Entre o Nunca e o Jamais.



*Lumus*
Sorryyy!!!
Mais de dois meses sem postar... desculpa msm... +... esqce... ñ kero nem lembrar!
Pois sim... esta aqui o cap...
E tbm está corrigido pela minha super beta Marcele (ñ briga com eu!)
Então esta ai o cap...

Aproveitem
*nOx*

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Entre o nunca e o jamais.

Entrei no apartamento sorrindo debochado, mas logo em seguida o assomo dos pensamentos de ter que aturar Hermione Granger não só no St. Mungus mas também no mesmo ambiente de morada fez-me tirar o paletó e atirá-lo com tal brutalidade em cima do sofá. Pelo menos uma coisa estava certa: os móveis que haviam conjurado estavam ali.

Era engraçado como tudo na minha vida agora tinha tomado um rumo completamente diferente do que havia imaginado ao receber aquela carta do St. Mungus referente à minha mais nova condição de assalariado. Não que eu pensasse que as coisas seriam fáceis, mas nem tão difíceis assim. Por que logo ela para ser minha chefe? Ironia do destino! Jogo-me no sofá respirando profundamente, passando as mãos pelos cabelos enquanto descalçava os pés dos sapatos com a ajuda de um e de outro. Desabotôo os botões de minha camisa com a mesma brutalidade que me assomou.

Sem que notasse, as lembranças dos tempos de Hogwarts me vieram à lembrança. O chapéu seletor que nem tocara minha cabeça já estava gritando “Sonserina”. Sorri de satisfação. Pelo menos não levaria uma surra quando meu... pai, soubesse em que casa havia ficado. O sorriso de satisfação sumiu. Como poderia ser minha culpa se tivesse ido para outra casa? Talvez fosse chamado de laranja podre e expulso de casa como meu tio Máximus que fora logo que meus avos souberam que havia ficado na Corvinal. “Você é um Malfoy! Um sangue puro! Sua obrigação é ir para a Sonserina, ai de você se não a cumprir, moleque!” Essas foram às palavras que ouvi de meu... pai, antes de subir no expresso para Hogwarts. Fúria e tristeza invadiram o coração daquela criança que até hoje não saíram. Mas esses sentimentos amenizaram instantaneamente quando, ao me acomodar em uma das cabines daquele trem, a imagem de uma garotinha que recebia, com um sorriso enorme no rosto e os olhos vermelhos, um abraço apertado de sua mãe enquanto seu pai afagava seus cabelos castanhos e bastante cheios... Era a primeira vez que via Hermione Granger, passando a odiá-la pelo resto da vida, só por que ela recebia uma coisa que eu ansiava em ter: carinho. Mas que culpa ela tinha de ter isso e eu não? O ódio por ela ser uma “sangue-ruim” mascarava a inveja que percorria meu ser toda vez que via o trio maravilha junto: o cabeça rachada, o pobretão Weasley e a Sangue-ruim da Granger!

Um sorriso de exasperação surgiu em meu rosto ao mesmo tempo em que a campainha do meu apartamento toca. Com o desejo de continuar sentado, pensando nos meus defeitos e de como a vida é injusta, levanto-me do sofá me dirigindo até a porta. Abrindo-a, me espanto com a visita inesperada.
Ficamos ali, nos encarando. Eu com essa cara de espanto, por que nem nos meus piores pesadelos a imaginei ali, parada a soleira de minha porta, a essa hora da noite depois de tudo que havia acontecido. E ela com uma feição desconcertada. Parecia até um pouco confusa. Mas confusa por quê? Notei quando seus olhares percorreram a parte desnuda de meu corpo, de cima a baixo. E eu inconscientemente fiz o mesmo. Ela trajava um roupão rosa de um tecido que brilhava um pouco. Meio perolado. Metricamente amarrado ao lado. Ainda estava com aquela leve maquiagem no rosto e os cabelos ligeiramente bagunçados, como uma estrela do rock. Após observá-la mais atentamente do que imaginava e desejava, percebi que estava com os botões de minha camisa abertos, mostrando parte de meu tórax e abdome. Senti o rosto ficar quente quando ela engoliu em seco. Mas que merda está acontecendo? Depois de adquirir esse corpinho de Deus grego com muito esforço nunca mais havia ficado sequer com o rosto vermelho na frente de uma mulher, e por que justamente na frente da Granger senti meu rosto quente? Isso sem contar com a reação dela ao me ver assim. Ah! Moleque! Ela gostou do que viu. Esquecendo totalmente as dúvidas que me assolaram passei minha mão nos cabelos com a intenção de fazer com que minha camisa se elevasse mais um pouco mostrando um pouco mais do fruto proibido. E foi inevitável não sorrir ao ver que ela acompanhara todo o processo. Ah! Moleque! Draco Malfoy gostosão atacando novamente!

Sem que eu notasse, ela deu um meio sorriso, logo após girando nos calcanhares com a intenção de ir embora. Mas ela não ia mesmo! Não sem antes falar o que queria comigo aquele horário. Peguei um de seus braços a fazendo parar, mas sem olhar para mim – Hei! O que foi?

- Nada! Esquece...

- Ah Granger, me poupe de suas maluquices! Você apertou a campainha para falar comigo e agora vai falar. – coloquei sem largá-la.

Ela ficou um tempo calada, como se estivesse pensando no que dizer ou não. Por fim virou-se para mim com a face ficando ligeiramente vermelha. Desconcertada. Mas será possível mesmo que causo vergonha nessa mulher tão prepotente, tão cheia de si, tão inteligente e... tão engraçadinha vermelha? Que pensamento Malfoy?!

