All The Small Things



Harry Potter


 


Ensino médio.


Porquê?


Um bando de adolescentes sem idade o suficiente para pensar por si próprios reunidos em uma escola com um odor desagradável. Isso é uma tortura.


Lugar onde os mais fracos são vítimas que apanham e sofrem até se livrar dos colegas idiotas. Onde os professores não estão nem aí desde que recebam seu salário no fim do mês. Onde os melhores têm os melhores anos de suas vidas, cercados de amigos e de brincadeiras, até se formar e ser um ninguém na vida.


Onde, obviamente, eu sou um dos fracos.


-Talvez só seja uma perda de tempo, já que eles não têm lugar para colocar um bando de adolescentes bagunceiros com hormônios em excesso. Ou seja uma preparação para a tragédia que será nossa vida no futuro. É tudo uma questão de ponto de vista.


Rony Weasley piscou, confuso.


-Cara, ás vezes não faço ideia do que você está falando. Na maioria das vezes.


Sorrindo levemente, bati meu armário e me voltei para o ruivo.


-Você entendeu quando eu disse que a piscina lá de casa estava pronta – falei.


-É uma questão de sobrevivência – respondeu ele – Todos que não têm sua casa de praia ficariam felizes em saber que o vizinho e por sorte melhor amigo tinha um jeito de se refrescar no verão – ele levantou os braços em uma comemoração – Irra! Todo mundo feliz.


-Depois eu sou o esquisito – resmunguei. Rony ergueu as sobrancelhas e seguimos ate a saída. Poucos alunos estavam por perto. Os retardatários começavam a se dispersar, e os que frequentavam clubes conversavam, tentando parecer o menos nerds possíveis. Ao longe, no campo de futebol, alguns garotos observavam líderes de torcidas treinar. Vi Rony revirar os olhos quando um borrão vermelho foi arremessado no ar – Sério, como você aguenta?


-Não é como se ela fizesse malabarismo com garotas esqueléticas na hora do jantar, ou coisa parecida – ele deu de ombros – O mais chato é minha mãe, que acha que ela é a melhor dos filhos, e que todos têm que seguir o exemplo de sua perfeição. Bem, não exatamente com essas palavras.


-Pelo o menos você não têm que usar uma saia – comentei, ao passarmos pelo portão.


-Isso sim seria aterrorizante – ouvi um garoto com jaqueta do time comentar, enquanto os amigos riam.


Revirei os olhos, mas não me virei.


Típico.


 


 


Ted Lupin


 


Ok. Não é tão ruim assim. Ou é? Ah, droga. Claro que é.


O mundo pode estar acabando, mas eles nunca me escutam. Isso é meio irritante. E esse “meio” foi ironia.


-Não é justo – reclamei, batendo com a cabeça no vidro.


-A vida não é justa, seus pais te odeiam, ninguém te entende – Nimphadora Tonks revirou os olhos, no banco do motorista – Eu sei disso. Já fui adolescente.


-Porque eu não posso ir com você? - perguntei.


-Eu já disse, querido – suspirou ela – A empresa só liberou uma passagem. E é melhor que você fique aqui, enquanto eu arrumo um apartamento, uma escola. Essas coisas.


-Isso é muito chato – reclamei, sabendo que era uma atitude infantil – Aqui é muito chato.


-Ah, nem é tanto – respondeu ela, enquanto passávamos pelo centro de Londres – Têm Harry, vocês podem brincar.


-Mãe! - exclamei, revirando os olhos – Eu tenho dezessete anos!


-E ele tem dezesseis, dã, que diferença faz? - reclamou ela, e eu não respondi. Depois de um tempo, ela falou novamente – Olha, Ted, eu sei que vai ser difícil. Mas é só até acabar o ano, depois vamos morar em New York e você só vai ver eles quando quiser. Talvez seja uma coisa boa. Mudar de cidade, mudar de escola. Talvez seja uma oportunidade de você começar uma nova vida. Não é tão ruim. Você vai ficar com seu pai. Tem Lily, James, Sirius. Têm Dorcas. Você não vai se sentir sozinho.


-Achei que você odiasse ela – murmurei, sem olhar para minha mãe.


-Eu nunca odiei Dorcas – respondeu ela, rapidamente – Se tem alguém por aqui que eu poderia odiar aqui, é seu pai. Por te dar aquela droga no natal passado.


