Sempre Há Traidores



N/A: KISSES! A todos que estão comentando, mesmo! Estou super feliz de saber que estão gostando da minha fic. Espero que estejam preparados para fortes emoções.

Agora, leitura!

Vivys.

----


Hermione bateu a porta do quarto, sentindo-se extremamente confusa lembrando do que Rony dissera sobre ele Ter terminado com Mary. "Não!" disse uma vozinha na sua cabeça, assim que entrara no dormitório "Você não vai voltar com Ronald Weasley, entendeu? Você não deve nem pensar nele ou nessa hipótese!!". Hermione suspirou, enquanto afundava no travesseiro, tentando não pensar muito no que de ouvira, apesar de isso estar sendo uma tarefa árdua.

------

Rony olhou para as escadas do dormitório feminino, por onde Hermione acabara de passar.

- Ela podia Ter ao menos falado comigo, não? - apontou displicente para o nada.

Harry sorriu, parando de escrever por um segundo.

- Você sabe porque ela não falou com você...

- Sei, é?

Harry parou de escrever mais uma vez e levantou os olhos para Rony.

- Ela ouviu você falando sobre a Mary.

- E o que isso tem de mais? Ela mesma disse para mim que não haveria mais nada entre nós.

- Aprenda a ler nas entrelinhas, Rony. Em algumas situações, tudo o que as garotas dizem, significa o contrário.

- Aê, falou o especialista no assunto: Harry Potter, que, diga-se de passagem, está solteiro, porque só aprendeu a teoria, em se tratando de garotas!

- Rony, vá se ferrar! - mas ele sorria - Eu aqui, cheio de tarefas (aliás, você já terminou as suas? Hermione vai te matar se souber que não...) e você enchendo meu saco?!

------

Depois do que acontecera dias atrás, Luna ficava superconstrangida toda vez que cruzava num corredor com Draco. Ela olhava-o de esguelha sempre que podia, tentando reparar em alguma fraqueza dele ou um deslize sequer, que denunciasse que ele sentia sua falta tanto quanto ela sentia dele.

Mas o que Luna parecia não saber era que um verdadeiro Malfoy não demonstra seus sentimentos com facilidade. Draco poderia estar desabando por dentro, mas o seu exterior estava tão impassível como sempre fora e ele continuava com sua pose e seu queixo erguido, seu orgulho aparentemente intocado. Draco também observava Luna pelo canto do olho, sempre esperando que ninguém percebesse, muito menos ela. Apesar disso, ele tentava esquecê-la, tendo pequenos affair's com várias alunas, fazendo jus ao seu título de "maior galinha de Hogwarts".

------

Harry e Rony estavam tomando café, esperando Hermione.

- Ela, por acaso, se esqueceu que hoje nós temos aula? - perguntou Rony, olhando no relógio, enquanto Lilá e Parvati sentavam-se perto deles, com risinhos abafados.

- Será que ela vai demorar? Eu não terminei meu dever de Transfiguração. - comunicou Harry.

- E o que é que você estava fazendo ontem?

- Poções. - declarou com desgosto.

Lilá e Parvati continuavam a rir, e isso estava começando a irritar Harry.

- Eu também não terminei o meu de Transfiguração...

Parvati acabara de pigarrear.

- Algum problema com você? - Rony perguntou, com maus modos.

Ela trocou um olhar com Lilá antes de responder:

- Não, nada.

- Bom dia. - Hermione acabara de se sentar ao lado de Harry.

- Eu tô precisando do dever de Transfiguração. - falou Harry imediatamente.

- Por que você demorou tanto? - perguntou Rony, enquanto Hermione abria a mochila.

- Aah... Eu fui na biblioteca pegar um livro de Runas Antigas.

Parvati pigarreou novamente. Por algum motivo Hermione lançou um olhar significativo a ela. (Se estiver curioso, leia a songfic "Bonus: Mais Perto de Mim")

- Então Hermione, - Lilá virou-se para ela, aos sorrisos - como foi a sua noite?

- Ótima. - respondeu enfaticamente - Vamos? - dirigiu-se para Rony e Harry e antes que eles pudessem responder, ela mesma se levantou.

