O fim é apenas o começo...



N/A: antes de mais nada, quero pedir desculpas pela demora! Espero, de coração, que gostem desse capítulo!
Em breve (lê-se: se der ainda hj), eu postarei o capítulo com os agradecimentos, afinal, muitas pessoas merecem ser lembradas!
Agora, sem mais enrolações, aproveitem o capítulo!
Bjinhos,
Mily






Cap. 31



O Fim é apenas o começo...




Naquela última semana em Hogwarts, os alunos estavam bem mais relaxados. Caminhavam pelos corredores da escola sorrindo, e comentando sobre o que fariam nas férias e para onde viajariam. Ver um ano tão agitado, cheio de emoções e revelações, chegar ao fim não era algo tão ruim. Pelo contrário, muitos estavam dando graças a Merlin por já estarem no fim de mais um ano letivo, e torciam muito para que o próximo fosse um pouco menos conturbado.

Aquela tarde de sexta tinha um ar tranqüilo. Os alunos ganharam aquela tarde de folga, e aproveitaram para trocarem os uniformes formais, por uma roupa leve e descontraída, já que estava sol e o clima era completamente agradável.

Scorpius, Vincent, Sophie e Alvo, estavam sentados no gramado da escola embaixo de uma árvore aproveitando a brisa leve que batia em seus rostos, enquanto esperavam, pacientemente, Rose aparecer.

- Afinal, onde a Rosecreide se meteu?

- Provavelmente foi ao corujal enviar uma carta pra tia Mione! – Alvo respondeu descontraído.

- Estamos na última semana de aula e ela ainda se preocupa com isso? – Vincent perguntou incrédulo.

- Se você conhecesse a minha sogra, não diria uma coisa dessas! A Sra. Weasley é tão protetora quanto a minha mãe, só que na versão... Como eu posso dizer...

- Estressada? Sim, tem razão! – Alvo completou e todos riram.

- Mamãe é sensata, o que é muito diferente! – Rose, que estava a poucos metros deles quando comentaram a respeito de Hermione, disse com um sorriso. Sentou-se ao lado de Scorpius, ainda sorrindo e olhou para os demais – E para o governo de vocês, eu não fui ao corujal! Estava conversando com o professor Longbotton... Queria saber quando nossas notas serão entregues, porque tenho certeza que esqueci de mencionar alguma coisa sobre a Mimbulus Mimbletonia...

- Por Merlin, você se preocupa demais, Ro! – Sophie disse incrédula – Eu com certeza errei váááárias coisas em História da Magia, e não estou nem um pouco preocupada!

- Não está preocupada, pois não será a única a tirar um “D” nessa matéria! Aquele fantasma precisa logo ser conduzido àquela luz brilhante e prateada que provavelmente deve estar a sua volta! – Vincent comentou – Ele precisa partir, precisa seguir seu caminho, encontrar a paz, e deixar nós alunos termos aulas com pessoas que respiram, comem, sentem e não são transparentes!

- Deixem minha ruivinha ser preocupada! Se ela fosse diferente, não seria tão encantadora! – Scorpius defendeu a namorada, e deu um breve beijo em seus lábios.

- Ei, será que vocês podiam considerar o fato deu estar desacompanhado e pararem de me fazer de castiçal? – Alvo fingiu-se de indignado.

- Ao invés de reclamar, você deveria era me apresentar a sua namorada! – Rose disse divertida.

- Namorada? Desculpa aí prima, mas eu ainda sou muito novo pra me prender a alguém... Por enquanto, Alvo Potter é de todas! – o moreno sorriu cafajeste.

- É isso aí! Essa coisa de se envolver nessa fase é a maior furada! – Vincent brincou.

- Como assim é a maior furada? – Sophie se afastou do namorado e o encarou séria – Quer dizer que ter uma namorada é ruim? Você por acaso queria ter várias?

- Ihhh, agora se explica cara! – Scorpius colocou lenha na fogueira.

- É, explique-se Sr. Williams! – Sophie mantinha o mesmo olhar sério e ameaçador.

- Eu até me explicaria, se houvesse o que ser explicado, mas não vejo nada de errado no que falei! – Vincent tinha o mesmo ar sério que a namorada – Sim, é a maior furada namorar alguém, quando não se sente nada de especial pela pessoa! Como é o caso do Alvo! Para que ele vai se envolver com alguém se no momento ele é, como o próprio disse, de todas? – ele encarou a namorada – E se você, Sophie, pensa que eu realmente acho ruim ter uma namorada, é sinal que precisa aprender muito sobre mim!

- Eu... – Sophie estava desconcertada. Todos os outros olhavam para Vincent, incrédulos. Nunca viram o rapaz tão sério.

- Não se dê o trabalho de explicar, ao contrário de você, não cobro explicações de frases óbvias! – ele ainda mantinha aquele ar de seriedade – Bom, vou à biblioteca! – disse, enquanto se levantava.

- Fazer o que? Até onde eu saiba, lá não é um dos seus locais favoritos! – Scorpius disse entre risos.

- E continua não sendo, mas essa foi a melhor, ou no caso pior, desculpa que arrumei para sair daqui e encerrar esse assunto desagradável!

- Nossa, quanta sinceridade! – Rose exclamou.

- Esse é meu mal, ser muito sincero! – ele deu uma piscadela e saiu do local.

Sophie ficou observando, ainda pasma, enquanto o namorado sumia de vista. Definitivamente, não esperava uma reação desse tipo.

- O que eu disse demais? – ela finalmente perguntou.

- Minha cara amiga, você precisa aprender a ler nas entrelinhas! De vez em quando o Scorpius tem as mesmas crises que o Vincent sabe... Quando ele disse ao Al que era ruim se envolver nessa fase, ele não estava se referindo a você... – Rose começou a explicar.

- Tá, isso eu entendi, o que eu não consegui captar, foi o motivo pelo qual ele se revoltou!

- Desde quando eu tenho crises? – Scorpius indignou-se. Alvo apenas ria abertamente.

- Sempre, desde que começamos a namorar! – Rose disse rapidamente e se voltou para amiga – Ele se revoltou porque entendeu que você duvida do que ele sente... Achou que você estava dizendo que ele era igual ao Alvo, e que estava te fazendo de boba!

- Desde quando começamos a namorar? Como assim?! – Scorpius perguntava impaciente.

- Calado Scorpius! – Sophie o repreendeu – Quer dizer que ele pensa que não confio nele?

- Calado? Que abusadas vocês estão hoje!

- Você que está fazendo drama, à toa! – a ruiva disse para o namorado – E sim, Sophie, ele pensa exatamente isso.

- Que idiota! – Sophie se levantou irritada – Eu vou agora mesmo acabar com esse mal entendido!

- Eu ainda tô esperando uma resposta, sabe? – o loiro falou.

- Quer calar a boca, Scorpius?! – a ruiva o repreendeu – Vai sim, e resolve isso de uma vez antes que fique pior!

Sophie sorriu para amiga e saiu correndo do local em busca do namorado. Scorpius, por sua vez, permaneceu calado e emburrado. Alvo continuava sorrindo, e Rose parecia bem mais tranqüila.

- Agora você pode falar! – a ruiva se virou para o namorado, com um sorriso radiante.

- Bom, como sinto que vou sobrar aqui, vou dar umas voltas! Vejo vocês mais tarde, e se comportem! – Alvo sorriu maroto e saiu.

- Então...?

- Então o que? – Scorpius perguntou mal-humorado.

- Não vai falar o que tanto queria?

- Achei que tivesse me mandado calar a boca!

- E mandei, mas agora te dou total liberdade para falar!

- Agora eu não quero!

- Ótimo, assim paramos de perder tempo com conversas! – Rose empurrou o namorado deitado na grama e ficou por cima dele com um sorriso sapeca no rosto.

- O que pensa que está fazendo? – Scorpius tentava se manter sério, mas era quase impossível. O sorriso de Rose o hipnotizava e ele tinha a ligeira impressão que ela se aproveitava disso.

- Eu? Nadinha! – ela roçou os lábios levemente nos dele e o encarou – Só achei que como você estava muito zangado para falar comigo, poderíamos fazer outra coisa...

- Como sempre, você tem ótimas idéias! – Scorpius sorriu, e em seguida colocou a mão na nuca da ruiva e a puxou para um beijo, que obviamente, foi correspondido na mesma intensidade.

Alguns alunos que estavam caminhando pelos terrenos da escola, ao verem a cena, deram risinhos histéricos e começaram a cochichar sobre o comportamento do casal mais popular da escola. Porém, Rose e Scorpius estavam pouco se lixando para as conversas maldosas ao seu respeito, e continuaram trocando carinhos e beijos pra lá de provocantes. A melhor coisa de terem sido descobertos, era isso. Eles podiam se agarrar em público sem precisar dar satisfação a ninguém.

Em um dos muitos corredores do castelo, Vincent conversava distraído com um de seus companheiros de casa. Apesar de estar chateado, ele sempre mantinha o bom humor e isso acabava sendo uma ótima arma a seu favor, já que ninguém o incomodava com perguntas do tipo “o que você tem?”, ou comentários como “ah, vamos, anime-se!”.

Sophie, ao avistar o namorado, caminhou em passos firmes até ele, sem se importar com o fato de que estava praticamente expulsando todos da sua frente. Em geral, ela era uma menina até tranqüila, e apesar de altamente debochada e fria com aqueles que mereciam, a loira era uma pessoa agradável e pacífica. Parou em frente a Vincent, com uma expressão quase assassina, mas antes que ele pudesse perguntar qualquer coisa, ela se adiantou, deu um tapa em seu rosto, e disse:

- Isso é para você aprender a não sair sem dar explicação! – ela o encarava furiosa – E isso... – ela empurrou o namorado contra a parede – é para você entender de uma vez que eu te amo e que não duvido de você! – em seguida o beijou.

Vincent, que não esperava tal reação da loira, apenas correspondeu o beijo, um pouco mais animado do que deveria, já que os dois estavam em um corredor de Hogwarts. O moreno se virou e inverteu a situação, deixando Sophie encostada na parede, enquanto ele ficava na frente. Os dois se beijavam ferozmente, sem se importar quem passava ou deixava de passar por ali.

- Ho-ho! Vejo que os jovens de hoje em dia são mais empolgados do que em minha época! – Slughorn falou ao lado do casal, que imediatamente se separou, e encarou o professor, vermelhos e ofegantes – Contudo, é sempre importante lembrar que os corredores da escola não servem para ficar trocando esses... Carinhos mais... Profundos, se é que me entendem! Por causa disso, serei obrigado a tirar 10 pontos da minha própria casa! – embora o professor sorrisse, Sophie e Vincent sabiam que o professor estava apenas fingindo simpatia.


- Nos desculpe professor! – Sophie encarou os próprios pés.

