Diálogos



Capítulo 23: Diálogos


 
“Deixe a diversão e os jogos começam


  Ela é castrada e quebrada


  A pele é branca e fria


  Aquela linda noite solitária


 


  O céu está a caminho


  Você pode sentir o ódio, mas acho que nunca vai.


  Eu estou em um rolo de novo e quero um final


  Porque eu sinto isso arrastando dentro de mim” –                                                         
(Breakdown – Breaking Benjamin).


 


 


“Gina andava pelos corredores da mansão contando as portas. Observava pelas janelas dispostas a intervalos regulares, que estava em uma ala oposta à que sua família estava hospedada, uma vez que ao invés de floresta, avistava um lago. Provavelmente artificial pela sua forma quadrada perfeita.


Ao chegar de frente à porta indicada deu leves batidas e aguardou. Depois de certo tempo bateu novamente já impaciente, não obtendo resposta girou a maçaneta abrindo a porta lentamente.”


 


A ruiva adentrou o enorme quarto fechando a porta às suas costas. Esperou alguns segundos para que seus olhos se adaptassem à considerável redução de luz e começou a observar tudo a sua volta.


 


De fato o quarto era ainda maior do que parecera a primeira vista, logo a sua frente e mais ao fundo havia uma imponente cama com dossel e cortinas em vários tons de roxo, a esquerda da cama ao que parecia, cortinas ainda roxas escondiam ao que tudo indicava uma sacada proporcional ao tamanho do quarto. Ao extremo direto havia duas portas, uma pela claridade provavelmente era um banheiro.


 


Havia diversos móveis espalhados pelo quarto, mas nada disso era o que procurava. Já desistindo da busca que viera empreender, virou-se novamente para a porta, sem deixar antes de olhar melhor a face esquerda do recinto.


 


Sorriu ao encontrar o que procurava e sorrateiramente caminhou até um sofá de couro azul turquesa.


 


Sentada no mesmo, ou melhor dizendo, jogada no mesmo, encontrava-se Lílian Potter. Gina notou que a mesma usava grandes fones de ouvido e segurava um controle remoto de um game que por sua vez era exibido em uma enorme TV de tela plana. Como a mesma estava disposta em um ângulo reto com o sofá, toda a sua luz não era dispersa pelo quarto, por isso não notara a criança antes.


 


Passou alguns minutos observando a criança, a concentração dela no jogo era tanta que divertia Gina, ela era muito mais parecida com o pai do que imaginava, a concentração e estresse era tanto que momentaneamente fez a ruiva lembrar-se de Harry durante a guerra, ou quando estava irritado. Mas reconheceu como seu o sorriso de satisfação que a criança exibiu ao completar mais uma fase do jogo. Aproveitando o momento em que o áudio se reduziu, Gina se fez notar.


 


-Oi Lílian – pronunciou com certo receio.


 


 


A pequena, que ainda se encontrava distraída se assustou, arremessando longe o controle remoto que segurava, soltando em seguida várias palavras de baixo calão dignas de um marinheiro ordinário das docas, fato que divertiu e preocupou um pouco sua mãe sobremaneira.


 


-Pelas calcinhas de Morgana Weasley, por acaso sua mãe não lhe deu educação? Sabe ao menos bater na porta? – questionou a criança extremamente irritada.


 


Apesar da agressividade da criança, Gina se divertiu um pouco com a resposta atravessada.


 


-Desculpe-me o susto. Eu bati na porta, mas acho que você não me ouviu, aí resolvi entrar – respondeu ela caminhando alguns passos e sentando-se na beirada do sofá.


 


 


-Talvez isso indicasse que não era pra você entrar – reclamou a pequena levantando-se do sofá e pegando o controle do chão.


 


Lílian estralou o pescoço e bufou irritada. Tal atitude incomodou Gina, a fez lembrar quando forçavam Harry a fazer coisas desagradáveis, ou melhor, era a atitude dele quando Snape estava tentando tirar o garoto maravilha do sério para lhe aplicar uma detenção.


