Conflito



Calma Hermione! Respira fundo, mulher! Agora abre essa porcaria de porta.

Puxei a mão de volta como se a maçaneta tivesse descargas elétricas. Respiro fundo mais uma vez, agora de olhos fechados. Os dedos de minha mão tremeram diante a maçaneta, mas quem disse que eles chegaram a tocá-la? Como se tivessem vida própria afastaram-se rapidamente.

Caramba! Nunca pensei que fosse tão difícil abrir uma porta. “O problema não é a porta, mas o que você fará quando abri-la!” É... realmente... Então reformulando a dificuldade: Nunca pensei que fosse tão difícil convidar alguém para sair. “PEM! Reformulação errada, querida! O difícil não é convidar alguém para sair, mas chamar Igor Brugston que é.” Bem... mesmo a contra gosto concordo com você. Nunca pensei que fosse tão difícil chamar alguém para sair, principalmente, quando esse alguém é seu ex-rival e seu mais novo amigo. “Vale ressaltar que de amizade não tem nada.” Ãi! Que mania de perseguição. O que te leva a pensar que, ele deseja outra coisa, além de amizade? “São tantos os fatores, cara colega que, infelizmente, essa sua mentezinha limitada não me permite dividir com você.” Então, faça o favor, de não me importunar mais com essas idéias ok? “Impossível, já que minha existência se deva exatamente a isso: importunar-lhe com as idéias mais absurdas que possa ter.” Ahá! Agora confessa que o caso Malfoy é uma idéia absurda!? “Claro que sim! Mas, nesse caso, já estamos em uma nova etapa: aquela de que nada é impossível e que tudo é provável!” Mais que redundante! E qual era a anterior? “O amor e o ódio andam lado a lado e de mãos dadas.” Não sei nem porque ainda perco o meu tempo perguntando. “Então usa a porcaria desse tempo para abrir a outra porcaria que é essa porta, peloamordemerlimmulher!”. Está bem, sua estressada. Estou criando coragem.

Respiro fundo, porém, pausadamente de forma que pudesse controlar o nervosismo, estico a mão trêmula, mais uma vez, em direção a maçaneta com toda a determinação que consigo reunir e...

A porta se escancara.

- Granger! Quero dizer... Hermione? O que você está fazendo aqui? – e se faz presente à imagem perplexa de Igor Brugston. – Quero dizer... posso lhe ajudar em alguma coisa?

E qual foi a minha reação? Ganha um sapo de chocolate com uma figurinha do Harry quem acertar! Quem respondeu nenhuma ganhou! Claro que foi nenhuma. Principalmente quando ele passou a me olhar de forma intrigada esperando uma resposta que, imediatamente, não viria, enquanto eu abria e fechava a boca como um peixe fora d’água.

- Hermione? – chamou-me mais uma vez e de repente começou a ficar muito quente. E só pela temperatura que meu rosto estava atingindo poderia apostar qualquer coisa que eu estava da cor de um pimentão. Um pimentão que abria e fechava a boca sem emitir som algum. Que ridículo.

- Está sentindo-se bem? – perguntou passando de intrigado para preocupado.

- Bem... – minha voz deu sinal de que ainda existia enquanto passava a apertar uma mão na outra. – Bem... eu... – respirei fundo. – Sim.

- Ok. Entre! – disse abrindo a porta e dando espaço para que eu entrasse.

Dei logo de cara com uma pequena recepção, onde um rapaz moreno, um pouco gordinho e com cabelos rastafári, que parecia estar escrevendo em três tipos de pergaminhos de cores diferentes, me olhava como se nunca tivesse me visto na vida.

- Esse é Orlando Santos, meu secretário. – apresentou Igor apontando para o rapaz que ainda me olhava perplexo. Sorri amarelo para ele que nada respondeu.

- Espanhol? – perguntei para o rapaz com um sorriso amarelo ainda maior estampado na minha cara sem graça.

- M-mexica-cano. – gaguejou visivelmente desconcertado me fazendo desviar o olhar para o lugar e seguir para uma outra porta.

Apesar do choque de ter sido pega em uma situação constrangedora foi impossível não notar que a sala de Igor Brugston era três vezes maior que a minha. E por considerar a sua recepção, era cinco vezes maior que o meu departamento. Mas que injustiça! E esse idiota ainda queria o meu departamentinho. Egoísta! Humf!

- Fique a vontade Hermione. – falou indicando uma poltrona de aspecto confortável em frente a sua mesa enquanto se dirigia a outra mesa menor a um canto. – Deseja beber alguma coisa? – perguntou sorrindo e enchendo um copo com água. Eu também quero um mini bar na minha sala, poxa!

- Obrigada, para os dois, mas estou com um pouco de pressa. – ele arqueou as sobrancelhas por detrás do copo. – Não! Quero dizer. Não estou com tanta pressa assim que não me permita tomar um pouco de água ou sentar, pois não estou correndo. Ou melhor, correndo eu estou, mas isso não que dizer que eu esteja louca para sair daqui ou ficar longe de você. – e ele continuava com as sobrancelhas erguidas confirmando quase que sem entender o que eu estava falando, na verdade nem eu estava entendendo. – Não que eu queira ficar muito tempo perto de você, só que... quero dizer... Acho que vou aceitar a água. – terminei com um sorriso constrangido sentando na cadeira que ele havia me oferecido antes do meu ataque de confusão.

Voltou oferecendo-me o copo que peguei e quase terminei o seu conteúdo em um gole só.

- Então? – disse ele sentando-se de frente para mim.

- Então o quê? – perguntei tomando mais um pouco logo em seguida.

