O Natal inesquecível de Hermio

O Natal inesquecível de Hermio



Hermione carregava a vassoura de Harry, e a de Rony, com uma certa dificuldade. Bem que os dois podiam ter levado suas vassouras! De repente ela parou de caminhar com um peso na consciência. E se eles estivessem mortos? Começou a chorar, e voltou a caminhar em lágrimas. Tinha voado com Saki levando sua mochila, a de Harry, e também pegara a vassoura de Rony, que na pressa de se ver livre da suposta traição, esqueceu de levá-la. Agora, Hermione estava caminhando numa cidade tranqüila nas proximidades de Londres, onde ninguém a incomodaria. Saki já estava num campo aberto, perto dali, o dragão continuava sonolento, e quase acertara Hermione com o fogo que atirou, quando ela o acordou.
Para completar a má sorte de Hermione, uma chuva gélida começou a cair, e logo a ficar mais densa. Ela não precisava disso. E agora o que ia fazer? Começou a procurar algum abrigo, mas o vento frio assobiava tão forte, que ninguém era capaz de escutá-la. Neve começava a cair. Ela ia morrer congelada! Precisava usar magia. Mas seria uma irresponsabilidade sua, pois alguém da cidade poderia vê-la usando a varinha, mesmo com aquela nevasca.
As lágrimas nos olhos só borravam seu lápis preto. Desde quando ela começara a usar lápis preto? Agora ela notava como ela tinha mudado. Seria tudo porque achava que não podia ficar com Rony, não enquanto a pendência em relação à guerra com Voldemort não fosse resolvida?
Enfim, achou um abrigo, embaixo do telhado de uma loja de roupas de esportes, que se estendia até a improvisação de uma varanda. Sentou ali, tremendo de frio. Seu sobretudo preto a deixava mais sombria, juntamente com os cabelos todos desgrenhados. Encolheu-se, e cruzou os braços, abraçando os joelhos, deixando as vassouras do seu lado direito. Só agora percebia o quanto à magia fazia falta aos trouxas menos favorecidos. Se ela sobrevivesse aquele frio, e depois a Voldemort, daria um jeito de criar no Ministério da Magia, uma lei que protegesse as crianças trouxas do frio.
Quando a neve já ganhava centímetros no chão, Hermione teve que confessar a si mesmo, que estava com medo, e não queria morrer soterrada. Sair dali era perigoso, mas ficar ali também era. Usar magia? Mas e os trouxas? Não importava mais. Era sua sobrevivência em jogo. Quando tocou na varinha, dentro de seu sobretudo, ouviu vozes. Quem seria?
-Ela está ali! Olha!
Duas figuras disformes se aproximavam, Hermione começou a sentir um pavor inimaginável. Quando apontou a varinhas para os dois, eles pularam em sua direção, agarraram seu braço, e desaparataram, levando ela, e suas coisas.


O cheiro de comida era maravilhoso, a casa era quente e aconchegante, e o barulho do relógio era inconfundível. Hermione nem precisava abrir os olhos para saber onde estava: n’A Toca.
-Que bom que acordou! – falou um Fred meio pálido em um tom vibrante.
-É, ela tá até bem corada. Onde se viu desmaiar de susto, sendo uma grifinória? – perguntou Jorge.
-Mas... Mas... Como me acharam?
-Você aparatou, e isso apareceu no nosso mais novo projeto de geminilidades Weasley – falou Jorge contente.
-É isso mesmo. Nosso “Localizador por Identificação”. Demos sua foto, e seu perfil, bastava você aparatar nas proximidades, que o Localizador te encontraria – disse Fred com ar risonho.
-Fala sério! Vocês pegaram isso do Ministério! É o Localizador que eles utilizam para todos que aparatarem.
-Como você sabe? – perguntaram, ao mesmo tempo, Fred e Jorge para Hermione, que estava com a cara amarrada.
-Ué! Como eu sei? Eu vi o símbolo do Ministério da Magia, embaixo dessa caixa preta.
-Está bem, confessamos... – Começou Fred.
-Fomos nós que roubamos o Localizador Principal, daí vimos que você aparatou e fomos atrás de você. Mas cadê nosso irmão? – perguntou Jorge, mudando o assunto.
-Bem... eu... – Ela não sabia o que dizer. Não sabia nem se Rony estava bem.
-Eu to aqui...