– É... eu vim agradecer. – fiquei olhando para ela estático. Logo depois dei um dos vários sorrisos de sarcásticos para ela.

- Você, Hermione Granger, a prepotente da Hermione Granger, se abalando do seu lar, que não é tão distante do meu, apenas para me agradecer pela noite inesquecível que tivemos? – ela fechou a cara. – Não, não! Isso só pode ser um sonho... Ou um pesadelo!

- Por que só pode ser um sonho ou pesadelo Malfoy? – perguntou ela visivelmente irritada. – Por que diferente de mim, você não reconhece quando deve agradecer a uma pessoa que fez algo de bom para você, mesmo que esse algo seja ínfimo. E, por favor, largue meu braço! – só ai que percebi que ainda a segurava e fiz o que ela pediu.

- Ah! Então eu fiz algo de bom essa noite? – falei com um pouco de admiração na voz que foi percebida por ela porque deu um sorrisinho.

- Fez Malfoy! Mesmo tendo que pagar pelo jantar, gostei de ter sido comida francesa. Não me lembro quando foi a última vez que havia jantado em um restaurante Francês. – ela falava tudo com um sorrisinho meio enviesado no rosto, meio compadescente. – E quando você apareceu afugentando aqueles ladrões também foi uma coisa boa...

- Eu nunca deixo uma donzela indefesa em apuros... – falei sorrindo cinicamente abaixando ligeiramente a cabeça.

- E você, também, me trouxe para casa sem nenhum arranhão e meu carro intacto. – cruzando os braços na frente do corpo ela parecia ter entrado em um conflito interno em falar ou não o que ainda havia ser falado. – E... nada mais justo... agradecer você por isso. – arregalei os olhos de surpresa. – Sim, Malfoy!... Obrigada pela noite! – sua voz saiu com uma mescla de sinceridade e exasperação. Como se estivesse sendo muito ruim ter que admitir isso. E, sinceramente, compreendo esse conflito.

- Não por isso, Granger. Estamos aqui para isso. – mais uma vez o gesto de abaixar a cabeça em sinal de cortesia. Granger sorriu.

- Mas tenho uma pergunta Malfoy. – pediu ela um pouco confusa.

- E eu tenho outra. – falei. Ela me olhou séria. – Você não que entrar? Está cansando ficar em pé aqui!

Seus olhos saltaram nas órbitas quando fiz a proposta, que para ela, com certeza, pareceu indecente. Mas o que ela queria? Cansa ficar em pé por muito tempo! E mesmo que ela não acredite, tentei ser gentil. Ela tinha vindo até minha porta agradecer por um momento que não precisava ser agradecido, já que foi um pagamento por uma aposta ganha por mim. Era o mínimo que eu poderia fazer: conversar civilizadamente com a Granger.
Ela ficou me olhando por um tempo, até que longo por sinal, como que vivendo um conflito interno entre, entrar no apartamento de um homem, sendo que o homem sou eu, altas horas da noite, trajando apenas roupa de dormir bem escondida por sob o roupão... Vendo por esse lado estou começando a entender que minha proposta conteve um teor um tanto indecente que não foi minha intenção... E me mandar para um lugar bem feio onde Voldemort perdeu a varinha.

Até que, por fim, ela ergueu os ombros e uma feição de como quem pensa: “O que há de mais?” percorreu seu semblante. Veio em minha direção fazendo-me arredar para o lado segurando a porta para que ela passasse.

Seus olhos percorreram o interior do apartamento com interesse e um ar intrigado. Passou uma das mãos delicadamente por cima de um pequeno armário onde uma televisão de tamanho necessário para a apreciação de suas imagens transmitidas jazia desligada sobre o móvel. – Se você chegou a menos de três dias e passou boa parte de seu tempo útil no St. Mungus... – virou-se para mim cruzando os braços em frente ao corpo. – Como arranjou tempo para conseguir todas essas coisas? – finalizou fazendo um gesto amplo abrangendo toda a sala.

- Ora Granger, pensei que você fosse inteligente e dedutiva. – alfinetei pegando meus sapatos e blasé que estavam no chão e em cima o sofá, respectivamente.

- Francamente Malfoy! – sentenciou lançando um olhar severo para mim. – pensei que mesmo sendo tão esnobe, pelo menos você teria um pouco mais de cuidado ao ficar realizando magia por aí. O que os outros ocupantes do andar vão pensar quando virem seu apartamento com todos esses móveis se nem ao menos os viram chegar?

- E quem disse que não viram? – perguntei lançando-lhe um olhar questionador.

- Mas...

- Granger, Granger, você tem muito que conhecer e aprender sobre mim. – ela fechou a cara. – Posso ser o que for para você, até mesmo o ser mais... hum, idiota, cafajeste e esnobe, como mesma colocou, do mundo...

- Ainda bem que sabe... – alfinetou. Eu fingir não ouvir e continuei.

- Mas, uma coisa não sou: inconseqüente e descuidado. – ela arregalou os olhos com fingida admiração. – Inconseqüente posso até ser um pouco. – repensei. – Mas descuidado? Nunca!

- Então me conte como mobiliou todo o seu apartamento, oh mestre da minunciosidade. – perguntou irônica me fazendo rir. Ultimamente a Granger anda muito engraçadinha.

