Mais um pouco de magia




 


14 de novembro de 2007  –  19:43 hs


 


 


“ Foi tudo tão lindo, tão lindo mesmo. Eu acho que foi uma das coisas mais perfeitas que eu presenciei, depois de tudo aquilo, ainda saímos para almoçar. Comida sueca é tão gostoso. O quarto de hotel parece tão agradável agora. O cooff  esta bem como eu gosto, doce e quente. Terminando o café, vou toar um banho bem quente. Enquanto pegava o roupão, liguei a TV, e para minha ‘surpresa’, estava ali: Cenas da estréia do Park. Eu só sorri, peguei minha toalha, roupas intimas e roupão.           


Entrei no banheiro, liguei o chuveiro quente,coloquei o corpo todo embaixo do chuveiro, fechei os olhos e deixei a água cair sobre meus olhos. Pensei em tudo, em todas as pessoas. Quatorze de novembro de dois mil e sete, hoje, agora! Faz mais de vinte e quatro horas que não tomo remédios, é estranho. Não estou precisando deles. [...]




 


Um barulho acabou de surgir da porta da frente, posso sentir que fora lá. Logo corri e tranquei a porta do banheiro, coloquei minhas roupas intimas e me cobri com o roupão no mais rápido de pude. Com o cabelo todo bagunçado e os pés no chão. Um tanto molhada, percorri até a porta da frente do hotel.


            –  Quem está ai?


Olhei para um lado e para o outro, ninguém. Um barulho de porta rangendo vindo do quarto que eu estava  me chamou a atenção. Minha bolsa estava em cima do bidê ao lado da porta, se viesse aqui para roubar já teria pego a minha bolça, ou a bagunçado, mas não foi essa a minha intenção ao olhar para ela. A abri, e apanhei a minha varinha. Parecia ridículo, mas eu a segurei com a pouca força que eu ainda tinha.


Passos pequenos e divagares foram seguidos de minha aflição, levantei a varinha a minha frente. Parei na porta, respirei fundo, meu único pensamento era que se eu morresse agora? Poderia ser alguém atrás de mim? Do mundo mágico? Ou alguém trouxa mesmo, porem com arma de fogo? De qualquer forma, iria doer. Bati com o pé na porta, abri ela com brutalidade. Estava ele, parado ali, de costas para mim, agachado perto da cama.


            – Miguel? – eu me perguntei, de certa forma não foi para ele aquela pergunta, porem foi.


            – Céus, pensei que não estaria aqui neste momento. – disse ele, se virando. – Varinha? Po ...


            – Nada, apenas pensei que fosse...


            – Um elfo? – ele riu.


Parece que ele estava tão solto, tão, (suspirei) tão, tão lindo! A cama estava completamente cheia de rosas vermelhas, me inclinei um pouco para o lado para enxergar, ele segurava algo atrás dele.


            – O que está fazendo aqui? – perguntei insossamente, mexendo no cabelo e deixando a varinha na mesinha ao lado da cama, com o abajur e o meu caderno de anotações.


            –Vim fazer uma visitinha surpresa! – ele riu.


Eu olhei para baixo e ri, quando levantei a cabeça me dei conta que ele já estava a minha frente, com um buquê de rosas na mão.


            – Nossa, você gastou quando comprando rosas? – eu perguntei.


            – Não importa, nem todas essas rosas vão demonstrar o que eu sinto por você, e sempre senti, esses dois anos permaneci calado por respeito a sua carreira. Sei que não sou ninguém importante, mas... – nesse momento ele encostou sua testa na minha e fechou seus olhos. – eu te amo.


Aquelas palavras eram como música para mim, escutar isso de alguém “sério” como ele era estranho, porem, delicado. Ah, mensionei as poucas velas acesas? Não contei, porem o abajur estava ligado, velas espalhadas contei três. Miguel olhou nos meus olhos, nesse momento já sentia sua respiração. Você deve estar pensando que estava ofegante ou rápida. Errado! A respiração mais calma, mais doce, ele levou uma de suas mãos até a minha cintura, e a outra colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.


