Com grandes poderes, vem grand



- Bom dia! – cumprimentou Mônica entrando na sala da Toca – Onde estão os meninos?

Ela se sentou enquanto Hermione e Gina mantinham um olhar de surpresa sobre ela.

- Eles estão na outra casa, pintando a cozinha. E você, onde você estava? – começou Hermione – Nós ficamos te esperando mais de uma hora, preocupados. Até que eu convenci os meninos a irem, que nós duas te esperávamos. Você enlouqueceu?!

- Desculpa! – disse Mônica baixinho, segurando o riso enquanto Gina não se importava com isso

Hermione desamarrou a cara e começou a rir com as duas. Depois elas foram parando aos poucos.

- E então vai dizendo logo onde tava mocinha – comentou Gina

- Depois – disse Mônica se levantando – Primeiro vamos encontrar os meninos, eu quero contar pra todos juntos.

Hermione e Gina se encararam desconfiadas.

- Nina... – Hermione tentou dizer alguma coisa, mas foi interrompida pela amiga

- Nina nada, - disse ela – e anda, eu to com pressa.

Hermione não fez mais nenhuma pergunta e as três foram ao encontro dos garotos.
Quando chegaram os quatro estavam na cozinha, na maior bagunça, todos sujos de tinta branca. Cedrico se adiantou quando as viu entrando.

- Meu amor, fiquei preocupado! – disse ele se aproximando

- Eu to bem. Estava em lugar seguro, não pra nós, mas de certa forma seguro – ela deu um rápido beijo nele.

- Onde você foi? – perguntou Rony

- É uma longa história, então vamos sentar - ela olhou ao redor – pode ser no chão no mesmo.

Todos se acomodaram e olharam pra ela.

- Bom, eu fui ao Ministério...

- Ah Nina, pra quê? Não se mete com essa gente! – resmungou Harry

- Acontece que é necessário eu me “meter” com essa gente maninho. – ela respirou fundo – chegou aos meus ouvidos, que o Ministério pretende invadir um suposto esconderijo de Comensais na noite de natal.

- E você foi saber se era verdade? – perguntou Draco

- Na verdade não. Eu já sabia que era verdade, quem me contou foi Olívio e ele nunca erra. – disse ela – Na verdade eu fui nos colocar nessa missão, oferecer nossos préstimos.

- Ta falando sério?! – se animou Gina – E?

- Eu consegui é claro! – disse sorrindo – mas, eu preciso saber se vocês estão dentro, porque se não formos todos... eu digo ao ministro que estamos fora.

- Você falou com o próprio ministro?

- E pensou nisso tudo sozinha? – ironizou Harry

- Um de nós dois tinha que nascer inteligente Harry – respondeu ela rindo – como não foi o seu caso... Mas e então?

- To com você pro que der e vier Nina, e não perco essa festa por nada – respondeu Draco.

- Eu também to dentro! – dessa vez foi Gina

- E ele não vai querer nada em troca desse favorzinho? – Harry estava em dúvida

- Não é ele que está fazendo um favor pra nós Harry, vamos ser realistas. Ele acredita ou finge acreditar nisso, mas no fundo ele sabe quem precisa de quem.

- Eu aceito o desafio – completou Rony

- E eu to pronto! – disse Cedrico

Faltavam Harry e Hermione. Ele sorriu, um sorriso maroto, Mônica sabia que ele havia gostado da idéia.

- Se é assim... então vamos lutar! – Mônica vibrou com a resposta do irmão – e você meu amor?

Hermione ficou calada o tempo inteiro, não disse uma só palavra de reprovação. Ela soltou uma risada nervosa.

- Vocês estão malucos não é? – disse olhando pra todos – Acham que isso é uma brincadeira? O quê que te deu na cabeça Nina? Nós não vamos arriscar nossas vidas por diversão, não é pra isso que estamos aqui. O ministro tem muitos aurores, ele não vai precisar da gente!

Ela então se levantou e saiu da cozinha, deixando todos assustados.

- O que deu nela? – perguntou Rony

Ouviram a porta dos fundos se fechar com um estrondo.

- Eu vou lá! – Harry começou a se levantar

- Não maninho – interrompeu Mônica – deixa que eu resolvo! É melhor que eu vá.

Todos ficaram em silêncio observando Mônica sair da cozinha também. Ela parou em frente à porta dos fundos e respirou fundo, depois a abriu. Hermione estava sentada em um dos balanços com os cotovelos sobre os joelhos, e o rosto afundado entre as mãos. Mônica se aproximou e ficou de frente pra ela, escorada sobre a madeira da varanda.

- Você ta legal? – perguntou um pouco insegura

Hermione levantou a cabeça e a encarou. Seu rosto estava um pouco molhado e ela parecia nervosa, o que não agradou Mônica.

- O que você acha? Meus amigos e meu namorado então a caminho da morte e acham que isso é uma brincadeira. Você acha mesmo que eu to “legal”? – disse sem meias palavras

Mônica descruzou os braços.

- Eu não to levando isso na brincadeira Mione, não to fazendo isso por mim... mas por todas as pessoas que acreditam em nós!

- Que se danem todas essas pessoas Mônica! Eu não me importo! – disse ela com a voz alterada

Mônica também se alterou. Não podia acreditar que Hermione falara aquilo, conhecia a amiga e sabia que aquela não podia ser ela.

- E desde quando você se tornou tão egoísta?! – disse também em voz alta

Hermione levantou a voz ainda mais.