- Pois não! Mas, espere um momento. – me dirigi para um pequeno corredor passando por ela que ainda exalava, mesmo que fracamente, aquele perfume cítrico que despertou idéias constrangedoras, inapropriadas para menos de 18 anos e incrivelmente confusas na minha cabeça. E ao senti-lo mais uma vez e logo em seguida vislumbrar minha cama, após passar pela porta da esquerda, que era a do meu quarto, bem arrumada com aquela colcha branca, só fizeram piorar aquelas imagens tão nítidas provocando em mim um arrependimento enorme por tê-la convidado a entrar. Malfoy, cara, o que está acontecendo? É só a Granger. A irritante e prepotente sabe tudo da Granger! Esta querendo o que? Pegar o resto do Weasley? Esse foi o pensamento que fez com que aquela comida francesa revirasse em meu estômago.

Voltei à sala e ela estava na mesma posição e lugar. Fiz o impossível para passar o mais longe possível daquela tentação em forma de perfume prendendo a respiração.

- Bem Granger. – comecei sentando no sofá. – Logo que encontrei esse apartamento e fechei negocio com a Sr. Macllem perguntei ao Bem, o porteiro,

- Eu sei quem é.

- Pois é. Sobre onde poderia encontrar uma empresa de transporte 24 horas por essas redondezas que pudesse fazer o transporte de minhas coisas para cá. E, claro que ele me indicou o lugar. Marquei para que eles trouxessem hoje de manha meus pertences que estavam em uma pensão que lhes dei o endereço...

- Pensão? – perguntou curiosa.

- Uma pensão bruxa que visitei ontem com a intenção de encontrar ali um lugar para ficar, mas, digamos, que não fui bem recebido. – falei como se aquilo não tivesse importância, mas tinha. – Após marcar com a empresa de transporte voltei na pensão, conversei financeiramente com a dona... Aquele lugar estava precisando de reparos grandes e urgentes. – ela soltou uma exclamação de entendimento. – Com o consentimento dela, conjurei tudo isso para um quarto de lá e o resto você pode deduzir sozinha. Agora não me pergunte como isso aqui ficou desse jeito: arrumado. Porque, sinceramente, eu não sei.

Alguns segundos passaram depois da conclusão de minha brilhante idéia, para ela sorrir asperamente balançando a cabeça afirmativamente. Entendi aquilo como aprovação por minha mente brilhante.

- É, Malfoy, devo confessar que fiquei surpresa e admirada por descobrir que você consegue pensar quando quer. – colocou aquele sorrisinho nos rosto, dirigindo-se até uma poltrona posicionada ao lado esquerdo do sofá, sentando-se rígida na mesma, com as pernas bem unidas e as mão em cima delas, era percebível o seu desconforto.

- E você fazendo mau juízo de mim. Que coisa feia Granger! – falei como se estivesse “brigando” com uma criança por um pensamento mal realizado por ela. Coisa que a fez sorrir. – Pedi para que usasse a dedução e não suas possíveis conclusões sobre o esnobe aqui.

- É... digamos que fui um pouco sentenciadora. – na sua voz havia um pouco de constrangimento, fazendo-me sorrir satisfeito. – Mas o que queria? Se tratando de você e da pessoa que és, é inevitável!

- Posso até entender toda essa repulsa de vocês sobre minha pessoa... – comecei a falar apoiando meus braços em minhas pernas a encarando. – Até a minha sobre vocês. É normal depois de todos os momentos de inimizades que vivemos no passado. Mas será que já não está na hora de vocês reverem seus conceitos sobre mim? – ela prestava a devida atenção em tudo que eu falava. – Não estou pedindo nem sequer implorando que vocês me aceitem como amigo para nos viramos o quarteto fantástico. Jamais! Só acho que já esta na hora de aceitarmos quem foram e são os bandidos, os mocinhos e os arrependidos. – ela fez menção de falar, no entanto, não permiti. Aquilo tudo estava preso em minha garganta desde o momento que fui procurar refugio em outro país. – Confesso para você Granger, que me arrependi de muita coisa. Principalmente depois de ter presenciado meu... pai matar minha mãe, a única pessoa que realmente se importava comigo, me fazendo tornar um assassino.

- O que... que você quer dizer?

- Você ouviu e entendeu bem Granger. – a raiva estava começando a me consumir e nem notei quando havia ficado de pé, só sabia que estava em pé, já. – Eu matei meu... pai. E você pode me taxar como um monstro, agora mais do que nunca, mas não possuo o mínimo de arrependimento do que fiz.

Senti que falei aquelas palavras com mais ódio do que havia medido, pois meu coração e minha respiração estavam acelerados e, dessa forma, descompassados fazendo minha cabeça latejar. Granger estava me olhando extremamente surpresa, pois seus olhos mais pareciam dois pires de tão arregalados e sua boca estava ligeiramente aberta e encoberta pelas pontas de seus dedos. Só naquele momento notei que suas unhas estavam perfeitamente pintadas em um tom de rosa bem claro com as pontas das unhas em um tom mais escuro. Essa percepção fez com que me acalmassem os nervos de tal forma que surpreendeu. Lezeira! Presta atenção nas unhas de uma mulher em um momento desses. Sorri intimamente pelo pensamento.

Notei quando, por fim, a Granger piscou, fechando a boca e voltando sua posição anterior.

- É... é... compreensível, Malfoy. – foi a minha vez de ficar com um ar aturdido olhando para ela ao ouvi-la falar com a voz fraca. O que? A Granger compreendendo o ápice do meu passado obscuro?

- Você está dizendo que me compreende? – perguntei voltando a sentar no sofá de forma lenta. – Que compreende uma pessoa ter matado o próprio pai?

