Minas Tirith e Minas Morgul



N:A: Taí o cap completo, gente.

Gostaria de dedicar esse capítulo a uma pessoa, a Gina M. Black, que fez um comentário outro dia que me deixou ealmente comovido. Ela está indo para a Amazônia, em trabalho voluntário, prestando assistência médica aos índios da região, num local sem acesso a internet e coisa e tal. Vai perder o lançamento do filme, do livro e tudo pelo que todos nós estamos tão anciosos para ver, em prol de ajudar pessoas que ela nem mesmo conhece, visando o bem do próximo. Éiso muita coragem para se deixar a família, os amigos, o conforto da vida que vivemos, qualquer cidade que seja, para isolar-se durante 6 meses desta maneira. É uma prova de que ainda existem pessoas que se preopupam com o próximo, e, quem sabe, de que esse nosso mundo ainda tem salvação.

Espero que quando voltar de sua viagem, você dê uma passadinha por aqui, Gina, para termina de ler a nossa estória. Estaremos esperando por você, com muito orgulho pela sua atitude.



Capítulo 06 – Minas Tirith e Minas Morgul




- Sei. Tipo... Atirarem primeiro e perguntarem depois? – Perguntou Harry, de mau humor – Essa é boa... Era só o que nos faltava, mesmo.
- Acalmem-se, meus senhores. Deixem comigo – Disse Andy, levantando-se e dirigindo-se aos soldados, continuou – Sou Andy Wise Gangi, filho de Tolman Gangi, o Thain do Condado. Desde quando os nobres homens de Gondor recebem assim seus irmãos do norte? Muito estranho essa recepção, meus amigos.
- Salve, mestre Gangi. – Cumprimentou o mesmo homem, fazendo sinal para seus homens abaixarem as armas – Peço desculpas por não lhe ter visto de imediato, mas sabes que não é fácil reconhecer um Hobbit a esta distância.
- Quem é o responsável por este posto? – Continuou o Hobbit, pulando do barco para o cais, sendo seguido pelos outros – Venho em nome de meu pai. Necessitamos ver o grande rei com a máxima urgência.
- Sou eu, meu senhor. Chamo-me Senar, sou o comandante da guarda. Lamento informar que o momento não é nada bom. – Respondeu o homem, que vinha em direção ao grupo – Nosso rei está morto.
- Como assim, morto? – Assustou-se Harry, adiantando-se aos demais.



O oficial não respondeu de imediato. Chegou onde os visitantes estavam, fez uma reverência para Andy, fitou Harry com interesse e continuou.



- Nosso rei foi morto há três semanas, num ataque de Orcs ao palácio de seu irmão. Este também foi assassinado, assim como suas esposas.
- E o resto da família real? – Perguntou Andy, desconsolado.
- Nosso príncipe herdeiro, Anárion, é prisioneiro dos Orcs. O príncipe Arador assumiu o reino, aconselhado pela rainha-mãe. Estamos organizando um ataque para tentar resgatar os prisioneiros.
- Não creio que seja uma boa idéia um ataque, comandante. – Intercedeu Harry.
- E quem é o senhor para dizer-nos o que devemos ou não fazer? – Irritou-se Senar.
- Não sou ninguém, na verdade. Mas pode me chamar de Harry Potter. Contudo, devo pedir-lhe que retarde seu ataque até conversarmos com seus governantes. – Respondeu Harry – Evitaríamos um derramamento de sangue desnecessário, posso garantir-lhe.
- Este! – Andy disse, apontando para Harry – É o Mago Branco, comandante. Se ele diz que não se deve atacar os Orcs, pode ter certeza de que ele tem um bom motivo.
- Mago Branco? – Perguntou Senar, ainda mais desconfiado – Não sabia que havia algum mago andando por estas terras.
- Uma nova sombra paira sobre esta terra, comandante. E mais uma vez, a ordem dos magos manda alguém para nos ajudar nesta hora funesta. – Disse Andy – Não se deixe enganar pela aparência ou pouca idade. Já vi este mago fazer coisas que o senhor não imaginaria em seu sonho mais absurdo.
- Nada disso importa agora, Andy. – Interrompeu Harry, impaciente – Atravessamos a Terra Média para alertá-los sobre um possível ataque dos Orcs. Infelizmente, também fomos atacados. Perdemos três companheiros de viagem e nossas montarias. Mesmo assim, conseguimos chegar até aqui. Só lhe peço para adiar o ataque até que eu converse com seus governantes, comandante. Depois, se eu não conseguir convencê-los a desistir deste ataque suicida, eu mesmo me junto a vocês e partimos para a batalha.



O comandante continuou fitando Harry, demoradamente. Estava numa dúvida cruel entre cumprir suas ordens, mandando seus homens atravessarem o rio em direção a uma batalha às cegas (coisa que ele, definitivamente não queria fazer), ou acatar a sugestão daquele jovem, que se dizia um Mago Branco, e retornar com ele para Minas Tirith. Depois de pensar bem no assunto, resolveu escoltar os visitantes até a cidade. Ordenou que seus homens continuassem no porto, prontos para o embarque. Reuniu alguns, conseguiu cavalos para os recém-chegados, e alguns minutos depois partiram. Senar estava curioso não só com Harry Potter. Seus acompanhantes, tão ou mais jovens do que ele, permaneciam calados. Era evidente que haviam passado por muitas dificuldades durante a viagem até ali. Deixou-os cavalgar um pouco à frente, aproximou-se de Andy, que estava montado na garupa de um de seus soldados e perguntou.



- Mestre Gangi, me perdoe a curiosidade. Mas como conseguiram chegar a Gondor, sem cavalos?
- Meu caro amigo, você não iria acreditar. – Respondeu o Hobbit, sorrindo – Depois que fomos atacados por Orcs que deixavam Moria, atravessamos as montanhas e chegamos ao grande rio. Viemos por ele até aqui.
- Atravessaram as Montanhas Sombrias a pé, em pleno inverno? E como fizeram para descer o rio? Como passaram pelas corredeiras e a grande Rauros? – Perguntou, incrédulo, o soldado.
- Se não fossem os magos, realmente não conseguiríamos. As montanhas foram realmente um desafio, mesmo para eles. Até uma avalanche me soterrou, se quer saber. Mas mestre Potter conseguiu sair comigo do meio da neve, ileso. Quanto ao rio... Bom, tínhamos dois barcos. Um afundou nas corredeiras, então tivemos que terminar apenas em um. Quando chegamos na cachoeira, literalmente voamos meu caro. Nunca vi nada igual em toda a minha vida. – Respondeu o Hobbit, relembrando os fatos ocorridos recentemente.
- Os outros também são magos? – Perguntou novamente Senar, mostrando-se muito curioso com os visitantes, muito mais do que demonstrara de início.
- Sim. Mas os outros são Magos Cinzentos, não tão poderosos quanto Harry Potter. Mas também muito corajosos e leais.As damas até lutam de espada...



Nada mais se disse a partir de então. Enquanto o comandante ruminava as informações que recebera, a comitiva deixou os limites da cidade, ganhando campo aberto. Assim que vislumbraram, ainda ao longe, a cidade, Harry e seus amigos entenderam por que ela era chamada de Cidade Branca, ou Cidade dos Reis.



Incrustada na colina e sobrepujando-a, havia uma magnífica construção. Cercada por gigantescas muralhas brancas, marcadas por antigas marcas de batalhas, a cidade refletia a luz do sol, magnânima. Parecia ter sido construída em cascata, uma camada após a outra.Centenas de Torres, com bandeiras tremeluzindo ao sabor do vento, todas a meio mastro, em sinal de luto. Quando chegaram nos gigantescos portões, estes foram abertos de pronto, permitindo a entrada. Apesar da pressa e não poderem parar para apreciar o espetáculo em volta, tudo enchia seus olhos. Senar explicava que a cidade era dividida em sete níveis, separada muralhas internas, de modo que, se uma caísse nas mãos do atacante, as seguintes poderiam resistir. Cada nível só era acessível através de portões, tão resistente quanto o da entrada, apesar de menores. Estes portões, por um motivo desconhecido, eram construídos voltados para os pontos cardeais, numa engenhosa obra de arquitetura, como foi ressaltado por uma Hermione sem fôlego.


O primeiro nível, mais próximo às muralhas externas, visivelmente era onde moravam as pessoas mais simples. Mesmo assim, as construções eram de uma beleza inimaginável. Até as ruas e travessas eram calçadas com mármore branco, onde crianças corriam e brincavam. Um movimentado comércio se fazia presente, trazendo a algazarra característica aos ouvidos do grupo. Conforme os cavalos avançavam, as pessoas abriam caminho e ficavam olhando, curiosas. As crianças corriam atrás, festejando. A maior atração era, sem dúvida, os pequenos Hobbits, dos quais a maioria já ouvira falar, mas nunca vira. Andy e seus amigos respondiam os acenos, um tanto encabulados.



Quando atravessaram, finalmente, o último portão, saíram num magnífico pátio. Ao centro, uma gigantesca árvore branca, símbolo dos Numenorianos. Do outro lado, um imenso palácio. Pararam em frente a sua escadaria, desmontaram e entraram por suas portas, o som de seus passos ecoando no mármore. Seguiram Senar até um amplo salão, em formato de catedral. Ao fundo, um par de tronos, onde num deles um rapaz estava sentado. Levantou-se de pronto ao ver os visitantes, mas esperou até que se aproximassem, com o cenho franzido. Assim que chegou aos pés da pequena elevação onde os tronos estavam, Senar fez uma respeitosa reverência, e disse.



- Meu príncipe!
- Comandante! – Respondeu o rapaz, que deveria ter pouco mais de vinte anos – Não deveria estar atravessando o rio para resgatar meu irmão?
- Peço-lhe desculpas, meu senhor, por não ter cumprido vossas ordens. Estávamos prestes a embarcar quando estes visitantes chegaram. – Explicou-se o comandante, indicando o grupo com um gesto largo.
- Meu príncipe. – Saudou Andy – Talvez não se lembre de mim, pois já faz anos que não venho a Gondor. Sou Andy Wise Gangi. Lamento muito pelo ocorrido com seus pais.
- Mestre Gangi. – Cumprimentou o outro, retribuindo a reverência que Andy lhe fizera – Aceito suas condolências, mas espero que entenda que o momento não é dos melhores. Meu irmão, Anárion, ainda é prisioneiro dos Orcs. Precisamos salvá-lo, a qualquer custo.



Enquanto Arador falava, um garoto, de aproximadamente dez anos entrou correndo na sala do trono. Sem se importar com os visitantes, dirigiu-se para Senar, aos berros.



