Hogsmeade



Capítulo 13 – Hogsmeade


O café da manhã daquele dia foi estranho. Ao longo dos dias não foi necessário Taylor explicar que Beverly havia deixado a Sociedade, todos os membros perceberam sozinhos, pelo modo como ela voltara a agir e a tratar a todos. Desde então, Taylor em Bev sequer olhavam um para o outro e Charles e Liv, que também não estavam conversando, tinham que revezar com quem tomavam o desjejum. Porém, naquele dias tomaram os quatro juntos. Bev e Taylor não estavam se falando, Charles também estava meio brigado com a irmã, enquanto Liv não olhava para Charles. Portanto ficaram em silêncio a maior parte do tempo, sendo que as poucas tentativas de conversas eram seguidas de riso de escárnio e ofensas.


Liv e Bev voltaram ao seu dormitório só para pegar a carteira de Liv, que a garota havia esquecido. Quando entraram no quarto, Bev aproveitou que estavam sozinhas e desabafou:


-Eu não vou a Hogsmeade.


Liv a encarou espantada. Hogsmeade era uma das poucas diversões de outrora que não havia sido proibido, e Beverly pensava em faltar?


-O que te deu, Bev?


A loura suspirou, triste.


-Eu já percebi que a Sociedade vai fazer alguma coisa lá. Claro que às outras pessoas isso não é visível, mas eu vejo muito bem como os membros da Sociedade estão agitados hoje. E eu não quero ter que ficar sozinha quando você for, mas não quero que deixe de ir por minha causa.


Liv abriu a boca, mas Bev a interrompeu.


-Não quero saber o que vocês farão –resmungou Bev- Eu saí e você sabe disso.


-Mas Beverly –continuou Liv, receosa- Eu acho que ninguém se importaria se você comparecesse...


A loura revirou os olhos.


-Mesmo que ninguém se importasse, Liv, eu me importo. Eu não quero mais fazer parte disso –disse ela, abrindo a porta para que Liv saísse- Vá, isso é importante para você.


Liv não contestou. Entendia a amiga e sabia que seus pontos de vista eram diferentes e que não se conciliariam. Conformou-se com a situação.


-Eu trarei coisas gostosas para você –sorriu Liv.


Beverly não respondeu e a morena deixou o quarto indo encontrar-se com Taylor e Charles já dentro do trem. Assim que ela abriu a porta da cabine, Taylor abriu a boca para perguntar alguma coisa, mas recolheu-se e ficou quieto.


-Não, Beverly não vai –respondeu ela, sentando de frente para o amigo e ignorando Charles que estava a seu lado- E você devia parar de ignorá-la só porque ela pensa diferente. Ela desistiu, mas não nos traiu, portanto não é o fim do mundo.


Charles riu amargo.


-Interessante você falar em não ignorar os outros porque têm visões diferentes.


-Ah, me desculpe –falou ela, olhando para Taylor- Eu quis dizer para não ignorar as pessoas com visões diferentes, exceto quando a visão dessa pessoa te ofende.


Charles bufou e se mexeu incomodado. Taylor revirou os olhos diante das atitudes dos amigos. Depois disso ficaram, assim como no café da manhã, em silêncio. A paisagem passava rapidamente pelo vidro, e Taylor estava perdido em seus próprios pensamentos. Assim que a imagem do vilarejo esboçou no horizonte e o trem começou a diminuir a velocidade, ele olhou para os dois amigos, que tinham um a cara mais azeda que o outro.


-O que aconteceu com a nossa amizade? –perguntou o garoto, encarando os dois que estavam em sua frente.


Liv ficou desconcertada e abriu a boca para responder, mas fechou sem falar nada. Charles nem sequer se dera ao trabalho de olhar para Taylor. A cabine ficou em silêncio por mais alguns segundo, e o trem quase parava.


-Eu não acho justo que a nossa amizade se despedace assim –continuou ele, olhando fixamente para Liv- Portanto eu vou conversar com Beverly, assim que chegarmos ao castelo, mas eu gostaria que você e Charles também parassem de agredir um ao outro.


Ela revirou os olhos.


-Ele me ofendeu primeiro –ela olhou de soslaio para o pai de seu filho- O único que eu pensei que nunca me ofenderia daquela maneira.


Charles consertou o corpo num impulso e sentou-se de frente para ela.


-Eu errei, ok? –disse ele, nervoso- Sou um ser humano tanto quanto você, e por isso também cometo erros. Aliás, eu os cometo em maior quantidade que você.


