A pesagem das varinhas



– A pesagem das varinhas.

– Pelo menos esse capítulo não pode acabar de maneira pior do que o anterior. – Remo suspirou observando Rony e Harry.

– Espero sinceramente que não. – Lily murmurou com o rosto ainda escondido no ombro de Tiago.

Quando Harry acordou no domingo de manhã, levou algum tempo para se lembrar da razão pela qual se sentia tão infeliz e preocupado. Então, a lembrança da noite anterior o engolfou. Ele se sentou e afastou as cortinas da cama, com a intenção de falar com Rony, forçar Rony a acreditar nele — mas encontrou a cama do amigo vazia; obviamente já fora tomar o café da manhã.

Sirius, Tiago e Remo encararam Rony com decepção.

– Eu esperava que, depois de uma boa noite de sono, você tivesse percebido como estava errado. – Remo disse fazendo Rony baixar os olhos constrangido.

Harry se vestiu e desceu a escada circular para a sala comunal. No instante em que apareceu, os colegas que já haviam terminado o café, mais uma vez, prorromperam em aplausos. A perspectiva de chegar no Salão Principal e encarar o restante dos colegas da Grifinória, todos tratando-o como uma espécie de herói, não era nada convidativa, mas era isso ou ficar ali encurralado pelos irmãos Creevey, que lhe acenavam freneticamente para que fosse se juntar a eles.
Assim, dirigiu-se resolutamente ao buraco do retrato, abriu-o, passou por ele e deu de cara com Hermione.
— Olá — exclamou ela, estendendo uma pilha de torradas que carregava em um guardanapo. — Trouxe para você... Quer dar uma volta?
— Boa idéia — respondeu Harry agradecido.
Os dois desceram, atravessaram depressa o saguão, sem olhar para o Salão Principal, e pouco depois estavam caminhando pelos jardins em direção ao lago, onde o navio de Durmstrang, ancorado, se refletia na água. Fazia uma manhã fria e os dois amigos não pararam de andar, comendo as torradas, enquanto Harry contava a Hermione exatamente o que acontecera depois que deixara a mesa da Grifinória, na noite anterior. Para seu imenso alívio, Hermione aceitou sua história sem duvidar.
— Bem, é claro que eu sabia que você não tinha se inscrito — disse a garota quando ele terminou de contar a cena na câmara vizinha ao Salão Principal.

– É claro que você sabia! – Sirius repetiu olhando para Hermione com carinho – Uma boa amiga saberia!

– Eu fico muito feliz em saber que você não abandonou ele. – Lily suspirou levantando a cabeça e encarando a garota – Você é realmente uma ótima amiga!
Hermione segurou a mão de Rony com força, mas isso só fez ele se sentir ainda pior por não ter acreditado em Harry na época.

— A cara que você fez quando Dumbledore o chamou! Mas a pergunta é, quem inscreveu você? Porque, Moody tem razão, Harry... Acho que nenhum estudante teria sido capaz de fazer isso... Nunca teria sido capaz de enganar o Cálice de Fogo nem de anular o feitiço de Dumbledore...

– Você é uma menina realmente inteligente! – Remo disse a Hermione com afeto.


— Você viu o Rony? — interrompeu-a Harry.
Hermione hesitou.
— Hum... Vi... Estava tomando café.
— Ele ainda acha que eu me inscrevi?
— Bem... Não, acho que não... Não para valer — disse ela sem jeito.

– E o que exatamente isso significa? – Sirius perguntou franzindo a testa.

– Acho que Hermione quis dizer que, nem mesmo meu irmão, é burro o bastante para achar que Harry arriscaria a própria vida e a confiança dos amigos e de Dumbledore apenas para participar do Torneio. – Gina deu de ombros – Ele só estava ressentido porque tudo acontece com Harry...

— Que é que você está querendo dizer com esse não para valer?
— Ah, Harry, não está na cara? — respondeu Hermione desesperada. — Ele está com ciúmes!
— Com ciúmes?— repetiu o garoto sem acreditar. — Com ciúmes de quê? Será que ele quer fazer papel de babaca na frente da escola inteira?
— Olha, — disse Hermione pacientemente — é sempre você que recebe todas as atenções, você sabe que é. Sei que não é sua culpa — acrescentou ela depressa, vendo Harry abrir a boca, indignado. — Sei que você não quer isso... Mas, bem... Sabe, Rony tem todos aqueles irmãos competindo com ele em casa, e você é o melhor amigo dele e é realmente famoso, Rony é sempre deixado de lado quando as pessoas vêem você, e ele agüenta isso sem reclamar, mas acho que mais essa vez foi demais...
— Ótimo — disse Harry com amargura. — Realmente ótimo. Diga a ele que troco de lugar quando ele quiser. Diga a ele que o meu lugar está às ordens... Gente olhando de boca aberta para a minha cicatriz para todo lado que vou...

– Apesar de tudo, – Hermione suspirou pensativa – duvido muito que Rony realmente quisesse um terço do que aconteceu com Harry.

– É claro que não queria! – Sirius bufou ainda irritado com a atitude de Rony – Quem ia querer ser famoso desse jeito?
– Acho que Rony nunca havia pensado de verdade na parte ruim até aquele momento. – Lily disse encarando Rony com pena – Nos anos anteriores ele até chegava perto de enfrentar Voldemort, mas nunca o encarou de verdade...
– Ele não tinha ideia do fardo que Harry realmente carregava. – Hermione disse concordando com Lily enfática.

— Não vou dizer nada a ele — falou Hermione com rispidez. — Diga você mesmo, é o único jeito de resolver isso.
— Não vou correr atrás dele para fazer ele crescer! — disse Harry, tão alto que várias corujas pousadas em uma árvore próxima levantaram vôo assustadas. — Talvez ele acredite que não estou me divertindo quando me partirem o pescoço ou...
— Isso não tem graça — disse Hermione baixinho. — Não tem a menor graça. — Ela parecia extremamente ansiosa. — Harry, estive pensando... Você sabe o que precisamos fazer, não sabe? Depressa, assim que voltarmos ao castelo?
— Sei, tacar no Rony um bom chute na b...

– Você, provavelmente, pode fazer isso no caminho do que quer que Hermione esteja sugerindo! – Sirius disse estreitando os olhos para Rony – Talvez isso ajude a abrir os olhos de Rony.


— Escrever a Sirius. Você tem que contar a ele o que aconteceu. Ele pediu para você o manter informado de tudo que estivesse acontecendo em Hogwarts... É quase como se ele esperasse que uma coisa dessas fosse acontecer. Trouxe pergaminho e uma pena comigo...

– Hermione é a pessoa mais sensata que já conheci... – Remo disse sorrindo para a garota – Especialmente com essa idade!


— Corta essa! — exclamou Harry, olhando à volta para verificar se havia alguém ouvindo, mas os jardins estavam muito desertos. — Ele voltou ao país só porque a minha cicatriz doeu. Provavelmente invadiria o castelo furioso se eu contasse que alguém me inscreveu no Torneio Tribruxo...

– Eu, sinceramente, não acho que seria burro a esse ponto. – Sirius ponderou – Quero dizer, eu sou um cara bastante inteligente, eu diria até acima da média... – completou jogando os cabelos para o lado com um meio sorriso sedutor – Eu não teria como te ajudar muito depois de receber um beijo de dementador... E é exatamente o que eu ganharia aparecendo no meio do castelo, mesmo com Dumbledore sabendo da verdade.

– Dumbledore não se esforçou muito para impedir você de ir injustamente para Azkaban na primeira vez, – Tiago disse taciturno – não acho que ele faria muito mais por você nessa ocasião... Quero dizer, no ano anterior ele preferiu deixar dois menores viajarem no tempo, enfrentarem um lobisomem e dementadores ao invés de mudar seu depoimento para o ministério e defender Sirius...
– Quando vocês colocam as coisas assim... – Alice murmurou pensativa.

— Sirius iria gostar que você contasse a ele — disse Hermione com severidade. — Ele vai descobrir de qualquer jeito…
— Como?

– Lendo os jornais? – Sirius sugeriu.

– Entreouvindo conversas entre bruxos em Hogsmead? – Remo tentou.
– Recebendo uma carta de Dumbledore, com quem ele obviamente anda se correspondendo? – Tiago finalizou dando de ombros.

— Harry isso não vai poder ser abafado — disse ela seriamente. — Esse torneio é famoso e você é famoso. Eu ficaria realmente surpresa se já não tiver saído alguma coisa no Profeta Diário sobre a sua entrada no torneio... Você já aparece em metade dos livros que tratam do Você-Sabe-Quem, sabia. E Sirius iria preferir saber por você, eu sei que sim.
— OK, OK, vou escrever — disse Harry atirando o último pedaço de torrada no lago. Os dois ficaram parados observando o pão flutuar por um instante, antes de um grande tentáculo emergir e engoli-lo por baixo. Depois disso retornaram ao castelo.
— Vou usar a coruja de quem? — perguntou Harry, quando subiam as escadas. — Ele me disse para não usar Edwiges outra vez.
— Pergunte ao Rony se você pode pedir emprestada...
— Não vou pedir nada ao Rony — disse o garoto decidido.
— Bom, então peça uma das corujas da escola, qualquer pessoa pode pedir — disse Hermione.
Os dois subiram até o corujal. Hermione deu a Harry um pedaço de pergaminho, uma pena e um tinteiro, depois saiu percorrendo as longas filas de poleiros, examinando as diferentes corujas, enquanto Harry se sentava encostado à parede e escrevia a carta.
“Caro Sirius,
Você me disse para mantê-lo informado do que está acontecendo em Hogwarts, então aqui vai: não sei se você já sabe, mas vão realizar um Torneio Tribruxo este ano e, na noite de sábado, fui escolhido para ser o quarto campeão. Não sei quem pôs o meu nome no Cálice de Fogo, mas não fui eu.
O outro campeão de Hogwarts é Cedrico Diggory da Lufa-Lufa.”

– Que bom que você finalmente resolveu ser sincero e direto comigo. – Sirius disse sorrindo para Harry, paternalmente – Vai ser muito mais fácil te ajudar assim.


Ele parou nesse ponto, pensativo. Teve vontade de dizer alguma coisa sobre a imensa carga de ansiedade que parecia ter se instalado em seu peito desde a noite anterior, mas não conseguiu descobrir como traduzir isso em palavras. Então, ele simplesmente molhou mais uma vez a pena no tinteiro e escreveu:
“Espero que você esteja OK, e Bicuço também.
Harry”.

– Não se pode ter tudo, não é? – Sirius deu de ombros – Você certamente poderia ter se esforçado um pouco mais para explicar como estava se sentindo... Mas vou te perdoar dessa vez.


— Terminei — disse ele a Hermione, levantando-se e sacudindo a palha das vestes. Ao fazer isso, Edwiges veio voando para o seu ombro e estendeu a perna.
— Não posso usar você — disse Harry a ela, correndo o olhar pelas corujas da escola ao redor. — Tenho que usar uma dessas...
Edwiges soltou um pio muito alto e levantou vôo tão inesperadamente que suas garras cortaram o ombro do garoto. E ficou de costas para Harry enquanto ele tentava prender a carta a uma grande coruja-de-igreja. Depois que a coruja partiu, Harry estendeu a mão para acariciar Edwiges, mas ela estalou o bico, furiosa, e voou para os caibros do telhado fora do seu alcance.
— Primeiro Rony, e agora você — disse Harry aborrecido. — Não é minha culpa.

