HOGWARTS SITIADA.



CAPÍTULO 30:


HOGWARTS SITIADA.


Existem poucas criaturas que conseguem arrancar árvores centenárias do solo, com a mesma facilidade com que se retira um tufo de erva daninha da terra fofa. E o largo e alto carvalho, que acabara de chocar-se contra a janela de onde a bruxa esquadrinhava o perímetro fora do castelo, denunciou a natureza de seu agressor pela facilidade com que fora lançado ao alto. Entretanto, os olhos de Minerva MacGonagall não conseguiam distinguir os gigantes na escuridão dos jardins. Ouvia-se com clareza seus brados, as paredes estremeciam sob a ação dos mortíferos punhos e pontapés, e as portas duplas de entrada para a escola rangiam em resposta aos golpes que levavam, mas não se podia enxergá-los.

Lupin aproximou-se, o semblante fechado denunciando a apreensão.

- Sprout levou os aldeões que vieram pedir abrigo para os dormitórios da Lufa Lufa. Pedi aos elfos domésticos que a ajudassem a tomar conta deles... Os que não quiseram abandonar suas casas estão sendo assistidos pelo ministro e os aurores que restaram.

- Deveriam todos ter vindo para cá! Que resistência as casas da vila terão contra isso?...

Figurando as palavras da diretora, nova e violenta pancada sacudiu as vidraças próximas. Os dois bruxos tomaram o rumo das escadas, enquanto MacGonagall perguntava pelos demais.

- Ron e Bull foram à Ala Hospitalar, manter os olhos em Harry. Ele com certeza exigirá participar da defesa... – Lupin quase sorriu. – Cada vez mais parecido com Tiago...

- Tiago jamais deixaria o filho lutar machucado como está. E nem nós o faremos. E as meninas?

- Tonks está com Gina e Moody na torre de Astronomia. Hermione está na biblioteca, procurando feitiços que atinjam os gigantes.

- Vamos para a torre também. Um panorama superior do ataque dessas criaturas será vantajoso. Se ao menos conseguíssemos vê-los...

- Hogwarts é uma fortaleza difícil de ser conquistada. Temos algum tempo...

Minerva abriu a porta que dava para a escadaria da torre de astronomia, e antes de subir com passos rápidos os muitos degraus, encarou brevemente a Lupin.

- Ninguém está conseguindo sair desses terrenos, nem com Pó de Flu, nem aparatação, chaves de portais ou mesmo com vassouras. Estamos presos aqui e o castelo não é inexpugnável! Não para criaturas de seis metros de altura, com nada mais que raiva no coração e força no corpo. E temos que pensar em Hogsmead também! Não temos tempo algum, Remo... Os gigantes são só a primeira frente de batalha. Todos sabemos quem está vindo, e por quem ele vem...

==*==


Harry enfiou as roupas de qualquer modo e saiu em busca de Madame Pomfrey, que lhe ordenara esperar um momento antes de deixar a enfermaria.

- Já que não posso azará-lo para que se mantenha na cama Potter, pelo menos me deixe ajudá-lo a manter-se em pé! – Dissera a tensa enfermeira, que agora caminhava a seu encontro, trazendo um pequeno cantil de couro nas mãos. – Beba isso de quando em quando e sempre que sentir os primeiros sinais de fraqueza ou dor.

Harry leu a inscrição na lateral do recipiente e arregalou os olhos para Madame Pomfrey, que limitou-se a responder de forma direta.

- Tenho isso guardado para casos de extrema urgência... Não consigo pensar em situação mais urgente que essa!

Nesse instante Ron e Bull, que carregava seu infalível rifle, adentraram com passos largos ao aposento, e apesar de ansiosos, sorriram ao encontrar Harry de varinha em punho, pronto para a briga.

- Aonde eles estão? – Perguntou secamente, caminhando para a saída.

- Boa pergunta! Não conseguimos vê-los. – Resmungou Ron, acompanhando-o para fora.

- Só ouvi-los. – Atalhou Bull, com o rifle apoiado no ombro e cara de poucos amigos. – Eles estão tentando de tudo para entrar aqui.

Harry parou a um passo da porta, e voltou-se para Madame Pomfrey.

