Capítulo Onze



Capítulo 11
ou The One With Trust Exercise 



- Lene, você está afim dele.


- Pelo amor de Deus, Lily! – eu berrei, e algumas pessoas viraram a cabeça, na nossa direção. Então continuei num tom mais baixo. - Pela milésima vez, eu não estou!


- Então, como explica o encontro que tiveram?


- Não foi um encontro! Meu encontro era com Nigel.


- Que te deu um bolo. – ela disse sorrindo, enquanto cruzava os braços. – E o sósia do Ian Somerhalder te fez companhia, e – muito importante – pagou seu jantar. É assim que se sabe se é um encontro. ¹


- Ele só estava querendo ser educado. – eu disse, andando em direção ao Starbucks. – Afinal, foi ele quem me chamou pra jantar.


Parei em frente a ele, olhando o menu que ficava na parede atrás do balcão e tentando decidir o que ia pedir. Me lembrei do que o personagem do Tom Hanks falou em “Mensagem Para Você”. Que lugares como Starbucks é para pessoas sem habilidade de se decidir, tomarem seis decisões para comprar apenas café.


- Você gosta dele. – Lily disse, atrás de mim. Será que ela não tinha percebido que eu tinha ido para lá exatamente para não ter que continuar falando disso?


- Eu não quero falar sobre isso agora. A Emmy te ligou falando da festa que ela vai fazer? – disse, tentando fazê-la mudar de assunto.


- A de Halloween para comemorar o aniversário dela junto? Já. – ela respondeu, olhando para o menu do Starbucks, provavelmente pensando no que ia pedir. – Acho que já até sei o que vou usar.


- E já até sei quem vai ser seu par na festa. – eu disse, arqueando a sobrancelha e sorrindo maliciosamente, do mesmo modo que Lily fazia comigo. 


- Ah, só em sonhos seu primo seria o meu par para a festa! – ela disse, rindo, para depois fazer o pedido ao atendente do Starbucks.


- Eu não estava pensando em James e sim naquele carinha da balada que fomos. – eu disse calmamente, pagando pela minha bebida. – Mas se você pensou em James, significa que você quer ir com ele! – eu terminei, fazendo com que o queixo dela caísse, provavelmente achando que eu era louca. – E nem tente negar, Lily, dá pra ver de longe a química entre vocês.


Lily não respondeu; apenas bufou, revirando os olhos, para depois pegar seu mocha frapuccino e sair andando. Eu ri, pegando o meu frap de chocolate, indo atrás dela.


Saímos da galeria onde estávamos, atravessamos a rua, chegando no colégio. Nigel me esperava na entrada, e sorriu timidamente para mim.


- Vou deixá-la a sós com o segundo cara mais gostoso deste colégio. – ela disse, para depois sair de perto de mim.


- Quem é o primeiro? – eu perguntei num tom alto, pois ela ainda se afastava de mim. Virou-se para me encarar, enquanto continuava andando, agora de costas.


- Damon Salvatore! – ela berrou, rindo depois, provavelmente da minha cara.


- O que vocês estavam falando? – me assustei com a voz de Nigel bem ao meu lado. – Porque você está vermelha?


Automaticamente coloquei a mão na bochecha, sentindo ela quente.


- Deve ser a maquiagem. – eu disse, o olhando. – Não falávamos nada de interessante. ‘The Vampire Diaries’. Quer conversar sobre isso?


- Achei que não gostasse desse programa.


- Lily me fez assistir alguns episódios e admito que estou começando a gostar. – menti descaradamente.


- Me desculpe por ontem. – ele começou, desviando seu olhar por um momento do meu. – Meu pai teve alguns problemas no trabalho, e eu tive que ajudá-lo.


Nigel trabalhava na empresa do pai. Era algo que me impressionou de primeira, mas naquele momento, não me impressionou nem um pouco. Me perguntei o porquê.


- Tudo bem, eu já te disse. – eu respondi, sorrindo.