- O que você veio fazer aqui, em minha sala? – falou sorrindo de forma divertida perante o meu comportamento.

- Ah, sim! É... o que eu vim fazer aqui mesmo? – sorri para ele e tomei um pouco mais de água. Se continuasse dessa forma teria que encher o copo mais uma vez. – Bem... sua sala é bonita. Bem mais do que a minha. Não que ela seja feia, não, mas ela é simpática. Não tem tudo isso de móvel, nem são tão bonitos e nem de aspectos valiosos como estes, mas isso não que dizer que não sejam de boa qualidade, por que são. E ela, também, é bem maior. Não que a minha seja pequena que não se possa se locomover, mas ela não tem um mini bar como esse, e nem uma mesa tão grande quanto essa. A minha mesa, também, não é tão pequena, mas pelo tanto de coisa que faço, acredito que ela poderia ser um pouco maior do que aquilo. Pelo menos o tinteiro ou os papéis não iriam ficar em grande perigo de caírem e bagunçar minha sala...

- Hermione? Hermione... por favor, pare de falar como se não existisse pontuação na gramática. E, também, não precisa ficar nervosa. Acalme-se. – disse Igor confuso levantando-se e tirando o copo que acabava de secar de minha mão e o enchendo com um pouco mais de água que bebi de uma vez só. Eu tenho que me acalmar. O máximo que posso levar é um não!

Igor foi paciente o suficiente para esperar que eu me acalmasse, mas estava sendo quase que impossível, principalmente, pelo fato dele ficar me encarando como se esperasse que alguma coisa saísse de algum lugar de meu corpo. Respirei fundo algumas vezes pensando no papel ridículo que eu estava fazendo perante aquele homem, que, com toda a certeza do mundo, estava refletindo sobre a possibilidade de repensar no tratamento para comigo. E no mínimo, me achando ridícula.

Eu não sou ridícula! Não sou uma adolescente perdida. Vim até aqui com um objetivo que colocarei em prática. E, o máximo que posso receber, é um não. E o que significa um não de Igor Brugston? Nada e nem perda de tempo.

- Desculpe, eu não sei o que houve comigo. – pedi olhando-o nos olhos, ele consentiu com a cabeça. – Bem... o que vim fazer aqui... seria precipitado de minha parte fazer esse pedido, mas acredito que as pessoas mereçam um nova chance, não é a toa que um Malfoy está trabalhando comigo. Contudo, para provar que aceito, sinceramente, seu pedido de desculpas, estou aqui com a intenção de lhe convidar para jantar comigo, essa noite. – terminei de forma decidida o encarando.

Igor sustentou o meu olhar juntando as mãos na frente do corpo e parecendo refletir sobre o meu pedido. Passaram alguns segundos, que para mim começaram a ser vergonhosos e, de certa forma, uma necessidade de começar, a falar para quebrar aquele silêncio, começou a me subir pelo corpo todo. Até que...

- Bem... – começou acomodando-se na cadeira. – Desculpe, Hermione, mas recuso o seu pedido. – “Há! Bem feito! Levou um fora!” – No entanto, cavalheiros ainda existem e, devo confessar, sou um deles, por isso... – ele se levantou e dando a volta na mesa parou na minha frente estendendo a mão. - você gostaria de sair comigo, esta noite, para jantar? – sorri aliviada levando a mão vazia ao peito. Ninguém gosta de levar um fora!

- Se você insiste. – respondi com um ar jocoso aceitando a sua mão o fazendo sorrir. Mas, o que aconteceu depois, me deixou extremamente desconcertada: ele beijou minha mão sem quebrar o contato visual.
Ficamos parados naquela posição alguns segundos, na verdade, segundos demais para o meu gosto, ate que puxei minha mão de forma delicada e sorrindo como se nada tivesse acontecido.

- Bem, estamos combinados então? – perguntei colocando as duas mãos nos bolsos da frente do jaleco.

- Claro que sim. – confirmou fazendo o mesmo que eu só que um pouco mais constrangido. – Mas, falta você me dar o seu endereço. Como poderei buscá-la sem ele.

Por essa eu não esperava. Não posso ficar dando o meu endereço para qualquer um. “Mas, você deu para o Malfoy, querida.” É diferente. Eram outras circunstâncias e agora ele é meu vizinho. Mas o Igor, bem, o Malfoy não é de confiança, mas ele também não é. Pelo menos a índole do Malfoy eu conheço, mas a dele...

- Bom... desculpe, Igor, mas creio não poder lhe fornecer o meu endereço. – falei tentando parecer o mais penalizada possível. – Você sabe... a guerra... o que aconteceu no passado... Quem eu sou e de quem sou amiga...

- Tudo bem, Hermione, não precisa dar explicação, eu entendo perfeitamente. – falou sorrindo, mas não escondeu o pesar em sua voz.

- Mas podemos nos encontrar em outro lugar, e de lá podemos jantar onde você quiser.

- Claro. Ótima idéia. Você tem alguma sugestão? – perguntou voltando para sua poltrona.

- Você sabe onde fica o Pub da rua 14? – ele confirmou com a cabeça. – Poderia ser lá.

- Então está combinado. Às 20:00 no Pub da rua 14 e de lá, vamos jantar em um restaurante que gosto muito e... acredito que você irá também. – falou com um sorriso largo no rosto enquanto anotava alguma coisa em uma folha de pergaminho.

- Bem... já que estamos combinados irei voltar para o trabalho.

- Perfeitamente.

Dirigimo-nos até a porta que ele fez questão de abrir para mim que agradeci e, mais uma vez, me deparei com o garoto me olhando de forma estranha. Igor, ainda cochichou em meu ouvindo dizendo que não era para eu ligar, mas, já ia saindo para o corredor, que dava acesso a sua sala, quando o garoto conseguiu falar.

