... Em todo o caso... Chega de falar de mim. E você? De que lado você herdou?
Mas Madame Maxime repentinamente se pusera de pé.
— Está frio — disse ela. Mas fosse qual fosse a temperatura que fazia, não chegava nem de longe à frieza na voz dela. — Acho que vou entrar agora.
— Eh? — disse Hagrid sem entender. — Não, não vá, nunca encontrei alguém igual a mim antes!
— Alguém exatamente como? — perguntou Madame Maxime, num tom de voz cortante.
Harry poderia ter dito a Hagrid que era melhor não responder; ficou parado ali nas sombras, cerrando os dentes, desejando por tudo no mundo que o amigo não respondesse, mas não adiantou nada.
— Alguém meio gigante, é claro — disse Hagrid.

– Hagrid é meio gigante. – Remo suspirou abismado – Eu nunca imaginei isso...

– Quem poderia imaginar! – Tiago exclamou chocado – Ele nunca fala sobre isso...
– Não consigo acreditar! – Alice disse perplexa – Hagrid é tão doce, tão gentil! Ele não pode ser filho de uma gigante...
– Espero que você não esteja julgando ele. – Remo disse na defensiva – Pensei que já tivesse aprendido a não julgar as pessoas pelas suas origens.
– Não estou julgando! – Alice se defendeu – Estou com pena dele. – completou – Eu ouvi minha vida toda que gigantes são cruéis... Imagino como deve ter sido ruim passar a vida toda se sentindo sozinho... E tendo medo que as pessoas descobrissem a verdade...
– É como me sinto todos os dias. – Remo suspirou desolado.
– Mas não devia! – Tiago bufou – Você tem amigos! Não está sozinho!

— Como é que você se atreve? — gritou Madame Maxime. Sua voz explodiu na noite tranqüila como uma buzina de nevoeiro, às costas deles, Harry ouviu Fleur e Roger despencarem da roseira em que estavam. — Nunca fui mais insultada na vida! Meio gigante? Moi? Eu tenho... Eu tenho os ossos grraúdos!

– Como ela pode? – Lily murmurou chorosa – Como ela pode tratar ele tão mal, quando é óbvio que ela é exatamente como ele.

– Ela deve ter medo de ser descoberta. – Remo suspirou – Deve ter passado a vida toda temendo que alguém soubesse das origens dela… É assustador viver uma mentira grande como essa.
– Mesmo assim. – Lily sussurrou – Para ela, eles estavam sozinhos, não custava nada tratar ele um pouco melhor.
– Ela é mais precavida que ele. – Remo justificou – Hogwarts tem muitos ouvidos… Hagrid não devia revelar suas origens por ai… Alguém poderia ouvi-lo, como Harry e Rony ouviram, e poderiam fazer da vida dele um inferno… Os pais poderiam começar a exigir a saída dele… E as coisas iriam de mal a pior.

Ela saiu intempestivamente, grandes enxames de fadinhas multicoloridas se ergueram no ar quando ela passou, empurrando arbustos para os lados. Hagrid continuou sentado no banco, acompanhando-a com o olhar parado. Estava escuro demais para distinguir a expressão do seu rosto.
Depois, passado um minuto, ele se levantou e se afastou, mas não voltou ao castelo, saiu pelos jardins escuros em direção à sua cabana.
— Anda — disse Harry muito baixinho a Rony. — Vamos embora...
Mas Rony não se mexeu.
— Que é que está havendo? — perguntou Harry, olhando para o amigo.
Rony se virou para Harry, a expressão realmente muito séria.
— Você sabia? — sussurrou. — Que Hagrid era meio gigante?
— Não — disse Harry, sacudindo os ombros. — E daí?
Harry percebeu imediatamente pelo olhar de Rony que, mais uma vez, estava revelando sua ignorância sobre o universo da magia. Criado pelos Dursley, havia muita coisa que os bruxos aceitavam naturalmente e que eram verdadeiras revelações para Harry, mas essas surpresas tinham se tornado menos freqüentes à medida que ele progredia na escola. Agora, porém, ele percebia que a maioria dos bruxos não teria dito "E daí?" ao descobrir que um amigo tivera uma giganta por mãe.