-------

Bellatrix estava muito angustiada ultimamente. Tinha sonhos com Sirius quase toda a noite e acordava ainda mais atordoada. Agora, a maior parte dos presos estava voltando para as celas. Bellatrix fazia o mesmo, mas uma coisa fê-la parar: enxergou uma poça de sangue aumentar, mais à frente. Ela correu para o lugar de onde vinha e encontrou Marine jogada no chão, com uma barra de ferro atravessada em seu peito.

- Não!! - gritou ela, antes que pudesse pensar em algo - Marine não morra. - e Bellatrix puxou a barra ao máxino do peito dela.

Mas se suas tatuagens não tinham doído até agora, era porque ela já estava morta. Bellatrix e ela estavam planejando sair de Azkaban, mesmo que suas conversas fizessem a cabeça doer por vários dias. Alguns guardas chegaram e, depois de observarem a cena, tiraram a conclusão errada.

Atiraram-na numa cela afastada e separada de todos. Bellatrix Lestrange podia sentir o que era injustiça agora.

-------

Alice Miller e Dylan entraram no dormitório, cansadas, depois do enorme treino que tiveram, mesmo com a noite chuvosa. Ouviram uma voz distante murmurar alguma coisa. Alice se aproximou do dossel de Luna e bateu numa coluna de madeira.

- Luna? Tudo bem com você?

Luna levantou-se, assustada, e puxou uma cortina, indo em direção ao banheiro antes mesmo de falar com as garotas. Ambas foram até a porta do banheiro. Desta vez, Dylan bateu na porta, falando:

- Ei, Luna!! O que foi que houve?

Houve um ruído que as duas consideraram com um "Nada".

- Luna, sai daí. - chamou Alice - Eu tô fedendo. - ela sentiu seu próprio cheiro - Urgh!

- Putz, é mesmo! - Dylan tampou o nariz - Belo a bor de Deus, Luda, sai daí... Eu dão vou agüendar bor buido dembo.

Luna apareceu na porta após algum tempo de espera, com lenços à mão.

- Então, - Dylan destampou o nariz e puxou Luna até elas sentaram-se na sua cama - vai dizer o que foi que aconteceu?

Luna suspirou.

- Malfoy.

- Sabia. - anunciou Alice, sentando-se do outro lado de Luna - Aquele safado, idiota, bastardo e...

Ela parou ao olhar de censura de Dylan.

- E então, o que foi que houve?

- Ah... - Luna suspirou - Eu não agüento mais isso! Todo dia eu tenho que cruzar com ele agarrando uma garota e... Eu não sei, eu sinto como se eu estivesse em dívida com ele depois do que aconteceu com o Dalton.

- Dívida? - perguntaram as duas ao mesmo tempo. Alice continuou - Ouça Luna, ele não estava fazendo mais do que a obrigação dele...

- É! - concordou Dylan - Ele tem aquele distintivo para isso, e não para se favorecer ou para enfeitar.

- Luna, há outros garotos além do Malfoy. Com mais caráter e mais bonitos...

Luna fitou-a.

- Ok, eu não sei quanto ao "mais bonitos" mas Hogwarts está cheia de gatinhos.

- Acho que já ouvi isso em algum lugar. Você tem andado demais com Clarie... - comentou Dylan. - De qualquer maneira, mesmo que eu diga isso somente de quinhentos em quinhentos anos, Alice está certa.

- Ah, eu não sei... É fácil falar. - ponderou Luna

- Isso é verdade. - Alice falou - Ele pode ser um cretino, imbecil, verme, uma ratazana, mas se você gosta mesmo dele, isso torna as coisas bem mais difíceis.

- Você não gosta mesmo dele, hein? - Dylan levantou uma sobrancelha para Alice.

- E quem é que gosta? - então emendou - A Luna não conta.

- Não se preocupe, Alice. Logo logo eu o terei esquecido.

Dylan e Alice se entreolharam rapidamente, as duas com o mesmo pensamento na cabeça: "Du-vi-do-!". Então Luna pegou seu robe e dirigiu-se a porta.
- Onde você vai? - perguntou Dylan.
- Andar um pouco para pensar...
- Pensar no Malfoy, aposto. - disse Alice, depois que a porta se fechou.

------

- Porcaria! - resmungou Bellatrix, quando a cela totalmente escura recebeu um facho de luz.

