capítulo 22



Ah, antes que eu me esqueça: "Leonardo" é uma homenagem a um certo "Leonard Gary..." e "Aline", bem, embora a inspiração tenha sido a "Bruna", uma garota super esperta da creche em que participo, tem esse nome em homenagem à Li Black, moderadora HP e minha mui querida amiga (só não sei se ela vai gostar de saber que etá "mudando de sobrenome..." aiai, spoiler do meu próprio capítulo)

edição pós "outra fic": ela muda de sobrenome de novo, né?

quase esquecendo, mas lembrando a tempo: para entender o nome da "casa", vocês terão que ler a fic da Belzinha: Harry Potter e o Segredo de Sonserina. 

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Quando Alan retornou da casa dos Weasley, ficou feliz por saber que Sarah já sabia de tudo. E que ele podia sim, tratá-la por “tia”.


E ela riu, desculpando-se por seu presente de Natal ter que chegar um pouco atrasado.


- Fique tranqüilo. Nenhum de meus sobrinhos teve algum motivo pra achar que sou uma tia relapsa... Não vai ser justo você, o primeiro. Quando Sn... Severus cumprir a promessa de me levar ao Beco Diagonal, você escolhe o presente, ok?


O rapaz sorrira, exultante, e a abraçara, fazendo-a sentir-se aliviada por ver que ele podia até ser parecido com o Snape “dos livros” externamente, mas era um rapaz amoroso e bem-humorado. Então, teve a curiosidade de perguntar:


- Você estuda em Hogwarts, não?


- Sim. E sou da Sonserina, como meu pai.


Já se acostumando a vê-lo se referir assim ao ex-professor de Hogwarts, imaginou como seria isso lá, na escola onde ele era conhecido por ter assassinado o antigo diretor...


E Alan explicou, sem muitos rodeios:


- Ah, eu não ligo pras provocações daqueles bobos... então, eles já se cansaram de tentar mexer comigo. Não me interessa o que ele fez antes. Aliás, sei que seus motivos foram importantes. Mas isso foi ANTES dele se tornar meu pai, então... pra que me incomodar com isso? Foi como membro da Ordem que ele me encontrou, depois do ataque de comensais malucos, que mataram minha família... Se não fosse ele, eu teria morrido sob os escombros, porque nenhum dos outros, nem os aurores, nem Lupin com seu famoso faro apurado... tinha percebido que ainda tinha alguém vivo. Devo minha vida a ele, e meu respeito também. E se o Prof. Dumbledore mandou ele fazer aquilo, quem sou eu para julgá-lo? Só sei dizer que ele foi muito corajoso ao obedecer e enfrentar todo o resto por isso. E quem pensa o contrário não merece um único segundo de minha atenção.


Sarah sorriu, abraçando-o, emocionada. Aquela fora uma defesa impressionante. E Alan tinha personalidade forte, e opinião também. Lembrou-se do relato divertido que Ana fizera do encontro de sua sobrinha Mel com o “Morcegão” (Harry presenciara, e contara para a colega auror). Pensou então, em como será que ambos estavam convivendo na escola.


Se bem que...eram de anos diferentes, e também casas diferentes... não deviam se encontrar muito, afinal. Pelo que se lembrava dos livros, a convivência entre alunos de outras casas era dificultada pela própria organização da carga horária, que ela sempre achara pesada.


Comentou isso com ele. O rapazinho deu de ombros, num gesto muito seu, que a tia logo aprenderia a reconhecer facilmente.


- Ela é legal, apesar dessa teimosia com relação a meu pai, mas eu não a vejo muito mesmo. È da turma do Hector. Ele também perdeu a família, como eu. É mestiço, sua mãe era trouxa. Ele também se orgulha do pai que tem hoje, um lobisomem. Não nos falamos muito, mesmo nas aulas em comum. Ele tem a turma dele, e eu...fico sossegado no meu canto. Estou lá pra me tornar um grande bruxo, não tenho tempo a perder.