– A única coisa boa em você ter sido criado por trouxas, é o fato de você não ter preconceitos… – Tiago suspirou – Só espero que você não discrimine ele depois de saber a verdade.

– Harry nunca faria isso. – Lily disse categórica – Ele tem bom coração.

— Eu lhe explico lá dentro — disse Rony baixinho. — Vamos...
Fleur e Rogério Davies tinham desaparecido, provavelmente em uma moita de arbustos com mais privacidade. Harry e Rony voltaram ao Salão Principal.
Parvati e Padma agora estavam sentadas a uma mesa distante com um grande grupo de garotos da Beauxbatons, e Hermione estava mais uma vez dançando com Krum. Harry e Rony se sentaram a uma mesa bem longe da pista de dança.
— Então? — perguntou Harry a Rony. — Qual é o problema de ser gigante?
— Bom, eles... Eles... Não são muito legais — terminou Rony sem graça.
— Quem se importa? — exclamou Harry. — Não há nada errado com Hagrid!
— Eu sei que não tem, mas... Caracas, não admira que ele fique na moita — disse Rony, balançando a cabeça. — Eu sempre achei que ele talvez tivesse ficado no caminho de um Feitiço de Ingurgitamento ruim quando era criança ou outra coisa do gênero. E não gostasse de mencionar isso...
— Mas qual é o problema da mãe dele ter sido uma giganta? — perguntou Harry.
— Bem... Ninguém que o conhece vai se importar, porque sabe que ele não é perigoso — disse Rony lentamente. — Mas... Harry eles são apenas gigantes cruéis. É como Hagrid disse, é da natureza deles, são como os trasgos... Gostam de matar, todo mundo sabe disso. Mas hoje não tem mais gigantes na Grã-Bretanha.

– Pelo menos você não reagiu mal. – Hermione sorriu para Rony admirada.

– E Rony tem razão, quem o conhece de verdade sabe que ele não é perigoso… – Remo suspirou – Mas se a informação vazar de alguma forma…
– Harry e Rony não vão contar a ninguém. – Lily disse confiante.
– Mas Hagrid falou tudo isso no meio do jardim, do mesmo jeito que Rony e Harry estavam escutando, mais pessoas poderiam estar ouvindo também. – Remo bufou – E se alguém ouviu, nada garante que a pessoa seja tão honrada quanto Harry e Rony…
– Só espero que ninguém tenha ouvido. – Sirius disse desconfortável.

— Que foi que aconteceu com eles?
— Bem, eles estavam acabando mesmo, então um monte deles foi morto pelos aurores. Mas dizem que há gigantes no exterior... A maioria escondida em montanhas...
— Não sei quem é que a Maxime pensa que está enganando — disse Harry, observando a bruxa sentada sozinha à mesa dos juizes, com o ar muito sério. — Se Hagrid é meio gigante, decididamente ela também é. Ossos graúdos... A única coisa que tem ossos maiores do que ela é um dinossauro.
Harry e Rony passaram o resto do baile discutindo gigantes a um canto, nenhum dos dois com a menor inclinação para dançar. Harry tentou não olhar para Cho e Cedrico, sentiu uma enorme vontade de chutar alguma coisa.
Quando as Esquisitonas terminaram de tocar à meia-noite, receberam mais uma rodada de aplausos estrepitosos e começaram a sair em direção ao saguão de entrada. Muitas pessoas expressaram o desejo de que o baile pudesse continuar por mais tempo, mas Harry estava absolutamente satisfeito de ir se deitar, e, se alguém quisesse saber, a noite não fora lá essas coisas.

– Teria sido muito melhor se você tivesse simplesmente dado valor ao seu par. – Lily suspirou – Você teria se divertido, e não teria escutado nada sobre Hagrid e Karkaroff.


