Capítulo Nove





Capítulo 9
ou The One With Damon Salvatore


- Holly, I’m in love with you.


- So what?


- So what? So plenty! I love you, you belong to me!


- No. People don’t belong to people.


- Of course they do!


- I’m not gonna let anybody put me in a cage!


- I don’t wanna put you in a cage, I wanna love you!¹


Então era isso? Ele realmente achava que eu era uma bitch. No sentido literal da palavra. O filme terminou, e eu apenas continuei encarando a televisão.


- Então, - ele começou, quebrando o silêncio que havia. – que cena vamos fazer?


- Ela é... uma garota de programa. – eu comecei, virando para ele. – É isso que você acha de mim? Que sou uma vadia?


- O quê? Não! – ele me encarava como se eu fosse louca. – Você não entendeu...


- Eu não entendi? – agora eu estava irritada e me levantei rapidamente do sofá. Estávamos a sala de televisão, fomos para minha casa depois da aula para assistirmos o filme. Eu comecei a falar, andando de um lado para o outro. Nem sabia o que estava dizendo, eu estava tão irritada que comecei a falar tudo que vinha a minha mente. Algo que, como diriam meus pais, era ‘típico da Marlene’.


Eu me virei para encará-lo mais uma vez, só que ele estava atrás de mim. E me segurando pelos braços, empurrou-me contra a parede que havia atrás de mim. Ainda me segurando pelos braços, ele abaixou um pouco para me encarar melhor. E mais perto. Tão perto que conseguia ver o quão azuis eram seus olhos. Escuros, mas ainda azuis.


- Pare. – a voz autoritária dele somada com o que ele acabara de fazer comigo, me impediram de mover. E, por um momento, achei que ele iria me beijar. Mas ele apenas me soltou e ficou de costas, se afastando. – Olha, se isso te faz se sentir melhor, sinto muito por ter te chamado de ‘Bonequinha de Luxo’. – ‘Me sentir melhor?’ Ele só podia estar zoando com a minha cara. – E o que tem de mais eu ter ido ao treino? Você também foi lá, ficou assistindo e babando por aquele cara o tempo todo.


Eu tinha mencionado o treino? Talvez seja melhor eu começar a editar os meus pensamentos antes de falá-los em voz alta.


- Eu não estava babando pelo Nigel! Aquelas pirralhas que estavam. – respondi cruzando os braços.


- Yeah, right. – ele respondeu, revirando os olhos. Ele estava revirando os olhos para mim e sendo sarcástico? – Olha, vamos direto ao trabalho. Não estou a fim de ficar discutindo e tenho certeza que você também não.


- Que seja. – eu respondi emburrada, sentando novamente no sofá, e pegando o caderno para anotar tudo que precisaríamos para fazer a cena. – Eu gostei da cena que ela canta a música.


- Tudo bem. – ele respondeu prontamente, dando ombros e saiu da sala, encostando a porta.


Nem perguntei aonde ele ia. Ainda estava tentando me acalmar da discussão que acontecera há poucos minutos. Eu estava rabiscando a folha do caderno quando ele voltou alguns minutos depois, carregando um violão em suas mãos.


- Belo violão. – eu comentei e era verdade.


- Valeu. É uma Gibson J-45 Standard.² – eu arqueei a sobrancelha, o encarando. Era óbvio pela minha expressão que eu não fazia idéia do que ele estava falando. – Lola é meu amor.


- Você deu um nome ao seu violão? – minha vontade era de rir.


- Você não dava nomes às suas bonecas quando criança? – ele retrucou, arqueando a sobrancelha.


- Verdade. – eu respondi, colocando o caderno de lado. – O que fazemos agora?


- Primeiro você vai ter que aprender a tocar ‘Moon River’.


 


- O quê? – perguntei num impulso. - Eu não acho que isso seja uma boa idéia. Eu não toco violão.


 


- Eu sei disso. Dá pra ver pelos seus dedos que você nunca tocou uma nota na sua vida. – eu ia responder, quando ele me interrompeu. – Aqui. – ele me estendeu o violão, e eu o peguei.


Era muito mais leve do que aparentava ser. Coloquei em meu colo, e ele se agachou ao meu lado. E começou me mostrando onde ficava cada nota nas cordas para depois me ensinar a tocar a música.


- Você conhece essa música de cor. – eu comecei, e ele assentiu. – Porquê? Não me parece o tipo de música que caras aprendem porque querem. Você é gay?


Ele riu.


- Não, eu não sou. Minha mãe ama esse filme. E é fã da Audrey Hepburn. Aprendi a tocar de presente para ela. – eu assenti, desconcertada. Nunca havia passado pela minha cabeça que ele pudesse ter aprendido essa música pela a mãe dele.