- Srta. Granger! Srta. Granger! – parei a porta olhando para o garoto que vinha esbaforido em minha direção segurando um pedaço de pergaminho e uma caneta na mão. – Desculpe... mas... a Senhorita poderia me dar o seu autógrafo? – sorri espantada para o garoto que ficou um pouco vermelho. – Bem... não é todo dia que encontramos uma heroína de carne e osso.

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Quem ela pensa que é para fazer isso? De onde ela acha autoridade para fazer tal coisa? Ela é burra ou petulante por fazer o que fez? E... será que eu esqueci quem sou para deixá-la fazer tal coisa? Eu não tenho mais 13 anos para a Granger ficar me batendo! Só por que ela é mulher pensa que seu tapa não dói? Que só porque sua mão é pequena e macia pensa que não pode deixar marcas? Claro que dói e que pode! E dói muito por sinal! Principalmente pelo fato de eu não ter “apanhado” tanto de mulher.

Bem, isso é uma mentira e das grandes, porque já apanhei e muito, mas, na maioria das vezes, era uma luxúria sem tamanho, porém, extremamente excitante. Lembro-me de cada uma: Paula, Olívia, Renata, Mônica... Nossa! Nem sei como ainda estou vivo! As pessoas podem dizer o que for de minha pessoa, mas nunca de que não aproveitei todos os prazeres da carne. Caramba! Só eu sei como e quantas foram... E só pelo peso da mão, posso considerar que a Granger deve fazer um bom serviço... E, porque diabos pensei nisso agora? Definitivamente, ela esta fazendo mais parte dos meus pensamentos do que deveria. Isso não é bom! Não é nada bom! E o pior de tudo é que já esqueci quantas foram às vezes que percebi isso: que ela toma conta dos meus pensamentos.

Para qualquer homem, ter uma única mulher em quem pensar é um fato alarmante. No entanto, sabemos não só contornar essa situação como, também, mergulhar de cabeça nela. Até mesmo os mais mulherengos de todos os homens já pensaram em uma única mulher uma vez ou várias vezes na vida, mas já pensaram, até mesmo em constituir família com ela. E isso ocorre com mais freqüência quando as festas, as garotas gostosas que fazem tudo numa só noite sem se importar se você sabe ou não o nome delas, as conversas atrevidas altas horas da noite, conversas com os amigos sobre quem pegou quem no fim de semana e tantas outras coisas que os solteiros fazem, param de lhe proporcionar prazer e preenchimento. E, é nesse momento, que você começa a pensar em ter alguém ao seu lado quando chegar de qualquer lugar, passar o fim de semana no campo, rir junto, acordar vários dias juntos, pensar nos nomes dos filhos juntos...
É um fato alarmante de que você está amadurecendo, mas ainda sim, assim como as mulheres sonham em casar um dia com um imperfeito príncipe encantado, os homens sonham em chegar a casa receber um cumprimento e um beijo, enquanto ela passa por você perguntando sobre o seu dia e pronta para ouvir tudo que você for falar ou aceitar seu silêncio como uma ótima companheira.

Esse tipo de idéia surge na cabeça dos homens principalmente quando não têm nada pra fazer ou quando tem, mas não estão fazendo. Assim como eu estou agora: na porta do departamento, com uma cara de palerma, esperando a resposta de Hilva sobre convidá-la para sair hoje à noite e com uma vontade obscena de puxar um trago. Mais esse vício eu já larguei.
Mandei o bilhete assim que a Granger saiu para deixar uns relatórios no Departamento de Ferimentos Causados por Bichos, não queria que ela ficasse regulando meu comportamento. Apesar de ter plena certeza de que não daria à mínima se eu caísse duro na sua frente, repentinamente, por tudo que aconteceu mais cedo, ainda sim, prefiro que não saiba sobre eu convidar a Hilva para sair. Se não, ela ia acabar se sentindo um máximo por pensar que só convidei Hilva porque ela vai sair com o Brugston. Patética! Eu, Draco Malfoy, me importar com o que a Granger deixa de fazer ou não? Poupe-me desse absurdo! Antes mesmo do que aconteceu no alquimário eu já estava pensando em falar com a Hilva por eu tê-la dispensado daquela forma mais cedo. Claro que eu estava! Acreditem nisso! Mesmo que eu não esteja acreditando, mas... mas acreditem por mim.

Mas por que a Granger tinha de sair justamente com o Igor Brugston? Ela o odiava! Pensava tudo de ruim da Granger, mas falsa, está sendo uma grande surpresa. Falsa! Patética! E é tão mentirosa por falar que irá se divertir mais com ele do que comigo. Não consigo imaginar o Brugston fazendo piadinha sobre qualquer coisa. E ainda é mais velho que ela. Conversa de velho nunca diverte ninguém, pelo menos, não daquele velho. Posso até imaginar ele todo engomadinho a levando para jantar em um restaurante onde todos são velhos e aristocraticamente certinhos e educados. Mas, sabendo que a Granger é toda certinha, não se incomodaria tanto com isso, mas com certeza, será impedida de dizer que se divertiu. Posso até jurar que ela agradeceria muito pelo jantar, além de dizer que gostaria de repetir o momento, mas ainda sim...

E por falar em se divertir menos comigo, essa maluca ainda me deve quatro jantares. Ou será que ela pensa que me esqueci daquela aposta? Mas é claro que não! Apesar de não fazer questão de que ela pague a dívida, por não trazer à tona aquele assunto que não suporto, ainda sim, seria divertido atormentá-la com essa hipótese... E por falar nela.