– Acho que Edwiges tem motivos mais racionais para não querer falar com você que Rony... – Gina comentou levantando os olhos do livro e recebendo acenos enfáticos de concordância dos Marotos e Frank.


Se Harry pensou que as coisas iam melhorar uma vez que se acostumasse à idéia de ser campeão, o dia seguinte lhe provou que estava enganado. Ele não poderia evitar o resto da escola quando voltasse às aulas — e era visível que o resto da escola, tal como seus colegas da Grifinória, achava que Harry se inscrevera para o torneio.
Ao contrário dos garotos de sua Casa, porém, os outros não pareciam estar bem impressionados. Os da Lufa-Lufa, que normalmente conviviam em excelentes termos com os alunos da Grifinória, tinham se tornado bastante frios. Uma aula de Herbologia foi suficiente para demonstrar isso.
Ficou claro que os alunos da Lufa-Lufa achavam que Harry roubara a glória do seu campeão, um sentimento talvez exagerado pelo fato de que a Lufa-Lufa raramente conquistava alguma glória, e Cedrico era um dos poucos que lhe dera alguma, tendo uma vez derrotado a Grifinória no Quadribol. Ernesto MacMilLan e Justino Finch-Fletchley, com quem Harry habitualmente se dava tão bem, não falaram com ele, embora os três estivessem re-envasando bulbos saltadores na mesma caixa — embora tivessem rido de modo bem desagradável quando um dos bulbos saltadores escapuliu da mão de Harry e bateu com força no rosto do garoto.

– Eu realmente não sei porque você se da ao trabalho de ser educado com esse Ernesto. – Sirius bufou – Ele adorou espalhar que você era o herdeiro de Slytherin dois anos antes...

– Ele não é uma pessoa ruim. – Neville deu de ombros – Talvez um pouco influenciável demais...
– E pretensioso... – Gina completou rindo – Nunca achei que ele realmente poderia ser considerado um amigo de vocês... Está mais para um colega que vai acreditar em qualquer um que fale qualquer coisa sobre você…
– Ou seja, – Remo concluiu – ele é um garoto completamente sem personalidade.

Tampouco Rony estava falando com Harry. Hermione se sentou entre os dois, procurando a custo manter uma conversa, e embora os dois lhe respondessem normalmente, evitavam se olhar. Harry achou que até a Professora Sprout parecia estar distante com ele — mas, afinal, ela era a diretora da Lufa-Lufa.

– Ela também não tem culpa. – Neville suspirou – Geralmente ela fica fora das rivalidades entre as casas. Ela é conciliadora e não gosta de se envolver... Mas gosta muito do Cedrico...

– Não precisa ficar arrumando desculpas para as pessoas. – Alice disse rindo com carinho – Mas é muito delicado da sua parte tentar justificar as atitudes deles...
– Até por que, Dumbledore deve ter instruído os professores a não julgar o Harry pelo torneio. – Lily disse esperançosa – Afinal, ele acredita que você não colocou seu nome no cálice.
– Não quero te desiludir, – Sirius disse coçando a cabeça – mas Dumbledore não costuma se dar ao trabalho de facilitar a vida de Harry, pelo que vemos nesses livros.

Em circunstâncias normais, o garoto teria ficado ansioso para ver Hagrid, mas a aula de Trato das Criaturas Mágicas significava também rever os alunos da Sonserina a primeira vez que estaria cara a cara com eles desde que se tornara campeão.
Previsivelmente, Malfoy chegou à cabana de Hagrid com o conhecido sorriso desdenhoso atarraxado no rosto.
— Ah, olha só, pessoal, é o campeão — disse ele a Crabbe e a Goyle no instante em que se aproximou de Harry o bastante para ser ouvido. — Trouxeram os cadernos de autógrafos? É melhor pedir um agora porque duvido que a gente vá vê-lo por muito tempo... Metade dos campeões do Torneio Tribruxo morreram... Quanto tempo você acha que vai durar, Potter? Aposto que só os primeiros dez minutos da primeira tarefa.

– Temos ai outro suspeito. – Remo disse pensativo.

– O Draco? – Alice perguntou levantando as sobrancelhas descrente.
– Não o Draco. – Remo respondeu – O pai dele... Todo mundo sabe que ele é um comensal... Ele pode muito bem ser o homem infiltrado de Voldemort, e pode ter instruído o filho a pagar um aluno mais velho para colocar o nome do Harry no cálice e enfeitiçá-lo...
– Acho improvável, – Tiago respondeu franzindo o cenho – Lucio seria um ótimo homem infiltrado, mas não acho que um aluno, mesmo do sétimo ano, tenha competência para enganar o cálice.
– Nós teríamos. – Sirius deu de ombros – E você sabe bem como sonserinos são ambiciosos o bastante para aprender.
– Não deixa de ser uma possibilidade. – Lily deu de ombros.
– Assim vocês estão parecendo o Harry, o Rony e a Hermione, colocando a culpa de tudo o que acontece de errado em Hogwarts no Malfoy. – Gina disse displicente antes de voltar a ler.

Crabbe e Goyle deram risadas para agradá-lo, mas Malfoy teve que parar por aí, porque Hagrid surgiu dos fundos da cabana, segurando uma torre instável de caixas, cada uma contendo um enorme explosivim. Para horror da turma, Hagrid começou a explicar que a razão pela qual os bichos tinham andado se matando era o excesso de energia acumulada, e que a solução era cada aluno pôr uma coleira em um bicho e levá-lo para passear um pouco. A única vantagem desse plano foi distrair Malfoy completamente.
— Levar essa coisa para passear um pouco? — repetiu ele enojado, olhando para dentro de uma das caixas. — E onde exatamente você quer que a gente amarre a coleira? No ferrão, no rabo explosivo desse treco?
— No meio — respondeu Hagrid, fazendo uma demonstração. — Hum... É, vocês talvez queiram calçar as luvas de couro de dragão, assim como uma precaução a mais. Harry, vem até aqui me ajudar com esse grandalhão...
A verdadeira intenção de Hagrid, no entanto, era falar com Harry longe do restante da turma. Ele esperou até todos terem se afastado com os explosivins, depois se virou para o garoto e disse, muito sério:
— Então... Você vai competir, Harry. No torneio. Campeão da escola.
— Um dos campeões — corrigiu-o Harry.
Os olhos de Hagrid, negros como besouros, pareciam muito ansiosos sob as sobrancelhas desgrenhadas.
— Não faz idéia de quem o meteu nessa fria, Harry?

– Claro que Hagrid acreditaria em você! – Tiago disse categórico – Por que ele não acreditaria? – completou olhando para Rony de soslaio e deixando o garoto ainda mais constrangido com a situação.


— Você acredita então que não fui eu que me inscrevi? — perguntou Harry, escondendo com esforço o arroubo de gratidão que sentiu ao ouvir as palavras de Hagrid.
— Claro que acredito — resmungou Hagrid. — Você diz que não foi você e eu acredito em você, e Dumbledore acredita em você.
— Eu bem gostaria de saber quem foi — disse o garoto com amargura.
Os dois olharam para os jardins, a turma agora andava espalhada por lá, toda ela em grande apuro. Os explosivins tinham alcançado uns noventa centímetros de comprimento e se tornado extremamente fortes. Já não eram sem casca e descolorados, tinham desenvolvido uma espécie de escudo acinzentado grosso e reluzente.
Pareciam uma cruza de enormes escorpiões com caranguejos alongados — mas ainda não possuíam cabeças ou olhos reconhecíveis. Tinham-se tornado imensamente fortes e difíceis de controlar.
— Parece que eles estão se divertindo, não acha? — comentou Hagrid alegremente.
Harry presumiu que ele estivesse se referindo aos explosivins, porque seus colegas certamente não estavam, de vez em quando, com um alarmante estampido, a cauda de um deles explodia, fazendo-o saltar vários metros à frente e mais de um aluno estava sendo arrastado de bruços enquanto tentava desesperadamente se levantar.

– O Hagrid é sempre cheio de boas intenções e tudo mais, – Frank disse coçando a cabeça, cuidadoso – mas acho que ele realmente não tem ideia do que está fazendo com esses explosivins.

– Só podemos esperar que ele dê aulas decentes aos alunos do quinto ano. – Alice suspirou – Afinal, os N.O.M‘s de Trato das Criaturas Mágicas não são tão simples quanto ele faz parecer.

— Ah, eu não sei, Harry — suspirou Hagrid de repente, voltando a encará-lo, com uma expressão preocupada no rosto. — Campeão da escola... Parece que tudo acontece com você, não é?
O garoto não respondeu. É, parecia que tudo acontecia com ele... Era mais ou menos o que Hermione dissera quando andavam pela margem do lago, e essa era a razão, segundo ela, pela qual Rony deixara de falar com ele.
Os dias que se seguiram foram alguns dos piores que Harry passara em Hogwarts. O mais próximo que ele chegara desse sentimento fora durante aqueles meses, no segundo ano, em que grande parte da escola suspeitara que era ele que atacava os colegas. Mas, então, Rony ficara do seu lado. Harry achava que poderia suportar a atitude do resto da escola se ao menos pudesse ter Rony outra vez como amigo, mas não ia tentar persuadi-lo a voltarem a se falar se ele não queria. Contudo, estava solitário com tanta animosidade ao redor dele.

Rony suspirou e baixou os olhos ao se dar conta de como Harry tinha se sentido mal no tempo em que ficaram separados.


Harry podia entender a atitude do pessoal da Lufa-Lufa, mesmo que não lhe agradasse, tinham um campeão próprio para apoiar. Não esperara menos do que agressões verbais dos alunos da Sonserina — era muito impopular entre eles e sempre o fora, pois ajudara a Grifinória a derrotá-los muitas vezes, tanto no Quadribol quanto no Campeonato Intercasas. Mas alimentara a esperança de que os colegas da Corvinal tivessem a bondade de apoiá-lo tanto quanto a Cedrico.
Mas se enganara. A maioria dos alunos daquela Casa parecia pensar que estivera desesperado para conquistar um pouco mais de fama fazendo o Cálice de Fogo aceitar seu nome.
Depois, havia ainda o fato de Cedrico se enquadrar muito melhor no papel de campeão do que ele. Excepcionalmente bonito, nariz reto, cabelos escuros e olhos cinzentos, era difícil dizer quem era o alvo de maior admiração ultimamente, se Cedrico ou Vitor Krum.

– Isso é ridículo... – Sirius revirou os olhos – Você é um campeão muito melhor do que Diggory! Você já enfrentou muito mais do que ele, e é muito melhor que ele no quadribol.

– E também é excepcionalmente bonito... – Gina murmurou corando furiosamente e despertando risadas em Sirius e Remo que foram os únicos que escutaram.

Harry chegou a presenciar as mesmas garotas do sexto ano que se empenharam tanto para obter um autógrafo de Krum, suplicando a Cedrico para assinar suas mochilas na hora do almoço.
Entrementes não havia resposta de Sirius, Edwiges se recusava a se aproximar dele, a Professora Sibila Trelawney andava predizendo sua morte com uma certeza ainda maior do que de costume, e ele estava se saindo tão mal nos Feitiços Convocatórios na aula do Professor Flitwick que recebera dever de casa suplementar — a única pessoa a receber, à exceção de Neville.

– Feitiços convocatórios? – Lily levantou a sobrancelha ligeiramente decepcionada – Você devia estar realmente estressado! É um feitiço tão simples...