- É professor, nos perdoe por sermos jovens e estarmos com os hormônios à flor da pele! Fico feliz que o senhor nos entenda, pois, apesar de ter passado muito tempo desde a sua juventude, é sempre bom saber que alguém não nos recrimina por sermos adolescentes com desejo de vida! – Vincent disse tudo com uma incrível vontade de rir – Agora se nos der licença, vamos procurar nossos amigos, e prometemos nos conter e não usarmos as paredes dos corredores como companheira fiel para nossos amassos românticos! – o moreno puxou a mão da namorada e saiu de perto do professor, antes que ele captasse toda a ironia e resolvesse descontar mais pontos da Sonserina.

- Você é maluco! – Sophie comentou, quando já estavam distantes do professor.

- Maluco, divertido, irônico, debochado, mestre das situações, chame como quiser! – ele zombou – Mas agora me diga, com quem você aprendeu a bater assim? Merlin tenha piedade, meu rosto ainda dói com aquele tapa! – ele passou a mão no rosto e ficou olhando para loira, a espera de uma resposta.

- Ora, aprendi com você e com o Scorpius! Vai me dizer que não lembra de todas as aulas de socos e pontapés que vocês me deram quando éramos criança? – Sophie comentou e os dois riram – Mas como nunca aprendi a dar socos descentes, desenvolvi a técnica do tapa!

- Ainda bem que você não aprendeu a dar socos, se não ao invés de me agarrar com você pelos corredores, eu estava era sendo agarrado pela maníaca da Madame Pomfrey... Não sei, mas algo me diz que o único beijo que aquela velha recebeu na vida foi do pai, quando concluiu o curso de medibruxa! – Vincent fez uma cara de pensativo por uns instantes, mas logo caiu na gargalhada junto com a namorada. Os dois pareciam ter esquecido o mal entendido que houve e agora caminhavam juntos para fora do castelo.

O romance em Hogwarts parecia estar no ar... E isso era motivo de preocupação para alguns professores, que vez ou outra eram obrigados a colocar em detenção os alunos que teimavam em se agarrar dentro do armário de vassouras, em salas pouco usadas, na torre de astronomia, nas estufas... Qualquer lugar pouco visitado parecia adequado para os novos casais se esconderem da multidão e aproveitarem.

Embora a família de Rose tenha aceitado seu romance com Scorpius, era óbvio que eles impuseram limites... Limites esses que não podiam ser quebrados, se o casal não quisesse levar uma bronca daquelas. Tiago e Vic, talvez por serem os mais velhos e encarregados de tomarem conta dos mais novos, eram responsáveis por “fiscalizar” o namoro dos dois, pois supunham que eles fossem os mais centrados.

Vic, que agora já tinha seus 16 anos e era muito feliz por namorar Teddy Lupin, afilhado de seu tio Harry, sempre foi uma menina parcial. Sabia que tinha sido encarregada por Rony, de cuidar de sua “anãzinha”, mas ao invés disso, acabou se tornando sua aliada. Sempre avisava quando algum Weasley/Potter estava se aproximando, e ajudava o casal a inventar uma ótima desculpa para estarem juntos no horário em que deviam estar em aula, almoçando ou estudando... Para a loira, o romantismo e o amor deveriam ser incentivados desde cedo.

Tiago, que também estavam no auge dos seus 16 anos, ao contrário da bela prima loira, não namorava ninguém. Não era um garanhão como seu irmão mais novo, mas isso não significava que ele era um exemplo a ser seguido. Vira e mexe havia meninas apaixonadas, que se “jogavam” a seus pés e sonhavam com juras de amor que algum dia elas teriam a esperança de ouvir dele. Apesar de ter herdado a mania compulsiva por comida de Rony e o ciúme natural dos Weasley, também possuía características herdadas do pai, e uma delas era a compreensão... Embora, é claro, às vezes fosse bastante teimoso, ele sabia compreender determinadas situações e aconselhar, sempre que preciso... Mas essa compreensão era abafada quando se tratava de cuidar das primas e da irmã mais nova. Não importava pra ele quantos anos as meninas tinham, pois para Tiago, elas sempre seriam crianças que precisavam de proteção e sua teimosia quanto a esse assunto, era algo que tirava todas do sério! Especialmente Rose, que agora ouvia um lindo sermão de seu primo, por ter sido encontrada aos beijos, com Scorpius.

- Você não acha que é muito nova para ficar se exibindo assim? Por Merlin, Rose! Meninas da sua idade conversam sobre produtos pra cabelo, sobre revistas, sobre... Sobre...

- Garotos? – Vic sugeriu, tentando conter uma risada – Ah, não me olhe assim! Na minha idade você me chamava de chata e melosa por ficar exaltando as qualidades do Teddy!

- E você continua sendo, embora já tenha diminuído bastante a sessão “elogios a Teddy: O metamoformago” – Tiago retrucou de péssimo humor – E não fuja do assunto, você deveria me ajudar a dar uma bronca na Rose, que parece ter perdido o bom senso e fica se agarrando em público com essa doninha mirim!

- Tava demorando pra voltarem com os apelidos... – Scorpius murmurou.

- “Essa doninha”, tem nome! E por favor, Tiago! Não me venha dar lição de moral! Quem foi que ficou em detenção por estar se agarrando com Karen Ames dentro do armário de vassouras, no horário em que devíamos estar dentro do salão comunal? – Rose parecia uma perfeita cópia de sua mãe. Tinha uma das mãos na cintura, e com a outra gesticulava enquanto falava.

- Bom, eu... É...

- E não adianta vir com sermões, mocinho! Você está muito mais errado que eu! Fala da Vic por não tomar conta de mim, da forma que devia, enquanto você sai por aí fazendo coisas muito piores! Sabe-se lá Merlin o que aconteceu dentro daquele armário! – a ruiva repreendia o primo. Scorpius se perguntava como ela tinha essa facilidade em reverter a situação a seu favor – E não adianta me olhar assim, pois sabe que estou certa! Eu não estava fazendo nada demais!

- Você estava beijando esse garoto para quem quisesse ver!

- O que é melhor do que eu levar sua prima pro armário de vassouras não? – Scorpius se meteu na “briga” – Não seja hipócrita, Potter! Você reclama de nós, mas faz coisas piores! Cassandra Bynes ainda fala muito de você e do seu desempenho, segundo ela digno de um capitão de quadribol, pelo salão comunal da Sonserina, sabe?!

Naquele momento Tiago deu graças a Merlin por não ter os cabelos ruivos iguais aos da prima, se não poderia ser confundido com um autêntico tomate, devido à coloração que seu rosto assumiu.

- Deixe de ser teimoso Tiago! Eles se amam e não tem que ficar por aí bancando os santos! – Vic os defendeu.

- Tá bom, tá bom! – Tiago disse rendido – Mas ao menos tentem ser mais discretos! Do jeito que vocês estavam parecia que estavam colados!

- Nem vou comentar o que parecia quando você estava beijando aquela garota da Corvinal, qual é mesmo o nome? Ah sim, Parker! – Rose alfinetou – Ok, agora que já estamos entendidos, vamos encerrar esse assunto por aqui! Já chamamos atenção suficiente, graças aos berros do meu querido priminho! – a ruiva lançou um último olhar de censura pra cima de Tiago, puxou Scorpius pela mão e saiu de perto, antes que começassem mais uma discussão.

- Definitivamente, ela não é mais a mesma! – Tiago concluiu pasmo.

- Ela não tem mais 10 anos de idade... Se conforme logo Tiago, pois daqui uns dias você terá que viver a mesma situação com a Lily, e aconselho que seja mais flexível, pois como todos sabemos, ela puxou o gênio zombeteiro e forte da tia Gina! – Vic comentou descontraída.

- O dia que a Lily começar a namorar, eu serei condenado a prisão perpétua em Azkaban, por lançar um Avada no infeliz que encostou nela! – Tiago mantinha uma expressão séria e revoltada. Só de imaginar sua pequena irmãzinha namorando o deixava furioso, e fazia suas entranhas saltarem de irritação. Dando o assunto por encerrado, ele saiu caminhando em passos firmes, para o campo de quadribol, onde haveria treino da Grifinória. Na próxima terça a casa enfrentaria a Corvinal, num jogo amistoso, já que devido a grande repercussão que o Duelo entre as Casas havia causado, o corpo docente achou melhor não haver mais disputas que distribuíssem pontos aquele ano.



***




O último passeio em Hogsmeade, diferente dos outros que fizeram aquele ano, tinha um clima de despedida. Não que isso significasse que não fossem mais visitar a cidade, mas é que a cada passeio que faziam, aventuras novas aconteciam, e os alunos sempre tinham uma história para contar. Com as férias se aproximando, as únicas histórias que teriam para compartilhar, eram a das viagens, que obviamente sempre tinham um atrativo maior e mais interessante para aqueles que gostavam de se divertir.

O “Três Vassouras” era, sem dúvida, um local que os alunos se reuniam para conversarem descontraídos, enquanto saboreavam uma boa garrafa de Cerveja Amanteigada... E talvez fosse esse o lugar que mais sentiriam falta nas férias. Quantas confissões não foram trocadas a mesa daquele pub? Quantas brincadeiras não fizeram? Quantas conversas não jogaram fora? As férias, apesar de serem muito queridas e esperadas, sempre deixavam os jovens com uma estranha sensação de vazio. Sabiam que o próximo ano reservava para eles muitos desafios e que o pub estaria a espera de todos para que novamente pudessem compartilhar as fofocas de um dia a dia escolar, mas era inevitável não sentir falta daquela sensação de conforto que o local proporcionava.

Em uma mesa um pouco afastada, um grupo estava reunido, relembrando tudo que havia acontecido durante aquele ano. Riam e bebiam suas cervejas amanteigadas, descontraídos. Quem os visse, não imaginariam que antes daquela confraternização, passaram por várias coisas, que eram dignas de uma novela trouxa.

- Definitivamente, esse ano merece entrar para história, como o mais surpreendente de nossas vidas! – Lily disse, entre risos.

- Com certeza! Principalmente se formos contar pelo fato de que os dois inimigos de casa acabaram juntos e felizes! – Alvo comentou.

- Mas, vamos ser sinceros! Nenhum fato foi mais surpreendente e ao mesmo tempo, estranho, do que o tio Draco e o pai da nossa adorada Rosecreide, aceitarem fazer parte da mesma família, e aparentemente bancarem os amigos de infância! – Vincent disse – Agora só falta o tio Draco dizer que vermelho se tornou sua cor favorita e decidir tingir os cabelos, enquanto o Sr. Weasley, tenta a todo custo, achar a marca de uma oxigenada boa, para mudar o visual. – todos riram.

- Imagina Rose, seu sogro usando um dos suéteres tricotados pela vovó! – Fred disse.