A voz foi como música no ouvido dela. Virou-se no sofá em que estava sentada, e viu Rony, ali, parado na porta que dava para a cozinha, de onde vinha o tic-tac do relógio.
-Rony! Você conseguiu vir até aqui? Ninguém te atacou? Que bom!
Ela se levantou e se jogou nos braços dele, sem nem pensar. Mas Rony a empurrou para o lado.
-Mas o que... ?
-Desculpa Hermione, mas ainda é difícil engolir toda essa história.
-Que história? Não era o Harry, Rony! Precisa acreditar em mim. Era...
-A questão não é essa! – interrompeu Rony rispidamente. – Fosse, ou não fosse o Harry, você o beijou. O que é bem pior, você beijou o Draco.
Fred e Jorge que só cuidavam dos dois falando, olharam pasmados para Hermione.
-Mas foi ele que me beijou!
-Desculpa de novo Hermione, mas eu preciso ir para meu quarto pensar um pouco.
Rony ignorou os gestos de Hermione, e subiu as escadas.
-Hermione... Aqui! Na cozinha...
-Sra. Weasley! Nossa! Que bom vê-la!
Hermione forçou um sorriso. Mas na verdade estava muito triste com que acabara de acontecer.
-Já sei de tudo...
-Sabe?
-Harry e Snape me contaram... Quer dizer não falaram tudo. Mas deu para entender. Deixe Rony refletir um pouco. Logo ele conversa com você, e então vocês se entendem.
-Harry e Snape?
-Sim. Snape já voltou para escola, mas depois ele volta e te explica também. Você quer descansar um pouco? Parece tão abatida.
Hermione assentiu, deixou Molly cuidando da louça para lavar, e foi para o quarto de Gina, que não estava lá. Aquela história toda do Snape, de Harry e Rony era muito estranha, mas seu corpo estava dolorido, e ela não estava em condições de pensar, se quer. Então deitou na cama de Gina e dormiu.


Gina estava com Harry, embaixo da maior árvore do pátio da Toca. Já estava caindo à noite. E Harry estava pensativo com os acontecimentos do dia. Gina quis chamar sua tenção, e pegou em sua mão.
-Ah! Gina... Como é bom estar com você.
-Também digo o mesmo Harry. Mas eu gostaria de saber no que você está pensando?
-Em muitas coisas...
O olhar de Harry era distante.
-No que por exemplo?
-Sabe Gina, eu nunca imaginei isso... Mas tem uma coisa que não me sai da cabeça... Uma coisa que Rony me disse enquanto Snape nos trazia para cá.
-O que?
-Hermione beijou o falso Harry.
-E o que tem isso?
-Você não vê Gina?
Gina não sabia se não conseguia enxergar, ou se estava querendo ficar cega diante a realidade em que sua razão insistia em fazê-la acreditar. Mesmo assim, ela negou com a cabeça.
-Talvez seja coisa da cabeça do Rony, e eu esteja achando isso só porque ele me falou.
Gina não conseguia mais ficar com os olhos vendados.
-Quer mesmo saber Harry? Eu vou acreditar no que a Hermione me disser, porque ela é minha amiga, e eu confio nela, ela não mentiria para mim. Mas até isso acontecer, eu vou sim pensar no que você e o Rony estão pensando...
-Em que Hermione beijou o falso Harry, porque sente alguma coisa por mim?
-Quase isso, não quer dizer que ela goste de você, mas que aconteceu algo com ela, para te beijar, aconteceu.
-Bem... O Rony jogou na cara dela que ela gostava do Krum, e ela ficou muito chateada com a desconfiança dele. Mas porque ela me beijaria depois de ter discutido com o Rony?
-Eu não sei.
Ela olhou bem para Harry, e puxou seu queixo para cima.
-Não vamos pensar nisso.
Os dois se beijaram. Rony olhava da janela do seu quarto a cena. Sentiu-se mal por não poder fazer o mesmo com Hermione.


Aturdido com a cena de sua irmã e de seu melhor amigo, juntos, como se nada no mundo estivesse acontecendo, e como se Gina não corresse perigo, Rony cogitou, por um momento, abrir a porta de seu quarto, descer às escadas e ter uma conversa séria com Harry. Mas ao abrir a porta desistiu com a imagem que viu.
Hermione estava lá, sentada nas escadas do corredor, chorando. Aquilo realmente era apavorante para ele, que não sabia o que fazer. Bastava uma escolha sua, e tudo podia mudar. Resolveu escolher o que parecia certo, mas não era bem o que ele queria.