- O que está fazendo aqui? Por que não foi salvar meu irmão?
- Peço desculpas meu príncipe. – Senar ficou escarlate, fazendo uma nova reverência – Mas com a chegada do Mago Branco... Ele me disse que não deveríamos atacar os Orcs...
- E quem manda aqui? – Explodiu o garoto – E não existe essa história de Mago Branco. Isso é invenção dos antigos, história para se contar a crianças pequenas.
- Cale-se Éomer! – Disse Arador, para o garoto. E, virando-se para Senar, continuou – Mago Branco? Que Mago Branco?
- O novo Mago Branco. – Disse uma voz feminina, vinda de algum lugar à esquerda, detrás dos tronos.



Todos se viraram para ver quem falara. Uma linda mulher entrara no recinto, sem que ninguém percebesse e estava agora em pé, com uma das mãos apoiada no espaldar alto do trono mais próximo. Tinha cabelos negros, lisos, na altura de sua bem torneada cintura, extremamente leves, que pareciam balançar mesmo não havendo brisa. Sua pele era clara, e parecia emanar uma luz própria. Sua boca, vermelha e sensual. E suas orelhas, levemente pontudas. Usava um belo, mas simples, vestido branco semitransparente, que revelava, mais do que escondia, suas exuberantes formas. Nos punhos, decote e barras, detalhes em ouro. Uma visão que fez a todos se sentirem inebriados. Rony escancarou a boca e virou a cabeça meio de lado, olhando abobalhado para a mulher, até levar uma forte cotovelada de Mione em suas costelas. Mesmo ela e Gina sentiram-se envolvidas pela figura, quase hipnotizadas. Cada um sentiu um toque em sua mente, uma voz tão melodiosa e cantada quanto à de sua dona em pessoa, revelando-lhes segredos. Harry então deu um passo à frente, fazendo uma reverência emocionada, e disse.



- “Em nome da Ordem dos Magos, saúdo lady Arwen Undómiel, a Estrela Vespertina, senhora dos Homens e dos Elfos. Estou aqui para lhe servir e proteger a Terra Média, minha senhora”.
- “Eu também o saúdo, Mago Branco. Que nossos laços de amizade e lealdade sejam tão longos e sinceros quanto o foram no passado, com seus antecessores”. – E, na língua que todos podiam entender – Eu estava a sua espera, Harry Potter. – Virou-se para os outros e se apresentou – Sou Arwen Undómiel, senhora dos Elfos e rainha-mãe do reino de Gondor. Sejam bem vindos. Ronald Weasley, Ginevra Weasley e Hermione Granger. E é bom vê-lo novamente, jovem Gangi.



Harry levantou a cabeça, mergulhando no olhar penetrante de Arwen. Esta sorria, evidentemente emocionada. Estendeu o olhar para os outros, detendo-se um pouco mais em Gina, que a olhava com um misto de curiosidade e, talvez, uma ponta de ciúmes. Mas logo a ruiva abaixou o olhar. O silêncio foi quebrado por Arador, que perguntou.



- Minha senhora, então é verdade? Temos um novo Mago Branco?
- Sim, meu filho. Este jovem, Harry Potter, é o novo Mago Branco. E pelo que eu sinto, é tão poderoso quanto seus antecessores.
- Foi por causa dele que a senhora não deixou que atacássemos os Orcs antes? – Perguntou Éomer, ainda revoltado – Não me parece grande coisa.
- Basta! – Disse Lady Arwen, enfaticamente. Depois, virou-se para os recém-chegados e continuou – Peço-lhes desculpas pelos modos de meus descendentes. Mas o desespero e o desejo de vingança pulsa em suas veias, fazendo com que esqueçam os bons modos.
- Nós compreendemos, minha senhora. – Respondeu Harry – Eu conheço a dor pela perda de alguém tão próximo. Só sentimos vontade de retaliação, achamos que, se infringirmos ao outro um pouco da dor que estamos sentindo, nossa dor diminuirá. Mas isso não é verdade. Nada pode aplacar a dor da perda. E se tomamos uma decisão num momento de dor como esse, de maneira impensada, podemos nos arrepender e perder muito mais no futuro.
- Estou vendo que a vida lhe trouxe experiências amargas e cicatrizes profundas, mesmo em tão tenra idade. – Lady Arwen olhava para Harry com interesse – Suas palavras guardam sabedoria, Harry Potter. Mais uma essencial qualidade para alguém na sua posição. Agora, sentem-se, por favor.
- Ele diz isso porque não foram as cabeças dos pais dele a serem entregues no portão, não é mesmo? Nem é o irmão dele que está trancado nas masmorras Orcs. – Insistiu o garoto, enquanto Harry e os amigos se sentavam em cadeiras dispostas no ambiente.
- Não, mas viu seus pais serem assassinados na frente dele, quando ainda era menor do que você. – Gina interveio, ríspida – Não fale de dor como se a sua fosse única, príncipe.
- Paz! – Pediu Arwen, cortando o assunto – Ouçam, netos de meus netos. Alguns anos após a passagem de meu rei, Elessar, eu estava prestes a partir desta terra, para meu exílio e passar a eternidade ao lado de meu pai e meu povo. Então, numa noite de verão, tive uma visão. Esta visão me mostrou que, num futuro não muito distante, uma nova sombra se ergueria sobre este reino. Conversei com o Mago Branco que nos visitava na época, Merlin, e discutimos como preparar a vinda do mago que viria nos ajudar a combater este mal. Um jovem mago, corajoso e nobre, com uma cicatriz em forma de raio em sua fronte.
- Ela conheceu Merlin? – Assombrou-se Rony, murmurando para Mione – Mas quantos anos será que ela tem?
- Quieto Rony! – Sibilou ela, dando-lhe outra cotovelada para que se calasse, enquanto Arwen continuava a falar.
- No dia que seus pais foram atacados, eu lhes disse que havia sonhado com o ocorrido. Por isto voltamos de nossa viajem a Ithilien. O que eu não disse na época, foi que em meu sonho eu também vi que chegara a hora de se concretizar minha visão anterior. Que o mal dominava Minas Ithil, que vosso irmão era prisioneiro e que, na tentativa de resgatá-lo, todos vocês sucumbiriam. Mas uma chama de esperança se fez presente, quando senti a presença do Mago Branco na Terra Média novamente. Até aquele dia eu não conseguia discernir a presença que eu sentia, mas então eu soube o que era. E sabia que não poderia deixar que vocês avançassem desordenadamente sobre o inimigo. Acompanhei, ao longe, a viagem de Harry e seus amigos até aqui, e sabia quando eles iriam chegar.
- Mas o que ele pode fazer que duzentos soldados não podem? – Perguntou Arador.
- Para saber o que eu preciso ou posso fazer, primeiro preciso me inteirar do acontecido, príncipe Arador. – Respondeu Harry.
- Mas isto não acontecerá agora. – Interveio Lady Arwen – Vocês acabaram de chegar de uma longa viagem. Estão cansados e famintos. Primeiro se acomodarão, tomarão um banho e vestirão roupas limpas. Depois, lhes ofereceremos um belo banquete de boas vindas (Rony gemeu baixinho), e só então discutiremos estes assuntos.
- Sim senhora. – Concordou Arador.
- Já mandei preparar acomodações para vocês. – Continuou a rainha, batendo palmas, ao que um grupo de criados entrou na sala. Ela se dirigiu a eles – Acompanhem nossos convidados, e fiquem a sua disposição. Quando estiverem prontos, levem-nos à sala de jantar.
- Obrigado, Lady Arwen. – Agradeceu Harry em nome de todos, levantando-se, fazendo uma reverência e seguindo os criados, gestos imitados por todos.



Saíram do salão e ingressaram na parte residencial do castelo. Percorreram os vastos corredores, até chegarem na ala oeste do castelo. Os criados – Dois homens e duas mulheres – Indicaram a cada um qual era seu quarto, abrindo a porta e esperando que entrassem. Os amigos despediram-se com um menear da cabeça e adentraram as acomodações.

Gina quase soltou um grito de incredulidade quando a porta se fechou às suas costas. Estava num quarto, como tudo mais no castelo, magnífico. Quadros com molduras de ouro, em tamanho natural, retratando Elfos e homens, cavaleiros e damas, estavam espalhados pelas paredes, revestidas num tom pastel. Móveis antiqüíssimos, mas muito bem lustrados mobiliavam o ambiente, com ênfase para uma escrivaninha encostada sob a janela. O chão era forrado por imensos tapetes, alguns dos quais, bordados com fios de ouro.Ao fundo, uma penteadeira de Mogno vermelho, com um espelho de mais de um metro de altura, dividido em três partes, de modo que quem se sentasse à sua frente poderia se ver de todos os ângulos, exceto as costas, é claro.Uma gigantesca cama de dossel ao centro, que deveria ter mais de três metros de largura por cinco de comprimento. Lençóis de seda, em cores vivas e travesseiros de penas de ganso completavam o espetáculo.


Gina nunca fora tão sensível quanto seu irmão Rony com relação ao fato de ter nascido numa família pobre. Sempre encarara numa boa o fato de usar coisas de segunda mão. Só quando recebera a herança deixada por Harry, alguns anos antes, é que começara a apreciar o fato de poder ter dinheiro para comprar o que e quando quisesse. Mas quando tinha dinheiro, não tinha para quem se vestir com belos vestidos, tão pouco era uma de suas características. Sempre preferira a discrição. Mas ali, parada à porta daquele quarto, não pode deixar de pensar no quanto podia ser bom ter dinheiro para poder montar um quarto como aquele. Ficou, no sentido literal da palavra, bestificada. Foi retirada de seu transe pela serviçal, que depois de chamá-la umas três vezes conseguiu se fazer ouvir.



- Milady deseja tomar seu banho agora? A água já está pronta.
- Quê? Banho? Sim, claro... Obrigada.



A criada indicou o caminho. Atravessaram o quarto e entraram numa pequena porta, atrás de uma cortina, e desta vez Gina não conseguiu conter um pequeno grito de excitação. O banheiro era simplesmente fantástico. Nem mesmo em Hogwarts ela vira algo como aquilo. Era todo em mármore rosa, com as torneiras e demais adornos banhados em ouro. Uma gigantesca banheira estava disposta no meio do recinto, onde outras duas criadas despejavam baldes de água quente. Quando a banheira ficou aproximadamente pela metade, pediram para Gina entrar, para que pudessem lavá-la, retirando a poeira da viajem.


