Prólogo



 


Prólogo


Toca, Agosto, 1997


Uma semana já havia passado desde o casamento de Gui e Fleur, e, ainda assim, o tempo não parecia ter sido suficiente para apagar os vestígios internos e externos do que havia acontecido naquela noite, nos jardins da Toca. Gina ainda se lembrava exatamente do momento em que o patrono de Kingsley Shacklebolt anunciara a morte de Rufo Scrimgeour e o perigo que esta informação trazia consigo.

Comensais chegando, os gritos de terror, a pressa das pessoas em sair logo dali, a correria... Nem chegara a ver o momento em que Harry, Rony e Hermione haviam desaparecido, isso atormentava a todos, e particularmente a ela. Soube logo, com a dor extrema de uma maldição imperdoável - que um comensal usara sobre ela para extrair alguma informação a respeito de Harry - o que significava ser próxima ao Menino-que-Sobreviveu, o que isso causaria a si e a sua família.

Desde então quase não via seu pai, Fred ou Jorge em casa. A maior parte do tempo era só ela e sua mãe, compartilhando silenciosamente uma aflição corrosiva. Porém, Gina tentava se manter calma, pois sua família não precisava ouvir suas queixas e medos. Não queria piorar as coisas, ainda mais naquele momento.

Durante os poucos dias que se seguiram antes do retorno à Hogwarts - algo que ela não mais ansiava, como nos anos anteriores –, fez o possível para manter-se ocupada.

Quando não ajudava a mãe nos afazeres domésticos, começava a procurar livros pela casa que falassem sobre artes das trevas, especialmente sobre uma recente descoberta ligada ao assunto.


Nunca se sentira feliz ao ser privada das discussões do Trio em relação à misteriosa missão que estavam começando, e, devido a isso, usara várias vezes de sua persuasão para tirar algo de Hermione, o que – ela logo descobrira - não dava resultado. Então, já sem alternativa e tentando sair do ‘escuro’, teve de aplicar um dos seus artifícios, que quando pequena aprendera com Fred e Jorge: ouvir atrás das portas.

Dias antes do casamento notara que o Trio estava fazendo de tudo para poder conversar sem ninguém por perto, o que sua mãe tentava evitar de todas as formas possíveis, e Gina não ousava recriminar-la. Porém, não adiantou tanto esforço, os três acabaram dando um jeito de manobrar as coisas, não sem uma ajudinha da ruiva.

Algum tempo antes do casamento, logo após do jantar, Molly tornou a distribuir tarefas para os três, e, claro, separadamente. Rony deveria arrumar o quarto que dividia com Harry; este por sua vez fora dispensado de ajudar o Sr. Weasley, graças ao próprio patriarca, e Hermione e Gina teriam de arrumar o quarto para a chegada dos Delacour. Contudo, a matrona havia se esquecido que as duas já o tinham feito no dia anterior. Os três estavam livres para se reunirem no quarto de Rony, exceto se Gina interviesse, o que ela não fez ao notar o olhar de súplica da amiga, mas deu um jeito para que sua ajuda fosse paga.

Após Mione se juntar aos garotos no último andar, Gina colou seus ouvidos na porta e foi então que escutou uma palavra muito estranha: Horcrux. Algo que, pelo tom da conversa, devia ser essencial para a misteriosa missão do Trio.

A partir dali, começara a vasculhar todos os livros da casa à procura de algo que explicasse o que teria por trás daquele termo soturno. O que sabia era que estava ligado às artes das trevas, entretanto, nada além.

Num fim de tarde especialmente frio, estava sentada num banquinho no porão d‘Toca, cansada, no meio de mais uma de suas buscas infindáveis e sentindo a derrota lhe descer pela garganta ao olhar a bagunça que fizera. Já havia revirado quase todo o porão sem nenhum êxito, restava apenas uma pilha de livros perto da janelinha, meio esquecida, acumulando poeira. Temia que suas últimas esperanças de achar algo de útil sumissem. Mas ainda tinha a biblioteca da escola, pensou esboçando um sorriso triste.

Aproximou-se da janela, notando os fios alaranjados tecendo o céu gradativamente e sentindo um aperto no peito ao contemplar o crepúsculo, particularmente melancólico.

“Harry, onde será que você está agora?” Tentou afastar esses pensamentos que só faziam-na sofrer, começando a remexer nos livros da última pilha.