— Na realidade não é tão difícil assim — Hermione tentou tranqüilizá-lo quando saíam da sala de Flitwick, a garota fizera os objetos dispararem pela sala em sua direção a aula inteira, como se ela fosse uma espécie de ímã exótico para espanadores, cestas de papel e lunascópios. — Você simplesmente não se concentrou como devia...
— E por que teria sido isso? — perguntou Harry sombriamente, quando Cedrico Diggory passou por eles, cercado por um grande grupo de garotas que sorriam debilmente e olharam para Harry como se ele fosse um explosivim particularmente grande.

– Eu achei isso tudo um bocado ridículo... – Gina disse levantando os olhos do livro e encarando Harry, séria – Em qualquer outra ocasião essas mesmas garotas se jogariam em cima de você, elas só não estavam se oferecendo porque não tem personalidade própria…

– Algo do tipo... – Hermione concordou sorrindo para Gina – Mas a maioria das pessoas na escola é influenciável demais e acredita em qualquer coisa...

— Mesmo assim, deixa para lá, não é? Dois tempos de Poções à espera da gente hoje à tarde...
A aula de Poções sempre fora uma experiência terrível, mas ultimamente chegava quase a ser uma tortura. Ficar trancado em uma masmorra durante uma hora e meia com Snape e os alunos da Sonserina, todos decididos a castigar Harry o máximo por se atrever a ser campeão da escola, era a coisa mais desagradável que ele poderia imaginar. Já aturara uma sexta-feira, com Hermione sentada ao seu lado, entoando entre dentes "Não ligue, não ligue, não ligue", e ele não conseguia ver por que esta seria melhor.
Quando ele e a amiga chegaram à porta da masmorra de Snape depois do almoço, encontraram os alunos da Sonserina esperando à porta, cada um deles usando um distintivo no peito. Por um instante delirante, Harry pensou que fossem distintivos do F.A.L.E.

– Deve ter sido um momento realmente delirante… – Hermione suspirou – A maioria dos sonserinos nem ao menos me dirige a palavra, a maioria daqueles que falam comigo só me xingam… Como exatamente eles entrariam para o F.A.L.E.?

– Ás vezes, a gente só espera o melhor das pessoas… – Lily deu de ombros e sorriu para Harry com carinho.

— mas logo viu que todos continham a mesma mensagem em letras vermelhas luminosas, que brilhavam vivamente no corredor subterrâneo mal iluminado.
“Apóie CEDRICO DIGGORY o VERDADEIRO campeão de Hogwarts.”
— Gostou, Potter? — perguntou Malfoy em voz alta, quando Harry se aproximou. — E isso não é só o que eles fazem, olha só!
E apertou o distintivo contra o peito, a mensagem desapareceu e foi substituida por outra, que emitia uma luz verde:
“POTTER FEDE”

– Não é tão ruim quanto poderia ser. – Sirius disse de repente – Na verdade, é um tanto infantil, é como quando uma criança não sabe xingar a outra e chama ela de boba...

– Eu consigo pensar em uma dúzia de coisas que seriam muito piores. – Tiago acenou em concordância.
– Vocês estão se esquecendo que Harry tinha 14 anos... – Lily suspirou – Acho que ele ainda não tinha maturidade o bastante para encarar as coisas assim.

Os alunos da Sonserina rolaram de rir. Cada um deles apertou o distintivo também, até que a mensagem "POTTER FEDE" estivesse brilhando vivamente a toda volta do garoto. Ele sentiu uma onda de calor subir pelo pescoço e o rosto.
— Ah, engraçadíssimo, — disse Hermione com sarcasmo a Pansy Parkinson e sua turma de garotas da Sonserina, que riam mais gostosamente do que quaisquer outros — é realmente engraçado.

– Hermione tinha maturidade para ver como o distintivo é infantil... – Remo disse sorrindo para a garota.

– Hermione é uma garota. – Alice riu – Garotas são naturalmente mais maduras que garotos...
– A não ser quando tem um bonitão envolvido. – Frank riu e cutucou Alice por trás das costas de Neville, fazendo-a rir também.

Rony estava parado encostado à parede com Dino e Simas. Ele não estava rindo, mas tampouco defendia Harry.
— Quer um, Granger? — perguntou Malfoy, oferecendo um distintivo a Hermione. — Tenho um monte. Mas não toque na minha mão agora, acabei de lavá-la, sabe, e não quero que uma sangue ruim a suje.
Uma parte da raiva que Harry vinha sentindo havia dias pareceu romper um dique em seu peito. Ele apanhou a varinha antes que conseguisse pensar no que estava fazendo. As pessoas em volta se afastaram correndo, recuaram pelo corredor.
— Harry! — gritou Hermione em tom de aviso.
— Anda, Potter, usa — disse Malfoy em voz baixa, puxando a própria varinha. — Moody não está aqui para proteger você agora, use, se tiver peito...

– Você precisa dar uma lição nesse garoto! – Tiago disse entredentes encarando Snape – Esse garoto não pode chamar a Mione de sangue-ruim e sair impune... Ninguém pode chamar outra pessoa de sangue-ruim e sair impune...

– Não mesmo! – Remo concordou enfático.
Lily suspirou apreensiva observando Tiago e Severo com atenção. O primeiro nunca foi a pessoa mais correta do mundo, mas nunca a chamaria de sangue-ruim, nunca julgou ninguém pelo sangue e, hoje ela sabia, fazia tudo pelos amigos. Enquanto Snape, que sempre fora seu amigo, a julgava por seu sangue e por suas escolhas e, na frente de outras pessoas, a tratava tão mal quanto Draco tratava Hermione. E na frente de todo mundo, quando ela queria apenas defendê-lo, chamou-a de sangue-ruim, com todas as letras...

Por uma fração de segundos, eles se encararam nos olhos, depois, exatamente ao mesmo tempo, os dois agiram.
— Furnunculus!— berrou Harry.
— Densaugeo! — berrou Malfoy.
Feixes de luz saíram de cada varinha, colidiram em pleno ar e ricochetearam em ângulo — o de Harry atingiu Goyle no rosto e, o de Malfoy, Hermione. Goyle berrou e levou as mãos ao nariz, de onde começaram a brotar furúnculos enormes e feios — a garota, chorando de dor, apertou a boca.
— Mione! — Rony correu para ela para ver o que acontecera.
Harry se virou e viu Rony tirando a mão de Hermione do rosto. Não era uma visão agradável. Os dentes da frente da garota — que já eram maiores do que o normal — cresciam agora a um ritmo assustador, a cada minuto a garota se parecia mais com um castor, pois seus dentes se alongavam, ultrapassavam o lábio inferior em direção ao queixo — tomada de pânico, ela os apalpou e soltou um grito aterrorizado.

– Vá para a ala hospitalar! – Lily murmurou preocupada – Madame Pomfrey pode dar um jeito nisso bem rápido...


— E que barulheira é essa? — perguntou uma voz suave e letal. Snape chegara. Os alunos da Sonserina gritavam tentando dar explicações. Snape apontou um dedo longo e amarelado para Malfoy e disse:
— Explique.
— Potter me atacou, professor...
— Atacamos um ao outro ao mesmo tempo! — gritou Harry.
—... E ele atingiu Goyle, olhe...
Snape contemplou Goyle, cujo rosto agora lembrava a ilustração de um livro doméstico sobre cogumelos venenosos.
— Ala hospitalar, Goyle — disse o professor calmamente.
— Malfoy atingiu Hermione! — disse Rony. — Olhe!
O garoto obrigou Hermione a mostrar os dentes a Snape — ela se esforçava ao máximo para escondê-los com as mãos, embora isso fosse difícil, porque agora tinham ultrapassado o seu decote. Pansy Parkinson e as outras garotas da Sonserina se dobravam de rir em silêncio, apontando para Hermione pelas costas de Snape. Snape olhou friamente para Hermione e disse:
— Não vejo diferença alguma.
Hermione deixou escapar um lamento, seus olhos se encheram de lágrimas, ela deu meia-volta e correu, correu pelo corredor afora e desapareceu.

– Você! – Sirius e Tiago levantaram-se retirando as varinhas dos bolsos e apontando-as para Snape ao mesmo tempo, mas Remo chegou primeiro.

– Densaugeo! – Lupin gritou apontando a varinha diretamente para a boca de Severo que não pegou a varinha para se defender rápido o bastante.
– Parem! – Harry gritou no mesmo momento em que a proteção de Dumbledore se ativava e bloqueava o feitiço de Remo – Não façam isso! Por favor!
– Mas ele definitivamente merece ser azarado! – Sirius bufou ainda com a varinha girando entre os dedos.
– Não. – Harry suspirou, sabia que suas decisões seriam questionadas em momentos assim, mas tinha que se manter firme – Vocês prometeram que não julgariam até o final.
– Mas ele merece! – Remo exclamou irritado – Não importa o que ele fez ou deixou de fazer para você dar essa segunda chance a ele, nenhum adulto deveria tratar uma criança desse jeito! Muito menos um professor!
– Só uma azaraçãozinha? – Tiago perguntou a Harry tentando parecer inocente.
– Não. – Harry manteve-se firme.
– Só uma transformaçãozinha? Nada demais, algo parecido com o que fizemos com a Alice? – Sirius insistiu com um meio sorriso insinuante.
– Não. – Hermione disse antes que Harry conseguisse – Eu confio no julgamento do Harry, mesmo não concordando... O que Snape fez comigo foi horrível, mas eu sou mais adulta do que ele jamais foi, e por isso sou completamente capaz de perdoar.
– A cada página que nós lemos, eu entendo menos a sua decisão. – Lily disse a Harry enquanto Hermione fazia todos voltarem aos seus lugares.
– Rony e Hermione nunca entenderam... – Harry deu de ombros – Você não precisa entender, apenas aceitar.
– Ás vezes, é muito difícil aceitar coisas que não entendemos... – Lily respondeu observando Tiago, Sirius e Remo espumando de raiva – Eles nunca convidariam alguém que tratou tão mal seus amigos para esse tipo de coisa...
– Eu sei... E sei que eles nunca vão entender... Mas espero que você entenda. – Harry suspirou cansado.
Severo, que teve o bom-senso de não se manifestar durante a confusão, observou Harry com atenção. Ele também não entendia o por quê do garoto ter escolhido ler aqueles livros com ele, e tudo fazia cada vez menos sentido.

Foi uma sorte, talvez, que Harry e Rony tenham começado a gritar com Snape ao mesmo tempo, sorte que suas vozes tenham ecoado tão forte no corredor de pedra, porque, na confusão de sons, ficou impossível o professor ouvir exatamente os nomes de que o xingaram. Mas ele captou o sentido.
— Vejamos — disse, na voz mais suave do mundo. — Cinqüenta pontos a menos para a Grifinória e uma detenção para cada um, Potter e Weasley. Agora, entrem ou será uma semana de detenções.

– Eu aceitaria mais um ano de detenções para te xingar mais um pouco. – Rony murmurou entredentes para que apenas Snape e Hermione escutassem.


Os ouvidos de Harry zumbiram. A injustiça daquilo o fez desejar amaldiçoar Snape, desintegrá-lo em mil pedacinhos nojentos. Ele passou pelo professor e se dirigiu com Rony para o fundo da masmorra, largando com força a mochila sobre a carteira. Rony tremia de raiva, também — por um instante, pareceu que tudo voltara ao normal entre os dois, mas, em vez disso, Rony se virou e se sentou entre Dino e Simas, deixando Harry sozinho na carteira.

– Não acredito que você fez isso. – Hermione murmurou para Rony irritada – Já não bastava todo o resto?