- Então é assim? – E comecei tocando as poucas notas que havia aprendido. Pela expressão que ele fez percebi que havia errado alguma coisa.


- Quase. Deixa eu te mostrar. – ele levantou e foi até atrás do sofá e de mim. Ele se inclinou para frente, colocando seus braços sobre os meus. De alguma forma, aquilo foi, para mim, desconfortável. – Na verdade, você coloca o dedo aqui – ele pressionou o meu dedo no violão. – quando você for tocar essa nota. E depois aqui – e moveu meu dedo mais uma vez. – para a próxima nota.


Eu conseguia sentir seu hálito batendo no meu pescoço e quando sua mão tocou na minha, estava muito quente.


- Entendeu? – senti ele virar um pouco a cabeça do meu lado, provavelmente para tentar me olhar melhor. No momento em que eu assenti, a porta da sala foi aberta. E quem entrou na sala foi minha avó.


- O quê está acontecendo aqui? – ela perguntou, tentando ser educada e calma, mas sem sucesso.


Olhei para Sirius, ele havia saído de perto de mim quando a porta abriu, e agora encarava qualquer canto da sala, menos onde minha avó estava. Percebi que este seria um ótimo momento para irritá-la.  


- Vovó! – eu levantei animada, depois de colocar o violão no sofá. – Este aqui é o Sirius. – eu disse pegando a mão dele, e puxando-o para que ficasse ao meu lado. – Estamos fazendo um trabalho da escola.


- Sim, eu o conheço. – Sirius cumprimentou-a com a cabeça. – Vocês já terminaram?


- Ainda não. – eu continuava sorrindo, enquanto ela nos encarava e a mão dele que eu ainda segurava.


- Só queria ver quem estava aqui. – ela respondeu, ainda com uma cara azeda. – Seu avô deve chegar daqui a meia hora para o jantar. Quero você à mesa, de preferência pronta, Marlene. - e saiu da sala.


Continuamos parados na mesma posição, até que ele se movimentou levemente eu soltei sua mão.


- Eu não posso perder o meu emprego, sabia?


- O quê? 

- Se você continuar me usando para irritar sua avó, vou acabar indo pro olho da rua! – ele estava irritado comigo, isso era óbvio. – Ela já não gosta de mim, e se você continuar com isso... – ele respirou fundo antes de continuar. - Eu não posso perder esse emprego.


- Desculpe. Não se preocupe, você não vai. Posso ser fútil ou idiota, mas não suporto injustiça.


- Que horas são? – ele perguntou, tentando mudar de assunto. Olhei meu relógio de pulso Gucci.


- Cinco e quarenta.


- Merda. – ele resmungou, indo pegar seu violão no sofá. – Tenho que ir agora, você quer continuar isso amanhã, depois da aula?


- Ok, pode ser.

E foi embora correndo.


xxx


- Acho que ele gosta de você. – Lily disse, no dia seguinte, depois que contei todo o ocorrido da tarde anterior. Estávamos saindo do vestiário. Eu havia conseguido escapar de uma aula de Ginástica, mas não de duas.


- Eu acho que não.


- Ok, então você gosta dele.


- Não!


- Você disse que achava ele bonito.


- Não foi você mesma que disse que só porque eu achava um cara bonito não significava que eu gosto dele? Espere, acho que foi!


Avistei Nigel do outro lado da quadra interna. Estava chovendo, o que não é uma grande novidade em Londres.


- Por outro lado... – Lily começou sorrindo – Nigel está super afim de você. Ele beija bem?


- Eu não beijei ele. Ainda.


- O que diabos você está esperando? – ela perguntou, chocada. – Sabe, eu tenho as pirralhas no meu Facebook e elas postaram as fotos dele no treino. E... uau!


Eu ri, observando Nigel. Ele era muito bonito e levemente bronzeado, se diferenciando dos outros alunos. Eu gostava dele.


- Mas... – Lily continuou e eu fiz uma careta. Geralmente quando ela fala ‘mas’ significa que alguma coisa que eu não vou gostar vem por aí. – O outro também é muito hot. Ele tem um jeito misterioso e sexy ao mesmo tempo, sabe? Tipo Damon Salvatore.


- Damon quem?


- ‘The Vampire Diaries’, lembra? – ah. Era uma das séries que Lily adorava assistir. Nunca vi graça em séries desse tipo. Eu era mais em assistir meus seriados médicos mesmo. – O Damon é o vampiro malvado, o super gato de cabelos escuros e olhos claros.


