Novas Escolhas



O nó de sua garganta ia aumentando cada vez mais enquanto ele a encarava. Os olhos dela transmitiam... pena? Ele estava se sentindo mal, mas não conseguia falar, não conseguia desviar os olhos dos dela. Não conseguia dar as costas para a loucura instantânea, rir como quem realmente não acreditava no que ela acabara de dizer.

Mas... Ele acreditava.

Ela estava sendo sincera. Nas palavras, no olhar. E, sem ao menos perceber, ele se sentou no chão, apoiando os cotovelos nos joelhos e deixando suas mãos soltas. Os olhos, agora vermelhos e irritados pela vontade de chorar, não deixaram o rosto de Mione nem mesmo por um segundo.

O tempo havia parado. A respiração dos dois estava descompassada. A dela por ansiedade, a dele... Bem, nem mesmo ele conseguia traduzir as ondas de sentimentos estranhos que iam e vinham dentro dele.

Finalmente conseguindo tirar os olhos da pessoa que o tinha na palma da mão, olhou ao redor. Um sorriso fraquinho tomou conta do rosto dele ao ver as toalhas que ele deixava largadas em cima da bancada, que sempre resultavam nas reclamações dela. Viu o frasco do perfume que ele dera a ela, que já não continha nada, como lembrança, a frente de outros muitos vidros na estantezinha.

Respirou fundo. O que talvez tivesse sido um erro àquela hora.

O cheiro dela o invadiu novamente, o cheiro que havia se instalado no banheiro. Aquilo ia matá-lo, senti-la e não poder tocar mais. Ter e não ter... E, envergonhado pela derrota contra si mesmo, abaixou a cabeça e deixou que as lágrimas rolassem.

Percebeu quando ela, que ainda estava de toalha, veio se aproximando, querendo tocar-lhe o rosto. No que ele rapidamente desviou. Ela olhou assustada para ele, como perguntando o porquê daquela reação.

Ele, incerto se sua voz soaria bem ou não, respondeu:

- Só... Só não piora as coisas, por favor.

Ela abaixou a cabeça, movendo-a lentamente e sentou-se ao lado dele, encarando-o.

- Sabe, nossa amizade não vai acabar. Você é meu melhor amigo, sempre foi. Eu quero contar com você, sempre. Assim como eu quero que você conte comigo. Não vai ser essa briga que vai nos afetar como amigos, como o que fomos desde que nos conhecemos. Nossa ligação é insubstituível, é inigualável, Ron. Eu preciso de você e sei que você também precisa de mim. Somos como alicerces um para o outro e...

- Mione... Por favor.

Ela calou-se.

Então era isso? Ia vê-lo sofrer? Parada? Era isso que ele queria? Que ela ficasse quieta para que ele voltasse aos piores momentos de sua vida e se fechasse no seu mundo? Muito bem, então! Isso só provava a ela que sua decisão havia sido a melhor possível, não podia conviver com alguém que, volta e meia, se isolava.

O silêncio tomara conta do cômodo novamente, a respiração de cada um podia ser detalhadamente estudada. A dela estava rápida demais, forte. Como se ela estivesse controlando a raiva. E a dele... Poderia se dizer que ele não respirava. Estava tão calma e silenciosa que era quase inexistente.

Os dois não falavam mais nada, não se olhavam, não se tocavam. Ela esperava uma resposta dele, estava pronta para gritar de volta todos os argumentos que formulara na sua cabeça, mas uma reação quanto a isso... Algo que o tirasse desse estado dele. Não havia pensado em nada, absolutamente nada. Esperava que ele explodisse, que a chamasse de louca mais uma centena de vezes, que ele a acusasse de ser a culpada e coisas do tipo. Mas quanto palavras ou ações perante o silêncio dele.

Silêncio irritante dele...

Ela não tinha nada.

Então, como se nada tivesse acontecido, ele se levantou, dirigiu-se à pia, abriu a torneira e encheu suas mãos com água. Encarou a si mesmo no espelho e espalhou a água por todo rosto e cabelo, repetindo o ritual algumas vezes.

Sabia que estava num momento delicado, não queria parecer mais fraco do que já estava. Não poderia olhá-la com o rosto vermelho, não queria assumir que havia realmente chorado.