- Hei! Clama aí! Falei que compreendo você... – enfatizou – pela sua atitude, unicamente. – respondeu com um meio sorriso fazendo gestos com as mãos. – Você só matou seu pai porque o viu matar sua mãe, em outra circunstância você não o faria. – ao ouvir aquelas palavras abaixei a cabeça. – Ou faria?

- Nem eu mesmo posso responder essa pergunta. – coloquei ainda de cabeça baixa enterrando-a em minhas mãos. Senti o espaço ao meu lado afundar e olhei, sem mudar de posição, para ele que outrora estava vazio e que agora era ocupado pela Granger. Podia ver que em seu olhar tinha... pena. Pena? –
Não me olhe com essa cara de pena Granger! – minhas palavras saíram frias. – Há tantas coisas no meu passado que...

- Não é pena, Draco. Como já falei, é compreensão. – falou com uma voz doce como se quisesse fazer com que tudo aquilo não fosse tão ruim como aparentava ser. E por incrível que pareça ela estava conseguindo. – Não conheço nada sobre sua infância e adolescência, além das coisas que aconteceram em Hogwarts, mas para que uma pessoa fizesse algo horrível em decorrência do que presenciou, é compreensível. Não estou dizendo que é aceitável, por que para mim é... não consigo nem explicar. Mas é compreensível, por que todos nos estávamos passando por um momento de grande tensão e qualquer que tenham sido nossas reações elas ficaram naquele momento e dessa forma são entendidas.

Voltei a olhar para meus pés ouvindo cada palavra dita por aquela mulher que mais parecia uma grande amiga e conselheira do que a prepotente da Granger. Logo em seguida, como se tivesse tomado um eficiente relaxante senti uma de suas mãos passarem por entre meus cabelos, fazendo-me fechar os olhos para sentir melhor aquele toque.

- Todos nos estávamos lutando com um ideal, um objetivo naquele dia. Mesmo que não tivessem sido os mesmos, nos estávamos lutando do mesmo lado para tentar preservar o que mais gostamos. E tudo o que fizemos naquele dia ficará, sim, gravado em nossa memória, seremos atormentados durante o sono por isso, mas serão acontecimentos daquele dia que devem ser relevados e compreendidos.

O silêncio se apoderou do ambiente permitindo que somente o barulho do pouco tráfego do lado de fora que entrava pela janela, fosse ouvido. Ficamos calados tempo o suficiente para que o constrangimento começasse a dar sinal de vida entre nós. Acho que percebendo até onde aquele momento de palavras reconfortantes tinha ido ela parou de acariciar meus cabelos fazendo-me despertar daquele transe e voltar minha atenção para seu rosto levemente corado enquanto olhava interessada pra um ponto na parede oposta.

- Você está quase me convencendo a entrar na equipe para virarmos o quarteto fantástico. – ela sorriu. - Você nunca pensou em ser psicóloga? – perguntei com um meio sorriso.

- A mente humana é bem mais complicada do que imaginamos. – falou sabiamente em meio a um sorriso ainda olhando para a parede.

- Você faria grande sucesso. Quem sabe depois que eu ocupar seu cargo no St. Mungus você não possa se tornar um psicóloga. Pelo menos já terá emprego garantido.

- Vejo que o velho Draco Malfoy voltou à ativa. – ponderou levantando-se do meu lado e se dirigindo até a poltrona onde voltou a se sentar. Sorri encostando-me no sofá. – Você poderia pegar água para mim?

- Pois não, doutora.

Consenti, levantando e me dirigindo até a cozinha que era separada da sala apenas por um balcão. Quando voltei, ela estava mais uma vez em pé, parada ao lado do armário, mas agora olhava atentamente para um porta-retrato que nem eu mesmo havia notado que estava ali. Entreguei-lhe o copo com água, ela virou-se para mim e perguntou:

- Quem é? – mostrando-me a foto que havia ali. Dei um passo até ela, esticando o pescoço para ver a imagem de dois homens de óculos escuros, na praia, cada um carregando uma prancha de surf, mostrando os polegares. Foi impossível não sentir mais uma vez o cheiro cítrico. – É seu amigo?

- Ah! Esse é Mártin, amigo, sócio e companheiro de farra que arranjei no Brasil.

- Legal! – exclamou sorrindo logo após tomar um pouco do líquido. – Mas não é um pouco estranho ter apenas uma foto com outro homem como decoração? – perguntou com um ar fingidamente intrigado.

- Isso depende do tipo de foto. E nessa não há nada demais. – falei pegando o porta-retrato das mãos dela e o colocando no lugar. – E como já falei, não sei quem arrumou o apartamento.

- Bem, se você está dizendo... – brincou tomando de uma só vez o líquido do copo tão rápido que um pouco escorreu para seu queixo, pingando em seu roupão. Inconscientemente levei minha mão até seu rosto limpando o lugar com a costa dos dedos. Sua pela era macia.

Só após perceber o seu olhar aturdido para cima de mim notei o que havia feito. Abaixei a mão tão rápido que bati na sua fazendo com que o copo escorregasse por entre seus dedos se espatifando no chão. Em um ato duplamente impensado nós abaixamos com a intenção de juntar os cacos.

- Ai! – gemeu Granger levando o dedo indicador até a boca. E que boca!

- O que aconteceu? – perguntei preocupado. Ela amostrou o dedo cortado e que sangrava. Levantou e sentou-se no sofá, enquanto eu soltava um bufo irritado pegando minha varinha de cima da mesa de centro e a apontando para os cacos de vidro. – Reparo! – num piscar de olhos o copo estava intacto. – Como está o dedo? – perguntei para ela me aproximando com o copo nas mãos e o depositando em cima da mesa.