- Seria realmente encantador, ver toda a família Malfoy vestindo um suéter verde, com a letra M bordada em cinza! – Rose brincou.

- Eu quero um suéter desses! – Scorpius falou.

- Olha, que bonitinho, o Scorpius já tá até querendo aderir a roupa da família! – Sophie ria.

- O Scorpius tá se bandeando pro lado vermelho da força! Daqui a pouco o veremos nos jogos de quadribol, torcendo ferozmente pela Grifinória, enquanto sacode uns pompons vermelho e dourado, e diz que o Potter é o melhor apanhador de todos os tempos! – Vincent zombou, e novamente todos gargalharam.

- O fato de namorar uma Grifinória, não me fez enlouquecer viu! – Scorpius disse – É o que eu disse pra Rose uma vez, me mandariam pro St. Mungus se me vissem gritar, a plenos pulmões na torcida da Grifinória: “Vai Potter, acaba com eles!”.

Todos riram novamente. Era impressionante como aqueles jovens tinham mais em comum do que imaginavam. Antes não podiam nem se olhar, sem que saísse uma grande discussão, que provavelmente lhes renderia uma detenção e menos pontos para suas casas. Mas agora, tudo estava diferente. É claro que eles não abandonaram o espírito saudável de competição, que a própria Hogwarts apoiava, mas agora, eles não se consideravam mais inimigos! Pelo contrário, pela forma que conversavam e se divertiam, poderiam ser considerados amigos de longa data.

- Sabe, só tem uma coisa que havíamos prometido, e não cumprimos até hoje! – Roxanne comentou.

- Não, não, não, definitivamente não! – Rose falou preocupada – Não é seguro, vocês sabem muito bem disso!

- Ah, qual é Rose! Você havia concordado com isso nas férias! – Fred falou.

- Eu fui obrigada a concordar, o que é diferente!

- Obrigada nada! Concordou porque quis! – Lily disse levemente aborrecida.

- Eu adoro essa família, sempre discutem algo que nos deixam boiando! – Vincent comentou, fazendo Scorpius e Sophie rirem – Ôô cabeças vermelhas e amantes de tal cor, será que podiam explicar o que estão falando?

- De uma promessa que fizemos, antes de iniciar o ano letivo... – Tiago falou sombrio.

- Uma promessa que teremos que cumprir hoje, já que é a última visita que faremos a Hogsmeade esse ano! – Hugo falou no mesmo tom que o primo.

- É uma loucura, isso sim! Não sei onde estava com a cabeça quando aceitei isso! – Rose disse indignada.



Flashback...

Rose, Alvo, Lily, Hugo, Victoire, Tiago, Roxanne e Fred, estavam reunidos no jardim d’A Toca, antes do jantar. Conversavam animados sobre a expectativa da volta a Hogwarts, e é claro, sobre o que fariam nos últimos dias de férias.

- Eu acho que esse ano deveríamos fazer algo realmente divertido! – Roxanne sugeriu – Algo que realmente fosse digno do sobrenome que carregamos! Merlin, pertencemos ou não as duas famílias que mais se meteram em encrencas durante a temporada em Hogwarts?

- Minha irmã está certa! Papai deve achar que nós somos a geração vergonhosa da família! Não aprontamos nada, e nem visitamos lugares que eles consideram perigosos! Tá mais que na hora de virarmos esse quadro e mostrarmos que não decepcionamos a expectativa dele! – Fred concordou.

- Eu devo estar ouvindo demais, só pode! Tô entendendo mal ou vocês estão sugerindo que nós façamos algo que nos meta em encrencas, possa nos levar a morte ou a expulsão? – Rose perguntou boquiaberta.

- É mais ou menos isso, só que tira a parte da morte, eu ainda sou muito jovem e papai não me perdoaria se eu partisse dessa pra melhor antes de receber uma ameaça de expulsão! Sabe como é, preciso orgulhar o velho! – Fred comentou e todos riram.

- Olha, eu não sou adepta a bagunças e definitivamente acho que deveríamos nos comportar, mas Fred e Rox tem razão! Até o tio Percy deve ter aprontado mais que nós... Tá, o tio Percy foi exagero, pois ele é como o tio Jorge diz: “A experiência que não deu certo na família” – Vic comentou e os primos riram novamente – Mas o papai e o tio Carlinhos são um exemplo... Até eles devem ter aprontado mais que a gente durante o tempo que ficaram em Hogwarts!

- Eu ainda acho que isso é uma loucura e que deveríamos preservar a boa imagem que temos! – Rose se mantinha imparcial.

- Qual é, Rose? Até a tia Mione já se meteu mais em encrenca que a gente! No primeiro ano ela ficou em detenção; no segundo foi petrificada; no terceiro voou em cima de um hipogrifo; no quarto inventou o movimento do F.A.L.E. e saiu com o Victor Krum; no quinto virou monitora, foi uma das fundadoras da A.D., e ainda por cima se meteu numa batalha no Ministério da Magia; no sexto ela enfrentou comensais da morte; e por fim, no sétimo ano, largou a escola e foi com o meu pai e o tio Rony, numa missão, na qual assaltou Gringotes e saiu voando em um dragão cego! – Tiago terminou de falar e encarou a prima, esperando alguma reação.

- Mas, mas...

- Rose, é sério, você tem que deixar de ser tão certinha! – Hugo falou – Eu acho que devemos fazer alguma coisa... Em grupo!

- É, mas para isso a Rose vai ter que concordar né... Temos que nos manter unidos se quisermos fazer algo diferente! – Lily falou.

- Ah Ro, vamos! Só dessa vez... – Alvo sorriu para prima. A ruiva, no entanto, ficou quieta... Pela expressão em seu rosto, era óbvio que estava travando uma batalha interna para saber se devia ou não considerar a idéia de fazerem algo diferente.

- Certo! – ela disse rendida.

- Palavra de bruxa? – Hugo perguntou.

- É claro! Ou acha que sou uma pessoa sem palavra? – Rose disse ofendida.

- Ok, já que a Ro aceitou, precisamos decidir o que fazer! – Vic disse.

- Eu tenho uma sugestão! – Rox sorria sapeca.

- Uma sugestão muito boa! – Fred sorria da mesma forma.

- E qual seria? – Lily perguntou curiosa.

- Casa dos Gritos... Local não habitado, aparentemente sombrio, e que nossos pais já visitaram! – Rox falou.

- Mas, nossos pais nos proibiram de ir até lá! É perigoso, não sabemos em que condições se encontra a casa, e...

- É exatamente por esse e outros tantos motivos que lá é um ótimo lugar! Precisamos conhecer essa famosa casa! – Fred concluiu – E aí, quem topa? – ele estendeu a mão.

- Eu tô dentro! – Tiago colocou sua mão sobre a do seu primo.

- Eu também! – Vic pousou a sua em cima da de Tiago.

- E eu! – Lily prontamente colocou a sua mão naquele meio.

- É claro que eu também! – Rox se adiantou e fez o mesmo movimento da prima.

- Eu tô nessa! – Hugo colocou a sua mão sobre a da Rox.

- Eu também! – Alvo também concordou, e quando havia colocado sua mão sobre a de Hugo, todos encararam Rose, a espera de sua resposta.

- Aff, se não tem outro jeito! – Ela pousou sua mão sobre a de Alvo e com um movimento rápido e um grito dizendo a frase: - “Unidos pra sempre” -, eles jogaram as mãos pro alto.


Fim do Flashback



- Deixa ver se entendi! Vocês prometeram, e o pior, fizeram a ruiva 100% correta de Hogwarts prometer que entrariam naquela Casa dos Gritos? – Vincent perguntou.

- Sim! – eles responderam em uníssono.

- Genial! Scorpius e Sophie, eu acho que deveríamos entrar nessa também! – Vincent sugeriu.

- Opa, só se for agora! Até porque eu não ia deixar minha ruivinha se meter nessa encrenca sozinha! – Scorpius concordou.

- Bom, se vocês dois vão, eu também irei! – Sophie disse.

- Certo, já que todos nós decidimos ir, vamos aproveitar que estão todos aqui, e sair de fininho, para que ninguém nos siga! – Tiago falou.

Pouco a pouco, os jovens foram deixando o pub. Quando todos já estavam do lado de fora, começaram a correr de volta para a escola. Quanto antes chegassem ao local, melhor seria, pois a chance de serem pegos tentando usar a passagem secreta do Salgueiro Lutador era mínima. Atravessaram os portões da escola, e continuaram correndo em direção a árvore mais perigosa de Hogwarts. Rose, é claro, fez todo o trajeto discursando sobre a periculosidade que aquela situação proporcionava.

Depois de chegarem à escola, irem até o Salgueiro e conseguirem fazê-lo parar de tentar matá-los com aqueles galhos, finalmente puderam entrar na passagem que os levava pra a Casa dos Gritos.

- Esse lugar me assusta! – Rose disse chorosa, agarrando firme o braço de Scorpius.

- Nos assusta! – disse Vic, que estava mais a frente, segurando a mão da Lily.

- Fiquem quietas, melhor caminharmos em silêncio! – Tiago repreendeu as duas.

Durante o trajeto, puderam ouvir ruídos e, conforme Rox jurava, vozes que gritavam pedindo socorro. Se assustavam a cada passo que davam e ouviam algum rangido, mas nada os faria desistir de conhecer a famosa casa de que seus pais tanto falavam. Depois de longos minutos, que para eles pareceram horas, caminhando naquela passagem escura e fria, finalmente chegaram a uma porta que dava acesso a casa.

- Não acredito que tá emperrada! – Tiago tentava empurrar a porta, mas ela nem se mexia – “Alohomora” – ele tentou o feitiço para abrir a fechadura, mas não obteve sucesso.

- Ah saiam da frente! – Rose passou pelos demais, sacou a varinha e gritou – “Bombarda” – a porta da passagem voou para longe – Pronto, agora quem vai ser o primeiro a entrar?

- Pra quem não queria vir, você até que foi bem apressadinha em abrir a porta! – Scorpius brincou.

- Claro loiro! Se eu for esperar eles pensarem em algum feitiço eficaz para abrir essa porta, nós vamos passar o dia aqui! – Rose disse rindo.

- Obrigada pela bela resposta, cópia ruiva da tia Mione! – Tiago disse rindo – Agora, como eu sou o mais velho, sugiro que o Fred entre!

- Eu? Por que eu? Como você disse, é o mais velho! Então é você que deve ser o primeiro! Ou então o Alvo! – Fred defendeu-se.

- Eu não! Manda a Roxanne, já que ela quem deu a idéia! – Alvo falou.

- Eu acho que a Vic deveria ser a primeira!

- Por que eu, Rox? Mande o Vincent! – Vic disse.