Quando ele virou-se para olhá-la, viu que ela o encarava, curiosa. Viu os olhos dela percorrendo lentamente seu rosto e cabelos molhados.

Não.

Ele rapidamente fechou os olhos, abaixando a cabeça. Olhar para ela, sentada no chão, de toalha, olhando para ele, fazia com que ele quisesse reviver o beijo que haviam compartilhado há pouco, fazia com que ele tivesse não apenas a vontade, mas o dever de arrancar aquela toalha dela e tê-la em seus braços novamente.

“Nisso” é que ele não poderia pensar agora. Respirou fundo novamente, tentando ignorar o cheiro que o inebriava, o qual não ajudaria em nada se ele quisesse realmente tirar alguns pensamentos de sua cabeça. E, finalmente, encarou-a.

- Então... – ele começou, logo percebendo o erro. Seria covarde demais da parte dele se tivesse apenas ficado quieto? Ou, quem sabe, saído para tomar um sorvete. Seria muita covardia ou muita coragem? Seria egoísmo ou altruísmo? Seria Ron ou Hermione?

- Então...? – disse ela querendo completar o pensamento de Ron, encarando-o.

- Você quer... – agora que ele já tinha começado, era melhor terminar. – Quer que eu saia da casa? – ele não sabia que seria assim, mas, se pudesse voltar agora, teria ficado em silêncio e sem o nó na garganta.

Ela então o olhou, desconfiada. E depois sorriu. Pensando que finalmente tinham se entendido, finalmente estavam tendo uma conversa de adultos: viam os pontos de vista, os prós e os contras, refletiam com sabedoria sobre a decisão, sem se exaltar. Ela estava feliz pelo fato de que ele, agora, depois de perder muita coisa, pudesse ser visto como alguém maduro.

Aliviada e contente por poder, depois de tanto tempo, se libertar dela mesma, Hermione se levantou e postou-se ao lado de Ron. Encarou-o e sorriu, tentando transmitir naquele olhar todo o orgulho que sentia dele.

Orgulho que, no ponto de vista dele, era extremamente desnecessário. Claro que ele sempre quis impressioná-la. Afinal, quem era ele perto dela? Ninguém. A competência, inteligência e esperteza dela faziam sombra ao seu nome. Mas ele realmente não importava, não importava se ninguém olhava para ele com admiração, desde que ela o fizesse. Era o brilho no olhar dela que fazia com que ele se sentisse completo, realizado. O brilho de orgulho.

Mas completamente diferente deste. Ele não estava fazendo por merecer, mais uma vez. Ficara em dúvida, não havia feito aquilo com sua consciência tranqüila, queria tê-la consigo e não. Definitivamente não merecia aquele olhar que sempre o fazia se sentir merecedor de si mesmo e de tudo em volta.

Depois do que havia acontecido, depois de tê-la magoado ao extremo, não era merecedor de nada. Não era nem ao menos merecedor da imagem que Hermione transmitia ali no banheiro da casa deles. Castigava-se pela sua consciência egoísta de pensar em si próprio, sempre.

- Eu já aluguei outra casa, Ron.

Por que tanta naturalidade? Há quanto tempo ela já alugou a casa? Ela sempre soube que íamos terminar? Quer dizer... Que ela ia terminar comigo? Por que ela não tentou conversar comigo antes? Por que deixou com que eu ficasse mais e mais distante dela? Ela tem outro? Deixou acontecer para ter uma desculpa?

Incontáveis perguntas passavam agora pela cabeça de Ron Weasley, uma mais irracional que a outra, mas, em sua concepção, perfeitamente plausíveis.

Não olhava mais para ela, na verdade, nem sabia para onde estava olhando. Seu olhava vagava, de lá para cá, sem se fixar num ponto. Pensando e pensando.

Ele não queria começar a brigar novamente, já estava bem ruim. Mas não podia aceitar aquilo dela, não podia! Era uma injustiça, isso que era! Ele não merecia isso, não merecia ser enganado pela pessoa que mais confiava.

Sem dizer nada, saiu do banheiro. Abriu a porta com uma força desnecessária e andou pelo quarto, parando de frente para o guarda-roupa e apoiando sua cabeça no móvel. Queria gritar, queria chorar, queria, mais que tudo, o colo dela. Os carinhos, o abraço, o beijo, as palavras de consolo, o apoio dela. Queria sua mulher de volta...

