Beijos de Chocolate



Capitulo 11- Beijos de chocolate

Gina não sentia esse tipo de segurança há meses . Ela apoiou seu rosto no pescoço de Draco , tentando parar de chorar , querendo que seu nariz não estivesse entupido para que pudesse cheira-lo. Ele a abraçava forte , seus corpos perfeitamente moldados um no outro. Draco não dizia nada , nem mesmo alisava suas costa em sinal de carinho , mas ela se sentia melhor mesmo assim .

Draco foi o primeiro a se afastar , mas só para que pudesse ver o rosto de Gina. “ Aqui não é seguro .” disse em uma voz grave , a expressão de seu rosto ilegível. Virou-se e , segurando o pulso dela , começou a andar pelo corredor , na mesma direção da qual tinha vindo , na saída dos fundos , onde estava sua vassoura.

Mas quando olhou para frente teve que parar , vendo seu pai escoltado por dois homens enormes. Gina se lembrou num flash o jeito que Draco costumava ser em Hogwarts , quando ele andava seguido por Crabe e Goyle. Só que a cena agora era bem mais assustadora , pois a expressão do rosto de Lúcio era duas vezes mais aterrorizante do que a de Draco jamais foi .

E então um sorriso frio começou a se formar no rosto de Lúcio.

“ Onde vocês pensam que vão?” Disse vagarosamente , andando na direção deles.

Draco não respondeu. Gina olhou para ele , e pelo seu perfil pode perceber que ele cerrava os dentes. Soltou o pulso dela , mas Gina instintivamente tomou um passo para mais perto dele, e voltou sua atenção à Lúcio.

“ Você é um tolo Draco.” Lúcio disse rispidamente , o sorriso já sumindo de sua boca. Ele agora estava diante deles , tão perto que Gina conseguia ver os detalhes de seu rosto mesmo na pouca luz. Seus olhos estavam apertados , não mostrando nem um pingo de compaixão, em seu olhar havia apenas ódio e frustração. Seu cabelo era mais curto que o de Draco , e um pouco ralo , mas a cor do cabelo de ambos era idêntica.

Lúcio virou seu olhar à Gina , percebendo que estava sendo observado. Ela piscou , pega de surpresa , mas não desviou o olhar. Resistiu a vontade de abaixar a cabeça , ou de se esconder atrás de Draco , com medo daqueles olhos cheios de ira que agora a olhavam. Não , ela tinha que ser forte.

“ Você....” ele disse à Gina por entre os dentes. “Só tem me causado problemas...”

Gina abriu a boca para protestar. Mas então subitamente , tão subitamente que Gina nem teve tempo de perceber , Lúcio levantou sua mão e bateu tão forte em seu rosto que fez com que fosse colidir numa das estantes cheias de alimentos que faziam a divisão dos corredores.

Draco não esperou nem 1 segundo antes de agarrar a gola do robe de seu pai , de uma maneira brusca , com raiva . E com toda sua força empurrou Lúcio contra a estante oposta a qual Gina se encontrava. Lúcio com certeza não esperava por essa atitude , e em surpresa, levantou os braços para tentar agarrar uma das prateleiras da estante , para tentar manter o equilíbrio. Sua ação fez com que várias latas de molho de tomaste viessem a cair no chão.

Gina assistia , suas costas apoiada na estante ,com uma mão na bochecha dolorida onde levara o soco , o momento em que Draco tirou do robe sua varinha. Mas ele não a apontou para seu pai , e sim para a parte da estante acima dele. “ Inoxious !” Ele disse. E um jato de luz azul saiu de sua varinha.

Lúcio não teve nem tempo de reagir. Toda a estante começou a cair para trás , e Lúcio com ela. Gina continuava a ver , sua boca aberta em choque , a estante caindo e batendo na próxima , que caiu e bateu na próxima.....em um grande efeito dominó.

O som de gritos dos outros homens encheram o lugar. Gina tirou a mão da bochecha e se abraçou , sentindo-se inútil e vulnerável , imaginando o que mais faltava acontecer. Lúcio perdeu os sentidos por um momento , continuando deitado sobre a estante caída. Então , começou a se mexer , tentando se levantar e Draco foi para perto de Gina. Ela não conseguia ver seu rosto; não tinha como saber o que ele estava pensando agora , pelo fato de ter atacado seu próprio pai.

“ É impressionante que ele não tenha quebrado a coluna...” Ela pensou , vendo Lúcio se levantar.