Sarah o olhara, admirada. Perto dele, nem chegaria a ser chamada de CDF... Talvez ele só se equiparasse a Hermione Granger, embora Ana tivesse comentado que Mel era assim também. Mas o que Snape lhe dissera? Ah, sim. O Chapéu Seletor captava seus objetivos principais, suas metas de vida, mais que suas características. Por isso, Hermione fora uma grifinória, mesmo podendo estar na Corvinal. Com Alan, a opção mais forte fora Grifinória, mas o garoto escolhera Sonserina, e o Chapéu acatou sua própria decisão. Como fizera um dia, com Harry Potter.


- Sim. –ela respondera, na manhã seguinte, quando conversaram a respeito – Mas Harry repetia sem parar: “Sonserina não, Sonserina não”!


- Bem típico dele. – Snape respondera simplesmente, e ela preferira mudar de assunto, e lembrar-se do motivo primeiro que a levara àquela casa.


- Bem... – Sarah olhou para seu recém-descoberto irmão gêmeo e sorriu - Você me queria aqui pra trabalhar, não é? Pra ajudá-lo a achar as famílias desses garotos, não é? Então, mãos à obra! E aí, cadê as fichas das crianças? O que vocês já conseguiram de informações sobre elas? Já resolveram o problema da linha pra conexão na Internet? Porque vou ter que buscar informações entre os trouxas também, se a maioria é mesmo “mestiça”...ou será melhor aguardar até que tenhamos a confirmação se são ou não bruxos, antes de nos arriscarmos a alojá-los entre trouxas?


Enquanto ela enunciava mais uma lista imensa de providências e pesquisas... Snape sorriu. Agora sim, aquilo seria o que sonhara. Um ponto de partida para que aqueles garotos e garotas, as maiores vítimas da guerra contra o Lord das Trevas, encontrassem novos lares, e fossem bruxos e bruxas melhores no futuro...


Agora, alguns dias depois, Sarah estava só em sua sala – pois tinha sua sala de trabalho, bem próxima à recepção, onde instalações elétricas e telefônicas “normais” estavam em andamento, para que ela pudesse trabalhar como estava habituada, e também manter contato com sua “família trouxa”. É claro que, no caso de André, as corujas e a lareira já eram aceitas com certa tranqüilidade. Ele tinha ficado bastante surpreso com a revelação de que, além da esposa, tinha agora uma irmã bruxa, mas reagira com bom humor.


- Agora entendo porque você tinha tanto amigo esquisito... eram bruxos também!


Sua alusão aos tipos estranhos com que Sarah sempre se relacionara sem problemas, principalmente na época de faculdade, fora mais um ponto para convencê-la de que não passara assim tão despercebida junto à comunidade bruxa brasileira. Eles sempre estavam por perto, mesmo não se revelando inteiramente. Talvez, pensou, esperassem por algum sinal de reconhecimento, que ela nunca fizera.


O isolamento mágico da casa estava sendo tratado com especial atenção por especialistas do Ministério da Magia, mas a visita de Arthur Weasley e sua curiosidade por tudo que dizia respeito a trouxas já era constante. E Sarah se divertia, respondendo às suas perguntas, e também aproveitando para indagar o que não tinha coragem de falar direto com seu irmão...


E foi numa dessas visitas do patriarca dos Weasley, acompanhado de Remus Lupin, , que descobriu mais sobre a “instituição” em que estava trabalhando.