Mais uma vez, nenhum sucesso. Porém, olhou curiosa para o último da pilha, com capa vermelha, e algo gravado nela. Revirou-o e pôde ler as seguintes palavras escritas, fracamente, de dourado:


Lílian Evans


E, logo abaixo delas, uma outra palavra, mais legível e em prateado:


Potter



Gina prendeu a respiração. O que um livro da mãe de Harry estaria fazendo escondido em sua casa? Molly nunca contara que ela e Lílian haviam sido amigas, se esse fosse o caso. Mas e se não fosse? Como algum pertence dos Potter havia parado ali?

Com as mãos tremendo de excitação, abriu o livro, e, ao fazê-lo, uma foto caiu no chão. Eram Lílian e James juntos, ambos com as vestes de Hogwarts, onde parecia ser uma parte dos jardins da escola. James puxava a ruiva para mais perto e tentava lhe dar um beijo, enquanto ela ria ao se esquivar das tentativas frustradas do namorado.

Aquilo deveria ser do sétimo ano deles, pensou Gina, pois Harry lhe havia contado que os dois só começaram a se entender naquele ano. Se bem que James havia tentado por muito tempo fazer com que as coisas tivessem dado certo antes.

Na primeira página havia uma espécie de prefácio:

“Mamãe acaba de me dar esse livro de presente. Foi quase a primeira coisa que ela fez quando cheguei em casa para as férias de verão. Segundo ela será útil, pois têm notado que ando quieta recentemente, e acha que preciso pôr minhas emoções para fora, nem que seja escrevendo.

Na verdade tenho estado estranha mesmo, talvez porque esse ano é meu último em Hogwarts. Fico triste ao pensar que terei de deixar a escola. Bem, achei legal a intenção de minha mãe, mas não sei se tenho paciência pra escrever diários, quem sabe não anoto algo por aqui ao longo do ano? Mas só se achar estritamente necessário.

Lil”


O livro era datado no ano de 1977, e parecia realmente ser um diário, porém, algumas anotações escritas na bonita letra de Lilly fizeram-na entender que ali não havia uma seqüência, somente referências aos estudos, geralmente superficiais, ou notas de final de dia, compromissos, e etc. Contudo, haviam alguns bilhetinhos, a exemplo do que Gina lia agora, deixados numa letra inclinada, diferente da de Lílian, mas incrivelmente parecida com a de Harry:

“Ruiva, você realmente quer me deixar louco, não é? Mas não me importo, aturo tudo o que vier de você, na esperança de que algum dia virá a ser minha.

J.P ”



J.P. Só poderia ser James Potter, pensou Gina, que riu por dentro ao ler aquilo. Foi virando página por página, completamente imersa no passado extremamente vivo ali, gravado naquele livro mofado. Chegou a esquecer o que estava procurando antes, até notar seguidas folhas em branco, e, logo depois, algo separado:

"1979, Novembro.

Fazia tempo que não pegava nisso aqui, mas a felicidade incrível que me consome, fez com que tivesse vontade de deixar gravado esse momento, principalmente depois de tudo o que James aprontou aqui em casa. Meu marido, completamente maluco, começou a gritar, cantar, me levantar no ar... Se antes a criatura já não era muito discreta, agora, então, perdeu totalmente a noção de que temos que respeitar a vizinhança, mesmo que Godric’s Hollow seja um vilarejo muito simpático. Mas, apesar de tudo, nem me incomodei em reprimi-lo, pois me sinto, até agora, exatamente como ele:
feliz a ponto de gritar.

Vamos ter um filho! ''



Gina sorriu ternamente ao ler aquelas palavras, que quase pulavam das páginas de tão emocionadas. Pensou que deveria ser assim mesmo descobrir que se estava carregando uma vida dentro de si, fruto de um amor tão intenso. Algum dia também gostaria de sentir tal alegria, mas, para isso, a guerra deveria acabar, e o homem que amava deveria voltar para ela.
“Um dia, Harry, você vai ler o que estou lendo agora”.





Godric’s Hollow, Novembro, 1979


A neve caía calmamente, como que numa dança harmoniosa, nas ruas do vilarejo, mas, dentro da última casa da rua, uma bonita mulher, esguia e de longos cabelos acajus, observava por detrás da janela da sala, muito aflita, esperando por alguém aparatar a qualquer momento.