Completamente envergonhada, e muito a contragosto, a moça tirou suas roupas, tentando a todo custo esconder os vergões e escoriações que conseguira durante a longa viajem que fizera. Entrou na água deliciosamente morna, e logo as três moças puseram-se a esfregá-la delicadamente. Enxaguaram-na e pediram que saísse, para trocarem a água. Gina atendeu o pedido, sem compreender. Por que trocariam a água se ela já estava limpa como há meses não estava? A resposta veio logo a seguir. De um móvel ao lado, uma das moças retirou uma gama de óleos, sais, essências e, na opinião de Gina, leite de algum animal. Aos poucos, conforme se enchia novamente a banheira, o perfume impregnava o ar. Gina retornou à água, onde permaneceu em torno de meia hora relaxando, enquanto tinha seus cabelos novamente lavados e sentia sua pele ficar mais sedosa do que nunca. Aquele era, sem dúvida, o melhor banho que tomara em sua vida.


Quando a água estava começando a esfriar, e seu cabelo estava brilhante e sedoso, deram-lhe uma toalha e ela saiu. Quando retornou ao quarto, sobre a cama agora havia um belo vestido, digno de uma princesa. Não era como o de Lady Arwen, que parecia ser feito de vento, de tão leve que era. Mas era, sem dúvida nenhuma, o vestido de uma dama da corte. Uma duquesa ou uma baronesa, pensou. O vestido era verde claro, com detalhes cor-de-rosa no decote, nas mangas, nos pulsos e na cintura. No chão, uma bela sandália de couro, que era amarrada com tiras que subiam, trançadas, até o joelho. Enquanto se vestia, pediu a uma das moças que verificasse se Mione já estava pronta e se poderia esperar por ela, para que fossem juntas ao salão de jantar. Minutos depois a jovem retornou, avisando que Mione acabara de sair do banho e que a aguardaria. Gina deu um sorriso, imaginando o que a amiga achara de todo aquele conforto e disse.



- Agora só falta dar um jeito neste cabelo.
- Sentimos muito minha senhora. – Desculpou-se a jovem que, aparentemente, comandava as outras – Sabemos que está frio, mas nada podemos fazer a este respeito.
- Mas eu posso. Não lhe disseram que sou uma bruxa? Ou Maga, que é como vocês costumam nos chamar aqui? – Perguntou ela sorrindo, pegando sua varinha que estava sobre a penteadeira, o que provocou um certo receio nas moças, que instintivamente deram um passo para trás – Pois bem. Você penteia e eu seco, está bem? Há algumas vantagens em poder usar magia nessas horas, sabe?



E dizendo isso, começou a lançar um jato de ar quente sobre os cabelos, como se fosse o secador elétrico de Mione. As moças arregalaram os olhos, sem acreditar, mas quando Gina piscou-lhes um olho, caíram na gargalhada e dedicaram-se ao trabalho. Minutos depois, estava pronta. Seu cabelo estava seco, escovado e penteado num belo arranjo, preso por um laço cor-de-rosa. Agradeceu às moças, e mais uma vez acompanhada da criada que a trouxera e cuidara dela até ali, saiu para o corredor. A jovem se adiantou, batendo na porta do quarto de Mione, onde entraram. Esta estava terminando de se arrumar. Previsivelmente, tivera a mesma idéia que Gina, e estava acabando de secar o cabelo com a varinha. Quando a viu pelo espelho, seus olhos brilharam significativamente, deixando claro que Gina acertara também quanto à sua reação com tudo aquilo. Poucos minutos depois, levantou-se e se aproximou da amiga, pegando em suas mãos e dizendo.



- Gina, você está linda!
- Você também, Mione! – Respondeu esta.

Mione usava um vestido muito parecido com o de Gina, porém azul anil com detalhes em branco em volta do decote em V, generoso, das mangas e na barra. Usava também uma sandália de couro, e seus cabelos estavam soltos e armados, como sempre. Rindo, as duas saíram do quarto e foram guiadas para uma sala, onde aguardariam serem chamadas quando a família real estivesse pronta para a refeição. Quando entraram na sala, Harry e Rony já estavam lá. As duas trocaram um olhar e deram uma risadinha, antes dos dois rapazes se virarem, pois eles também estavam lindos.


Harry usava uma túnica branca, com detalhes e botões dourados, sobre uma camisa de seda também branca. Seus cabelos estavam, como Gina gostava, molhados e propositalmente arrepiados, o que o deixava incrivelmente sexy. Estava barbeado, o que não acontecia há semanas. Rony, por sua vez, tinha a barba muito bem aparada. Usava uma túnica preta, também com detalhes e botões dourados. Ambos saboreavam uma bebida, e quando se viraram, Rony deixou escapar um assobio longo, e disse.



- Mione, você está um arraso.
- Obrigada! – Agradeceu Mione, fazendo uma leve reverência, enquanto seu noivo se aproximava – Vocês também estão lindos.
- Talvez um pouco demais até. – Completou Gina, vendo que as moças que as acompanharam estavam olhando para os dois com o olhar vidrado. Perceberam imediatamente a indiscrição, fizeram uma reverência e saíram, extremamente envergonhadas.
- Você está maravilhosa, amor. – Disse Harry, beijando Gina na testa.
- Escuta gente, quero fazer uma pergunta a vocês. – Retomou a palavra Rony – Quando a gente chegou, antes mesmo das apresentações, a Lady Arwen falou através da mente com vocês? Por que comigo ela conversou.
- Falou! Falou sim. – Respondeu Gina.
- E o que ela falou pra vocês? – Insistiu Rony.
- Prefiro não falar. – Respondeu Gina, corando – É assunto particular.
- É! Também prefiro não falar. – Apressou-se Mione, também corando.
- Mas por que? Eu não tenho problema de falar o que ela me disse. Ela disse que vou enfrentar uma grande provação em breve. E pra você, Harry? O que ela disse?
- Sinto muito meu amigo, mas não é a hora de revelar o que me foi dito. Mas no momento adequado vocês saberão, pode ter certeza. – Disse Harry, sorrindo.
- Nossa! Estamos cheios de segredos entre nós, eh? Nunca foi assim antes... – Alfinetou Rony, magoado.
- Não é uma questão de segredos, Rony. É que existem coisas que só devem ser ditas a seu devido tempo. – Respondeu Harry.
- Por falar em segredo... – Lembrou-se Mione – Desde quando você sabe falar élfico, Harry? Por que aquilo que você falou com Lady Arwen quando nos conhecemos foi élfico, não foi?
- Não há segredo algum nisso. Só aprendi algumas palavras e aquele cumprimento, antes de viajarmos. Não sei mais nada. – Justificou-se o moreno.


Passados mais alguns minutos, finalmente foram chamados ao salão. Assim que as portas foram abertas e o delicioso aroma da comida impregnou suas narinas, Rony soltou outro gemido desejoso. Lady Arwen também trocara de roupa e estava esperando à cabeceira da mesa. Arador e Éomer estavam a seu lado, conversando com Andy. Gina notou um certo olhar muito mais atento de Arador sobre Mione, mas a amiga pareceu não notar. Sentaram-se e sem perda de tempo, começaram a comer. Enquanto colocavam em seus pratos asas de peru, fartas fatias de porco assado ou, no caso das meninas, algumas frutas e hortaliças, começaram a conversar, de forma mais descontraída. Rony literalmente atacou seu prato, devorando tudo em que podia por as mãos, avidamente, não demorando a arrancar muxoxos e olhares indignados de Hermione, sentada a seu lado. Logo ela não resistiu mais, e disse.


- O que você pensa que está fazendo, Ronald Weasley?
- Pensei que estivesse comendo. – Respondeu ele, com a boca cheia.
- Francamente! Quem vê até pensa que sua mãe não te deu educação. – Ralhou ela.
- Mas o que foi que eu fiz agora? Só estou comendo, não posso? – Zangou-se ele, balançando uma coxa de peru para o lado dela.
- Mas isto são modos? Parece que não come a séculos.
- E faz mesmo. Quanto tempo faz que a gente não come decentemente?
- Isso não é justificativa. Por Merlin, Rony. Estamos em uma mesa real. Tenha compostura.
- Não estou vendo ninguém reclamar.Só a senhora certinha. – Bufou ele, fechando a cara e continuando a comer, enquanto Mione lhe virava a cara e continuava a bufar.
- Peço desculpas por estes dois. – Disse Harry, rindo, para os outros ocupantes da mesa, que assistiam a briga, admirados.
- Eles brigam sempre assim? – Perguntou Arador, interessado.
- Só desde os onze anos. – Respondeu Gina – É assim que eles dizem que se gostam, implicando um com o outro.


Um certo silêncio pairou na mesa por alguns instantes, até que Andy resolveu descontrair o ambiente e contou, muito satisfeito por ter participado, como transcorrera a viajem do Condado até ali. Apesar de não demonstrar abertamente, ficava claro por alguns movimentos e reações involuntárias, que Éomer não acreditava em nada do que era contado. Depois, Harry contou mais uma vez sua estória, assim como a de Chú.

Criados transitavam pelo salão, servindo a todos, e o rapaz não deu grande importância a nenhum deles, até que um jovem, de cabelos ruivos e que lembrava de certo modo Rony, parou ao seu lado para encher sua taça de vinho. Harry sentiu-se inquieto, mas não conseguiu entender o motivo. Achou que era apenas cansaço, e continuou a se concentrar no banquete, que durou a tarde inteira. Quando a noite começava a cair e eles já haviam acabado a sobremesa, lady Arwen os convidou a passarem para outra sala, onde Arador serviu bebidas e acendeu seu cachimbo, prontamente seguido por Andy. Éomer insistiu em participar da conversa, conseguindo convencer os mais velhos. Quando entraram, Senar já estava à espera deles. Harry tomou um pequeno gole de seu licor e perguntou.