Deixei escapar um leve sorriso. No natal passado, ganhei uma guitarra e um amplificador. Depois disso, minha mãe diz que nunca teve paz. Não que eu acreditasse em Papai Noel, ou até mesmo em Natal. Mas talvez foi uma recompensa pelo pouco tempo que eu e meu pai passamos juntos. O que é muito legal. Acredito que se eu passasse mais um ano sem ver ele, ganharia uma bateria. Ou meu próprio estúdio de mixagem.


-Não é sua culpa – disse mamãe, quando paramos na frente do casarão do meu pai e de Dorcas – Eu realmente tive que aceitar esse emprego. Não é sempre que dão a oportunidade de chefiar uma filial, mesmo que for em outro país.


-É, eu sei – falei, não prestando muita atenção. Não queria descer do carro.


-Me desculpa, ok?


-Não, tudo bem – falei, olhando pra ela – Sério, mãe. Tudo bem. Vai ser só até o final do ano, não é?


-Me liga se precisar de socorro, ok? - disse ela, quando eu saí do carro. Peguei minha mala no banco de trás.


-Me liga quando chegar – falei pelo vidro – Tchau, mãe. Boa viagem.


Fiquei na calçada até o carro amarelo de minha mãe desaparecer no fim da comprida rua. Suspirei e me voltei para a casa. Três andares, jardim enorme.


Digno do ex-baixista da School Of Rock.


-Pai? - chamei, ao entrar pela porta da frente, com minha chave – Dorcas? - silêncio absoluto – Ninguém em casa? Ótimo.


Carreguei a mala até o andar de cima. Ao parar na porta do cômodo onde é para ser meu quarto (pelos poucos dias que eu passo ali, vez ou outra), ouvi um barulho. Abri a porta com um estrondo e ouvi um grito.


-Ah, claro – resmunguei – Tinha que ser.


 


 


Maggie Black


 


-MÃE? PAI? HARRY? RONY? HERMIONE? RAINHA DA INGLATERRA? ALGUÉM?


Eu definitivamente odiava Ted Lupin.


-Ninguém vai te ouvir, pirralha! - gritou ele, do outro lado. Pelo seu tom de voz, podia ver que estava sorrindo.


Soquei a porta mais uma vez, sem resultado. Suspirei e olhei ao redor, para o banheiro daquele estúpido. Mantida em cativeiro.


Eu não fizera nada de mais, afinal. Sair de casa sem seus pais saberem, invadir a propriedade dos tios, entrar pela janela do quarto do primo e usar seu video game. Qualquer um faria isso. Mas admito que entrar pela janela do segundo andar foi difícil. Merecia um prêmio por isso. Mas nãooo... Em recompensa, fui trancada no banheiro.


-Me deixa sair, seu idiota! - gritei, com raiva.


-Nem pensar – respondeu ele – Ninguém mandou apagar minha gravação de God Of War. Como é que se passa da fase da Medusa?


-Volta, entra na porta do lado e lá vai ter uma espada.


Alguns segundos depois...


-AH! NÃO! SAI, SAI! PÁRA! CORRE, IDIOTA! QUAL É MESMO O BOTÃO DO PODERZINHO? Droga. Você é brilhante, Maggie. Acabei de morrer.


-Não era essa a intenção? - dei uma risadinha – Sério, me tira daqui.


-Não.


Peguei o celular e disquei o número. Ouvi uma música do outro lado da porta.


-Alô?


-Sério, me tira daqui – falei. Ted desligou na minha cara.


Entrei na banheira e me estiquei para olhar através da janelinha no alto. Via a casa do vizinho. Se fosse do outro lado, simplesmente podia gritar para meu pai me salvar. Bela ideia, todos os amigos morando na mesma rua. Legal, pois quando têm pizza nos parente você sempre sabe. Chato, pois você têm que aturar adolescentes perturbados como esse.


Ouvi a porta da frente batendo.


-PAI? - gritou Ted, sem parar de jogar – TO AQUI EM CIMA!


Barulho nas escadas, e depois a porta abrindo.


-Você prendeu Maggie no banheiro de novo? - perguntou Remus Lupin.


-Não – respondeu Ted.


-Oi, tio! – falei, alto o suficiente para ele poder me ouvir – Ted me prendeu, e tirou meu sangue para fazer uma experiência maluca e tentar descobrir porque nenhuma garota quer sair com ele.