- Olha quem não vem para seus aposentos senão a Srta. Hermione Granger Brugston. – falei. Pela estancada e pelo olhar fulminante, ela ainda não havia notado a minha presença. – Já sabe onde será o magnífico jantar dessa noite? – parecendo recuperar a postura, ela voltou a andar, porém de forma decidida. – Perdão por incomodá-la Doutora, mas...

- O que você está fazendo aqui fora? – arqueei as sobrancelhas. Pelo tom de sua voz ela poderia ter me cortado ao meio. – Até onde eu sei, ainda estamos em horário de trabalho e com isso você não pode se dar o prazer de interrompe-lo para seu capricho.

- Estou apenas tirando um tempo para descanso...

- Se quiser descansar entregue seu cargo e vá para sua casa. Lá sim você poderá descansar e fazer o que for por tempo indeterminado. – eu percebi um duplo sentido mesmo ou não?

- Sinto muito chefinha, mas você não terá a satisfação de me ver pelas costas... – apesar do tom maligno que ela usava, era melhor eu tratá-la de forma diferente. E só assim, eu consegui alcançar até que ponto minhas palavras poderiam ir. - Apesar de que isso, em um momento e lugar adequado, seria um enorme prazer... - coloquei com um sorriso cínico, ou melhor, cafajeste mesmo.

- Quê foi...

- Eu estar em suas costas. – expliquei antes mesmo que ela pedisse, só pelo olhar intrigado que me lançou. Mas esse nem chegou perto da expressão assustada que perpassou seu rosto.

- Tarado! – por fim falou contendo a raiva que era percebível em cada letra.

- Que foi Granger? Vai me bater? Se for, bate desse lado, porque o outro está dormente. – falei batendo levemente, com a mão, a face direita.

Ela ainda abriu a boca uma vez antes de soltar um bufo exasperado e entrar com rapidez e ferocidade no departamento. Eu gargalhei, mas parei quando um aviãozinho verde de papel veio em minha direção, parando alguns centímetros de minha mão, que o agarrei e li seu conteúdo. Dobrei o papel o colocando no bolso de minha calça e entrei no departamento, sorrindo abertamente para uma Granger vermelha de raiva. Agora só falta saber onde será o maldito jantar desses dois.


Graças a Mérlim que dividimos a mesma parede, pois só assim poderia saber se ela irá aparatar ou ir em seu carro ou, até mesmo esperar, aquele Brugston buldogue vir apanhá-la. Mas, acredito que essa última opção está fora. Granger é inteligente e desconfiada demais para entregar seu endereço a qualquer um. Se bem que uma das últimas pessoas que poderiam saber o seu endereço era eu e, por incrível que pareça, eu o sei. Só não me perguntem o porquê, mas quem sabe não é aquela síndrome de Dumbledore de enxergar nas pessoas o que elas têm de bom e, posso garantir que sou um cara bom, muito bom.

Mas uma coisa esta martelando em minha cabeça como um pica-pau: como vou saber para onde a Granger foi se ela aparatar? Caramba! Esse plano tem mais furos que uma peneira. Pois o problema todo está em ela aparatar, porque se o Brugston vir buscá-la, coisa que com certeza não irá acontecer, mas, se vir posso segui-los de alguma forma, e se ela for se encontrar com ele, também, posso segui-la, mas se aparatar... tô ferrado!

Não pensem que estou fazendo isso por qualquer outra coisa que não seja curiosidade. Não estou me referindo à curiosidade de saber se esse jantar vai dar certo ou não, ou pelo menos não da forma boa, como se estivesse torcendo que desse, mas da má forma, aquela que me fará ter um ataque de risos quando ele fizer algo de errado e, principalmente, se isso a deixar mortificada.

Quero comprovar com meus próprios olhos se ela irá se divertir com ele tanto ao mais do que comigo. Se vai sorrir tanto quanto em nosso único jantar, falar sobre comida, garçons falsificados, viagens, brigar por decidir quem vai pagar a conta, receber uma rosa de um grupo de músicos em uma canção só para ela, mexer no cabelo quando ficar irritada, colocar um de seus cachos atrás da orelha quando sorrir de lado, comer sua sobremesa como se estivesse lendo um livro com grande interesse, se vai deixar o talher pendurado na mão quando ficar imersa em seus pensamentos ou se... E chega desse negócio de se vai ou não fazer tal coisa. Vou acabar pirando.
Já está bem pior ficar pensando na Granger todos os dias para lembrar alguns detalhes de seu comportamento. Já chega! Já esta ficando de mais! Está se tornando impossível! Incontrolável... Inconsciente... Maior do que eu... Preciso beber alguma coisa... qualquer coisa...

E sem pensa em nada e ao mesmo tempo em tudo ou esperar qualquer coisa que viesse do apartamento ao lado, passo a mão em um paletó preto, chaves da casa e minha varinha, que estavam jogados em uma poltrona e na mesa de centro, respectivamente, para logo em seguida sair do apartamento fechando a porta com uma raiva que, necessariamente, não deveria estar ali. Seguir para o elevador, sem olhar para o apartamento dela, com o mesmo humor que descontei na porta. Escancarei as grades. Soquei o botão dos andares, para segundos depois o elevador parar à minha frente abrindo suas portas, onde entrei rapidamente como se aquele corredor estivesse me sufocando... e foi aí que ouvi:

- Segure o elevador para mim!

Mais que rapidamente estiquei o braço para que a porta não se fechasse a espera daquela que estava invadindo meus pensamentos todos os dias para, com certeza, a partir daquele momento, passar a invadir as noites também, por tão perfeita a visão que Hermione Granger era.

