A grande decepção



O Dia das Bruxas passou e outubro acabou. Novembro voou. A cada duas semanas eles trocavam de lugar para não serem descobertos. Saki andava dormindo muito e Hermione confirmou a Rony, que o motivo dos períodos de sono profundo era realmente causado pelo frio. Krum continuava a buscar o Profeta todos os dias, mas sem aquela animação de sempre. E, de qualquer forma, ninguém estava pronto para outra notícia bombástica como aquelas diversas mortes no início de outubro. Rony estava com tanta vontade de ver a família, que chegou a cogitar à possibilidade, com Harry, de passar o Natal n’A Toca. Mas ambos foram surpreendidos por Hermione, que além de reprovar a idéia, lhes proibiu de chamar Edwiges, que estava aos cuidados dos Weasley.
-Ela é uma chata! É isso que ela é! Quer nos dizer o que devemos fazer, como se nós nem imaginássemos os perigos que estamos correndo. Boba! É! È isso! Uma boba!
-Calma Rony! Ela é nossa amiga e está só tentando ajudar.
-Eu sei Harry. Mas é que ela me tira do séri...
-Cof, cof, cof... Licença.
Era Krum, que pela primeira vez, em dias, falava alguma coisa, pois ultimamente ficava sempre pelos cantos pensativo.
-O que você quer? – perguntou Rony brabo, como se Krum fosse culpado por sua relação com Hermione estar só desandando.
-Na verdade, Harry, é com você... – falou ele, ignorando Rony.
-Diga – pediu Harry.
-Uma vez... – Krum começou a falar lentamente, sentando-se e juntando-se a mesa com Harry e Rony, dentro da barraca. Hermione estava buscando água. – Eu tive uma conversa com Karkaroff, e ele me disse algo que pode ajudar na busca de vocês... Eu notei que vocês nunca mais pegaram o espelho, ou o medalhão, e que precisam achar a outra coisa. Mas talvez vocês tenham tido uma informação errada sobre o terceiro objeto...
Ele parou, os olhou rapidamente, e voltou a fixar o olhar na mesa e tamborilar os dedos nas flores desenhadas na toalha branca.
-Eu só estou dizendo isso a vocês porque vou voltar para o meu país, junto de minha família – começou ele a explicar. – Não posso mais ficar aqui, e esperar, quem sabe, receber uma notícia terrível pelo jornal de que...
-Mas eu pensei que você estivesse aqui pela Hermione! – exclamou Rony exasperado.
-É! Todos nós pensamos cara, inclusive ela – falou Harry surpreso com a decisão de Krum.
-Você vai abandoná-la? Agora que ela parece estar me odiando e você tem uma chance? – perguntou Rony incrédulo. – Melhor para mim então! – disse sorridente, cruzando os braços com satisfação.
-Não se trata dela! – exclamou Krum, severamente, cerrando os punhos.
Ambos, Krum e Rony se olharam. O olhar de Krum era ferido, e angustiante. Mas por quê ele ia embora então, se ainda parecia gostar dela?
-Desculpa interromper o duelo de vocês por causa de uma garota. Mas é que, Krum, você ia nos dizer algo, não é mesmo? Diga logo, por favor.
-Está bem, Potter. Numa conversa que karkaroff teve com Você-Sabe-Quem, quando participava dos comensais, ele viu que seu mestre carregava no pescoço uma moeda de três faces. Ao perguntar do que se tratava, Você-Sabe-Quem apenas disse que era algo que valia mais do que sua alma. Então... Deduzi que seja algo que tem haver com seu ponto fraco, como vocês me disseram.
-Te dissemos? – perguntou Rony, não entendo.
Harry o cutucou com o cotovelo por baixo da mesa.
-Ai... Ah... Sim, dissemos.
-Bem agora que falei isso, eu vou pegar minhas coisas, a mochila, minha vassoura e vou embora.
-Mas não vai esperar Hermione? – perguntou Harry confuso.
-Não, acho que não. Ela... Bem, preciso ir.
Krum pegou suas coisas, saiu da barraca, acompanhado de Harry e Rony, montou em sua vassoura, e voou com sua mochila nas costas, mais veloz do que qualquer vento frio daquele dia.
-Ele parecia malzão! – Comentou Rony.
-Eu entendo. Ele tem medo que Voldemort mate sua família.
-Mas e o fato de ter ido e deixado Hermione sem nenhuma explicação? Isso não se faz!
-É isso que acho estranho... Nem quis se despedir dela. Talvez os dois brigaram e a gente não sabe.
-Vai ver é esse o motivo do mau humor dela então.
Nesse momento Hermione chegava com algumas garrafas de água nas mãos. Harry lhe ofereceu ajuda.
-Vingardio Leviosa! – Harry apontou a varinha, e as garrafas saíram das mãos dela, e adentraram a barraca, levitando sozinhas.
-Ah! Muito obrigado Harry! – exclamou ela, aliviada, sorrindo para ele.
-Por nada Hermione – disse Harry, retribuindo o sorriso.
-E onde está Krum, com o Profeta? – perguntou ela num tom curioso.
-Acho que nosso entregador de jornais já era Mione.
-Como assim já era Rony?
-Seu querido foi embora.
-Anh não! – exclamou Hermione apavorada. – Logo agora que...
Ela olhou para Rony, e de Rony para Harry e se calou.
-Que? Completa Hermione, vai! Completa! – Rony deixou a raiva aflorar. – Vocês estavam tendo um caso, não é?
-Não! Eu não tinha nada com ele!
-Tinha sim que eu sei.
-Não tinha não! Como você é baixo Rony! Você sabe que eu gosto é de outro.
-Deixa de besteira, eu vi que você andava na cola dele.
-Sim, mas...
-Viu? Admitiu! Viu Harry? Ela admitiu!
Hermione ficou sem saber o que fazer, olhou para Harry, que a olhava preocupado, e depois para Rony, que a fuzilava com seus olhos, então ela começou a chorar desesperadamente. Por quê Rony não confiava nela?
E então, ela saiu correndo e adentrou a parte mais densa da floresta em que estavam, cheias de vegetação rasteira, e árvores grandes, com enormes galhos, cobertas de neve.
-Você é um idiota Rony! Olha o que você fez com a Mione! Qual é a sua?
Harry saiu atrás dela, e Rony sentou-se no chão, arrependendo-se do que fizera.