Foi até lá.
-Hermione? Está tudo bem?
A voz dele em seus ouvidos, fez Hermione dar um pulo. Ela pensou que ele não pudesse escutá-la dali.
-Está sim. Obrigado – respondeu num tom de ignorância, apesar de estar com a voz embargada.
-Olha Hermione! O cara tenta te ajudar, mas você fica ai fazendo essas ceninhas...
Hermione deu seu habitual muxoxo de desaprovação, sinal, este, para Rony, de que ela estava muito bem.
-Quer saber Mione? Cansei de você! Olha como você anda agindo? Você...
Antes que ele pudesse continuar, Hermione começou a falar.
-Eu estava no quarto de Gina, e havia uma orelha extensível lá... E... E... – Hermione parecia engolir o choro. – Eu escutei Harry e Gina falando sobre mim... Rony tudo isso parece um pesadelo, e... eu quero muito acordar... Eu não queria beijar o Harry, ou o Draco, seja lá quem fosse... Eu estava confusa, eu ando muito confusa nesses últimos tempos... Talvez com minha mãe que pode estar em perigo, talvez com nós dois... O fato é que parece que eu estou perdendo o chão. Eu não consigo mais nem me concentrar na leitura dos meus livros, mal consigo raciocinar...
Hermione enfiou a cara nas duas mãos e desatou a chorar, ainda sentada na escada vestida com uma calça jeans e uma camiseta preta. Ela precisava dormir, pensou Rony. Todos tinham passado por maus momentos, e ele achou que ela não. Mas afinal de contas ela carregara Saki de um lado a outro, até chegar com Fred e Jorge n’A Toca. Dando de ombros pelo o que ia fazer, ele levantou Hermione com todo o cuidado que podia, a ajudou caminhar até o quarto de Gina, desceu as escadas, abriu a porta e a deitou na cama da irmã. Conjurou a Poção do Sono, e fez ela tomar.
Ficou ali, a observando pegar rapidamente no sono, com os olhos inchados. A voz dela não saia de sua cabeça... “Eu não queria beijar...” “Eu estava muito confusa, eu ando muito confusa...” Ele mordeu o lábio inferior. Começava a acreditar nela, afinal de contas fora ele que gritara com ela, antes dela sair correndo em direção a floresta. Devia ter desconfiado que o mau humor dela tinha haver com a mãe que podia estar correndo perigo em Hogwarts, ainda mais por estar na pele da melhor amiga do Potter. Só agora Rony percebia que para Mione era muito mais difícil imaginar a mãe correr perigo, do que ele em relação à irmã Gina, que felizmente estava segura na Toca.
Percebeu então, em como fora idiota. Ele se desculparia com Hermione assim que ela acordasse. E ia falar com Harry sobre isso. Não queria que nem ele, e nem Gina, ficassem falando sobre o beijo no falso Harry. Antes de sair do quarto da irmã, ele arrancou a orelha extensível da parede, que percorria quase todo jardim d’A Toca, e jogou o fio na grama. Outra hora, Gina arrumaria de novo, se quisesse.
Antes de fechar a porta, olhou mais uma vez para Hermione. Seus cabelos cheios, agora estavam soltos e caídos no ombro direito. Ele gostava mais assim. Sorriu para uma Hermione dormindo, e fechou a porta com um leve barulho de trinque se fechando.


Era véspera de Natal. Hermione estava sorridente, todo aquele episódio envolvendo ela e o falso Harry já estava esquecido por Gina, Harry e Rony. Seus amigos voltaram a falar com ela como antes. Saki agora estava nos fundos d’A Toca, e Carlinhos conversava muito com ela sobre o que havia acontecido ao seu dragão durante o tempo em que estivera fora.
A Sra Weasley não xingou, nem criticou nenhum dos três amigos por se aventurarem no mundo, com Voldemort a solta. Só disse, enquanto colocava o peru no forno, que ia sentir muita falta deles quando partissem de novo. Mas que dessa vez ficaria mais tranqüila já que Snape garantira que ia junto. Carlinhos se ofereceu para partir também, mas Rony teve um ataque de ciúmes, e Hermione viu, e ouviu, quando ele atacou o irmão, no corredor, dizendo que se, se aproximasse outra vez dela, ia se ver com ele.