Olhei para Sirius que conversava com os outros garotos. Pelo que eu me lembrava do vampiro da série, ele até que era bem parecido fisicamente. Alto, cabelos escuros, jeito misterioso. Tipo um bad boy. Tirando os olhos muito claros, diria que ele poderia ser um sósia mais novo do ator.


Um barulho alto de um apito desviou a minha atenção.


- Vamos lá meninas, ânimo! – a professora berrou.


- Porque ela tem que ser tão...? – perguntei a Lily, fazendo uma careta.


- Pois é. Acho que ela precisa de um namorado. Fiquei sabendo que o cara com quem ela estava saindo deu um pé na bunda dela. – Lily cochichou de volta.


- Vocês gostariam de compartilhar conosco a sua conversa meninas?


- Não, professora.


- Muito bem. Basquete! O time perdedor terá que fazer 50 abdominais! – e apitou, dividindo os times.


xxx


- Não foi justo! Ela colocou todas as boas jogadoras no seu time!


Lily revirou os olhos. Ela adorava esportes e era boa neles, ao contrário de mim.


- Hey. - Eu senti alguém tocar levemente no meu braço. Era Sirius. – Vamos agora?


- Claro. – eu respondi. – Só um minuto.


- ‘Vamos agora?’ – Lily imitou, quando estávamos mais distantes dele. – Que sexy. Onde e mais importante: o que vocês vão fazer?


Revirei os olhos.


- Não é nada disso que você está pensando. Vamos fazer o trabalho de Arte Moderna.  


- Que chato! – ela disse, desapontada. – Vocês poderiam fazer alguma coisa mais... produtiva. E divertida também.


- Tchau Lily! A gente se fala depois. – eu disse cortando o assunto e andando em direção a Sirius.


- Você é uma ótima jogadora de basquete. – ele disse, assim que cheguei ao seu lado e começamos a andar juntos.


- Cala a boca. – eu respondi, enquanto ele ria. Eu não estava com ânimo no momento. Afinal eu fui obrigada a fazer 50 abdominais porque o meu time incompetente perdeu, e estava sentindo uma dor nas costas infernal.


Ele não disse nada, apenas ficou rindo da minha cara durante metade do trajeto até a sala de música. Escolhemos aquele lugar para que não atrapalhássemos ninguém com o barulho do violão. Sirius não aceitou voltar para a minha casa depois do que aconteceu na tarde anterior. Eu não insisti.


- Ok, então você lembra das notas que eu te ensinei ontem, certo? – ele perguntou, sentando no chão. Havia várias cadeiras lá, mas de alguma forma, ele parecia mais confortável sentando-se no chão. Eu o imitei. Agora estava usando meu shorts de barra italiana Dolce & Gabanna, então sem problemas.


Ele me entregou o violão, e comecei a dedilhar as primeiras notas.


- Muito bom. – ele disse realmente surpreso. E continuou mostrando-me as notas que viriam a seguir. Até que certo momento, ele colocou seus braços por trás de mim, para me mostrar quais notas eram as certas e um deja vu aconteceu. Eu conseguia sentir o hálito dele no meu pescoço, suas mãos pareciam que pegavam fogo de tão quentes que eram perto das minhas. E agora, para piorar minha situação, ele emanava um cheiro entorpecente que eu não sabia o que era, mas parecia uma mistura de sabonete e menta.


Inconscientemente fechei os olhos, e respirei fundo. Aquele perfume dele era irritantemente bom.


- Entendeu? – a voz rouca dele, perguntou na base do meu ouvido. Abri os olhos rapidamente, e fiquei tensa. Deus, o que estava acontecendo comigo? Achando o perfume dele bom? Suas mãos quentes?


- A-acho que sim. – eu disse, tentando me livrar dos braços dele. – Moon river, wider than a mile. I’m crossing you in style… someday. Oh, dream maker, you heart breaker; wherever you’re going I’m going your way.


- Nada mal. Você tem uma boa voz.


- Uau, obrigada. – eu respondi surpresa, sorrindo.


- É verdade. - Ele sorriu levemente também. - Nós temos que ir. – ele disse de repente, se levantando e tirando o sorriso do rosto.


- Porquê?


- Porque já são quase sete horas e eu tenho quase certeza que ouvi passos vindos do corredor.


 - Você disse que tinha conseguido permissão para usar a sala de música. – eu me levantei também. Se alguém nos pegasse no colégio, sozinhos a essa hora, com certeza levaríamos detenção, ou até mesmo suspensos. Eu não estava nem um pouco afim de ficar ali para descobrir.


- Eu menti. – ele disse, colocando o violão em cima da mesa, e indo até a porta verificar se alguém vinha.