 


-Iluminar quadrante esquerdo – ordenou a pequena passando a mão pelas mechas ruivas e desalinhadas do seu cabelo.


 


 


No mesmo instante na parte do quarto em que estavam, as luzes foram acessas.


 


-Lílian, eu gostaria de conversar com você – pediu Gina calmamente, estudando todas as reações da filha.


 


-Querer não é poder, a porta da saída é a mesma que você usou para entrar – atacou Lílian.


 


Gina sentiu seu coração apertar diante da agressividade da criança, parecia que as coisas seriam bem mais complicadas do que seu pior pesadelo. A ruiva riu-se em pensamente, era um defeito dos Potter´s reagirem tão mal quando pegos de surpresa?


 


-Lílian, por favor, isso não vai matar ninguém – tentou a ruiva um tanto quanto otimista.


 


A pequena gargalhou diante da afirmação, ao que parecia a criança já se recompusera do susto, Gina viu o sarcasmo como uma atitude de autodefesa.


 


-Com que certeza você diz isso? – perguntou placidamente.


 


Gina encarou Lílian não como uma criança, mas como uma igual, ao que tudo indicava Isadora tinha sido muito modesta ao dizer que seu problema maior seria dobrar a criança e não o pai.


 


 


-Então o que você sugere? – perguntou Gina tentando contornar a situação o melhor que sua ansiedade permitisse.


 


-Que você comece saindo do meu quarto – sugeriu a criança com uma expressão determinada.


 


-Não enquanto não conversarmos – respondeu Gina já começando a perder um pouco a paciência.


 


-Merlin você é mais teimosa do que papai falou – resmungou a pequena cruzando os braços e franzindo o semblante.


 


Gina gargalhou, fato que deixou Lílian mais irritada e curiosa ao mesmo tempo.


 


-Bom podemos começar por isso. O que você sabe sobre mim? – perguntou Gina rezando para que a criança se interessasse pelo diálogo.


 


-Praticamente tudo que meu pai sabe – respondeu contrariada com alguma coisa.


 


-O que isso quer dizer? – perguntou a ruiva, interessada sobre qual seria a imagem que Harry teria infundido na mente de Lílian.


 


-Não se preocupe – respondeu Lílian pegando o teor do pensamento da mãe através de sua expressão facial - Apesar de tudo, a família Weasley é extremamente preciosa para meu pai, e como você faz parte dela ele jamais mentiria sobre você - disse a criança pensativa.


 


-Como, por exemplo? – instigou Gina.


 


Gina sentiu a criança lhe analisar dos pés a cabeça, ao que parecia ela estava tomando a decisão se valia ou não continuar a conversa.


 


-Gina Weasley! Ótima apanhadora, artilheira melhor ainda. Teimosa e explosiva como a maioria dos cabeça de fósforo quando contrariados e acham que estão com razão. Gosta de gatos, de neve, de chocolate, da família reunida, um tanto quanto ciumenta e algumas coisas mais – terminou a criança olhando-a verdadeiramente pela primeira vez.


 


-Seu pai continua sendo um cavalheiro e você edita muito bem as conversas – observou a ruiva.


 


A pequena apenas revirou os olhos e sentou-se na mesinha de centro em frente ao sofá. Gina percebeu que embora agora participasse da conversa, o primeiro passo em falso que desse, a criança esmagaria seu pequeno castelo de cartas em pó sem dó nem piedade. Resolveu tentar sanar logo algumas dúvidas para tentar uma aproximação melhor futuramente.


 


-Por que você odeia sua semelhança comigo? – perguntou Gina lendo nas entrelinhas a expressão curiosa com que a filha lhe fitava.


 


-Motivos óbvios – respondeu começando a se esvair como Gina previra.


 


-Lílian você não pode me julgar sem saber meu lado da história – argumentou a mãe.


 


-Meu pai diz a mesma coisa – sorriu ela.