- Assim que você me agradece por tentar tirá-la daqui? Eu não acredito que matei a Streisand para ouvir você resmungar... - essa voz decididamente era de:

- Malfoy? - ela levantou-se rapidamente, vendo o rosto pontudo de Lúcio na porta, nem se dando conta do que ele tinha acabado de falar. - Por que minha nuca não dói? - ela passou a mão instintivamente na nuca.

- Porque você está na solitária... Não era para eu estar aqui. A minha não dói porque eu descobri como anular os efeitos dela. - ele mostrou uma varinha em sua mão esquerda. - Agora, vamos embora antes que alguém nos encontre aqui. - então, adicionou - Eu também anularei os efeitos dessas. - ele indicou os desenhos nos punhos.

- Para onde vamos? - perguntou enquanto saíam.

Bellatrix percebeu que os guardas estavam desacordados.

- Encontrar nosso mestre.

------

Hermione entrou no dormitório rapidamente, a procura do seu livro "A Arte da Aritmancia Transcedental" sem perceber que Lilá e Parvati estavam aos cochichos e risinhos, ao que Hermione apressou-se para não ouvir muito da conversa pouco interessante das duas. Desde que tinham feito as pazes, estavam tão insuportáveis quanto antes, com esses sussurros pouco discretos.

- E você viu como ela esteve ontem? - a voz venenosa de Lilá ecoou pelo quarto.

Às suas costas, Hermione sentiu os olhos das duas sobre ela. Com isso, ela apenas acelerou sua busca pelo livro.

- A-hã. - concordou Parvati - Eu quase contei hoje de manhã ao Rony... Sobre... Você sabe... - elas recomeçaram os risinhos.

"Não dê atenção a elas, não dê." Pensou Hermione

- Eles realmente fazem um casal bonitinho, não? - respondeu Lilá.

- É, e ele mudou muito, não? Quero dizer, veja só como ele está agora! Não é de se admirar que a Rusterd tenha praticamente se jogado...

Feliz porque já havia encontrado seu livro, Hermione deixou o quarto.

- Por que ela simplesmente não admite que ainda gosta dele? - falou Lilá, quando a porta se fechou.

- Eu acho que ela pensou que nós não iríamos perceber como ela esteve ontem.

Lilá concordou.

- A-hã. Totalmente avoada, pensando no Rony... E aquele olhar dela? Está escrito na testa dela que ela ainda sente algo por ele...

- E se a gente tentasse juntar os dois? - animou-se Parvati, sentando-se sobre os joelhos na cama da amiga.

Ela pareceu analisar por um pouco o que a morena havia dito, então riu.

- Eu estou nessa!

------

Na semana seguinte, no Sábado, os alunos de Hogwarts puderam ir a Hogsmeade. Harry sentiu-se indiferente com a visita que fariam. Ele olhou de esguelha para Gina, que estava acompanhada por Luna, Dylan, Clarie e a apanhadora da Corvinal e companheira de dormitório de Luna, Alice. Gina parecia bastante risonha, e Harry fez questão de mostrar a ela que o fim de seu namoro não o estava afetando, o que bem era mentira, pois nenhum dos dois sabia direito porque o namoro havia acabado.

- Anime-se, cara. - consolou Rony - Vocês já terminaram há séculos! Gina não é a única garota de Hogwarts... É só olhar para o lado e...

Rony parou, porque havia uma menina afastada dele que acabara de acenar para ambos.

-------

Os alunos de Hogwarts já estavam em Hogsmeade, na sua costumeira visita ao povoado. Draco estava apenas vagando pelas lojas e pub's, quando Pansy aproximou-se dele.

- Hey, Draco. - disse, com uma garrafa de cerveja amanteigada na mão. - Sozinho?

- É. - respondeu, sem a mínima vontade de fazê-lo.

- Posso acompanhar você? - e antes que ele pudesse responder, ela enlaçou seu braço no dele. - Vamos às colinas... - falou, com um sorriso enviesado.

Para Draco, isso não fazia a mínima diferença, a não ser que agora Pansy exibia-se feliz para Luna e suas amigas.

-------

Parvati se sobressaltou na cadeira do Três Vassouras.

- 'Quê que é? - Lilá também havia se assustado.

