Uma chance para a vida



19 de novembro de 2007  –  18:52 hs


Não fora o que pedi. Olhar Harry Potter diretamente nos olhos para mim era uma tortura.


Ele me olhou, parado. Como uma estátua. Ele preencheu sua face clara, e tomada por barba, por lágrimas sinceras.


– Como você me deixou aqui? – Ele suplicou. As palavras de Harry foram para mim, o meu castigo.


Molly olhou para Papai.


– Vamos sair daqui pessoal – Disse papai, empurrando todos que conseguiu.


– Porque? – perguntou Granger! – Ah, oi Gina!


– Olá Mione! – respondi sorridente, porem, Gina não parecia feliz em me ver. Não dei bola.


– Por favor Hermione! – Pediu Rony.


Todos saíram. A pequena sala de cirurgias mágicas era ocupada por mim e meu ex affair. E verdadeiro e único amor.


Olhei para baixo. Não tinha coragem suficiente para olhar Harry  todo momento.


Aquilo para mim era como tortura. Ele murmurou algo que não compreendi.


O barulho estrondoso, para mim, de sua varinha caindo no chão, me fez olhar para ele.


– Como você pode Gina? – ele disse, tomado por raiva e incompreensão.


Não conseguia abrir a boca. Ah algumas horas eu estava pronta para morrer, e abro os olhos no mundo da magia. Ainda estava sonhando?


– GINA! – Gritou ele.  Eu o olhei. – Gina eu dei de tudo para te encontrar. Esses anos todos eu me dediquei a lhe procurar. – Ele dizia as palavras pausadamente, parecia que havia ensaiado dias e dias, um após o outro.


– Harry..– eu disse. Minha voz foi suave. Senti meu rosto molhado, lágrimas? Não sei.


– Gina. Me dê um motivo. Me diga o que eu fiz de errado! Por favor! – Não me segurei, solucei em meio ao meu choro! Ele parou de falar e se aproximou.


– Você não sabe o quanto eu sofri. O quando eu não queria tudo isso. E você não sabe o quão bem eu fiz para você sumindo da sua vida.


– Gina fique quieta! – Ele gritou novamente. – Eu sofri esses tempo todo. Eu procurei você todos os dias da minha vida. E quando eu vi você, quando eu lhe peguei, apagada. – Ele estendeu seus braços a frente dele – Gina, eu não me senti vivo.


Eu o olhei milhares de vezes naquele momento. Eu vi o Harry Potter guerreiro me carregando, eu vi o Harry Potter corajoso me trazendo de volta, o Harry Potter apaixonado, ou não?


– Desculpe, eu deveria ter avisado a todos com detalhes de aonde eu estaria!


– Não ,você não deveria ter deixado nenhum de nós. Isso sim!


– Harry essa é a minha vida.  Eu decido o que eu quero fazer dela, não pertenço a ninguém. Pare de dizer o quanto você sofreu. Eu também sofri! – Coloquei a mão no peito, senti algo tomar minha garganta, porem, continuei – Eu amo todos aqui, foi muito difícil,  – algo estava saindo de meus lábios,mais continuei meu discurso. Harry estava com olhos arregalados e desfazendo o feitiço que lançou. – deixei feliz muita gente em Londres e no mundo todo! Oh meu Deus, o que é isso? – Coloquei a mão em meus lábios.


Minha roupa branca, minhas mãos, meu pescoço, parte de meu rosto.


Sangue!


O mais vermelho, fresco e quente.


Tudo pareceu ficar fosco.


– Harry! – supliquei.


 Quando me dei conta eu já estava em seus braços. Fortes. Quentes. E o mais perfeito de tudo, foi o som de seu coração pulsando rapidamente e seus lagrimas caindo sobre meu ombro direito.


– Eu te amo! – Parecia meu fim. Mais uma vez. Desta vez eu estava me despedindo.


 


20 de novembro de 2007  –  19:28 hs


– Ela perdeu muito sangue Senhor Weasley!


– E o que podem fazer?


– Certamente não sabemos ainda, dependera como ela irá reagir. Não sei, ela pode ter dias, horas ou minutos de vida.


– E VOCÊS NÃO PODEM FAZER NADA?


– Calma Potter!


– Desculpe Senhor Weasley. Não posso perder ela, mais uma vez.


Horas? Minutos? Segundos?


– NÃO! – Gritei e dei um pulo da cama, me sentando com as mãos apertadas entre o lençol e colchão.


– Gina? – Papai olhou para mim.


– O que aconteceu? O que eu tenho? – Perguntei com muita raiva.


– Seu coração. Uma válvula parece ter se rompido, algo do tipo. E você corre risco.