Já no saguão de entrada, Harry e Rony viram Hermione se despedindo de Krum antes do garoto se retirar para o navio de Durmstrang. Ela lançou a Rony um olhar gelado, e passou por ele a caminho da escadaria de mármore sem falar.
Os dois amigos a seguiram, mas, no meio da escada, Harry ouviu alguém que o chamava.
— Ei... Harry!
Era Cedrico Diggory. Harry viu que Cho ficara à espera dele no saguão.
— Que foi? — respondeu Harry com frieza, quando o garoto correu escada acima ao seu encontro. Cedrico fez cara de quem não queria dizer o que viera dizer na frente de Rony, que encolheu os ombros, parecendo aborrecido, e continuou a subir as escadas.
— Escuta... — Cedrico baixou a voz quando Rony desapareceu. — Eu lhe devo um favor por ter me falado dos dragões. Sabe o ovo de ouro? O seu solta um grito agourento quando você o abre?
— Solta.
— Então... Toma um banho, OK?
— Quê?
— Tome um banho e... Hum, leve o ovo junto e... Hum, reflita um pouco debaixo da água quente. Vai ajudar você a pensar... Acredite em mim.
Harry ficou olhando para ele.

– Ele está sendo bem honrado retribuindo o favor. – Tiago deu de ombros – Talvez ele não seja tão ruim.

– Harry disse a ele exatamente o que esperar na prova, – Sirius rebateu – ele só deu uma dica.
– Talvez a pista do ovo seja mais complicada de interpretar do que os dragões. – Remo disse pensativo – Ainda assim, Diggory ajudou Harry.

— Vou lhe dizer uma coisa, — disse Cedrico — use o banheiro dos monitores. Quarta porta à esquerda daquela estátua de Boris, o Pasmo, no quinto andar. A senha é Frescor de Pinho. Tenho que ir... Quero dizer boa-noite...
Ele tornou a sorrir para Harry e desceu depressa as escadas para se juntar a Cho. Harry voltou para a Torre da Grifinória sozinho. Recebera um conselho estranhíssimo. Por que um banho o ajudaria a descobrir o significado do ovo que gritava?
Será que Cedrico estava gozando a cara dele? Será que estava tentando fazer Harry parecer bobo, para que, ao comparar os dois, Cho gostasse ainda mais dele?

– Não acho que alguém como Diggory faria isso. – Sirius admitiu desconfortável – Ele tentou anular a partida no ano anterior... Ele não faria alguma coisa para te fazer parecer bobo... Ele parece ser uma pessoa decente.

– Acho que Harry está com ciúmes… – Alice disse com uma risadinha – Se Cedrico não estivesse com Cho, ele não ficaria tão desconfiado.

A Mulher Gorda e sua amiga Vi estavam tirando um cochilo no quadro que cobria a entrada da Casa. Harry teve que berrar Luzes Encantadas! para que elas acordassem, e ao fazer isso, as duas ficaram muitíssimo irritadas. Quando entrou na sala comunal, encontrou Rony e Hermione tendo uma briga daquelas.
Mantendo uma distância de três metros, os dois vociferavam um com o outro, as caras vermelhas como pimentões.
— Ora, se você não gosta, então sabe qual é a solução, não sabe? — berrava Hermione, agora seus cabelos iam se soltando do elegante coque, e seu rosto se contraía de raiva.
— Ah, é? — berrava Rony em resposta. — Qual é?
— Da próxima vez que houver um baile, me convide antes que outro garoto faça isso, e não como último recurso!
A boca de Rony ficou mexendo sem emitir som algum como a de um peixe de aquário fora da água, enquanto Hermione virava as costas e subia batendo os pés a escada do dormitório das garotas para se deitar. Rony se virou para Harry.
— Bom, — balbuciou, completamente abismado — bom, isso prova que ela não entendeu nada...
Harry não respondeu. Estava gostando demais de ter feito pazes com o amigo para dizer o que estava pensando naquele momento — mas, em todo o caso, ele achava que Hermione entendera melhor do que Rony.

– Talvez você devesse ter dito isso a ele. – Neville disse fechando o livro e pousando-o sobre a mesa de centro.