Com certeza ainda não havia me visto, mas eu sim e posso acreditar que a estava devorando com meus olhos. O tempo pareceu ficar em câmera lenta e imensamente abafado, enquanto ela vinha em minha direção. Arrumava alguma coisa dentro de uma grande bolsa preta pendurada no ombro, uma parte dos cabelos presos no alto da cabeça de forma que deixava os cachos castanhos soltos, balançando graciosamente. Uma única mexe escondia penosamente parte de seu rosto, como se fosse uma seta para o decote de seu vestido de manga curta, longo, de estampa preta e branca, que, ao andar, balançava sobre seus pequenos pés parcialmente escondidos por um par de sandálias sem salto, de tiras pretas onde uma única pedra brilhava em cada lado, talvez o mesmo brilho que vinha da ponta de suas orelhas.
Respirei fundo, ainda segurado a porta do elevador aguardando-a, mas, a um jogar de cabelo e a um passo de entrar, ela estancou quando deu de cara com quem o segurava. O seu sorriso de gratidão rapidamente faleceu dando lugar a uma expressão dura.

- Mudei de idéia, pode descer se quiser. – arqueei as sobrancelhas.

- Eu não acredito que depois de me fazer segurar o elevador todo esse tempo, você não irá usá-lo?

- Não seja dramático Malfoy. Demorei segundos para chegar. – respondeu ela ríspida e com o cenho franzido.

- É porque o tempo meio que ficou lento quando lhe vi. – respondi simplesmente como se fosse a coisa mais normal desse mundo. Apenas percebi até onde tinha ido quando ela arregalou os olhos para mim com as bochechas rosadas. Engoli em seco. Bocão!

Ficamos nos encarando alguns segundos que pareceram horas, enquanto a porta do elevador tentava fechar, mas eu não permitia colocando a mão para que continuasse aberta. Senti meu rosto um pouco afogueado pelo constrangimento do que havia falado e ela estava quase rubra pelo o que havia escutado. Até era possível ouvir os grilos cantando nesse momento.

- Você vai entrar ou não? – perguntei após pigarrear quebrando o silêncio.

- Já... já disse... mudei de idéia. – falou ajeitando a bolsa no ombro e desviando o olhar.

- Ah, Granger, por favor! Pare com isso. Deixa de tolice mulher e entra nesse elevador! – falei batendo na porta, mais uma vez, para que ela não fechasse. Granger me lançou um olhar espantado e até pude ver o canto de sua boca tremer em um riso. Alguma coisa pulou em meu estômago. – Juro que não irei perturbá-la. – ela me lançou um olhar descrente. – É serio! Dou a minha palavra.

- Como se a sua palavra valesse alguma coisa Malfoy.

- Desse jeito você me ofende. – falei levando a mão dramaticamente ao peito. Ela sorriu balançando a cabeça de um lado para o outro. A coisa em meu estômago deu mais um pulo. Tem algum bicho aí dentro?
Ela ainda me olhou como se estivesse refletindo sobre a possibilidade de descer alguns andares apenas comigo até que: - Está bem, está bem! Mas... você prometeu, ok!

- E promessa é divida chefinha! – brinquei segurando a porta para que entrasse, ela me lançou um olhar cortante ao passar. – Desculpe!

Ficamos parados um ao lado do outro. Ela batucando levemente com os dedos em sua bolsa, eu me balançando sobre os pés com as mãos no bolso lançando-lhe olhares pelos cantos dos olhos, sempre que eu achava que ela não perceberia. Mas não foi suficiente para fazer com que nossos olhares não se encontrassem o que aconteceu três vezes, para a felicidade do novo monstro que vibrava enquanto subia e descia no meu estômago. Reparei que a Granger usava uma leve maquiagem e posso jurar que estava com aquela mesma melequinha brilhosa nos lábios quando saímos. Abri a boca para falar, mas ela me olhou com o cenho erguido fazendo-me fechar a boca na mesma hora, mas foi impossível me conter.

- Só ia dizer que você está bonita. – seus olhos rolaram nas órbitas, mas percebi que os cantos de seus lábios tremeram mais uma vez.

- Você também não está nada mal. – disse sem me olhar. Sorri com o
comentário esperando a pergunta que estava doida para fazer. – Vais a algum lugar? – eu não disse que ela estava doida para fazer. Respeita o cara aqui rapaz!

- Sim! – sorri pressuroso. – E tudo isso é para o Brugston? – alfinetei. Sua cabeça virou tão rápido para mim que ouvi seu pescoço estalar.

- Você prometeu! – disse ela entre dentes.

- Perdão... Apenas curiosidade. – falei com um sorriso enviesado quando a porta do elevador abriu, permitindo que a Granger saísse bem antes de mim e bufando de exasperação. Sorri abertamente como resposta, ao mesmo
tempo em que me lembrava de uma coisa.

Quase corri até a saída do prédio, mas ainda sim a vi entrando em um táxi e batendo a porta com força, para logo em seguida o automóvel entrar em movimento. Continuei correndo fazendo sinais frenéticos com a mão para que o táxi parasse, mas por motivos que não são significativos o carro não parou. Nem pensei duas vezes e já estava sacando a varinha de dentro do paletó e apontando para o carro que parou bruscamente.

- Boa noite! – entrei no carro para horror da Granger. – Agora podemos ir. – falei para o motorista que me olhava estupidificado. – Alguma coisa errada? – perguntei com um sorriso sonso.