- Eu nem sou da família! Se querem sacrificar o pescoço de alguém, mandem o Scorpius como uma espécie de teste final para ser aceito por vocês!

- Eu torno a perguntar: Você tem certeza que é mesmo meu amigo? – Scorpius disse, sorrindo.

- AHHHHH JÁ CHEGA! EU VOU ENTRAR E PONTO FINAL! – Lily se enfureceu e passou pelos demais decidida a entrar na casa.

- É por isso que gosto dessa baixinha! Tão decidida! – Vincent comentou, fazendo os outros rirem. Logo, eles seguiram a mesma atitude de Lily e entraram na casa, que parecia ainda mais assustadora do que nas histórias narradas pelos seus pais.

Todos estavam reunidos em um cômodo da casa, visivelmente chocados. Não sabiam o que fazer ou o que dizer, cada coisa ali parecia ter sido colocada só para impressionar e assustar qualquer um que ousasse invadir o local. Teias de aranha tomavam conta dos cantos da parede e tudo estava coberto por no mínimo, 5 cm de poeira. As janelas estavam quebradas e com madeira em volta. O teto parecia que ia ruir a qualquer instante. O chão rangia a cada movimento, por mínimo que fosse. Definitivamente, aquela casa era digna do título assombrado que carregada.

- Ótimo, já vimos a casa, podemos voltar! – Rox falou, mas quando fez menção de se virar para ir embora, foi segurada pelo irmão.

- Nem pense nisso! Estamos juntos ou não? Até a Rose, que em outra ocasião estaria gritando e tentando nos convencer a voltar, tá parada e quieta! – Fred disse.

- Acho que a Rosecreide tá muito assustada pra ter qualquer tipo de reação! – Vincent brincou, mas mal acabou de falar, e uma risada, um tanto quanto fria e maquiavélica, ecoou pelo local, fazendo todos gritarem.

- MERLIN, VOCÊS OUVIRAM O QUE EU OUVI? – Vic disse histérica.

- VAMOS MORRER E EU NEM TERMINEI O 2º ANO! – Lily tinha lágrimas nos olhos.

- EU AVISEI! EU DISSE QUE NÃO DARIA CERTO! EU...

- CALA A BOCA ROSE! – Fred, Hugo, Tiago e Rox gritaram ao mesmo tempo.

- Vamos manter a calma! Talvez tenha sido fruto da nossa imaginação! – Alvo disse.

- Não sei quanto a sua, mas a minha imaginação não costuma produzir gargalhadas gélidas, dignas de bruxos malignos, sabe?! – Vincent debochou.

- Calados! – Sophie ordenou – Vamos manter a calma! Os sonserinos aqui somos apenas nós três! – ela apontou para si, para Scorpius e para Vincent – Vocês são grifinórios e deveriam ser os mais corajosos de nós!

Os primos se entreolharam e silenciosamente, concordara com o que Sophie havia falado.

- Bom, vamos andar para ver se encontramos a origem do barulho! – Tiago sugeriu e novamente, todos concordaram. Juntos, eles começaram a andar por alguns cômodos da casa. O silêncio reinou por algum tempo, até que o barulho de algo se quebrando, foi ouvido, e fez com que todos parassem subitamente.

- Eu tô com medo Tiago! – Lily correu para abraçar o irmão mais velho.

- Eu acho melhor a gente sair daqui e...

- Quem permitiu que vocês invadissem meus aposentos? – a mesma voz gélida, ecoou por toda a casa, só que dessa vez veio acompanhada de um barulho de correntes.

- EU QUERO O MEU PAAAAAAAAI! – Rose gritou, assustando os demais.

- Olha aqui, voz assustadoramente do mal, você não vai nos intimidar sabia? – Vincent disse – Ok, corrigindo a frase, você não vai intimidar esses grifinórios corajosos, pois eu já me sinto completamente intimidado!

- Obrigada Vincent! – Rox falou.

- Estamos às ordens! – Vincent deu uma piscadela, e logo ganhou um tapa da namorada, que estava tremendo de medo.

- Crianças abusadas, como ousam a atrapalhar meu sono? Eu posso acabar com vocês, antes que consigam murmurar um feitiço simples – a voz falou novamente.

- Essa voz não me é estranha... – Scorpius comentou mais para si, do que para os demais.

- Sabe, as pessoas costumam dizer que a beira da morte, tudo fica muito parecido, deve ser por isso que você não está estranhando! – Vincent comentou.

- É... Senhor fantasma... – Rose começou a falar com a voz totalmente embargada – Assim, desculpa ter invadido a sua casa...

- Que é muito bela e limpa!

- Claro, claro! Extremamente limpa!

- E bem decorada!

- Muito bem decorada... Mas a questão é que estamos de saída, foi um prazer em conhecer seu tão doce lar e o senhor também! – a ruiva concluiu.

- Ninguém saíra daqui, até me ver de perto! – a voz falou novamente, e logo em seguida, vários passos foram ouvidos, vindo na direção em que os garotos se encontravam.

- Olha, a gente fica contente só em ouvir sua voz mesmo, não precisa se incomodar! – Scorpius falou.

- Preparem-se para ver meu rosto, seus sujeitinhos indignos!

Os jovens, muito assustados, se juntaram em um canto do aposento, tremendo de medo. Lily e Rose já nem se preocupavam mais em esconder o choro! Os meninos tentavam acalmá-las, mas naquela situação em que estavam, eles é que precisavam ser acalmados. Todos fecharam os olhos, quando ouviram a porta do aposento em que estavam se abrir lentamente.

- Abram os olhos, seus covardes! – a voz ordenou.

- Desculpa aí seu fantasma, mas na condição que estamos, abrir os olhos não é a opção mais segura! – Vincent falou.

- Eu gosto que me olhem nos olhos, quando estou dando uma bronca!

Ao ouvirem aquela voz, todos abriram imediatamente os olhos e se depararam com dez pessoas paradas, os encarando com sorrisos nos rostos. Harry, Gina, Rony, Hermione, Draco, Astoria, Gui, Fleur, Jorge e Angelina, estavam no local.

- Mamãe, o que a senhora está fazendo aqui? – Hugo perguntou, chocado.

- Talvez eles não sejam nossos pais, e sim, fruto da nossa imaginação! – Alvo sugeriu.

- Essa coisa de imaginação tá dando nos nervos viu! – Vincent disse – É claro que são os pais de vocês! Tio Draco não permitiria que ninguém utilizasse sua imagem, nem que Merlin aparecesse e dissesse que pintaria os cabelos de loiro claríssimo! – todos riram e saíram correndo em direção aos adultos.

- Quer dizer que o dono dessa voz assustadora era sua pai? Eu sabia que conhecia esse tom mandão, de algum lugar... – Scorpius perguntou, abraçado ao pai.

- É claro! Se eu deixasse o Weasley ou o Potter encarnar esse papel, era capaz de vocês os assustarem! – Draco disse, sorrindo irônico.

- Mas... Como vocês...? – Rose perguntou.

- Vocês não foram muito inteligentes em combinar a invasão da casa dos gritos, no quintal da casa da avó de vocês não é?! – Rony começou a explicar.

- No dia que vocês estavam reunidos, Gina e eu tínhamos acabado de aparatar próximo aos jardins da Toca. – Harry continuou a explicação – Ao vermos vocês confabulados ali, eu disse a ela que entrasse discretamente, e com a capa de invisibilidade, me aproximei de vocês para saber o que estavam armando.

- Tio, isso é invasão de privacidade! – Rox protestou.

- Invasão de privacidade, mocinha? – Angelina encarava a filha com uma expressão de censura e diversão – Se não fosse seu tio, não saberíamos que vocês viriam até aqui!

- Mas espera, tem alguma coisa errada! Tudo bem que vocês soubessem do nosso plano, mas como explicam o fato de estarem aqui, justamente hoje? Nós dissemos que viríamos até a Casa dos Gritos, mas não comentamos quando seria! – Lily concluiu sabiamente.

- Conhecendo bem os filhos que temos, nós deixamos um “espião” em Hogwarts! – Gui disse.

- Ei, não olhem pra mim, eu não informei ninguém! – Rose apressou-se em dizer, ao ver os olhares dos jovens recaírem sobre si.

- Claro que não deixamos a Rose como espiã! – Hermione tomou a palavra, e rapidamente, todos, inclusive os adultos, se sentaram nas almofadas que Jorge havia conjurado na hora que ela fez menção de falar. Sabiam perfeitamente que o discurso agora seria longo – Quando Harry nos contou da loucura que pretendiam fazer, eu me encarreguei de pedir a Neville que ficasse de olho em vocês! Não queria que nada de errado acontecesse, então pedi para que ele, disfarçadamente, observasse e qualquer movimento suspeito, em direção ao salgueiro lutador, nos informasse imediatamente! – a morena caminhava de um lado para o outro, enquanto falava – Constantemente recebíamos notícias de que vocês estavam calmos, e que nem durante os passeios a Hogsmeade se aproximavam da casa, então conclui que haviam desistido de tal plano absurdo. Mas hoje, enquanto estávamos todos reunidos na casa da Fleur, o patrono de Neville rompeu a parede da cozinha, nos informando o que vocês estavam fazendo. Rapidamente, Harry mandou um patrono para Draco, que aparatou junto com Astoria próximo à casa do Gui, e imediatamente, todos nós aparatamos em Hogsmeade, e viemos para cá.

- Sabe mamãe, às vezes você me assusta! – Rose disse boquiaberta.

- Assusta por quê? Você é igual a ela, Ro, não reclama! – Hugo retrucou.

- Bom, já que fomos descobertos, e todos estamos muito felizes com esse reencontro familiar, nessa casa tão assustadora, podemos voltar a Hogwarts e encarnar novamente o papel de estudantes felizes que não se metem em encrencas! – Vincent sugeriu.

- Claro que sim! – Gina disse sorrindo – Vocês voltarão a Hogwarts, serão alunos felizes, e espero que tenham ensaiado uma bela música, para cantarem durante a detenção que vocês irão pegar!

- Detenção? Como assim detenção? – Fred arregalou os olhos.

- Fred tem razão, como nós vamos receber uma detenção se não tem ninguém para nos aplicar uma? – Alvo perguntou.

- Aí é que vocês se enganam! – Harry começou a explicar, com um sorriso maroto nos lábios – Rony e eu, apesar de termos acabado nosso trabalho no Clube dos Duelos, ainda estamos inscritos no corpo docente de Hogwarts.

- E isso significa...? – Tiago perguntou, mas foi Rose que respondeu.

- Significa que mesmo que não estejam mais comparecendo a escola para nos darem aulas, eles ainda têm total poder para nos aplicar castigos!

- Essa minha filha é realmente um gênio! – Rony disse sorrindo – Então, vamos logo distribuir os castigos! Pela ousadia de virem até aqui e quebrarem diversas regras da escola, tiramos 50 pontos da Grifinória e 50 da Sonserina!