Então , várias coisas aconteceram ao mesmo tempo. O som de sirenes , mostrando que a polícia trouxa estava se aproximando do mercado . Harry aparecendo no final do corredor , vindo ver o que havia acontecido. E , quando avistou Gina , começou a correr até ela. E Lúcio , que estava ocupado demais encarando Draco , para notá-lo se aproximando. Harry desacelerou , antes de parar à um metro deles.

Os olhos de Gina analisavam o rosto de Draco , tentando encontrar alguma expressão que se relacionasse à medo. Sabia que se Lúcio a estivesse olhando daquele jeito ela já teria enfiado a cabeça no chão . Mas Draco encarava seu pai , seu rosto inexpressivo.

Para Gina parecia que o tempo havia parado. Nada se movia. Até mesmo os outros homens pareceram perceber que alguma coisa estava errada, pois pararam de se mexer. A única coisa que continuava a atingir os ouvidos de todos eram as sirenes , cada vez mais audíveis até que pareciam que estavam bem do lado de fora do mercado .

Finalmente , uns dos guarda-costas de Lúcio , que se encontravam no final do corredor e que assistiram as estantes caírem , começaram a vir para o lado dele. O som de portas de carro se abrindo fez-se ouvir. Gina conseguia ver de onde estava, flashes de luzes vermelhas e azuis.

“ Vocês estão cercados !” Uma voz gritou , vinda do lado de fora. “Saiam com as mãos para cima !!”

Houve um grande movimento quando os capangas que vinham correndo chegaram até Lúcio . Gina assistia , de costas para Harry , e pulou de susto quando o mesmo agarrou seu braço.

“ Vem...” Ele sussurrou , e começou a puxá-la pelo corredor.

“Mas o Draco..” Ela começou a dizer , apesar de não fazer nenhuma resistência à Harry. Olhando por cima do ombro , andando rápido e aos tropeços porque Harry puxava seu braço com urgência , viu que Lúcio havia calado seus homens apenas com o olhar, e todos ficaram parados em volta dele. Draco havia se afastado até estar contra a estante que não havia sido derrubada.

Lúcio de repente percebeu que Gina e Harry estavam fugindo.Ele virou sua cabeça e pegou sua varinha , apontando-a para Gina. Ela e Harry começaram a correr pelo resto do caminho . Ele a empurrava na direção da saída de funcionários , mas sem as altas estantes , que agora estavam caídas no chão , eles eram alvos fáceis.

Era inacreditável que nenhum dos feitiços que Lúcio lançava não os acertavam. Ele devia estar tremendo de tanta raiva que não conseguia mirar direito. Já o chão e as paredes tinham grandes marcas , cada uma de cada feitiço que Lúcio havia lançado. Quando conseguiram sair , ambos estavam sem fôlego , mas , sem hesitar , Harry montou em sua vassoura.

“ Vamos .” Ele disse. “ Logo eles estarão aqui e..”

“MAS E O DRACO ?” Gina gritou , relutante em ir sem ele. Sabia que Lúcio faria algo terrível com ele por tê-la ajudado , e como poderia deixa-lo quando tudo que ele havia feito nos últimos dias era salvá-la ?

“ Ele já é bem crescidinho ,pode tomar conta de si mesmo.” Harry disse apressado. “Vamos Gina , eles logo estarão aqui. Será que eu vou ter que te agarrar e te estuporar só pra te manter na vassoura?!”

Ela o encarou por um momento , e ele também a encarou , com uma das sobrancelhas levantada. Gina suspirou . Que bem ela faria a Draco ficando ali de qualquer jeito ? Sua bochecha ardia , seu corpo doía de cansaço e ela não tinha sua varinha. Ficando , provavelmente , só causaria mais problemas. Ela passou uma perna por cima da vassoura e segurou na cintura de Harry . No mesmo instante , ele levantou vôo, indo o mais rápido que sua silverstar 7000 podia ir. Gina olhou para baixo e viu o mercado ,e as luzes vermelhas e azuis dos carros de polícia. Esperava que Draco fosse preso_ isso o manteria a salvo de seu pai. E então ele escaparia.

“ Draco estará bem mais seguro em uma cadeia trouxa do que com seu pai..” Pensou tristemente , olhando para frente e apoiando seu rosto no ombro de Harry.

***************



Eles tinham apenas segundos antes da polícia trouxa entrar. Draco meio que ouviu eles gritando do lado de fora , dizendo que ou eles saiam ou eles iriam entrar. Mas sua atenção estava focada em seu pai , sabendo que se desviasse seu olhar dele por um segundo seria a oportunidade de ser atacado. Draco estava muito ocupado tomando cuidado com seu pai ,para sentir alguma coisa com a partida de Gina.

Lúcio se virou para seus homens. “ Peguem a varinha dele.” Ele falou simplesmente, sua voz extremamente calma.