- Desde que as pessoas que eu mais amo na vida, estão em perigo o tempo todo, e eu posso perdê-las a qualquer hora! Desde que eu tenho pesadelos todas às noites, com medo de que algo aconteça, e quando eu acordo vejo vocês agindo como se nada estivesse acontecendo...e isso me deixa perdida! – ela se acalmou um pouco – será que você não percebe que nós podemos morrer com isso?

As duas ficaram em silêncio por um longo tempo. Nunca haviam tido uma discussão assim, e estavam odiando isso. Mônica preferiu quebrar o silêncio, e dizer o que realmente pensava.

- Eu podia te dizer que tudo vai ficar bem, e te prometer que nada vai acontecer nessa invasão. Mas eu não posso, quando nem mesmo eu acredito mais nisso. – Hermione a olhou surpresa

- Então porque tudo isso? – perguntou Hermione sem entender

- Porque com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, Mione. – começou ela tentando segurar as lágrimas - E a proteção e esperança de milhares de pessoas é uma delas. Porque nós escolhemos isso quando ajudamos os aurores a vencerem aquela batalha no Ministério. Porque foi isso que significou pra muita gente Mione, nós assumimos essa responsabilidade pelos poderes que nos deram. E eu não posso deixar que uma simples folha de jornal destrua essa esperança Mione, eu não quero acreditar que isso seja possível!

Hermione abaixou a cabeça, entendia perfeitamente o que a amiga estava dizendo, agora sabia que ela estava certa, antes o medo e o egoísmo a deixaram cega.

- Nós sete estamos destinados a morrer, e não há mais nada que possamos fazer... – continuou Mônica – a não ser salvar vidas inocentes. É pra isso que fomos escolhidos, esse é o nosso glorioso destino!

Mônica se ajoelhou em frente a ela e segurou suas mãos, fazendo com que ela a encarasse.

- Mas eu não posso fazer isso sem você Mione! Eu não vou conseguir! – ela fez uma pausa pra limpar as lágrimas e voltou a segurar as mãos dela – e então, eu posso contar com você, ou devo parar aqui?

Hermione a abraçou e as duas começaram a chorar.

- Vou estar com você sempre Nina! – disse ela entre soluços se afastando – Eu fui uma idiota, desculpa!

- Você não foi idiota, não fala isso! Ta tudo bem agora. – disse limpando as lágrimas da amiga com carinho

- Vamos provar pra eles que nós somos os mocinho certo? – as duas riram e se abraçaram novamente – Odeio brigar com você!

- Eu também.

Então elas se sobressaltaram quando a porta foi aberta e os cinco amigos saíram por ela.

- Ah, qual é! Vocês não brigaram isso foi só uma discussão boba. – falou Rony indiferente – vocês duas são as únicas que nunca brigaram entre si aqui. Até eu já briguei com a Hermione, menos você Nina.

Todos começaram a rir. Mônica se levantou do chão e se sentou ao lado da amiga, enquanto os outros também se acomodavam.

- Então quer dizer que vocês estavam escutando tudo atrás da porta? – perguntou Hermione com ar de desaprovação

- Mais ou menos isso – disse Draco coçando a cabeça

- Bom, nós ouvimos alguns gritos... então decidimos ver a briga do século – falou Harry – Mas nem pra isso vocês servem, achamos que ia ter uma briga mesmo sabe, de verdade. Mas não, a discussão de vocês não durou nem um minuto, foi sem graça!

Elas riram.

- Se eu não tivesse impedido eles tinham saído e atrapalhado vocês – disse Gina também rindo.

Todos ficaram em silêncio por poucos segundos, como se quisessem esquecer tudo, esquecer o que a vida lhes reservara, e apenas guardar aquele momento. Mas é impossível fugir do destino, e as palavras de Mônica não iam sair de suas cabeças tão cedo, pelo menos não até a maldita guerra acabar.

- Acho que agora é hora de nós cairmos na real galera – disse Cedrico quebrando o silêncio – O que a Mônica disse é a mais pura verdade, chega de agirmos feito adolescentes, vamos provar pra eles que merecemos esses anéis. Estamos juntos nessa não é?

Todos concordaram com a cabeça.

- Então vamos dar um abraço coletivo – sugeriu Rony, fazendo todos rirem – Anda galera, antes que eu desista.

Quem estava sentado se levantou, e eles começaram a se juntar, até se abraçarem e formarem um círculo. Ficaram assim, olhando uns para os outros durante algum tempo antes de se soltarem.

- Eu amo vocês sabiam? – disse Rony animado, então de repente ele murchou – Mas tem um problema gente!

- Qual Ron? – perguntou Hermione assustada

- Quem vai contar isso pra mamãe? – perguntou ele cruzando os braços.

Houve uma série de resmungos de “Eu que não vou ser”.

- Podíamos contar depois de hoje, porque hoje ela ta enlouquecida com esse jantar pra Thereza. – comentou Gina

- Ah droga, é mesmo! – soltou Draco – Vamos fazer o seguinte...eu conto amanhã, mas...

- Mas o que Draco?! – perguntou Harry

- Vocês vão ter que me prometer que não vão sair todos de vez e me deixarem sozinho quando eu puxar a conversa! – disse sério

Todos concordaram de maneira estranha, e Draco ficou desconfiado.

- Posso confiar na palavra de vocês não é?! – assegurou ele – Olhem lá hein.

- Relaxa “Draquinho”, nós não vamos te deixar na mão! – falou Gina cínica

- Acho bom! – disse com uma careta – Ainda mais se esse jantar der errado.

Todos começaram a rir, menos Rony.

- Credo Malfoy, vira essa boca pra lá! – disse o ruivo rindo com eles depois.

Esse jantar ia ser sua ruína, mas fazer o que. Mulheres...

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