Pedidos e emoções



16. PEDIDOS E EMOÇÕES

Gina prendeu a respiração, e Draco fez o mesmo. Não, não poderia sair uma coisa boa da boca do Potter, não quando ele era o namorado da amada do Cicatriz e ele havia acabado de dizer que era do seu interesse, sem contar que, ao que tudo indicava, seria feito um grande pedido.

“Bem, ele deve pedir pra Gina voltar pra ele, mas como ela me ama, vai ficar comigo...”

-Gina Weasley, você aceita se casar comigo?

Draco sentiu seu sangue todo subir até sua cabeça, vendo que Gina hesitara em responder um “não”. Ela abria e fechava a boca, nervosa pelo pedido e por ter milhares de olhos a observando. Sua voz não saía. Pela cara de Draco, ele não estava gostando nada disso. Bem, quem é que gostaria de estar vendo a própria namorada ser pedida em casamento pelo seu eterno inimigo?!

Rony recebeu algumas cotoveladas de Hermione, mas estava prestes a gargalhar da cara do loiro. Sua pele já não estava mais branca, como sempre, mas sim de uma coloração vermelho intenso, o que não combinava nada com seus cabelos loiríssimos. Parecia uma panela de pressão, prestes a explodir. Harry, parecendo não perceber que acabara de deixar um Malfoy irritado, desceu do palquinho e caminhou calmamente até a mesa onde Gina estava. Ela acabara de se sentar, vermelha como um pimentão. Draco ficara de pé, sem nem ao menos se mover. O moreno segurou a mão direita de Gina, olhou fundo em seus olhos e repetiu:

-Quer casar comigo, Gina?

“AH NÃO ISSO JÁ É DEMAIS PRA MIM!”

Vendo que a namorada estava prestes a aceitar um pedido de casamento de outro, Draco saiu dali, marchando. Não, não daria o prazer ao Potter de vê-lo perder a calma, não no meio de um salão de festas cheio. Não ficou nem para ouvir a resposta de Gina:

-Não, Harry.

O salão se encheu de burburinhos, como se o mundo fosse acabar. Rony e Hermione, assim como os gêmeos, estavam estáticos, sem poder nem ao menos se levantar. Estavam mais que surpresos pela ruiva ter recusado tal pedido, vindo de tal pessoa. Harry a olhava, como se não estivesse entendendo algo.

-Gina... Por que não?!

-Por que não?! Harry você acabou de me pedir em casamento na frente do meu namorado, e ainda me pergunta por que eu não aceitei?!

Ao dizer isso, Gina empurrou Harry e saiu do salão, de cabeça erguida, procurando por Draco. Foi pelos corredores, passeou pelas masmorras e caminhou lentamente pelos jardins, desistindo de sua busca. Foi quando viu um ponto amarelinho na beira do algo, que identificou logo como sendo a cabeça do namorado.

Draco estava sentado, olhando para o lago, pensando. A música já havia voltado no salão, e ele concluiu que alguma resposta já havia sido dada. Bem, pela música romântica, deveria ter sido um “sim”. Estava com uma imensa vontade de chorar, mas não o faria por alguém que não dava a mínima por ele. Ouviu um leve farfalhar de folhas e se virou para ver quem era. Juntamente quem! Com seus cabelos vermelhos balançando contra o vento, em um vestido que se ajustava perfeitamente em seu corpo, ali estava ela, sua Gina. Bem, sua não, agora ela era do Potter.

-Felicidades com o noivado – disse ele, com a voz carregada de sarcasmo.

-Saiba que eu não aceitei.

-Por que não?

-Porque eu amo você, e não ele.

-Pensei que preferisse o Potter.

-Não, eu não prefiro ele.

Draco desviou o olhar para o lago, novamente. Parecia esperar que algo saísse de lá, e Gina também virou para olhar as águas.

-E por que você me prefere? O que tem em mim de tão especial que o todo poderoso Harry Potter, o garoto que derrotou Lord Voldemort duas vezes, não tem?!

-Pra começar, ele não tem cabelo loiro. Os olhos dele são verdes, e não azuis...

-Meus olhos são cinza – interrompeu ele, duro, mesmo que estivesse começando a amolecer por dentro.

-Seus olhos são de suas cores, se ainda não percebeu. Os de Harry são de uma só.

-Certo. Continue.