“ Quando ele parece calmo é quando ele está o mais furioso possível..” Pensou Draco , enquanto três homens se aproximavam. Draco nem reagiu , e sua varinha foi arrancada dele em segundos.

Foi quando os policiais decidiram entrar. Em um minuto , mesmo Lúcio tentando usar feitiços de memória para faze-los esquecer do que acabara de acontecer , todos estavam cercados por policiais.

Estavam com seus revolveres apontados para eles , um deles dizendo em voz grave; “ Larguem suas armas e ponham suas mãos na cabeça!”

Draco foi o primeiro a obedecer , esperando que seu pai percebesse que seria estupidez tentar usar mágica em tantos trouxas. “ Se eu for preso por eles com certeza conseguirei escapar.” Ele pensou.

Mas Lúcio não era estúpido , e largou sua varinha no chão. Seus homens fizeram o mesmo , e logo foram pegos por uma multidão de policiais. Draco se deixou levar até a parede , pernas separadas , enquanto o revistavam , procurando por qualquer tipo de arma. Seu rosto continuava inexpressivo quando o algemaram e levaram para fora, colocando-o não tão gentilmente no banco de trás de uma das viaturas. Na verdade , até se sentiu aliviado quando o carro começou a andar , Draco sozinho no banco de trás , e dois policiais na frente.

Ele , de um jeito ou de outro, conseguiria escapar da cadeia. Mas sabia que seu pai também conseguiria. De algum modo ele deveria conseguir antes de Lúcio. Talvez, logo que chegasse.

Antes de ser levado para uma cela , Draco foi conduzido a uma sala. Era vazia , exceto por uma mesa e duas cadeiras , uma em cada extremidade da mesa. Suas algemas foram retiradas , e a ele foi dito que se sentasse na cadeira mais longe.

Draco obedeceu sem dizer nada. Um homem meio gordo se sentou na outra cadeira . Ele não usava o uniforme de um policial, e sim uma camisa listrada com uma gravata . Havia uma lâmpada pendurada no teto, lançando ao ambiente uma luz fraca e amarelada. Havia dois guardas em cada lado da porta , e outro homem sem uniforme um pouco atrás do primeiro , segurando um gravador.

“ Eu sou o detetive Hamerson.” O homem que se sentava de frente para Draco disse. “Conforme a lei , você não precisa dizer nada até arranjar uma advogado. Você gostaria de esperar , ou pode já ir nos adiantando alguma coisa?”

Draco não disse nada.

Depois de um longo silêncio , Hamerson fez que sim com a cabeça. “O.K. eu acho que dizer agora está tudo bem para você.” Ele levantou uma sobrancelha e parou , esperando Draco se impor. Quando obteve mais silêncio como resposta , continuou.

“ Você pode nos dizer quem é você ?”

Draco não tinha certeza se deveria dar um nome falso ou não. Então , preferiu ficar quieto, encarando o homem.

Depois de um momento , Hamerson disse: “ Você não sabe quem é você ou não sabe falar inglês?” O detetive soava sarcástico e entediado. Draco continuou a olha-lo , mantendo seu rosto ilegível.

“O.K.” Hamerson continuou , começando a se levantar. “ Nós arranjaremos um interprete e depo-“

“ Eric.” Draco disse vagarosamente. “ Meu nome é Eric Wimbleton.”

Hamerson voltou a se sentar , olhando-o como se tentando ver se Draco estava mentindo ou não. Draco se fez ter certeza que seu rosto continuava inexpressivo.

“ Bem Eric.” O detetive disse , batendo as mãos juntas. “ Você pode me dizer por que entrou naquele mercado ?”

“ Posso.” Foi tudo o que Draco disse.

Houve um longo silêncio , obviamente Hamerson estava esperando que Draco continuasse. E como Draco não falou mais nada , ele suspirou irritado e mandou :

“ Conte-me.”

Draco deu de ombros. “ Eu estava com fome.”

Hamerson estava exasperado. “ Isso não é brincadeira meu jovem. Você pode pegar vários anos de prisão por isso.”

Draco tentou não rir. “ Uma vez que eu tiver minha varinha eu usarei um feitiço de memória em você....e irá esquecer tudo sobre este incidente...” Draco pensou , mas não abriu a boca.

“ Você é acusado de várias infrações.” Hamerson continuou. “ Primeiramente por quebrar a porta e entrar, segundo , por destruição de propriedade. Bem , talvez não tenha sido você que tenha derrubado todas aquelas estantes , mas estava lá e isso já o torna incluso. Mas se foi você que derrubou , pode ser acusado de algo mais grave , já que três homens estão hospitalizados por quase terem morrido esmagados pelas estantes.”