- Contem-nos agora o que aconteceu com seu rei.
- Muito bem. – Arador tomou a palavra – Há mais de dois meses, nossos informantes vêm nos alertando sobre a movimentação dos Orcs. Parecia-nos que alguém estava tentando reuni-los sob uma só bandeira novamente, como já acontecera no passado. Apesar de nossos esforços, não conseguimos descobrir quem seria esta pessoa tampouco onde estava. Meu pai resolveu se reunir com meu tio para decidir quais providencias deveriam ser tomadas. Levou com ele minha mãe e meu irmão mais velho, Anáryon. Mas, na manhã seguinte em que chegaram, foram atacados por uma horda de Orcs. O castelo foi rapidamente dominado, os poucos homens que fugiram de Minas Ithil relataram que, além dos Orcs, havia um grupo de homens estranhos, que pareciam invulneráveis. As flechas e os golpes de espada não os atingiam, e eles podiam matar a vontade.
- Estavam usando um feitiço escudo. – Conjeturou Rony.
- Depois que conseguiram dominar a fortaleza. – Retomou Arador – Perdemos o contato de qualquer espécie. Dois dias depois, um grupo de Orcs veio até próximo das nossas muralhas, trazendo dois cavalos. Nos cavalos, presas por lanças, vinham as cabeças de meus pais e meus tios. E um ultimato dizendo que, se quiséssemos ver meu irmão e meus primos ainda com vida, deveríamos abrir os portões da cidade e nos rendermos. Nos deram o prazo de um mês, e este prazo termina em dois dias. Eu queria ter mandado um destacamento atacar a cidade e resgatar os prisioneiros antes, mas minha avó conseguiu me convencer a esperar até o último momento, e hoje descobrimos o porque.
- Se tivesse enviado seus homens, teria mandado todos para a morte. – Disse Harry.
- É isso mesmo. – Concordou Gina – Chú tem em torno de trinta bruxos com ele. Não precisaria nem dos Orcs, pra acabar com seus duzentos homens em pouco menos de uma hora.
- Eles esperam um ataque de vocês. Estão preparados pra isso. – Concluiu Harry, levantando-se. O mesmo jovem ruivo entrara na sala, para servir novas bebidas, e novamente Harry sentia um certo incômodo. Não podia ser coincidência. Começou a andar pela sala.
- O que sugere então? – Perguntou Éomer, rilhando os dentes – Que nós não façamos nada enquanto os Orcs matam nosso irmão e nossos primos?
- Exatamente! – Anuiu Harry, com simplicidade, ainda caminhando pela sala e se aproximando do rapaz.
- Mas vocês mesmos acabaram de dizer que estão em número muito menor... Como pretendem vencê-los? – Quem se irritava agora era Arador.
- Qual é o seu nome? – Perguntou Harry, quando estava ao lado do rapaz, fazendo um sinal com a mão para Arador, indicando que esperasse um pouco.
- Telmar, senhor. – Respondeu o rapaz, nervoso.
- Pode me servir mais um pouco de vinho, Telmar? – Pediu Harry gentilmente, enquanto fixava aqueles brilhantes olhos verdes no rapaz, que quase não conseguia servir, de tanto que tremia. Em volta, reinava o silêncio. Ninguém sabia o que estava acontecendo, mas Rony também se levantara e postara-se ao lado da porta. Harry aguardou o rapaz acabar de servi-lo, e quando este tencionava se virar e sair, perguntou – Você passou as informações por vontade própria ou foi forçado a fazê-lo?



Telmar deu um grito, jogou a bandeja pro alto e precipitou-se em direção à porta. Mas não tinha a mínima chance. Ao mesmo tempo em que Harry lhe lançava um feitiço “Imobillus!”, Rony sacara a varinha e lançara um “Incarcerus!”, de modo que o rapaz mal conseguiu dar dois passos e estava paralisado e totalmente amarrado por cordas. Todos na sala demoraram algum tempo para entender o que estava acontecendo, até que Mione perguntou.



- Como você descobriu, Harry?
- Senti quando ele se aproximou, os efeitos de algum feitiço. – Respondeu este.
- Será uma maldição Imperius? – Perguntou Gina, analisando os olhos do rapaz – É. Estão meio desfocados.
- O que significa isso? – Perguntou Senar, que estava com eles.
- Que este rapaz foi enfeitiçado, forçado a trabalhar como espião. Por acaso vocês discutiram o plano de viajem de seu pai na frente dos criados? – Perguntou Rony, dirigindo-se a Arador.
- Não sei. Creio que sim. – Respondeu ele, confuso.
- “Finite Incantatem!” – Murmurou Harry, fazendo um gesto largo em frente ao rosto do rapaz. Este tremeu um pouco, depois piscou diversas vezes e encarou a todos, como se tivesse acabado de despertar de um longo sono. Quando seu olhar cruzou com o da senhora Arwen, ele caiu de joelhos, já livre das cordas que estava, chorando.
- Perdoe-me, minha senhora. Eu não consegui evitar. Não queria falar, não queria contar nada, mas era obrigado. Não consegui me conter.
- A Maldição Imperius. – Começou a explicar Harry – Dá controle total sobre a pessoa enfeitiçada. Ele não conseguia fazer nada por vontade própria, era obrigado a cumprir as ordens de quem o enfeitiçou.
- E foi você quem contou sobre a viajem de nosso rei? – Perguntou Arwen, calmamente.
- Sim, minha senhora. Fui eu. Eu ouvi quando o rei combinava os detalhes com o príncipe Anáryon, na véspera da viagem. Fui forçado a relatar qualquer informação relevante.
- Existem outros que foram capturados e enfeitiçados como você? – Perguntou Harry.
- Que eu saiba, pelo menos mais três, meu senhor. – Respondeu o rapaz, ainda tremendo no chão.
- Andy, posso lhe pedir para que prenda estas pessoas? Comandante, o senhor poderia nos ajudar nisto? – Continuou Harry.



Senar fez uma careta, obviamente não gostara de receber ordens de um estranho.



- Se minha senhora assim o desejar, posso mandar um esquadrão em busca dos espiões.
- Não acho uma boa idéia. Não sabemos quantos mais estão sob o domínio do inimigo. Poderiam alertá-los, e não queremos isso. Confio em vocês dois, sei que não haverá perigo se vocês forem, por isso pedi explicitamente a vocês.
- Muito bem então. – Concordou ele, após um aceno significativo da rainha, para que obedecesse a ordem.
- Mas não os machuque. – Pediu Gina – Eles não são responsáveis por suas ações. Traga-os aqui para podermos libertá-los.
- Pode deixar, minha senhora. – Disse Andy, saindo da sala em companhia do comandante e do rapaz – Não lhes faremos mal algum.



Assim que o grupo saiu, Harry retomou a palavra.


- Agora, como faremos para resgatar os prisioneiros?
- A Gina não trouxe a capa de invisibilidade do seu pai? – Perguntou Rony – Podemos usá-la para entrar no castelo.
- É uma opção. – Concordou Harry.
- Não creio que funcione. – Interrompeu Mione – Se o que eu li, nas lendas sobre esses Orcs for verdade, eles possuem um ótimo olfato.
- Isso é verdade. – Confirmou Arador.
- Então. Não conseguiremos passar por eles, mesmo com a capa. Vão sentir nosso cheiro. – Concluiu ela.
- Só porque eu estou tão limpinho? – Reclamou Rony – Não é justo.
- Mas eu tenho uma outra idéia... – Retomou Mione, franzindo a testa – Tão louca e perigosa quanto usar a capa, mas pelo menos poderíamos disfarçar melhor o nosso cheiro.
- Qual? – Perguntou Gina, sorrindo. Ela sabia que a amiga não lhes faltaria com uma boa idéia.


Mione não respondeu imediatamente. Retirou a sua varinha, e com um floreio fez aparecer em sua mão um pequeno frasco.


- Achei que poderia ser útil. Poção Polissuco. – Disse, sorrindo.
- Genial! – Exclamou Rony, dando um pulo sobre a moça, beijando-lhe a face – É por isso que eu amo essa mulher. Ela não é demais? A mais esperta e inteligente que vocês já viram?
- Com certeza. – Concordou Harry, também sorrindo – Grande idéia, Mione. Agora só falta um ingrediente.
- Isso! Concordou ela, ainda vermelha, mas muito satisfeita pelo ataque de Rony – Vamos precisar de dois Orcs.
- Dois? Não seriam quatro? – Perguntou Gina, pegando o frasco da mão de Hermione.
- Acho que não seria aconselhável irmos os quatro. – Respondeu Mione – Não sabemos quanto tempo podemos perder até encontrarmos os prisioneiros, pode demorar mais de uma hora. Mas se forem apenas dois, a poção é suficiente para duas horas, o que eu acho tempo suficiente para o resgate.
- Hei! Será que alguém pode explicar sobre o que vocês estão falando? – Interrompeu Arador, tremendamente irritado por ter sido excluído da conversa – Estão falando em quantos vão, quando não disseram ainda como vamos fazer para resgatar meus parentes.
- Desculpe. – Começou Mione, dirigindo-se aos outros ocupantes da sala - Esta é uma poção que pode nos transformar em qualquer outra pessoa que quisermos. Só precisamos de um pedacinho da pessoa em quem queremos nos transformar.
- Um pedaço? – Perguntou Arwen, mostrando educada curiosidade.
- Pode ser um fio de cabelo, por exemplo. – Respondeu Rony, fazendo uma careta – Não que a idéia de tomar essência de Orc seja agradável, mas é a melhor que temos.
- Deve ser bem parecida com aquela essência de Crable e Goyle que tomamos uma vez. – Brincou Harry, no que Rony fingiu que ia vomitar.
- De qualquer maneira, a poção tem duração de uma hora. Se ao final deste período, a pessoa não tomar mais um gole da poção, volta à sua forma normal. – Explicou Harry – E não seria muito bom se isso acontecesse quando eu e Rony estivéssemos no meio da missão, não é?
- Você e Rony? – Questionou Gina, franzindo perigosamente a testa – Por que não uma de nós?
- Por que são mulheres, milady, é obvio. – Intrometeu-se o jovem Éomer.
- Harry não é machista a este ponto. – Retorquiu Gina, ofendida – Ele sabe que o fato de eu ser mulher não atrapalha em nada quando preciso lutar.
- Mas Éomer dessa vez tem razão, Gina. Não posso levá-la justamente por ser mulher. – Disse Harry, mas completou urgentemente, diante do olhar mortífero da noiva - Mas não por te achar incapaz de completar a missão.
- E por que seria então? – Perguntou ela, extremamente vermelha, assumindo uma clássica imitação de sua mãe, Molly, com as mãos na cintura.
- Você nunca tomou a poção. Apesar de ficarmos com a aparência de outro, continuamos com nossa voz e trejeitos. Temos que atuar, fingir que somos o outro. E por mais que você mude a voz ou tente andar como um Orc, não vai conseguir. – Justificou o moreno.
- Claro que eu posso. – Insistiu ela, mas um tanto insegura.
- Não, não pode. – Sorriu ele – Você é feminina demais. Rebola demais, não tem como controlar isso. Já pensou o que pode acontecer se os Orcs virem um deles entrar rebolando pelo portão? Estamos mortos!
- Harry! – Exclamou ela, novamente vermelha, mas agora de vergonha – Eu não rebolo coisa nenhuma.
- Rebola sim. – Rony caíra na gargalhada.
- Cala essa boca, Rony. – Gina deu um tapa no ombro do irmão, ainda fuzilando Harry, completamente envergonhada, e continuou – Muito bem. Vocês me convenceram. Mas escute bem, Harry Thiago Potter. Você que ouse me aparecer aqui todo arrebentado pra ver só o que te acontece. Acabo com a sua raça. Fui clara?
- Clara como água. – Respondeu Harry, puxando o dedo que Gina enfiara no seu peito e beijando-o – Não sou louco de despertar a “Fúria Weasley” que corre no seu sangue.
- Acho bom. – Respondeu ela, tentando conter um sorriso que teimava em nascer em seus lábios. Para disfarçar, virou-se novamente para o irmão e disse – Quanto a você, Ronald Bilius. Se deixar que ele se arrisque, nem precisa aparecer de volta, entendeu?
- Essa é boa! – Reclamou Rony, fingindo estar zangado – Virei babá do Harry agora?