Agora ele estava ali. Procurando Hermione. Por que não percebera antes? Era difícil de imaginar, que ele, logo ele, ia gostar dela. Ouviu seu choro. Ela estava perto.
-Hermione! Sou eu, Harry!
Ela chorava e fungava, ele a achou sentada na neve, em baixo de uma imensa árvore.
-Por que o Rony complica tanto, Harry? – perguntou ela, enquanto se levantava.
-Ele não sabe dar valor ao que tem. Simples.
-Do que você está falando Harry? – perguntou ela desconfiada.
-Que é simples assim.
-Simples assim? – perguntou Hermione, agora, completamente desnorteada.
Ele se aproximou dela, tirou os cabelos de seu rosto. Ela estava com o vestido azul e uma capa de lã azul claro por cima.
-Não chora mais... – Ele limpou as lágrimas do rosto dela.
-Harry... Eu...
-Psiu... Não precisa dizer nada.
Ele encostou sua boca de leve na boca dela. Sentiu ela tremendo de frio, e também sentiu o gosto salgado de suas lágrimas nos lábios dela, mas não se importou. Nada importava agora. Apenas ele e ela. Tocou em suas costas e acariciou seus cabelos macios, enquanto a beijava. No início ela parecia relutante, mas como ele imaginara, ela cedeu ao beijo, pois estava confusa.
-Mas... O que é isso? Alguém pode me explicar o que está acontecendo? EU NÃO ESTOU VENDO ISSO!
Como ele queria. Era o Weasley, que acabara de morder a isca. Viu os dois se beijando. Hermione pareceu voltar a si.
-HARRY! – exclamou ela, se soltando dele, e o empurrando para longe. – Por quê você fez isso?
-Agora vai se fazer de santa Mione? – perguntou Rony com as orelhas vermelhas de raiva, e olhos cheios d’água. – É esse o outro que você gosta? Agora entendo o porque de você ter me dado um fora, Harry é melhor para você? Não é mesmo?
-Rony! – A voz de Hermione era fraca, ela estava sem entender nada.
-Eu vou embora. Vou pegar minhas coisas e me mandar daqui. Seus traidores!
Rony lhes deu as costas, em direção ao acampamento e adentrou as árvores, desaparecendo. O sol parecia fazer o mesmo, estava sumindo, a noite, agora, estava caindo cedo por causa do inverno.
-O que eu faço? E você Harry! Por quê fez isso? – perguntou hermione, passando as mãos pelos cabelos, desgrenhando-os.
Ele só precisava tirá-la dali, e então seu trabalho estaria terminado. Hermione Granger era dele. Rony ficaria nas mãos de Você-Sabe-Quem. Como era bom se vingar, pensou ele, e ainda ter quem se ama ao seu lado.

