1º de Setembro de 1971



1º de Setembro de 1971


 


Lily,


 


Você deve estar naquele trem idiota agora. Já deve estar conhecendo gente esquisita, fazendo aquelas esquisitices e indo para aquela escola esquisita. Às vezes não consigo acreditar que a minha irmãzinha é uma aberração. Você não se lembra do que a Irmã Clementine dizia na aula de religião? Magia é coisa do demônio. Coisa de gente anormal; de abortos da natureza.


         Odeio pensar em você dessa forma, mas não consigo. Parece que foi ontem que brincávamos de fazer bolos de lama no jardim. Mas depois que você recebeu aquela carta dizendo que aquelas coisas anormais que você fazia eram normais – não que essa gente saiba o que é normal, afinal de contas -, você esqueceu completamente de tudo o que passamos. Só sabia falar daquela escola idiota e das coisas que aprenderia lá. Eu ainda não consigo acreditar que você preferiu ir estudar numa escola para aberrações do que ficar aqui com a sua família; com gente normal.


         Mamãe disse que o jantar está pronto. Confesso que não vai ser a mesma coisa jantar sem você transformar acidentalmente as ervilhas em um monte de bolinhas quicantes.


         Confesso, também, que vou sentir sua falta, Lily.


         Mesmo você tendo sendo uma aberração.


 


Sinceramente,


Tuney.

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