- O que nós estamos fazendo aqui?! - ela puxou a amiga e elas saíram do bar, depois de pagarem as cervejas amanteigadas. - Nós tínhamos que estar atrás de Rony e Hermione, para eles fazerem as pazes. Lembra-se do que combinamos?

Lilá levou uma mão à boca.


- Oh, é mesmo.

- Então vamos! - Parvati a puxou.

Elas nem ao menos sabiam aonde estavam indo.

------

Harry, Rony e Hermione estavam passando pela frente da Casa dos Gritos, andando em silêncio. Eles estavam voltando do Três Vassouras. Hermione olhava o tempo todo por cima do ombro.

- Hermione, quer parar? - pediu Rony, irritado.

Ela respondeu:

- É que eu tenho a impressão de estarmos sendo seguidos...

- Não tem ninguém seguindo a gente, Mione. Você está paranóica. - falou, Harry, também zangado.

- Tá bom, eu paro. Mas eu não estou paranóica!

- Ah, está sim - disse Rony. Hermione olhou irritada para ele.

Então iniciou-se uma discussão, na qual Harry fez questão de não se meter. Eles que se entendam!, pensou. Nesse mesmo instante, duas figuras apareceram às suas costas.

- Pena Ter que fazer isso, Harry... - alguém murmurou, antes de eles se virarem.

Foi rápido: antes de ele virar-se, o anel formigou no dedo. Então, teve uma surpresa desagradável. Eles viraram-se ao mesmo tempo, a tempo de ver o rosto das pessoas que os deixaram incosciente.

------

Gina, Luna, Dylan, Clarie e Alice, tinham acabado de sair do cinema, onde tinham assistido "O Bruxo Exorcista - Versão do Diretor".

- Vamos ao Três Vassouras! - anunciou Clarie.

Luna estava praticamente guiando-as e agora, elas estavam quase alcançando a Casa dor Gritos.

- Ah, não! - Alice falou - Eu - ela parecia envergonhada - queria ir a loja de Logros...

- Hum-hum. - pigarreou Dylan - Por acaso seria para ver... Jorge Weasley?

As garotas riram.

- Não! - se defendeu.

- A-hã, eu sei.

Mal Luna tinha acabado de falar, quando elas viram duas pessoas estuporarem Harry, Rony e Hermione. Antes que elas pudessem raciocinar, elas foram estuporadas, também. As mesmas pessoas atearam fogo a uma casa e conjuraram a Marca Negra.

------

Pansy e Draco estavam ao pé da colina, quando viram o casebre pegar fogo e algumas pessoas correrem assustadas. No mesmo instante, Pansy olhou para o céu e viu a Marca Negra já conjurada, como esperava. E virou-se para Draco, que até agora não esboçara nenhuma reação, como de praxe:

- Draco, - chamou, puxando o rosto dele para encará-la - está na hora.

Assim que terminou de falar, Pansy subiu na ponta dos pés, alcançando a boca de Draco. Quando pararam de se beijar, não estavam mais em Hogsmeade.

------

Tonks puxou de leve o casaco de Lupin, que olhou para ela.

- Ahn?

Em resposta, ela apontou para cima, onde um crânio com uma cobra saindo de sua boca pairava no ar.

- Por Merlin... - murmurou ele.

- T-temos que tirar o alunos d-daqui. - sua voz tremeu. - Vamos. - e puxou o braço de Lupin, indo na direção do pub mais conhecido de Hogsmeade.

Para informar aos alunos que precisavam reunir-se, faíscas vermelhas foram lançadas no ar. Depois de algum tempo, os alunos já estavam a sua frente, amedrontados pela visão que acabaram de Ter.

- Acalmem-se, nós voltaremos a Hogwarts. - falou Tonks, sentindo a ausência de alguns alunos.

------

- Por aqui, Godric.

Helga guiou Godric até a Câmara Secreta, sem que ele soubesse, lógico. Tudo fazia parte de um plano, onde Salazar havia manipulado Helga de forma inteligente, que cega pelo amor, concordara. Então eles pararam em frente a um pia branca. Godric procurou o olhar de Helga, mas ela já havia aberto o túnel.

- O que est--? - antes que ele pudesse terminar a pergunta, Helga puxou-o para dentro.