Ela não conseguiu esconder o sorriso alegre, depois disso, de ninguém. Fred e Jorge, que arranjaram uma maneira terrível de se vingar de todos os sermões que Hermione dera neles quando tinha sido monitora em Hogwarts, agora, sem mais nem menos, tentavam arranjar motivos para afirmar que ela beijara o “...patético do Draco!” “...o seboso do Draco!” “... O nojento do Draco!” Já pareciam até disco quebrado. Nem ela, e nem Rony davam a mínima para esses comentários. Ela agradecia por isso.
O Sr Weasley andava pensativo. “Problemas no Ministério...” Dizia ele. E Harry tentava arrancar informações, sempre quando Molly não estava por perto. E acabava conseguindo, e claro vinha correndo contar a ela. A primeira coisa descoberta foi sobre Karkaroff entrar escondido no Ministério, e achar a sala em que Voldemort estava tramando seus novos planos de ataque. Achou mapas e anotações sobre um segundo ataque.
-Parece que Voldemort vai atacar Hogwarts de novo – avisou Harry, naquele dia. E Hermione já até podia sentir o cheiro do peru, a ceia estava próxima. Mas aquela noticia era desanimadora.
-Tem certeza? – quis saber ela, apreensiva por sua mãe, que devia ter voltado pra casa, para passar o Natal, sozinha, com o resto da família de Hermione.
-Karkaroff confirmou – alegou Harry. – E Snape também poderá confirmar, ele está vindo para cá, juntamente com Draco.
-Você não está falando sério Harry! Está? – perguntou um Rony esfomeado e cansado de ter que arrumar o jardim para a ceia.
-Não é uma droga? – perguntou Harry desanimado. – Ter que aturar o Draco na ceia de Natal? Pelo menos eu grudo na companhia da Gina, e não preciso ficar me fazendo de amiguinho dele na festa.
-É... Bom pra você! Vai sobrar pra mim... O Gui tem a Fleur... A mãe tem o pai... A Gina tem você... O Lupin tem a Tonks... O Snape e o Karkaroff vão ficar falando como das outras duas vezes que se encontraram aqui, nesses últimos dias. E ainda tem o Carlinhos e o dragão, e parece que o Krum até ia vir, mas a família não quis deixar. Também, depois do susto do filho ter desaparecido... Tem mais é que passar o Natal com a família.
-Rony? E o Fred e o Jorge? E a Mione? Você esqueceu deles? – perguntou Harry, olhando para Hermione que estava com cara de desentendida.
-Ah é! O Fred e o Jorge vão ficar na folia, como sempre. E o Percy não virá, como sempre – respondeu Rony.
Harry levantou as sobrancelhas no mesmo momento de Hermione.
-Ah sim... Tem a Mione... Mas ela vai fica falando com o Carlinhos... Não sei aonde arranjam tanto assunto sobre o dragão!
Hermione olhou bem para Rony, que estava com uma cara fingida de despreocupação. Ela sorriu. E Harry olhou para ela, apontando com o olhar as orelhas vermelhas do amigo.
-Bem... Se vocês dois me permitem – começou Hermione, mudando de assunto. – Precisamos saber sobre o segundo ataque em Hogwarts, por que Voldemort quer tanto assim atacar o castelo? Seria por algum objeto que esteja lá?
-O que? Uma horcrux? É o que você quer dizer? – perguntou Harry animando-se com a possibilidade.
-Exatamente!
-Desculpa desviar um pouco o assunto – pediu Rony. – Mas, Mione, você não acha que devemos tirar sua mãe de lá? Antes que esse ataque aconteça?
-Você tem razão, Rony. Agora ela deve estar passando o Natal em casa. Eu precisava ir para casa avisá-la para não voltar, e quem sabe se esconder em outro lugar? Mas quando faço isso? E como? Meu pai está viajando a trabalho... E agora, o que eu faço?
-Eu tenho um plano! – exclamou Rony sorridente e confiante.
Depois de debaterem um pouco sobre o plano, no quarto de Rony, o trio concordou em, no dia seguinte, usarem a capa da invisibilidade para roubarem o localizador de Fred e Jorge, e aparatarem até a casa da mãe de Mione, e de lá seguirem viagem até Hogwarts.
-E Snape? - quis saber Harry. – Não podemos deixá-lo! Ele quer ir com a gente.
-Por que está defendendo tanto assim o Snape? O que você viu na penseira Harry?
Hermione já sabia de tudo e estranhou Harry não ter contado a Rony, já que também tinha contado a Gina.