O motorista olhou para a Granger, como que em um pedido mudo se deveria atender ao meu pedido ou não, mas ela parecia estar petrificada com a minha repentina invasão. Até que seus olhares se encontraram e ela confirmou brevemente com a cabeça. Sorri quando o carro entrou em movimento.

- O que você está fazendo aqui? – perguntou ela com a voz baixa, porém, esganiçada após recobrar a normalidade.

- Pensei que poderíamos dividir o transporte juntos.

- Como você sabe que vai para o mesmo lugar que eu?

- Mas eu não sei. – olhei para ela. – No entanto, se o Brugston não veio buscá-la então irá encontrá-lo em algum lugar e tenho um grande palpite de que será no centro, quem sabe em algum bar ou pub ou então...

- Ok! Sem mais deduções, por favor, e cale-se, o tempo será mais bem aproveitado se eu não ouvir a sua voz... pode até ser que eu esqueça que estamos dividindo o meu táxi. – e dizendo isso se virou o máximo que pode até ficar de costas para mim.

- Já disse para não me dar as costas Granger. – brinquei falando baixo próximo ao seu ouvido.

Mas, como se o feitiço tivesse virado contra o feiticeiro, respirei ao terminar de falar, e isso foi o pior que deveria ter feito, porque o maldito perfume cítrico dela invadiu minhas narinas. Ate fechei os olhos para senti-lo melhor e ao abri-los fiquei meio tonto. Nem havia reparado que ela me olhava de lado e, como sinal de que eu estava fazendo, com certeza, algo muito errado voltei para o meu canto tão rápido que bati a cabeça na P@#$%& da janela!

- Bem feito! – disse ela escondendo um sorriso com a mão

- Porque não foi com você! – respondi com uma careta massageando o lugar.
Mas nada disse, além disso. Na verdade, não falou mais nada no decorrer de nossa “viagem”, apenas se deixou olhar as coisas passarem do lado de fora do carro, pensando em qualquer coisa que eu nunca irei saber. Mas, como o ser humano é um bicho curioso, daria alguns galeões pra saber o que passa por sua cabeça.

- Um galeão pelo pensamento. – falei quebrando o silêncio, ela sequer se moveu.

- Nada que lhe interesse ou que vá mudar alguma coisa na sua vida. – falou sem emoção, após alguns segundos.

- Ok! – esperei mais um tempo até retomar a fala. – Nem se eu aumentar o número de galeões?

- Por que você está fazendo isso? – perguntou ela voltando-se para mim.

- Fazendo o quê?

- Isso! Tentando conversar. Fazer piadinhas. Entrar no mesmo táxi que eu, por exemplo. O que você quer com isso Malfoy? – em sua voz não havia irritação, mas uma real curiosidade.

- Não sei. Quem sabe porque trabalhamos juntos ou porque somos vizinhos ou...

- Ou porque você está mais interessado em salvar a sua pele, mais uma vez do que, realmente, fazer qualquer tipo de amizade comigo. – colocou ela com um leve tom irônico na voz.

- Bem... pode ser isso também. – Ela balançou a cabeça negativamente. – Mas, o que iria falar era: ou porque temos uma forte atração um pelo outro.

- Quê? – perguntou com a voz esganiçada.

- Ora Granger, admita! Você esta caidinha pelo sonserino aqui. – falei sorrindo pelo canto da boca.

- Por Mérlim, Malfoy, poupe-me desses absurdos. – disse cruzando os braços na frente do corpo.

- Ora, por que absurdo? – perguntei tentando colocar uma expressão séria no rosto. Ela me olhou de olhos arregalados. – Somos maiores de idade. Bruxos. Empregados. Com condições financeiras até que boas. Bonitos... bem, eu sou mais bonito. Solteiros. E, eu sou homem e, você, uma mulher...

- E eu sou uma sangue-ruim. – desdenhou.

- Já não me importo tanto com isso...

- É improvável uma coisa assim acontecer com duas pessoas completamente diferentes.

- Já ouviu dizer que os opostos se atraem.

- Não interessa! Eu sou a Granger e você é... é...

- Um ex-Comensal da morte?

- Não era isso que eu queria dizer. – disse ela tremendo levemente. – Você
é um Malfoy.

- Ah! Bem, meu nome já nem importa tanto.

- E... e... você sempre nos odiou.

- Bem, estou tentando reverter isso.

- Ora, por que será então? – falou desdenhosa mais uma vez.

- Já disse: porque temos uma forte...

- Pare de falar essas coisas! – brigou balançando as mãos como se estivesse espantando alguma mosca.

- Que foi Granger? Por que não admite o que realmente está acontecendo entre a gente? – perguntei a encarando, tentando ao máximo conter um sorriso pela sua expressão desconcertada. Com certeza pensou nos beijos que trocamos, ou pelo menos, eu pensei.

- Não está acontecendo nada entre a gente! – arqueei as sobrancelhas em um gesto descrente. – E mesmo que estivesse acontecendo alguma coisa... – Abri um sorriso largo – Coisa que não está. – o sorriso sumiu. – Nunca poderia dar certo.

- Nunca diga nunca, Granger! – rematei com uma expressão sábia.

- Esta vendo por que digo que nunca existira nada entre nós? – disse ela controlando um tom irritado na voz.

- Não! – realmente eu não entendi o que ela quis dizer.

- Por isso Malfoy! Pela forma de você me chamar. Granger! Sempre vou ser um sobrenome para você...

- Não seja por isso, passo a chamá-la de Hermione a partir de hoje. – falei como se estivesse querendo dar um fim no assunto. Na verdade, até que estava, mas a curiosidade de saber até onde isso nos levaria fazia-me ficar ainda mais interessado.