Não sabia o que iria acontecer se eu deixasse rolar, eu era a chefe dele. Enquanto eu parava para pensar essa lógica, Miguel tratava de tomar minha boca por sua língua. O beijo mais quente que eu havia sentido.


 


FLASH BACK


Sexto Ano de Harry Potter, Quinto de Luna e Gina.


            – Ah conta Luna! Você beijou ou não o Neville?


            – Está maluca Gina? Eu não!


            –Ah esqueci que você tem uma queda pelo Malfoy... – Gina revirava os olhos


            – Está maluca? Você bebeu cerveja amanteigada demais?


            – Olha olha, está toda nervosinha.


            – E você Gina, como vai o namorinho com moreninho lá?


            – Ai Luna já pedi para você chamar ele pelo nome.


            – Mas ele nem é meu amigo para mim lembrar dele.


As duas permaneceram em silencio, estavam voltando da aula de História da Magia, era o sexto ano delas. Gina estava de rolo com o “moreninho”, segundo Luna. As duas discutiam sobre garotos, sungo Gina o garoto mais atraente da escola era Potter e para Luna era Malfoy e o falecido Cedrico.


As duas entraram na aula de Poções com o professor Snape. Gina rasgou um pedaço de pergaminho e escreve algo para Luna.


Gina olha para o professor Snape, que estava ajudando alguns alunos com uma poção mal sucedida. Joga seu lápis no chão e se agacha rápidamente. Luna sentava a frente de Gina, então não fora difícil empurrar o papel até Di-Lua.


– Hey Luna – Gina sussurou para Luna – olha de baixo do seu tênis.


Luna delicadamente se agachou e pegou o papel, que estava escrito com uma calegráfia invejável:


Tenho que lhe contar algo muito importante.


Me encontre no banheiro da Murta Que Geme!


 Vá na frente.


Beijos Gina


Luna guardara o papel junto de sua varinha, dentro de suas vestes. Luna ficou apreensiva a aula toda, olhando repentinamente para Gina.


Após o a aula ter terminado, Gina arrumava seus livros.


Saindo pela porta abraçada nos livros, caminhava em passos longos e rápidos. Entre seu caminho até o local de seu encontro com sua amiga Luna, Gina esbarrou em alguma coisa.


– Ai minha cabeça – dizia jogada no chão.


– Doeu Weasley? – perguntou diabolicamente Malfoy.


– Me deixe em paz garoto – revidou a garota, pegando seus livros e se levantando.


– Sabe que eu sempre te achei uma gracinha? – disse ele, com sua mão de dedos longos e finos tomando conta do pescoço da ruiva.


–E eu sempre tive nojo de você! – disse ela cuspindo na cara do loiro.


– Você não deveria ter feito isso sua insolente, e sangue-ruim.. – Malfoy tirou sua varinha de suas vestes e a apontou no rosto de Gina.


– Expeliarmus! – Uma voz familiar vira do fim do corredor mal iluminado que Malfoy e Gina se encontravam. – Vá procurar o que fazer Malfoy!


– Potter não se meta, eu e Gina estamos nos entendendo! – disse diabolicamente Draco, pegndo sua varinha que estava jogada no chão.


– Tenho que repetir para você sair daqui? – Draco seguiu pelo corredor resmungando. – Esta tudo bem Gina? – perguntou docemente Harry.


– Si-sim.. – disse Gina.


– O que aquele estúpido fez com você?


–Nada, ele só apertou meu pescoço com um pouco de força. Nada a mais. – Gina cobria com sua mão a área que Malfoy havia pressionado, ela estava avermelhada e com marcas dos dedos do garoto.


