Prólogo



PRÓLOGO


 


 


Às vezes, o destino precisava de um empurrãozinho.


 


Representante de uma longa linhagem de conhecedoras dos caprichos do destino, Minerva Granger sabia disso, entretanto, teria de convencer Molly de que a situação corrente exigia medidas drásticas. Entendia a relutância da irmã, pois também raramente usava os dons especiais, mas, nesse caso, que alternativa lhes restava?


 


Molly torcia as mãos, preocupada.


 


— Com certeza, deve haver algo que possamos fazer — considerava, agitando os cachos de cabelos brancos. — Precisamos agir antes que Hermione se precipite.


Minerva avaliou o semblante da irmã.


 


— Hermione nunca se precipita — observou.


 


Molly fez uma pausa para reconsiderar.


 


— Bem, talvez essa não seja a palavra certa. Imprudente, então.


 


— Sim — concordou Minerva, em tom sinistro. — Temo por Hermione. Ela não vê o perigo porque não dá valor ao fato de ser uma Granger.


 


— Exatamente. — Molly mostrava-se mais inquieta. — Tive um mau pressentimento quando soube da morte do pai de Hermione. Eu não disse que a morte de nosso querido irmão acarretaria grandes mudanças?


 


— Acho que fui eu que disse isso — observou Minerva, lançando um olhar severo à irmã.


 


— Oh, não vamos discutir — implorou Molly, agitando a mão delicada num gesto de descaso. — Só sei que sinto um frio nos ossos, uma premonição de que...


 


Minerva interrompeu-a, impaciente, e declarou:


 


— Devemos agir.


 


Ambas olharam para o pequeno armário sob a janela curva do solar.        


 


Molly voltou para Minerva os olhos azuis arregalados.


 


— Oh, não... Prometemos a Hermione que não praticaríamos!


 


— Hermione não precisa saber — opinou Minerva, franzindo o cenho. É para o próprio bem dela!


 


Molly era especialista em preocupação e alvoroço, sem mostrar realizações, entretanto. Fazia pouco mais de uma semana que o irmão de ambos falecera. Considerando que ele e a filha nunca tinham sido muito chegados, estranhavam aquela determinação da jovem em visitar a propriedade que acabara de herdar.


 


--- Se não tomarmos uma providência, Hermione é capaz de contratar acompanhantes duvidosos e partir para o País de Gales sozinha. — alertou Minerva, Molly assustou-se.


 


— Oh, não!


 


— Oh, sim! Ela é teimosa a ponto de fazer isso — assegurou Minerva.


 


Teimosa, prática e independente, Hermione resumia tudo o que as tias não eram. Numa situação normal Minerva e Molly até aprovariam o desejo da sobrinha de voltar terra natal, mas nesse momento Hermione não poderia empreender tal jornada sozinha, considerando a turbulência política que o País de Gales atravessava desde que Severo ocupara a região, em 1277. Embora não se soubesse de nenhum conflito mais grave, sempre circulavam rumores sobre uma possível dissidência entre os príncipes galeses e, para completar, Minerva vinha tendo visões nada reconfortantes...


 


— Então, devemos agir — cedeu Molly, relutante.


 


— Muito bem, então. Estamos de acordo.


 


As velhas irmãs trocaram um sorriso enigmático. Estava no sangue, afinal, embora Hermione as forçasse a negar sua herança.


 


Decididas, as duas agiram rapidamente. Minerva ajoelhou-se diante do pequeno armário e o destrancou com a chave que levava pendurada numa tira de couro ao pescoço. Retirou uma bacia de metal batido e com todo o respeito a colocou no balcão. Molly voltou com um jarro de água. Enquanto Minerva vigiava a porta, Molly despejou o líquido na bacia, quase até a borda.


 


Minerva pousou o jarro no chão e as duas recuaram. Então, aproximaram-se bem juntas, segurando a cabeleira branca e grisalha enquanto fitavam a água. A princípio, a superfície permaneceu imóvel. Então, bem devagar, começou a se agitar e a luz do sol misturou-se a sombras, refletindo uma imagem que não era a delas.


 


Minerva respirou fundo.


 


— Quem é?


 


— É um homem! — respondeu Molly, batendo palmas, contente.


 


— Eu estou vendo — confirmou Minerva, estreitando o olhar. Embora sua visão não fosso mais tão boa quanto antes, não admitiria isso à irmã. — Mas quem?


 


— Ora, o salvador de Hermione, claro. Seu cavaleiro, seu senhor, seu verdadeiro amor! — sussurrou Molly, suspirando de prazer.


 


— Sim, sim — afirmou Minerva, impaciente. — Mas você o reconhece?


 


— Oh. Bem, deixe-me ver... — Molly aproximou mais o rosto, estreitou o olhar, e logo se ergueu com um gritinho de prazer. — Não sei quem é, exatamente, mas veja aqueles cabelos, aqueles olhos e aquela... forma magnífica! — Apontou para a imagem ondulante de um rapaz alto, forte e perigosamente bonito.


 


De repente inspirada, Minerva notou certa familiaridade nas feições à superfície da água. Prendendo a respiração, olhou para a irmã. As duas se encararam, exclamando em coro com espanto e excitação:


 


- É um Potter!


 


 

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