- Deixe todas as camas e poções prontas, Madame. Acho que iremos precisar muito de seus serviços, antes do fim da noite. - Pomfrey assentiu, séria. - Como está a defesa? – Indagou Harry enquanto tomava o corredor para as escadas.

- Moody está na Torre de Astronomia, coordenando...

- Então vamos! Eu tenho um bom palpite do que Riddle usou para que não pudéssemos ver seus monstrengos...



A varinha de Moody estava quente em sua mão suada, e ele soltou uma imprecação alta, frustrado ao máximo com a situação. A seu lado, MacGonagall sequer pensou em lhe censurar, visto que ela mesma sentia ímpetos de xingar alto. Os invisíveis gigantes agora detonavam as pedras das paredes do castelo, e a julgar pelas risadas debochadas e roucas que emitiam escandalosamente, estavam tendo sucesso em escalar as muralhas, utilizando os buracos que abriam na secular estrutura.

- Onde estão as defesas mágicas do castelo? – Questionou Lupin, raivosamente, enquanto agitava a varinha para baixo, só conseguindo mais gargalhadas de escárnio com seu feitiço.

- Dispersas por um bruxo poderoso e esperto. – Respondeu Moody, verificando como Gina e Tonks estavam se saindo.- A função dos grandões lá embaixo é abrir caminho para ele.

Todos se entreolharam e depois voltaram a ação, atirando a esmo qualquer feitiço que lembrassem, pedindo secretamente por alguma inspiração salvadora.

Da porta às suas costas, a ajuda surgiu nas figuras de Harry e Ron, seguidos por Bull, que postou-se na abertura, parecendo decidido a não deixar que indesejados passassem por ali. Harry não fez caso das exclamações de Gina e MacGonagall, que o mandavam voltar para a enfermaria, e rumou diretamente para Olho Tonto Moody.

- Ele os desiludiu!

Ao mesmo tempo que Moody batia a mão na testa, castigando-se por não ter pensado nisto antes, Ron olhou incrédulo para Harry.

- Quer me dizer porque está preocupado com os sentimentos dos gigantes?

- Não é nada disso, garoto! Feitiço da desilusão! Um disfarce que já utilizei em Potter para tirá-lo da casa dos tios... Simples, mas eficiente!

As últimas palavras foram ditas com o ex auror já debruçado sobre a beirada da torre. Harry aproximou-se e o observou girar a varinha para baixo, mirando um pouco acima da onde os golpes tiravam lascas da pedra. Repetindo o murmúrio emitido por Olho Tonto, executou o mesmo feitiço, mirando um pouco mais para a esquerda.

Lentamente, como se tintas coloridas tivessem sido derramadas sob suas cabeças, os cabelos escuros e longos e as feições grosseiras e marcadas de dois gigantes surgiram lá embaixo. Utilizavam capas escuras e grossas, que tinham a surpreendente qualidade de rechaçar os feitiços que os bruxos lançavam. MacGonagall ordenou a Tonks e Bull que fossem até às estufas, do outro lado do castelo, para verificar se os gigantes haviam chegado até lá, e os desiludir também.

- Se precisar usar isso... – Recomendou, apontando para a arma trouxa nas mãos de Bull – Não hesite! - Ele bateu com dois dedos na testa, concordando, e seguiu Tonks para baixo.

Minerva então juntou-se a Harry e Moody, enquanto Gina, Ron e Lupin se colocaram na outra extremidade da torre, todos ajudando na desilusão. Logo cerca de trinta gigantes urravam e sapateavam, injuriados com o fato de terem sido descobertos. Invisíveis, os feitiços atirados sem mira contra eles haviam sido fáceis de desviar, agora essa vantagem não mais existia. Os gigantes se reuniram em torno do maior deles, que mesmo na distância que os separava, Harry pode perceber ser o mais furioso também. Calculou que fosse Golgomate, o atual Gurgue. A criatura olhou para cima, e bateu alternadamente os pés no chão, causando tremores no solo gramado. Ergueu a imensa clava, que trazia como arma, acima da cabeça, urrando alto e ameaçadoramente , antes de liderar o grupo na direção da porta principal.

- Eles desistiram de escalar! Vão derrubas as portas!

Enquanto todo o grupo corria para as escadas, a caminho do saguão, Harry ergueu a varinha para o alto.

