Despertar dos Pesadelos



N.A.: É muito estranho para mim voltar a escrever essa fic depois de 3 anos em pause. Fiquei surpresa que ainda consigo lembrar do ponto de vista de Frank e de como eu imaginava Snape antes do livro 7. Este é o primeiro capítulo que escrevi depois de ter parado, espero que tenha evoluído na minha escrita.


Daqui a vinte anos, você estará mais desapontado com as coisas que você deixou de fazer do que pelos erros que cometeu".


(Raul Seixas)


Harry Potter e o Estranho R.A.B.


Capítulo 15 – O Despertar dos Pesadelos


ALGUMAS SEMANAS ANTES


O teto sobre ele era de um azul desbotado pelo tempo, cor pálida e esmaecida assim como tudo ao seu redor. Tentou se mexer, sentiu uma dor aguda no corpo como se não se movesse há meses. Estava fraco. Tentou sentar se apoiando na cama estreita e desconfortável que usava, os lençóis suados enroscando no seu corpo quase nu, vestindo a desconfortável bata do hospital.


Como assim estava em um hospital?


Respirou fundo, parecia não fazer aquilo há anos. Olhou ao redor tentando encontrar algum indicador do que estava acontecendo afinal. O sol penetrava numa luz fraca, como se não achasse que brilhar valesse a pena. Suas roupas não estavam em nenhum lugar visível, nada seu. A enfermaria tinha um ar tristonho aquela hora da madrugada e ele estava quase sozinho, apenas mais dois pacientes naquele lugar estranho: um homem loiro dormindo em sono profundo na primeira cama e um mulher pálida e com aparência frágil na cama ao lado da sua.


Alice.


O enfermeiro entrou no quarto em silêncio, nunca havia muito o que fazer naquela hora da manhã. Sua ronda matinal geralmente se limitava em vigiar o sono dos internos, vez por outra tendo que recolocar algum danadinho na cama ou ajudar alguém a ir ao banheiro. Não ficou surpreso ao entrar na enfermaria dos Danos Mentais Irreversíveis e encontrar um de seus pacientes sentado na cama. Suspirou: mais trabalho para ele.


- Vamos lá, Frank. Hora de voltar a dormir – falou baixinho enquanto se aproximava do paciente que estava sentado de costas para ele. – Teve pesadelos de novo, amigo?


Levou a mão delicado para segurar o braço do homem doente, na intenção de o ajudar a deitar quando foi surpreendido pela reação do enfermo que num gesto brusco afastou a mão do enfermeiro. Admirado, o enfermeiro não acreditou no que viu ao encarar o paciente ‘mentalmente incapacitado de forma permanente’ encarando-o de volta com um olhar que não era só consciente, mas astuto e cheio de ódio.


- Nunca mais... – o enfermo começou a falar baixo e pausadamente, sua voz falha pela falta de uso – ouse... me chamar de amigo.


Nenhum curandeiro do St. Mungus conseguiu explicar como Frank Longbottom havia despertado.


OoooooO


O vento soprava frio naquela hora. Severus sentia o cabelo longo bater em seu rosto o incomodando, mas não fez nada para impedi-lo. Respirou fundo inalando a brisa marina que naquele momento parecia mais uma ventania que gelava sua alma como se estivesse na presença de dementadores.


Mas nem dementadores podiam aumentar sua agonia naquele momento.


Cometera muitos erros estúpidos em sua vida miserável. Não se arrependera de quase nenhum deles, não chorava por isso se pudesse evitar e naquele momento (como em tantos outros antes) estava evitando. Errar é humano, mas consertar os erros é golpe de mestre. Dumbledore estava morto, toda esperança parecia estar morta, mas Severus não. Severus estava vivo e quem sobrevive precisa fazer alguma coisa.


Dumbledore levou o segredo do Lord para o túmulo.


Não podiam lutar contra alguém que não pudesse ser morto, contra alguém que possuía poderes e segredos acima do que eram capazes de imaginar. E agora Dumbledore estava morto; todos os que sabiam estavam mortos.


Todos não.


Em algum lugar do St. Mungus o homem que descobriu o segredo do Lord das Trevas vegetava em insanidade para o resto de sua vida infeliz. Guardada naquela mente destruída estava aquela que podia ser a chave para o fim da guerra. Um segredo pelo qual um auror sacrificou a própria sanidade e a da esposa, um segredo pelo qual Dumbledore achou que valia a pena morrer.


E estava na hora de desvendá-lo.


O vento soprou mais forte como se quisesse o castigar. Errara com Dumbledore, falhara e mentira para ele. “Foi por um bem maior”, dizia sua mente amargurada, “nunca se sabe como será o futuro...”


Agora Severus sabia e tinha certeza que o destino fizera com que tomasse aquela decisão errada. Seis anos antes, Dumbledore dera a ele a ordem de destruir a Pedra Filosofal para que ninguém mais a usasse para voltar a vida. Snape o desobedecera, errara. Agora, segurando a Pedra com tanta força que chegava a doer em seus dedos, desejara o ouro e agora tinha muito mais. Tinha a vida em suas mãos.


E o grande segredo de Lord Voldemort.


Não tinha certeza do quão poderosa era a Pedra Filosofal e seu elixir da vida, mas esperava que fosse poderosa o suficiente para curar uma mente e uma alma destroçada pela dor. E fora com essa esperança que servira o elixir da Pedra para o auror doente em um leito do hospital St. Mungus na noite anterior.


A Pedra Filosofal era sua última esperança.


E Frank Longbottom.

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