-Só erra tanto porque não pensa em seus atos e não ouve o que as pessoas te dizem! –replicou ela, no mesmo tom de voz dele.


-EU ESTAVA COM CIÚMES! –gritou Charles, para a surpresa dos dois.


Liv arregalou os olhos e corou, de todas as respostas, essa era a única que ela não havia cogitado, porque isso seria admitir que Charles gostava dela, nem que fosse um pouco. Taylor havia percebido isso de imediato, mas não acreditava que o amigo estava confessando isso a Liv. O trem parou, mas nenhum dos três mexeu-se para sair.


-E-eu não fiz por mal, ok? –disse Charles, constrangido, sem encarar Liv nos olhos- agora vamos passar uma borracha nisso tudo ir irmos. Temos coisas para fazer.


O loiro levantou-se e saiu sem jeito, misturando-se às outras pessoas. Taylor deu uma risada e levantou-se também oferecendo a mão para Liv.


-Vá dizer que você não percebeu... –brincou Taylor- Era óbvio.


A garota seguiu o amigo, mas continuou calada.


-Só vamos resolver o assunto que viemos resolver –continuou Taylor- Então vocês conversam e fica tudo bem.


Ela esboçou um sorriso e foi abrindo caminho entre as pessoas. Desceram do trem e Charles já os esperava, ainda corado e olhando para baixo.


-Então está tudo esquecido, não é mesmo? –disse Liv, sorrindo e fingindo que não havia nada errado.


-Isso mesmo –respondeu o louro, olhando-a de soslaio.


-Então vamos ao Três Vassouras.


Eles saíram andando juntos, iniciando uma conversa qualquer. Ao passar pela Dedosdemel, ainda viram um ou outro membro da Sociedade lá dentro, fazendo o mesmo que eles. Estava exibindo na vila, para que tivessem um álibi, caso alguém desconfiasse.


Chegaram e pediram uma cerveja amanteigada cada um, e se distraíram tanto conversando que por pouco não se atrasariam, se Caméllia não tivesse dado uma indireta, ao passar por eles. Quando saíram do bar, ainda passearam rápido por outros lugares movimentados da vila, antes de entraram numa rua sem comércio, só residências. Pararam a frente do número 17 e tocaram a campainha. Uma senhora franzina abriu a porta sorridente.


-E aqui estão os últimos! –exclamou ela.


Eles entraram e todos os membros da Sociedade já se encontravam acomodados, comendo biscoitos e tomando suco. Charles correu e abraçou uma senhora loura, que se levantou quando o viu.


A vontade de Charles era não desgrudar da mãe, que tinha uma expressão um pouco mais carregada do que da última vez que a vira. Mas a mulher separou o abraço e olhou para Liv, cumprimentando-a com um aceno de cabeça. A menina tentou não corar.


-Olá, Sra. Bowl –cumprimentou a morena.


-Esta é a senhora Hannah Tacher –disse Evelyn- Ela gentilmente nos cedeu a casa para que pudéssemos conversar.


Taylor franziu o cenho, mas Evelyn o tranqüilizou.


-Ela é de confiança.


A campainha tocou, e a senhora Tacher foi atender, mas a nova convidada não chega ansiosa como todos, ou sorridente como Evelyn. Linda Looker entrava de cara fechada, olhando com cara de poucos amigos.


-Olá a todos –cumprimentou Linda, indo até Taylor e dando um beijo no filho.


-Agora sim a reunião está completa! –exclamou Evelyn.


Linda encarou a loura e revirou os olhos.


-Se não compartilha dos nossos ideais, Linda, você pode ir embora se quiser.


A morena não respondeu nada, apenas encarou a outra com desdém.


-Tem algo que queira me dizer? –perguntou a loura.


Linda suspirou e fez um muxoxo com as mãos.


-Apenas comece...


Evelyn pareceu satisfeita e se dirigiu a todos.


-Olá, como eu já disse, eu sou Evelyn Bowl, mãe de Charles e Beverly, que infelizmente não está presente. Eu nunca participei de algo assim como vocês, mas já conheço Dally há muito tempo, e fico feliz que ela finalmente tenha encontrado pessoas dispostas a lutar por essa causa nobre.


Linda revirou os olhos e olhou para Hannah, que sorriu.


-Antes que vocês pensem qualquer coisa –continuou a loura- Essa é Linda Looker, mãe de Taylor e minha amiga, quem me recomendou que procurasse a senhora Tacher. Não estranhem essa cara de desdém dela, Linda só tem um pouco mais de medo que nós.