– Eu concordo. – Alice disse com um grande bocejo – Rony precisava saber que só ele não estava enxergando o óbvio.
– Esse capítulo foi enorme. – Frank disse se espreguiçando no sofá – Acho que precisamos dormir…
– É uma boa hora para dormir. – Hermione concordou pensativa.
Tiago segurou o braço de Remo, alguns minutos depois, quanto todos seguiam para o quarto.
– Tem uma coisa me preocupando um pouco. – Tiago encarou Remo – Essa é nossa nona noite aqui…
– Está preocupado com a lua cheia? – Remo perguntou com um meio sorriso para Tiago, que balançou a cabeça afirmativamente – Eu estou cuidando da tabela lunar, como sempre, ainda temos nove noites até a lua cheia… Só posso esperar que terminemos todos os livros até lá.
– Ou que Harry e os amigos tenham um plano. – Tiago suspirou – Mas de qualquer forma, não ficaria nem um pouco confortável com você se transformando preso aqui…
– Eu sei. – Remo suspirou – Prefiro que a leitura acabe até lá. – completou seguindo Tiago até o quarto, onde todos já dormiam.
Na manhã seguinte, quando todos já haviam tomado o café da manhã e se preparado para o dia, Frank pegou o livro que Neville deixara sobre a mesa, e o abriu no capítulo seguinte:
– Capítulo XXIV – O furo jornalístico de Rita Skeeter.