- E é por isso que... – ele deu um sorriso de criança travessa, e tirou o braço de trás das costas, me estendendo uma rosa vermelha. – Eu te compensarei o resto depois.


Peguei a rosa da mão dele, ainda sem dizer nada, com um sorriso meio bobo no rosto. Já havia recebido flores antes, e mesmo que eu achasse rosas vermelhas completamente clichê do clichê, ainda era fofo o que Nigel fez.


Ele me acompanhou até a sala, me deu um rápido beijo de despedida e foi até a sua sala.


xxx


Depois do almoço, fui para a aula de Arte Moderna, ainda carregando a rosa com meus livros e cadernos. Não sabia o porquê, mas não consegui guardá-la no armário.


- Rosa vermelha. Muito original. – uma voz sarcástica disse logo atrás de mim quando entrei na sala.


- Como se você pudesse fazer melhor. – eu disse, sem me dar ao trabalho de olhar para trás.


Sentei na cadeira e ele se sentou ao meu lado. Ele se aproximou, apoiando o cotovelo no braço da cadeira, e disse, abaixando o tom de voz:


- Eu posso fazer muito melhor. – eu não me movi um centímetro, nem olhei para ele. Tentei ao máximo não me afetar pela voz rouca que disse isso ao pé do meu ouvido. E então, srta. Joy entrou na sala.


- Bom dia, todos sentados! – ela dizia alegremente, com um sorriso no rosto. – O trabalho desta semana será escolhido por mim, especialmente para cada dupla. Vocês terão que interpretar a cena do filme que eu determinar a vocês, mas agora, na frente dos outros alunos!


- Dos outros alunos, você quer dizer... – eu comecei.


- Todos os alunos da escola que estão nos dois últimos anos. – Oh God. Eu tenho a sensação que isso não vai ser nada bom. – Esse trabalho tem a finalidade de melhorar o seu relacionamento com a sua dupla. Sei que alguns não gostaram muito dos seus parceiros, mas acredito que depois desse trabalho, todos adorarão esta aula!


Ela passou por cada dupla, entregando o roteiro da cena que deveriam interpretar. Dei um sorriso animado quando ela entregou o nosso. Era de “O Vento Levou”.


- Vejo que gostou, senhorita McKinnon.


- É um dos meus filmes favoritos. – respondi, abrindo o roteiro para ler qual era a cena. Parei de respirar assim que li a palavra beijo. Eu sabia. Meu sexto sentido sempre está certo quando digo que algo não vai ser bom.


- Bem, a apresentação será semana que vem, o clube de teatro vai fazer os figurinos de vocês, e não se preocupem, essas cenas não demorarão mais do que 5 minutos cada. Vocês serão dispensados da aula de ginástica dessa semana para ensaiarem no auditório. E terão alguns ensaios extras no período da tarde, começando amanhã, depois da aula!


xxx


- Meu Deus! Estou com tanta inveja! Você vai beijar os dois caras mais gostosos desse colégio! – Lily berrou, rindo. – Quero dizer, você já está beijando o segundo.


- Shhhh! – eu briguei. – Fala baixo!


- Porque? Daqui a uma semana todo mundo vai saber mesmo. – ela disse dando ombros, e eu a encarei fazendo cara feia. – Mas tudo bem. Vou ficar quieta só pra evitar o olho gordo da Bad Ass Jess e das outras garotas.


- O que eu vou fazer, Lily?


- Beijar ele, é óbvio! – ela disse, me olhando como se eu fosse louca. Eu não respondi, ainda não sabia o que ia fazer quanto a essa história. – Pense que será algo estritamente profissional, um beijo técnico. – ela deu um sorrisinho malicioso. – Mas, se você for esperta dá pra aproveitar, né?


- Lily!


Ela praticamente gargalhou, e quando ficou mais calma, respirando fundo, disse:


 – Você está com medo de beijá-lo.


- O quê? – eu falei, um pouco alto demais, pois algumas pessoas que estavam mais distantes no pátio, viraram para nos encarar.