A porta do banheiro se abriu.


-Obrigada – agradeci a Remus, saindo. Ted não tirava os olhos da televisão, tentando derrotar algum monstro mais estúpido que ele – E eu já tenho a resposta para sua pesquisa: As garotas te odeiam porque você gosta de ser odiado.


Sai do quarto, mas consegui ouvir um último grito antes de sair da casa:


-OBRIGADO! ERA EXATAMENTE ISSO QUE EU ESPERAVA DESCOBRIR!


Suspirei. Pobre ser.


 


Hermione Granger


 


Olhava de boca aberta para o ruivo em minha frente.


-Ela meio que foi vindo pra cima de mim, sabe? - contava ele, enquanto esperávamos pela pizza – E eu meio que, “Uh, sai daqui, Lilá, já terminamos faz dois meses”. Por mais que eu me esquivasse, não adiantou. Ela me beijou na frente to clube todo – ele ergueu os olhos – Porque está com essa cara?


-Eu to confusa – falei.


-Porquê?


-Eu achei que você fosse gay – respondi, séria. Ele deu risada. Para parecer uma piada, ri também. Vou pensar muito sobre isso quando chegar em casa – E o que você fez depois?


Ele deu de ombros.


-Ah, o mesmo de sempre. Empurrei ela, falei que não gostava dela. Ela saiu triste e todo mundo riu.


Cruel.


-Queria ter visto a cena – falei, dando uma risadinha.


-Foi a mesma coisa com a Anne, no começo do ano – comentou ele, fazendo pouco caso.


Insensível.


Por algum motivo, Ronald Weasley era um idiota. E isso estava me matando.


Desde o começo do ano, ele não pensa em nada além do que garotas, jogos de futebol e festas. Sentia falta do velho Ron. Aquele que fazia sessões de cinema com comédias idiotas nas férias. Aquele que não se importava com o prato que come a menos que haja algo para comer. Aquele que invadia minha casa em meus aniversários e tentava me animar.


Aquele Rony Weasley que não era idiota.


Não sei o que o mudou e também não quero saber. Porque esse robô popular não é meu melhor amigo. E eu estava determinada a trazê-lo de volta.


Porque eu simplesmente precisava do meu Rony de volta.


 


Ginny Weasley


 


-Oh. Meu. Deus.


Em toda minha vida, eu nunca vira uma pessoa tão linda e atraente como o deus grego que passava pela porta da escola.


Alto. Meio loiro. Camisa xadrez. All Star. Olhos escuros e profundos que te fazem querer tirar a roupa e correr pelada pela escola.


Quase isso.


-Ginny, eu te amo, mas você tem um péssimo gosto para garotos – disse Parvati ao meu lado, remexendo no seu armário – Ele é novo na escola.


-No terceiro mês de aula? - estranhei, ainda observando o garoto, que caminhava despreocupado. Tive vontade de dar um soco naquelas garotas que ficavam de risinho pra ele. Caramba, eu vi primeiro!


-Sei lá – respondeu ela, passando rímel como se não houvesse amanhã – Eu vi ele conversando com aquele Potter, então ele não deve ser tudo isso.


Por mais que eu tentasse, simplesmente não conseguia engolir a opinião de algumas de minhas amigas.


-Ele tá no sétimo ano – continuou ela – E você no quinto. E você ainda tem namorado.


-Que se dane o Dean – murmurei.


O garoto agora parou na frente do seu armário, e começou a tirar imensos livros da sua mochila cheia de bottons.


-Ele podia me convidar para o baile – falei para mim mesma.


-Ele nem ao menos te conhece!


-Por pouco tempo – falei, batendo a porta do meu armário e indo em direção ao garoto. Joguei os cabelos para trás e agradeci mentalmente por estar de uniforme de torcida. Com ele, qualquer um se sente especial.


Na metade do caminho, Harry Potter apareceu ao lado do garoto, e os dois começaram a conversar. Me atirei para o lado, me escondendo atrás de um terceiranista confuso que pegava seus materiais. Espiei os dois por trás dos cabelos do garoto e engoli em seco.


Quê?” fez Parvati, me encarando confusa. Neguei com a cabeça. Ela se aproximou irritada, e me puxou pelo braço.


-Vamos, sua maluca. Vamos para a aula.


Ao lançar um último olhar para o loiro, tive a impressão de ver um par de olhos verdes me observando.