“James Potter, se você demorar mais acho que nem vai poder estar vivo para ver seu filho nascer”, pensava furiosa ao cair derrotada numa poltrona.

Tentou se acalmar. Fechou os olhos e respirou fundo. Não era possível que pouco mais de duas semanas de gravidez já tivessem alterado tanto seu estado de espírito. Porém, não houve muito tempo para reflexões, pois um ronco alto de motocicleta vinha se propagando nos ares da rua.

Sirius, só podia ser.

Correu até a porta a ponto de ver dois homens rindo muito alto ao descerem da moto. Ambos sorriram ao vê-la presente, porém, o mesmo não pareceu vir da ruiva, e notando isso, os amigos trocaram um olhar cúmplice e cheio de significados.

- Pois então, James, não acha que mereço uma explicação? – Começou em tom ameaçador, se dirigindo ao marido, no meio da neve.

- Lil, meu amor, não acho que um frio como esse seja bom pra você e para o bebê - alegou, tentando desarmá-la, e levando-a pra dentro da sala quentinha de sua casa, ambos sendo seguidos por Sirius.

- Acho que o que não vai ser bom pro bebê é ter um pai como você! James Peverall Potter, você bebeu e ainda chega tarde desse jeito! Eu estava quase enlouquecendo aqui, imaginando o que poderia ter acontecido com você, seu insensível! Custava mandar um aviso, um patrono que fosse? – esbravejou ela de uma vez, sentindo seu rosto queimar a cada palavra.

- Nossa, começou cedo, hein, Sra. Potter? Nem tentou ser gentil com o futuro padrinho dessa criança aí, que, aliás, tem pena vendo os pais que a coitadinha vai ter que aturar! – comentou Sirius num tom de falso lamento ao se jogar no confortável sofá da sala.

- Cala a boca Sirius! – exclamaram Lílian e James em uníssono, fazendo o amigo levantar as mãos como que se rendendo.

- Lil, eu tenho uma explicação, ok? Bem, na verdade, é algo próximo disso, hum... Como havia dito a você depois do almoço, precisava ir á Ordem, e realmente fui, pergunte ao Almofadinhas se quiser – arriscou ele nervoso e a esposa apenas revirou os olhos, evidentemente desmerecendo a palavra do homem sentado á frente deles, que parecia apreciar a discussão do casal. – Bem, Dumbledore estava lá pra falar comigo sobre o que fazer em relação aos nascidos trouxas que estão sob nossa proteção na Sede, o que rendeu algumas horas, e depois disso ainda discutimos os últimos acontecimentos da guerra, e então contei a todos sobre você estar grávida, e imagine, Frank anunciou que Alice também está! – A ruiva a sua frente não pôde deixar de abrir um largo sorriso. – E aí você sabe, os caras conjuraram um monte de cerveja amanteigada e firewhisky e...

- E, está aí o resultado, o senhor quase bêbedo junto a Sirius... E os dois ainda vêm nessa moto maluca.

- Hey! Eu estou totalmente sóbrio Sra. Potter, é preciso mais que alguns copos de bebida para afetar os incríveis reflexos de Sirius Black. E deixe a minha moto fora disso! – interveio o moreno em protesto.

-É, e eu só bebi o suficiente para ficar mais animado. Também estou sóbrio, Lil. - alegou James com a voz estranhamente rouca.

- Estou vendo... Animado, sei... Você está com os olhos um pouco vermelhos, sabia? E, além do mais, existem outros meios para se ficar animadinho. – concluiu ela sugestivamente, fazendo-se entender. James deu um sorriso maroto e puxou-a pra mais perto.

- Hey! Eu estou aqui, sabiam? Isso é nojento. - exclamou Sirius num misto de riso e indignação. Era incrível a capacidade daqueles dois de num momento estarem brigando, e no outro se agarrando. Com Lílian e James as coisas sempre foram assim, explosivas.

- Você fala isso porque não tem uma garota que nem a Lil. – afirmou James orgulhoso, ainda abraçado à esposa.

- Graças a Deus!

- Sirius! – exclamou a ruiva.

- Eu estava brincando Lil, e, além do mais, não sei se me contento com apenas uma garota.

- Seu cachorro safado! O seu momento vai chegar e eu vou rir muito da cara de apaixonado do insaciável Sirius Black. – desdenhou James.

- Então sente e espere, caro Pontas, porque se isso algum dia vier a acontecer, vai demorar muito.