Por quanto tempo ficou parado, com a cabeça encostada no guarda-roupa não podia dizer ao certo. Com o silêncio que nenhum dos dois ousava quebrar, ele pôde ouvir que os pés descalços dela haviam caminhado para fora do banheiro. Onde ela estava e o que fazia, ele não queria saber... Sabia que se olhasse para ela agora era capaz de forçá-la a ficar, forçá-la a dizer que aquilo tudo era mentira, forçá-la a dizer a única coisa que era verdade: que ela o amava.

Por outro lado sabia que se forçasse algo, ela dificilmente o perdoaria. A situação já era muito delicada e ele já havia arriscado demais a relação dos dois – que estava um tanto quanto indefinida até o momento.

Respirando forte e tentando ignorar o fato de que ela já havia planejado tudo, resolveu, finalmente, encará-la. Mas o que ele viu fez com que ele preferisse continuar a encarar a madeira escura do armário.

Com a mala aberta em cima da cama, Hermione selecionava alguns poucos objetos de cima da penteadeira, perfumes, brincos e algumas fotos, sorrindo ao olhar algumas dela mesma com Ron.

Olhou para ele com um meio sorriso no rosto, apontando para o armário. Ele deu passagem para que ela pegasse suas roupas e tentou sorrir de volta. Não soube ao certo se conseguira, sua boca estava estranhamente seca e parecia torta, será que estava mesmo? Balançou a cabeça como se afugentasse seus pensamentos, pensar na sua boca não era interessante, realmente nada interessante. Se ao menos fosse a dela... E então tornou a balançar a cabeça, por mais que a boca dela fosse interessante, na verdade interessantíssima na opinião de Ron, pensar nisso não o ajudaria nem um pouco.

Percebeu que não tinham trocado uma única palavra desde que ela dissera que já havia alugado uma casa. Mesmo que ele não soubesse ao certo o que dizer, sabia que o silêncio não era uma boa opção – mesmo que fosse a mais confortável para ele. Decidido a mostrar para Hermione que ele não pensaria somente nele, começou dizendo:

- Pois é, Mione... – e parou.

Ela olhou para ele demonstrando que não havia entendido muito bem, mas que também estava achando graça.

- O que foi, Ron? – disse ela parando de ajeitar as roupas na mala e o encarando com as mãos na cintura.

Ele sorriu e a encarou, movimentando suas mãos e cabeça como se não houvesse nada mais óbvio de entender. Ela riu mais ainda, mas voltou a arrumar as malas.

- Só você mesmo, Ron... – disse encarando a mala.

Sorte a minha.

Assim que ela dissera aquilo, ele havia largado os braços e abaixado a cabeça, estava com o semblante triste novamente.

Não pensava agora nas possíveis razões que ela tivera para arranjar outra casa, não pensava nas brigas, nas loucuras que disseram um ao outro, no que fizeram.

Pensava em momentos como este – talvez o último.

Momentos em que ela a fazia rir, sem nenhum motivo aparente e que ela se deixava levar pela personalidade brincalhona dele. Momentos em que ele fazia alguma piada realmente engraçada, mas que ela, querendo repreendê-lo, não se permitia sorrir e adquiria uma fisionomia que fazia com que ele risse mais ainda, tirando-a assim, do seu estado relativamente sério.

Parecia tão fácil fazê-la rir. Era simplesmente natural. Assim como era natural que ela reclamasse do jeito desleixado dele, o modo de que a surpreendia com presentes que não valiam nada para qualquer outra pessoa, o modo com que se encaixavam perfeitamente numa poltrona nas noites de inverno.

Era da natureza dele fazê-la feliz, fazer com que ela risse, pulasse, gritasse de alegria, apenas de alegria. Seria uma vida inteira vivendo o natural, vivendo o que era para ser vivido e que ele desperdiçara.

Ele, que sempre reclamou que não tinha nada, que não conquistava nada, que não possuía nada. Ele que se achava a pessoa mais infeliz do mundo, que nunca seria realmente feliz, que nunca se sentiria completo. Ele que achava que não merecia ninguém. Logo ele conquistara Hermione.