“ Ohhhh que catástrofe...oh oh oh .....” Draco rolou os olhos , resistindo a vontade de apoiar seus pés na mesa , cruzá-los , e por as mão atrás da cabeça , de um modo bem relaxado. “ Três quase comensais da morte a menos para se preocupar. Você deveria estar me agradecendo , seu balofo , e não me pondo na cadeia.” Draco pensou.

“ Você tem alguma coisa a dizer em sua defesa ?” Hamerson perguntou , já entediado com a conversa-que-não -chega-a-lugar-nenhum com Draco.

Draco pareceu considerar a pergunta antes de responder :

“ As portas já estavam quebradas quando eu cheguei.”

“E quem as quebrou ?”

Draco deu de ombros.

Anderson tentou em vão arrancar mais alguma informação , mas Draco apenas respondia dando de ombros ou fazendo que não com a cabeça. O detetive parecia irritado o bastante a ponto de pular na mesa e estrangula-lo. Mas ele se controlou e apenas pegou uma sacolinha de plástico transparente.

“ Você saberia me dizer o que são essas coisas?”

As batidas do coração de Draco se aceleraram a medida que ele contemplava o saco cheio de varinhas. Sua própria varinha deveria estar lá. Deduziu que os policias também haviam pego a varinha de Lúcio e a dos seus homens. Isso queria dizer que a varinha de Gina também estava lá, ele então poderia devolve-la. Tirando-a rapidamente do pensamento , Draco agiu calmamente.

“ Talvez um novo tipo de canudo para cheirar cocaína?” Ele sugeriu ,com as sobrancelhas levantadas. Aparentemente Hamerson não achou engraçado.

“ Elas não são ocas.” Ele disse rispidamente.

Draco fez-se ter certeza de que não mostrava nenhuma excitação em seu rosto enquanto esticava a mão . “ Poderia olha-las de perto ? Eu não consigo ver direito de tão longe para saber o que elas são.” O detetive resmungou algo e jogou o saco de varinhas na mão de Draco.

Ele abriu o saco e foi tirando todas as varinhas , uma de cada vez, procurando a sua. Ele fingia examinar uma a uma , antes de coloca-las em sua frente. Finalmente , encontrou a sua . Seus dedos fecharam-se nela graciosamente . “ Agora eu posso escapar levando todas essas varinhas. He He , meu pai ficará um tempinho por aqui, não ? “

Draco se levantou , jogando o saco com o resto de varinhas na mesa. Alarmado , Hamerson se levantou também.

“ O que você pensa que está fazendo ???” O detetive demandou .

Draco apontou sua varinha e estuporou os dois guardas que guardavam a porta , de uma vez só. Então apontou-a para Hamerson e o outro homem. Ambos vinham em sua direção , então tomou alguns passos para trás para que não pudessem arrancar a varinha dele. Um segundo depois , já estavam caídos no chão , estuporados, igual aos guardas.

Rapidamente , Draco proferiu feitiços de memória nos quatro , apagando seu rosto da mente deles. Foram as únicas pessoas que puderam olha-lo bem_ para todos os outros policiais seu rosto sumiria naturalmente em dias , e talvez até se esquecessem sobre ele, ou pelo menos de como ele era.

Também pôs fogo no gravador, para que não pudessem nunca ouvir aquela interrogação. Colocou as varinhas no saco e depois no bolso de dentro do seu robe, pegou a chave de um dos guardas e abriu a porta. Estava fora da delegacia em minutos. Só esbarrou em dois policiais , que logo estuporou , e saiu sem ser notado por mais ninguém. Uma vez do lado de fora , sabia que não poderia ir à lugar nenhum sem sua vassoura. Acreditando que os policiais haviam-na encontrado do lado de fora do mercado , a confiscado e levado para algum lugar dentro da delegacia, foi dando a volta na mesma até avistar uma pequena sala. Abrindo a janela , e vendo que a porta lá dentro também estava aberta , ele sussurrou ; “ Accio Firebolt Gold !”

Um momento depois , sua vassoura estava em sua mão. Draco andou para longe da delegacia , e , quando alcançou uma estrada , olhou em volta , e como não havia nenhum trouxa , tomou vôo.

Voou sem direção , percebendo que só faltava algumas horas para amanhecer , e que logo teria que voltar a andar. Mas não tinha certeza de onde ir. Não poderia voltar pra casa. E também não poderia ficar em algum hotel. Ele ainda estava sendo procurado.