– Eu já falei que me arrependi de tudo o que aconteceu naqueles dias. – Rony suspirou derrotado – Eu não estava pensando direito.
Tiago, Sirius e Remo observavam os dois com atenção.

Do lado oposto da masmorra, Malfoy deu as costas para Snape e comprimiu o distintivo, rindo-se, o POTTER FEDE lampejou mais uma vez pela sala.
Harry se sentou e ficou encarando Snape quando a aula começou, visualizando coisas horríveis acontecendo ao professor... Se ao menos ele soubesse executar uma Maldição Cruciatus... Atiraria Snape no chão, de costas, como aquela aranha, contorcendo-se e estrebuchando.
— Antídotos! — disse Snape, abrangendo a turma toda com o olhar, seus olhos negros e frios, brilhando de forma desagradável. — Vocês já tiveram tempo de pesquisar suas fórmulas. Quero que as preparem cuidadosamente e depois vamos escolher alguém em quem experimentar...
Os olhos de Snape encontraram os de Harry e o garoto percebeu o que vinha a caminho. O professor ia envenená-lo.

– Como se você já não fosse um professor ruim o bastante. – Remo bufou – Até Quirrel era um professor melhor do que você... E ele tinha Voldemort na cabeça dele!

Snape resmungou alguma coisa ininteligível.
– Apesar de não termos certeza de Snape não ter Voldemort atrás da cabeça dele... – Sirius murmurou apenas para Remo.
– Para mim, ele já é babaca o bastante sozinho. – Remo respondeu irritado.

Harry se imaginou agarrando o caldeirão, correndo até a frente da turma e tacando o caldeirão na cabeça oleosa de Snape... Então uma batida na porta da masmorra invadiu os pensamentos de Harry.
Era Colin Creevey; o garoto entrou discretamente na sala, sorrindo para Harry, e dirigiu-se à escrivaninha de Snape diante da turma.
— Que foi? — perguntou Snape com rispidez.
— Por favor, professor, me mandaram levar Harry Potter lá em cima.
Do alto do seu nariz de gancho, Snape baixou os olhos para Colin, cujo sorriso desapareceu do seu rosto pressuroso.
— Potter tem mais uma hora de Poções para completar — disse Snape friamente. — Subirá quando a aula terminar.
Colin corou.
— Professor, o Sr. Bagman é quem está chamando — disse nervoso. — Todos os campeões têm que ir, acho que querem tirar fotos...

– Suponho que vão examinar as varinhas de vocês e não apenas tirar fotos... – Tiago disse pensativo – Pelo menos é o que o nome do capítulo deu a entender.

– Para que as varinhas deles precisam ser examinadas? – Alice perguntou curiosa.
– Eles precisam da varinha para as tarefas do torneio, e eles não poderiam arriscar que um dos campeões estivesse com a varinha quebrada de alguma forma. – Sirius conjecturou – Você se lembra das consequências do Rony usando uma varinha quebrada no segundo ano, não é?
– Faz sentido... – Alice disse acenando para que Gina continuasse lendo.

Harry teria dado tudo que possuía para impedir Colin de dizer aquelas últimas palavras. Arriscou um relanceio para Rony, mas o amigo contemplava o teto decidido.
— Muito bem, muito bem — retorquiu Snape. — Potter deixe o seu material, quero que volte aqui depois para testar o seu antídoto.
— Por favor, professor, ele tem que levar o material — disse Colin com uma vozinha esganiçada. — Todos os campeões...
— Muito bem! — disse Snape. — Potter, apanhe sua mochila e desapareça da minha frente!
Harry atirou a mochila por cima do ombro, se levantou e se encaminhou para a porta. Ao passar pelas carteiras dos alunos da Sonserina, o POTTER FEDE lampejou para ele de todas as direções.

– Snape ficou ainda mais desagradável depois que vocês saíram... – Neville disse pensativo – Descontou a raiva dele toda em Rony...

– Eu não sabia disso. – Harry disse virando-se para Rony inquisitivo.
– Não foi nada demais... – Rony murmurou – Ele só ameaçou me envenenar algumas vezes e insinuou que acreditava que eu não tinha capacidade de fazer nada sozinho...
– Você devia ter contado isso para a gente! – Hermione disse irritada.
– Você já tinha coisas demais na cabeça e eu não estava falando com Harry... E depois nunca surgiu uma oportunidade. – Rony deu de ombros – Mas não foi nada comparado ao que ele fez com você, Harry e Neville durante anos.

— É fantástico, não é, Harry? — disse Colin, começando a falar no instante em que Harry fechou a porta da masmorra depois de passarem. — Mas não é? Você ser campeão?
— É, realmente fantástico — disse Harry, desalentado, quando começaram a subir a escada para o saguão de entrada. — Para que é que eles querem fotos, Colin?
— O Profeta Diário, acho!
— Ótimo — disse Harry, sem emoção. — exatamente do que estou precisando. Mais publicidade.

– Você provavelmente não deveria tentar se informar com garotos de recado... – Remo disse rindo.

– Ou deveria se informar de verdade, procurar McGonagall, descobrir suas obrigações como campeão... – Sirius levantou uma sobrancelha para Harry – Só uma sugestão…
– Não sei... – Tiago disse com uma risada – Ás vezes, gosto de como você é simplesmente desinformado e desinteressado... É como um estilo próprio! – completou fazendo quase todos os presentes gargalharem.
– Falando em estilo próprio, – Remo disse de repente entre as risadas – ainda me surpreende que Harry não se chame Elenort ou algo do tipo...
– Elvendork! – Tiago e Sirius disseram ao mesmo tempo.
– É claro, – Tiago exclamou – é o nome perfeito, e ainda é unisex!
– Prefiro pensar que eu impedi isso! – Lily disse revirando os olhos para Tiago carinhosamente.
– Obrigado! – Harry exclamou tentando se sobrepor às risadas.

— Boa sorte! — disse Colin, quando chegaram à sala certa. Harry bateu na porta e entrou.
Era uma sala de aula relativamente pequena; a maior parte das carteiras fora afastada para o fundo do aposento, deixando um amplo espaço no meio; três delas, no entanto, tinham sido enfileiradas lado a lado, diante do quadro-negro e cobertas com uma toalha de veludo. Cinco cadeiras tinham sido arrumadas atrás das mesas cobertas de veludo e Ludo Bagman estava sentado em uma delas conversando com uma bruxa que Harry nunca vira antes e que usava vestes carmim.
Vítor Krum estava em pé, pensativo, a um canto, como de costume, sem falar com ninguém. Cedrico e Fleur estavam entretidos conversando, a garota parecia muito mais feliz do que Harry a vira até então, não parava de jogar a cabeça para trás de modo que os cabelos longos e prateados refletiam a luz.

– Ela obviamente estava flertando com o Diggory. – Alice disse categórica.

– E como você pode saber? – Tiago perguntou curioso – Você nem está vendo a cena!
– Nós sabemos… – Lily disse com uma risadinha que foi compartilhada por Alice, Gina e Hermione – Nós sempre sabemos.

Um homem barrigudo, segurando uma grande máquina fotográfica que soltava uma leve fumaça, observava Fleur pelo canto do olho.
Bagman de repente viu Harry, levantou-se depressa e foi ao encontro do garoto.
— Ah, aqui está ele. O campeão número quatro! Entre Harry, entre... Não tem com o que se preocupar, é apenas a cerimônia de pesagem das varinhas, os outros juizes estão chegando...
— Pesagem das varinhas? — repetiu Harry, nervoso.
— Temos que verificar se as varinhas estão em perfeitas condições de funcionamento, sem problemas, entende, porque são os instrumentos mais importantes nas tarefas que vocês têm pela frente — disse Bagman. — O perito está lá em cima com Dumbledore, agora. E depois vai haver uma pequena sessão de fotos. Esta é Rita Skeeter — acrescentou, indicando com um gesto a bruxa de vestes carmim —, está escrevendo um pequeno artigo sobre o torneio para o Profeta Diário...

– A mesma Rita Skeeter que é uma repórter completamente sensacionalista que escreveu sobre o pai de vocês e sobre a copa mundial? – Remo perguntou a Rony e Gina com a testa franzida.

– Exatamente. – Gina suspirou.
– Não gosto disso... – Remo coçou a cabeça incomodado.

— Talvez não seja tão pequeno assim, Ludo — disse ela, com os olhos em Harry.
Os cabelos da repórter estavam arrumados em cachos caprichosos e curiosamente rígidos que contrastavam estranhamente com seu rosto de queixo volumoso. Ela usava óculos com aros de pedrinhas. Os dedos grossos que seguravam uma bolsa de couro de crocodilo terminavam em unhas de cinco centímetros de comprimento, pintadas de escarlate.
— Gostaria de saber se poderia dar uma palavrinha com Harry antes de começarmos? — pediu ela a Bagman, mas ainda com os olhos fixos em Harry. — O campeão mais novo, entende... Para dar um toque pitoresco?
— Certamente! — exclamou Bagman. — Isto é, se Harry não fizer objeção?
— Hum... — disse Harry.

– Faça objeções, Harry! – Tiago disse preocupado – Isso não é uma boa ideia...

– Com certeza não... – Remo suspirou – A entrevista de Harry devia ser junto com a dos outros campeões...

— Beleza — respondeu Rita Skeeter e, num segundo, seus dedos com garras vermelhas tinham segurado com surpreendente firmeza o braço do garoto, conduziam-no para fora da sala e abriam uma porta próxima.
— Não queremos ficar lá dentro com todo aquele barulho — disse ela. — Vejamos... Ah, sim, aqui está bom e aconchegante.
Era um armário de vassouras. Harry arregalou os olhos para a bruxa.

– Entrevista em um armário de vassouras... – Frank levantou as sobrancelhas – Isso não é nem um pouco profissional.
– Mais uma prova de que essa mulher não passa de uma caça-fofoca... – Remo suspirou – Espero que ela não distorça as palavras do Harry.
– Aposto que vai insinuar que foi ele quem colocou o próprio nome no cálice. – Sirius bufou – E não vai deixar ele se explicar.

— Vamos querido, certo, ótimo — repetiu outra vez, encarapitou-se precariamente sobre um balde virado de boca para baixo, fez Harry sentar -se em uma caixa de papelão e fechou a porta, mergulhando-os na escuridão. — Vejamos agora... — Rita abriu a bolsa de crocodilo e tirou um punhado de velas, que acendeu com um aceno da varinha, e colocou-as suspensas no ar, de modo a iluminar o que faziam. — Você não se importa, Harry, se eu usar uma pena de repetição rápida? Assim fico livre para conversar com você normalmente...

– Nenhum jornalista séria usaria uma pena de repetição rápida. – Tiago constatou.

– Qual o problema com elas? – Alice perguntou curiosa.
– São conhecidas por serem subjetivas e imprecisas, elas basicamente mudam tudo o que as pessoas falam para dar àa todas as notícias um tom mais sensacionalista. – Tiago suspirou – Já desconfiávamos, mas agora podemos ter certeza de que essa jornalista não é nada profissional.

— Uma o quê? — perguntou Harry.
O sorriso de Rita se abriu. Harry contou três dentes de ouro.
Mais uma vez ela meteu a mão na bolsa e tirou uma pena comprida verde ácido e um rolo de pergaminho, que abriu entre os dois em cima de uma caixa de Removedor Mágico Multiuso da Sra. Skower. Ela levou a ponta da pena verde à boca, chupou-a por um instante com cara de quem estava gostando, depois colocou-a em pé sobre o pergaminho, onde a pena ficou equilibrada tremendo ligeiramente.
— Teste... Meu nome é Rita Skeeter, repórter do Profeta Diário. Harry olhou depressa para a pena. No momento em que Rita falara, ela começou a escrever, deslizando sobre o pergaminho. — A atraente Rita Skeeter, 43 anos, cuja pena infrene já esvaziou muitas reputações infladas...