 


Ao que parecia a conversa não duraria muito, não talvez pela criança, mas ser tratada com indiferença pelo ser que mais amava além do pai da mesma lhe cortava a alma e estava minando seu controle emocional. Resolveu por bem dizer um pouco do que guardara durante esses anos todos com medo de que uma próxima oportunidade demorasse a surgir.


 


-Sabe, por sete anos sonhei em encontrar você Lílian. Por sete anos sonhei em saber se você era menino ou menina. Por sete anos desejei o perdão de seu pai. Lílian nós éramos duas crianças naquela época, não peço que você me perdoe, mas quando tiver curiosidade de saber a minha história estarei a sua espera. Mas saiba que em nenhum dia sequer eu deixei de pensar em vocês e jamais eu tentaria afastar você e seu pai – declarou Gina se levantando enxugando as lágrimas e se encaminhando para a porta.


 


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Ao cair da noite Weasley´s e companhia aos poucos se juntavam na sala de estar da mansão para irem ao jogo, só as meninas ainda não estavam presentes. Gina havia ficado para trás esperando Hermione, pois tomara um enorme sermão da mesma ao confessar que tentara falar com Lílian, e a mesma alegando que como a criança era emocionalmente parecida com o pai não devia ser pressionada tão claramente e várias outras coisas mais.


 


Ela não concordava, mas enfim, Hermione sempre tinha razão no final.


 


Ao adentrarem a sala ficaram extremamente surpresas. Draco, Lílian, Rony e Horan estavam com enormes blusas de cor roxa e com os rostos pintados com umas listras pretas, pareciam aqueles soldados dos filmes trouxas que Rony passara a apreciar devido a influência de Hermione.


 


-Finalmente – gritaram todos os presentes na sala - Achei que teria que assistir o começo do jogo aqui! – reclamou Draco, claramente indignado seguindo para a garagem da mansão.


 


Todos se levantaram para seguir o loiro, menos a criança que estava com uma cara nada amistosa.


 


-Você não vai? – perguntou Gina para Lílian.


 


-Não com vocês – respondeu a pequena que agora se distraia com um aparelho celular.


 


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Uma imponente figura observava outra que estava deitada em coma em uma cama.


 


Sua expressão dizia claramente que não estava satisfeita com a situação.


 


-Acha que ele vai resistir? – perguntou Denetor.


 


-Não – respondeu Lady Sophie se retirando do aposento.


 


-Plano B? – perguntou Vampira, que acabara de adentrar o recinto.


 


-Ao que tudo indica sim – murmurou Denetor, observando Harry gemer de aflição na cama.


 


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Não foi sem surpresa que a família Weasley se deparou com Lílian e seu suposto guarda-costas tamanho família já no camarote.


 


O espaço era amplo, havia várias cadeiras altas na borda do camarote cuja vista dava para o campo, uma mesa comprida com vários tipos de salgadinhos, refrigerantes trouxas e cerveja amanteigada, um telão onde apareciam dois locutores trouxas debatendo sobre os esquemas táticos dos times que iriam jogar e um amplo espaço no meio para circulação das pessoas, tudo é claro ostentando um grande luxo.


 


Os familiares já se dividiam pelo recinto, a maioria sentou-se nas cadeiras altas afim de melhor inspecionar o “novo esporte”. Somente Draco e Rony estavam mais afastados, conversando com o guarda-costas Hórus. E Lílian, que agora estava pendurada nas costas de Draco bagunçando o cabelo loiro platinado, fato este que despertava a curiosidade da família Weasley.


 


Hermione ainda lançava olhares raivosos a Gina, fato este que chamou a atenção de Molly. Esta por sua vez caminhou ao estilo “como quem não quer nada” até as duas. Gina revirou os olhos e quase riu da postura de sua mãe, honestamente a quem ela queria enganar? Cutucou Hermione para que ela parasse de dar bandeira e voltou a observar o campo imaginando onde estaria Harry.


