Fome, nojo e... Akemi?



Capítulo 19 – Fome, nojo e... Akemi?


(19 de Março de 1989, Harry e Alicia com nove anos)


 


 


POV’s Al:


 


- Lá, lá, lá, lá – cantarolei, enquanto saltitava pelos corredores da Mansão Potter.


         Sério, prefiro ficar aqui do que na minha casa. Não que a minha casa não seja enooooorme, mas aqui é maior e mais divertido.


         Minha mãe e Tia Lily tinham saído. Acredita que agora elas queriam voltar a seus antigos cargos no Ministério? Bom, Tia Lily, eu não sabia se ia conseguir virar Inominável novamente, mas ela era muito boa, pelo que meu papi me conta. E mamãe era  curandeira no St. Mungus, uma das melhores, devo me gabar. Hi, hi.


         No momento, Harry tomava banho, Tio Pontas e papai estavam no Quartel de Aurores, mamãe e Tia Lily retomando seus antigos empregos e Nimy, a elfa doméstica do Potter, mas que na verdade é livre e serve por pura vontade desde que Tia Lílian tinha achado ela chorando sobre as roupas de seu antigo dono, cuidava de Harry e eu.


         Parei na parede vazia do quarto andar. Passei três vezes, desejando um lugar relaxante, o Jardim das Fadas.


         Abrindo a porta de madressilvas, vi o jardim mais lindo que já vira na vida.


         Rosas, brancas, azuis, vermelhas, amarelas, entre várias vores possíveis, brotavam da grama verde, formando um caminhozinho de terra limpa e pedrinha brilhantes. Um riacho deixava o lugar calmo, com seu som. Uma fonte de água com dois anjinhos derrava água. Lírios do campo, brancos e laranjas, cercavam lindas cerejeiras. Um árvore que eu nunca lembrava o nome, mais que tinha flores rosas, balançava ao vento, derramando sua flores rosas claras, como semente espalhando.


         A grama era verde, e várias outras flores, orquídeas, copos-de-leite, hortencias, pingos de ouro, brotavam, dando um lindo ar ao local.


         Corri por um campo de dentes de leão, espalhando-os para todos os lugares.


         Sorri, enquanto me esparramava na grama fofa no Jardim das Fadas.


         Deixa eu explicar melhor.


         No meu aniversário de oito anos, ano passado, fomos à um Jardim trouxa na Grécia, e era simplesmente lindo. O lugar me encantou. *-*


         Desde então, quando quero relaxar, imagino esse lugar aqui, na Locum Requirement.


         Ah, fala sério, o nome é Sala Precisa, mas Locum Requirement dá um ar de importância e originalidade.


         Ri, enquanto via Universo sair em forma de cavalo de mim, correndo livremente pelo campo. Estávamos ligados por um pequeno fio prateado – que raiva, Universo ainda era prateado, mas Aura já era totalmente dourada, apesar de Uni ter uns fiapinhos dourados – que parecia tão fino, que se tocasse rompia. Mas era forte.


         O fio esticava a vontade, e Universo corria livremente para onde quisesse, mas tinha de voltar.


        


Você gosta de correr, não? Perguntei, enquanto via ele se aproximar de uma árvore de maçãs. E comer uma. Ele se tornara tão sólido nesses tempos que parecia quase real.


Ter liberdade é ótimo, não tem noção de como se corpo é apertado, por isso que geralmente fico em forma de formiga, principalmente quando passo pela sua garganta e cordas vocais, riu-se Universo.


 


         Sorri enquanto ouvia a voz de Harry dizer risonho:


- Ah, a luz de teus olhos, brilham em meus olhos, e tocam minha alma profundamente, espalhando alegria ao mundo e amor em meu coração – quase cantarolou ele.


         Admito que corei, mas tentei disfarçar revirando os olhos.


- Desde que leu aquele livro de romance de Shakespeare não pára quieto – comentei.


         Ele sentou – leia-se, esparramou-se – a meu lado, sorrindo.


- Ah, o que o velhote era um gênio, admita – disse.


         Sorri, retribuindo.


- Certo, como você quiser.


         Vi Aura sair dele e deitar-se ao seu outro lado, em forma humana. Já era totalmente dourada e meio sólida a ponto de poder tocar, mas ainda era meio borrada, principalmente no rosto.


         Seus cabelos eram cacheados e caiam até o meio das costas, sua roupa era um vestio e um sapatinho tipo boneca, e ela usava uma fita na cabeça.


         Senti a sensação de estar me olhando no espelho. Será que ela tinha olhado meu estilo? Rá, rá.


         Vi Universo voltando e dando os últimos passos de sua corrida já como humano.


         Se Aura era borrado, Universo era mais ainda. Sua cabeça era um borrão tão grande que me fazi a lembrar os cabelos bagunçados de Harry. Mas ele usava jeans e blusa, como se tivesse comprado mesmo.


- Engraçado como eles ficam borrados quando humanos – comentei.


         Aura e Universo pareceram indignados. E disseram juntos, como se fosse tudo combinado:


- Vocês é que são cegos de não reparar o óbvio.