A loura de uma risada e foi acompanhada por alguns, mas Linda estava a ponto de matar a amiga.


-Não que ela não tenha razões para isso –acrescentou Evelyn, ficando séria novamente- Bom, e esta gentil senhora que nos recebeu, a senhora Tacher, também é de inteira confiança. Era amiga da mãe de Linda, antes que a senhora Lilá fosse assassinada pelo regime Malfoy. A mãe de Linda, assim como a senhora Tacher, foram amigas de Harry Potter.


As palavras de Evelyn alcançaram o efeito desejado. Todos arregalaram os olhos, surpresos, e olharam com outros olhos para a senhora sorridente e para a morena carrancuda. Taylor olhou orgulhoso para a mãe, sabia o quanto era difícil para ela participar de uma reunião assim, sabendo todo o medo e a raiva que ela tinha disso.


-Bom, nós estamos aqui porque semana passada recebi uma carta de Charles, em que ele me enviava uma chave de um cofre no Gringotes e pedia para que trouxesse seu conteúdo. A boa notícia é: realmente é um conteúdo muito valioso. E a má notícia é que é muita coisa, e eu e Linda não demos conta nem da metade até agora, portando vocês ainda vão demorar um pouco para ter acesso a isso.


-Qual é o conteúdo? –perguntou Paolo.


-Bom, é um enorme acervo de memórias e documentos. Há inclusive memórias de Neville Longbottom, sobre o dia da Queda e, talvez a memória mais importante de todas, a memória de Nymphadora Tonks, que foi a única pessoa encontrada viva depois de tudo o que ocorreu.


-Eles deixaram ela sobreviver? –espantou-se Milly.


-Ah, não. Ela foi atingida gravemente, e eles pensaram que ela estava morta. Quando a Ordem a encontrou, ela estava em como profundo.


-E como conseguiram a memória? –perguntou Sophie.


Evelyn ficou calada e olhou para Linda.


-A Ordem tinha vários medibuxos e curandeiros muito eficientes a seu serviço –respondeu a morena- Eles conseguiram mantê-la viva por mais de 48 horas depois da batalha. Porém, quando ela acordou, os registros dizem que ela afirmava que não sobreviveria, e que se isso por acaso acontecesse, os Malfoy a matariam em dois tempos –Linda calou-se um pouco, então deu um sorriso amargo- Ela meio que previu a ascensão dos Malfoy ao poder, então resolveu fazer a única coisa que ela tinha ao seu alcance: entregar a memória de tudo o que havia ocorrido. Porém, esse gesto custou a vida dela.


-Ela se sacrificou? –espantou-se Laureen- Digo, ela preferiu morrer mesmo?


Linda voltou com seu sorriso amargo.


-Por que o espanto? Ela não foi a primeira a fazer isso nessa guerra. Nem tampouco a última. A história dessa guerra, em todas as suas três fases, foi escrita com sangue de inocentes. –ela ficou mortalmente séria, então olhou para o filho e depois para cada um dos membros da Sociedade- Eu creio que vocês não percebem, e esse é o meu maior medo, mas vocês estão se sacrificando desde o dia que reabriram essa Sociedade. Vocês selaram um pacto que não pode ser desfeito, e se forem descobertos, digam adeus às suas vidas.


A sala ficou em total silêncio, e Evelyn olhou com raiva para a amiga.


-Você poderia nos fazer o favor de não desestimulá-los?


-Ora, me desculpe se eu estou contando a verdade a eles. –ironizou ela- Você pode não se importar em ser presa ou, quem sabe, em morrer. Mas eles têm que estar cientes do pode lhes acontecer.


O silêncio permaneceu, com as amigas se encarando furiosamente. Taylor pensou em se levantar e encerrar a reunião, talvez isso fosse o bastante. Ele poderia mandar cartas periódicas à mãe e à Sra. Bowl, pedindo informações sobre tudo o que fosse catalogado pelas duas. Mas continuar essa reunião poderia ser danoso para a Sociedade, Taylor via o medo estampado na cara de cada um ali, com a exceção dele próprio e de Charles.


-Talvez fosse hora... –começou Taylor a dizer, mas sua voz foi cortada pela campainha que tocou.


Todos se entreolharam receosos, olhando depois para a senhora Tacher, que deu de ombros.


-Eu não esperava visita.


A campainha tocou de novo e Evelyn olhou para Linda.


-Eu mando que eles se escondam? –sussurrou.