- Accio Firebolt!

Gina, a última a alcançar a saída da torre, parou e voltou-se para ele.

- O que acha que vai fazer?

Harry bebeu um gole do cantil, já ouvindo sua fiel vassoura cortando o ar em sua direção, vinda da torre da Grifinória. A Firebolt parou a seu lado, na exata altura para que ele a montasse. Antes de alçar vôo, ele respondeu, olhando direto nos olhos de Gina.

- Distraí-los um pouco.... Tenha cuidado lá embaixo!

- Você também!




Tonks e Bull nem haviam chegado até as estufas. O barulho ensurdecedor de pancadas contra as portas e janelas de Hogwarts os trouxera para o saguão, e o resto do grupo os encontrou de fronte à entrada. Tonks segurava a varinha diretamente contra a madeira, provavelmente a enfeitiçando, enquanto Bull ficara uns vinte passos para trás, o rifle certeiro engatilhado.

- Precisamos afastá-los. – Berrou a auror por sobre o estardalhaço reinante.

Milagrosamente, os ataques contra a antiga madeira cessaram, embora os gritos fora aumentassem de intensidade. Gina explicou em tom urgente para os surpresos bruxos.

- Harry disse que os distrairia com a Firebolt...

- Sozinho? Por Merlin, temos que sair e ajudá-lo....

- Diretora! Espere!

Hermione desceu a escadaria de mármore tão rápida que quase não tocava os degraus. Parou junto de MacGonagall, mas olhou para todo o grupo.

- Conjunctivitus! Como os dragões... Seu ponto fraco são os olhos... Usem Conjunctivitus e eles baixarão a guarda... – Seu fôlego acabou, e ela aspirou o ar várias vezes, antes de completar. – Infelizmente, aos outros feitiços eles são quase imunes. Mirem olhos e boca,... e rezem. Onde está Harry?

- Lá fora. – Ron respondeu, já com os pés no limiar das grandes portas. MacGonagall olhou para Moody, ansiosamente constrangida.

- Nós saímos e você fecha as portas imediatamente...

- Essa perna não vai me deixar preso aqui dentro, Minerva! – O rugir poucas vezes fora tão furioso, mesmo em se tratando de Olho Tonto.

- Precisamos que alguém guarde a entrada...

- Nós faremos isso! – Neville surgiu do corredor que conduzia à cozinha, com Luna a seu lado. – Sprout nos mandou para ajudar. Ela e Flittwick foram para as estufas...

Gina agitou-se com o impasse, e cerrou os punhos contra o corpo.

- Harry está lá fora sozinho!

- Muito bem! Não temos mais tempo... Use Colloportus! O mais forte que conseguir conjurar, Neville!

- Sim! Podem ir!

MacGonagall e Moody giraram as varinhas, e uma estreita fresta abriu-se na entrada. Gina foi a penúltima a sair, antecedendo Moody, e a visão que achou do lado de fora a deixou sem pulsação por um momento. Harry não sobrevoava os gigantes a uma distância segura, como ela achou que ele faria. Disparava como um raio em todas as direções, passando por baixo dos braços e tirando finas das monstruosas cabeças, mudando sua vassoura tão rápido de direção que os gigantes mal conseguiam acompanhar-lhe os movimentos. Tal travessura deixara as bestas ainda mais raivosas, a ponto de se concentrarem apenas em caçá-lo, esquecendo de seu objetivo original. Agitavam suas enormes clavas pelo ar, tentando acertá-lo. Se um deles conseguisse, Harry teria seus ossos esmigalhados.

O grupo de bruxos abriu-se em leque, já alguns passos afastados das paredes do castelo, e aproveitando-se da distração provida por Harry, miraram os rostos dos gigantes mais próximos. Breve bastões de madeira caiam com estrondo no chão, enquanto seus donos levavam os dedos aos olhos, berrando em agonia. Tanto alarde foi o suficiente para chamar a atenção de todos os outros, que precipitavam-se de encontro a eles e também eram atingidos. Harry parou a vassoura no alto, analisando a situação. Até ali os bruxos estavam se dando bem, mas logo os gigantes reagiriam, apesar do incômodo causado em seus olhos. Talvez se os deixasse sem liderança...Guardou a varinha, e puxou a espada de Gryffindor, procurando com o olhar por Golgomate.