Ele poderia ir para casa de Gina. Esse pensamento surgiu em sua cabeça , sem ser considerado. E rapidamente ele se contradisse. “ Por que eu iria para lá ? Eu não sou bem vindo. Sua família me odeia.” Era mais que o óbvio que Harry a havia levado para casa. Ele talvez poderia usar como desculpa que estava apenas devolvendo a varinha dela. “ Ou eu poderia simplesmente enviar por uma coruja..”

Além disso , não tinha certeza de onde era a casa dela. Claro , se ele realmente quisesse saber, era só comprar um mapa dos bairros rurais da Inglaterra em uma loja bruxa de conveniência , um mapa onde o sobrenome das pessoas estivesse escrito sob suas residências. Mas como ele poderia ir até lá ? E se os irmãos de Gina o matassem...bem eles no mínimo o machucariam bastante. E , aliás , quem disse que Gina queria vê-lo ?

Claro , ela havia precisado um pouco dele , mas somente porque não havia mais ninguém. Se ela estivesse com sua família, seus pais e seus seis ‘irmãozinhos’ , ela não precisaria dele. “ Eu preciso ir para algum lugar...” Pensou , frustrado. Logo , percebeu que não havia nenhum lugar onde poderia ir. Ninguém o queria_ exceto o Ministério , e ele não queria acabar nas mãos deles.

Depois de um tempo ele chegou em Londres , então , decidiu o que fazer. Seu pai com certeza iria ficar alguns dias preso antes de conseguir escapar. Draco sorriu , sentindo as varinhas em seu bolso . Raramente sentia que tinha feito algo certo , e agora era um desses momentos.

********



Gina dormiu apoiada nas costas de Harry , e acordou quando aterrizaram. Harry ajudou-a a sair gentilmente , dizendo alguma coisa à ela. Gina estava muito exausta para ouvir , muito cansada para manter seus olhos focalizados. Já era de manhã , ela notou e se perguntou quanto tempo teria dormido.

Mas quando percebeu onde estavam , forçou a abrir direito os olhos. Gina estava em casa. A visão de sua pequena , estranha e quase ridícula casa nunca foi tão convidativa. Tirou o braço de Harry dos seus ombros , e de algum jeito conseguiu andar até a entrada do jardim. Abrindo o portão , correu até a porta da frente , respirando o aroma de sua casa , de sua família. Ah , como ela havia sentido falta disso. Raramente havia estado em casa nos meses em que estava sendo julgada , sempre tendo que ficar em hotéis baratos em Londres. Sentia que não havia estado em casa há anos. Agora , ela nem reclamou das rangidas do piso de madeira_ na verdade , tinha a estranha vontade de se jogar ali mesmo e dormir.

Mas se forçou a não parar e continuou. Havia uma luz vindo da sala , e ela podia ouvir o rádio ligado , na estação de notícias. Gina parou no batente da porta , e teve que se segurar para não desmaiar.

Eles estavam lá. Todos os seus irmãos estavam em casa. Fred , Jorge , Carlinhos e Gui estavam sentados no sofá , cada um tentando ler um livro. Percy , que lia o Profeta Diário , dividia o outro sofá com Rony , que lia uma revista sobre quadribol ,com Hermione esmagada entre eles , uma mão segurando a de Rony , e a outra segurando uns papéis. Sua mãe estava sentada em uma cadeira reclinável , tricotando . Seu pai em outra cadeira , também lendo o Jornal. Ninguém a havia notado ali , parada no batente da porta, e seus olhos se encheram de lágrimas enquanto olhava sua família , sua amada família . Deixou escapar um soluço , que chamou a atenção de todos.

Houve um momento de silêncio , a medida em que todos a olhavam , como se não acreditassem que ela estivesse ali. Sua mãe foi a primeira a reagir. Pulou de onde estava sentada , suas agulhas de tricô caindo no chão , e atravessou a sala com uma velocidade surpreendente para alguém com pernas tão curtas como as dela. E então Gina estava sendo abraçada , tão forte que mal conseguia respirar , mas não se importava.. Sra. Weasley alisava seu cabelo ao mesmo tempo que murmurava ; “ Gina , meu bebê , está tudo bem ...você está em casa agora..”

Depois disso , Gina abraçou todos na sala , sem conseguir falar, pois estava tão aliviada , e feliz por estar em casa com sua família de novo . Quando terminou de abraçar Hermione , se virou e viu que Harry entrara na sala , sorrindo alegremente à cena. Sra. Weasley passou um braço pelos ombros de Gina , e a levou para perto dele enquanto Sr. Weasley dava tapinhas nas costas de Harry.