Hey leitores mais queridos do FeB! Quem me acompanha pelo grupo sabe como fiquei abalada pelo que a JK escreveu sobre os pais do Tiago, acontece que a nova informação contraria partes demais da fic, impossível reescrever tudo o que ficou "errado" por causa disso... Então por uma semana (ou mais) venho me perguntando se devia continuar com essa história, e foi conversando com vocês que resolvi que sim! Prometi a muitos de vocês que terminaria os sete livros, e é isso que vou fazer. Quero que tenham em mente que não vou mudar nada do que escrevi, então tudo o que for divulgado pela JK, que já tenha aparecido na fic, e que contrarie a fic, não será considerado! Eu sempre respeitei tudo o que a JK diz, mas dessa vez não tenho outra opção senão ignorá-la. O que vocês sabem que me incomoda muito, mas é tudo o que posso fazer.
- Mayra Camila: Fico feliz que você tenha gostado tanto. E sim, depois de muita reflexão, resolvi continuar postando e escrevendo essa fic, mesmo depois do que a JK escreveu sobre a família do Tiago... Enfim. Que bom que gostou do poema de Gringotes, deu um bocado de trabalho... Aguardo mais comentários seus!
- Ineez: Seja muito bem-vinda! Fico feliz que esteja gostando tanto da fic. Eu tenho vários leitores de Portugal, e sempre fico feliz de saber que minha fic está sendo lida do outro lado do oceano! E eu sei que há várias diferenças entre as expressões, então se tiver qualquer dúvida pode perguntar! Que bom que vc acha tudo condizente com as personalidades deles nos livros, isso é muito importante para mim. Realmente pretendo completar os sete livros! Se quiser saber antes sobre as postagens e etc, você pode entrar no grupo da fic no facebook, sempre aviso lá quando vou postar, posto prévias, enquetes, e aviso sobre imprevistos. Muito obrigada por ter parado para comentar, significa muito para mim. Espero ver você comentando sempre.
- Dâmaris Granger: Uma pessoa com o mesmo nome que você entrou no grupo há pouco tempo, se for você avisa para eu poder dar os pontos pelos comentários aqui. Eu fiquei realmente feliz quando acabei o livro. Mas fiquei bem abalada depois do que a JK publicou sobre os pais do Tiago, e acabou que até agora não escrevi nem um capítulo de OdF, porque estava em dúvida se ia ou não continuar... Até que Harry é um pouco melhor com mulheres do que o Rony... Espero que tenha gostado das reações sobre Hermione ter ido ao baile com Krum. Eu entendo o amor que ele sente por ela, apesar de concordar que não foi bem explorado. E Tonks e Lupin realmente são um casal especial, acho o pouco que sabemos sobre o romance deles muito bonito.
- 1988bookworm: Nunca expulsaria você do grupo... No máximo pararia de falar com você (mentira). O Rony é um tanto obtuso com "mione, você é uma garota" isso me irritou bastante... Acho que as pessoas levariam McGonagall para a ala hospitalar na mesma hora se ela desse uma amalucada e começasse a dançar loucamente! Considerando que acho que o Sirius e o Tiago são muito bons nos galanteios deles, então é claro que eles se decepcionariam! Eu não posso julgar ninguém! Eu ando viciada em fics em que o Harry e o Draco descobrem o amor após algum tipo de feitiço que obriga os dois a passarem 24 horas por dia juntos por meses (e variantes)... Ainda não pensei se o Severo vai falar logo que o livro é dele, mas duvido muito, acho que ele vai passar um bom tempo olhando pro Harry com alguma curiosidade... Talvez a Lily perceba alguma coisa, mas não acho que ela vai ligar todos os pontos... Que bom que você gosta tanto Greygrey, significa muito para mim! Várias pessoas me dizem que não conseguem comentar pelo celular, e eu nem sei se é pelo aplicativo ou pelo navegador... E eu imaginei que você ia gostar de ver o Elvendork na fic... Acho que já tinha comentado com vc que usaria, não é?
- Samara Lima: O Rony é um tanto obtuso... Mas a Hermione é inteligente pelos dois! Então acho que da certo quando eles descobrem o que sentem (desconfio que a Mione já sabia o que sentia nessa época, mas achava que não era correspondida). Eu realmente não entendo, e nunca vou entender quem shippa Harry e Hermione (e olha que eu ando gostando de Drarry), porque para mim sempre foi bem claro que eles são como irmãos, o Harry não tem família nenhuma, o Rony e a Hermione são a família dele! Eu tenho quase certeza que em EdP a Gina fala que a Mione deu uns amassos com o Krum no baile de inverno...
- Flaa: Fico feliz que goste!
- Ana Marisa Potter: Eu fico muito feliz em saber que você está gostando tanto e mais feliz ainda em ver você participando sempre! O Rony não entende nada sobre garotas, da até para sentir pena dele depois quando ele percebe as burrices dele nesse quesito, ele simplesmente não sabe como lidar com os sentimentos dele.