Linda mordeu o lábio inferior sem saber o que fazer. Hannah abriu a porta e encontrou uma vendedora com sorriso radiante.


-Bom dia, eu sou representante das Coleções Gêmeos e gostaria de lhe mostrar nossa mais nova enciclopédia.


Viúva suspirou de alívio e fez um muxoxo com a mão.


-Não estou interessada –e fez sinal de fechar a porta, mas a garota a deteve.


-Eu lhe asseguro que você gostará do que tenho para mostrar –disse ela, com a voz séria e sem o sorriso.


Sem esperar que Hannah falasse algo, a garota entrou na casa, jogou a pasta de lado, sentou-se e olhou para todos.


-Desculpem a demora, eu estava visitando outras casas, para não parecer suspeito –disse ela, voltando a sorrir.


Linda e Evelyn se entreolharam, então num pulo saltaram de suas poltronas e apontaram a varinha para a moça.


-Quem é você e o que veio fazer aqui? –rugiu Linda.


-Calma, Sra. Looker –pediu a moça, fazendo um muxoxo com as mãos- Eu venho em missão de paz. Não é necessário pegarmos as varinhas.


-Responda a pergunta que ela lhe fez –rosnou Evelyn, empunhando a varinha com mais força.


A garota revirou os olhos displicentemente.


-É por essas e outras que eu preferia que tivessem enviado Doug... –resmungou ela, para si. Então a menina ficou séria e encarou as duas com respeito- O meu nome é Olga Weasley, e vim representar a minha família.


O espanto preencheu a expressão de todos os presentes, e Olga pareceu se entediar.


-Minha prima Anita não pode deixar de enviar uma carta ao vovô, contando que ela descobrira que a Sociedade tinha sido reativada. Bom, essa carta causou um alvoroço imenso na minha família. –ela olhou meio brava para Taylor- Vocês causaram sete dias de reuniões extraordinárias de família, polêmicas e brigas internas entre parentes. –suspirou de cansaço e deu um sorriso de escárnio- Até a sanidade mental de Anita foi posta à prova.


Louise lembrou-se do mau-humor da amiga nos últimos dias, e como ela estava tendo que tomar uns certos comprimidos que estavam lhe mandando de casa.


-Bom, o fato é que foi aprovada a volta da participação da família Weasley na guerra contra os Malfoy. –ela apontou para si- E é por isso que eu estou aqui.


Todos olhavam pasmos para a menina, que não deveria ter mais que 19 anos. Mesmo Linda e Evelyn estavam paralisadas, ainda de pé apontando a varinha para a garota. Olga parecia entediada com a reação de todos.


-E que exatamente o quê você veio fazer aqui? –perguntou Taylor lentamente, ainda baqueado pela situação.


Olga deu um sorriso maroto e pegou a pasta de volta, abrindo-a. O conteúdo da pasta estava cheio de... brinquedos?


-A melhor notícias de todas, é que o vovô Jorge enviou uma carta ao tio Fred –contou ela, animada- Eles estavam sem se falar a dez anos! Bom, eu não tenho como fazer vocês entenderem o que essa maldita guerra significa para a minha família.


Ele ficou séria e agitada, gesticulando demais, tentando achar uma maneira clara de dizer tudo.


-A família Weasley é muito, muito numerosa. Boa parte dela está na França, mas outra parte também está no Egito, temos alguns na Nova Zelândia e por causa de uma loucura, agora o Tio Roy mudou-se com a mulher e filhos para o Brasil. E todos os meus tios e primos, os que eu conheço e os que eu não conheço, cresceram ouvindo a mesma história que eu ouvi quando criança.

“As famílias normais contam história da Carochinha para suas crianças, mas na minha família desde cedo as crianças ouvem sobre os horrores da guerra contra Voldemort e, posteriormente, contra os Malfoy. Acreditem, muitos casamentos da nossa família acabaram por isso. –acrescentou rindo, para então voltar a ficar séria- O fato é: essa guerra foi a maldição da minha família. Os Weasley poderiam se mudar para qualquer lugar do mundo, menos para a Inglaterra, e a única exceção foi a mãe da Anita, que acompanhou o marido para cá só para rebelar-se contra o Tio Fred.”


Ela olhou para todos, mas os olhares que recebia de volta ainda eram confusos.