– Deixe-me ver! – disse Harry tirando a mão de Gina do seu pescoço. Aquele não era o corredor mais iluminado da escola, e nem o mais avantajado de luz.. Harry chegou peto do pescoço de Gina ‘para ver’ o machucado. – Isso ficou feio Gina! – Harry respirou profundamente – Gostei do perfume.


Os dois se olharam e sorriram. Ele colocou uma mecha de seu cabelo para trás de sua orelha e a olhava fixamente, com ternura e carinho.


Der repente surgem passos rápidos e leves do outro lado do corredor. Os dois se viram para ver rapidamente.


– Gina. O que você está fazendo? Estou lhe esperando a algum tempo. Alguns Zonzóbulos estavam no banheiro e eu fui obrigada a sair de lá. Oi Harry!


– Oi Luna.


– É que houve um imprevisto...


– Eu vou indo Gina. Tchau Luna. – Harry se virou para Gina  – É melhor vocês saírem daqui, esse lado da escola é um pouco deserto! Malfoy pode voltar.


FIM DO FLASH BLACK


 


As lembranças vagaram em minha mente como algo completamente normal. Tudo parecia normal, lembrar sobre Harry Potter não faltavam para mim, porem, nenhuma delas voltava com tanta clareza, detalhes e eu pude sentir seu cheiro, o seu toque, eu vi o seu olhar.


Quando me dei conta, Miguel ainda estava ali, em um beijo calmo e totalmente romântico. Não sabia se eu continuaria em um beijo apaixonado, continuar esse beijo seria selar meu futuro com Miguel, saber que ele iria querer casar, ter filhos, morrermos velhinhos, com uma casa na Califórnia ou talvez na Itália. Seria enganar um homem eternamente de um amor que nunca existiria, seria ficar longe de todos para sempre, sem varinhas, sem magia, sem a minha família, sem Harry Potter!


– Miguel, não! – Eu disse o empurrando com delicadeza.


– O que foi? Fiz algo errado? Não gosta de rosas? – Ele estava preocupado, inconsolável, eu via.


– Não Miguel, tudo está perfeito, até demais para mim. Eu não mereço tudo isso. Mas não é isso. – Apertei os lábios, eu queria lhe dizer que ele era um homem maravilhoso, mais só iria piorar! Esperanças são feitas de pequenas palavras e pequenas falhas na forma que montamos uma frase para um dialogo, em segundos podemos montar frases devastadoras e totalmente erradas.


Eu optei por deixar sem elogios e segundas chances.


– Me desculpe por tomar seu tempo, Jhoana. – Me doía escutar esse nome, porque não me chamam Gina? Fama, dinheiro, trouxas... que se dane tudo desse mundo.


Miguel abaixou a cabeça, pegou seu casaco que estava em minha cama. O acompanhei até a porta. Ele estava saindo, sem nem um tchau, até logo, ou um boa noite.


– Então, amanhã não tem mais nada para fazer, certo?


– Quer que eu agende seu vôo para que horário? – perguntou ele olhando para o chão.


– Não sei. Quero ir a Londres pela tarde.


–Londres? Não quer umas férias? Você esta praticamente encerrando uma saga de livros, com park, vários fãs no mundo. Londres não é muito óbvio?


– De lá eu arrumo algo para fazer. E tem meus cachorros! – Ele riu. Miguel sabia minha paixão por Fred e Jorge! – Boa noite Miguel. – Eu disse escorada na porta. Eu estava com sono, muito sono!


– Você ama outro? – Ele apertou os lábios, igual eu tinha feito a minutos atrás, eu sentia como ele esperou por esse momento eu via a amargura do não em seus olhos.


–Sim. Mas não vem ao caso


– Quem? Me diga! O que ele tem que eu não tenho? – Ele estava suplicando, pedindo com muito esforço uma resposta idiota, “Uau, ele tem um cabelo loiro. Se você pintar o seu quem sabe rola.”