- NÃO, ISSO É INJUSTO! – Todos protestaram.

- Quietos! – Harry ordenou – Agora sim! – sorriu – Agora, pela coragem e talento por se meterem em encrencas, concedo as duas casas os 50 pontos que perderam! O que os deixa na mesma posição que se encontravam antes.

- Tá... E qual será nosso castigo? – Sophie perguntou.

- Essa eu respondo! – Hermione falou – Vocês vão ter que limpar a sala de troféus!

- Limpar a sala de troféus.... DE HOGWARTS? – Roxanne arregalou os olhos.

- Isso aí filha! – Jorge disse animado – Eu sei que sempre cobrei de vocês um comportamento travesso e digno de um verdadeiro Weasley, mas esqueci de avisar que pra toda ação existe uma reação... E para vocês a reação é deixar os troféus brilhando!

- E não precisam se preocupar com o tempo! – Gui disse divertido – Todos têm uma semana para deixar aquela sala impecável! Vic, minha filha, tenho certeza que suas unhas irão ficar lindas sujas de poeira!

- Minhas... unhas? – ela perguntou chorosa – Eu nunca mais apronto nada!

- Ah, vocês estan esquecend’ algo mui imporrrrrtant’ – Fleur disse – Eles eston de castigo!

- Como assim castigo? – Scorpius perguntou indignado – Vamos ter que fazer a limpeza na sala de troféus e vocês ainda querem nos castigar?

- Claro meu pequeno! – Astoria disse com um belo sorriso – Vocês foram proibidos de virem até aqui, e mesmo assim ignoraram e vieram... Nada mais justo que sejam castigados por isso!

- Bom, essa reunião familiar é realmente muito útil, então eu vou indo nessa pra deixar vocês conversarem mais a vontade! – Vincent disse – Sophie, venha comigo!

- Aonde você pensa que vai? – Draco perguntou – Ah claro! Deve pensar que pelo fato de seus pais não se encontrarem aqui, você e a Sophie estão livres disso... Mas saiba, caro Vincent, que antes de sair eu informei a meus amigos a trapalhada dos filhos deles, e digamos que tenho carta branca para castigá-los do jeito que quiser! – ele sorriu sarcástico – É meu rapaz, as coisas nem sempre são do jeito que queremos!

- Tio Draco, o senhor gosta mesmo de estragar a felicidade alheia ou faz isso sem notar? – Vincent perguntou divertido.

- Digamos que minha função é estabelecer ordem, e para isso eu não me importo em estragar a felicidade de ninguém!

- Ou seja, faz isso por imenso prazer! – todos riram.

Depois da longa conversa em família, e de Harry, Ron e Mione, contarem, pela milésima vez, as loucas aventuras que viveram naquela Casa dos Gritos, os jovens retornaram a Hogwarts, acompanhados pelos seus pais. É claro que assim que pisaram na escola, receberam uma bela bronca da diretora McGonnagal, que insistiu que eles não deveriam ter feito aquilo, que era um desrespeito as normas da escola, e que é claro, estariam de detenção por causa dessa atitude! Coisa que todos já sabiam, pois seus pais haviam deixado bem claro, durante o tempo que passaram fora. Após a nova bronca, todos se despediram de seus pais e voltaram para suas casas. Definitivamente haviam aprendido a lição: Se quisessem combinar de aprontar alguma coisa, não deveriam fazer isso nos terrenos da Toca!



***




A última semana na escola estava passando bem rápido. A maioria dos professores já havia distribuído as notas dos exames e passado trabalhos para serem feitos durante as férias. Como não havia mais matéria a ser dada, os alunos ganhavam geralmente as tardes de folga, o que os animava ainda mais. A ansiedade para que sábado chegasse logo e eles embarcassem no trem de volta para casa, era cada vez maior! Toda aquela tristeza por estarem deixando Hogwarts mais uma vez, foi completamente substituída pela alegria de reencontrar os familiares e se divertirem como nunca.

Naquela quinta-feira, os alunos do quarto ano estavam na sala, recebendo a última nota que faltava ser entregue: História da Magia. As caretas que os alunos faziam em desaprovação aos resultados do exame eram dignas de uma competição para eleger quem fazia a melhor de todas. Mas, eles já esperavam por isso. Nenhum deles, exceto Rose, ficavam acordados ou prestavam atenção no professor, por mais de 5 minutos, e é claro, que isso dificultava o estudo, já que nunca anotavam nada e se viam desesperados, a véspera dos exames.

- Eu realmente me pergunto por que vocês não se empenham nessa matéria digna de atenção! – O professor Binns falava, com seu olhar perdido e desconcentrado de sempre – A única a tirar uma nota exemplar, foi...

- A ROSE WEASLEY! E O SENHOR ACABOU DE CONTAR UMA NOVIDADE INCRÍVEL! – Vincent gritou, arrancando risadas de todos, inclusive de Rose.

- Meu jovem, gosto de respeito em minha aula! – o fantasma falou levemente aborrecido.

- Aula? Qual é professor, com todo o respeito que vossa presença fantasmagórica merece, ninguém aqui, exceto a ruiva ali na frente, presta atenção em uma palavra que o senhor diz! – Vincent comentou, ainda rindo.

- Por que não são bons alunos!

- Porque nós somos espertos! – ele sorriu – Agora é sério, vou fazer uma pergunta realmente importante!

- Diga meu rapaz...

- O senhor já tentou seguir a luz prateada que deve brilhar a sua volta? – Vincent perguntou sério. Scorpius e Sophie fizeram um imenso esforço para não rir.

- Que luz? – o professor perguntou confuso. – Não tem luz nenhuma!

- Claro que tem! Eu li isso num livro trouxa, muito interessante, era algo a respeito de fantasmas e seus assuntos inacabados, sei lá... Enfim, VÁ PARA LUZ PROFESSOR BINNS! – Vincent começou a dizer. Scorpius soltou uma gargalhada enorme, sendo seguido pelos demais alunos, que não conseguiam prender o riso, diante da atitude do moreno.

- Que assunto inacabado? Não tenho assunto inacabado!

- VÁ PARA LUZ SENHOR, E NOS DEIXE LIVRE DE SUA PRESENÇA TRANSPARENTE!

- Mas não tem luz nenhuma! – O fantasma recuava em direção ao quadro, com uma expressão chocada.

- SIGA A LUZ, VÁ PASSEAR NOS BELOS CAMPOS PRATEADOS ONDE OUTROS FANTASMAS SE REÚNEM! – Vincent falava, como se quisesse realmente expulsar a presença de alguma alma penada da sala.

- Senhor Williams, comporte-se ou terei de dar uma detenção, e... – o fantasma de repente olhou para o lado e ficou parado – Merlin, realmente eu vejo uma luz!

- Eu disse, há uma luz em volta do senhor!

- Uma luz amarela e trepidante – O fantasma começou a voar em direção a tal luz.

- Professor, sem querer estragar sua felicidade, ISSO AÍ É A VELA! – Scorpius disse entre risos.

- Ah sim, claro! – o professor ficou desconcertado por alguns instantes – Estão... Estão todos dispensados!

Sem esperar uma segunda ordem, os alunos jogaram o material dentro das mochilas e saíram correndo para fora da sala, enquanto o professor Binns estava ainda parado, olhando em volta, provavelmente procurando a tal luz que Vincent insistiu em dizer que havia.

- Merlin, eu... Eu realmente me pergunto de onde você tira essas idéias! – Rose disse, tentando se recuperar da dor na barriga, que a sessão de risos lhe causou.

- Eu já desisti de tentar entender! – Sophie disse.

- Vocês reclamam agora, mas bem que riram quando eu mandei o professor seguir a luz! – Vincent defendeu-se.

- Ele seguindo a vela foi a melhor parte! – Alvo comentou.

- Todo esse assunto foi realmente engraçado, mas que tal andarmos rápido e irmos logo pro salão principal! Eu tô faminto! – Scorpius comentou.

- Xiiiiiii, a convivência com os Weasley tá te fazendo mal! Já tá até virando um esfomeado! – Vincent disse e gargalhando, todos seguiram para o salão.



***




Depois do almoço, os alunos correram para suas Casas, para se livrarem do uniforme. O dia estava muito quente, e como novamente teriam aquela tarde de folga, quanto mais rápido tirassem aquelas capas, meias e gravatas, e vestissem roupas leves, melhor seria.

Os meninos vestiam apenas bermudas e camisas regatas, e as meninas shorts ou saias, com blusinhas leves. Scorpius não fugia a regra dos rapazes. Estava parado ao lado da porta de entrada do castelo, esperando que Rose aparecesse, para juntos, irem encontrar os amigos perto do lago. Vestia uma bermuda preta, uma camisa regata cinza, deixando a mostra seus belos braços, que graças ao quadribol, estavam com os músculos definidos. As meninas que passavam por ali, faziam questão de sorrir e acenar para ele, como se fossem chamar atenção de alguma forma. Ele nem se importava e apenas ignorava as cantadas descaradas que recebia. Scorpius era o objeto de desejo de 8, entre 10 meninas de Hogwarts.

“Por que as mulheres precisam demorar tanto pra se arrumar?”, ele pensou, mas logo tudo foi varrido de sua mente, quando a sua frente viu Rose. Ela vestia uma saia rosa e uma blusinha branca, uma roupa simples, mas jurou nunca tê-la visto tão linda. Sentiu-se um pouco enciumado ao ver que assim como as meninas babavam em cima dele, os meninos praticamente se viravam pra ver Rose passar, e ele não gostou nem um pouco disso.

- Desculpa a demora, eu... – a ruiva não conseguiu terminar a frase, pois Scorpius a puxou pela cintura e a beijou, pegando a menina de surpresa. Rose correspondeu o beijo, e envolveu seus braços em volta do pescoço do namorado, e ele logo tratou de erguê-la e girá-la no ar.

- Eu te amo, sabia?! – ele disse, ainda abraçado a ela.

- Eu também te amo! – ela sorriu – Agora me coloca no chão, antes que minha saia suba!

- Ah é mesmo! – Scorpius soltou a menina – Acho que você não deveria andar com essas pernas a mostra sabia?!

- Ah não?! Desde quando você se importa com o que eu visto? – ela perguntou, cruzando os braços na frente do corpo e erguendo uma das sobrancelhas.

- Desde quando os olhares masculinos da escola recaem sobre suas pernas! – ele respondeu, sem esconder o ciúme.

- Então eu devo começar a me preocupar com suas roupas também, já que o núcleo feminino não tira os olhos de você e dos seus músculos bem trabalhados pelo quadribol! – Rose retrucou – E quer saber?! Melhor eu ir andando, antes que a gente comece a brigar por uma coisa tão boba! – ela deu as costas e saiu andando. No meio do caminhou, parou e virou para trás – Você não vem?