-Bem Rony... Snape e minha mãe... Eles chegaram a ter um romance antes dela conhecer melhor meu pai.
-O QUE?
-Não te disse nada, porque é meio difícil explicar tudo, e não queria que você, por algum acaso, comentasse nada com ninguém. Isso é um assunto que só diz respeito ao Snape, e a mim.
-Agora entendo porque ele nos ajuda. Quando vi minha mãe tratá-lo bem, achei que tinha algo estranho, mas pensei que você tinha visto na penseira só o que Draco tinha falado.
Harry mordeu o lábio inferior, e Rony levantou as sobrancelhas, fez-se então um silêncio que pareceu durar cinco minutos, até que Hermione falou:
-Esperamos Snape em Hogwarts, e partimos de lá com ele...
-Só tem uma coisa que não para de martelar na minha cabeça... – disse Rony de repente.
-O que?
-Se Snape está do nosso lado, junto com Draco, onde está o resto dos Malfoy? Com Voldemort? E como Voldemort não suspeita de Snape?
-Está na cara Rony... – disse Hermione. – Para Voldemort, Draco está passando o tempo todo em Hogwarts, e quando sai com Snape é para tentar nos achar. Então os Malfoy continuam do lado dele, é claro. E, jamais, Voldemort suspeitaria de Snape depois dele ter matado Dumbledore. Sua confiança agora é total em Snape.
-Bem... Depois de toda essa conversa, fiquei com fome. Vamos cear! – esbravejou com prazer, um Rony, agora mais animado.
Os três desceram as escadas em direção ao Jardim.



Draco já estava no jardim d’a Toca. Era o primeiro Natal longe da família. Mas Voldemort não podia achá-lo na mansão dos Malfoy, já que andava seguidamente por lá, torturando comensais da morte. Draco precisava se manter na espreita, longe dos olhos dele, já que sua mente, ao contrário de Snape, podia ser lida com facilidade por Você-Sabe-Quem.
Sentou-se em uma cadeira branca, e ficou olhando para Gina Weasley sentada no outro lado da mesa. Tão sem graça! Ele não entendia como os garotos de Hogwarts babavam por ela, seu maior atrativo era os olhos claros e mais nada. Draco estava surpreendido que Harry preferisse a ‘sem graça’ a Hermione, sua melhor amiga, sangue ruim, por quem agora Draco estava apaixonado.
E lá vinha ela. Sorridente, radiante, acompanhada de Harry ao seu lado esquerdo, e do idiota do Rony ao lado direito. Seus cabelos estavam soltos, caídos nos ombros, usava um suéter vermelho com a letra H, e ele achou que ela ficaria muito mais linda com um vestido vermelho sangue, e um colar de pérolas no pescoço.
-Tudo bem draco?
Era Snape.
-Ainda olhando para a menina Granger com outros olhos?
-Eu... é... eu...
-Se acalma Malfoy, é só uma garota.
Mas Draco tinha um plano, chamaria Hermione para dançar, e pediria para falar com ela.
-O que você está tramando Draco? Lembre-se do nosso plano! Não estrague tudo com essa paixão idiota pela garota Granger.
Draco assentiu, fingindo olhar para outra coisa. A música começou a tocar, e parecia que ia nevar, por causa disso, Lupin, o lobisomem, conjurou uma tenda em cima da mesa. Os pratos de comida estavam sendo trazidos, levitados por Fleur Delacour e pela mãe de Rony.
Harry se aproximou da mesa, e beijou Gina, na frente de Draco, só então o viu.
-Anh... Oi – disse num tom de desagrado, sentando-se ao lado da garota Weasley, e o casal se deus as mãos.
Parecia patético, mas Draco teve que concordar, que adoraria poder tratar Hermione como sua namorada, lhe dar as mãos, e beijá-la de novo.


Hermione agora tentava ficar um pouco longe de Carlinhos, pois queria agradar Rony. Já ele parecia mais preocupado em comer, e olhar de esguelha para Draco, como se a qualquer momento o seu inimigo sentado à mesa da ceia de Natal, fosse jogar uma bomba, e matar todos.
Após a ceia, a música ficou mais alta, e como a neve havia parado um pouco, Lupin, e Sr Weasley fizeram a mesa desaparecer, deixando apenas a tenda. Assim Tonks e Lupin foram dançar, acompanhados de Fleur e Gui, depois Molly e Arthur. Hermione e gina ficaram olhando, até que Gina se levantou.