As risadas correram soltas por um momento, então Harry retomou o assunto.



- Pois bem, acho que vamos precisar de dois Orcs para poder substituir, então. Podemos pegá-los quando estivermos chegando a Minas Morgul. E precisamos que nos digam onde é o calabouço. Não podemos perder muito tempo procurando.
- Vou fazer melhor que dizer onde ficam as masmorras. – Disse Arador, de pronto – Eu vou mostrar a vocês onde fica.
- O quê? – Éomer gritou, assustado – Você não pode ir, Arador. Se acontecer alguma coisa com você como é que eu fico?
- Eu tenho que ir, meu irmão. Conheço aqueles corredores e masmorras melhor do que ninguém. Brincava lá quando criança. Se os dois magos estão dispostos a arriscar a vida nesse plano insano para salvar a vida de Anáryon, então eu vou junto. É minha obrigação. – Respondeu o rapaz.
- Pode dar certo. – Rony coçava a barba, pensativo – Podemos fingir que ele é um prisioneiro.



Neste momento, bateram na porta e Andy e Senar voltaram com os criados. Rapidamente Harry rompeu o domínio sobre os três, duas moças e mais um rapaz. Perguntou se sabiam de mais alguém na mesma situação, o que todos negaram saber, pediu-lhes para que mantivessem segredo sobre o que ocorrera e dispensou-os. Então se voltou para Senar e perguntou.



- Quanto tempo leva para chegarmos até Minas Morgul?
- A pé, em ritmo acelerado, levam dois dias. A cavalo, em torno de dezesseis horas. – Respondeu ele, prontamente.
- Precisamos sair amanhã, o mais cedo possível então. – Disse Rony.
- Senar pode ir conosco. Ele conhece bem o caminho. Assim poderíamos sair ainda antes do raiar do sol. – Arador parecia mais animado e até excitado com a idéia.
- Boa idéia. Que acham de partirmos umas três horas antes do amanhecer? – Perguntou Harry.
- Tudo bem. – Resmungou Rony – E eu que pensei que ia ter uma boa noite de sono...



Senar, que não estava entendendo nada, pois estivera fora da sala a reunião inteira, nada entendeu. Mas compreendeu a intenção e se prontificou a preparar boas montarias para eles para a partida, além de provisões para o dia e a noite seguinte. Depois, todos resolveram se recolher. Apesar da noite ainda estar no início, precisavam aproveitar para descansar o máximo que podiam, já que sairiam tão cedo. A última pessoa a sair foi Arwen. Ela pouco falara durante a reunião. Preferira ficar observando os quatro jovens magos. E não podia negar que estava impressionada. Primeiro por Harry ter conseguido sentir o domínio sobre seus criados. Ela não havia percebido, e não compreendia o porque. Também havia o fato de todos serem extremamente corajosos e destemidos. Mal acabavam de chegar e já estavam prontos a salvar pessoas que nem mesmo conheciam. Outra coisa que muito a impressionara era o vínculo entre eles. O amor, a amizade, a cumplicidade que havia entre eles era algo raro, em qualquer relação. Até mesmo entre irmãos. E esse fato poderia ser, ela sentia, primordial.




Quando chegaram nos quartos, Harry, que estava exausto, despediu-se rapidamente de Gina e foi dormir. Esta, por sua vez, também entrou em seus aposentos sem demora. Mione abriu a porta do seu, e viu que Rony estava parado no corredor, olhando-a com um olhar de cachorro-sem-dono de fazer inveja a Sírios quando assumia a forma de Snufles. Segurou a porta aberta, e com um sinal de cabeça, indicou que ele poderia entrar.Rony entrou, ainda calado, sem saber ao certo o que falar. Achava que, depois da briga à mesa, tinha conseguido atenuar sua barra com o elogio que fizera a ela, mas não tinha certeza. E odiava a idéia de sair em missão brigado com a mulher que amava. Ficou parado no meio do quarto, fitando intensamente os pés, até que ela cansou de esperar e iniciou a conversa.



- Acho que a gente não vai se ver antes de vocês saírem, não é mesmo? Vai ser muito cedo.
- Não, acho que não. Não vejo motivo pra vocês se levantarem tão cedo. Melhor ficarem aqui descansando mais um pouco. – Respondeu ele.
- Certo. – Anuiu ela, meio sem jeito – Se cuida, ok?
- Pode deixar. Vai dar tudo certo. – Respondeu ele, finalmente levantando os olhos para ela, que o observava, esfregando as mãos. E continuou – Fazia tempo que a gente não brigava daquele jeito, né?
- É, fazia. – Ela estava começando a ficar ainda mais nervosa. A vontade que tinha era de pular no pescoço daquele energúmeno.
- Sabe de uma coisa? – Perguntou Rony, e continuou quando ela balançou a cabeça em sinal de negação. Então abriu seu melhor sorriso e disse – Eu tava morrendo de saudades das nossas brigas.



Hermione arregalou os olhos, incrédula. Então abriu um enorme sorriso e correu para os braços abertos de Rony, abraçando-o fortemente e falando.


- Eu também. Estava morrendo de saudade de brigar com você, seu legume insensível.
- Que bom, sua sabe-tudo intragável. – Rony agora a beijava ardorosamente – Será que acharam que somos loucos, por brigar daquele jeito?
- Provavelmente! – Concordou ela, buscando seus lábios e se perdendo em um beijo apaixonado.



Algum tempo depois, Rony finalmente foi para seu quarto, descansar um pouco. Estava tão cansado, que quando se deitou nem teve tempo de soltar um suspiro por seu amor e já estava dormindo. Foi acordado no meio da madrugada por um dos criados, que o ajudou a se preparar. Logo ele deixava seu aconchegante quarto, para ganhar a fria noite de inverno. O criado o levou até uma das estrebarias, onde Harry, Arador e Senar já estavam terminando de arrumar seus pertences nas montarias. Minutos depois, todos estavam montados. Sem demora, atravessaram o portão, os cascos dos cavalos ecoando alto pela noite, quando se chocavam contra a pedra fria. Logo chegaram ao rio, onde uma balsa estava preparada a aguardá-los. Atravessaram-no o mais rápido possível, evitando o atracadouro da margem oposta, pois poderia estar sendo vigiado. Quando desceram, resolveram não tomar a estrada, pelo mesmo motivo. Seguiram um caminho paralelo, a uma certa distância. Quando o sol começou a nascer no horizonte, os quatro homens cavalgavam velozmente, à rédea solta, com suas capas esvoaçando e tentando se proteger o melhor possível do vento que lhes fustigava a face. Pararam para se alimentar, rapidamente, no meio da manhã, mas não se demoraram muito. Logo estavam no caminho novamente. Os cavalos eram o oposto dos que Harry e Rony haviam conseguido em Bri. Esses corriam sem reclamar, e mesmo quando começaram a mostrar sinais de cansaço, não diminuíram o ritmo da cavalgada. A noite já caia quando Senar fez sinal para que diminuíssem a velocidade e, finalmente, esconderam-se atrás de uma formação rochosa. Com muito cuidado, começaram a se aproximar da estrada. Agora podiam ver os portões de Minas Morgul, fortemente guardados por Orcs. Resolveram acampar por ali mesmo, observando o inimigo para saber a melhor hora de atacar. Obviamente não puderam acender uma fogueira, então tiveram que lidar com o frio de mais uma noite da melhor maneira que podiam. Felizmente, Harry não precisava de luz para conjurar feitiço, então lançou um nas cobertas de todos, que ficaram parecendo cobertores térmicos sem eletricidade, e passavam horas assim. Certa hora da noite, Rony estava de guarda enquanto os outros dormiam, até que ele viu duas figuras se dirigindo para um lugar próximo de onde eles estavam. Acordou os companheiros e mostrou-lhes o que vira.


- Devem estar patrulhando o perímetro. – Disse Senar.
- Bom para nós. Acho que conseguimos nossas presas. – Disse Harry, satisfeito.


Dois Orcs caminhavam pela estrada, vindo na direção onde eles estavam. Certamente patrulhavam o perímetro. Prepararam-se para a emboscada. Minutos depois, quando os Orcs passavam próximos a eles, sem dar chance de reação, Harry e Rony os estuporaram, prendendo-os com grossas cordas logo em seguida. Puxaram os dois para o esconderijo improvisado e aguardaram o dia amanhecer. Quando o sol raiou no horizonte, horas depois, a poção Polissuco já estava pronta para ser ingerida, faltando apenas acrescentar o ingrediente final.


- Se já pegaram o que desejavam, não precisamos mais mantê-los vivos. – Disse Arador, assim que os bruxos extraíram fios de cabelos sujos e nodosos das cabeças dos prisioneiros, sacando sua espada.
- Não! – Apressou-se Harry, impedindo-o – Não somos assassinos. O que nos diferencia dessas criaturas é nossa humanidade, nossa condescendência para com outros seres. Não podemos assassiná-los assim, a sangue frio. Não há honra em fazer isso com prisioneiros subjugados.
- Mas não podemos deixá-los vivos. Mesmo que os deixemos aqui amarrados, se alguém os encontrar, nos delatarão imediatamente. – Interveio Senar.
- Podemos cuidar de tudo isso. – Respondeu Rony – Apagamos a memória deles, para que não se lembrem de nada. Também podemos induzir-lhes um sono profundo, para que não acordem antes de concluirmos nossa missão.
- Muito bem. Se preferem assim, que seja. – Anuiu Arador – Mas eu prefiro-os mortos.
- Valeu! – Agradeceu Rony, visivelmente aliviado – Se a Mione souber que matamos alguém, mesmo um Orc a sangue frio, ela arranca a nossa pele.



Sem demora, apagaram a memória dos Orcs e os fizeram dormir profundamente. Em seguida, tiraram suas roupas, pois precisariam delas em breve. Tentaram evitar a visão dos Orcs nus, mas foi impossível. Tomaram a poção, e sob o olhar atônito dos presentes, começaram a transfigurar-se em seus prisioneiros. Quando terminaram, já vestidos, retiraram os broches dos Guardiões, que estavam presos à roupa que caíra no chão e entregaram para Arador, dizendo que precisariam deles mais tarde. Daí Rony começou a se coçar e disse.


- Cara, é bom a Mione ter alguma poção contra sarna. Tenho certeza que vou pegar sarna desse cara. Ou coisa pior. Eles não sabem o significado da palavra BANHO não?
- Isso não importa agora, Rony. – Respondeu Harry, que também não se sentia nada confortável – Vamos logo, o tempo urge.