- Não, obrigado! Nós podemos brigar, esqueceu? – ele respondeu irônico.

- Scorpius, não começa vai! – a ruiva pediu.

- Quem começou foi você! – Scorpius disse indo na direção que ela estava.

- Eu não comecei nada! Só quis evitar uma briga! – ela protestou.

- O que não deu muito certo, já que mesmo tentando evitar, estamos brigando! – ele respondeu ainda irônico.

- Por que você quer! – Rose protestou.

- Não! – o loiro se aproximou perigosamente da menina e a encarou – Não preciso fazer esforço para brigarmos, já que isso é da nossa natureza!

- Mas eu não quero brigar com você!

- Já está brigando! – ele sorriu sarcástico.

- Aff, desisto! – Rose se virou, mas logo sentiu o loiro dar um puxão em seu braço, a fazendo virar e encará-lo.

- Não, eu não vou deixar você desistir! – ele a beijou novamente, mas dessa vez foi um beijo mais provocante. Era como se a desafiasse sair dali e parar de beijá-lo, coisa que obviamente não aconteceu.

- Você não presta! – Rose disse com um sorriso, quando se separaram.

- Eu sei que não, mas você me adora mesmo assim! – Scorpius sorriu debochado – Então, que tal irmos dar uma volta... Tipo, na sala precisa?

- Vincent e Sophie estão nos esperando!

- Eles arrumam algo pra fazer na nossa ausência! Tenho certeza que imaginação não falta aqueles dois...

Rose sorriu e puxou o namorado pela mão, de volta ao castelo. Não demorou para eles chegarem a sala precisa. Mal entraram, e a ruiva tratou de empurrar o loiro contra a parede e dar um beijo provocante.

Scorpius correspondeu o beijo da mesma forma. Pressionava a cintura da menina com tanta vontade, que ele tinha certeza que aquela atitude poderia deixá-la com algumas marcas, mas embora quisesse parar, não conseguia controlar a vontade de senti-la mais perto.

Rose correspondia cada toque do namorado a altura. Suas mãos deslizavam pelas costas do rapaz, enquanto o beijava com vontade.

O casal ficou naquele ritual de beijos e provocações durante um longo tempo. Perderam completamente a noção do horário, enquanto estavam na sala.

- Definitivamente, minha coxa ficará marcada! – Rose brincou.

- Bom, você ainda pode usar calça comprida pra esconder as marcas que meus apertões lhe causaram, eu terei que me virar pra esconder esses arranhões, que a senhorita fez! – Scorpius fingiu-se de indignado.

- Reclama agora, mas bem que tava gostando!

- Gostando muito pra ser sincero! – ele sorriu maroto e puxou a menina para mais um beijo, dessa vez, um pouco mais calmo que os outros. Aqueles dois haviam sido feitos um pro outro, e agora que todos sabiam disso, eles queriam mais é aproveitar cada segundo juntos. Afinal, a melhor parte de estar com alguém que se ama é aproveitar tudo da melhor forma possível...



***




Sonserina, Grifinória, Lufa-Lufa e Corvinal... Quatro casas distintas, que separam seus alunos de acordo conforme suas características. Mas, seria correto afirmar que os alunos que entram em cada casa possuem apenas as qualidades que ela representa? Será que um Sonserino é 100% frio e calculista, com manias elitistas de sangue puro? Os Grifinórios são sempre corajosos? Os Lufa-Lufas sempre terão bom coração? Os Corvinais são tão inteligentes a ponto de não precisarem de ninguém?... A resposta para essas perguntas é e sempre será apenas uma: Não!... Apesar de serem selecionados para as casas conforme suas qualidades, eles também possuem características das outras a que não pertencem. Todos são um pouco egoístas, bons, maus, inteligentes, amigos, inimigos, sensíveis, frios, corajosos, medrosos, e apesar de apenas um desses adjetivos sobressair, os outros existem, mas ficam escondidos, esperando apenas uma oportunidade para aparecer e surpreender os demais, que não esperavam que possuísse tal qualidade.

Na noite de encerramento, as quatro casas encontravam-se dispostas no Salão Principal. Todos os alunos vestiam seus uniformes e sentavam em suas devidas mesas, a espera do início da confraternização. Conversavam animados, enquanto observavam o movimento na mesa dos professores... Provavelmente haveria algum convidado especial, que fosse discursar sobre a importância daquele ano e como o próximo reservava surpresas e mais aprendizado.

A diretora Minerva McGonnagal, sempre foi uma mulher sensata e inteligente. Soube lidar com diversas situações em toda sua carreira, fossem elas boas ou más. Havia aprendido, com seu grande amigo Alvo Dumbledore, que paciência e sabedoria eram a chave para guiar um colégio respeitável como Hogwarts, e ela cumpria isso a risca, pois não queria falhar em sua tarefa e muito menos decepcionar os pais e professores que confiavam cegamente em seu trabalho.

Naquela noite, Minerva se levantou de sua cadeira, e antes de anunciar a casa vencedora daquele ano e o banquete que viria logo em seguida, tomou a palavra para fazer um breve discurso, coisa que pegou todos os alunos de surpresa, já que ela costumava discursar apenas no final das refeições.

- Boa noite! – ela esboçou um singelo sorriso e abriu os braços, como se quisesse abraçar todos os alunos, gesto que fez os outros professores lembrarem imediatamente de Dumbledore – Sei que peguei muitos de surpresa, mas antes de começarmos a confraternização, gostaria de dar uma pequena palavrinha. Esse ano houve várias novidades que mexeram com os ânimos de vocês. Tivemos o Clube dos Duelos, o cancelamento do Campeonato de Quadribol, o Baile de Máscaras, os aumentos de visitas à Hogsmeade... O corpo docente planejou tudo para que fosse proporcionado a vocês, um ano agradável e emocionante! Não nego que no início achei que tantas novidades não fossem dar certo, mas com o tempo e a ajuda, não só dos professores, mas de seus pais e é claro de vocês, conseguimos atingir nossos objetivos. – Minerva olhou novamente para os alunos – Bom, mas para falar melhor desse assunto, eu trouxe aqui, duas pessoas que tenho certeza que vocês conhecem muito bem e que por sinal os adoram. Sr. Potter e Sr. Weasley, queiram vir à frente por gentileza! – mal a diretora anunciou os convidados e o salão explodiu em aplausos e gritos de felicidade. Harry e Rony sem dúvida, eram os professores mais adorados da escola.

Os dois cumprimentaram a diretora e acenaram para os alunos, que retribuíram o gesto com sorrisos estampados nos rostos. Harry e Rony se entreolharam. Sabiam que estavam ali para fazer um belo discurso, se portando como professores responsáveis, mas ao tomar a frente, verem os alunos e se entreolharem, logo chegaram à conclusão que precisariam falar não como mestres e sim como amigos.

- Boa noite alunos! – Harry começou – Espero que essa noite seja bastante animada para vocês, já que é o encerramento do ano letivo! Na época que eu estudava em Hogwarts, noites como essas eram o fim para mim...

- Mas isso era porque você tinha que voltar pra casa e encontrar um tio maluco, uma tia fanática por limpeza e um primo que mais parecia um porco, do que um ser humano! – Rony disse, e todo o salão explodiu em risadas – A propósito, boa noite galera!

- Voltando ao assunto que meu cunhado fez o favor de interromper... – o moreno disse entre risos – Hogwarts sempre foi como um lar para mim! Quando eu descobri que não era uma criança igual às outras e que tinha dons especiais, não acreditei... Para mim bruxos eram personagens de contos de fadas trouxas, e as coisas que eu fazia de diferente, eram coincidências ou talentos que eu não havia descoberto. Quando Hagrid apareceu, me contou toda a verdade e me trouxe a Hogwarts, eu pude conhecer o significado das palavras Amor, Amizade e Lar... Essa escola me ensinou tudo isso durante o tempo que aqui estive.

- Mas é importante lembrar, que em nossa época, nem tudo foram flores… – o ruivo tomou a palavra – Enfrentamos diversos perigos, obstáculos, e vivemos tragédias, que crianças da idade de vocês jamais poderiam sonhar que fosse possível acontecer…

- Rony tem razão! Na época que vivemos aqui, as coisas não eram tão calmas, embora todos se esforçassem para ser!
- Não teve um ano que nosso amigo Harry aqui, não sofresse algum atentado! – novamente todos riram.

- É verdade... Apesar de Hogwarts ser meu lar, e todos tentarem nos manter a salvo dos perigos, Rony, Hermione e eu nunca tivemos uma infância normal... Sempre fui perseguido na época da guerra, e os dois sempre estiveram ao meu lado, me dando força e me ajudando a superar meus limites e enfrentar os problemas. Se não fossem eles, talvez eu não estivesse aqui! – Harry olhou para o cunhado e depois para a mesa em que os professores estavam sentados. Todos estavam visivelmente emocionados – Sabem, vocês podem sempre ouvir conversas de que as Casas devem ser inimigas, e de que devem sempre se enfrentar, mas se tem uma coisa que eu aprendi durante todo tempo que passei aqui, é que a união é a chave principal para o sucesso...

- E a amizade é o ingrediente mais importante da vida! – Rony completou – Com os amigos, aprendemos diversas coisas... A rir, chorar, ouvir, compreender, brigar... Enfim, acabamos compartilhando diversas experiências, que na hora podemos não achar importante, mas depois, com o passar do tempo, percebemos o valor daquele momento vivido. É isso que vocês devem aprender agora! Hogwarts não é somente um local para vocês estudarem e desenvolverem seus poderes da melhor forma. É também uma escola para vida, e a cada dia que passa, aprendemos coisas especiais e de valores inestimáveis. Dêem valor a esse segundo lar de vocês, e não percam tempo com brigas tolas entre casas. Competições saudáveis, como o Clube dos Duelos ou o Campeonato de Quadribol, são sempre bem vindas, mas não deixem o espírito competitivo dominar vocês de tal forma, que se neguem a perder...

- E não deixem o orgulho e a vaidade serem os sentimentos prioritários! Dêem valor a pequenas coisas, como umas boas risadas ao lado dos amigos! – houve uma pausa, em que todos se entreolharam – Agora, falando como professores, devo dizer que aprendi muito com vocês!

- Eu também, principalmente a ser mais tolerável e a engolir meu orgulho! – Rony disse, olhando da mesa da Grifinória, para a Sonserina – Se fosse há algum tempo, eu não poderia vir aqui a frente fazer esse discurso sobre não dividirem as casas, e não serem competitivos. Para ser mais exato, há um ano, se eu viesse aqui falar com vocês, incentivaria a disputa e ainda diria que a Sonserina não deveria ganhar de jeito nenhum – ele disse, arrancando mais risadas – Mas esse ano aconteceu algo que eu jamais poderia prever... A minha filha se interessou pelo filho do meu “ex-inimigo”...