– Risco? Que tipo? – Me senti sozinha naquele momento.


– Mortal. – Soou pela boca do curandeiro.


Meu corpo frio e sem vida, foi tomado por braços quentes. Senti minha pernas ficarem bambas. Apenas abracei os braços que estavam entrelaçados em minha cintura.


Me apoiei totalmente em Harry Potter. Ele foi o meu ponto de apoio naquele momento, e sempre. Desde que ele me salvara do Basilisco no meu segundo ano na escola!


Ele beijou minha cabeça.


– Eu estou aqui para tudo – ele sussurrou.


 


20 de novembro de 2007  –  23:49 hs


Eu entrei em minha antiga casa. Uma onda de lembranças tomou conta de meus pensamentos. Respirei fundo.


Dei um passo a frente. Fred e Jorge.


Meus olhos se converteram em lágrimas grandiosas.


Subi em direção ao meu antigo quarto, joguei minhas coisas na cama e comecei a andar por ele. A Toca estava cheia de novo. Mais uma vez.


Harry passou a tarde comigo. Eu sentia, eu via em seus olhos amargos o fim. Harry deixou claro que sua existência era tomada por mim, sem mim, ele não iria existir.


Não esperei isso de Potter nunca. Era uma prova de amor?


Um ranger da porta me fez acordar de certa forma.


– Harry não se faça de sonso eu escutei você entrar – me virei – Ah, Hermione. Desculpa amiga, eu pensei..


– Que fosse o Harry? – Ela disse. Sombria.


– Sim. – sorri – Nossa mais você cresceu Hermione, está tão bonita.


– Não venha puxar papinho Gina. Vou lhe deixar algo bem claro, você sumiu e a nossa vida continuou. Você não pode chegar e tentar mudar tudo em Potter. Somo um trio! Harry, eu e Rony!


Um trio tem lugar para três. Não quatro!


– Não estou lhe entendendo Hermione – Eu sabia o que ela queria dizer. – Me explique, por favor.


– Fique longe de Harry e de todos nós. Somos os agentes mais cobiçados de todo mundo da magia. O ministério paga muitos galeões para fazermos o que fazemos. Não nos atrapalhe.


– Hermione..–


– Com licença? – Alguém abrira a porta.


– Olá Rony! – Disse Hermione ainda olhando para mim.


– Estamos esperando para contar tudo a Gina. Você disse que a buscaria mais demorou e estamos ansiosos de certa forma.


– Contar o que? – Eu estava com medo de Hermione. Agradeceria meu irmão por se ‘intrometer’.


Descemos as escadas. Rony entre eu e Hermione, Hermione optou por ir a frente.


Chegando lá, me sentei em um dos sofás.


Todos estavam me olhando apreensivos.


 


 


20 de novembro de 2007  –  24:00 hs


– Boa noite Minerva! – Meu pai cumprimentava a minha ex-professora, que entrava pela porta da frente.


– Boa noite Senhor Weasley – Minerva não tinha mudado nada. Sua voz de tom grave e nem sua aparência. – Olá Gina, quanto tempo! – Disse ela, me abraçando.


– É professora, alguns anos – Sorri a abraçando.


– Melhor irmos ao que interessa, Gina deve estar exausta – Disse Harry, eu estava gostando da forma que ele me tratava.


– Então, o Ministério está atrás de você há alguns meses. Como deve ser de seu conhecimento, o trio de Potter está trabalhando em vários mistérios para o Ministério. – ela respirou. –  Um desses mistérios foi descobrir seu paradeiro.


Eu refleti por um momento. Harry passou todo esse tempo extremamente preocupado comigo.


Ele não teve tempo pra nada, a não ser seu trabalho.


– Gina, queremos você na escola de Escola de Magia de Hogwarts. – Minerva olhou no fundo de meus olhos. – Precisamos de uma professora de quadribol!


Meu coração pulsou rápido.


Eu era boa suficiente?


Eu teria paciência para tudo?


Não sei. Acho que só experimentando para saber.


- Temos até janeiro para você pensar. Um mês e alguns dias, está bom para você? – ela perguntou. Não consegui esconder minha surpresa, ela deve ter interpretado mal minha expressão!


– Sim Minerva. Uau. Não sei o que dizer. – Eu sorri passando a mão em meus cabelos. – Nunca imaginei.. Isso é incrível! – Eu sorri, um sorriso largo e com meus dentes brancos a mostra.


– Eu espero que tenhamos uma resposta positiva Gina. Agora que estou na direção da escola estou com muitas responsabilidades e uma professora de confiança me ajudaria muito!


Eu a abracei. Minerva sempre terá o mesmo abraço, quente e confortante. 

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