- E por essas coisas também! – Tá! Sinto muito, mas ainda não entendi até onde ela está querendo chegar. Ela pensa que todo mundo tem o cérebro do tamanho do seu? – Ou está se fazendo ou realmente é! – disse após respirar profundamente.

- O quê?

- Burro!

- Não estou lhe ofendendo para você fazer o mesmo comigo. – falei. Ela apenas balançou a cabeça para os lados voltando a sua posição anterior: quase de costas para mim. Ninguém vira a costa para mim quando estou falando, além de ser falta de educação! – Antes de me deixar criar um monólogo, poderia, pelo menos, fazer o favor de explicar o que estava falando.

- Isso não interessa.

- Claro que interessa! Quero saber o que você pensa. E mais, eu odeio enigmas e por isso, desembucha logo, Hermione. – falei o seu nome quase soletrando as letras. Ela se mexeu desconfortável.

- Quero ver quem vai me obrigar.

- Eu vou!

- Você não pode usar magia, Malfoy. – desdenhou.

- E quem foi que falou em magia? – ela virou o rosto para mim com o cenho franzido. – Existem outras maneiras.

- Quero ver você tentar uma delas!

- A primeira que me vem à cabeça seria impossível, já que ela seria mais bem aproveitada se estivéssemos entre quatro paredes. – ela arregalou os olhos e, pelas luzes da rua que entravam pelas janelas do carro, era possível reparar que seu rosto ficou um pouco vermelho. – a outra, pelo momento, seria conveniente.

- Não seja ridículo, Malfoy! – rematou virando a cabeça.

- Ok! Você pediu. – respirei fundo, dando um pequeno tempo para que ela repensasse, mas, como não reagiu. – O senhor é casado? – perguntei ao motorista e a Granger sentou mais reta no banco.

- Sim! – respondeu ele olhando pelo retrovisor.

- Ah, então deve saber como lhe dar com as mulheres.

- Bem... 25 anos de casado e tantos outros de solteiro me permitiram conhecer um pouco delas.

- Nossa! 25 anos? – Caramba! Como é que alguém consegue acordar todas as manhãs com a mesma pessoa por 25 anos? Mérlim me livre! – Parabéns pelo tempo. Nós estamos há apenas alguns meses...

- Quê? –perguntou ela mais uma vez com a voz esganiçada.

- Quero dizer, desculpe amor, já nos conhecemos há anos, mas só agora resolvemos morar juntos. - Falei olhando para ela e tocando em sua mão fraternalmente. Ela rapidamente tirou sua mão do contado da minha.

- Felicidades para os dois! – disse o motorista sorrindo e revelando três dentes de ouro. – Bem se viu que foram feitos um para o outro, logo que o Senhor entrou no carro. – Há! Adorei esse cara!

- Não acredite no que ele está falando e, por favor, mais depressa. – disse ela em um tom quase suplicante.

- Pelo o que parece Londres inteira resolveu sair de casa, senhora. Não é normal congestionamento esse horário. – Granger gemeu.

- Não ligue para ela. – falei, aproximando-me um pouco do motorista. Granger fez o mesmo. – Ela está um pouco ansiosa, sabe. Hoje vamos comemorar mais um mês de casados, e o senhor sabe, a noite vai ser longa. – o motorista deu uma gargalhada enquanto que a Granger me olhava estupidificada.
- Ah, sim, sim, sim! Conheço bem essas comemorações. E são 25 anos já.

E, como gostei de vocês, além de ser um belo casal, não me importo de dar o nome de alguns motéis excelentes que poderão, com certeza, aproveitar a noite de comemoração em ótimo estilo. – disse o motorista dando uma piscadela pelo retrovisor do carro.

- Não há necessidade disso. – se era possível, ela estava mais vermelha que um tomate. Aquilo estava me satisfazendo por dentro.

- Ela é um pouco tímida também. Mas eu não me importo nem um pouco.

E, como se estivesse encantado com a situação, o homem começou a fazer uma lista de todos os motéis de Londres e arredores. Dos mais luxuosos, até os mais baratos e simples. Isso sem contar, em detalhar os mínimos detalhes que não se abstinha em nos revelar de cada um citado e até sobre o que tinha e o que não tinha nos quartos. Enquanto eu me divertia com a situação e instigava o motorista a falar cada vez mais, a Granger exibia uma expressão furiosa e respiração bufante, além de me lançar olhares cada vez mais cortantes e por estar desconcertada ao extremo.

- Já chega Malfoy! – pediu ela entre dentes.

- Você vai explicar?

- Não há necessidade disso!

- Vai ou não?

- Matá-lo? Na primeira oportunidade!

- Que interessante! Mas, o que mais me chamou a atenção foi aquele com a banheira e teto espelhado, qual é o nome do motel mesmo? – perguntei ao motorista em voz alta.

- Está bem, está bem! Eu falo o que você quiser. – sorri triunfante diante sua expressão desesperada.

- Ok. Bem, gostei das dicas, Sr...?

- Kraal!

- Ok, Sr. Kraal, obrigado por tudo, mas já tenho um lugar para levar minha esposa.

- Tudo bem, as suas ordens. – disse o homem com um aceno de cabeça.

- Pode começar. – disse virando-me para ela.

- Digo que nada existirá entre nós, Malfoy, não só pelo fato de que sempre serei um sobrenome pra você, mas por nossas atitudes... Por suas atitudes. – começou ela com uma voz cansada, mas irritada. – Isso de ficar sempre ironizando. As falsidades e alfinetas que não cansa de usar quando deve e, principalmente, quando não deve. Os tons de gracejo na voz é algo irritante. Qualquer pessoa normal não conseguiria viver com isso. Soa falso. Forçado. Coisas que não deveria haver em uma relação séria! – terminou de falar olhando-me seriamente por alguns segundos, até que desviei o olhar. Alguma coisa começou a subir pelo meu pescoço, diretamente para o rosto: uma sensação desconfortável de vergonha. Caramba, vergonha?!