- Aqui está ele, Salazar. - disse em voz alta, enquanto adentravam o lugar - Rowena está inconsciente, não irá atrapalhar.

Godric boquiabriu-se ao ver o moreno sair das sombras.

- Muito bem, Helga. - disse, com a voz debochada. Ele acenou com a varinha antes que Godric pudesse pensar, e então sua varinha estava na mão de Salazar, que segurava uma espada imponente. Salazar também usava um anel em seu dedo, com uma pedrinha vermelho-sangue - Agora podes iniciar a Maldição. Só se pode fazê-lo com a minha varinha. Tome. Não vais me atrapalhar mais, Godric.

- Traição, Helga, traição! - gritou Godric.

Ele olhou para o lado, e viu Helga receber a varinha de Slytherin com um olhar amargurado e apontá-la para Godric. E começou algo que eles planejaram havia dias:

- Somente aquele que já teve sua confiança...

-------

Harry abriu os olhos devagar, a cabeça doendo muito. "Ah, não." Pensou ele "De novo?". Ele olhou em volta, percebendo que estava no saguão do castelo sombrio que visitara há algum tempo. No lugar estava apenas uma poltrona, onde ele estava preso. Lutou contra as duras cordas, mas isso fazia seu braço doer então ele parou. Suas pernas também estavam presas à base da cadeira. Ele mirou o Anel e a pedrinha azul, onde uma névoa parecia tomar conta do seu espaço, notando que sentia uma estranha inquietação à sua volta, polvilhado com gotículas de angústia inexplicáveis. "Provavelmente", imaginou sombriamente, "há dementadores pelas redondezas." Ele sabia que estava certo, pois os sinais caracetrísticos disso apareciam claramente.

Sua linha de pensamentos foi interropida pelo barulho de alguém descendo as escadas às suas costas e ele segurou a respiração por um segundo. Uma pessoa cabisbaixa e coberta por um manto negro com capuz desceu. Harry teria achado que era um dementador, não fosse sua silhueta. A pessoa aproximou-se de Harry, tirando um tubo com um líquido escuro e fumegante da manga da longa capa. Desentubou-o e levantou o queixo de Harry, sem mostrar o rosto. Ele relutou, fechando a boca, mas ele foi socado com tal força que sentiu o estômago afundar enquanto o conteúdo descia gelado pela sua garganta. Por alguma estranha razão, Harry reconhecera aquelas mãos. "Não, não pode ser...", pensou. Sem aviso, a pessoa foi embora. As entranhas de Harry pareciam Ter dado um nó. Ele sentiu as mãos quentes e seu corpo começou a tremer ligeiramente, seu queixo batendo forte, como se ele estivesse com muito frio.

Outro barulho de passos na escada à sua direita, mas desta vez quem apareceu foi Tom. Ele ficou em frente a Harry.

- Outra vez aqui, Potter... - sua voz estava um pouco acima de um sussurro - Só não sabia que seria tão fácil manipular seu sangue...

Harry nem ao menos sabia do que ele estava falando, mas definitivamente não estava gostando do rumo que a conversa tomaria. Tom riu desdenhosamente.

- Não sabe do que eu estou falando, hein? Então, vamos começar. - ele bateu palmas e quatro pessoas encapuzadas, como a primeira que Harry vira, também desceram a única escada do saguão, duas postando-se de cada lado de Tom - Essa história de sangue você já conhece de cor e não quero perder mais tempo. Provavelmente você não sabia como usar isso a seu favor, mas eu sabia. E como precisava do seu sangue, mais do que qualquer coisa, para me imunizar, eu contactei uma pessoa próxima a você, designada a coletar parte suficiente de seu sangue. Eu não podia lutar com você sem uma proteção. Foi aí que ela entrou em ação... - Tom apontou para a pessoa mais distante do seu lado direito.

O estômago de Harry conterceu-se inevitavelmente. A mesma pessoa que lhe socara poucos minutos atrás abaixou o capuz, deixando o cabelo dourado à mostra. Não havia como confundí-la: era Mary Rusterd.

- Surpreso? - a voz suave dela acordou-o - Não me esperava aqui, não?

Ele não respondeu. Seu sangue pulsava em seus ouvidos, a raiva tomando conta de sua cabeça. Ele simplesmente não podia acreditar.