- É. – ela dizia, fazendo uma expressão como se tudo fizesse sentido. - Você está com medo de beijá-lo porque está com medo de sentir alguma coisa. O que significa que você realmente gosta dele!


- Não gosto!


- Subconscientemente, eu quero dizer.


- E é por isso que eu odeio psicologia. – eu levantei, pegando a minha bolsa, enquanto Lily me seguia, ainda rindo.


xxx


- Muito bem, vamos começar com exercícios de confiança. – srta. Joy disse, e todos olharam sem entender. - Se vocês não confiam no seu parceiro, como esperam fazer bons trabalhos?


Estávamos todos no palco do auditório do colégio ensaiando nossas cenas. Ou era o que deveríamos estar fazendo. Srta. Joy mandou as garotas ficarem à frente dos garotos numa distância segura. 


- Agora, vocês irão cair para trás, e eles impedirão que vocês caiam no chão! Vamos!


Todos estavam relutantes quanto a isso. As garotas, na verdade. Afinal, quem iria se machucar caso algo desse errado éramos nós. Olhei para trás, e ele me esperava com os braços esticados.


- Eu não vou te deixar cair. – ele disse, com a voz entediada. – Confia em mim.


Eu respirei fundo, fechando os olhos e tentei relaxar. Estiquei os braços para os lados e soltei meu corpo, que foi para trás com tudo. Eu sentia que estava chegando cada vez mais perto do chão, quando parei bruscamente. Abri os olhos automaticamente e o vi, de ponta-cabeça, me encarando com aqueles olhos azuis maliciosos.


- Eu disse que não ia te deixar cair. – ele falou, com aquele sorriso torto, arqueando a sobrancelha. Ele puxou-me, colocando-me de volta a posição original.


E depois de uma série de exercícios, srta. Joy se pronunciou.


- Ótimo! Vejo vocês na próxima aula. – ela disse, e quando me virei para ir embora com o resto dos alunos. – Exceto você srta. McKinnon. E você, sr. Black.


Eu parei, encarando-a, e vi que Sirius fizera a mesma coisa.


- Liberei os outros alunos mais cedo, mas vocês terão que ficar. – ela disse, andando em nossa direção. – Vi que vocês não interagiram tão bem quanto às outras duplas. Então, gostaria de fazer um exercício extra com vocês.


- Okay. – Sirius respondeu numa mistura de tédio com relutância.


- Muito bem, então. Marlene, suba neste degrau aqui. – ela disse, indicando o degrau de um cenário que estava montado. E você Sirius, fique aqui. – ela disse o posicionando exatamente na minha frente, um degrau abaixo, fazendo com que nossos olhos ficassem na mesma altura.


- E agora? – eu perguntei, cruzando os braços.


- Agora eu gostaria que vocês olhassem nos olhos um do outro. Não conversem. Eu gostaria que vocês absorvessem o máximo dos olhos da pessoa á sua frente. Isso ajudará muito na hora de apresentar a cena.


Senti como se estivesse brincando de quem risse primeiro perdia. Só que desta vez eu não tinha a mínima vontade de rir. Nem Sirius. Mas ele parecia disposto a “ganhar” o jogo, pois me encarava seriamente. Eu tentava pensar em tudo, menos no fato de que ele estava  a alguns centímetros de distância. Tirei todos os pensamentos da minha mente e comecei a contar as nuances de cores que eu conseguia distinguir na íris de seus olhos. Afinal, era o único lugar para o qual eu podia olhar.


O azul de seus olhos, ora cristalino, ora escuro como petróleo, era confortante e ao mesmo tempo me incomodava. Não sei quanto tempo ficamos assim, minutos com certeza. Até que a srta. Joy me tirou do transe.


- Obrigada, já podem ir se quiserem. – ela disse, sorrindo, pegando sua bolsa e indo embora.