-Vocês não entendem? A reabertura dessa Sociedade foi um evento único! Cada descendente do vovô Jorge, do Tio Fred ou do Tio Gui revoltou-se contra vocês, porque desde cedo aprenderam que isso era errado. É como se fosse uma doutrinação nos moldes dos Malfoy, mas com outros objetivos. Quando Harry Potter morreu e a irmã caçula deles, Gina, também se foi, eles juraram que os Malfoy iriam pagar por isso. Mas quando a tal Danielle morreu, e a nossa bisavó morreu de depressão por isso, eles fizeram um pacto de nunca mais mexer nisso. Dos sete filhos que os meus bisavós tiveram, quatro morreram na guerra, e os outros três também teriam morrido se tivesse continuado aqui. Portanto eles decidiram que nunca mais o sangue da família seria derramado para os Malfoy pisarem em cima.


A garota parecia abalada, e parecia mesmo ter perdido a noção do porquê estava ali. Foi Linda que se recompôs e quebrou o silêncio.


-Essa Danielle não morreu, não é mesmo? Ela é quem eu conheço por Dally, e quem os meninos conhecem por Sally.


Olga deu um sorriso fraco e balançou a cabeça.


-Exatamente. E ela foi o argumento maior para a família aceitar entrar de novo nessa guerra.


-Mas quem é ela? –perguntou Evelyn, agitada- Digo, qual a importância dela para a sua família.


-Eu não sei –respondeu Olga, dando de ombros- Ela é a maior incógnita para todos nós. Nem tio Fred ou Gui ou vô Jorge jamais falaram muito sobre ela. Aparentemente era filha de dois membros da Ordem, ficou órfã no dia da Queda e, depois disso, minha bisavó pegou para criar.


-Mas quem eram os pais dela? –perguntou Linda- Porque tamanho mistério em volta dela?


Olga parecia perdida.


-Eu posso lhe falar de muitas coisas da minha família, menos sobre isso. Meu pai é o caçula e ele nem chegou a conhecer essa garota. Mas tio Jacques que é o primeiro neto que meus avós tiveram lembra-se muito pouco dela, ela “morreu” quando ele tinhas uns seis anos.


-Será que Harry e Gina não poderiam esclarecer essa questão? –indagou Milly.


O rosto de Olga se iluminou.


-Anita contou sobre os dois! Parecem fantásticos! Estão aqui? –agitou-se ela.


Taylor deu um sorriso amarelo.


-Não, eles permaneceram em Hogwarts...


O sorriso dela esmoreceu, mas ela ainda tinha um sorriso sonhador.


-Eles foram feitos a partir de uma tecnologia de Tio Fred e vovô Jorge, mas ela adaptou e desenvolveu muito. Tudo o que os dois conseguiram fazer foi uma representação holográfica da pessoa, que repetia tudo que a pessoa fizesse. E mesmo assim, isso não durava mais que um mês... Mas ela conseguiu durabilidade e memória artificial! Céus, é incrível!


-Então essas são as Gemialidades Weasley? –perguntou Evelyn, com os olhos brilhando.


-Sim! Eu disse que essa reabertura da Sociedade foi um fato único, eles não conversavam há quase dez anos, mas assim que essa notícia chegou até o meu avô, num segundo tio Fred já estava lá. E eles voltaram a trabalhar juntos para ajudar vocês.


Para cada membro da Sociedade, era impossível não sentir um raio de esperança invadindo o lugar. Estavam deixando de ser pontos isolados, e se Taylor não estivesse errado, ele jurava não estar, então um exército contra os Malfoy começava a se levantar nesse momento.


As Gemialidades começaram a passar de mão em mão, e Olga explicava a utilidade de cada uma. Não era à toa que todos pensaram que aquilo eram brinquedos, pois foram criados para se parecer assim. A garota ainda entregou anotações dos gêmeos a cada um deles, que tinha recomendações de uso e de durabilidade.


-Então isso é tudo? –perguntou Taylor, olhando nervoso para o relógio- Porque é melhor nós irmos, ou alguém pode perceber que nós sumimos por muito tempo.


-Só um instante –disse ela, remexendo no fundo da sacola. Então ela lançou o feitiço de aumentar e um pacote grande se materializou na frente deles- Ainda falta um presentinho especial.


Olga cortou a fita que prendia o pacote e tirou um pano de lá.


-Milly Bradforth –leu ela.


A menina levantou-se surpresa e pegou o pano em suas mãos, sem entender direito.


-Caméllia Quill e Sophie Bexter. Paolo Manfredini, Charles Bowl.


Os quatro também pegaram o pano sem nada entender.


-Lucy Geller, Laureen Kane, Matt Whipple.


-Liv Orchis e Louise Campana.


Depois que as duas recolheram seus “presentes” só havia uma pessoa a pegar: Taylor.


