Capítulo Quinze



Capítulo 15
ou The One Where Marlene Learns The Truth


- OH MY GOD! Você está falando sério?


- Não, Lily. Eu acho divertido mentir sobre essas coisas. – eu respondi sarcástica. Eu havia contado para ela o que havia acontecido na festa a fantasia.


- Oh my God! Você realmente gosta dele!


- Quer falar um pouquinho mais alto? Acho que o pessoal do outro lado da rua ainda não escutou.


Sentei-me no chão do meu quarto, apoiando as costas na cama. Era algo que eu raramente fazia, sentar-me no chão. Mas momentos como esse pediam por isso.


- Desculpa, mas é que eu fiquei animada com isso. – ela disse, sentando-se ao meu lado, tentando me confortar.


- É que... – eu bufei, pensando. – Está tudo tão confuso agora. Eu estava com Nigel, e estava tudo indo tão bem!


- Lene, você ainda está com o Nigel. – ela disse calmamente e eu a encarei.


- Meu Deus, o que eu estou falando? Como se tudo estivesse acabado entre nós! - eu parei, encarando a parede a minha frente. – Eu estou parecendo uma louca, não estou?


- Um pouco. – ela disse, temendo a minha reação.


- Ok. – eu disse, levantando-me. – Nada daquilo aconteceu na festa de ontem, e eu e Nigel estamos muito bem juntos.


- Você não pode fingir que aquilo nunca aconteceu, Lene.


- Veja e aprenda. – eu disse, sorrindo para ela.                                                  


xxx


- Vejo vocês na próxima semana! – Srta. Joy disse, e todos os alunos começaram a sair da sala. – Srta. McKinnon! – eu parei em frente a porta. – Podemos conversar por um instante?


Sentei-me na cadeira que havia em frente à mesa dela, desconfiada. O que ela tinha para conversar comigo depois da aula?


- Tenho notado que você e o Sr. Black estão um pouco distantes da aula. – ela começou.


- Sim, mas a culpa não é minha. Ele tem faltado em muitas aulas. – Isso era verdade. Desde a cena de “O Vento Levou”, ele passara a faltar com freqüência em diversas aulas.


- Eu sei disso. E também sei que essa aula não lhe agrada muito. – eu fiquei quieta e ela continuou. – E como o Sr. Black desistiu da aula estou lhe dando a chance de desistir também. – eu a olhei sem entender. – A Srta. não perderá nota. E nem o Sr. Black.


- Ele desistiu? – eu fiquei surpresa.


- Por motivos pessoais. – ela respondeu. – E não acho justo que você seja prejudicada na nota por estar sem um par.


- Posso responder isso amanhã, Srta. Joy? – eu perguntei levantando, e pegando minha bolsa. – Eu preciso pensar sobre isso.


- É claro. – ela respondeu, e saí rapidamente da sala em busca de respostas.


xxx 


No final das aulas, saí correndo para procurá-lo. Queria saber por que estava desistindo da aula. Quando cheguei no estacionamento, ele já estava saindo com sua moto. Ignorando as últimas semanas que eu vinha evitando-o, obedeci meu impulso e entrei no táxi que estava em frente à escola, deixando passageiros.


Era errado, eu sabia disso, mas minha curiosidade era muito grande. O motorista seguiu-o como pedi, e uns 20 minutos depois, eu estava parada em frente a um hospital. What the hell...?


Segui Sirius por dentro do hospital, e por mais que eu estivesse com medo que me perguntassem o que eu estava fazendo lá, ninguém parou Sirius, então não deveriam me parar também.


Até que ele entrou no quarto de número 306. Demorei alguns minutos até ter coragem de chegar perto da porta para ver dentro do quarto. Sirius estava sentado na beirada de uma cama, onde havia uma mulher deitada. Era a mesma que eu vi abraçando-o no dia do festival.


 E mais uma vez, vi aquele sorriso de felicidade no rosto dele.


- Posso ajudá-la, mocinha? – uma enfermeira perguntou. E encarei surpresa, sem saber o que responder. Saí de perto do batente da porta, com medo que alguém tivesse me visto ou ouvido a enfermeira.


- Ela está comigo, Jane. – Sirius disse ao meu lado, encarando-me seriamente.


- Tudo bem. Mas o horário de visitas já acabou, querido. – ela disse a ele carinhosamente.