Gina sorriu. Ele estava tentando ser duro, mas ela sabia mais do que ninguém que ele estava começando a se comover com a situação.

-A boca dele não tem gosto de chocolate branco.

-Que gosto tem? – perguntou Draco, curioso, se virando para ver o sorriso no rosto de Gina.

-De todos os garotos que eu já beijei, somente você conseguiu me deixar com um gosto diferente na boca depois.

Ele se aproximou um pouco dela, mas não a beijou imediatamente. Ela olhava de seus olhos para seus lábios, querendo aquele beijo mais que tudo, mas ele não acabava logo com aquela distância maldosa que se estabelecera entre as duas bocas. Resolveu continuar:

-Harry é extremamente desprovido de músculos, ao contrário de você, que tem esse...

Draco acabou de vez com a distância entre eles, grudando seus lábios aos de Gina. Instintivamente, ela contribuiu, deixando que o beijo ficasse mais quente. Queria provocá-la, queria deixar a moça quase sem fôlego. Mas, para isso, ele precisava tomar ar. Separou-se dela, o rosto apenas, e lhe perguntou, entre arfadas de ar:

-Esse o quê?

-Esse corpo de Deus.

E ela o beijou novamente, dessa vez mais calmo, mais amoroso, carinhoso, terno, romântico. Draco sentia que o lugar estava ficando quente, mas foi exatamente quando Gina parou com o movimento de sua língua, afastando o rosto do dele, para contar a novidade que desde a batalha final queria relatar.

-E, além de tudo que eu já falei, você tem mais uma coisa que o Harry não tem.

-O quê?

-Bem, você ainda vai ter.

-O quê? Eu já tenho tudo...

-Não, você ainda não tem. Pelo menos não que eu saiba.

-Se está falando de você, eu concordo, mas...

-Não, não é de mim. É em mim.

-Como?! – Draco estava confuso. O que nela ele tinha e Harry não, com exceção do conjunto todo?!

-Harry não vai ser pai.

-Pai?! – a cabeça de Draco pareceu parar no exato instante em que Gina disse a palavra “pai”.

-Pai, Draco. Você vai ser pai.

-Pai?!

-Pai.

-Pai?!

Vendo que, se não mudasse de atitude, o diálogo ficaria assim até o fim do baile (Pai. Pai?! Pai. Pai?! Pai...), Gina segurou a mão do loiro, colocando-a em seu ventre. Ele a olhou, como se só agora estivesse começando a entender. Ela sorria, e ele fechou a cara, tirando bruscamente a mão do ventre da moça.

-Eu vou ser pai?!

-Sim – ela ainda mantinha o mesmo sorriso.

-Você está grávida?!

-Sim – seu sorriso começou a se dissipar, já prevendo que o loiro faria um escarcéu sobre a notícia.

-Gina! Como você pôde?!

-Como eu pude? – perguntou ela, começando a se irritar com a reação de Draco – Agora vai me dizer que eu entrei no seu quarto no meio da noite e te estuprei?! Nós dois tivemos culpa, Malfoy! Nós dois fizemos essa criança, e além do mais, eu não vou...

-Gina! Como você pôde?!

-Ora, além de tudo ainda é descarado, me per...

-Como você pôde me fazer a pessoa mais feliz do mundo me dizendo apenas isso?!

Ele sorria, um sorriso surpreso de alegria. Ele iria ser pai! Ele iria constituir uma família com a mulher que realmente amava, e não sentia que estava traindo seus próprios instintos. Sentia-se a pessoa mais feliz do mundo, como se tivesse acabado de reencontrar uma parte perdida de sua vida. E, na verdade, tinha mesmo. Gina não se lembrava de ter visto um sorriso daqueles no rosto do amado, e sorriu também para ele, se jogando em seus braços.

A parte a seguir parecia tirada de uma cena de filme. Draco segurava Gina pela cintura, e a rodava no ar, gritando coisas como “eu vou ser pai” e “essa criança vai ser a pessoa mais feliz do mundo”, ou até mesmo “você vai ficar linda com aquele barrigão de grávida”. Gina apenas ria do comportamento dele, como se nunca tivesse visto uma pessoa mais doida no mundo. Bem, na verdade, ele nunca vira mesmo.