– Entendi... – Alice suspirou – Muitos jornalistas fazem isso hoje em dia?

– Apenas os mais infames. – Sirius deu de ombros.

— Beleza — disse Rita Skeeter, mais uma vez, e rasgou a parte escrita do pergaminho, amassou-a e meteu-a na bolsa. Inclinou-se então para Harry e disse:
— Então, Harry... O que fez você decidir entrar no Torneio Tribruxo?
— Hum... — disse Harry outra vez, mas foi distraído pela pena. Embora não estivesse falando, ela continuava a correr pelo pergaminho e seguindo-a o garoto pôde ler uma nova frase:
Uma feia cicatriz, lembrança de um passado trágico, desfigura o rosto, de outra forma encantador, de Harry Potter, cujos olhos...

– Sua cicatriz não é feia! – Lily bufou.

– E seu rosto não é desfigurado! – Gina concordou corando ligeiramente.
– E eu disse que ela ia ignorar qualquer coisa que você dissesse e apenas insinuar que você se inscreveu no torneio porque quis! – Sirius disse irritado.

— Não dê atenção à pena, Harry — disse Rita Skeeter com firmeza. Relutante, Harry ergueu os olhos para ela. — Agora, por que decidiu entrar para o torneio, Harry?
— Eu não entrei — disse Harry. — Não sei como foi que o meu nome foi parar no Cálice de Fogo. Eu não o pus lá.
A repórter ergueu a sobrancelha fortemente delineada.
— Ora, Harry, não precisa ter medo de entrar numa fria. Todos sabemos que você não deveria ter se inscrito. Mas não se preocupe com isso. Os nossos leitores adoram rebeldias.
— Mas eu não me inscrevi — repetiu Harry. — Não sei quem...
— Como é que você se sente com relação às tarefas que o aguardam? — perguntou Rita Skeeter. — Excitado? Nervoso?

– Ela ignorou completamente a resposta dele! – Lily disse furiosa – Isso é ridículo!

– Eu nunca soube que os jornalistas faziam isso. – Alice disse pasma – Não acredito que passei tanto tempo acreditando em tudo o que lia no Profeta!

— Ainda não pensei realmente... É, nervoso, suponho — disse Harry. Ao falar suas entranhas reviraram desconfortavelmente.
— Houve campeões que morreram no passado, não é? — disse Rita com eficiência. — Você chegou a pensar nisso?
— Bom... Dizem que vai ser muito mais seguro este ano.

– Não é o que a pessoa que colocou seu nome no cálice espera. – Snape murmurou sombrio deixando o ambiente pesado.


A pena correu veloz pelo pergaminho entre os dois, para frente e para trás, como se estivesse patinando.
— Naturalmente, você já viu a morte cara a cara antes, não é? — perguntou ela, observando-o atentamente. — Como você diria que isso o afetou?
— Hum — disse Harry uma terceira vez.
— Você acha que o trauma do passado o deixou desejoso de se pôr à prova? De fazer jus ao seu nome? Você acha que talvez tenha se sentido tentado a se inscrever no Torneio Tribruxo por que...

– Essa é, provavelmente, a jornalista mais inidônea que já vi! – Remo disse exaltado – Ela está fazendo tudo o que pode para fazer essa matéria ainda mais exagerada!


— Eu não me inscrevi — disse Harry, começando a se sentir irritado.
— Você tem alguma lembrança dos seus pais? — perguntou Rita Skeeter, abafando a resposta do garoto.
— Não.
— Como você acha que eles se sentiriam se soubessem que você ia competir no Torneio Tribruxo? Orgulhosos? Preocupados? Zangados?
Harry estava se sentindo realmente aborrecido agora. Como é que ele ia saber o que seus pais estariam sentindo se fossem vivos? Percebeu que a jornalista o observava muito atentamente. De cara amarrada, ele evitou seu olhar e baixou os olhos para as palavras que a pena acabara de escrever.
As lágrimas marejaram aqueles olhos espantosamente verdes quando a nossa conversa se voltou para os pais de quem ele mal se lembra.

– Agora ela definitivamente passou do limite! – Sirius disse entredentes – Como ela ousa falar dos seus pais!

– Acho o mundo bruxo todo um tanto insensível nesse quesito. – Hermione suspirou – Todo mundo sempre falou dos pais do Harry como quem comenta o tempo, e muitas vezes na frente dele...
– Isso é horrível! – Alice suspirou – Não sei como você aguentou tudo isso por tanto tempo!

— Eu NÃO estou com lágrimas nos olhos! — disse Harry em voz alta.
Antes que Rita Skeeter pudesse dizer uma palavra, a porta do armário de vassouras se escancarou. Harry olhou à volta, piscando para a claridade. Alvo Dumbledore estava parado ali, contemplando os dois apertados no armário.
— Dumbledore!— exclamou Rita Skeeter, parecendo encantada, mas Harry reparou que a pena e o pergaminho tinham repentinamente desaparecido da caixa de Removedor Mágico e os dedos da jornalista com garras nas pontas fechavam apressadamente a bolsa de crocodilo. — Como vai? — disse ela, erguendo-se e estendendo uma das mãos grandes e masculinas a Dumbledore. — Espero que tenha visto o meu artigo durante o verão sobre a conferência da Confederação Internacional dos Bruxos?
— Encantadoramente maldoso — respondeu o diretor com os olhos cintilantes. — Gostei principalmente da descrição que fez de mim como um debilóide ultrapassado.

– Se já não tínhamos provas o bastante da índole dessa mulher... – Sirius suspirou – Se é ela quem vai cobrir o torneio, teremos matérias realmente infames...


A repórter não pareceu sequer remotamente desconcertada.
— Eu só estava tentando mostrar que algumas de suas idéias são um tanto antiquadas, Dumbledore, e que muitos bruxos nas ruas...
— Ficarei encantado de ouvir o raciocínio que fundamentou a grosseria, Rita, — disse Dumbledore, com uma reverência cortês e um sorriso — mas receio que tenhamos de discutir esse assunto mais tarde. A pesagem das varinhas vai começar e não pode ser realizada se um dos campeões estiver escondido em um armário de vassouras.
Satisfeitíssimo de se afastar de Rita Skeeter, Harry correu de volta à sala.
Os outros campeões estavam agora nas cadeiras junto à porta, e ele se sentou depressa ao lado de Cedrico, com os olhos na mesa coberta de veludo, onde agora havia quatro dos cinco juizes — o Professor Karkaroff, Madame Maxime, o Sr. Crouch e Ludo Bagman. Rita Skeeter se acomodou a um canto; Harry a viu tirar discretamente o pergaminho da bolsa, abri-lo sobre um joelho, chupar a ponta da pena de repetição rápida e equilibrá-la mais uma vez sobre o pergaminho.
— Gostaria de lhes apresentar o Sr. Olivaras — disse Dumbledore, ocupando seu lugar à mesa dos juizes, e se dirigindo aos campeões. — Ele vai verificar suas varinhas para garantir que estejam em boas condições antes do torneio.

– Tínhamos que ter imaginado que seria o Olivaras. – Tiago disse com um meio sorriso – Não existe um especialista em varinhas melhor que ele em todo o Reino Unido!


Harry olhou para os lados e, com um choque de surpresa, viu um velho bruxo com grandes olhos azul-claros parado discretamente à janela. Harry já encontrara o Sr. Olivaras antes — era o fabricante de quem Harry comprara a própria varinha, havia mais de três anos no Beco Diagonal.
— Mademoiselle Delacour, poderia vir até aqui primeiro, por favor? — disse o Sr. Olivaras postando-se no espaço vazio no centro da sala. Fleur Delacour fez o que o bruxo pedia e lhe entregou a varinha.
— Humm... — disse ele.
O Sr. Olivaras girou a varinha entre os dedos longos como se fosse um bastão, e ela emitiu várias faíscas rosas e douradas. Depois aproximou-a dos olhos e a examinou atentamente.
— É — disse baixinho —, vinte e quatro centímetros... Inflexível... Jacarandá... E contém... Meu Deus...
— Um fio de cabelos de Veela — disse Fleur. — Uma das minhas avós.

– Então Rony realmente estava certo! – Sirius comentou espantado – A garota é parte Veela mesmo!

– Ela provavelmente tem aquela aura sobrenatural das Veela, mas não deve ter o mesmo poder. – Remo disse pensativo – Interessante, nunca ouvi falar de descendentes de Veela! Mas, se elas se relacionam mesmo com homens a ponto de procriarem, isso faz muito sentido... Me pergunto porque isso não aparece em nossos livros de criaturas mágicas e...
– Se vocês ameaçam me silenciar por falar em quadribol, nós realmente deveríamos silenciar o Remo agora! – Tiago disse com uma gargalhada.

Então Fleur era em parte Veela, pensou Harry, anotando a informação mentalmente para contar a Rony... Depois se lembrou de que Rony não estava falando com ele.
— Confere, — disse o Sr. Olivaras — confere, eu nunca usei cabelo de Veela, naturalmente. Acho que produz varinhas temperamentais... No entanto, o seu a seu dono, se ela lhe serve...
O Sr. Olivaras correu os dedos pela varinha, aparentemente a procura de arranhões ou saliências; então murmurou "Orchideous!" e saiu um ramo de flores da ponta da varinha.
— Muito bem, muito bem, está em ótimas condições de funcionamento — disse o Sr. Olivaras, recolhendo as flores e oferecendo-as a Fleur juntamente com a varinha. — Sr. Diggory, agora o senhor.
Fleur retornou delicadamente à sua cadeira e sorriu para Cedrico quando o garoto passou.

– Eu disse que ela está flertando com ele. – Alice disse risonha.


— Ah, esta é uma das minhas, não? — disse o Sr. Olivaras, com muito mais entusiasmo, quando Cedrico lhe entregou a varinha. — É, lembro-me bem dela. Contém um único pêlo da cauda de um unicórnio macho particularmente belo... Devia ter um metro e setenta, quase me deu uma chifrada quando lhe arranquei um fio da cauda. Trinta centímetros... Freixo... Agradavelmente flexível. Está em boas condições... O senhor cuida dela periodicamente?
— Lustrei-a noite passada — disse Cedrico sorrindo.
Harry olhou a própria varinha. Dava para ver marcas de dedos em toda a extensão. Ele agarrou um bocado de pano das vestes na altura dos joelhos e tentou limpá-la discretamente. Várias faíscas douradas voaram de sua ponta.

– Você definitivamente devia ter se informado melhor sobre os procedimentos do torneio! – Sirius falou com uma gargalhada semelhante a um latido – Diggory está mais bem informado que você... E ele é da Lufa-lufa...

– Eu disse, – Tiago riu – é o estilo dele!