Arthur lhe contou, sem cerimônias, que Snape passara alguns meses recluso, em lugar ignorado pela maioria. Apenas Ana tinha acesso a ele, como sua “guardiã legal” – foi o termo mais trouxa que ele achou para definir, mas Sarah já tinha entendido – então, depois de sua ação direta em uma nova missão, e quando ele finalmente resolveu procurar por Alan, que ficara sob a guarda dos Weasley e depois de Lady Marjorie, veio com a idéia da criação daquela casa, para abrigar os “órfãos da guerra”. Mas o objetivo ia além de acolher as crianças bruxas cujas famílias tivessem sofrido ataques. Lupin explicou rapidamente que um dos objetivos prioritários era localizar e identificar em instituições trouxas, crianças bruxas, nascidas trouxas ou mestiças, para que pudessem ser trazidas para a casa e crescer sob sua guarda, evitando os desastres comumente causados por poderes mágicos aflorando sem aviso. Casos como o de Tom Ridle, por exemplo.


No que dependesse da Ordem da Fênix, não surgiria outro pretenso Lord das Trevas...


- E Harry se dispôs a contribuir, claro, já que recebera também a herança de Sirius, além da de seus pais. Mas Ana sugeriu que criassem uma... ONG... sabe o que é isso? – ao seu sinal afirmativo, ele continuou – Então, foi assim que surgiu a Fundação Fênix.


- Fundação Fênix? – alguma coisa, a lembrança de um velho seriado de tv, passou rapidamente pela sua mente.


- Sim, o nome foi Ana quem escolheu. – o Sr. Weasley voltou a dizer, demonstrando o orgulho que tinha de sua nora brasileira.


Sarah entendeu tudo. Ana parecia ter o mesmo gosto que ela por séries de tv, mas claro que aquele nome também era uma justa homenagem a Dumbledore.


Lupin se tornara assim, além de uma espécie de gerente administrativo da Ordem, também o representante legal da Fundação Fênix, já que Snape preferia ficar o mais longe possível de burocracia, fosse bruxa ou trouxa. Era apenas diretor “pedagógico”, completara o ex-professor, com um sorriso divertido. E Sarah teve que rir também, concordando que Snape escolher cuidar das crianças teria sido inimaginável há anos atrás...


Ela só não conseguira ainda entender porque a casa se chamava “Lar de Elizabeth”, já que não imaginava um motivo para ser uma homenagem à Rainha, mas Snape se recusara a falar a respeito. Ana Weasley fora outra que reagira de forma estranha ao assunto, então Sarah imaginou que isso dizia respeito a algo que apenas os dois conheciam, e resolveu deixar pra lá.


 


Além do trabalho, que era tudo o que previra, resumindo-se numa única palavra: Desafio! – ela ainda tinha que conviver com as conseqüências... de sua “mudança de status”!


Primeiro, eram os seus poderes mágicos que, agora, sem impedimento algum, afloravam mesmo. O passeio tão esperado ao Beco Diagonal resultara numa parada obrigatória na loja do senhor Olivaras. Depois, ter que se acostumar com seu “novo nome”, pelo qual sempre era apresentada no mundo bruxo, com os conseqüentes olhares de estranheza por ser uma Snape... mas Sarah não queria abrir mão do antigo, mesmo tendo gostado de saber que tinha como segundo nome o de sua mãe adotiva, tão cara ao seu coração: Beatriz.


Ela não queria abrir mão da nacionalidade brasileira, ainda mais que tivera notícias de que havia finalmente saído uma decisão favorável ao seu pedido de adoção dos irmãos Aline e Leonardo. André estava recebendo sua correspondência, até as coisas se “normalizarem” em seu atual endereço. E a carta tão esperada chegara.


Agora com a passagem para o Brasil na mão – coisa que Snape julgara completamente desnecessária, já que ela poderia simplesmente usar uma chave de portal, mas ela afirmara ainda não estar segura com aquelas “coisas”, Sarah era a ansiedade em pessoa.


Ana, que cada vez mais estava se tornando uma amiga preciosa e inseparável, se encontraria com ela no Brasil (partira dois dias antes em alguma missão como auror que não revelara).