- Cortado. Sangrando. Doendo. – respondeu em um muxoxo.

- Posso ver? – perguntei.

- Vai fazer voltar ao normal? – aquilo era mais um pedido do que uma pergunta. Ela estava aflita demais para só um corte.

– Você não acha que está fazendo drama demais por causa de um cortezinho desse? – não me contive.

A mão dela que já estava esticada para mim voltou com rapidez para junto do corpo da dona. – Tenho pavor a sangue. – sentenciou firmemente. Arregalei os olhos surpreso.

- Mas... E como foi na guerra? Tantos mortos, tanto sangue...

- Esse foi meu trauma. Ganhei de herança pela guerra. – fitava com grande interesse o dedo cortado. – Foram tantas as vezes que vi Harry e Rony feridos da cabeça aos pés que era inevitável não pensar no pior, mas tinha a plena certeza de que aquilo não era nem a metade das coisas que nos iriam acontecer. E estava certa.

- E você? Nunca se machucava? – perguntei tentando encontrar seu olhar. Ela deu um sorriso enviesado.

- Eu era mais cautelosa que os dois. Mesmo com a raiva e o medo me consumindo eu sempre pensava em cada movimento que faria, em cada feitiço que lançaria...

- Então seus movimentos eram perfeitamente calculados? – disse fazendo um movimento rápido com as mãos. Um daqueles movimentos que os ninjas dos filmes trouxas de ação fazem, com a intenção de continuar a fazendo sorrir. Mas não fui feliz na minha tentativa. Pois ela voltou a fitar o dedo, que agora pingava sangue em seu roupão, com o mesmo olhar deprimente de antes. – Accio guardanapo. – apontei com a varinha para um pano em cima do balcão que rapidamente veio para minha mão entregando-o para ela que o pegou e enrolou no dedo.

- Quando falei que era compreensível a sua atitude ao fazer aquilo com seu pai, é porque era Malfoy. – seus olhos brilhavam enquanto sua voz ficava ligeiramente embargada. Não vai chorar aqui, por Mérlim! – Não sei quanto aos outros, mas fizemos coisas horríveis naquela época...

- O que você fez Granger? – perguntei hesitante, cadê aquela mulher calculista de ainda a pouco?

- Não foi minha culpa... não era minha intenção... – agora sua voz estava realmente embargada. – Mas como você, perdi a cabeça ao presenciar uma injustiça com alguém que gostamos. – Ai, meu Deus! A mulher tá chorando! – Lancei uma maldição imperdoável, um crucio, no Comensal da Morte que deferiu um Sectusempra em... em Rony. E... e se não fosse por Harry... não sei nem o que poderia acontecer. – respirou fundo tentando conter as lágrimas. – E o pior de tudo... foi que me senti tão satisfeita por ouvir aquele homem urrando de dor. – desabou de novo em lágrimas.
Lágrimas contínuas desciam pela aquela face comprimida escondida por trás da mão boa. Soluçava. Arfava. Enquanto eu apenas presenciava aquela mulher derramando seu sofrimento ali na minha frente, sem saber o que fazer, falar, como me comportar. Foram poucas às vezes que vi uma mulher chorando, no entanto, nenhuma delas me comoveu como essa.

- Hermione, não consigo usar de nenhuma psicologia barata superior a que você usou no meu momento deprimente, então... pára, pára de chorar vai... É... é... compreensível. – foi a única coisa que consegui pronunciar vendo-a daquele jeito. Quando não sabemos o que falar o melhor a se fazer é copiar as palavras dos outros. E foi exatamente o que fiz. Diferente da tentativa anterior, nessa ela sorriu, fracamente, mas sorriu. Uma bola dentro.
O alívio percorrendo meu corpo fazendo-me relaxar os músculos diante daquele momento tenso, afastei de seus rosto vermelho algumas mechas de seus cabelos para trás da orelha.

Secando as lágrimas dos olhos com a costa da mão, ela me fitou com os olhos brilhando em decorrência do choro e ao nariz vermelho, um sorriso brincava em seus lábios e definitivamente, aquela sensação de impotência, fraqueza e frio na boa do estômago não estava ajudando em nada o que aquela imagem estava fazendo comigo. Mas o que estava fazendo? Não tenho a mínima idéia, só sei que é extremamente desconfortante... e boa.

- Você me chamou pelo primeiro nome mais de uma vez essa noite, por quê? – perguntou ainda sorrindo, mas com um olhar intrigado. Engoli em seco. Quando a chamei pelo primeiro nome que nem percebi?

- E você idem, não? – coloquei entre um sorriso cínico esperando sua reação. Ela abaixou a cabeça sorrindo abertamente, balançando-a de um lado para o outro.

– Boa saída!

- Eu faço o que posso!

- Mas... eu lhe chamei pelo primeiro nome, apenas com a intenção de... reconforta-lo. – fitou-me mais uma vez e agora era intensamente, meu sorriso cínico desfaleceu.

- Foi a minha intenção também. – e sem mais pensar, imaginar qualquer coisa que fosse e muito menos tentar encontrar alguma justificativa para aquela reação impensada, estiquei o corpo selando meus lábios aos dela.

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A sensação de incompreensão invadiu minha alma dos pés a cabeça quando vi um olhar muito diferente do frio que sempre vi naqueles olhos azuis-acizentado. Não era sedutor, mas também não era desconcertado. Não era imponente, mas também não era inferior ao meu. Era... não sei como era...
De olhos arregalados por tal atitude, visualizo aqueles cabelos loiros tão próximos que... não consegui mais pensar em nada quando aqueles lábios frios... Frios como a noite que se fazia, frios como o vento indicando que o inverno está chegando... encostando em meus lábios, selando o evitável, impensado e inusitado.

