O Ás de Ouro




Parte um

A primeira mensagem



O Ás de Ouro.
 
 


Como você pode imaginar. Meus dias eram um tanto ‘relaxantes’. Eu gostava muito de um programa que passava no canal 56 então sempre ficava pela sala mesmo.


Claro que algumas horas eu me levantava para ir no banheiro e estourar uma pipiquinha e pegar um refrigerante para mim. Hermione ficava puta com isso. Ela sempre me chamava de idiota ou coisa e tal.


Mas hoje não. Hoje ela passou o dia quietinha, e me surpreendeu ao chegar ao meu lado e falar:


– Posso sentar?


– O que disse?


– Vou te incomodar? Desculpe.


– Não Mione, pode sentar!  – eu fui sincero.


Cara, eu só podia esta cagado hoje. Pelo lado ruim, um motivo me deixavam encafifado, essa coisa do ladrão. E o bom, era que eu tinha ajudado a Hermione, e ela sentadinha do meu lado?


A gente podia ta batendo um papo muito legal, mas a gente ficava em silencio. Esse silencio ia me remoendo e incomodando. Que se dane o programa do canal 56, eu queria o programa Hermione Granger abraçada em mim.


– Você está bem? – eu quebrei o silencio.


– Sim. Meu dedo está ótimo.


– Ah.


Não era sobre o dedo dela que eu queria saber se estava bem. Era ela. Como ela estava se sentindo ali naquela casa. Poxa, ela nunca entendia o meu lado.


– Mas se pergunta da minha pessoa, estou bem sim Ronald. E você?


Ela colocou um daqueles cachinhos do cabelo dela para trás de orelha. Ela é meiga demais, por Merlin.


– Estou bem Hermione – respondi, mentindo.


Eu queria contar para ela o que o ladrão tinha me dito. Ele era intrigante e parecia esconder muitas coisas. A marca que ele tinha perto do olho me deixou curioso. Parecia resultado de uma briga de faca.


Nos ficamos ali, em silencio. Ela olhando para a televisão e eu para ela. Não me cansava de olhar aquele rosto lindo. Ela parecia saber que eu cuidava dela com meus olhos, pelo menos com eles... A gente não ficava assim a um tempão.


Sempre brigando e discutindo. Hoje até que não. Acho que iria chover por estarmos assim.


– Você quer bolo? – perguntou ela.


– Você fez bolo?


– Sim.


– Quero.


É, nossas conversas eram um tanto rápidas e praticas. Fomos até a cozinha e comemos o delicioso bolo de chocolate feito pelas mãozinhas fofas da Hermione.


– Quer que eu vá ao mercado?


–  Eu fui na hora que você foi no fórum. Afinal, como foi lá?


– Foi tudo ok.


Silencio de novo.


– Que cheiro bom. – disse Gina, entrando e jogando a bolsa dela em cima da minha linda cama, que se chama sofá.


– Ta uma delicia – eu disse.


Harry vinha atrás de Gina. Os dois se sentaram na mesa e a Hermione serviu um pedaço para os dois. Parecíamos uma família feliz.


 


A noite, a nossa partida de cartas começou era oito horas da noite.


Hoje a gente estava jogando na varanda da casa. E estava escurecendo aos poucos.


– Bati! – gritei com as mãos para o alto, vibrante.


Todos riram. Sabiam o quanto era importante ganhar alguma coisa, para mim. Logo Gina começou a embaralhar as cartas. Mas o nosso jogo foi interrompido quando os trovões começaram.


– Gina, acho que vai chover. Me ajuda a tirar a roupa da cerca?


– Ajudo sim. E vocês dois, fechem as janelas!


Elas correram para o pátio atrás da casa. E Harry e eu começamos a fechar as janelas. Eu fechei todas as janelas do cômodo de baixo. Eram menos.


Depois disso, fui até a varanda, esperar pelo Potter. Ali eu fiquei olhando para a rua. Parecia tão vazia, tão estranha. No final da rua tinha um parque tão bonito e tão mal cuidado ao mesmo tempo...


Minha percepção foi bem interrompida quando vi um sujeito de preto mexendo na caixa de correio. Eu era covarde, mais nem tanto para não falar nada.


– O que tu faz ai? Cai fora!


Eu disse, me levantando da cadeira. O cara correu em direção ao parque. E eu fui atrás dele. A chuva estava fria e os pingos eram enormes. Pareciam que estavam jogando pedrinhas em mim, ta louco.


O cara tinha boa pinta, ele estava com uma roupa toda social. Sapato preto, camisa e calça social. Como ele corria. Acho que os meus dias parados estavam me deixando enferrujado.


Eu parei. Coloquei as mãos nos joelhos para descansar, e o cara se sumiu no meio das arvores. Eu estava todo ensopado agora. Hermione ia me matar!


Eu voltei para casa devagar, quem está na chuva é para se molhar! Ao olhar a caixa de correio, eu vi que ela estava intacta. Eu resolvi abrir ela, ele podia ter colocado uma bomba ali.


Quando eu abri a portinha da caixa de correio, tinha uma carta ali. Com os dizeres: “Ronald Weasley”. Só pode ser o ladrão, to morto! Eu fui até a varanda o mais rápido que pude, e  tentei não molhar o envelope pardo.


Ao chegar na varanda eu me sentei no chão. Passei a mão pelo envelope, podia ser só uma piadinha sem graça. Mas não era.


Parecia pequeno e tinha uma textura alta. Tinha alguma coisa ali alem daquele envelope. Eu encarei o momento.


Agora já estava escuro, os raios e relâmpagos eram freqüentes. O barulho das gotas de água metralhando o telhado a cada instante. As gotas de água caindo da calha. A poça de água que estava se formando no meio da rua.


Abri o envelope! E o mais surpreendente: Um Ás de Ouro.


O cara só podia estar me zuando. Eu tinha um baralho, para que iria querer mais uma carta. Uma carta que me deixasse o baralho desfalcado.


Na carta estava anotado com uma caneta preta:
 


Rua Edgar, nº 4, 6:00 da tarde.


Avenida Harrison, nº 25, 5:20 da manhã.


 


Resolvo olhar para a rua de novo, para ter certeza que o engraçadinho que fez isso não está rindo da minha cara agora que eu estava cagado de medo.


Nada.


Me levanto, coloco a carta no envelope. Abro a porta. Hermione e Gina estão com as roupas em cima do meu sofá, dobrando elas.


– Rony. O que houve?


– Nada Gina. Resolvi que era hora de tomar banho, e a água ta de graça hoje.


As duas riram da minha cara, e Harry também. Hermione me jogou uma toalha. Eu tirei a roupa atrás da porta e subi para o segundo andar enrolando na toalha.


Ao entrar no box do banheiro, eu liguei o chuveiro. Deixei a água cair sobre minha cabeça. A carta estava na beirada da pia. Eu sabia que ela estava me cuidando. De dentro do envelope, ela me olhava.


Agora estou pensando... O que tem esses endereços?

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