 


Mas fora quem se dispusera a esclarecer os pontos mais críticos, quando conversaram a respeito, dois dias antes de sua partida:


- A questão é simples: a adoção foi aprovada, para sua identidade brasileira, assim, as crianças serão filhas de Sarah Lareunt. Isso quer dizer que, daqui para frente, todos os seus atos relacionados aos filhos serão como Sarah.


- Sim, isso eu sei. Mas o problema é que estou vivendo aqui agora.


- Para entrar na Inglaterra com eles, você pretende usar o método bruxo ou trouxa?


- Trouxa, é claro. Eles vão ficar loucos de alegria com a possibilidade de viajar de avião.


- Que tolice... – Snape começou a dizer, mas Sarah o cortou.


- É tão emocionante para uma criança trouxa, quanto é para uma criança bruxa voar numa vassoura ou aparatar pela primeira vez!.


- Então, não há problema, já que após assinar o termo de adoção, você será legalmente a mãe dos garotos. - Ana continuou, calmamente sentada à frente do dois irmãos (e isso ainda lhe parecia tão extraordinário, Snape ter uma irmã, que ela às vezes achava que era puro sonho). - Os passaportes deles constarão estes dados e, para conseguir visto permanente também para eles, você terá que usar a identidade de “Sarah Laurent”. Isso implicaria na renúncia à identidade de Serena, ao menos perante as autoridades trouxas.


Snape ia falar mais alguma coisa, mas desistiu, ao olhar das duas.


- Agora, se você quisesse adotá-los como estrangeira, pois o Brasil não dá a guarda de crianças ou adolescentes brasileiros a estrangeiros, e só as dá em adoção em ultimo caso (o que quer dizer: que não exista nenhum brasileiro apto querendo adotá-las), você precisaria ter um período de convivência de trinta dias Se já são crianças com mais de dois anos, provavelmente não há nacionais querendo adotá-las: as pessoas, como sabe, preferem bebês.


- Por isso tive uma certa facilidade com o processo. Aline já vai fazer 10 anos, e o Leo fez 7 anos. Mas entrar com novo processo, como estrangeira, seria desgastante. Toda a burocracia, mais uma vez... Ainda mais agora que só falta ir lá, para assinar o termo de adoção.


- De qualquer forma, estas crianças serão brasileiras natas, porque nasceram lá. No entanto, se fossem adotadas por uma “estrangeira”, receberiam a nacionalidade desta ao residir com ela fora do país e assumirem esta nacionalidade estrangeira (o que provocará a perda da cidadania brasileira). Mas, realmente, não compensa passar por um novo processo, novamente.


- É que... não esperava uma reviravolta tão grande na minha vida! Ainda não sei como vou fazer pra regularizar minha situação aqui...


- Quanto à permanência na Inglaterra, você já tem um emprego garantido, as autoridades inglesas não vão “ficar no seu pé” e o visto de permanência, acredito, será concedido sem problemas e isso se estenderá às crianças, claro, já que já serão seus filhos legalmente reconhecidos. Ou, ainda, se você se casar com um inglês, e seu marido quiser adotar as crianças (no direito brasileiro isso é uma possibilidade), esse homem terá se casado com Sarah Laurent, que é legalmente a mãe dos meninos.


-Pode ser. Lembra do caso do filho do Biggs? Só porque os pais não estavam casados, ele não era considerado inglês e não bastava o pai dele ser. Então, a mãe dele veio até a Inglaterra e se casou com o velho (já quase morrendo, coitado).


- Claro, lembro sim. Para o Brasil, ele é brasileiro, já que nasceu lá, mas teria perdido a cidadania se o motivo dele pedir outra cidadania (no caso, a britânica) não fosse uma imposição da Inglaterra para que ele ficasse aqui e pudesse cuidar do pai doente. Nesse caso, o Brasil considerou que ele foi “obrigado” a fazer isso, portanto, não o “penalizou” com a perda de sua cidadania brasileira – no Brasil, não existe isso de “dupla nacionalidade”: ou é brasileiro ou não é.