Tudo pára! O tempo, o som, o vento, a respiração, os batimentos cardíacos... Tudo! Um frio de congelar os ossos percorre meu corpo e a sensação de incompreensão aumentara tanto que era quase palpável.
Sentindo seus lábios selados aos meus, vendo seus olhos fechados bem mais comprimidos do que necessário, sentindo que sua respiração estava lenta como aquele beijo, sem pestanejar, jogo aquela incompreensão para qualquer lugar menos para a minha cabeça que definitivamente deixou de raciocinar e fecho os olhos sentindo aquele perfume cítrico enquanto mergulho minhas mãos naquele cabelos loiros quase brancos sentindo-os tão...

- Isso não está certo! – Como uma avalanche tudo desaba na normalidade. O tempo começa a andar, o barulho toma conta de meus ouvidos, um jorro de vento entra pela janela meio aberta, respiração e batimentos descompassados. E aqueles olhos azuis mais frios e ao mesmo tempo desejosos me olhavam com intensidade. – Me desculpe.

Levantou-se do sofá ainda me olhando e como com grande dificuldade desviou o seu olhar para a porta, para onde prossegui logo em seguida. Sem falar nada, como se um diabrete tivesse comido sua língua abriu a porta indicando que eu deveria sair. Nem pensei meia vez já que meu cérebro estava meio que perdido no momento anterior. Nem Consi, que vive para encher a minha paciência, está. Acho que deve estar petrificada. Caminhando tão rápido que para mim não estava saindo do lugar passei por ele que voltou a me olhar friamente, mas seus olhos brilhavam. Como isso é possível?

No entanto, não havia dado nem dois passos para fora de seu apartamento quando sinto uma mão firme segurar meu braço esquerdo virando-me com tamanha fúria que nem ao menos consegui divisar qualquer coisa que não fosse uma cabeleira loira e sentir lábios frios capturando os meus com intensidade.

Ali, não havia mais vestígio algum do beijo selado que ele havia me dado, muito menos aquela incompreensão que emanava daqueles dois corpos impossíveis de se encaixarem perfeitamente bem. Mas sim desejo. O ambiente estava ficando particularmente quente na medida em que mãos ágeis percorriam costas pernas, cabelos, braços, costas... quente!

Escutamos um barulho de porta se abrindo e logo em seguida se fechando, nos fazendo abrir os olhos de surpresa, mas nem por isso nossos lábios afogueados e dormentes em decorrência dos beijos ardentes se separaram apenas no encaramos cúmplices e eu senti seus lábios se esticarem em um sorriso, com certeza um daqueles cínicos. Mas meu Mérlim! O que estava acontecendo? Definitivamente eu não tinha reação para nada, apenas me deixei conduzir mais uma vez para o interior do apartamento dele, que fechando a porta logo em seguida, olhou-me da cabeça aos pés, um daqueles olhares que fazem uma mulher tremer da cabeça aos pés ao sentir uma corrente fria percorrer sua espinha fazendo-a arrepiar diante daquele que mais parece um animal diante de sua caça. Mas que animal!

Mergulhei em uma mistura de sensações que nem quero discernir quais são quando Draco Malfoy capturou meus lábios me imprensando na porta fechada e elevando meus braços para cima me deixando completamente presa aquelas sensações. Mãos. Braços. Beijos. Abraços. Pele. Barriga. Seus lábios. Tórax desnudo. Camisa ao chão jodaga displicentemente por mãos ágeias que havia esquecido que possuía. Camisola tirada sem consentimento. Na verdade, nada que estava acontecendo era por consentimento de ambas as partes. Em passos mal dados, cambaleando em direção ao pequeno corredor fui levada quase carregada. Ele abriu a porta me puxando para dentro ainda possuindo meus lábios com vigor, desespero, desejo...

"...Só quero que você tenha cuidado. Não sabemos ainda o que o Malfoy está pretendendo...” A voz de Harry soou na parte do meu cérebro que não estava concentrada no momento presente, me fazendo de alguma forma voltar a si. Arregalei os olhos e ao perceber concretamente que estava em seu quarto, pela força daquelas palavras de Harry, empurrei Malfoy que acabou caindo na cama com um ar mais aturdido que o meu.

- Definitivamente isso não está certo. - laçando um último olhar para Malfoy saí desembalada do quarto passando a mão pelos cabelos. No caminho da porta passei a mão em meu roupão que estava jogado ao chão, ao lado de sua camisa, e sai pela porta entrando na do lado.
Gárgulas galopantes, o que foi isso?

Foi a primeira coisa que veio em minha mente ao fechar a porta e encostar-me na mesma respirando profundamente e sentindo meu rosto afogueado. Inconscientemente passo as mãos pelos meus lábios inchados pelos beijos voluptuosos que havia recebido momentos antes me fazendo sentir um frio no baixo ventre. “Mas que fogo heim! Até eu me entorpeci naquele momento cítrico!” Sua vaca! Desmiolada! Ridícula! Onde você estava no momento que mais precisei de você para interromper aquilo? “Estava assim como você, aproveitando cada pedaço do loiro gostoso!” Arg! Sua...! “Olha a boca! Vai me dizer que não gostou?” Vê se me esquece! “Prontamente! Mas o amasso de ainda a pouco...!” Arg!
Desencosto da porta pisando indo em direção ao meu quarto passando por cafetão e bichento que me olhavam como se já soubesse que aquele não era o momento para brincadeiras, apenas me seguiram rumo ao banheiro onde tirei minha roupa de dormir com brutalidade que acabei me arranhando na cintura e entrei debaixo do chuveiro.