-Vem Harry! Vamos dançar! – ela puxou a mão de Harry.
-Mas eu não sei dan...
-Deixa disso! Vem!
E Hermione viu sua melhor amiga dançando, feliz, como ela ainda queria a ver, quando voltasse da missão de destruir as horcruxes. Karkaroff falava com Snape e Draco. E Rony, seu alvo principal, estava conversando com Fred e Jorge, talvez achando uma maneira de saber onde estava o localizador. Carlinhos se aproximava dela. E agora? O que ela ia fazer, se ele pedisse para...
-Quer dançar comigo Mione?
Antes que ela pudesse responder, Rony já estava ao lado de Carlinhos.
-Não. Ela vai dançar é comigo! Não é Mione?
-Rony, ela não é propriedade sua! Ela dança com quem ela quiser.
-Ela quer dançar comigo.
-Não, eu pedi antes de você...
Hermione não sabia o que fazer, viu os dois discutindo verbalmente, como se brigassem por algum tipo de prêmio, e achou ridículo. Nessa hora, uma mão foi estendida na sua frente.
-Me concede a honra de uma dança?
Era Draco Malfoy, ela mal tinha cumprimentado ele. Mas estava com nojo da cara dele pelo o que ele fizera. Só que aquele convite era a única saída daquela indecisão de Rony e Carlinhos. E além do mais, Draco, parecia ter o mesmo cavalheirismo de Krum. Então ela estendeu sua mão para ele, deixando Rony e Carlinhos aturdido.
-Mas, mas...
-Mione! – exclamou Rony, surpreso.
Hermione passou por ele, e sussurrou.
-Vou tentar descobrir alguma coisa... – e piscou para Rony, que aliviado se sentou.
Enquanto Draco e ela dançavam, ela pode reparar na elegância dele. Do perfume caro, ao terno de um tecido levíssimo. Os cabelos brilhantes, e a pose de arrogância.
-Por que pediu para dançar comigo? – quis saber ela, o olhando seriamente.
-Calma Granger... É na perfeita paz.
-Não entendo – disse ela aborrecida.
-Quero te pedir desculpas.
Ela parou com os passos de dança, fazendo ele parar também, mas ambos ainda seguravam as mãos, e ela continuava com seu braço esquerdo no pescoço dele, e ele com braço direito na cintura dela.
-O que houve? – perguntou ele.
-Desculpa pelo o que?
-Por ter te ofendido-a durante tanto tempo, sem saber que você era uma garota muito especial, e também por ter te beijado, mas creio que Potter te contou o motivo – e ele voltou a dançar, levando-a no seu ritmo.
-Sim. Vocês precisavam que Rony fosse uma isca para acharem Harry. Mas uma coisa que nunca entendi foi... Por quê? Por que me beijar, se bastava deixar Harry inconsciente e levá-lo a força.
-Precisávamos de Rony também.
-Para que?
Nessa hora Carlinhos chegou.
-Vou pegá-la de você agora, Malfoy... Dá licença!
Carlinhos empurrou Draco, que ficou brabo e saiu pisando firme.
-Rapaz inconveniente não?
Hermione desolada com a interrupção, deu um meio sorriso concordando com Carlinhos. Ela precisava saber o resto da história. Ficou olhando para Draco sentando-se sozinho na mesa, pegando um copo de bebida na mão, e a olhando fixamente.


Ele podia até deixar Carlinhos se intrometer entre os dois, mas jamais poderia permitir que Rony conseguisse uma brecha para fazer aquilo que nunca teve coragem de fazer: conquistar Hermione. Era ele, Draco Malfoy, puro sangue, que ia fazer isso. Mas será que se tratava só de uma conquista mesmo? O que estaria acontecendo além da paixão? Será que ele estava amando de verdade Hermione?
Bebeu num gole só o resto de sua bebida, ainda vidrado em Hermione, dançando com o irmão idiota do Rony. Levantou-se de supetão, e dirigiu-se até ela que agora estava sentando nas cadeiras que tinham ficado do outro lado da tenda.
-Ai Draco! Por favor não! Eu não quero mais dançar. Meus pés já estão doendo.
Ele viu ela massagear os pés.
-Não é isso. Vem comigo!
Ele a puxou pela mão e a levou até a cozinha d’A Toca. Lá não havia ninguém, e ele ia poder conversar com ela.
-O que você quer?