-Taylor Looker e Beverly Dylan Bowl –leu Olga, para espanto de todos.


Taylor corou levemente e olhou constrangido para Olga.


-Desculpe, mas Bev não está aqui –disse ele sério, esperando que ela entendesse.


-Ok, você pode entregar para ela, não pode?


-Não, eu quis dizer que ela saiu da Sociedade. Beverly desligou-se da Sociedade.


Olga ficou séria, mas então estendeu os dois embrulhos a Taylor.


-Vocês selaram um pacto, não selaram? Então ela ainda está dentro. Entregue isso a ela por mim, explique quem lhe enviou.


Evelyn estava radiante, sorria como se soubesse de algo a mais do que os outros. Talor ainda bão havia aceitado os embrulhos, encarava Olga relutante.


-Taylor, o presente foi enviado a Beverly –disse Linda- E você certamente entregará a ela, não entregará?


-Claro, mamãe –disse ele à contragosto, pegando os dois embrulhos.


Olga sorriu.


-Ótimo! Vocês devem estar se perguntando o que é isso. Bom, são capas de invisibilidade! –disse ela, muito animada.


Mesmo Linda e Evelyn ficaram de bocas abertas. Cada membro da Sociedade olhava embasbacado para o pano que estava em suas mãos. As capas de invisibilidade haviam sido banidas há mais de 300 anos, ou pelo menos era isso que os livros da história contavam. Aquele era um objeto ilegal, que mesmo no mercado negro raramente era encontrado. E eles tinham doze dessas ali.


-Eles gastaram muito dinheiro conseguindo essas –disse Olga, com visível orgulho- Mas eles estavam se sentindo recompensados. Vai valer a pena. Ah, com certeza vai... A família está muito animada.


Linda franziu o cenho.


-A família está “muito animada” com o quê?


Olga fingiu uma cara de esquecimento.


-Ops, eu esqueci de falar –riu ela- Cada Weasley acima de 18 anos que esteja disposto a lutar foi convocado. Reunirão-se na França dentro de três semanas, então virão para cá. –ela parou e olhou sonhadora para todos- A Ordem da Fênix será reaberta.


Evelyn deu um grito de felicidade, Linda deixou-se cair na poltrona, pasma. A senhora Tacher ficou pálida por um instante, sem conter um sorriso bobo no outro. Os membros da Sociedade só conseguiram ficarem pasmos.


-Isso é maravilhoso, Olga! –sorriu Evelyn- Eu acho que, pela primeira vez em anos, nós temos uma chance real de acabar com esse pesadelo.


Olga balançou a cabeça, com o sorriso de orelha a orelha.


-Nós lutaremos duro para que isso aconteça, Sra. Bowl. –então ela olhou para a Sociedade- Vão, se demorarem mais podem estragar tudo.


Os membros levantaram e trocaram algumas palavras com Linda, Evelyn e a senhora Tacher antes de ir. Partiram em grupos pequenos, para não levantar suspeitas. O último grupo a sair foi Taylor, Charles e Liv. Deixaram a casa de Hannah Tacher com muito custo. Dentro da casa ficava não só informações sobre a nova Ordem da Fênix, muito do que o futuro reservava seria discutido ali ainda hoje. Mas apesar de toda a curiosidade que sentia, Taylor saiu da casa mais alegre e satisfeito do que havia se sentido em muito tempo. O tempo estava para mudar para a família Malfoy.
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N/A: Olá pessoal, aki estou eu com o novo cap. Bom, as minhas aulas voltaram, e isso significa menos tempo para escrever, mas prometo que não vou deixar a fic ao relento. As coisas aki finalmente estão prestes a pegar fogo!rsrs Bom, se vc está gostando da fic, deixe uma resenha e entre na camapanha “Eu faço uma autora feliz!”. Bjuss, Asuka

Molly: Muuuuuito obrigada pelos elogios. Sociedade é um projeto antigo meu, que eu namorei muito tempo antes de começar a escrever, e constantemente sempre me deixa cheia d dúvidas, portanto é muito importante para mim ouvir elogios como os seus. Prometo me esforçar bastante para q vc continue gostando da fic, apesar de toda dor q eles passam. Mas o futuro dessa fic promete!Rsrs Continue lendo e aproveite a fic, Bjusss

carlapiks: Na verdade os mistérios q envolvem o Draco são muuuuuitos, rsrsr mas serão todos revelados a seu tempo. Espero q esteja gostando da fic! Bjusss

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