- Para quem não sabe, Draco e Rony mantiveram durante todos esses anos uma disputa que vinha dos tempos de colégio... Sim, nessas horas eu dou razão a Hermione por dizer que meu cunhado não tem um bom senso crítico! – o moreno disse divertido.

- Cala a boca, Harry! – o ruivo deu um tapa na cabeça do cunhado e continuou – Como eu ia dizendo, minha pequena filha e o filho do Draco se envolveram... Talvez para muitos esse assunto seja um pouco estranho, mas tem tudo a ver com a história do orgulho, que há pouco falávamos... Eu realmente fiquei chocado quando soube desse relacionamento! Não queria aceitá-lo de nenhuma forma, pois isso iria ferir meu orgulho Weasley! Como eu, iria pertencer a mesma família que o Malfoy??? Já imaginaram a cena, duas pessoas que não se suportam, fazendo parte da mesma família? Pois então, para minha surpresa, até o Malfoy compreendeu essa situação antes de mim...

- O que não é novidade, pois segundo a Mione, você tem um emocional do tamanho de uma colher de chá!

- Harry se você não ficar quieto, eu te azaro!

- Pedindo com tanto jeito, não tem como recusar!

Todo o salão ria da conversa dos professores. Minerva, particularmente, estava bastante satisfeita com o que via e ouvia! Teve certeza que não havia errado ao pedir que os dois fizessem o discurso em seu lugar.

- Enfim, retomando do ponto em que tinha parado, o que eu quero dizer com toda essa história, é que esse ano, graças ao romance da minha filha com o Scorpius, eu aprendi, e de uma forma nada agradável, pois foi o Draco que me ensinou, e eu detesto admitir essa parte, que não adianta alimentarmos um orgulho idiota, que é capaz de machucar outras pessoas... Acho que quero passar exatamente para vocês é que jamais deixem esse sentimento falar mais alto! Aprendam a enxergarem a necessidade dos outros, antes de tomar qualquer atitude, pois vocês podem magoar os demais, e algumas feridas não têm cura!

- Pra encerrar... – Harry retomou a palavra.

- Nossa! Agora você falou igual aqueles palestrantes chatos, que só pra prenderem a atenção, dizem “Pra encerrar” e falam por mais meia hora! – Rony zombou.

- Olha só quem fala... Deu maior discurso aí sobre amor e orgulho, e vem reclamar de mim? – o moreno disse rindo.

- Vamos encerrar logo, os meninos devem estar morrendo de fome!

- Rony, eles não são como você! Não são fanáticos por comida!

- FALE POR VOCÊ PAI, EU TÔ FAMINTO! – Tiago gritou da mesa da Grifinória, fazendo todos rirem.

- Tá vendo, meu sobrinho me entende!

- Porque seu sobrinho de mim, só puxou a cor dos cabelos! – Harry ria – Agora, pra encerrar, e isso é sério, eu gostaria de desejar a todos, boas férias!

- Divirtam-se bastante e se forem se meter em encrencas, façam isso com segurança, ou seja, longe dos pais! – Rony sorriu maroto e junto com o Harry, voltou à mesa dos professores.

Depois do papo de amigos que Harry e Rony tiveram com os alunos, finalmente havia chegado à hora do tão esperado banquete. Como sempre, Hogwarts sempre oferecia o melhor da culinária para todos, e aquela noite não foi diferente. Os pratos estavam caprichados, as sobremesas estavam divinas, tudo do bom e melhor foi servido e aproveitado por todos.

- Eu adoro os banquetes da escola! – Tiago comentou.

- Você adora qualquer refeição de Hogwarts, independente se for ou não um banquete comemorativo! – Vic zombou e todos riram, inclusive o próprio Tiago.

Assim que a refeição terminou, Minerva se colocou novamente de pé, e dessa vez os alunos sabiam que era para anunciar a casa vencedora, coisa que deveria ser feita antes do jantar, mas devido ao longo discurso de Harry e Rony, ela optou por deixar isso para depois.

- Agora que já estamos satisfeitos, acho seguro retomar a palavra! – Minerva começou – Não farei discurso, pois creio que vocês não agüentariam mais uma sessão de palavras comoventes! – sorriu – Esse ano, a disputa das Casas foi bem acirrada! Todos competiram de forma saudável e lutaram para ganhar pontos, e é por esse motivo que dou meus parabéns a todos vocês, pelo esforço e pela dedicação! Mas, sabemos que somente uma casa deve sair campeã, então, vamos à classificação!... Em quarto lugar, ficou a casa da Lufa-Lufa, com 350 pontos. – todos aplaudiram a Casa – Em terceiro lugar, ficou a Corvinal com 585 pontos! – novamente houve uma salva de palmas.

- Merlin, a disputa é entre a Sonserina e a Grifinória! – Rose comentou.

- Como se isso fosse realmente uma surpresa! Há anos a Sonserina e a Grifinória estão na disputa! Não esperava que mudasse agora né?! – Fred disse.

- Silêncio, ela vai falar! – Lily ordenou.

- Agora, vamos ao segundo lugar... – Minerva fez um pouco de suspense, deixando todos ainda mais ansiosos – Com 750 pontos, a Sonserina ficou na segunda posição, e... – a voz da diretora foi completamente abafada pelos gritos, aplausos e vaias que tomaram conta do Salão Principal. Os Grifinórios não queriam nem saber com quantos pontos haviam ganhado a disputa, o importante era que eles haviam vencido e isso merecia uma comemoração digna. Minerva até que tentou retomar a palavra, mas desistiu quando viu os alunos se levantarem, e começarem a sair. Sabia que agora, os Grifinórios estavam tomando o rumo do salão comunal, e ela não queria mais impedir tal festa.

Quem pensa que a festa durou somente algumas horas está completamente enganado! Os Grifinórios viraram a noite comemorando a vitória, e tal festa foi acompanhada de muita Cerveja Amanteigada e muitas comidas trazidas pelos elfos da cozinha da escola. Todos beberam, dançaram, comeram, gritaram... Dormir? Ah, eles teriam tempo suficiente para fazer isso na viagem de volta para casa, agora eles queriam era aproveitar e foi o que fizeram! A festa durou até o nascer do sol, quando finalmente os alunos se tocaram e foram terminar de arrumar suas coisas às pressas! Aquela noite havia sido ótima...



***




Mais um ano se passou e hora de voltar para casa... É interessante como às coisas terminam, não?! Espera um pouco, mas quem falou que tudo realmente terminou? Ora, estamos apenas no começo de uma história, que se depender do amor de Scorpius e Rose não terá fim jamais.

Mas, se formos analisar por um outro aspecto, é realmente engraçado pensar sobre esses dois... Rose Weasley, a garota modelo da escola. Inteligente, esperta, bonita, simpática, séria, sempre teve tudo que quis. Seus pais nunca se importaram em lhe dar do bom e do melhor, sua família sempre a deixou fazer as coisas que queria, até porque sabiam que ela era uma jovem sensata e não se meteria em encrencas! A única coisa que Rose não podia fazer, era simples: se aproximar ou se envolver com Scorpius Malfoy, já que seu pai nunca aceitaria tal fato!... Ai, ai, é como dizem, se você não quer que algo aconteça, não proíba que é pior! Justamente Scorpius, o garoto que ela não podia se apaixonar, e muito menos pensar em ser simpática, foi quem mexeu com o seu coração! O destino sempre prega peças não? E é engraçado pensar nisso, quando tudo que você não quer, acontece! Com tantos garotos em Hogwarts, muitos deles bonitos e interessantes, somente um loiro sonserino foi capaz de fazê-la perder o controle e esquecer todos os avisos que seu pai havia lhe dado a respeito disso: “Não se aproxime de um Malfoy!”; “Nunca confie no filho da doninha!”; “Acabe com ele, graças a Deus você herdou a inteligência de sua mãe!”... Tantos avisos, para no final, ela se ver completamente apaixonada pela única pessoa que não poderia!

Com Scorpius Malfoy as coisas não foram tão diferentes. Assim como Rose ele tinha tudo que queria, e sempre foi considerado por muitos, um rapaz arrogante por sempre ter as melhores coisas, e muitas vezes aparecer com novidades que ainda estavam para ser lançadas... Mas é assim, o sobrenome Malfoy sempre teve esse efeito sobre as pessoas. Para alguns, o lema dessa família era o seguinte: “Se não pode com eles, obrigue-os!”, mas Scorpius nunca se importou muito com isso. Aliás, ele sempre foi um rapaz diferente dos demais! Qualquer um em seu lugar se gabaria das coisas que tem, e sairia por aí se exibindo para os demais como um bobo da corte, mas ele, Scorpius Malfoy, não se importava muito com o fato de ser rico e ter o mundo a seus pés. Tudo sempre havia sido tão fácil... Ou melhor, quase tudo, afinal de contas, desde que certa ruiva começou a invadir seus sonhos e pensamentos, teve certeza que as coisas ficariam difíceis, afinal, como ele poderia se apaixonar pela única menina que havia sido proibida? Quando descobriu tal sentimento, a primeira coisa que veio a sua mente foi a voz de seu pai, lhe dizendo que seria vergonhoso se um Malfoy se envolvesse com um Weasley, mas não por questões financeiras, já que os Weasley se tornaram uma família de respeito e tradição, e sim por questões morais... Seu pai nunca aceitaria que ele namorasse a filha do cara que ele tanto detestava!... Isso sim seria era uma coisa difícil para ele, pois como iria lidar com tudo isso, sem decepcionar seu pai? Por que tinha que ser ela? Logo ela? Não podia ser alguém de sua casa, ou a filha de algum amigo de seu pai? Não! O destino quis que fosse exatamente ela, Rose Weasley, seu oposto, a garota que ele tanto gostava de implicar e perturbar, era a mesma que ele passava horas pensando e sonhando...

Bom, as coisas nem sempre funcionam da forma com que pensamos ser a correta! E o amor nunca surge quando esperamos, pelo contrário, parece que sempre aparece em nossas vidas para nos deixar completamente confusos e perdidos! Para quem não entende esse sentimento, provavelmente vai achar tudo uma grande bobagem, afinal se render ao amor, é algo que fracos fazem! Mas aí vai um segredo guardado a sete chaves por quem não entende os corações apaixonados: Pessoas que não amam, invejam as pessoas que têm tal sentimento! E sabem por quê? Pelo simplesmente fato delas conhecerem a essência da vida e saberem o que é a felicidade. Quem não ama, não conhece a verdadeira alegria de se estar com alguém e poder dividir uma vida! Só conhece o sentimento da solidão e se sente muito bem assim, pois jamais provou outra coisa.