Se eu soubesse que seriam essas coisas que ela falaria, não teria feito o que fiz para fazer com que falasse. Foi como levar bronca de uma mãe. Na verdade, foi bem pior, por que ela não é minha mãe, já que com as mães é fácil colocar uma cara de culpa pra tentar contornar a situação. Mas ali, estava sendo diferente. Completamente diferente! O desconforto só não aumentou porque, por fim, o engarrafamento deu uma trégua e, com isso, conseguimos pegar uma ruela para chegar ao destino que ela escolheu.
Mas aquelas palavras ficaram martelando na minha cabeça por tempo demais. E o pior de tudo, é que ela tem total razão no que disse. Na verdade, ela não foi à única que me recriminou por meu comportamento ser assim. Talvez seja até por isso que ainda não encontrei alguém que possa conversar seriamente por horas, tirando algumas brincadeiras aqui e ali, mas ainda sim nenhuma pareceu me levar a sério realmente. E eu que sempre reclamava delas, agora, pela voz da Granger, percebi que o problema todo sou eu e não elas.

- Hem-hem. – pigarreei em uma tentativa de uma nova conversa. – Já que o problema são as minhas atitudes, acho que posso resolver isso. – ela nada falou. – Me tornarei um cara sério a partir de hoje.

- Pronto! Chegamos. – disse o motorista parando o carro.

- Mas, não é só isso. – começou ela mexendo em sua bolsa e tirando uma carteira dali.

- Pode deixar, eu pago. – falei, mas ela não ligou. Tirou algumas notas da carteira e deu para o motorista.

E ai ela me olhou intensamente e mais uma vez o lugar pareceu ficar abafado, pequeno, aliás, acho que até eu diminui com aquele olhar: - Para que duas pessoas possam ficar juntas, deve existe um sentimento mútuo: amor. E não atração como você disse. E, com certeza, isso é algo bem maior do que você conheça e possa controlar.

- Amor Granger?... quero dizer, Hermione.

- Sim, Malfoy – notei o uso de meu último nome em sua voz raivosa. – Um sentimento muito grande, que começa quando você passa a perceber o que a outra pessoa faz ou deixa de fazer. Sem que você perceba, seus olhos procuram por essa pessoa apenas para pensar melhor, talvez. Muitas vezes você pensa que está ficando maluco por causa disso, mas não sabe o que realmente está acontecendo. Por isso, muitas pessoas o confundem com paixão, mas quando você passa a pensar na outra pessoa 24 horas por dia e começa a achar que a presença dela perto de você é de fundamental importância para que seu dia seja o melhor, você está amando. Mas ainda sim não sabe o que está sentindo isso. E sabe por quê? – neguei involuntariamente com a cabeça. – Porque ele é como o oceano, você não sabe onde começa e muito menos onde termina, não sabe o que ele é capaz de fazer quando fica furioso, não sabe defini-lo com palavras, mas sabe que ele é grandioso.

E saiu do carro deixando-me perplexo pelas palavras furiosas como se quisesse me atingir, o que na verdade aconteceu. No entanto, o que me deixou mais pasmo foi o fato de que, tirando a parte do oceano, eu, com certeza, só devo estar maluco por admitir que é isso que acontece quando ela... Hermione Granger... Está perto e está longe.

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N/A: âããããiiiii!!!! Desculpaaaa... *Grita de trás de uma estante da Floreios*
Desculpa gente pela demora msm...
e por esse pequeno cap...
* 4 MESES SELADOOOOO!!! *
Falei que iria comecar a escrever por causa da minha outra fic q tava mais parada q sei la o q... e bem... eu a escrevi e postei o novo cap. e depois eu começei aki... e bem... demorou 4 meses...
+ para quem ainda estuda, e para quem não sab eu faço universidade, o final d semestre é horrendo... Os profesores parecem que se juntam e comecam a passar tudo quanto é trabalho ao mesmo tempo... é deixar qualquer um maluco msm... E por isso eu estava um tantão impossibilitada de escrever... Alem de meu de que tava lezinha por ausa de um projeto... qfoi aprovado Graças a Mérlim... \o/... + é agora q vou pirar msm...huhuhuh
+ está ai o cap... espero que tenham gostado... msm msm msm...

Beijões para: Marcele *Cele*, minha super beta que keimou a mão tadinha... melhoras mulher!!!, Rhaissa.Black ( Bom, demorei??? hihihih... eu sei eu sei... + vc sab neh... e nossa como eu me divirto com seus coments viu... obrigada... beijosss), Tete granger (ãããiiii ñ briga com eu... 4 meses! gennnteee... desculpa.. perdão do fundo do meu S2... ), Melissa (Sim... eu tambem pensei mais na primeira opção da Mione, mas... ñ combina muito com ela ñ... + q ia ser engraçado ia... ), Plock Watson Granger (Demorou, mas postado!), Teresa ( ahhhh axu q dessa vez ñ mereço so um puxão de orelha... mereço varios), Jacq Nasci (prontinho... postado!), Artemis Granger (que bom que voce esta gostando moça... obrigadão!), luuza; (ãããiii... q bom ver comentario novo aki... seja bem vinda moça... \o/), molambo (nosaaa... brigadão... adorei o comet... msm =*)

Bom, genteee... ate a proxima...
E por falar em proxima... o proximo cap. ja esta engatilhado...
=****

xD

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