- Então, não há problema – Snape falou novamente – Eu me caso com você, assim você ganha a cidadania britânica sem precisar abrir mão do nome “trouxa”...


As duas mulheres olharam para ele como se ele as tivesse atacado com uma maldição imperdoável. Sarah foi quem recobrou a voz, primeiro:


- Ficou louco? E aquele monte de fãs que você tem no mundo trouxa? Pelo menos a metade delas sonha com a chance de descobrir que você existe de verdade... aí, me matam! Não senhor, nada feito!


Ana se lembrou de ter lido algumas fics e se surpreendeu ao ver que Snape tinha conhecimento delas, mas atalhou, esforçando-se pra manter uma expressão séria:


- Bem... não sei como é na Inglaterra, mas... no Brasil, se descobrirem o embuste, o casamento é nulo de pleno direito: é impedimento legal absoluto o casamento entre irmãos. Além do que... – ela não resistiu a lhe dar uma cutucada - casar com a própria irmã, ainda que só no papel, não vai ajudar muito na sua imagem...É um pouco... pervertido.


Snape lhe lançou aquele olhar... que no Brasil seria um belo “seca-pimenteira”, e que ela traduziu como “avada” mesmo, mas ela piscou, marota, em resposta. Sarah, indiferente a isso, concluiu com um suspiro:


- Pois é. O melhor é isso mesmo: vou lá, faço o que tenho que fazer, trago-os pra cá, e depois, com o tempo, porque nem sei se vão mesmo se adaptar aqui, então entro com o pedido de visto permanente. Nossa! – ela pareceu muito preocupada de repente – esqueci desse outro pequeno detalhe: estarei trazendo-os para uma casa bruxa... será que não terei problemas com o Ministério da Magia por isso?


Os dois bruxos ficaram meio estranhos de repente. Mas Ana respondeu rapidamente:


- Ah, não se preocupe com isso agora. Vamos resolver uma coisa de cada vez.


- É, realmente. Não vamos colocar o carro na frente dos bois.


- O que? – Snape, perguntou, sem entender.


- O mesmo que colocar a carruagem na frente dos testrálios – Ana respondeu, bem-humorada, e Sarah não pode deixar de rir com a comparação que soara meio tosca...


 


Agora, no aeroporto, pronta para embarcar, se perguntava se estaria fazendo a coisa certa, afinal. Adotar duas crianças e trazê-las para outro país, e mais, para outro mundo “paralelo”... Será que isso faria bem a elas?


E como Leonardo e Aline iriam reagir, ao saber que os personagens daqueles filmes que haviam assistido eram de verdade? Talvez reagissem com naturalidade, crianças tinham esta capacidade de adequação muito mais desenvolvida que adultos, já arraigados em velhos e confortáveis hábitos...


Mas, de qualquer forma, Sarah se viu pensando em procurar famílias que eram “mistas” para ver como administravam as coisas. Além do fato de que os meninos estariam de novo indo morar numa casa dividida por outras crianças sem família... Era verdade que haviam feito as coisas de forma que todas as crianças tivessem seus quartos individuais, sua privacidade, mas ainda assim, Sarah e eles não estariam em “uma casa só sua”...apesar de Snape ter resolvido logo a questão, refazendo os acessos dos aposentos de forma que dessem para os de Sarah, como se fossem um apartamento dentro da grande casa.


Ouviu a chamada para seu vôo, embarcou, e finalmente desembarcou já no Brasil, sem nem notar nada à sua volta, imersa em seus pensamentos e dúvidas.


Somente quando Ana bateu em seu ombro, perguntando se ela queria ser assaltada ou o que, parada daquele jeito em pleno saguão, é que deu por si de onde estava.


- Meu Deus, estava longe, mesmo. – as duas riram juntas, e Ana sugeriu:


- Que tal mais uma aparatação acompanhada? Sei que ainda não aparata sozinha.