- Eu sei. Eu volto amanhã. – ele agarrou meu braço e puxou-me para andar ao seu lado. Devo acrescentar que ele não estava sendo nada delicado. Com certeza os dedos dele deixariam marcas no meu braço. – O que você está fazendo aqui? – ele perguntou quando me soltou, no estacionamento do hospital.


- Eu queria saber porque desistiu da aula de Arte Moderna. – eu respondi calmamente, mantendo uma distância segura dele.


- Não é da sua conta. – ele disse, tirando o isqueiro do bolso e acendendo um cigarro. – E além do mais, porque quer saber? Você andou me evitando nessas últimas semanas.


Ele sentou-se no degrau da escada, ainda com o cigarro aceso. Estava irritado comigo. Extremamente irritado. Ele respirava fundo, aparentemente tentando acalmar-se. Sentei-me ao seu lado, um pouco distante. Não sabia o que falar, então disse a primeira coisa que me veio na cabeça.


- Fumar faz mal, sabia?


Ele apenas riu levemente, desta vez me olhando. Ele ainda tinha um ar irritado, mas parecia que agora estava se divertindo com meu comentário totalmente estúpido para aquele momento.


- Vamos. – eu levantei, indo em direção a moto dele e ele me seguiu curioso.


xxx


- Como você conhece esse lugar? – ele perguntou, enquanto eu tirava meus sapatos de salto.


- Eu costumava vir aqui quando criança. Meus avós moravam aqui perto. – eu respondi andando ao seu lado. Ele fez uma cara estranha. – Meus outros avós.


Não o culpava por ficar sem entender. Era extremamente difícil imaginar minha avó morando num bairro simples como esse. Sentei-me no balanço, sentindo a areia fria nos meus pés. Ele sentou-se no balanço ao lado. Sorri levemente ao perceber que ele sentara no balanço que havia o meu nome escrito.


- Sempre venho aqui quando preciso esquecer o resto do mundo. Achei que talvez você precisasse fazer isso.


O parquinho estava vazio, e as ruas à sua volta também, exceto por algumas pessoas que passavam rapidamente.


- Eu morava aqui perto. – ele disse, e eu o encarei surpresa. – Eu vinha aqui toda semana.


- Que improvável. – eu falei e ele riu. Desviei meu olhar para o resto do parque vazio. O sol já estava quase se pondo, e aquele silêncio horrível pairou sobre nós.


- Você pode me dar uma carona pra casa? – perguntei e ele assentiu.


Preferi não tocar no assunto do hospital, pois sabia que ficaria irritado novamente. Coloquei o sapato, sem importar-me com a areia que estava grudada no meu pé e peguei o capacete preto que ele me estendeu. Sentei-me na garupa da moto, e coloquei meus braços em sua cintura. O caminho até minha casa fora mais rápido que eu imaginava. E silencioso se não contar o barulho da moto e dos carros a nossa volta.


- Obrigada. – eu disse, entregando-lhe o capacete. Quando me virei para entrar em casa, ele me segurou pelo pulso.


- Escuta – ele disse, fazendo-me virar. – Sobre o hospital...


- Desculpa. Por te seguir. – eu o interrompi, sentindo meu rosto esquentar. Odiava ter que pedir desculpas. Especialmente para ele. – Você não precisa falar sobre isso...


- É a minha mãe. – ele também me interrompeu. Eu parei de falar, encarando seus olhos azuis. Eles tinham um ar sério. – Espero que isso cesse sua curiosidade.


- Um pouco. – eu respondi, tentando soltar-me de sua mão, mas sem sucesso. Ele estava segurando meu pulso com força.


- Porque me beijou na festa? – ele perguntou, chegando mais perto.


- O quê?! – eu perguntei, dando passos para trás. Ele realmente não sabia o que era “espaço pessoal”, pois estava cada vez mais perto e eu não tinha mais para onde ir, bati as costas no muro da casa. Coloquei a mão em seu peito para que ele parasse. – “Espaço pessoal” significa alguma coisa pra você?


- Não deve significar nada pra você, lembrando o que você fez na festa. – ele respondeu, arqueando a sobrancelha.


- Eu não fiz nada! Foi você quem me puxou primeiro!


Ele chegou mais perto, quase encostando seu lábio no lóbulo da minha orelha.


- Mas não fui eu quem puxou para o beijo. – ele sussurrou, e eu não me movi um centímetro. Ele se afastou, e deu partida na moto. Observei-o indo embora, e aquela raiva já tão conhecida minha surgiu. Porque não tenho reação nenhuma quando ele está por perto?


xxx 


- Está ansiosa para o baile de debutantes?