- Como é que é? – eu perguntei um pouco mais alto que deveria. A porta se abriu do meu lado, e ele me empurrou com tudo para o canto escuro da sala que não pegava a luz que vinha dos postes do lado de fora. Senti minhas costas baterem com força na parede, e só não comecei a brigar com ele porque estava com medo que alguém nos pegasse. E também porque ele tapou minha boca com sua mão áspera e quente.


Naquele momento, senti que parei de respirar. O zelador que abrira a porta olhou rapidamente pela sala e saiu, trancando a porta, em seguida. Enquanto seus passos ecoavam pelo corredor, ficamos quietos para nos certificar que ele não nos ouviria. Enquanto a sua mão direita estava tapando a minha boca, a esquerda estava na minha cintura, me prendendo contra a parede. Eu não conseguia ver seu rosto, mas sabia que ele estava muito próximo, sentia sua respiração bater em meu rosto, junto com seu hálito, que agora eu sentia, era de menta.


Senti meu corpo inteiro esquentar, e minha respiração falhar. Ele tirou a mão do meu rosto, para apoiá-la na parede, do meu lado. Senti ele respirar fundo, aparentemente mais tranqüilo. Eu tentava fazer o mesmo, mas parecia impossível à distância que estávamos um do outro.


- Todo mundo mente. – ele disse com a voz rouca, chegando mais perto, se é que era possível.


- Dr. House disse isso. – eu retruquei, enquanto ele se afastava de mim.


- É uma série legalzinha. – Legalzinha? House não podia ser considerada legalzinha. Mas preferi não discutir.


- Como vamos sair daqui? O zelador trancou a porta. – eu perguntei cruzando os braços.


- É, eu reparei. – ele retrucou, e olhou pela sala, pensando. – Já sei.


Ele abriu uma das janelas da sala, com grande facilidade.


- Você só pode estar brincando.


- Quer sair daqui ou não?


Bufei, e fui em direção à janela.


- Depois de você, milady. – ele disse, sorrindo torto. Ele ofereceu sua mão para me ajudar, e eu fiz questão de não aceitar. Saí facilmente pela janela, e a nossa sorte foi que estávamos no térreo.


Enquanto caminhávamos em direção ao estacionamento da escola (que ficava nos fundos), vasculhei minha bolsa em busca do meu celular.


- O que você ‘tá fazendo? – ele perguntou assim que viu o celular na minha mão.


- Ligando para James vir me buscar. – disse como se fosse óbvio. E era.


- Eu posso te dar uma carona. – ele disse, e eu aceitei. Eu ainda estava em dívida com James do dia em que saí com Nigel e eu não pretendia aumentá-la.


Chegamos no estacionamento e só havia um carro (provavelmente do zelador) e uma moto preta que também não parecia muito nova.  


- Aqui. – ele disse, estendendo o capacete que tirara da mochila e eu peguei. Coloquei o capacete e subi na garupa atrás dele.


Coloquei minhas mãos em sua cintura, e ele deu partida. O caminho até minha casa fora rápido, mas gostaria que tivesse demorado mais. Ele parou em frente ao portão dos fundos, como eu havia pedido. Era o caminho mais curto e menos doloroso para eu chegar até o me quarto. 


- Obrigada. – eu disse, entregando-o o capacete. – Até amanhã.


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 N/A: Não reclamem, estou postando rapidinho! Aliás, eu que devia reclamar, postei os dois capítulos e quase ninguém comentou! Bom, muito obrigada a Lari_sl (obrigada! E aí, o que achou desse capítulo?), Michelle Freire (sim, Lene muito safada!), M. Smith (sim, SM para sempre! É, o N é um daqueles carinhas perfeitos e tals que as meninas sempre se apaixonam!), MMcK (Haha, a parte das mensagens foi uma das minhas favoritas do capítulo. Qual a sua parte preferida do capítulo 9? Ah, e pode deixar, a Lene ainda tem algumas coisinhas pra dizer pra avó dela!), Tainá Rodrigues (Tive altos ataques imaginando a cena do futebol, admito! :P), vanessa. (você está perdoada, mas depois quero saber o que você achou dos capítulos!).


Ah, eu gostei do final do capítulo! *-* Esse Sirius bem que podia ser de verdade, né? Meu notebook voltou são e salvo para mim essa semana. A única coisa que perdi foi os favoritos da Internet (menos mal!). Comentem por favor, né gente! Postei esses últimos capítulos bem rapidinho!
Beijos!


¹. Cena do final de 'Bonequinha de Luxo', filme estrelado por Audrey Hepburn e George Peppard.
². Não entendo nada de instrumentos musicais, mas quando pesquisei a foto do violão, apareceu essa foto, e é extamente como eu imagino o violão do Sirius:

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Comentários (1)

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