Sarah aceitou a sugestão. Tiveram o cuidado de primeiro procurar um lugar onde não seriam vistas “sumindo”, escolhendo o banheiro feminino, que rapidamente ficou vazio... Sarah olhou para Ana, desconfiada, mas ela apenas piscou, alegando que não podiam perder tempo. Deram-se os braços, e em segundos, estavam em uma rua próxima ao Fórum, pois Sarah teria que se apresentar primeiro na Vara de Família responsável pelo seu processo.


Só depois da seção praticamente interminável de procedimentos burocráticos, em que Ana se vira tentada várias vezes a usar a varinha, elas puderam fazer o mais importante: ver as crianças. Mas Sarah quis ir da forma “normal”... não queria se arriscar a aparatarem no meio de uma turma de garotos.


Não se cansava de agradecer a Ana por ter deixado seus afazeres para acompanhá-la até o Brasil.


- Eu vim a trabalho, esqueceu? – Ana retrucou – Mas hoje, estou de folga, já fiz tudo que tinha que fazer. Então, só vou embora depois que você e seus “filhos” tiverem embarcado em segurança. Prometi isso ao Sn...


Ela se interrompeu, mas vendo que já entregara o ouro mesmo, explicou: Snape estava preocupado com a segurança da irmã e de seus novos “sobrinhos”, e Ana se dispusera a “escoltá-los” até o embarque.


- Rony deve ter razão. – Sarah comentou, brincalhona – Que o Morcegão não nos ouça, mas está amolecendo. Definitivamente.


- Você sabe que ele adotou o lema do Olho Tonto, não é? “Vigilância Constante!” Esses dois são de longe os caras mais paranóicos que conheço...


Às gargalhadas, elas tomaram um táxi até a Fundação, onde já eram aguardadas pelas irmãs Sofia e Bernadete. Sarah não estranhou o fato de Ana já conhecê-las, imaginou que tivesse tido o cuidado de “checar a área”, como boa profissional que era.


Logo, Aline e Leonardo foram chamados, e souberam finalmente a novidade, que ninguém lhes revelara para não criar ansiedade. Mal podiam acreditar que sua tão querida amiga fosse agora, legalmente e pra sempre, sua mãe.


Quando se refizeram do choque momentâneo, pularam em seu pescoço, gritando, rindo, chorando. Sarah também se emocionou, assim como a velha freira e até mesmo Ana.


Em instantes, a novidade correra pelo lar-escola, como diriam os gêmeos Weasley, como fogos do Sr Filibusteiro. Todos queriam compartilhar a alegria dos dois pequenos e sapecas irmãos.


Foi impossível impedir a festa, o barulho, o choro de alguns que sentiam por ver os amigos irem embora. E a emoção dos que os conheciam desde que haviam chegado ali, fossem funcionários, professores ou alunos e internos. Mas para as crianças, tudo parecia motivo de brincar e rir, então o clima de tristeza e despedida logo se dissipou.


 


Quando finalmente, depois de alguns dias de providências legais, que foram magicamente apressadas – embora Sarah não achasse isso inteiramente ético, mas dera o braço a torcer pela ansiedade pra voltar pra casa com os “filhos” - eis que eles estavam prontos para embarcar, aflitos, ansiosos, curiosos e falantes.


Ana, estranhamente, estava mais alerta desde que os meninos haviam deixado a “creche”. Mas Sarah preferiu não perguntar o motivo. Alguma coisa lhe dizia que a outra ainda estava na tal “missão” e não dissera nada.


Estava mais preocupada em como diria aos dois pequenos para onde estavam realmente se mudando.


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será que Leo e Lili ficarão surpresos e assutados? será que vão se adaptar? estas e outras questões serão respondidas no próximo capítulo da fic a fic... O Paciente Inglês! (hihi, você nem imaginam a voz que imaginei falando isso... )

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