O grandalhão escondera-se por trás dos demais, deixando-os receberem os feitiços irritantes em seu lugar. Harry aproximou-se velozmente pelo lado, e ao passar pela medonha criatura, deixou que a lâmina da espada cruzasse as costas de Golgomate de ombro a ombro, antes de dirigir a Firebolt para o alto novamente, ainda mais rápido. Protegido por seu couro grosso e pela estranha capa, o corte não derrubou o Gurgue, mas com certeza o feriu. O gigante enlouqueceu de dor e ódio, e desatou a acertar golpes em todas as direções na intenção de pegar Harry. Arreganhando os dentes tão negros quanto seus olhos, Golgomate avançou para o grupo de bruxos, e seus iguais o seguiram. Lupin apenas berrou.

- FEITIÇOS MAIS FORTES!

E lançou um impedimenta que acertou a boca aberta e sem dentes de uma giganta que o escolhera por alvo. Porém, logo dois outros tomaram o lugar da enfeitiçada, e assim foi por todo o gramado. Preocupado com os amigos, Harry dirigiu a vassoura para o centro do grupo, pulando dela antes mesmo de chegar direito ao chão. Segurando a varinha em uma mão e a espada em outra, partiu para o ataque.

Tonks, Gina e Hermione continuaram enfeitiçando os olhos das feras. MacGonagall e Moody disparavam línguas de fogo que conseguiam mantê-los afastados, mas não chegavam a queimar as peles, semelhantes as dos rinocerontes, dos grandalhões. Harry, Lupin e Ron haviam deixado alguns zonzos com feitiços estuporantes, mas não mais que isso. Bull era o mais eficaz. Seus tiros haviam acertado cinco ou seis gigantes, que afastaram-se para a Floresta, ganindo alto. Não conseguira matá-los, mas machucou bastante. Isso não foi o suficiente, porém, e Harry flagrou-se disto quando escutou o grito de Gina. Golgomate, colérico com o ferimento, conseguira pegá-la, e agora a balançava no ar, segura pelas pernas. Todo ouviram o som de ossos quebrando e Gina gritou de novo, sem deixar de lançar feitiços em seu algoz.

- Gina! – Impensadamente, Harry, Ron e Hermione deram as costas aos seus adversários para partir em socorro da amiga, e tarde demais perceberam seu erro. O golpe que acertou Harry no meio do corpo o lançou a vários metros, espada e varinha atiradas longe, e por alguns segundos ele ouviu somente o baque de seu corpo contra o chão. A sensação era de que cada osso seu trincara-se. Os gritos voltaram a ressoar em seu cérebro, e ele puxou o ar, forçando-se a levantar. Como os olhos estivesse anuviados pela dor e choque, e seu ferimento tivesse voltado a sangrar, buscou por mais um gole do cantil em seu bolso. Logo tudo a seu redor tornou-se claro, e seu desespero aumentou.

Gina continuava presa no alto, sacolejada como um troféu, e aparentava estar desacordada. Hermione jazia igualmente imóvel a um lado do gramado. Ron corria como podia, desviando por entre os gigantes que haviam voltado a gargalhar, tentando chegar até a garota. MacGonagall e os outros continuavam se defendendo precariamente e não havia sinal de Moody. Foi então Harry ouviu um brado atrás de si e virou-se ligeiro naquela direção. Infelizmente, o gigante se encontrava muito próximo, e seu bastão de madeira já descia em direção à cabeça de Harry, que encolheu-se, esperando o impacto.

O que seguiu-se entretanto foi o som de mais passadas pesadas vindas da direção da Floresta. Os gigantes paralisaram os movimentos, escutando atentos. Golgomate desinteressou-se completamente de Gina, largando-a de qualquer jeito no chão, e o grandalhão que mirava Harry também o esqueceu, enquanto vasculhava a escuridão em busca da origem dos ruídos. Um segundo bando de gigantes, talvez uns quinze, sem as malfadadas capas, marchavam resolutos para eles. Harry e os outros sentiram toda e qualquer esperança se desvanecer, até distinguirem quem vinha liderando o grupo.

- HAGRID! GROPE!