 


Rony Weasley


 


Harry jogou sua bandeja na mesa, ao meu lado.


-Onde estão seus sapatos? - perguntei, sem tirar os olhos do meu sanduíche. Ele olhou para os próprios pés e pareceu finalmente perceber que estava apenas de meias.


-Oh – disse, sem emoção – Acho que foi Zabini. Mas foi rápido demais para ter certeza.


-Você devia falar com alguém – disse.


-Isso só iria me causar mais problemas. Por algum motivo, todo mundo dessa escola me odeia – disse ele, dando de ombros – E eu sinceramente não dou a mínima.


-Mas isso já tá enchendo o saco.


-Só mais quinhentos e trinta e dois dias e estaremos livres desses idiotas. E depois disso... - ele batucou na mesa – Faculdade!


-Deus salve o Ensino Médio – falei, sorrindo – Ou o fim dele.


Minhas frutas desidratadas importadas quase voaram pelos ares quando Hermione se sentou ao meu lado.


-Oi pra você também – falei, quando ela começou a enfiar seu hambúrguer goela abaixo.


-To amassada – disse, com a boca cheia de comida. Dei uma olhada em suas roupas.


-Não, você tá normal... - comecei, mas ela revirou os olhos e deu batidinhas no relógio – Ah. Atrasada. Mas as aulas só começam daqui a meia hora.


-Tenho que casar com o professor – respondeu ela apressada, ainda com a boca cheia. Olhei para Harry.


-Eu sei que o que ela acabou de falar não foi o que ela quis dizer, mas não consigo deixar de pensar de que professor ela está falando.


Hermione engoliu seu hambúrguer e revirou os olhos para nossas risadas.


-Ai, vocês! - disse, irritada – Falar com o professor, falar! - e voltou a encher a boca.


Nesse momento, alguém jogou um par de All Stars para Harry.


-Acho que são seus – disse Ted Lupin, sentando na nossa mesa – Não vai querer saber onde eu os achei.


Hermione olhou estranhamente para o garoto.


-Come você – disse ela para Ted, que a encarou impassível. Ele olhou para mim confuso.


-Tradução: Quem é você? - falei – Ou “quero você”.


Pelo olhar que a garota me lançou, ficou óbvio que era a primeira opção.


-É impressão minha ou estão molhados? – perguntou Harry, analisando os tênis como se fossem bombas. Ted deu uma risadinha.


-Você não vai querer saber.


Tirei os tênis das mãos de Harry, mas imediatamente os soltei no chão, limpando as mãos na camiseta.


-Uh, cara! - exclamei – Isso é água de cocô!


-Coméqueé? - estranhou Harry – Uau. Essa é nova.


-Pelo o menos não vai mais precisar deles hoje, não tem Educação Física. Eu te dou uma carona – falei – Ou daria, se eu tivesse um carro.


Harry sorriu. Não entendi o motivo. Não tem a mínima graça. É trágico, isso sim.


Isso de dirigir é um dos maiores dilemas da minha vida. Têm Hermione também, mas isso é outra história. Já tenho idade para dirigir, fiz os testes e tudo mais, mas mesmo assim não consigo nem chegar perto da caminhonete do meu pai.


-Não tem problema, eu levo vocês – disse Ted – Tive que deixar o amor da minha vida estacionado na garagem por meses, mas finalmente nos reencontramos. Vai ser um problema quando eu me mudar para New York. Talvez eu até dê ele pra você.


Abri a boca para responder, quando notei um certo tumulto em um canto do refeitório. Na área onde meros mortais como nós não podem entrar. O santuário dos ogros do time, das esqueléticas da torcida e dos “bonitões” da escola.


-SUA VACA!


Quando uma cadeira saiu voando por cima do bolo de curiosos que se acumulava, quase tive um ataque ao ver um vulto ruivo no meio da confusão.


-É hoje que eu mato Ginny.

Compartilhe!

anúncio

Comentários (1)

  • Lana Silva

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk aha \o/ ROMIONEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE *-* Tipo, a School of Rock voltar já é bom, ainda com o Ron a Mione, uma filha da Lene e do Six e ainda como Ted é tipo bom demais. Nunca me cansarei dessa fiz, sabe é uma das que mais amo. Parabens pela trilogia e não tem como não amar. Necessito de um capitulo urgentemente *---------*Bjoos! 

    2013-01-30
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.