“ Obrigado Harry..” Ele disse , com lágrimas nos olhos enquanto sorria à Harry . “Você não tem idéia do que isso significa para nós.” Gina secou suas bochechas , inspirando forte para evitar que seu nariz escorresse. Sua mãe se virou para ela e sorriu calorosamente.. “ Que tal uma boa refeição e então um banho quente querida ?” Sugeriu , alisando os braços de Gina.

Ela fez que sim com a cabeça , e em minutos estava tomando café da manhã com sua família , Hermione e Harry. Seus irmãos estavam excitados para saber de cada detalhe do que havia acontecido com ela nos últimos dias , mas seu pai os mandou ficarem quietos , e disse que Gina contaria depois. Ela estava realmente agradecida , porque não estava com humor para falar. Enquanto comia a deliciosa comida de sua mãe , ouvia a todos falarem sobre os mais variados assuntos , exceto sua fuga.

Quando não agüentava comer mais nada , estava muito exausta até mesmo para pensar em tomar um banho. Ela subiu para o seu quarto , tirou o robe imundo e caiu na cama. Já sonolenta , saboreava a maravilhosa sensação de estar novamente em sua própria cama, quando seus pais entraram no quarto e a beijaram na testa. Logo depois Gina caiu em sono profundo.

Gina estava tão cansada que nem chegou a sonhar , e quando vagarosamente abriu os olhos viu que o sol já havia se posto. Continuou deitada , ouvindo as vozes abafadas de sua família pelos vários cômodos da casa , sorrindo e se sentindo tão feliz que até poderia explodir. Se recusou a lembrar do fato de que a qualquer momento o Ministério poderia chegar e a levar. No momento ela estava em casa , e queria aproveitar o máximo.

Gina tomou um longo banho quando finalmente conseguiu se levantar da cama. Era prazeroso lavar seu cabelo e corpo , sentindo a água quente escorrer pelas suas costas. E então seus pensamentos foram parar em Draco. “ Eu espero que ele esteja bem..” Pensou , mordendo o lábio. Esperava que ele tivesse conseguido escapar de seu pai. Toda vez que pensava no jeito em que o havia deixado lá , sabendo que se a situação fosse ao contrário , ele nunca a teria deixado , seu estomago doía.

Saiu do banho e se secou , pondo um pijama rosa que não combinava nada com seu cabelo e as pantufas azuis que calçava. Novamente com fome , desceu as escadas para comer alguma coisa. Quando sua mãe não estava olhando , Gina pegou uma barra de chocolate que sua mãe havia feito. Já estava para por na boca quando ouviu batidas na porta.

*********




Draco havia se perdido.

Ele havia parado na loja de conveniência bruxa e comprado um mapa. Também havia comprado uma escova de dente e uma pasta, e escovado seus dentes no banheiro da loja. Então foi embora apressado , antes que alguém o reconhecesse , e logo achou a casa de Gina no mapa. Mas de alguma maneira ele havia se perdido , e voado o dia todo tentando achar algo familiar que ajudaria a encontrar o caminho.

No final acabou voltando à loja e começado tudo de novo. E dessa vez conseguiu encontrar. Draco não sabia se era porque estava exausto , ou se era porque já havia escurecido , mas a Toca , apesar de esquisita , parecia ser aconchegante e convidativa. Vassoura em uma mão , e mapa na outra , Draco atravessou o jardim e parou em frente à porta. Não conseguia bater. Sabia que não era bem-vindo ali.

“ O que diabos eu estava pensando ??!!!” Se perguntou , irritado. “ Vir até a casa dela??Ela não vai querer me ver , e seus irmãos vão me bater até cansarem.”

Mas se encontrou indo para mais perto da porta , e levantou uma mão para bater. “ Apenas bata.” Ordenou a si mesmo , suspirando. E bateu. Houve silêncio por uns segundos . Draco soltou o ar que estava acumulado em seu pulmão , nem sabia que estava prendendo-o. E esperou...esperou..

Finalmente houve um pequeno barulho , da porta sendo destrancada . A porta abriu um pouquinho e a sombra de alguém foi aparecendo. Depois de um momento , a porta se abriu por completo. A pequena , rechonchuda Sra. Weasley estava parada ali , seus lábios em uma linha fina ,e com os olhos apertados. Encararam-se um pouco antes dela perguntar ;

“ Em que posso ajuda-lo ?”

Draco se lembrou da razão pela qual tinha vindo e enfiou a mão no bolso. Puxou o saco cheio de varinhas , se xingando mentalmente por não tê-las separado antes. “Idiota..” Sentiu-se um pouco bobo , ali , vasculhando entre as varinhas até encontrar a de Gina. Ele a pegou e ofereceu à Sra. Weasley. “ É a varinha dela.” Disse simplesmente.