 


Uma corneta soou ao longe, indicando que logo os times adentrariam o campo, e os demais ocuparam os lugares ainda vagos nas cadeiras que sobravam.


 


Hermione, atenta a multidão que se estendia arquibancada abaixo, teve o foco mudado para a cômica cena que começava dentro do camarote. Lílian, Draco, Horan e Hórus, o enorme guarda-costas, ficaram de pé com a mão esquerda espalmada junto à altura do coração e cantaram o hino do time fazendo as caras mais solenes do mundo, terminando a exibição com gritos animalescos seguidos do time que adentrava o campo depois de rasgarem uma enorme faixa de papel que tapava a entrada do vestiário.


 


O time adversário repetiu o mesmo gesto, só que desta vez eles ficaram vaiando. Draco por sua vez, ainda não contente, começou a recitar uma série de impropérios de tão baixo calão que provocava gargalhadas na pequena ruiva e uma cara extremamente descontente da parte da Sra.Weasley.


 


Depois de alguns minutos, Gina logo constatou que o jogo não era difícil de acompanhar. E só por pirraça, já que o jogo não era tão emocionante quanto quadribol, começou a torcer pelo time adversário só pelo prazer de irritar Draco, que era o torcedor mais fervoroso do grupo.


 


Depois de findado o primeiro tempo do jogo, a diversão passou do campo para a briga entre um extremamente desagradado Draco e uma sádica Lílian contra uma teimosa Gina dentro do camarote.


 


Gina provocava Draco. Este por sua vez estava se descabelando tentando fazer a ruiva mudar de torcida e a pequena fazia troça, incitava Draco e botava fogo no resto dos companheiros que gargalhavam com os comentários ácidos dela.


 


-Pelo amor de Merlin Gina. É pelo time de roxo que você deve torcer – explicava Draco pela milésima vez.


-Por quê? O Time de amarelo é visivelmente melhor – respondia uma séria Gina.


-Você devia usar os antigos óculos do Potter. Por Morgana mulher, é pra torcer pelo time de roxo – falou Draco desesperado.


-Talvez ela seja daltônica Draco. Que tal apontar o time certo? – disparou Lílian fazendo as gargalhadas aumentarem.


 


Lílian começou a ficar entediada com a discussão e em um momento de extrema criatividade, mandou uma mensagem para o celular de Draco, sugerindo uma pequena vingança. Draco por sua vez repassou a mensagem para Hórus, o convocando a ajudar na brincadeira.


 


Em um momento de descuido de Gina, Draco a abraçou por trás prendendo seus braços e Hórus lhe meteu uma camiseta do time que torciam. A ruiva achou a brincadeira divertida até que Hórus tomou o lugar de Draco.


 


-Hei grandão, nada pessoal, mas será que dava pra me soltar? – perguntou a ruiva ainda rindo.


 


-Não – respondeu gargalhando o gigante armário.


 


-Vamos lá cabeça de fósforo fêmea, faz biquinho – disse Draco segurando sua face com extremo prazer brilhando em seus olhos.


 


Agora a ruiva parara de rir, estava seriamente com medo do que Draco faria, estava quase implorando ajuda aos irmãos quando escutou os gêmeos gargalharem.


 


-Espero que goste da cor – disse Lílian simplesmente.


 


Segundos depois sentiu uma coisa molhada lhe tocar a face, só então abriu os olhos e viu que Draco agora segurava Lílian no colo e a mesma lhe pintava o rosto com tinta preta.


 


-Ficou gatona – riu o guarda-costas lhe soltando e roubando sua varinha.


 


Gina ficou pregada no chão em choque. Hermione lhe deu uns tapinhas nas costas tentando a todo custo não rir e foi se sentar ao lado de Rony, e assim terminou o jogo sem maiores incidentes.


 


 


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N/A: E finamente um capítulo novo, quero muitos comentários pela minha façanha, mas gente realmente a vida anda corrida, nem vou perder tempo explicando, espero que gostem e quero a opinião de vocês.....

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