Fleur Delacour lhe lançou um olhar condescendente e ele desistiu.
O Sr. Olivaras disparou uma seqüência de anéis de fumaça prateada pela sala da ponta da varinha de Cedrico, declarando-se satisfeito e, em seguida, disse:
— Sr. Krum, por favor.
Vítor Krum, com o corpo curvado, os ombros redondos e os pés para fora, levantou-se e foi até o Sr. Olivaras. Entregou a varinha e ficou parado, de cara fechada e mãos nos bolsos das vestes.
— Humm, — disse o Sr. Olivaras — é uma criação de Gregorovitch, a não ser que eu esteja enganado. Um excelente fabricante de varinhas, embora o estilo nunca seja bem o que eu... Contudo...
Ergueu a varinha e examinou-a minuciosamente, revirando-a varias vezes diante dos olhos.
— É... Bétula e corda de coração de dragão? — perguntou a Krum, que confirmou com a cabeça. — Um pouco mais grossa do que se vê normalmente... Bastante rígida... Vinte e seis centímetros... Avis!
A varinha de bétula produziu um estampido como o de uma pistola e um bando de passarinhos chilreantes saiu voando de sua ponta, pela janela aberta, em direção ao sol desbotado.
— Ótimo — exclamou o Sr. Olivaras, devolvendo a varinha a Krum. — Resta agora... O Sr. Potter.

– Só espero que ele não comente sobre a peculiaridade da sua varinha na frente da Skeeter... – Tiago suspirou – Se ele fizer isso, sua varinha se transforma em matéria de capa de todos os jornais...

– Acho que ele não faria isso. – Lily disse ligeiramente temerosa – Ele sabe que é um assunto um tanto particular... Ainda mais se tratando de Voldemort.

Harry se levantou e passou por Krum para chegar ao Sr. Olivaras. E entregou sua varinha.
— Aaah, sim — disse o perito, seus olhos azul-claros repentinamente brilhando. — Sim, sim, sim. Lembro-me muito bem.
Harry se lembrava também. Lembrava-se como se tivesse sido ainda ontem... Há quatro verões, no seu décimo primeiro aniversário, ele entrara na loja do Sr. Olivaras com Hagrid para comprar uma varinha. O homem tirara suas medidas e em seguida começara a lhe dar varinhas para experimentar. Harry teve a impressão de que desprezara todas as varinhas da loja, até finalmente encontrar a que lhe servia — aquela que era feita de azevinho, vinte e oito centímetros e continha uma única pena da cauda de uma fênix. O Sr. Olivaras se mostrara muito surpreso que Harry fosse tão compatível com essa varinha.
— Curioso... — dissera ele — Curioso... — somente quando o garoto perguntou o que era curioso o bruxo explicara que a pena de fênix na varinha de Harry viera do mesmo pássaro que fornecera a alma da varinha de Lord Voldemort.
Harry nunca compartira essa informação com ninguém. Gostava muito de sua varinha e, por ele, a afinidade dela com a varinha de Voldemort era algo imutável — do mesmo jeito que não podia mudar o fato de ser parente da tia Petúnia.

– Ainda acho que ser parente de Petúnia é uma coisa ainda mais complicada… – Lily disse com um suspiro triste – Pelo menos, a sua varinha nunca te deixou na mão.

Tiago sorriu para Lily e apertou-a com carinho em seus braços fazendo com que ela se sentisse um pouco melhor.

Contudo, ele realmente desejou que o Sr. Olivaras não fosse contar isso aos presentes.
Tinha a estranha sensação de que a pena de repetição rápida de Rita Skeeter poderia explodir de excitação se isso acontecesse.
O Sr. Olivaras passou mais tempo examinando a varinha de Harry do que a dos demais. Por fim, porém, fez jorrar uma fonte de vinho da varinha e devolveu-a a Harry, anunciando que o objeto continuava em perfeitas condições.
— Muito obrigado a todos — disse Dumbledore, levantando-se da mesa dos juizes. — Vocês podem voltar às suas aulas agora, ou talvez seja mais rápido descerem logo para jantar, já que elas estão prestes a terminar...

– Muito melhor do que acabar envenenado pelo Snape. – Remo deu de ombros.


Achando que finalmente alguma coisa dera certo naquele dia, Harry se levantou para sair, mas o homem com a máquina fotográfica preta deu um pulo da cadeira e pigarreou.
— Fotos, Dumbledore, fotos — exclamou Bagman, excitado. — Todos os juizes e campeões. Que é que você acha, Rita?
— Hum... Certo, vamos fazer essas primeiras — respondeu a repórter, cujos olhos estavam fixos em Harry outra vez. — E depois talvez umas fotos individuais.

– Nada bom! – Sirius deu um suspiro cansado – Ela vai querer usar as fotos do Harry para fazer uma matéria mais "pitoresca" que não vai condizer em nada com a realidade...


As fotos consumiram muito tempo. Madame Maxime deixava todos na sombra sempre que se levantava e o fotógrafo não conseguia recuar o suficiente para enquadrá-la; por fim, ela teve que se sentar e os demais se postarem ao seu redor. Karkaroff não parava de torcer o cavanhaque com o dedo para lhe acrescentar mais um cacho, Krum, que Harry imaginaria estar acostumado a esse tipo de coisa, procurava se esconder atrás do grupo.

– Ele provavelmente odeia a fama e os holofotes e prefere brilhar apenas no campo de quadribol. – Tiago sorriu – Como todos os melhores jogadores de quadribol...

Tiago parou de falar quando Sirius e Remo ameaçaram pegar as varinhas.
– Remo pode falar de Veela por horas, eu não posso falar nem um minuto de quadribol. – Tiago bufou – Muito injusto.

O fotógrafo parecia interessadíssimo em colocar Fleur na frente, mas Rita corria a toda hora e arrastava Harry para lhe dar maior destaque. Depois, ela insistiu que se fizessem fotos separadas dos campeões. E, finalmente, todos foram liberados.
Harry desceu para jantar. Hermione não estava lá — ele supôs que a amiga continuasse na ala hospitalar consertando os dentes. Ele comeu sozinho na ponta da mesa, depois voltou à Torre da Grifinória, pensando em todos os deveres suplementares sobre Feitiços Convocatórios que precisava fazer. Em cima no dormitório, encontrou Rony.
— Você recebeu uma coruja — disse ele bruscamente, no instante em que Harry entrou. Apontou para o travesseiro do amigo. A coruja-de-igreja da escola esperava-o ali.

– Você não podia ser um pouquinho mais agradável? – Hermione deu um tapa no braço de Rony – Custava muito se esforçar um pouco para manter a amizade de vocês?

– Eu estava sendo um idiota, – Rony admitiu constrangido – eu já assumi isso, você pode, por favor, parar de falar sobre isso?
– Não. – Hermione disse cruzando os braços sobre o peito – Você estava sendo extremamente desagradável com o Harry e ele não merecia isso...
– Vocês podem por favor parar com isso? – Harry disse sem conseguir conter as risadas – Já passei tempo demais aturando isso enquanto estávamos na escola.

— Ah... Certo — disse Harry.
— E temos que cumprir as detenções amanhã à noite na masmorra do Snape.
Saiu, então, do quarto sem olhar para Harry. Por um instante o garoto refletiu se devia ir atrás do amigo — não tinha bem certeza se queria falar com ele ou lhe dar um soco, as duas opções pareciam igualmente atraentes — mas a tentação de ler a resposta de Sirius foi mais forte.

– Eu teria dado um soco nele... – Gina levantou os olhos do livro e encarou o irmão – Ele estava merecendo.


Harry aproximou-se da coruja, soltou a carta da perna da ave e abriu-a.
“Harry, Não posso dizer tudo que gostaria em uma carta, é arriscado demais se a coruja for interceptada — precisamos conversar cara a cara. Você pode dar um jeito de estar junto à lareira na Torre da Grifinória à uma hora da manhã, no dia 22 de novembro?

– Você é louco? – Tiago gritou para Sirius irritado – O que está pensando em fazer? Invadir a casa de um bruxo em Hogsmead para bater um papo com Harry pela lareira? Você não tem ideia de como isso é perigoso?

– Tenho certeza de que vou tomar cuidado! – Sirius disse tentando acalmá-lo – Não vou ser pego.
– Mas é muito arriscado! – Lily disse concordando com Tiago – Você é um bruxo procurado! E, além disso, invasão de domicílio é crime!
– Não é realmente como se eles já não pensassem que sou um criminoso... E eu tenho doze anos de créditos em Azkaban, posso fazer o que quiser. – Sirius deu de ombros displicente.
Tiago revirou os olhos, mas não disse mais nada.

Sei melhor do que ninguém que você é capaz de se cuidar e, enquanto estiver perto de Dumbledore e Moody, acho que ninguém conseguirá lhe fazer mal.
Porém, parece que alguém está tendo algum sucesso. Inscrever você nesse torneio deve ter sido muito arriscado, principalmente debaixo do nariz de Dumbledore.
Fique vigilante, Harry. Continuo querendo saber de tudo que acontecer de anormal. Mande uma resposta sobre o dia 22 de novembro o mais cedo que puder.
Sirius”.

– Sirius tem razão. – Remo disse pensativo – Quem quer que fez isso, se arriscou muito colocando o nome do Harry no Cálice bem debaixo do nariz de Dumbledore...

– Quem fez isso deve ser um seguidor realmente fiel e dedicado de Voldemort. – Tiago disse olhando para Snape de soslaio – Talvez Harry esteja correndo ainda mais riscos do que imagina...
– Podemos fazer uma pausa? – Alice perguntou cuidadosa – Estou começando a ficar com fome...
– Já está mesmo na hora de fazermos um lanche. – Hermione disse pensativa.
Enquanto todos lanchavam Hermione chamou Rony para o quarto discretamente.
– Você está se sentindo bem? – ela perguntou preocupada.
– É claro que não. – Rony suspirou – Cada coisa que lemos no livro me faz ver como eu estava errado, e como fui egoísta... Na maior parte do tempo tudo o que Harry queria era poder dividir as coisas comigo...
– Você é muito importante para ele... Ele sentiu muito sua falta naquele tempo. – Hermione disse sentando-se na beirada de uma cama – Eu fazia de tudo para compensar a falta que você fazia para ele... Mas é claro que não era a mesma coisa.
– Nem poderia ser, – Rony disse jogando-se ao lado dela – você é muito mais inteligente do que eu.
Eles passaram alguns minutos juntos no quarto antes de se juntarem aos outros à mesa. Quando todos estavam satisfeitos, retornaram aos sofás, Tiago pegou o livro que Gina havia deixado sobre a mesa de centro e abriu no próximo capítulo.
– Capítulo XIX – O Rabo-Córneo Húngaro.