- Aprenda uma coisa, Harry Potter: sempre há traidores, em todos os lugares onde você menos imagina. Mary me ajudou a separar você e sua namoradinha, pondo uma pequena poção de discórdia no suco de vocês que teria efeito duradouro. E foi instantâneo, exatamente o que eu esperava: em menos de um segundo depois, vocês estavam brigados! - Tom riu debochadamente - Lembra-se que Mary fez uma sutura em você, quando o balaço o atingiu em um treino? - Harry recordou-se e mais uma vez ele sentiu um assomo de fúria tomar conta dele. "Como ela pôde?", pensou - Por que você acha que ela fez tanta questão de curá-lo à maneira trouxa? E quanto à velha magia do Escudo... Tsc, tsc... Nada podia ser feito se a Comensal já estava em Hogwarts. Eu sabia que nenhum Comensal meu poderia entrar na escola, mas Rusterd, Parkinson, Miller e Hills já trabalhavam para mim. Alice Miller tentou ao máximo separar Lovegood e Malfoy, contando a ela sobre uma aposta. Com os dois separados, tudo ficava mais fácil para Pansy Parkinson.

Tom estava andando de um lado para o outro.

- Ah, Potter... Foi por isso que deixei-o ir. Já havia alguém em seu encalço, sempre me informando sobre cada passo seu. Graças a Chang, meus planos tiveram que ser adiados, e eu tive mais tempo para trabalhar em meu intento. Ela poderia Ter estragado tudo, mas não o que aconteceu. - ele sorriu - Agora, Parkinson: traga a namoradinha e os amiguinhos de Potter aqui. - Pansy obedeceu e Tom dirigiu o olhar a Harry novamente.

Harry olhava para ele com o maxilar cerrado. Alguns minutos depois Rony, Hermione e Gina estavam descendo a escada à esquerda do hall, todos amarrados. Harry olhou para sua direita e viu que Pansy vinha atrás deles com a varinha apontada ameaçadoramente para Gina, que era a última. Todos os três fizeram espantaram-se quando viram Mary ali. Pansy deixou-os num canto do saguão, lado-a-lado. Rony lembrou-se vagamente da predição de Trelawney e sentiu-se irado instantaneamente.

- Rusterd, as honras. - Tom gesticulou em direção aos amigos e ela sorriu maliciosamente, assustando-os. - A pequena Weasley, primeiro.

Ela foi até eles, a capa balançando às suas costas. O rosto de Gina foi tomado pelo pânico, enquanto Mary aproximava-se dela. Mary levantou-a com violência, fazendo os pulsos de Gina doerem mais. Ela desamarrou-a e jogou a ruiva no chão, machucando-a. Quando tentava se levantar, percebeu que Tom já estava próximo o bastante para não deixá-la fugir.

- Há tempos não me vê, não é? - ele levantou uma sobrancelha, tomando um pulso dela com delicadeza e beijou sua mão - Sentiu a minha falta?

Gina estava com o braço enrijecido e com os olhos arregalados. Então puxou sua mão, dando passos lentos para trás.

- Você vai me ajudar novamente, Weasley. - ele ficou sério - Isso é uma ordem. Imperio!! - do anel dele irrompeu uma luz verde que atingiu Gina no peito.

Os olhos dela vidraram-se e ela ficou ereta de repente.

- Ataque Potter. - disse enfaticamente.

- Não! - gritaram Hermione e Rony imediatamente, enquanto a garota empunhava a varinha e ia até seu namorado. Ambos e Harry já tinham tentado transformar-se mas parecia que aquele castelo não permitia que animagos se revelassem.

- Gina, não! - foi a vez dele pedir.

Gina levantou a varinha para Harry dramaticamente:

- Cruc... - Gina foi interrompida por outra voz, que desativou a maldição.

A voz vinha do segundo andar. Todos dirigiram o olhar para o local e quando suas Comensais iam azará-la, Tom parou-as, levantando o braço.

- Não. - ele sorriu - Deixe que eu cuido dela.

Cho desceu devagar a escada, passando a mão pelo corrimão elegantemente. Enquanto isso, Mary amarrou Gina novamente e, literalmente, arrastou-a de volta ao lugar onde Rony e Hermione estavam. Queria causar-lhe o máximo de dor.