– Miguel, vá dormir. Boa noite, novamente.


Fechei a porta, com muita brutalidade, mal educação e um pouco de amargura. Fiquei parada na porta alguns minutos, eu percebi que fui grossa, mais percebi que foi preciso. Me dirigi até a cama, eu me sentia pesada e culpada.


Culpada? Muito!


Apaguei as velas, as rosas ficaram no chão, deixei uma vela acesa perto da janela fechada.


Minha culpa voltou, junto com uma onda de pensamentos. Eu estava me culpando por amar Harry Potter. Por ter fugido. Por ter deixado de quem eu amava.


Miguel, há alguns minutos, fez algo semelhante a Harry, Cho que por isso me lembrei tão rapidamente do que acontecera aquela tarde em Hogwarts.


Hermione me aconselhara a nunca fazer isso e Luna também. Apenas elas, só elas, sabiam de meu amor por Harry Potter! Minhas pálpebras estavam se alinhando, tudo parecia escuro pouco a pouco. Eu cai em sono profundo e leve, sem pesadelos e sem lembranças.


 


15 de novembro de 2007  –  9:58 hs


Um barulho familiar e irritante interrompeu meu sono. Coloquei a mão no bolso do roupão, não ele estava em cima do bidê. Tremendo, gritando, me irritando!


– Alo?! – Atendi o celular sem olhar de quem se tratava, só queria voltar a dormir.


– Bom dia princesa – Miguel me chamava assim, um dia lhe contei que minha mãe me chamava assim toda manhã. – Seu vôo esta marcado para a 1:20, no aeroporto Orlando International Airport. Então como são mais ou menos uns 40 minutos de carro até o aeroporto, lhe aconselho a levantar-se e começar a se aprontar. – ele parecia calmo, conformado.


–Que hora você vai passar aqui para me pegar? – Eu disse me levantando e dando conta de puxar a mala, que tinha algumas peças de roupas, para cima da cama. N a verdade eu mal tinha mexido nela. Joguei o que usei para dentro dela.


– Não vou lhe pegar hoje! – disse ele, rápido, curto, e com sinceridade.


– Porque? Olha desculpa por ontem, eu fui grossa, mal educada, desculp..


– Não, é que estou embarcando agora, tenho que lhe esperar no aeroporto. O pessoal do aeroporto, na hora que fui reservar sua passagem, me disse que alguns repórteres estão plantados no aeroporto de Londres desde ontem, na esperança que você volte.


– Entendi, obrigada Miguel. – Desliguei o telefone.


Me levantei e fui tomar um banho rápido. Sai do banheiro totalmente molhada, com uma toalha mal arrumada na cabeça. Abri a minha mala e tirei uma calça jeans escura, uma blusa de botão branca e um colete preto. Sequei meus cabelos ruivos e o prendi bem alto. Não me maquiei.


Liguei para o serviço de quarto, pedi meu almoço. Arroz, bife de frango empanado, batatas cozidas, saladas, uma fruta e suco de maracujá.


Almocei no quarto, sozinha, sem ninguém, sem nenhum som. Após terminar o almoço, escovei meus dentes e me encaminhei ao telefone novamente. Pedi que alguém subisse para pegar minhas coisas.


Desci acompanhada de um garoto, que aparentemente tinha uns 20 anos.


– Você é a criadora de Harry Potter mesmo? Me desculpe perguntar – disse o garoto sem jeito.


– Claro – sorri para ele.


– Você poderia me dar um autógrafo? Por favor, é para minha irmã mais nova – Ele estava implorando. Eu percebi


– Claro, qual o nome dela? – Perguntei após ele me entregar uma caderneta


– Ana Beatriz – respondeu ele.


– Ok aqui está! – entreguei a ele.


Entrei no taxi, apreensiva. Coloquei meus óculos escuros. E esperei. Olhei o relógio. Meio dia e vinte e dois. Daria tempo suficiente.


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