Sirius foi o primeiro a se mexer, virando as costas para mim e pegando sua mochila. Em menos de 2 segundos eu fazia a mesma coisa.


xxx 


- Stella, onde estão meus... – parei, quando entrava na cozinha ao ver uma garotinha de uns 8 anos sentada à mesa. – Quem é essa?


- Essa é Audrey. – Stella disse, sorrindo. – Irmã de Sirius.


Fiquei surpresa o quão parecidos eram. Audrey tinha um longo cabelo escuro com uma franja e grandes olhos azuis. Ela sorriu para mim, enquanto tomava um gole de seu leite e comia um biscoito.


- Oi. Eu sou a Lene. – sorri.


- Oi. – ela respondeu de volta, e comeu mais um biscoito, sorrindo.


- Porque ela está aqui? – perguntei baixinho a Stella.


- Ele não tinha quem tomasse conta dela, por isso teve de trazê-la.


- Onde está ele?


- Eu te explicarei mais tarde. – Stella respondeu numa expressão séria. Era óbvio que não queria falar em frente à menina.


-  Ela esteve aqui o dia inteiro? – perguntei, chocada, e Stella assentiu. Se fosse eu, naquela idade, teria enlouquecido por não ter com quem ou o que brincar. Até que me veio uma idéia. – Audrey, - ela virou-se me encarando com olhos brilhantes. – Você gosta de bonecas?


xxx 


Já passava das 11 da noite quando cobri Audrey, que estava deitada na minha cama, com o lençol. Passara as horas anteriores brincando de boneca com ela. Apaguei a luz do quarto antes de sair e desci as escadas em direção à cozinha.


Ele estava lá, sentado à mesa da cozinha apoiando a cabeça nas mãos, enquanto Stella colocava uma xícara à sua frente. Ele olhou rapidamente para mim, e pude perceber os seus olhos avermelhados.


- Stella, onde está Audrey? – ele disse, respirando fundo.


- Ela está no meu quarto, dormindo. – respondi antes que Stella o fizesse.


- Eu vou buscá-la, tenho que ir emb...


- Você fique sentado aí, mocinho. – Stella disse, o empurrando pelo ombro quando Sirius fez menção de se levantar. – Você não vai a lugar nenhum essa noite. Tome este chá, e eu prepararei um quarto para você. – ela terminou, deixando-nos sozinhos na cozinha. 


- Você está bem? – perguntei, sentando à sua frente. “Aham”, ele respondeu. – O que aconteceu?


Desta vez, um silêncio pairou no ar. Sirius tinha ambas as mãos segurando a xícara, encarando a leve fumaça que saía o chá. Ele respirou fundo, passando as mãos pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais. Como eu não sabia o que dizer ou fazer, fui até a pia beber um copo d’água e apoiei as costas na bancada da cozinha, sem dizer nada.


 


¹. De acordo com Bianca Stratford, da série “10 Things I Hate About You”. 


N/A: Olá leitores! Haha, estou de volta da Inglaterra (há muito tempo, diga-se de passagem) e estudando feito uma louca! E cá estou eu, às 11 da noite com uma prova sobre funções e logaritmos amanhã, postando esse capítulo. Um capítulo escrito com muito sufoco, devo admitir! Reescrevi ele diversas vezes até chegar nisso. Está ok, eu acho.
Como sempre, muito obrigado pelos comentários na FeB: Chanel Black, Fê Black Potter, M. Smith e F. Dawson, Lari_sl, Mih Prewett, Bee.SPN, July A. Black, Viic B., Blair.gg. E no FF.net: Mila Pink, Jane L. Black, Mrs. Nah Potter.  Acho que foram só essas pessoas. Estou com sono, então me desculpem se esqueci alguém. :]
Como estou seguindo o conselho da minha querida Julia Browne, só posto um capítulo quando o próximo já está pronto. Ainda não comecei a escrever o 13, então, creio que terão que esperar mais um pouco. :/   Mas aqui vai um pôster-prévia. (y)



Estão curiosos? Hahaha!
Beijos!

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Comentários (1)

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