- Boa escolha, Tom. - riu com desdém.

Ele acompanhou-a com os olhos, sorrindo e então levantou a mão. Sem que dissesse nada, uma luz atingiu Cho no ombro e antes que ela pudesse reagir, caiu desacordada e rolou os últimos degraus da escada que ainda não tinha descido. As Comensais riram, inclusive Mary. Elas pegaram seu corpo e o amarraram numa segunda cadeira conjurada por Tom, tal qual Harry estava.

-------

Tonks e Lupin, bem como a maior parte dos professores, avisaram Dumbledore que alguns alunos não estavam em Hogwarts, entre eles Harry. Com uma voz ligeiramente amargurada, ele falou:

- O que tiver que ser, será. Não vamos esperar tudo de braços cruzados, mas agora tudo depende de Harry, e apenas dele. Haverá mortes, mas temos que estar preparados para perdas; é o preço que se paga por enfrentar alguém como Voldemort. E não se esqueçam que Harry tem uma grande arma a seu favor: o amor de sua mãe. Tesouro maior que esse não há. E eu tenho certeza que ele vai lutar com todas as suas forças. A perseverança é uma característica presente nele. - então ele suavizou sua expressão - Voldemort levou todos para o castelo onde habitava a família de sua mãe, para executar uma grande maldição para matar Harry. Estamos nos dirigindo até lá agora mesmo. - levantou-se.

Os professores concordaram. Alguns deles ficaram em Hogwarts para cuidar de tudo enquanto outros tentavam localizar o local.

-------

Hermione ofegava e se contorcia no chão, os olhos marejados de dor. Harry mal suportava olhar sua amiga ser torturada, mas era forçado pelas Comensais que estavam atrás dele. Rony apenas ouvia os gritos de sua ex-namorada. Tom desfez a maldição, enquanto Hermione tentava ganhar fôlego, ajoelhada ao chão.

- Pare, Tom. - falou Courtney, enquanto descia as escadas, exatamente como Cho, que continuava desacordada. Ao contrário desta, ela estava protegida por um escudo. - Pare de torturá-los.

Hermione levantou o rosto para Courtney. Seu cabelo estava desgrenhado, sua rosto suado e sua boca vermelhíssima pois ela mordia os lábios para suportar tamanha dor.

- Saia daqui. - avisou Courtney, ficando a sua frente e protegendo-a também. - Vá embora.

Hermione obedeceu prontamente, ainda assustada, andando de costas para que não fosse atacada de surpresa. Saiu tão desesperada que nem sabia para onde estava indo.

- Não interfira, Thomson. - Tom disse sério. - O que você não quer que eu faça? Isso? - enfatizando a última palavra, apontou o anel a Harry e um jato irrompeu da pedrinha vermelho-sangue.

O jato atingiu Harry no coração e ele sentiu um onda quente e doída percorrer seu corpo. Retorceu-se mas, como estava amarrado, era inútil. Ele percebeu que um grito forte saiu de sua boca e no instante seguinte uma das cordas que estava prendendo-o arrebentou. Segundos depois ouviu-se um baque e aconteceu o mesmo com as outras. Harry levantou-se rapidamente da cadeira, sem perceber que Courtney estava agora caída a seus pés, inconsciente.

- O QUE VOCÊ FEZ? - bradou Tom, com uma veia pulsando em sua garganta - Fale o que você fez, Potter?

Harry olhou para Courtney e impulsivamente olhou para trás, perguntando-se porque as Comensais de Voldemort não haviam prendido-o novamente. As quatro também estavam no chão e às suas costas haviam grandes buracos, como se elas tivessem batido na parede e depois caído aos pés traseiros da cadeira. Rapidamente, Tom aproximou-se dele para reacordar Courtney. Antes que ele pudesse atacar Harry, este deu um impulso nos pés, murmurando:

- Leviosa! - e no segundo seguinte ele estava no andar de cima.

Depois de medir rapidamente o pulso de Courtney, Tom abaixou o rosto da jovem, deixando-a deitada e olhou com ódio nos olhos para Harry, que estava no outro patamar.

- Eu não queria matar-lhe tão cedo... Mas se é guerra que você quer, é guerra que você vai Ter.


Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.