Finalmente deixaram o esconderijo e seguiram, corajosamente, em direção aos portões de entrada da cidade. Arador e Senar caminhavam entre eles, com as mãos amarradas. Não haviam gostado da idéia, mas era necessário para não levantarem suspeitas. Assim que chegaram aos portões, foram barrados por dois outros Orcs, que estavam de guarda.


- Alto! – Disse um deles – O que significa isso?
- São prisioneiros. – Respondeu Harry, tentando disfarçar a voz o melhor possível – Mandaram-nos levá-los para as masmorras, junto dos outros humanos.
- E porquê? Não temos feito muitos prisioneiros ultimamente. A maioria acaba virando refeição para as tropas. – Riu o Orc, nitidamente interessado em “tomar o café” com os prisioneiros.
- Se quiserem uma perna ou um braço, pra mim não faz diferença. – Retorquiu Harry, dando de ombros e sorrindo. Mas continuou, quando um dos guardas deu a impressão de ter gostado da idéia, lembrando-se de algo que havia visto na mente dos Orcs enquanto as apagava – Só não deixem a hemorragia matá-los antes que o mago de mão prateada possa interrogá-los. Foi ele que os capturou e mandou que os levasse para a prisão.
- O líder dos magos? – Perguntou o Orc, retrocedendo e fazendo uma careta – Por que não disse logo? Passem logo. Andem!
- Tem certeza de que não quer um pedaço? – Insistiu Harry, mostrando o braço de Arador.
- Não! Passem logo e levem os prisioneiros para as masmorras. – Encerrou o Orc.



O grupo atravessou o portão e impressionou-se com a visão que se descortinou a sua frente. Arador estacou, assustado com o que acontecera com a cidadela de seu tio. Como, em tão pouco tempo, os Orcs haviam transformado aquela bela cidade em algo tão funesto? A cidade, até então tão bela e harmoniosa, agora estava horrorosa, lúgubre. A maioria das casas havia sido incendiada e delas agora restavam apenas ruínas. Nas calçadas e mesmo espalhadas pelas ruas, carcaças humanas estavam espalhadas, a maioria apenas ossadas dos antigos moradores e defensores dali. Os muros e paredes já estavam cobertos de musgo. Tudo estava escuro e sujo. O cheiro acre da morte pairava por toda a cidade.


Passado o susto inicial, os quatro saíram do meio da rua, abrigando-se sob uma fachada parcialmente demolida.


- Escuta aqui mago, que idéia foi aquela de nos oferecer como refeição para os guardas? – Inquiriu Arador, extremamente irritado.
- Foi necessário para não levantar suspeitas. – Respondeu Harry, calmamente.
- Cara, você não faz idéia da cara que vocês fizeram quando o Harry disse aquilo. – Riu Rony.
- Muito engraçado, mago. Agora deu pra rir da desgraça alheia? Tem noção do risco que corremos aqui? – Retorquiu Senar, também de mau humor.
- Hei! – Rony fingiu estar ofendido – Como assim? Você acha que eu gosto de estar aqui, com cara e cheiro de Orc? Claro que eu conheço os riscos. Mas nós já fizemos isso antes, sabemos o que estamos fazendo. E se vocês não relaxarem e entrarem no clima, se não disfarçarem melhor, aí sim é que vão acabar nos pegando.
- Ele está certo, Senar. – Concordou Arador – Só espero que tenham algo em mente, caso a estratégia falhe.
- Pode deixar. – Harry garantiu – Sempre temos uma alternativa. E aí, pra onde?
- Temos que atravessar o pátio, entrar numa porta na ala oeste até as masmorras. – Indicou o príncipe.
- Então vamos. – Harry tomou a frente do grupo, atravessando o pátio, tentando andar como um Orc. Até que não era difícil, com aquela roupa machucando suas virilhas.



Enquanto caminhavam, Senar avaliava, usando seu treinamento militar, as forças inimigas. Era forçado a admitir que Harry tinha razão. Se tivesse enviado seus homens, eles teriam sido facilmente derrotados. Havia Orcs numa razão de, pelo menos, cinco para cada um dos seus homens. Eram pelo menos mil soldados trafegando dentro das muralhas, discutindo em voz alta, treinando em uma arena improvisada ou bebendo em uma taberna. Se tivessem atacado, teriam sido chacinados. E alguma coisa lhe dizia que ali havia apenas uma pequena parcela das forças a disposição dos usurpadores.


Durante a travessia do pátio, foram parados mais duas vezes. Na primeira, Harry repetiu a versão usada nos portões, mas na segunda foi mais complicado. O Orc que os parou era um oficial, e queria confirmar as ordens. Harry teve que, discretamente, executar um feitiço para confundir no Orc, para que conseguissem passar e, finalmente, chegar na porta de acesso às masmorras. Desceram rapidamente as escadas, cavadas na pedra fria e úmida, até chegarem em um corredor estreito e longo. Logo ao final da escada, havia uma cadeira rústica, onde o carcereiro estava sentado, um tanto sonolento. Quando ouviu o barulho de passos se aproximando, colocou-se de pé rapidamente, para receber os visitantes.



- O que é que vocês querem aqui? – Perguntou o Orc, ainda sonolento.
- Recebemos ordem de colocar esses prisioneiros junto aos outros humanos. – Disse Rony – Onde eles estão?
- Ninguém me avisou nada. – Retorquiu o Orc, desconfiado, mas respondeu – Terceira cela à direita.
- “Estupore!” – Murmurou Harry quando o carcereiro lhe virou as costas, dirigindo-se para a cela.



Arador e Senar pegaram o Orc, arrastaram-no até uma das celas e o trancaram, devidamente amarrado e amordaçado. O grupo então seguiu até a cela indicada, abriu a porta usando a chave do guarda e entraram na cela, Harry à frente. Ele viu dois homens em pé, uma jovem sentada numa cama, sobre a qual encontrava-se Cho, visivelmente ferida. Apressou-se em direção a ela, mas um dos homens entrou na sua frente, ao mesmo tempo em que a jovem levantava-se, assustada.


- Já não basta tudo que fizeram a ela? Não deixarei que a molestem mais, deixem-na pelo menos morrer em paz. – Disse o rapaz.
- Pode ter certeza que este tormento termina hoje. – Respondeu Harry, com a voz embargada, ignorando o rapaz e aproximando-se de Cho, debruçando-se sobre ela.
- Arador? Você também foi preso? – assombrou-se Anárion, ao reparar que o irmão também entrara na cela.
- Não meu irmão. Viemos resgatar vocês. – Respondeu ele, abraçando-o.
- Mas... Como? – Anáryon ainda estava atônito.
- Recebemos ajuda do Mago Branco. – Respondeu, indicando Harry. Todos se viraram para o Orc, que agora estava ajoelhado ao lado da cama.
- Cho! – Chamou ele baixinho, uma lágrima escorrendo pela face, enquanto percorria com o olhar o corpo da amiga, extremamente pálido, ferido, sangrando – Cho, sou eu.


Cho mexeu o corpo levemente, então sussurrou “Harry!” E abriu os olhos, levando um grande susto. Começou então a chorar, e disse.

- A que ponto cheguei? Até ouvindo vozes impossíveis eu estou, agora. O que você quer de mim ainda, seu animal?
- Você não está ouvindo coisas não. Sou eu mesmo, Cho. Viemos tirar você daqui. – Respondeu o rapaz, tentando dar um sorriso.
- Harry? – Ela arregalou os olhos, tentando se levantar na cama, mas não agüentou o peso do próprio corpo e se largou pesadamente, com uma careta de dor – Mas não é possível. Como?
- Você não achou que nós não daríamos um jeito de vir te buscar, achou? – Perguntou Rony, se aproximando também.
- Rony? É você? – Cho virou-se para ele, tentando sorrir.
- Pois é! Viu só o que tivemos que fazer pra vir te buscar? Beber essência de Orc. Você não imagina o fedor que ta isso aqui. E eu peguei sarna, se quer saber. – Brincou ele, arrancando outro sorriso da garota, mas retomou, sério – Quem te fez isso, Cho?
- Quem você acha? – Perguntou ela, com dificuldade.
- Malfoy! – Rony deu um soco na parede, assustando Éolyn – Onde está aquela Doninha Albina? Se eu o pego, mato aquele miserável.
- Agora não, Rony. – Interferiu Harry – Podemos cuidar disso depois.
- Olha o que ele fez com ela, Harry. Era pra ser a Gina. Minha irmã. Sua noiva. – Gritou o ruivo.
- Eu sei, Rony. Mas a nossa prioridade é tirar essas pessoas daqui. Não viemos em busca de vingança. – Respondeu Harry, virando-se para o amigo – Depois cuidamos de Malfoy e Chú.
- Ok! Você está certo. Desculpe-me. – Concordou Rony, balançando a cabeça – Então é melhor a gente se apressar, não temos muito tempo.
- Certo. Então vamos embora. – Disse Harry, voltando para a cama, na intenção de pegar Cho.
- Não! – Éolyn disse, impedindo-o – Ela não pode ser removida, está com hemorragia.
- Hemorragia? – Perguntou ele, olhando para a mancha de sangue que a moça indicava.
- É melhor me deixar, Harry. Não vou conseguir sair daqui. – Disse Cho.
- Não viemos até aqui, pra te abandonar agora. – Respondeu ele, estendendo a mão sobre a região do baixo ventre da jovem – Você vem conosco. “Episkey!”.


Harry levantou-se em seguida, dizendo “Mobilicorpus”, e Cho começou a levitar sobre a cama, como se estivesse sobre uma maca invisível.


- Vamos. – Ele determinou, dirigindo-se para a porta, acompanhado de Rony, rapidamente sendo seguido pelos outros.


Anáryon permanecia calado. Seguiu o Orc, conduzido pelo irmão. Ele reconhecera o nome usado por Cho. Sabia que Harry era, como ela, um bruxo. Mas não entendia como podia ser um Orc, pensou que ele fosse humano. Ficou à parte da conversa, sem entender absolutamente nada. Mas ficou obvio que era um ser poderoso, já que não precisava da tal “varinha” para executar suas magias. Seguiu o grupo até o lado de fora da cela, atento à chegada de inimigos.



- Cho, onde está sua varinha? – Perguntou Rony.
- Provavelmente com Malfoy. – Respondeu a jovem, prontamente. Como ela desejava ter sua varinha em suas mãos novamente, com ela não se sentiria tão vulnerável.
- “Accio varinha da Cho!” – Bradou Rony, erguendo sua própria varinha no ar.