Os nomes saíram como duchas de alívio de sua boca. Recuperando os movimentos, Harry disparou em direção ao local onde se achava Gina, levantando-a com cuidado para afastá-la do centro do perigo. Um pouco aliviado, verificou que ela respirava. Ron igualmente já carregava Hermione para longe da luta, e pela expressão duplamente preocupada do amigo, Harry soube que ela também estava ferida. Os dois alcançaram a entrada ao mesmo tempo, com suas preciosas cargas.

- Neville, abra! – Berrou Harry a plenos pulmões, e segundos depois as feições temerosas do colega surgiam por entre as portas da escola. Adentrando ao saguão, Harry depositou Gina cuidadosamente no chão, sendo imitado por Ron. – Chame Pomfrey e as leve com urgência para a Ala Hospitalar! – Confiando na presteza de Neville e Luna em ajudar as garotas, os dois rapazes voltaram para a briga no lado de fora.

No centro do gramado, uma guerra titânica acontecia. Gigante contra gigante. Embora em menor número, os recém chegados contavam ainda com a ajuda de Lupin, Bull, Tonks e MacGonagall. Sem falar em Hagrid e Grope, que juntos derrubavam um inimigo após o outro. A batalha parecia estar empatada. Buscando na memória por algo eficaz de forma definitiva contra os gigantes, Harry recordou-se de algo que aprendera na visita à mente de Riddle. Segurando o braço de Ron, sinalizou para que ele aguardasse, e respirou fundo, concentrando-se Erguendo a varinha, atingiu um a um todo o grupo adversário com um feitiço silencioso. As criaturas ainda despejaram por alguns segundos seus violentos golpes, mas pouco a pouco imobilizaram-se, parecendo confusos. Logo soltavam suas armas ao solo, fracos demais para segurá-las. Com medo dos companheiros de Hagrid, que permaneciam aptos, fugiram como os outros que haviam sido feridos por Bull, embrenhando-se na Floresta Proibida, tropeçando nos próprios pés como se estivessem bêbados. Os enormes amigos de Hagrid jogaram os punhos para o alto, vitoriosos.

- O que foi que você usou neles? – Perguntou Ron, boquiaberto.

- Uma dose de Lessonergi individualizada para cada. Não morrerão como os bruxos, mas também não darão trabalho para serem capturados por nossos salvadores ali... – Indicando o grupo que cercava os gigantes feridos, Harry dirigiu-se para lá.

- Harry! Você está bem? – Quis saber Hagrid, assim que pôs os olhos nele.

- Vou ficar... Hagrid, como? Da onde?...

MacGonagall e Lupin, que se aproximavam, assentiram para a pergunta.

- Eu lhes disse que Olímpia e eu tentamos trazer alguns deles para o nosso lado... Bem, há alguns dias esses aqui se instalaram nas montanhas aqui perto, dispostos a perseguir o Golgomate, e impedi-lo se houvesse jeito. Quando percebi o que rondava a Floresta, corri para buscá-los, enquanto Firenze foi avisar aos centauros que estes não são maus...Não avisei da presença deles antes, Diretora, porque exigiram que eu jurasse mantê-los em segredo.

O gigante que parecia ser o líder da Armada de Hagrid, como Harry passou a pensar nos impensáveis aliados que conseguira, aproximou-se e disse algo em um idioma incompreensível para o Guarda caças. Hagrid respondeu com algumas palavras e um gesto de agradecimento, e depois elucidou para os amigos.

- Hórk se despede aqui. Eles vão em busca dos que fugiram...

Harry caminhou até o gigante de cabelo cinza e olhar duro, e fez uma reverência. MacGonagall, Lupin e Ron o imitaram.

- Diga a ele que eu agradeço, Hagrid. Que todos nós agradecemos!

Hagrid traduziu para o gigante, que pareceu sorrir e devolveu o cumprimento. Após isso, comandou em voz alta seus companheiros, e arrastando os feridos pelos pés, eles seguiram para a Floresta.

- Sabe, eu não queria estar na pele do Golgomate... Ele fez inimigos ferrenhos entre os da sua espécie.

- Para nossa sorte, Hagrid. Para nossa sorte... – A diretora virou-se para Harry, que bebia mais um gole de seu cantil. Franziu os olhos para o gesto, mas quando perguntou foi sobre outro assunto.