Hey leitores mais queridos do FeB! Como vocês devem ter percebido, não consegui bater minha meta na semana passada, e por isso só postei o capítulo hoje... Para ser sincera ainda não bati aquela meta, mas culpem o cápitulo 23, ele é gigantesco! Mas os capítulos estão cada vez mais legais de escrever, e por isso ando escrevendo bastante... Espero bater a meta dessa semana para poder postar no domingo, torçam por mim, sem me pressionar! Para quem não entendeu a referência a Elvendork, aqui está um link de uma história que a JK escreveu um bom tempo atrás (2008): http://potterish.com/2008/06/leia-a-historia-dos-marotos-escrita-por-jk-rowling/
- Luiza Snape: Olha, você devia realmente se esforçar para lembrar que os personagens não podem simplesmente passar a gostar do Snape de um dia para o outro... Os Marotos nunca gostaram dele, a Lily está decepcionada pelo modo como ele trata o Harry, a Alice e o Frank não gostam de como ele trata o Neville, como exatamente você acha que eu posso fazer as pessoas tratarem o Snape bem sem perder a personalidade dos personagens e a veracidade? Sério, me fala, se você tem uma ideia, pode falar! Eu já falei isso para você uma vez, vou falar de novo, ás vezes você presta muita atenção em defender o Snape e esquece como os outros personagens estão se sentindo e a personalidade deles. Ou você quer que os Marotos de um dia para o outro resolvam ser melhores amigos do Snape? Desculpa, mas eu não vou escrever uma fic idolatrando o Snape, e eu te falei isso desde o inicio. Eu mantenho a minha opinião fora da fic, afinal, por mim, o Snape nem estava na sala, mas foi o Harry que escolheu perdoar ele, e eu não posso mudar isso, nem posso mudar a personalidade de ninguém, ou é melhor não escrever.
- Arthur Lacerda: Muito obrigada pelo apoio que você me dá desde o inicio da fic, significa muito para mim mesmo! Essa fic significa muito para mim, e por isso, mesmo quando estou com a vida corrida, dou um jeito de escrever pelo menos um pouquinho.
- Dâmaris Granger: Que bom que gosta de começar a semana com um capítulo! Eu tenho me esforçado para bater minhas metas e poder postar toda semana, mas ás vezes é bem complicado. Ainda não cheguei na parte que o Harry leva o ovo para dar um passeio... Mas acho que os Marotos não vão gostar muito do Moody levar o mapa com ele...Inspiração não tem faltado... Tem faltado tempo mesmo.
- Samara Lima: Já dei os pontos dos capítulos que você comentou, só não coloquei na tabela ainda... CdF é o livro que menos gosto, não sei porque, acho que ele é muito pesado, e na época que li pela primeira vez era muito nova ainda... Mas ainda assim amo ele! E acho que todo mundo tem raiva do Rony nesse livro, não só por como ele trata o Harry, mas também por como ele trata a Hermione no baile e como ele parece só ter percebido nesse livro que ela é uma garota, e como ele não soube lidar nem um pouco com o que estava sentindo.
- MionGinnyLuna: O Harry no final não teve um pai e uma mãe, mas teve várias figuras maternas e paternas na vida dele, o Sirius, Remo, Arthur, Hagrid, McGonagall, Molly... Enfim, ele teve muita gente que amava ele e se importava com ele.
- Maria Clara CP: Muito obrigada, fico feliz que tenha gostado.
- Ana Marisa Potter: Eu sei exatamente como é, o dia a dia pode ser realmente cansativo, mas fico feliz que arrume um tempinho para ler, e quando da, para comentar. O Rony realmente se arrependeu muito por tudo o que fez, mas achei que ele merecia a oportunidade de se explicar e pedir desculpas pelo modo como agiu. E a Lily vai ter que aprender a conviver com o imã para perigos que o Harry tem, ou ela vai ficar louca!
- Regiane Helena: Eu sei bem como é, ás vezes a gente tem muito o que fazer, mas fico feliz que não tenha me abandonado e que comente sempre que tem um tempinho! Então ta desculpada! Eu fico muito feliz que esteja gostando e que ache que está tudo no tempo certo, isso ás vezes me preocupa um pouco. O Rony me irrita um bocado nesse livro, não só pelo modo como ele tratou o Harry, mas pelo modo como ele tratou a Hermione e não soube lidar com os próprios sentimentos, mas eu também adoro o Rony! Eu sei bem como está difícil conseguir emprego nessa crise, estou numa situação bem parecida...
- Clara Black Potter: Sei que você nunca deixou de acompanhar, e entendo perfeitamente quando a gente não tem tempo para fazer as coisas... Os marotos não conseguiriam ver o Rony agindo como está agindo calados, eles presam pela amizade, é o mais importante para eles. Mas pelo menos eles estão vendo o Rony ali, e estão vendo que ele se arrependeu de verdade, mas o que me irrita mais no Rony nesse livro nem é o modo como ele trata o Harry, e sim o modo como ele trata a Hermione! O modo como ele fala com ela quando vai "convidar" ela para ir ao baile, e como ela trata ela depois, me dá muita raiva dele! Que bom que gosta de como o Snape é tratado na fic, tem pessoas que não conseguem entender que eu não posso simplesmente mudar a personalidade de todo mundo para o Snape ser idolatrado do jeito que a pessoa gosta... Volta mesmo! E quando tiver um tempinho, se quiser, o que acha de uma capa para MLHPPF, é o único que não tem capa sua.
- Juhh Potter Malfoy: Fico muito feliz que você tenha encontrado a fic e que tenha gostado! E sempre fico muito honrada quando alguém cria uma conta só para comentar! E os comentários realmente fazem muita diferença! Pelo que lemos nos livros e nos extras da JK, Tiago não é um babaca e Lily não é uma garota chata... Eu procuro me manter o mais fiel a tudo o que sabemos o possível. E eu gosto de desenvolver o relacionamento deles aos poucos, para não ficar tudo apressado demais. Os marotos sempre me pareceram realmente inteligentes, afinal, se tornar animago com 15 anos não é nada fácil. E me irrita muito as fics em que eles são apenas idiotas que gostam de pregar peças. Que bom que você não considera o Snape um herói, eu nunca gostei dele, e o sétimo livro não mudou minha opinião em nada. Ele só está nessa sala lendo os livros, porque aparentemente o Harry perdoou ele (a ponto de dar o nome dele ao próprio filho) e por isso acredito que ele convidaria Snape para ler os livros. E a opinião do Rony sobre o Snape é basicamente a minha... E eu já tenho um caminho para o Snape no fim desses livros... Não se preocupe, não vou desistir, só não posso ficar só escrevendo o dia todo! Queria saber se você está no grupo da fic e se sabe sobre o concurso e como ele funciona.Se sim, me chama lá no grupo e avisa que você é você!
- Izabella Bella Black: Acho que como eles estão presos ali há bastante tempo, ás vezes da para esquecer que o Snape é o Snape, se é que você me entende, e eles acabam falando com ele, principalemente quando ele fala alguma coisa interessante. Para ser sincera, Rony me irrita mais nesse livro, pelo modo como ele trata Hermione, do que pelo modo como ele trata o Harry, ele foi terrivelmente grosso com a Hermione. Acho que agora a Lily percebeu que não é a única que se preocupa na sala! Eu também entendo a reação do pessoal da Lufa-lufa, especialmente porque eles não conhecem o Harry como conhecemos, eles não tem como saber que ele não colocou o nome no cálice. Talvez em algum momento Tiago desista da varinha e resolva dar uns bons socos na cara de Snape... Sinto muito pela sua cachorrinha, eu sei como doi perder alguém que a gente ama tanto. Minha cachorrinha me deu um susto nesse fim de semana, e eu quase tive um treco, sofri junto com ela. Então te entendo bem. Mas saiba que agora ela está em um lugar bem melhor, e parou de sofrer. Cuide dos seus outros bebês com muito carinho, eles merecem muito. Cachorros tem a capacidade incrível de amar mais do que deveriam, eles amam até mesmo quem faz mal a eles... Então acho que sua cachorrinha teve muita sorte de ter você.
- Nati Wood: Que bom que conseguiu ler e comentar, significa muito para mim. O Rony me irritou mais com como ele tratou a Hermione nesse livro, do que como ele tratou o Harry... Você me disse que está no grupo, mas não chegou a me dizer seu nome lá para eu poder te dar os pontos...
- Day Caracas: Sinceramente, o Rony me irritou mais com como ele tratou a Hermione antes e depois do baile, do que com como ele tratou o Harry... Nenhum dos dois merecia ser tratado do jeito que foi, mas com a Hermione ele foi muito pior. Eu também queria que Remo e Sirius tivessem ficado vivos, mas entendo que Harry precisava acabar com tudo sozinho... Pelo menos agora vamos mudar algumas coisas... Ou não. Eu entendo a Lufa-lufa, e até entendo o resto da escola, mas pelo menos Harry tinha a grifinória ao lado dele. Que bom que você gostou de ver a Lily brigando com o Snape, tem gente que não entende que não posso simplesmente colocar todo mundo amando o Snape e idolatrando ele! Eu escrevi uma parte mais para frente em que os Marotos falam que nunca da para confiar na opinião do Harry sobre as coisas, porque ele sempre desconfia das pessoas erradas. Quando soube de animais fantásticos virar filme fiquei um pouco temerosa, mas quando divulgaram que JK quem faria o roteiro fiquei bem empolgada e ansiosa! Estou louca para conhecer mais um pouco desse mundo que significa tanto para a gente!
- Stehcec: Que bom que eu postar hoje te ajudou! As vezes as pessoas até esquecem quem o Snape é... Acho que é por eles estarem na sala há tanto tempo... Eu sinceramente não sei se eu acreditaria no Harry... Não tem como saber... Mas se eu fosse amiga dele, com certeza acreditaria. A Lily estava precisando desse puxão de orelha do Sirius, agora ela deve levar os sentimentos dos outros um pouco mais em conta. Eu provavelmente ficaria irritada com o Harry se eu fosse da Lufa-lufa também... Mas acho que quando visse ele, frente a frente, com o dragão, acabaria apoiando ele também... O Snape era outro que estava merecendo essa chamada de atenção da Lily... Talvez ele mude um pouco... Eu acho que o choque de ver o Harry ser selecionado para o torneio fez eles não pensarem imediatamente em quem colocou o nome de Harry no cálice, e naquele momento, eles nem ao menos tinham suspeitos concretos para discutir o assunto... Acho que você vai ver que os Marotos pensam bem parecido com você... Eles também devem desconfiar das mesmas pessoas que você desconfiou. Acho que a atitude do Rony com a Hermione foi ainda mais idiota do que com o Harry. Ele foi realmente grosseiro com ela antes e depois do baile de inverno.
- Ariane Potter: Fico feliz que você sempre dê um jeitinho de comentar, significa muito para mim! Eu estou gostando cada vez mais de escrever essa fic, os capítulos estão ficando cada vez mais interessantes, e os Marotos estão descobrindo cada vez mais sobre o futuro... Está dando para desenvolver melhor os relacionamentos de todos eles. Eu não sei se a Bela vai ganhar o livro do concurso não... Ela nem está em primeiro lugar! Eu adorei escrever a parte sobre o Elvendork, desde que li a história que a JK escreveu sobre isso que tenho vontade de colocar numa das minhas fics! A JK que andou se empolgando muito e escrevendo capítulos enormes! O capítulo do baile de inverno é gigantesco!



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Comentários (9)

  • Helena

    Adoro o senhor Olivaras, é tão engraçado quando ele descreve um varinha. Sem contar que ele lembra aqueles velhinhos fofos e estranho, que dá vontade de apertar.