- Bia Saraiva: Eu acho que muitas pessoas vão reagir mal quando o Harry ficar com a Cho no próximo livro... E eu to muito ansiosa para chegar em EdP por causa dessas partes em que o Harry morre de ciúmes! Também estou muito ansiosa para ver a Tonks aparecendo nos livros e quando ela e Remo começam a se apaixonar... Você tem que levar em consideração que Snape não acha essas pessoas com quem ele está convivendo legais, ele conviveu com essas pessoas por seis anos e nunca se deu bem com eles, ele está ali apenas por obrigação, ele pode até mudar com o que os livros contam, mas ele não vai chegar longe a ponto de se afeiçoar por eles. E o Snape só se importa com o Harry no futuro por causa da Lily, por ele sentir culpa pela morte da Lily, então ele não tem razão para isso no momento. A questão nesse caso não é eu gostar ou desgostar dele, a minha opinião é irrelevante para a fic...
- Juhh Potter Malfoy: Já escrevi a morte do Sirius, escrevi há muito tempo, justamente porque foi a parte mais difícil para mim. O Sirius é meu personagem favorito, e acho a vida dele muito triste, então fico sempre feliz em escrever as partes boas da vida dele. A parte sobre o que aconteceu com Frank e Alice eu também já escrevi e foi muito complexa, fiquei bem abalada depois disso. É como eu já disse lá no grupo, eu ouvi a opinião de todos vocês, e eu posso ou não considerá-las, então não fique esperançosa. Você devia participar mais lá no grupo! Todo mundo lá é muito legal!
- Carlos Mashiant: Agora que o peso do que a JK escreveu sobre os pais do Tiago já saiu da minha cabeça, acho que vou conseguir começar a escrever MLHP OdF... Com o Harry do jeito que estava depois de tudo que aconteceu, foi muito mais fácil para todo mundo ver como a amizade dele com o Ron e a Mione realmente é. O pior é que nem tem como contar porque as pessoas vão me odiar um bocado no final dessa fic... Qualquer coisinha que eu deixar escapar vai ser um grande spoiler. Eu gosto muito desses capítulos mais leves, ainda mais agora que a história ta ficando cada vez mais pesada, ás vezes eles precisam de um alívio. Eu acho que o romance da Gina e do Harry foi pouco explorado mesmo, mas acho que a culpa é de tudo o que acontecia ao redor deles ao mesmo tempo. Mas na verdade eu gosto muito da Gina em si, eu acho ela bem forte e esperta em vários sentidos... Mas não entendi a que deslealdade com a Hermione você está se referindo. O capítulo em que a Alice e o Frank descobrem o que aconteceu com eles acabou comigo, fiquei bem abalada depois de escrever.
- KarinaBlack: Fico feliz que tenha gostado tanto das fics, e que esteja gostando dessa. Espero realmente ver você comentando mais daqui pra frente! Acho que as pessoas esquecem tudo o que sabemos sobre Tiago e Snape e focam apenas em uma memória do quinto ano deles, como se apenas uma atitude de uma pessoa definisse ela. A Alice é uma das personagens que mais gosto de escrever, porque eu tenho muito mais liberdade para escrever sobre ela do que sobre os outros, já que sabemos tão pouco sobre ela, então resolvi transformar ela na "bruxa comum" que acredita em qualquer coisa... É por isso também que ela é a mais romantica da sala. E o capítulo em que ela e o Frank descobrem sobre o futuro deles me deixou bem abalada. A Lily também gostaria de ter uma ligação mais forte com Harry, muitas vezes ela acha ele muito mais parecido com o Tiago que com ela... Mas talvez isso mude logo.
- Elizabeth L. Malfoy: Temos sempre que lembrar que eles já passaram por aquele momento, todos estavam lá quando o Tiago azarou o Snape e quando o Snape chamou Lily de sangue-ruim... O que mais me incomoda nessa parte é como as pessoas julgam o Tiago, mas acham ok o Snape ter chamado a pessoa que ele considerava a melhor amiga dele de sangue-ruim... Nunca vou entender as pessoas. Mas eu entendo, tambem estou ansiosa para saber como vão ser algumas reações... Quando acabar o sétimo livro pretendo escrever um epílogo para a fic explicando tudo que aconteceu depois que eles leram todos os livros.
- Day Caracas: Que pena que seu computador deu problema, espero que tenha conseguido arrumar! Acho que vai ser bem divertido escrever o Harry sentindo ciúmes da Gina e tudo mais que acontece em EdP. Não culpo a Cho por chorar a morte do namorado dela, mas é ridiculo fazer isso enquanto beija outra pessoa, é claro. E acho ela um tanto "caça-fama", achei ridícula a atitude dela de ficar com ciúmes da Hermione sendo que todo mundo sabe que ela e o Harry são melhores amigos. No filme é impossível shippar a Gina com o Harry, destruíram a Gina nos filmes. Se Harry tivesse sido criado pelos marotos ele teria bem mais traquejo social! O Rony não tem noção nenhuma de como lidar com as garotas, fico até com pena dele, mas pelo menos a Mione é esperta o bastante pelos dois. O Harry sempre teve essa capacidade incrivel de deixar as coisas para a última hora, ele é bem parecido comigo nesse sentido, mas acho ele ainda pior que eu.
- JonathanCarPotter: Que bom que nunca deixou de ler, e fico feliz que comente a fic sempre que possível! OdF tem só um capítulo a mais que CdF, apesar de achar que OdF vai ser bem mais complicado de escrever!
- TatianaThays: Quase não vi seu comentário antes de postar. Estava quase apertando o botão de salvar... Eu uso obtuso o tempo todo... E o Harry e o Rony ainda precisavam crescer muito antes de poderem ficar com as pessoas certas. O Rony realmente não sabe lidar com os próprios sentimentos, mas não tenho raiva dele, tenho pena! Acho que o nariz centrado tem um pouco a ver com o nariz certinho no meio do nariz.