A água morna começou a percorrer meu corpo, cada milímetro, cada partícula, consumindo aquele momento de incompreensão com delicadeza. Deixei-me levar por aquela sensação de leveza para que ao sair do banho estivesse com a mente fresca para pensar melhor no que aconteceu no dia que passou. Mas mesmo antes disso chego à conclusão de que não foi nada bom. Tirando o momento que jantei comida francesa. Por que o resto... Até uma sandália que havia ganho da Sra. Weasley no natal eu quebrei o salto! Oh Mérlim até quando? Até quando vou ter que conviver com essa pessoa que só trouxe desgraça para minha vida? Não duvido nada que aquele ser abominável fez vudú para mim e Rony... Ah Rony! Onde você está? Por que me deixou aqui? Bem feito Hermione! Quem mandou querer dá uma de mulher moderna e não aceitar seguir com o amor de sua vida para uma nova vida! Agora, querida, aceite as conseqüências!

Silêncio! Uma dor no peito... sabe aquela sensação de que alguma coisa está errada? Que aconteceu algo que não era para acontecer? Que isso vai virar o seu mundo de cabeça pra baixo? Pois é! É essa a sensação que percorreu minha alma ao lembrar do que ocorreu no apartamento ao lado.

- Droga! – por que tinha que ser assim? – Eu necessito de um obliviate!
Com um pouco mais de força que havia medido abro o boxe do banheiro fazendo barulho, passo a mão pela parede ao lado a procura de minha tolha, achando, enrolo-a ao meu corpo molhado saindo do boxe, logo em seguida jogo-me na cama de olhos fechados com a intenção de me afundar ali até o fim dos tempos ao lembrar que no outro dia, mesmo contra minha vontade, e isso é o que mais desejo, vou ficar cara a cara com o Malfoy no departamento. Oh! Mérlim! Onde isso tudo vai parar? “Relaxa sortuda, ajoelhou então vai ter que rezar!” E você vai pra p... “Olha a boca!” Arg!

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Nada como um bom banho gelado, frio mesmo que faz doer, para amenizar o que se passa em nossas cabeças em um momento crítico. Mas esse banho definitivamente é mais para acalmar os ânimos do que para pensar melhor. A água gelada percorre meu corpo passando por partes que, inconsequentemente, criaram vida ao sentir aquele perfume cítrico tão de perto e mais ainda intenso que qualquer momento que o senti. Gárgulas galopantes! O que aconteceu? Onde estava o alto controle Malfoy? E que merda de beijo sem graça foi aquele? Mais parecia um molequinho de 10 anos beijando sua primeira namorada! Francamente Malfoy, você já fez coisas melhores que aquilo! Aliás, fez melhor que aquilo logo depois... impulsivo!

Soco a parede com o punho fechado ao perceber que, mesmo com a água gelada, o indivíduo ganha uma vida que não lhe pertence. Mas isso é conseqüência de puro desejo, só isso! Estaria realmente preocupado se ele não tivesse reagido aqueles instintos, ai sim, era uma coisa muito importante a se preocupar. Muito mesmo! Importantíssima! Mas o que não entendo, e o que transforma qualquer pensamento obsceno em dúvida, é o fato de ter sentindo o que senti ao ver Hermione Granger... Oh Merda!... só de camisola rosa, tão perturbada quanto eu, na minha frente, no momento em que pareceu voltar em si sobre o que estava fazendo... Que merda!... Já bastou tê-la achado bonita... Linda por sinal!... quando nos encontramos mais cedo e agora essa. Essa não! Isso que sei lá o que é que estou sentindo percorrer minha espinha do começo ao fim terminando em um incomodo na boca do estômago.

“Ainda vai aparecer na tua vida uma mulher que vai te deixar doido, que todos os seus pensamentos vão se fixar nela, somente nela... O cheiro, o modo de falar, o andar, tudo nela vai fazer você pirar tanto que vai ficar com medo do que ta sentindo e quando esse dia chegar lembra de mim...”.

Essas palavras sobressaltaram em minha mente, enquanto pensava no que havia acontecido entre o nunca e o jamais. Palavras de uma mulher cujo amor fora rejeitado por mim. Fazendo-me transportar para aquele momento em meu apartamento no Brasil e lembrar de cada palavra, da intensidade daquela voz, daquela vingança que estava se cumprindo. Nunca! Jamais! Isso nunca vai acontecer comigo!...”... tudo nela vai fazer você pirar tanto que vai ficar com medo do que está sentindo”... Droga! O que está acontecendo comigo?

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Sono? Que sono? Isso não me foi concebido durante a noite! Dormir? Mas é claro que não dormi! Só de imaginar minha cara deslavada encarando aquela feição cínica me fazem embrulhar o estômago, por isso não sinto a mínima fome. Por que o tempo não pode parar? Ser bruxa nem sempre é vantajoso, como nesse momento, em que o meu maio desejo é que o tempo pare ou então poder voltar no tempo... voltar no tempo... VOLTAR NO TEMPO. É ISSO!! Mas é impossível! Droga! Desde o dia em que invadimos o Ministério da Magia pela segunda vez e acabamos com o ínfimo estoque de vira-tempos esses não foram mais criados em larga escala, apenas sobre encomenda. E eu com essa santa inteligência não me dei ao trabalho de encomendar um para mim com a pretensão de que nunca precisaria. MAS AGORA EU PRECISO, NECESSITO, ALMEJO E DESEJO UM VIRA-TEMPO! “Uwo! Maluca sim, mas histérica nunca viu!” Cala a boca sua amiga da onça!