         Parecia rídiculo que auras falassem quando saiam de nossos corpos.


- Que óbvio? – perguntou Harry, curioso.


         Aura só revirou os olhos, que era a única coisa possível de ver em seu rosto borrado e esfumaçado.


 


 


POV’s Harry:


 


         Como eu conseguia ouvir os animais e entedê-los, fiquei curioso ao ouvir uma voz melodiosa dizer:


- Como vai? – olhei para os lados.


         Poder ouvir, mas não saber de onde vem é um saco! E agora parecia falar diretamente comigo.


         O animal pareceu rir, um piado melodioso, como uma nota. Com certeza um animal mágico, mas agora, qual?


- Você me procura, mas não me vê, estou bem na sua frente, sintonize-se comigo, como um rádio ou um TV – isso era para ser uma poesia? Bom, era razóavel, mas nessa voz ficava linda.


         Então eu vi. Ela surgiu num giro de chamas. Suas penas eram douradas, parecendo que aquele rei do mito tinha tocado ela. Mas as penas embaixo de suas asas e no peitoral eram prateadas.


         Uma fênix.


- Como vai, humano? – perguntou, agradavelmente e quase ronronando quando Al lhe acariciou a cabeça.


- Bem – respondi, abobado, mas completei – Sou Harry, e você? Tem nome?


- Na realidade, não. Não tenho dono, mas acabo de voltar de uma exaustiva viagem – disse, parecia com sede.


         Conjurei uma tigela com água, e ela bebeu agradecida.


- Como chegou aqui, aliás? – perguntei.


         Ela bebeu mais uns goles antes de responder.


- Ué, pela porta, como mais se entraria – e comeu algumas frutinhas espalhadas pelo chão.


         Me senti retardado.


- É claro – forçei um sorriso, apesar de querer rir.


 


Educação, pediu Aura, numa imitação muito boa de minha mãe, mas a voz ainda era de uma garotinha.


Certo,certo, dei de ombros, mentalmente.


 


- Você foi muito gentil comigo, Harry. Pode não parecer, mas eu estava prestes a morrer – falou a fênix dourada.


- Fênix não morrer – me senti bobo.


- Ah, sim, elas renascem e renascem, num ciclo. Mas, podem morrer sim.


- Como? – perguntei, curioso.


         A fênix pareceu rir, antes de dizer.


- Quanto mais velhas, mais necessidades. Não nos torna mais lentas, ou menos habilidosas, é claro. Mas se ficarmos sem água ou comida muito tempo... Bom, morremos – concluiu.


- Quanto velha? – indaguei.


- Uns mil anos. Mas as que tem essa idade são poucas, a maioria é jovem e saudável – disse e completou num tom risonho – Não que eu não seja.


- Você tem mil anos? – arregalei os olhos.


- Tire ou ponha um, não faz diferença – sinto que ela teria revirado os olhos.


         Que, reparando agora, eram verdes.


- Seus olhos são verdes, como os meus – comentei, interessado.


- Ah, sim. Fênix tem a cor dos olhos de seu dono – falou, no que parecia uma voz sorridente.


         Me senti, pela terceira vez em cinco minutos, bobo.


- E-eu? – não pude me impedir de gaguejar.


- Tem outra pessoas de olhos verdes com quem estou conversando? – rapaz, essa fênix sabe fazer ironias! – Mas, então, Harry, qual meu nome?


- Ãhn?... Ah, sim, sim, claro. – pensei por uns instantes – Akemi. Você é mulher, né?


         Akemi pareceu ofendida por alguns instantes.


- Claro que sou! E lá parece que tenho cara de homem? – mas piou, no que parecia uma risada.


         Al ainda nos olhava curiosa, então contei para ela o que tinha conversado com Akemi, e ela bateu palminhas, animada.


         Para nossa felicidade, quando mamãe chegou, com papai, Tia Lene e Tio Sirius, ela me deixou ficar com Akemi.


- Ela é muito bonita, não? – comentava, acariciando a cabeça de minha fênix.


         Akemi tinha uma cara de pau.


- Mas, então, mamãe – começou Al – conseguiu virar novamente medibruxa?


         Tia Lene sorriu.


- Ah, sim! Trabalho lá novamente – e rodou Al no ar, enquanto Sirius ria, e também fazia uma dancinha da vitória.


         Três bobos, mas eu sorri.


- E você, mãe?


         Minha mãe riu, enquanto sorria ao meu tempo. A felicidade mal contida.


- Sim, eu virei Inominável de novo! Nem acredito! – e, para minha surpresa e de todos, puxou meu pai para uma dancinha.


         Com os ouvidos apurados que eu tinha – por causa de Aura – ouvi algo que era para ser particular entre os dois:


- Vamos comemorar, ruivinha, não se esqueça – sussurrou meu pai, em seu ouvido, malicioso.


         Arregalando os olhos, olhei para Almofadinhas, que parecia sentir o mesmo nojo que eu.


         Juntos, fizemos:


- Irrrccc! Que nojo! – e corremos.


         Mas não pudemos de nos impedir de rir, imaginando se eu poderia dormir na casa Al, ou também teria uma “festa” lá.


         Doidos.

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