*****



Draco dormia a sono solto, apesar do pálido sol de inverno já ter aparecido a algum tempo. Acordou com um som estranho, abriu os olhos e perscrutou o quarto, em busca do que o acordara. A varinha de Cho Chang voava pelo quarto, em busca de uma maneira de sair. Havia, de alguma forma, saído sozinha da gaveta onde ele a guardara, e o barulho que o acordara havia sido causado pelas tentativas da varinha de encontrar alguma brecha sob a porta para que conseguisse passar. Draco deu um pulo da cama, mas antes que conseguisse alcançar sua própria varinha, a outra expeliu uma chuva de estrelas vermelhas, deu uma guinada no ar e saiu velozmente pela janela. Ele ainda correu atrás, a tempo de vê-la entrando pela porta que dava acesso às masmorras. Sabia exatamente o que aquilo significava, mas não podia acreditar. Correu na direção oposta, abrindo a porta e gritando, a plenos pulmões.


- Fuga! Fuga nas masmorras! Guardas corram para lá e matem todos!



*****



Minutos depois de convocada, a varinha de Cho entrou pela porta, pousando na mão de Rony. Ao fundo, começaram a ouvir o tropel de passos, em desabalada carreira.



- Parece que vamos ter companhia logo. – Disse Harry.
- Não podemos lutar nesses corpos, vai ser um desastre. – Rony disse, preocupado.
- Precisamos de uma chave de portal. Você faz? – Inquiriu Harry, olhando para as escadas.
- Não tem nada aqui pra transformar. – Rony procurava alguma coisa pelo chão, com urgência.
- Pega a Cho! – Disse Harry, no que Rony mirou sua varinha para a amiga, substituindo-o na missão de carregá-la. Harry estendeu as mãos, uma para cada lado do corredor. Respirou fundo, e então gritou – “Reducto!”.



Duas explosões simultâneas aconteceram, de cada lado do corredor, fazendo com que desabassem toneladas de pedras, bloqueando o caminho. Assim que a poeira baixou, ele se abaixou, pegou uma das pedras e entregou para Rony, retomando Cho dele.



- Você está ficando muito metido, Harry Potter. – Disse o ruivo, num tom azedo, tomando a pedra da mão do amigo, murmurando a seguir – “Porthus!”.


A pedra brilhou por alguns instantes e depois voltou ao normal.



- Vocês seguem na frente, assim que estiverem seguros eu vou. – Disse Harry
- Sem chance. Se eu chegar lá sem você, a Gina me esfola. Pode ir pondo essa sua mão delicada aí na chave. Todos vocês, toquem a pedra. É melhor avisar que estamos chegando, não é?
- Pode deixar comigo. Arador, o broche, por favor. – Respondeu Harry, fazendo uma careta, ainda contrariado em ter que ouvir o amigo.


Arador lhe entregou um dos broches que estava guardando. Harry enviou uma mensagem, depois tocou na pedra, sendo imitado pelos outros. Olhou para Rony, dando um sinal e este contou até três, e então acionou a chave, transportando todos.



*****




Gina estava impaciente. Desde que haviam partido na madrugada passada, ela estava angustiada. Passara o dia anterior com Mione, que resolvera montar um laboratório numa sala cedida por Lady Arwen. Passaram a manhã lá, montando tudo. Andy as acompanhava, e era muito engraçado ver seu assombro conforme Mione tirava seus pertences da mochila, fazia-os voltar ao tamanho normal e os arrumava numa estante. Logo que estava acomodada, Mione começou a trabalhar no veneno Orc, que trouxera para analisar. Gina a deixou trabalhar sossegada, e começou a passear pelo castelo. Acabou encontrando uma magnífica biblioteca, com livros e pergaminhos antiqüíssimos, que narravam a estória da Terra Média e da linhagem dos reis através dos séculos. Também havia textos em élfico e até na língua dos anões. Era, segundo informação do responsável, a maior e mais completa biblioteca da Terra Média.



Não tendo nada para fazer e precisando ocupar seu tempo, Gina resolveu passar ali a tarde, lendo. À noite, comunicou a amiga o achado, que ficou muito animada com a possibilidade de vasculhar mais uma biblioteca. Após o jantar, retornaram para lá, e se não fosse a insistência de Gina, teriam passado a noite ali. Naquela manhã, após o desjejum, ela voltara para a biblioteca, mas agora ela não conseguia se concentrar como no dia anterior. O grande livro vermelho que tinha em suas mãos, intitulado “Lá e de Volta Outra Vez” e “O Senhor dos Anéis”, escrito por dois Hobbits, Bilbo e Frodo Bolseiro, que fora indicado por Andy, contava a aventura acontecida a centenas de anos e que narrava a saga do anel, a guerra que mudara o destino da Terra Média.


A estória era magnífica, mas ela não conseguia se concentrar na leitura. A todo instante sua atenção divagava para Harry e Rony. Ouviu um barulho próximo a ela, virou-se e viu Éomer a observá-la.



- Bom dia! – Cumprimentou ela, sorrindo.
- Bom dia! – Respondeu ele, aproximando-se – Posso me sentar?
- Claro. – Assentiu ela, continuando após ele ter se sentado – Tudo bem?
- Estou preocupado Milady. Até agora não tivemos notícia nenhuma do resgate.
- É, eu também estou ansiosa por notícias. Mas não estou preocupada de que algo dê errado, se é esse o seu temor.
- Mas como não? Eles são apenas quatro, como podem entrar num castelo fortemente guardado e resgatar os outros? É loucura.
- Eles sabem o que estão fazendo. Harry e Rony são ótimos magos. E guerreiros, também.
- Mas a senhora está preocupada, posso ver isso.
- Não posso negar que esteja, Éomer. Mas não por achar que eles não vão conseguir resgatar seu irmão e primos. Disso eu não tenho dúvida. Meu receio é, que conhecendo aqueles dois como eu conheço, eles coloquem a vida deles em segundo plano. Salvem todos e fiquem pra trás, acabando presos ou feridos.
- Eu não consigo ser tão otimista, infelizmente. Acho que perdi toda a minha família, serei sozinho no mundo a partir de agora. – O garoto disse, com a voz embargada.
- Pois eu acho que você está enganado, e vou provar isso exatamente agora. – Disse Gina se levantando, enquanto lia a mensagem que pulsava em seu broche “Estamos Chegando no salão do trono. Mione, precisamos de você – HP” – Eles estão chegando. Vamos!
Gina saiu correndo, sem nem esperar pelo garoto, que correu logo atrás. Encontrou Mione correndo do lado oposto do corredor, vindo de seu laboratório. Trazia uma maleta de primeiros socorros na mão, ciente de que a mensagem significava que alguém estava ferido. Abriram a porta juntas, e viram o grupo, que acabara de surgir no meio da sala. Lady Arwen, que estava sentada no trono, sorria brandamente, e um casal de jovens correu para seus braços.



- Cho! – Gritou ela, ao ver a amiga sendo conduzida por seu noivo, e correu para onde eles estavam.
- Oi Gina. – Murmurou esta, prestes a perder os sentidos novamente.
- Ela está muito ferida. – Disse Harry – Foi seriamente torturada.
- Eu assumo a partir daqui. – Disse Mione, sacando a varinha e pegando Cho – Vou precisar da sua ajuda, Gina.
- Certo! – Concordou esta, mas antes de seguir a amiga, disse – Que bom que está inteiro. Pena que não dá pra te abraçar, você está fedendo.
- E eu estou com sarna. – Intrometeu-se Rony, chateado pela noiva ter saído sem sequer lhe dirigir a palavra – E ele só está inteiro por que eu não deixei ele ficar pra trás.
- Não fez mais que sua obrigação de irmão. – Brincou Gina – Não ligue, a Mione está preocupada com a Cho. Preciso ir também, é melhor vocês irem tomar um banho, o efeito da Polissuco parece estar acabando.
- Certo! – Harry olhou para a mão, que começava a mudar – Depois conversamos.



Harry fez um sinal para Rony, e estavam quase deixando a sala quando uma voz chamou-lhes.



- Harry Potter! – Eles se viraram, e Lady Arwen sorria para eles – Muito obrigada por trazer meus netos.
- Foi uma honra, minha senhora. – Respondeu ele, fazendo uma reverência, seguido por Rony – Agora se nos dão licença, o efeito da poção que nos transformou em Orcs está passando, precisamos tomar um banho e vestir roupas limpas.
- Claro. – Consentiu ela – Aguardaremos notícias de sua amiga na sala ao lado do quarto para onde ela foi levada. Um criado mostrará o caminho.
- Eu também preciso agradecer. E me desculpar – Éomer disse, apressadamente, antes dos dois conseguirem sair – Trouxeram meus irmãos de volta, sãos e salvos, como prometido.
- Tudo bem. – Disse Rony, que já precisava segurar as roupas, que estavam querendo cair, pois seus corpos estavam começando a diminuir de tamanho – Agora precisamos correr.



Assim que os dois saíram, Anáryon se virou para o irmão, esperando uma explicação. Sentaram-se e conversaram por bastante tempo, enquanto tudo era relatado. Andy, que também estava presente, ajudou no que pode. Duas horas depois, todos estavam na sala anexa ao quarto onde Mione e Gina cuidavam de Cho, quando Harry e Rony entraram, vestindo túnicas limpas. O príncipe se adiantou, encarando Harry e dizendo.