Levanto-me da cama com a vontade de ficar deitada ali por um bom tempo. Não que eu seja preguiçosa, nunca fui ociosa, o problema é que esse dia não deveria ter amanhecido tão rápido, na verdade, não deveria ter amanhecido mesmo. Mas, como nada que desejo anda acontecendo como imaginava o que me resta é levantar, espreguiçar, respirar profundamente e... verificar o por quê de Edwirges estar batendo com tanta insistência na minha janela.
Aproximo-me da janela, abrindo-a para deixar a coruja entrar que, em um vôo amplo, deixou cair um pequeno pergaminho em cima da minha cama e logo em seguida saindo. Pego o pergaminho com uma curiosidade misturada com apreensão, quando Harry manda notícias a essa hora da manha quer dizer que alguma coisa está acontecendo e não é coisa boa. Pelo menos nem sempre.

Bom Dia Mione,
Desculpe estar incomodado você a essa hora da manhã por que tenho certeza de que ainda estava dormindo, mas, já leu o Profeta Diário de hoje? Espero que sim, se não, entre em contato urgentemente comigo. Precisamos avaliar a situação.

Fique bem!

Harry

P.s.: Émilly manda um beijo Weasley e diz que estar com saudade da dinda. Gina quer falar com você com urgência também, perguntei sobre o que era, para escrever aqui, mas ela disse que é coisa de mulheres. Vocês que se entendam depois.


Não falei que tinha alguma coisa acontecendo! Eu conheço Harry como a palma da minha mão. E odeio quando faz isso. O que será que há de tão importante naquele jornal? Com agilidade passo por cima de minha cama e rumo para a sala onde, da porta de meu quarto, vislumbro uma coruja das torres de pé em cima da mesa de centro e bem ao seu lado um embrulho. Catei uma moeda de dentro de minha bolsa que estava jogada em minha poltrona favorita, colocando-a dentro de um bolsinha de couro presa a perninha da ave que prontamente deixou o lugar saindo pela janela, voando... “Não! Nadando!” Ninguém te chamou para a conversa.

Continuando. Aproximo-me da mesa com grande interesse, olhando para o jornal perfeitamente dobrado como se esperasse que ele de repente começasse a dançar uma conga ali. Jogando toda a precaução para os ares pego o rolo de papel abrindo-o com firmeza, logo em seguida deixando meu queixo cair ao mesmo tempo em que meu coração disparava em uma batida descompassada, fazendo doer todos os músculos, cada molécula, cada partícula de meu corpo e de minha alma.

Ao passo que lia a notícia minhas pernas iam ficando cada vez mais fracas, passando a não sustentar mais meu peso, dessa forma fazendo-me desfalecer no sofá com a boca aberta e todo o corpo pesado como se o mundo tivesse se instalado ali. No entanto, minha respiração definitivamente parou ao ler um nome que, sinceramente, não imagina ler ali. Um nome que fez doer mais ainda tudo por dentro. Como se um enorme espremedor estivesse em meu coração.

Mas, alguma outra coisa começou a crescer dentro de mim. Um sentimento que há muito tempo não sentia. Que pensava estar morto e enterrado, mas que agora surgiu das cinzas tão forte quanto antes. E não é bom sentir isso, por que todas as marcas do passado parecem ressurgir tão frias e mais vivas? Movida pelo impulso do ódio levanto-me do sofá respirando profunda e descompassadamente. Com o jornal preso nas mãos abro a porta de meu apartamento com uma brutalidade digna de uma mulher com raiva. Sigo para a direita e diante da porta do vizinho não penso nem duas vezes em bater e já estou socando a porta com toda a paciência que me faltava. Escuto a pessoa falar para esperar, no entanto, como que movida por aquelas palavras, bato consecutivamente e com mais força na porta.

- Calma o mundo não vai... Hermi... Granger?

Foi bem pior do que não havia imaginado. Em conseqüência do ódio que me consumia havia esquecido completamente o que acontecera na noite anterior e como se um filme tivesse passado em minha cabeça sinto meu rosto esquentar fazendo-me esquecer por breves segundo, enquanto vislumbrava aquele homem apenas de short de dormir, segurando a porta com uma das mãos, os cabelos bagunçados, o rosto levemente inchado, o que realmente iria fazer ali.

- Que foi Granger, veio tentar me convencer a entrar pra liga da justiça? – perguntou dando aquele sorrisinho cínico, porém o seu efeito não foi como das últimas vezes, tinha constrangimento escondido.

- Não! Mas por incrível que parece, estou disposta a ouvir sua versão para esse fato. – abri o jornal bem perto de seus rosto o fazendo dar um passo para trás.

- Mas...

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N/A::Olha gente! depois do cap. anterior esse foi o que mais gostei de escrever... no meu planejamente esse momento estaria muito para depois, + compreendi que ele seria indispensavel para o que esta por acontecer... então... espero que tenham gostado...

B-jus aos que comentaram: Anna Fletcher, Rhaissa.Black, Lady Caos () prontinho moça trokei a capa, seu peidod é uma ordem, + ñ colokei a q vc pediu... colokei a q fz, + vou colocar a sua pod deixar), Mione Malfoy, Marcele Bezerra (minha beta favorita =D)

E todos q leem sem comentar um super beijo tbm pq sei q vcs existem =D

=** ate o proximo!! (Q ta demorando! Desculpa! )

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