Scorpius e Rose descobriram o amor juntos. Passaram por coisas que muitos achariam difícil qualquer adulto suportar, mas mesmo assim venceram. Conquistaram o apoio dos amigos, até que enfim, convenceram aos pais de que não havia outra alternativa se não aceitarem o romance dos dois. Afinal, de que adiantaria proibir algo que todos sabiam que não seria cumprido? Para que proibir um romance, que mais cedo ou mais tarde seria aceito?... Ah, mas nada disso importava mais agora, tudo estava bem e permaneceria assim até que eles decidissem escrever um novo capítulo para essa vida, que agora estava perfeita!
- Veja, já estamos chegando! – Lily anunciou, assim que viu o trem se começar a se aproximar da estação de King Cross.

Todos da cabine, que agora estava mais cheia que o normal, pois contavam com a presença de Scorpius, Vincent e Sophie, abriram um enorme sorriso ao perceber que o trem perdia velocidade. Levantaram-se de seus lugares e com certo esforço começaram a retirar suas malas do bagageiro.

Do lado de fora, parados na estação, estava toda a família Weasley, Potter e é claro, Malfoy. Estavam ansiosos pela chegada dos filhos, mas assim que avistaram o trem, a ansiedade deu lugar a uma imensa alegria.

Pouco a pouco o trem foi perdendo velocidade, e logo parou em frente à estação. A confusão começou quase que imediatamente, na hora que as portas do Expresso de Hogwarts se abriram. Uma multidão andava de um lado para o outro, pais e alunos já se confundiam naquele meio. Como já estavam acostumados com tal bagunça, as famílias Potter, Weasley e Malfoy, nem se mexeram. Esperaram pacientemente, os ânimos se acalmarem, e quando finalmente puderam se aproximar do trem, viram seus filhos saírem com enormes sorrisos estampados nos rostos. Os jovens logo correram em direção aos pais e foram recebidos com enormes abraços. Mas nenhum deles, é claro, conseguia chegar perto do abraço de urso de Molly Weasley.
- A mamãe não ficará feliz até realizar seu maior sonho! – Jorge disse sério.

- E qual seria? – Gina perguntou.

- Quebrar a costela de um dos netos, dando esse abraço apertado! – ele respondeu e todos riram – Coitado do Fred, já, já é a vez dele ganhar o abraço!

- Pelas barbas de Merlin, como vocês cresceram! – Molly olhava pra cada um com uma expressão emocionada – Definitivamente cresceram mais 10 cm desde as férias!

- Não exagera vovó, a Rose não cresceu nada! – Hugo brincou e logo levou um tapa da irmã.

Draco, Astoria e Scorpius observavam o reencontro da família em silêncio. Não iriam se intrometer ali, naquele momento, esperariam até eles terminarem de se cumprimentar, para enfim anunciar que já estavam indo para casa. Scorpius já havia se despedido de Vincent e Sophie, e desejado ótimas férias aos dois. Para sorte do novo casal, seus pais haviam combinado de ir para o Sul da França, visitar o irmão de Sophie juntos, e isso deixaria ela e Vincent próximos durante boa parte das férias... Quando finalmente Molly terminou de analisar cada um de seus netos, a família Malfoy se aproximou.

- Bom, já estamos indo! – Draco anunciou – Marcaremos ainda essa semana um jantar...

- Como assim vocês já vão? – Molly interrompeu – Achei que viessem jantar conosco!

- Ah, mas que gracinha! Não sabia que tínhamos sido convidados! – Astoria disse com sua habitual simpatia.

- Mas é claro que foram! – Molly disse – Ainda mais agora que vocês fazem parte da família! – sorriu – E onde está o filho de vocês? Ah sim, aí está você! Venha cá e me deixe abraçá-lo também!

Sorrindo, Scorpius se aproximou de Molly e logo foi recebido com um grande e maternal abraço. Sentiu-se muito feliz em saber que aquela senhora, mesmo sem conhecê-lo, já o tratava como membro da família, e precisou dar razão a Alvo e Rose, quando diziam que os abraços de sua avó eram realmente apertados.

- Meu filho está sendo esmagado... – Draco comentou mais para si que para os demais.

- Acostume-se, pois logo vai ser você! – Harry disse sorrindo.

- O que não fazemos pelos filhos, não é?! – Draco disse irônico.

- Ah, não me venha dizer que não se sente bem estando entre nós! Há pouco eu vi você sorrir com toda essa bagunça!

- Potter, Potter, definitivamente seu grau de miopia aumentou nesses últimos segundos... Eu sorrir por ver uma família reunida? É totalmente...

- Possível! – Astoria completou, e Draco apenas ficou calado, pois no fundo, bem no fundo, ele dava razão a esposa.

- Bom, vamos logo! Uma comemoração para a volta dos meus netos, nos espera!!! – Arthur Weasley anunciou, e atendendo ao pedido do velho senhor, todos foram para A Toca.

O final daquela tarde passou tão rápido, que eles mal tiveram tempo para notar. A conversa animada e toda agitação para terminarem o jantar, fez com que todos esquecessem a hora. Como os Weasley costumavam fazer quando a casa estava muito cheia, a mesa foi colocada do lado de fora da casa, para acomodar melhor os convidados. Logo começaram a ser colocados sobre ela os pratos, sucos e as diversas variedades de comida que Molly havia feito questão de preparar. Todos se acomodaram em seus lugares e começaram a desfrutar daquela deliciosa culinária.

- Vovó, eu tenho que admitir! Por mais que os banquetes de Hogwarts sejam maravilhosos, nenhuma comida se compara a sua! A senhora sabe cozinhar como ninguém! – Tiago elogiou.

- Seu neto tem razão! Sra. Weasley, o jantar está ótimo! – Astoria sorriu.

- Molly, me chame apenas de Molly está bem querida?! Precisamos acabar com essa formalidade, já que iremos conviver sempre!

- Molly tem razão! Isso inclui os apelidos! – Draco se manifestou.

- Ah, mas que graça tem conversar com você, se não posso te chamar de Doninha? – Rony perguntou divertido.

- Ronald, o Draco tem razão, não podemos continuar com essa coisa de apelidos, embora doninha caia muito bem pra ele! – Hermione comentou rindo.

- Obrigado, sabe-tudo! – Draco retrucou.

- Olha eu também concordo com o projeto de barbie, digo, com o Draco, quando ele diz que não devemos continuar com essa coisa de apelidos! – Harry se pronunciou, fingindo seriedade. Os mais jovens que apenas ouviam a conversa, riam abertamente.

- Também agradeço, testa rachada, digo, Harry! – Draco sorriu.

- Agora já descobri de onde vocês herdaram tanto talento pra me apelidar na escola! – Scorpius comentou em voz baixa com Alvo, que riu mais ainda.

- Passe um dia inteiro conosco e você vai ver as loucuras que saem daqui!

O jantar se seguiu assim, todos rindo e zombando de situações que aconteceram no passado. Mesmo depois da sobremesa, todos retornaram para dentro da casa, e continuaram conversando alegremente, como uma família realmente feliz faz. Os homens, depois de ajudarem a arrumar a bagunça feita durante o jantar, foram para sala conversar e beber Whisky de Fogo, enquanto as mulheres ficaram na cozinha, conversando sobre a vida dos filhos, e outras coisas. Os mais jovens estavam espalhados por toda a casa. Aproveitando aquele instante de distração, Rose puxou Scorpius pela mão e o levou para o jardim.

- Parece um sonho não é? Tudo isso, nós dois em paz, eu quase não consigo acreditar! – Rose falou, olhando diretamente para os olhos azuis acinzentados do namorado, que com a luz do luar pareciam brilhar ainda mais.

- Parece, mas graças a Merlin é realidade! Teve uma época que eu cheguei a pensar que nunca fossemos conseguir ficar juntos assim sabe?! – ele respondeu, sem desviar o olhar.

- Eu também, mas agora está tudo certo!

- Sim, está... – Scorpius acariciou o rosto da namorada, que sorriu – E aí, tem planos pras férias?

- Ah, pensei em visitar a Casa dos Gritos sabe, só pra não perder o costume! – a ruiva respondeu sorrindo – Bom, acho que vamos viajar com a família do Alvo, ainda não tenho certeza... E você, o que vai fazer?

- Além de pensar em você? Acho que também vou viajar com meus pais! Minha mãe tava querendo visitar a tia Daphne, acho que vai aproveitar minhas férias e obrigar papai e eu a irmos com ela! – o loiro respondeu divertido – Eu vou sentir sua falta!

- Eu também... – ela suspirou triste – Promete que vai me escrever?

- Todos os dias se quiser, a cada uma hora! – ele sorriu – Eu te amo! – sussurrou próximo aos lábios da menina.

- Eu também te amo! – ela disse, e pôs fim a distância que os separavam e o beijou delicadamente.

De longe, um loiro e um ruivo acompanhavam a cena. Os dois não admitiriam, mas estavam emocionados em ver a felicidade dos filhos.

- Sinto que vamos ter que programar algo nessas férias! – Draco comentou, olhando para o casal que se beijava a luz do luar.

- Tipo, viagem em família? – Rony perguntou, sem tirar os olhos da filha – Será que ele não poderia soltar a minha pequena filha por um instante? Ela precisa respirar! – comentou enciumado.

- Não seja tolo, Rony! – Draco disse – E sim, é algo como viagem em família! Pois acho que você não é tão lerdo, a ponto de pensar que vamos conseguir manter esses dois longe por muito tempo, não é?!

- Ao contrário de você eu não sou loiro, e não tenho motivos pra ser lerdo! – Rony disse e o loiro apenas revirou os olhos – E sim, você tem razão, não vamos conseguir mantê-los longe por muito tempo.

- Ótimo, já que chegamos a mesma conclusão, vamos parar de vigiar os dois e entrar! Eles merecem privacidade! – Draco saiu, sendo acompanhado por um Rony relutante em deixar a filha sozinha com o namorado.

Dizem que o amor acontece das formas mais engraçadas... Eu acredito nisso! Assim como também acredito que ainda há muitas coisas para se contar dessa história... E quem sou eu? Ah, eu sou apenas uma das pessoas que viu Scorpius e Rose descobrirem que O amor fala mais alto que o sangue.



Este não é o fim, é apenas o começo de uma grande história...

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Comentários (2)

  • Marisa weasley

    eu estou lendo a fic pela segunda vez. e eu simplesmente amo essa fic. assim como amo a continuação que eu ja li e vou ler de novo. então ve se escreve a 3 logo pq se não vou morrer!!!! Essa fic é a melhor fic que eu ja li.

    2013-07-25
  • Gabriella Ferreira

    onwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww. cara super fofo, nao tenho palavras pra explicar de como essa fic e fofa d++, cara vc esta de parabens, amo suas fics s2

    2012-12-09
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