- Então esta é sua verdadeira face. Este é o homem responsável pela morte de meus pais.
- Como é? – Perguntou Rony, que estava ao lado do amigo – Que foi que você disse?
- A verdade. Pelo que fui informado, se você tivesse liquidado esse tal de Chú em seu mundo, ele não teria invadido o meu e matado meus pais e meus tios. – Insistiu Anáryon, ainda fitando Harry nos olhos.
- Talvez! – Respondeu este, tentando se conter – Mas nunca saberemos, não é mesmo? Será que se eu tivesse matado Chú, realmente não aconteceria nada disso? Será que algo pior não teria acontecido? Você deveria saber que o destino trilha seus próprios caminhos, nem sempre podemos nos desviar dele ou evitar que certas coisas aconteçam. Sinto muito por seus pais, gostaria de poder fazer algo para reverter o que aconteceu, mas não posso.
- Estávamos muito bem antes de seu amigo aparecer, meu caro. De repente, somos atacados por magos, que pensamos serem boas pessoas apenas. Tem idéia do que é ver seus parentes e amigos morrerem sem sequer conseguir se defender? – Anáryon encontrara em Harry uma válvula de escape para toda a frustração e sentimento de impotência que sentia desde que vira seu pai tombar, desde que vira Malfoy abusar de Cho e não pudera fazer nada.
- Escuta aqui Anáryon, eu sei muito bem o que é perder seus entes queridos. Luto a vida inteira tentando erradicar os bruxos das trevas, mas nem sempre a gente vence. Não gostei nada da idéia de deixar eles fugirem com Cho, você sabe melhor do que eu o que ela passou nas mãos de Malfoy. Mas aconteceu. Não adianta nada ficar procurando um culpado. Agora é hora de nos unirmos para vencermos o inimigo. Estou aqui para ajudar, quer você acredite ou não.
- Não acredito que você seja capaz de assumir o manto de Mago Branco. É muito jovem pra isso. Não me parece ter experiência suficiente. – Anáryon não acreditava realmente nisso, mas queria arrumar alguma maneira de atingir Harry.
- Estou começando a ficar cansado desta estória de duvidarem da minha capacidade devido minha idade. Não sou um bobo da corte, não vou ficar fazendo demonstrações de magia apenas para satisfazer sua curiosidade. Eles virão quando forem necessários. – Harry respondeu, um brilho forte em seus olhos verdes, usando toda a sua força de vontade para se conter – Se o quesito idade realmente pesar, não creio que você tenha suficiente para ser rei, tampouco.
- Mas o que é que está acontecendo aqui? – Perguntou Mione, que abrira a porta do quarto, furiosa, seguida por Gina - Alguém pode me explicar por que essa gritaria? Harry?
- Desculpe Mione. Perdi o controle. – Disse ele, virando-se para a amiga.
- Isso eu percebi. E quem mais estava gritando, afinal de contas? – Perguntou ela, levando as mãos à cintura, ameaçadoramente, virando-se para Anáryon após este ser indicado por Harry com um olhar – Eu pensei que o senhor se importasse com o bem estar e a recuperação de minha amiga, Príncipe Anáryon. Fique sabendo que eu não vou admitir isso novamente, está me entendendo?
- Mas que disparate é este? – O príncipe começou a elevar o tom de voz novamente, mas diminuiu ao ver a varinha de Mione apontada para seu nariz – Esta é a minha casa, milady.
- Não! Aqui é o meu hospital, ali dentro está a minha paciente, e se vocês não se comportarem... Eu transformo os dois em sapos cor-de-rosa com bolinhas verdes. Fui clara? – Mione disse, ameaçadoramente, virando-se então para Rony – E você?
- Eu? Mas eu não falei nada! – Apressou-se a dizer o ruivo.
- Por isso mesmo. Por que não fez algo? – Fuzilou ela, dando um tapa em seu braço.
- Eu também não fiz nada, droga. – Harry disse – Mal entramos aqui e fomos atacados.
- Não me interessa. Se vocês querem medir o “tamanho” de seus egos ou colocar pra fora o excesso de hormônios, tratem de arrumar outro lugar, bem longe daqui. – Disse ela, em tom de que encerrava a conversa.
- Certo, Mione! – Responderam Harry e Rony, juntos, em tom de desânimo.
- Agora que a ordem voltou a reinar, gostaria de saber como está sua amiga, Hermione. – Perguntou Lady Arwen, que assistira a todo o ocorrido, mas preferiu não interferir.
- Ela vai melhorar. Precisa de alguns dias de descanso, mas o pior já passou. Tratei dos ferimentos, dos hematomas e da hemorragia. Vamos tratá-la com poções para repor o sangue e para reanimar. Mas o que me preocupa é o lado psicológico dela. – Explicou a jovem.
- Está muito traumatizada? – Perguntou Arwen, preocupada.
- Ainda não quis falar nada, mas eu acho que sim. Não é algo que se esqueça na vida, por mais que se queira. – Mione encerrava o assunto, dirigindo-se de volta para o quarto.
- Podemos vê-la? – Perguntou Anáryon.
- Quando puder eu avisarei. – Respondeu ela, secamente, e saiu.



Harry olhou para Gina, que não falara nada desde que chegara, mas a moça lhe retribuiu um olhar que demonstrava claramente sua decepção com o noivo e, sem nada falar, seguiu a amiga. Do outro lado da sala, Arador estava de queixo caído. Desde que os magos haviam chegado, ele estava admirado com Hermione. Mas sua atitude ali, naquele momento, foi surpreendente. Poucas pessoas tratavam seu irmão daquela maneira, com tanta decisão e pulso firme. Era, sem dúvida, uma mulher apaixonante, digna de ser uma rainha. E, apesar dele simpatizar muito com Rony, ele não o achava digno daquela mulher. Ela merecia alguém melhor. Alguém como ele. Estava tão concentrado em Mione, que não reparou na prima, tão estupidificada quanto ele, mas com foco em outra pessoa. Para Éolyn, o que Mione acabara de fazer havia sido um imenso absurdo. Ela estava fascinada pelo belo ruivo, que despertara sua curiosidade pela sua impetuosidade e bom humor durante o resgate, onde havia arriscado a vida para salvá-la. Ele nada falara e havia sido até agredido por aquela mulher. Ela até concordava que Harry e Anáryon merecessem ouvir o que ouviram, mas não Ronald. Ele era tão atencioso e simpático, não merecia o tratamento que ela lhe dava.



- Ela não estava falando sério sobre me transformar num sapo, estava? – Perguntou Anáryon, atraindo a atenção dos outros.
- Ah, pode apostar que estava. – Confirmou Rony – Você nem imagina quão perto você chegou de comer moscas, meu caro.
- Não sei se seria má idéia. Pela cara delas, vamos tomar um bom gelo, meu amigo. – Disse Harry, de mau humor.




Infelizmente Harry tinha razão. Pelos dois dias seguintes, não foi permitido que entrassem no quarto de Cho, e ele tinha certeza que era uma punição pela discussão e não devido seu estado de saúde. Durante este tempo também, Harry e Anáryon mal se falaram, restringindo as conversas apenas ao essencial. No meio da manhã do terceiro dia, finalmente Gina chamou-os para que visitassem a amiga. A família real também compareceu, assim como Andy, e todos entraram no quarto. Gina, que ia à frente, sentou-se à cabeceira da amiga, enquanto Harry abaixou-se e beijou-lhe a testa, sentando-se na cama também.


- Você nos deu um grande susto, moça. – Disse ele – Pensamos que a tivéssemos perdido.
- Não foi só você, pode ter certeza. Também achei que estava perdida. – Riu Cho.
- Você parece muito bem. – Disse Rony, que estava em pé do outro lado da cama.
- Tenho uma ótima médica. – Respondeu ela, sorrindo para a amiga, e continuou, desviando o olhar para Anáryon, que estava ao pé da cama – Você não me disse que era príncipe.
- Não era relevante. Lá, eu não passava de outro prisioneiro, que teve a vida salva por você. – Disse ele com sinceridade, registrando a proximidade de Harry, bem como as mãos. Uma segurava a de Cho e a outra, a de Gina.
- Fiz o que tinha que fazer. Tenho certeza que você faria o mesmo por mim. – Disse ela, sorrindo de uma maneira que ele nunca havia visto até então.
- Certamente. De qualquer forma, lhe sou eternamente grato. – Respondeu ele.
- E agora Harry? – Perguntou Gina, mexendo nos cabelos revoltos do rapaz. Parecia que o castigo realmente havia acabado.
- Bom, agora eles perderam o trunfo que tinham nas mãos. Tenho certeza de que Chú esperava conquistar Gondor de maneira rápida e sem perder muitos homens, usando a chantagem para fazer com que se rendessem. Agora vão ter que partir pra ação. – Explicou ele.
- Então você acha que eles nos atacarão agora? – Perguntou Araror.
- Acho que primeiro ele vai reunir todas as forças que puder. Ele já manteve contato, mas acho que ainda não reuniu todos. Vai querer ter o maior número de soldados, para poder desferir um ataque conciso. – Concluiu o moreno.
- Não temos homens suficientes para resistir a um ataque maciço. – Desta vez, foi Anáryon quem interrompeu.
- Não, não temos. É chegada a hora de buscarmos velhas alianças e convocarmos os outros povos da Terra Média a lutar contra as trevas. – Declarou Lady Arwen.
- Concordo. Precisamos pedir ajuda aos outros povos. Os Hobbits já estão a caminho, mas vamos precisar avisar os outros. – Harry disse.
- Isso quer dizer que lá vamos nós, por o pé na estrada de novo, não é? – Brincou Rony.
- Vamos. Mas desta vez, não temos mais tempo a perder. Cada segundo conta. Não temos tempo de montar uma caravana e viajar todos juntos pela Terra Média. – Explicou Harry.
- Qual é a sua idéia então, amor? – Perguntou Gina.
- Precisamos nos separar. Cada um vai para um lado, avisando sobre o perigo e pedindo ajuda.
- Nos separar? – Perguntou Gina temerosa. Pra variar, não estava gostando nem um pouco daquela estória. Sentiu seu coração diminuir, e se arrependeu de como tratara Harry nos últimos dias. Se soubesse, teria aproveitado todo o tempo possível para ficar com ele. Agora era tarde. Ele estava decidido, podia ver em seu olhar. Partiria novamente em breve, e sem ela.




N:A: E aí, gostaram? Peço desculpas pela demora na conclusão do cap, mas como vocês devem ter notado ele está meio grandinho, e com minha viajem, fiquei meio sem tempo pra escrever durante alguns dias. E é isso mesmo que vocês estão achando, no próximo cap o quarteto vai viajar novamente, separado. Cada um vai ter uma pequena aventura solo pela Terra Média. Agora, vamos responder alguns coments.


Tati - Pode ter certeza que a magia sem varinha não foi acidental, não. Quanto ao porto onde eles desembarcaram, creio que agora ficou claro sua posição, não? Fica próximo a Minas Tirith, e tem uma estrada que leva direto a Minas Morgul. Quanto à diferença de tempo entre as duas dimensões, esta diferença é, de aproximadamente, três meses. Só pra vocês se situarem melhor, o cap que eu escrevi sobre a Lucy se encaixa, na verdade, no mesmo tempo que este. Ou seja, podemos considerar que, quando ela descobriu seus poderes mágicos, foi mais ou menos na mesma época em que o grupo chegou em Minas Tirith.

Expert – Esse negócio de conjurar a comida foi uma decisão meio difícil mesmo. Mas eu parti do princípio de que deveria obedecer a uma lei da física, que diz que nada se cria, tudo se transforma. Não achei que fizesse muito sentido se começassem a criar as coisas do nada. Não lembro de ter lido que seria possível fazê-lo, acho mais coerente convocá-la de algum lugar, como acontece em Hogwarts. Sem falar que assim ficou mais emocionante, não ficou?


Nath Black – Nath, pode ficar tranqüila que eu vou tentar colocar mais HG na estória. Quanto à Lucy, logo ela aparece de novo, pode ter certeza.


Luluh – Pensei que tinha nos abandonado, bem vinda de volta. Obrigado pelo comentário.


Thais – A Fic não é minha, é nossa. Se ela faz um certo sucesso é por causa de todos que a lêem. Sempre que eu puder atender um pedido, certamente atenderei.



Beijos e abraços, até o próximo cap.

Claudio

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