***

Harry estava abalado. Afinal, recebera um “não” na cara, quase no mesmo instante em que fez o pedido, e ainda por cima estava vendo sua pretendente voltar abraçada com outro, que por sinal era seu pior inimigo. Seus olhos estavam vermelhos, e sentia vontade de chorar. Draco se aproximou da mesa novamente, recebendo olhares de todos, surpresos por tamanha alegria. O moreno de olhos verdes ainda estava com a cabeça baixa, quando o nosso queridíssimo lorinho estendeu-lhe a mão.

Gina estava ao seu lado, e os dois sorriam feito dois bobos. Harry olhou para cima, encarando-os não com olhos raivosos, mas sim com olhos tristes.

-Quero te agradecer, Potter.

-Pelo quê?

-Por ter me mostrado o que era mais importante pra mim. Obrigado.

-Disponha. Quando precisar de alguém com experiência em ajudar os outros involuntariamente, pode me chamar.

Draco sorriu, e Harry também. Era um sorriso sincero. O moreno se levantou, ficando em pé ao lado do outro.

-Me desculpem, Malfoy, Gina.

-Desculpas aceitas – respondeu Gina, também sorrindo – bem, nós não voltamos para cá para fazermos as pazes com você. Pelo menos não exatamente para isso.

-Nós viemos te pedir um favor, um grande favor.

Ele ergueu as sobrancelhas, mas continuou em silêncio. Gina pediu a atenção da mesa, e quando todos olharam para eles (o que demorou alguns segundos, até que os gêmeos ficassem em silêncio e parassem com as piadinhas sem graça sobre loiros) foi que Gina começou:

-Bem, eu e Draco temos uma boa notícia para vocês.

-Nós vamos nos casar – anunciou Draco, deixando todos de boca aberta, menos Harry, que sorria, admitindo a derrota – mas eu ainda devo pedir a mão da noiva ao seu pai, não acha? Portanto – falou ele se virando para o Sr. Weasley – Sr. Weasley, me concede a mão de sua filha caçula em casamento?

O ruivo o analisou por um tempo, enquanto todos faziam o mesmo, em silêncio, para por fim se levantar e dizer, apertando a mão de ex-inimigo de sua família:

-Bem vindo à família, filho.

Todos sorriram, concordando com a cabeça.

-Ah, mas se o Malfoy fizer alguma coisa pra te machucar – começou Jorge.

-Ele vai se ver conosco – completou Fred.

-Não se preocupem, sua irmã não vai ter o que reclamar de mim – disse Draco, com um sorriso que ia de orelha a orelha.

-Gina, se ele fizer alguma coisa, qualquer coisa que seja, eu juro que ele vai aparecer morto em um bueiro no dia seguinte – ameaçou Ron, olhando feio para o cunhado e recebendo alguns safanões da Sra. Weasley.

-Filha, tenho certeza de que você vai ficar bem. Draco é um bom rapaz – concluiu a mãe da noiva.

-Parabéns Gina! – Hermione foi a primeira a abraçar a amiga, dando um apertozinho na mão de Draco também.

-Se você não cuidar dela, vai ter que enfrentar toda a família – disse Harry, somente para Draco, rindo das ameaças que este recebera dos irmãos da noiva.

-É... Já percebi. Eu preciso te fazer um pedido.

-O que é?

-Posso te chamar de Harry?

-Claro que sim, Draco – disse o rapaz, apertando a mão do nosso queridíssimo loiro.

-Ótimo. É que eu achei que ficaria um pouco estranho se eu chamasse o padrinho do meu primeiro filho pelo sobrenome.

-Primeiro filho?!

-Harry – se aproximou Gina, para emendar a história da gravidez – você aceita ser o padrinho do nosso primeiro filho?

-Sim, claro, quando ele vier, eu aceito sim...

-Daqui a nove meses, então, nos encontramos na igreja – disse Draco, sorrindo mais ainda.

-Mas já?! – perguntou Harry, um pouco surpreso com a notícia.

Os dois concordaram com a cabeça, abrindo mais o seu sorriso. Sim, o sorriso de Draco podia aumentar mais ainda.

-Mas eu ainda não contei para eles – disse Gina – acho que vai ser melhor se eu contar sem o Draco por perto e um de cada vez.

-É, se eu estiver por perto acho que não vai sobrar um fio de cabelo loiro para criar essa criança...




N/A: gnt desculpa mas era pra mim ter postado esse cap. ontem ainda e nao deu tempo... gostaram?? juro que ainda og eu posto o cap. 17 - O casamento

Bjj

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