- Ok, parem vocês dois, e venham jantar; eu acho que tem alguma coisa pronta na cozinha. – disse Lílian chamando os dois para ajudarem-na a arrumar a mesa.

Durante o jantar, os dois homens informaram à ela sobre o que estava acontecendo na Ordem, e passaram a tentar persuadi-la a não voltar mais lá, não se meter mais em coisas perigosas, pois estava grávida. Como era o esperado, a tentativa acabou não dando muito resultado.

- De jeito nenhum! Eu não tenho nem um mês de gravidez, vou pirar se tiver de ficar aqui o dia todo esperando você, sem saber o que está acontecendo. Não, James, minha decisão está tomada!

- Lil, eu só quero proteger você e o nosso filho. Nem sei o que faria se algo acontecesse a vocês dois.

- Eu sei disso, mas você tem que me entender, James. - disse ela se aproximando do marido e aconchegando-se nos braços dele.

- Bem, se não tem jeito. – concluiu ele, dando-se por vencido, enquanto um sorriso radiante surgia no rosto da esposa. Ela desarmava-o sem qualquer esforço. – Mas voltaremos a falar do assunto, ouviu?

Sirius apenas contemplava a cena. Pela segunda vez os dois pombinhos haviam se esquecido de sua presença. Pigarreou alto:

- Sabe Lily, eu não botava fé no James quanto a você há alguns anos e acho que ele sequer sonhava em algum dia estar assim, prestes a ter um filho com a ''certinha- monitora-Evans".

Os três riram. Todos se lembrando de quanto Lílian aparentava odiar James. Das tentativas frustradas deste ao convidá-la para sair, das discussões mais infundadas, do jeito que eles acabaram ficando próximos...

- Eu acho que meu futuro afilhado irá se divertir muito ao ouvir algumas coisas sobre vocês dois nos tempos da escola.

- Você quer me ver virar um idiota aos olhos do meu filho, não é almofadinhas?

- Não, quê isso! Ele vai sacar que você é um completo idiota logo que vier ao mundo.

- Sabe, Sirius, acho que você tem razão. Vai ser engraçado contar o nosso passado negro pro próximo, ou próxima, Potter à caminho.

- Ah! Então quer dizer que você está junto ao Sirius nesse complô contra mim, é? – perguntou James falsamente indignado.

- Não, quê isso!

Os três encheram a sala de boas risadas novamente.

- Mas, sério, Lil, que tal você começar a escrever uma espécie de livro ou coisa parecida? Bem, pelo menos eu acho que as peripécias de vocês dois renderiam uma boa comédia. – concluiu Sirius.

- Você quer dizer romance, não é? – perguntou a ruiva docemente.

- Não, ele quer dizer contos de horror, porque você foi realmente má comigo! – queixou-se o marido.

- Não seja dramático. E além do mais, não sei se seria apropriado ao meu filho ler algumas partes dessa história, se é que você me entende, James.

- Nossa! Então quer dizer que ela é realmente pervertida, Pontas?

Lílian corou furiosamente, enquanto os dois riam de seu embaraço.

- Sirius, eu não gosto dessas brincadeiras, ouviu? E você pare de rir! – disse ela se virando para o marido, ainda muito vermelha.

O resto da noite foi, na medida do possível, tranqüila com os dois amigos brigando por quem iria ensinar Quadribol para a criança, e coisas do tipo. Mas Lilly realmente começava a considerar a idéia de Sirius, nem que fosse para passar o tempo nos meses seguintes, pois apesar de tudo, sabia que James faria o impossível para evitar que ela fosse junto a algumas missões da Ordem.

É, talvez fosse bom escrever a sua história, sua e de James.





N/A: Olá leitores! Bem, para começar quero explicar que está fic está passando por um processo de reedição, e para isso conto com a ajuda de uma pessoa incrível, minha nova beta, Lore Weasley Potter, autora da "Como tem que ser", a melhor fic atualmente, na minha opinião. Então é isso, os caps todos continuarão no ar, mas sofrerão algumas modificações ao longo do tempo.
Espero que tenham gostado do Prólogo, e os outros caps estão aí a sua espera, é só seguir em frente, sem esquecer de me deixar um coment, é muito importante pessoal, muito mesmo!
Obrigada por terem lido, deixem críticas, sujestões e afins!
Bjão
*re-postado em 12/12/2009*

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