Como, ele não sabia. Perguntava-se até hoje se Hermione era a pessoa centrada e sã que ele achava que era, mas, mesmo que não fosse, estava muitíssimo feliz – ou pelo menos achava que estava.

Os primeiros meses do casamento foram maravilhosos e ele tinha certeza de que ela também achava isso. Mas a ausência do seu pai o abalava cada dia mais e ele passou a se fechar. Queria se afastar de todos, achava que ninguém entendia o que ele sofria, ninguém o ajudava. E, logicamente, estragou tudo de bom que havia conseguido: a relação com seus irmãos – que não admitiam que ele se fechasse em seu próprio mundo de culpa e solidão; a relação com sua mãe – que dizia para ele olhar para ela e ter um exemplo, que a vida não estava acabada e que deviam continuar; a relação com Hermione – que definhara tentando ajudá-lo, até o limite.

Resolveu sair do canto do quarto e se jogar na cama, literalmente.

- Humpf... Sempre... – disse ela sorrindo, já fechando a mala.

Ele sorriu de volta, com certo charme que fez com que ela revirasse os olhos, ainda rindo da situação.

- Eu vou sentir saudades de você. – assumiu ele com a voz embargada.

- Não vai, não. – disse, deixando de erguer a mala da cama e sentando-se perto dele. – Eu não vou deixar que nossa amizade acabe, Ron. Não vou me afastar, até porque não quero me afastar de você e...

- Não... – ele a interrompeu. – Não é disso que eu estou falando e você entendeu muito bem, Mione.

Ela abaixou a cabeça se sentindo constrangida. O que era um tanto quanto infantil, afinal já haviam confessado e compartilhado tantas emoções... Mas agora era complicado. Sabia exatamente o que ele diria. Há muito tempo atrás ela já conseguia ver a verdade estampada nos olhos dele e isso, mesmo com todas as brigas, não mudara. Sabia que ele a amava e sabia que queria continuar com ela ao seu lado, então não sabia como diria que não o amava mais, que não queria mais nada entre os dois que não fosse amizade, que queria ficar sozinha a partir de agora e não se envolver tão cedo com outra pessoa.

Já não era fácil assumir isso para um amigo qualquer, quanto mais se esse amigo fosse justamente a pessoa a quem ela se referia.

Olhou novamente para ele quando sentiu a mão dele sobre a sua. Não queria dar a ele falsas esperanças deixando sua mão onde estava, mas também não queria parecer rude e fria, retirando-a.

Era extremamente ruim ter que encará-lo com um sorriso bobo no rosto, olhando para as mãos deles, juntas – talvez pela última vez. Mas não podia continuar a enganá-lo, não queria deixar que ele pensasse que ela gostaria de ficar. Porque eu não gostaria.

- Ron... – disse, resolvendo deixar as coisas mais claras para ele.

- Sim, claro... – disse rapidamente largando a mão dela e afastando-se consideravelmente e forçando mais um sorriso. Boca torta outra vez?

Sem dizer nada ela levantou, pegou a mala e foi caminhando para fora do quarto. Decidido a ter, pelo menos, uma despedida, ele pulou da cama como se sua vida dependesse disso e foi atrás dela.

Conseguiu sorrir quando chegou novamente perto dela, tirando a mala de suas mãos.

- Eu faço isso, Mione.

Ela sorriu, agradecida pela gentileza dele e feliz de que ele não estivesse chateado pela saída repentina dela do quarto.

Caminhavam em silêncio em direção até a sala e novamente Ron decidiu falar algo, mas, dessa vez, algo que realmente fizesse sentido.

- ‘Tô vendo que você pegou pouca coisa... – disse se referindo a mala pouco cheia dela.

- É, eu sei... Decidi não levar tudo de uma vez, vou dar mais umas passadas por aqui para ver se a casa continua de pé durante minha ausência.

- Claro que vai continuar! – disse ele num tom falsamente indignado. – Torta como A Toca, mas ainda assim de pé.

Ela sorriu.

Naturalidade.

Ron abaixou a cabeça, encarando a porta da sala, cada vez mais perto.