- E Gina e Hermione?...

- HARRY! DIRETORA!

O tom de voz urgente de Bull os fez dispararem em sua direção sem demora. Encontraram-no ajoelhado ao lado do que a primeira vista parecia apenas um dos imensos bastões dos gigantes, abandonado na relva, com Tonks tremendo convulsivamente a dois passos dali. Só mais perto puderam constatar que havia alguém debaixo da pesada peça de madeira.

- Ah não! – Sussurrou Hagrid, enquanto MacGonagall estacava perplexa, e Lupin abraçava Tonks, desolado.

Harry sentiu seu estômago afundar diante do estado de Olho Tonto Moody. Respirava com dificuldade, tinha os olhos fechados e as feições desfeitas em agonia. Havia também um enorme corte na cabeça, que sangrava abundantemente. O que vencera o valente auror no entanto, era o fato de que seu corpo fora esmagado da cintura para baixo. Tonks escondeu o rosto no ombro de Lupin, e Minerva deixou cair os ombros, derrotada. Hagrid afastou os garotos um pouco, e Grope, que viera atrás do irmão, retirou a clava.

Harry ajoelhou-se ao lado do Chefe da Ordem da Fênix, que abriu um pouco os olhos.

- Granger... vai pegar Granger...

- Hermione está bem! Ron a tirou daqui... E os gigantes se foram!

Hagrid ajoelhou-se também, na intenção de levantar Olho Tonto, mas Lupin o impediu, fazendo sinal negativo com a cabeça.

- Maldita perna! – Rosnou fracamente o ferido. – Empurrei a garota... mas não fui rápido o bastante... - Uma das mãos agarrou o braço de Harry, apertando seus ossos em uma clara e forte demonstração de dor agonizante.

- Não se esforce para falar! Vamos levá-lo para Madame Pomfrey...

Moody enrijeceu a cabeça, gemendo baixo. Um filete de sangue chegou a seus lábios e escorreu pelo queixo. O rosto marcado por cicatrizes contorceu-se em um sorriso dolorido.

- Não adianta... – Apertando ainda mais seu braço, Moody murmurou sem voz. - Não se entregue... Potter... Pegue ele!...

Outra convulsão estremeceu o corpo atingido, e a mão que segurava Harry pelo braço relaxou, enquanto o rapaz via os olhos de Alastor Olho Tonto Moody fitarem o vazio, perdendo seu costumeiro brilho resoluto. Ele ainda respirou uma ou duas vezes, e então tudo ficou em silêncio.









N/A: Desculpem pela demora, mas tive problemas no trabalho que ainda não se resolveram completamente. Devo admitir, talvez o próximo capítulo também demore um pouco! Desde já me desculpo! Este é o fim da nota para os que acompanham e gostam da fic, e mesmo para os que não gostam, mas respeitam o trabalho alheio. Eu peço que não leiam o próximo parágrafo, pois ele de maneira nenhuma é dirigido a vocês! Beijos no coração de todos e de cada um e até o próximo capítulo!




Este parágrafo é para você, que tenta com tanto afinco denegrir minha fic, sabotando meus números na Floreios e Borrões, ou colocando comentários grosseiros na comunidade do Orkut. Quando comecei esta história, não acreditava chegar às mil reviews, ou aos 500 votos, então, nada do que você faça vai tirar o orgulho e a felicidade que tenho de ver onde ela já chegou. Deveria usar seu tempo disponível, que parece ser muito, e sua habilidade com um computador para escrever a melhor fic deste site ou de qualquer outro. Assim não precisaria se incomodar comigo, podendo inclusive acrescentar meu nome na sua lista de fãs.

Mas, com este comportamento que está adotando, só consegue rebaixar a si mesmo, provocando pena e condescendência. E acredite, esses amigos que agora soltam risadinhas de apoio à sua aparente esperteza, irão desaparecer assim que alguém ainda mais safo surgir. E então você se tornará apenas mais um perdedor, vítima das piadas que antes ensinava.

Em qualquer dos dois caminhos que resolva tomar, eu lhe desejo boa sorte, pois vai precisar!

Nada mais falarei sobre o assunto.



“Draco Dormiens Nunquam Titillandus!” - É um bom conselho...


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