Sra, Weasley continuou a olha-lo , como se suspeitando de algo. Então , relutantemente , pegou a varinha. “ Obrigada..” disse cautelosamente , começando a andar para trás e a fechar a porta.

“ Então é isso.” Draco pensou. “ Eu nem ao menos a vi. Que maldita perda de tempo.”

A porta estava quase fechada , e Draco ainda não havia se movido , quando de repente a porta abriu com tudo . E em vez da Sra. Weasley, era Gina. Seu cabelo , um pouco úmido , caia em cascata pelos seus ombros , e sua pele parecia tão limpa que os dedos de Draco sentiam urgência em toca-la.

Pelo que pareceu horas , Gina apenas o olhou , uma mão segurando a porta e a outra um pedaço enorme de chocolate. Então , virando levemente sua cabeça mas sem tirar os olhos de Draco , ela disse à sua mãe , que devia estar ali por perto. “ Mãe , eu entrarei em um minuto.”

Demorou um pouco até que Draco ouvisse os passos da Sra, Weasley sumirem . Gina saiu na varanda , fechando a porta atrás dela.

Estendeu o chocolate , oferecendo à ele. Mas Draco fez que não com a cabeça. “ Eu não estou com fome.” Mentiu , sorrindo sarcasticamente.

Mas Gina continuou séria. “Sim , você está.” Mas não insistiu nisso , e indicou para que sentassem em um grande banco ,que ali estava. E ambos sentaram. “ Você foi preso ?” Perguntou , quebrando um pedaço de chocolate e pondo-o na boca.

“Sim , mas eles foram tão estúpidos a ponto de devolverem minha varinha.”

Gina produziu um som , que parecia ser uma risada abafada e levantou a cabeça , olhando pra frente , enquanto mastigava. Draco ficou olhando seu perfil , resistindo a vontade de agarrá-la ali mesmo e beijá-la , mesmo que a boca dela estivesse cheia.

“Onde está seu pai ?” Ela indagou.

“Ainda sob custódia dos trouxas.” Disse. “ E eu tenho as varinhas deles aqui comigo.”

Gina o olhou , e Draco puxou o saco com as varinhas. Ela olhou por mais um tempo antes de começar a rir. Draco encontrou-se sorrindo. Ele não havia visto Gina rir desse jeito desde.... bem, desde nunca. Nunca prestou atenção nela quando estavam em Hogwarts , e ela também não teve nenhum motivo pra rir nos últimos dias , os quais estiveram juntos. E isso o fez sentir-se quente por dentro , por saber que ele era parte da razão pela qual ela estava realmente rindo , feliz.

Depois de um momento , a risada de Gina foi morrendo. Pôs outro pedaço de chocolate na boca , mastigou e engoliu antes de falar novamente.

“Eu sinto muito..”

“Pelo que ?”

“Por ter te deixado lá.”

“Eu não esperava que você continuasse por lá. Além disso , Weasley , eu posso cuidar de mim mesmo.” Seus olhos encontraram os dela , e demorou um tempo até Gina perceber que ele só a estava provocando , chamando-a de Weasley.

Ela estava tão irresistível naquele momento que Draco parecia ter problemas em controlar seus pensamentos , e segurou fortemente o apoio de braço do banco para que não pudesse toca-la.

“É que eu me senti mal..” Gina continuou. “ Eu não sei , você sempre estava lá quando eu precisei , e então na única chance de te ajudar , eu vou embora..”

“Ela estava preocupada comigo...” Este pensamento o surpreendeu. Ninguém nunca esteve realmente preocupado com ele antes. Antes mesmo de saber o que estava fazendo se inclinou , e seus lábios foram de encontro aos dela. No começo , Gina permaneceu parada , mas só demorou um segundo até que ela começasse a responder o beijo. Ela estava com um gosto maravilhoso de chocolate , e Draco se moveu para mais perto dela.

Ele a beijava tão intensamente ,e estava começando a deitá-la no banco apenas com o peso de seu corpo se apoiando contra o dela. Seus pés ainda permaneciam no chão , mas seu dorso já estava inclinado. Gina usava sua outra mão para correr seus dedos pelo rosto de Draco , e então pelo seu cabelo. As mãos dele alisavam-na na nuca , e seu toque era frio. Estava mandando calafrios pela sua espinha , e fazendo com que seu estomago desse voltas. Apesar dos dedos gelados de Draco , Gina sentia como se estivesse pegando fogo. O beijo dele era bem longe de ser frio , aliás , o pedaço de chocolate que havia sobrado em sua mão estava começando a derreter , deixando seu dedão e dedo indicador melados.