- Mione, sério. Eu saio da casa, vou para A Toca. Já tenho meu espaço lá, roupas e tudo o mais, não precisarei ficar vindo aqui e te perturbar. A casa é sua, você não precisa sair daqui.

- Ron, eu já disse que não precisa, já aluguei uma casa. Meus pais mandaram meus móveis antigos para lá, ‘tá tudo certo.

Ele parou, já na sala, largando a mala ao seu pé fazendo ela se virar para ele.

- Assim eu sinto... sinto que nunca faço o suficiente por você. – disse ele baixando o tom de voz.

- Claro que não, Ron... - ela se aproximou dele, pronta para abraçá-lo quando ele se afastou.

Ele sabia que talvez tivesse sido um pouco duro, mas queria continuar sustentando seu semblante de quem estava aceitando a mudança numa boa, que entendia perfeitamente, muito bem, obrigado e que não estava sofrendo com isso. Mesmo que cada parte do seu corpo estivesse gritando por ela e fazendo todo seu esforço de continuar a encarar a situação com normalidade ir por água abaixo.

Ela recuou, um tanto sem graça e pediu desculpas.

- Que isso... – ele disse encarando os sapatos com as mãos nos bolsos, visivelmente constrangido.

- Bom... Acho que é isso.

- É, acho que é... – disse ele finalmente conseguindo encará-la.

- É... Tchau então.

- Tchau.

Assim ela foi caminhando em direção à porta. Sem nada mais que um simples “tchau”. Ele estava parado, com as mãos nos bolsos, olhando Hermione partir. Cada vez mais perto da porta, cada vez mais longe dele. O barulho da porta sendo aberta foi como a certeza que ela ainda não havia dado para ele: ela realmente queria ir.

Sem ao menos ter consciência do que estava fazendo, ele correu e se jogou contra a porta que estava sendo aberta. Hermione pulou para trás, assustada – “Ron!” –, mas ele não queria saber, se ajoelhou em frente a ela, abraçando suas pernas, sem censurar suas lágrimas dessa vez.

- P-por favor, Mio-ne. Não va-ai embora. Não me deixa, não me deixa...

Hermione estava surpresa com a atitude dele e não sabia o que fazer. Nunca havia visto Ron nesse estado. Esquecera-se totalmente do seu orgulho, não estava se importando se parecia fraco demais ao chorar.

- Me perdoa, Mione... Me p-perdoa, por tudo que eu te fiz. Pela minha burrice, meu egoísmo, por favor, fica comi-igo.

Como se recobrasse os sentidos lentamente, Hermione foi tentando se afastar, empurrando os ombros dele para longe do corpo dela, mas não estava adiantando. Quanto mais ela tentava se soltar, mas ele a abraçava. Ela estava se sentindo completamente perdida. Não conseguia fazer com que ele se afastasse e deixasse que ela fosse embora, mas também não queria usar magia contra ele, afinal ainda queria poder contar com Ron e sabia que este ficaria extremamente ofendido se ela o atacasse. Mas não estava restando opção.

- Ron, me larga. Eu tenho que ir.

- Não, não tem! Você precisa ficar comigo, Mione. Eu preciso ficar com você...

- Ron, eu só vou falar mais uma vez ou vou ter que usar a varinha: me larga. – disse reforçando cada palavra.

- Não... Não precisa. – ainda ajoelhado ele se afastou dela.

Hermione parecia impassível. Por mais que tivesse ficado surpresa na hora, não parecia estar chocada. Na verdade, parecia que havia encarado Ron com indiferença e ele notou isso.

- Mione, por favor... Olha para mim. – disse assim que ela havia recomeçado a caminhar para sair de casa.

Ela então parou, olhando para ele e pode notar os olhos inchados, vermelhos. Notou o modo em que ele havia se largado no chão, ignorando completamente seus modos e educação e, por mais que fosse horrível assumir para si mesma, não pôde deixar de sentir pena.

- Mione... Por favor...

- Ron... – disse ela olhando para ele, mas abrindo a porta. – Eu já tive que escolher entre eu e você uma vez. – continuou ela saindo de casa – E eu escolhi você. É a minha vez agora. – ela foi fechando a porta, devagarzinho, olhando para ele. – Desculpe.

Ron encarou a porta, perplexo. Agora era apenas ele e um mar de lembranças.





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