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Comentários (13)

  • Ana Marisa Potter

    Ainda bem que decidiu não abandonar a fic fiquei seriamente preocupada com essa possibilidade. Mas a final o que foi que a JK. falou sobre os pais dos Harry e que eu tenho nao consigo ler bem no pottermore uma vez que não tem indioma ma em português. Mas para variar adorei o capítulo nao desistas esta mesmo muito bom. Bjs 

    2015-10-08
  • Luiza Snape

    Fiquei feliz de saber que vc pretende fazer um epílogo pós fic, acho que todos os Arrependimentos vão ser esclarecidos depois deles lerem a fic. Espero que eles leiam o epílogo tbm, ia ser engraçado se aparece um alvo severo com o epílogo pra eles lerem. Aguardo o próximo cap! Beijos de Luz 

    2015-10-07
  • Carlos Mashiant

                Quando eu li no Pottermore as informações sobre os pais do Tiago, logo imaginei que isso abalaria um pouco você, pois, supus, corretamente, que você já tinha toda uma historia planejada sobre eles, mas ainda bem que você conseguiu superar isso e continuar com sua maravilhosa FanFic. Então, desejo-lhe, outra vez, muito boa sorte na escrita de MLPH OdF.             Já que você não pode contar... O jeito é esperar mesmo. Todavia, seja o que for, e mesmo que eu também seja uma das pessoas que irão te odiar um bocado, continuarei lendo sua Fic até o final.             Quanto ao romance de Gina e Harry, concordo em partes com você. Também acho que o fato de Harry ter um destino traçado (ir atrás das Horcruxes) do qual Gina não poderia participar, teve sua parcela de culpa em deixar o romance deles “estranho”, porém, quando eu digo que foi repentino, não estou me referindo ao desenrolar do namoro deles e sim ao inicio. Por exemplo, nós podemos perceber desde o 3° livro que Harry sentia alguma coisa especial pela Cho, mas pela Gina isso só é percebível a partir do 6° livro e mesmo ela tendo revelado seu “verdadeiro eu” em OdF, Harry só foi percebê-la quase um ano depois.             Sobre o fato da deslealdade da Gina para com a Hermione, eu me refiro ao fato dele contar a Ron que Hermione e Krum haviam se beijado e depois disso ainda não ter contado à amiga que deixou tal coisa escapar.             Todavia, Esse capítulo já começa muito bem com a Hermione zombando do Draco e eu já previa que Sirius ia gostar bastante. Estou imaginando como os do passado ficarão, no próximo capítulo, ao saberem quem, além de Harry e Ron, escutou a verdade sobre a origem do Hagrid. Aliais o próximo capítulo é muito bom, afinal é nele que começa a rixa entre a Mione e a Skeeter que vai culminar em vários momentos divertidos neste e no próximo livro. (Eu até hoje morro de rir ao ler o capítulo em OdF em que a Srta.Certinha obriga a Rita a escrever a verdade sobre o que aconteceu no cemitério  para o Pasquim.)             Eu não sou menina, mas imagino que deve ser muito chato ir para um baile com um garoto e ele ficar mais interessado em outra garota. Isso prova que Harry e Ron não sabem realmente nada sobre mulheres, pelo menos até RdM quando Ron lê o “20 Maneiras Seguras Para Enfeitiçar Bruxas” kkkkk.     P.S: Devo compartilhar algo com você. Minha namorada, Joyce, nunca foi muito fã de Harry Potter. Ela até já assistiu aos filmes, mas nunca se interessou pelos livros, até que no final do mês passado ela começou a ler MLPH PF e se encantou pela historia e então decidiu ler todos os 7 livros e depois voltar a ler sua Fic. Parabéns por trazer ao mundo mais uma Potterhead!

    2015-10-07
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