Usando sua mão livre , ela gentilmente afastou a cabeça de Draco , quebrando o beijo.Por um momento Draco pensou que Gina não quisesse beija-lo mais , que ela iria dizer para que ele saísse de cima dela. Mas ao invés disso , ela sorriu , levantando a mão e pondo o último pedaço de chocolate na boca dele.

Draco não mastigou imediatamente. Antes , pegou a mão dela , e pôs o dedo de Gina em sua boca , chupando o chocolate derretido que ali ficara. Fez o mesmo com o dedão , e Gina o assistia. Seu coração, havia ido de batidas rápidas para lentas , ritmadas, e ela podia senti-las até em seus ouvidos. Estava quase sem ar , quando finalmente ele retornou seus lábios para os dela.

Se Gina estivesse assistindo à essa cena , com certeza estaria enjoada , pelo fato de dividir chocolate mastigado com outra pessoa. Mas estar vivenciando aquilo , era algo completamente diferente. Era incrível; erótico. Mais uma vez eles tinham se inclinado , Gina deitada no banco , suas pernas um pouco abertas para acomodar as de Draco , que estava meio ajoelhado e meio deitado em cima dela.

Ele levantou a camisa do pijama dela , que estava bloqueando o seu toque. Correu suas mãos sobre a barriga e sua cintura fazendo movimentos vagarosos e circulares. O beijo se intensificou ainda mais , e foi então que o cérebro de Gina começou a funcionar.

“Se eu não para-lo agora, “ Pensou. “Então iremos acabar transando aqui na varanda !”

Quando os lábios de Draco deixaram os dela para que fosse beijar seu pescoço , ela teve a oportunidade de falar. Seus olhos se abriram , e Gina começou a olhar o teto , tentando formular as frases. “Draco..” sussurrou. “ Draco , nó-nós não podemos...não devíamos...” Mas ela não terminou a frase porque suas mãos não pareciam dar ouvidos às suas palavras. Estavam correndo pelos robes dele , tentando encontrar alguma abertura a qual pudesse tocar sua pele. E então os lábios de Draco estavam novamente nos dela , impedindo quaisquer outras palavras que fosse tentar dizer. Então desistiu e continuou beijando-o.

E então ,alguém fez um “Khhum , Khumn..” como se limpando a garganta , se fazendo notar. E os olhos de Gina se abriram de novo. Draco levantou a cabeça e ambos olharam para a porta da frente. Harry estava ali , parado , olhando-os com uma feição chocada , e embaraçada.

“Desculpe interromper.” Disse seriamente. “Mas sua mãe quer que você entre Gina.”

“Graças à Merlin que não foi ela quem saiu..” Gina pensou , afastando Draco para que ele saísse de cima dela. Ele se afastou vagarosamente , enquanto Gina praticamente voou para fora do banco.

“Diga à ela que eu já vou.” Disse à Harry que, dito isto , entrou e fechou a porta sem dizer mais nenhuma palavra. E quando ela se virou para Draco , suas penas ficaram bambas , e sentiu um frio na barriga. Nossa , como ela queria continuar beijando-o.

“Bem... eu acho que devo ir embora.” Draco disse , seus lábios em um meio sorriso. Enfiou o saquinho de varinhas no bolso de dentro do robe e se levantou.

“E para onde você vai ?” Gina perguntou enquanto Draco descia os degraus que davam para o jardim.

De costas para ela , ele deu de ombros. “E isso importa ?”

“Sim.” Gina respondeu , descendo também e agora ficando atrás dele. “Você não pode ir pra casa. Para onde mais poderia ir?”

Draco se virou , seu rosto inexpressivo , apesar de seus olhos brilharem. “Pra nenhum lugar. Eu não posso ir para nenhum lugar.”

“Bem , talvez você possa ficar aqui..”

Draco levantou uma sobrancelha como se considerando a opção , mas depois fez que não com a cabeça. “Não . Não com seus irmãos por perto.”

“Então onde ?” Gina perguntou. “ Você não tem mais nenhum lugar pra ir. E eu não quero saber de você dormindo em alguma floresta ou roubando quartos de hotel trouxa novamente.”

Draco riu. “ Você não quer? Bem.. e desde quando sua opinião importa algo para mim , Srta. Weasley ?”

Gina pressionou os olhos. “Você vai ficar aqui Draco. Nem que eu tenha que te amarrar em uma cama.”

Quando percebeu o que havia dito , ela corou violentamente , e olhou para baixo . Draco a olhava , com aquele sorriso irônico.

“ Essa não me parece ser uma má idéia ...” Disse vagarosamente. “ E em qual cama você vai me amarrar ?”




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