    2018-09-16
  • Izabella Bella Black

    Olá, finalmente tive tempo para comentar.Eu também esperava que depois de uma noite de sono Rony percebesse a verdade, mas fazer o que. Concordo com Sirius e Lily, se Hermione alguma vez duvidou de Harry, ela ainda permaneceu ao lado dele, mas apesar de tudo eu ate entendo o Rony. Acho que ate a guerra, ou pelo menos ate o final do quinto ano nenhum deles tinha ideia do fardo que Harry carregava. Eu lembro que quando li pela primeira vez imaginei Sirius invadindo o castelo furioso e ri muito com isso, pois a cena que venho em minha cabeça era engraçada. Eu nunca tinha parado para pensar nisso o que Tiago disso sobre Dumbledore faz sentido. Uma coisa é certa Sirius iria descobrir de uma forma ou de outra era só questão de tempo. É muito mais facil ajudar alguem quando essa pessoa é direta. Concordo com Gina, Edwiges tinha motivos melhores do que Rony. Dumbledore nunca faciltou a vida do Harry, em nenhum momento. Uma das coisas que sempre me fez ficar com raiva ao ler os livros foi a facilidade que as pessoas de Hogwarts tem de acreditar em qualquer coisa que falam, apesar que se for parar para pensar não é muito diferente da vida real. Os distintivos é muito infantil. Acho que agora Lily realmente percebe a diferença entre uma amizade verdadeira e aquilo que ela chamva de amizade, pois Snape era tudo menos um amigo verdadeiro. Adoraria ter visto a vingança dos Marotos pelo o queSnape fez com Hermione, foi uma pena... Concordo com Remo, Snape já um babaca sozinho. Adorei a parte do estilo proprio e eu adorei esse nome. Concorto sobre tudo o que eles disseram sobre a Skeeter. Pelo jeito Alice acordou um poucou, mas ainda acho que falta muito para ela realmente amadurecer. Tadinho do Tiago todo mundo pode falar de qualquer assunto, porem ele não pode falar de quadribol sem ser silenciado kkk. Imagino que Tiago apesar de tudo não consegue brigar com Sirius por muito tempo, pois Sirius sempre acha uma desculpa para tudo o que faz. Imagino que Rony já tinha percebido seus sentimentos por Hermione e tentava esconder, por isso agiu dessa maneira com ela, bom eu fiz isso por anos e bem acho que o pior erro que cometi. Quando Tiago resolver dar uns socos no Snape pode ter certeza de que eu irei adorar. Meus novos bebês são uns amores, aprontam muito, porem todo dia quando saio de casa para ir para a faculdade eles estão me esperando na porta e me acompanham ate o portão e quando chego em casa o mesmo acontece, aui em casa tudo mudou por causa deles, ate o saco de lixo a minha mãe deve que erguer, pois eles estavam abrindo o saco para ver se achavam alguma coisa para brincar, como se já não tivessem brinquedos o suficiente. E eu é quem tive muita sorte em ter tido ela, como eu dizia a ela, ela era minha princesa...

    2015-08-30
  • Nati Wood

    Olha eu comentando atrasada de novo! Minhas semanas andam muito corridas, para minha tristesa! Capitulo icrivel como sempre!Ah, sempre me esqueço, estu como Natalia Mantovani no facebook. Agora vamos ao capitulo:ODEIO a Rita Skeater, eu algo me diz que não sou só eu!Eu gosto de Snape, gosto de quem ele é na verdade, mas concordo que ele só mostra isso no ultimo livro e é odioso pelos outros 6 anteriores. Normal todos o odiarem, mas me deixa um pouco triste, porque ele é um heroi de guerra!AMEIIII o Elvendork, como disse no grupo, consigo imaginar a cena de Tiago e Lilian escolhendo o nome de Harry, Tiago e Sirius insistindo em Elvendork, nem que seja para perturbar a Lily! Sorri internamente imaginando esta cena!Obrigada pelo capitulo, torcendo para você escrever cada vez mais rápido, mas sem pressão é claro ;D!Beijos! 

    2015-08-29
  • Samara Lima

    Oi Ju! Obrigada pela pontuação e pelo capítulo maravilhoso! KkkkkSó um comentário, tenho observado que Vc descreve muito, os personagens"Olhando com carinho", não sei Pq mais os imagino com uma cara tão boba! Sei que não é sua intenção mais na  minha cabeça é engraçado! KkkkkNão é uma crítica, só pra dividir com Vc o que eu penso! Bjinhos até o próximo! 

    2015-08-27
  • MionGinnyLuna

    Eu queria que o harry tivesse percebido o quanto Remo se importava com ele antes... Sei lá, tivesse escrito pra ele, ou coisa parecida. Teria sido bacana, eu creio, e ele era tudo que o Remo tinha até o Sirius voltar, e depois que ele morreu. Mas enfim, capítulo lindo e divo, torcendo por você (sem pressão, eu também estou louquinha pra me manter frequente no meu blog) e boa sorte! <3

    2015-08-27
  • Carlos Mashiant

    Oi Julia! Deixa-me se apresentar: Meu nome é Carlos, estou sua Fics desde quando você começou e são realmente muito boas, porém, s´agora criei coragem par criar uma conta e a criei só para comentar aqui. Sem muito surpresa, já que era obvio, o capítulo foi nota 10. Sou até suspeito a falar, pois eu amo a Hermione, e nesse caítulo rasgaram ellogios a ela. Ela é uma pessonagem muito forte, muito sagaz e companheira. A Alice disse que garotos geralmente são mais maduras (talvez eu concorde), porém aos 14 anos pouquissimas garotos (e garotos) são tão maduras quanto a Mione.Quanto ao Ron tem muito pouco a se dizer, é obvio que ele está sendo um complento idiota com um Harry e será um completo idiota com a Mione na parte do baile. Ele sem duvida é o menos maduro do trio.Onte eu estava pensando sobre algo que você pulblicou na Fic posterior a essa (MLHPPDA, a parte em que a Mione pensa que eles deveriam ter deixado a Gina participar mais nas aventuras dele, porém, na minha opinião, eu acho que não ficaria legal, pois o Trio se complementa e se tivesse mais um componente (a Gina ou qualquer outro) ia ficar desiquilibrado.Sem mais delongas! Parabéns pela linda Fic 

    2015-08-25
  • Ana Marisa Potter

    Adorei como sempre.Estou anciosa para ler o proximo capitulo a lily concerteza vai ter que beber uma poção calmante pois o proximo capitulo vai custar. 

    2015-08-25
  • Stehcec

    Olá Juh,Dessa vez resolvi ler e comentar no dia da sua postagem.Vamos a pesagem das varinhas!É bom mesmo o Rony se sentir mal, nossa, ainda fico revoltada com ele quando leio. Tenho até pena do Rony, mas ele devia, apesar do ciúmes, acreditar no melhor amigo. Lendo a fanfic eu fico pensando, que o Rony nessa epoca não pensava realmente no ônus de ser Harry Potter. Hermione sempre foi a mais sensata e eficiente dos três. Acho q o Sirius não seria burro tbm. Sobre o Dumbledore, não concordo com o Tiago, acho q mesmo se o Dumbledore tentasse ajudar o Sirius, não teria muito apoio, por isso ele prefiriu deixar dois alunos voltarem no tempo para concertar isso. Nunca gostei dessa "amizade" entre o Harry e o Ernesto tbm, acho ele muito sem noção, irritante e o Remo concluiu bem, sem personalidade. Achei bonitinho o Neville justificando a prof preferida dele. E tbm não acho q o Dumbledore disse nada para os professores, mas acho errado a Sprout ficar de cara meio q amarrada pra ele. Concordo com a Gina, sempre o culpado de tudo é o Malfoy, e achei a teoria deles meio sem noção. Nunca imaginei que teria sido um aluno, mesmo com a ajuda de um adulto. Hagrid e seus explosivins, eu fico realmente pensando, o Hagrid sabe tanto de criaturas mágicas e fica dando aulas tão bizarras pra eles. É sobre beleza sempre acreditei pelas descrições que o Harry fosse mais bonito que o Cedrico. Gina e Mione brilharam no comentário sobre as meninas, palmas pra elas. Ah, um Potter Fede, se fosse comigo não me ofenderia em nda com certeza, achei MUITO infantil também. Deve ser por isso que achei SUPER infantil, por ser uma mulher e até em relação a garotos sempre fui madura. NOSSA, nessa parte do livro fiquei MUITO irrada com o Snape, como ele pode fazer aquilo com a Mione e compreendo perfeitamente os marotos querer azarar ele. Ele é um ser desprezível. Eu até consigo entender um pouco os motivos do Harry de levar ele, pq eu o perdoei de algumas coisas, mas sei lá, vendo ele agindo na sala daquele jeito acho muito dificil ele mudar algo. Eu achei q depois disso o Rony iria voltar a falar com o Harry, ai me deu mais raiva dele ainda. Quando li pesagem das varinhas, fiquei tão intrigada. Snape odioso demais. Ainda bem q a Lily impediu o Harry de chamar Elvendork, pq só Jesus viu! E sobre o Harry ser desinteressado, sempre me irritou um pouco, teria evitado tanta coisa, tanto problema. Mas ai a raiva passa pq ai não teriamos livro. hahahaahahahahaahhahahaa Ah e onde vc viu que a J.K. queria colocar Elvendork? Com certeza estava flertando com o Cedrico, e é engraçado que sempre sabemos mesmo. Coitado do Harry, como se ele pudesse/conseguisse colocar alguma objeção. Tadinho do Remo, tão inocente em relação a Rita. Claro que a entrevista seria a mais sensacionalista possivel. Pobre Alice, agora q está enxergando a verdade. Verdade, nunca tratou o Harry com sentimento em relação aos pais, sei lá, estranho. Adorei o Tiago querendo silenciar o Remo, isso ai Tiago, tem q se vingar. E viu como sou desatenta das coisas, a informação sobre a Fleur ser neta de Veela estava no próprio livro. (Aiai pra mim)!! Realmente é o estilo do Harry ser desinteressado. Tenho um carinho muito grande pela varinha do Harry tbm, ela já salvou ele muitas vezes, pena q se perde no último livro, assim como Edwiges :(. Tiago, é realmente muito injusto você não poder falar de quadribol. Muito engraçado a Mione e o Rony implicando um com o outro. E enquanto ele continuar nessa birrinha com o Harry, merece ser lembrado disso. Ah, era arriscado, mas eles nem estavam tão preocupados com o Sirius assim, como no ano anterior. Tenho realmente dó do Rony, mas ele mereceu tudo q foi dito pra ele. Deveria ter acreditado no Harry de primeira e nunca ter duvidado, mesmo com ciúmes. Juh, excelente cap. E já está explicado o nome do Elvendork. :) Lerei o artigo da J.K.!Respondendo o comentário anterior: Se eu fosse de outra casa que não fosse a sonserina e visse a primeira tarefa iria apoiar o Harry também. E realmente o Rony foi MUITO mais grosseiro com a Mione e os marotos vão dizer isso ou a Lily e a Alice. E acho q não tem como pensar em outra pessoa pra ter colocado o nome do Harry no Cálice, pq o real suspeito irá ajudar o Harry em tudo. Espero que você bata sua meta, e dobre a mesma, mesmo eu não sabendo sua meta!! Só uma brincadeirinha pra descontrair! HahahaahahahahaahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahahaahahahBjão Juh! 

    2015-08-25
  • Kantiss Potter

    Oi Julia! Finalmente consegui fazer o login no site e comentar direto na fic e não no grupo do face hehehetenho a mesma opinião que tu em respeito ao snape. sou mega fãda JK mas achei meio forçado o Harry ter perdoado ele tão rápido. sempre pensei que se o snape realmente amasse a Lily ele nunca teria tratado o filho dela do jeito que tratou a vida toda, mas é que na minha opinião quando tu ama alguém tu quer ver ela feliz, mesmo que seja com outra pessoa. Pra ser sincera, o snape nunca foi meu personagem preferido, não entendo muito como tem gente que idolatra ele heheheenfim, queria te elogiar pela dedicação com a fic, todos os capítulos sao perfeitos, a maneira que tu escreve é perfeita. Honestamente eu vejo as tuas fics virando livros e eu compraria sem Titubear. Eu leio outras fics dos marotos e elas retratam os marotos como idiotas que só sabem pregar peças, mas na verdade eles são muito inteligentes e fazem tudo uns pelos outros. To achando super bonitinho o jeito que a Lily e o Tiago estão se aproximando, ela ta vendo as qualidades nele que nunca viu antes. Espero que tu consiga cumprir o prazo, mas não quero te pressionar, é só que sou muito fã da fic e fico ansiosa pra ler o próximo hehehe

    2015-08-24
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