- Estou. – eu disse, e Nigel passou o braço pelos meus ombros. – Mal posso esperar pra ver você de smoking.


- Será melhor ainda ver você com qualquer que seja a sua roupa. – ele disse, beijando-me.


Fora um beijo diferente de todos os outros que ele já havia me dado. Havia algo a mais nele. Antes que eu percebesse, Nigel já estava deitado sobre mim, os primeiros botões de sua camisa estavam abertos e sua mão percorria toda a extensão da minha barriga e cintura por debaixo da minha blusa. Ele parou de repente, me olhando com aqueles olhos lindos.


- O que há de errado? – perguntei surpresa por ele ter parado de repente.


- Você já fez isso? – ele perguntou, ainda sem se mexer.


- O quê? Beijar? – ele arqueou as sobrancelhas, indicando que não era disso que ele estava falando. Oh. – Não. É um problema pra você?


Ele levantou-se e eu sentei-me no sofá, ajeitando a blusa.


- Não precisa ficar na defensiva quanto a isso. – ele disse calmamente, e então percebi que minha resposta não fora exatamente delicada. – Eu não vejo problema algum nisso. Eu te amo. Você sabe disso, né?


Eu o olhei, tentando esconder minha surpresa. Não havia pensado no fato de ele dizer que me amava. Então, coloquei minha mão em seu rosto, e o beijei levemente nos lábios mais uma vez para abraçá-lo em seguida.


- É, eu sei.


xxx


Eu estava no quarto, deitada na cama assistindo a uma maratona da quinta temporada de House, quando Lily entrou no meu quarto como um furacão.


- Você não vai acreditar no ba-ba-do que eu acabei de descobrir!


Rolei para o lado e apoiei-me no braço para dar espaço para ela sentar na cama. Geralmente os babados que ela me contava eram bons, e para ela vir me contar pessoalmente num sábado, deveria ser ótimo.


- Eu estava falando com a Dorcas, que ouviu da Héstia Jones, que conversou com a Emily Griffin, que...


- Direto ao ponto, Lily. – eu a cortei. Não precisava saber a fonte original.


- Ok. Adivinha quem conseguiu um contrato com uma gravadora?


Dei ombros. Não fazia a menor idéia.


- Bad Ass Jess? – perguntei por perguntar. Sabia que não podia ser ela. Lily pareceu desapontada com a minha resposta.


- Fala sério, Lene. Você consegue adivinhar melhor que isso. – quando dei ombros mais uma vez, ela suspirou revirando os olhos. – Um certo cara chamado Sirius Black. Conhece?


- O quê?! O mesmo Sirius Black que está lá embaixo trabalhando?


- Ele está aqui? – Lily perguntou, sorrindo. – Por favor me diga que ele está sem camisa! – ela disse correndo para a minha janela.


- Ele está na garagem. – eu disse, acabando com sua diversão. Ela virou-se para mim, com aquele sorrisinho de quem pensa algo errado.


- Como é que você sabe disso?


- Stella me contou, ok? – eu respondi começando a ficar irritada. – Como isso aconteceu? O contrato.


- Parece que também tinha caras de gravadoras no dia do festival. E que já estão planejando para ele ir para França e Escócia fazer shows se tudo der certo.


- Ok, agora você está inventando. Escócia e França logo de cara? Até parece. – eu me levantei da cama, saindo do quarto e Lily me seguiu rindo. O que Lily disse me incomodava um pouco. Não que ele não tivesse talento, mas será que essa história de contrato era mesmo verdade?


  


N/A: Olá! :D  Fala sério, nem demorei tanto assim pra postar o capítulo! E o próximo já está pronto, e se eu não mudar de idéia será o de Natal. (E daí que já passou o Natal, certo? hehe) E está tão fofinho, acho que vocês vão gostar. :)


Obrigada a quem comentou: Polie (que também me fez uma capa suuper gata!), Mily Cullen, Fê Black Potter, M. Smith e F. Dawson, Nina H., Marlene Black, Bruna Granig Valente, dominique., Viic B., Aneenha-Black, Mila Pink, Biancah.


Então pessoal, meu ano de vestibulanda acabou e agora começa o ano de faculdade! Por isso, já sabem o motivo das futuras demoras. Estou tentando adiantar o máximo possível agora nas férias para ter os capítulos já prontos.

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Comentários (1)

  • Lana Silva

    Ual...A mãe de Sirius no hospital...Nossa agora queria saber o que ela tem O.O

    2011-12-12
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