Draco a ouviu perguntar e se deliciou com aquela pergunta tão inocente. Deu a volta na humilde mesa de madeira da cozinha e parou na porta que dava para a sala, escorando-se, cruzando os braços e sorrindo.
-Dizer que você é uma garota histérica.
-O QUE? Como se atreve seu nojento... – ela sacou a varinha dela, assim como ele queria que ela fizesse, andou em sua direção e lhe tocou com a ponta da varinha em seu queixo.
Foi ai que ele a puxou pelo pulso, fazendo-a a derrubar a varinha no chão.
-Eu sinto muito, eu menti... Se você perguntar de novo...
-Draco, me solta! O que você quer?
-Quero você.
O choque nos olhos dela foi instantâneo. Mas ele precisava agir, antes que Rony o fizesse.
-Então? Não fala nada, Sra Granger?
-Você nem me disse porque que...
-Por que do beijo? Simples! Snape concordou que eu desse uma lição no idiota do Rony Weasley. E eu, sinceramente, queria beijar você.
Ela virou a cara.
-O que foi? Está com medo?
-Larga meu pulso!
Draco a pegou nos dois braços, deixando os rostos extremamente perto.
-Você vai me pagar seu...
Então ele a beijou. Mas ela o empurrou em seguida, e juntou sua varinha, colocando ele contra a parede.
-A próxima vez que você fizer isso, eu juro, você vai se arrepender para o resto de sua vida! Seu trasgo!
-Vai dizer que não gostou? – perguntou ele, mordendo os lábios, e colocando os dedos sobre eles, fechando os olhos. Mas ao voltar a abri-los, Hermione já não estava mais lá. – Droga!
Bufando, ele foi atrás dela.


Rony percebeu que Hermione fora atacada por Carlinhos e obrigada a dançar com ele de mau gosto, ele percebeu o rosto contorcido dela. Depois viu Draco a carregar pelo braço até dentro da cozinha, e logo depois, viu ela sair bufando de lá, e Draco atrás, igualmente com raiva. Não ia mais ficar parado olhando. Ia tirar Draco de seu caminho. Era óbvio demais agora: Draco estava gostando de Hermione. Como ele não percebeu antes? Achou que era só brincadeira de seu inimigo para ficar lhe provocando, mas então Draco estava mesmo apaixonado por Hermione? E parece que estava andando mais rápido do que ele no jogo da conquista. Mas Rony teve que rir.
Hermione estava fazendo draco andar em círculos atrás dela. Era engraçado demais. Rony se levantou e fez Hermione parar.
-Sou eu Mione!
-Ah... Rony! Graças a Merlim! Vou cometer uma loucura! Vou azar o Draco, se ele não parar de...
-Deixa comigo!
Rony saiu decidido, na neve, fora da tenda e parou draco, que quase tombou com ele.
-Qual é a tua Draco?
-O que você quer Weasley de merd...
Rony o pegou pelo colarinho do terno.
-Ou você cala essa boca, ou ai se ver comigo, e aproveita e deixa a Hermione em paz!
-Ela não é sua propriedade!
-Nem sua! Mas se te interessa saber, ela gosta é de mim!
-Como você tem tanta certeza? Pois ela não me beijou, enquanto eu era o Harry?
Rony o largou, deixando ele cair na neve.
-Via catar coquinhos Malfoy! E vê se vai, e não volta!
Rony saiu de perto dele, e puxou Hermione pelo braço.
-O que foi Rony? – perguntou ela, sem entender.
-Eu quero provar uma coisa pra mim mesmo...
-Não estou entendendo...
-Agora você vai entender.
Rony a levou para a neve, longe da tenda, encostou ela na mesma árvore que vira Harry conversar com Gina, e sem pensar em mais nada, a beijou.
O beijo foi longo e demorado. Hermione sentia leve como uma pluma, e Rony achava que nunca mais sentiria medo de novo na vida. Até que pararam de se beijar, naturalmente, como se houvesse um relógio biológico nos dois, que afirmasse o tempo exato.
-Nossa! – ofegou-se Hermione. – Que Natal hein... Ufa!
-Eu que o diga! Mas agora eu sei...
-Sabe do que?
-Não é do Harry, ou do Carlinhos, ou do Krum, ou do idiota do Draco... Mas sim de mim que você gosta.
Os dois sorriram e voltaram a se beijar. Realmente, aquele era um Natal para não ser esquecido nunca mais.

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