A pancada na cabeça foi forte demais, quando ele voltou a si, percebeu que ainda estava na floresta, mas amarrado numa árvore. Ele nem viu quem o atacou.
-Ai! – ele tentou passar a mão na cabeça dolorida, mas não conseguiu. Estava achando que tinha sangue escorrendo pelos seus cabelos.
-Droga! Cadê minha varinha?
Ele tentou visualizar naquele monte de neve que cobria o chão. Mas não achou. Fez força para se soltar e descobriu que sem magia não era nada.
Foi quando viu o que parecia um galho de árvore embaixo de seus pés, então lembrou, que antes de ser atacado, sentiu algo estranho, e puxara a varinha do bolso das calças, mas com a pancada a deixou cair perto da árvore. Seu inimigo, na certa pensara o mesmo que ele, que aquilo era só um galho de árvore.
Resolveu tentar um feitiço labial.
-Accio Varinha!
Sua mão apertada pelas cordas agarrou a varinha, leve como uma pluma. Ah, como era bom tocá-la! Ele desfez o feitiço das cordas e saiu em direção onde Hermione devia estar, temia pela vida dela.

Finalmente o Weasley estava fora do caminho, pensou ele, enquanto novamente se aproximava de Hermione, que estranhamente se afastava dele, ele pegou a varinha para confundi-la. Não podia deixar ela escapar, não agora que descobrira que a amava.
-Não! Não se aproxime dela!
A voz veio como veneno na alma.
-Mas... Eu prendi você na árvore! Potter de merd...
-Hermione fique onde está! – gritou Harry. – Ele não é o verdadeiro Harry. Veja Hermione com seus próprios olhos, a Varinha dele é a varinha de Krum. Ele é o Vítor Krum.
-Você? – perguntou Hermione, encarando o falso Harry, começando a entender tudo. – Harry! – Gritou ela desesperada. – Tome cuidado! Ele não é o Vítor! Eu descobri isso hoje cedo. Ele está com a varinha do Krum, mas ele é...
Antes de Hermione concluir a frase, o falso Harry desaparatou na frente deles no momento em que Harry pulou para tentar agarrá-lo.
-Droga! Mas quem era ele afinal Hermione?
Ela olhou seriamente para o verdadeiro Harry, e usou um tom grave na voz.
-Ele era, nada menos, nada mais, que Draco Malfoy. Era com ele que nós estávamos esse tempo todo.
-O QUE? Você não pode estar falando sério Hermione!
-Harry... Eles levaram Rony. Foi tudo minha culpa!
Hermione enfiou a cara nas duas mãos.
-Não, a culpa é minha de ter permitido que vocês viessem nessa busca comigo.
-Ai... Logo agora que só nos resta duas horcruxes...
-Não chore. Precisamos ser fortes. Temos que salvar Rony.
-Mas como? C-como?
-Eu acho que já tenho um plano, mas antes você precisa me contar como foi que descobriu que aquele cara era Draco Malfoy. Eu preciso saber.
-Está bem.

Os dois voltaram à barraca, e se certificaram de que os feitiços de proteção continuavam ativos. Hermione se sentou na mesma mesa onde Krum contara sobre a tal moeda de três faces, o que não vinha ao caso agora, pensou Harry, já que era Draco Malfoy transformado, após sentar na outra extremidade da mesa para ouvir o que Hermione tinha a dizer, além do que acontecera na floresta.
-Vítor sempre foi muito quieto, e sempre teve uma imensa dificuldade em pronunciar meu nome, primeiro porque não sabia falar inglês direito e depois porque ficava nervoso ao me ver, ele confessou isso numa carta, antes de nós dois pararmos de nos comunicar.
Ela parou de falar e chorou silenciosamente de remorso.
-E eu acho que agora, que não precisam mais de Vítor para fazer a poção polissuco, vão matá-lo, ele, e o Rony...
Ela tentou limpar a garganta antes de continuar. Precisava ser rápida.
-Essa foi apenas uma suspeita inicial, afinal de contas, eu não te contei Harry, mas minha mãe está me substituindo em Hogwarts, e Vítor podia muito bem ter me achado lá. – Harry lhe olhou surpreso. – De qualquer forma, eu ainda achava as desculpas dele cabíveis até certo ponto. Fizera um curso e aprendera a falar inglês fluentemente; Queria me ver em Hogwarts e podia ter primeiramente achado Carlinhos que lhe disse que eu estava com vocês e indicou como nos achar, pois nós tínhamos o dragão; E depois me dava a impressão que gostava de mim. Cheguei até acreditar nisso. Talvez Draco estivesse... Sei lá... Bem, isso não vem ao caso. A questão é que quando ele não quis entrar no orfanato abandonado, eu vi um medo que Vítor nunca teve. Cheguei a lembrar do Draco correndo, depois de eu ter dado um soco nele. Era quase o mesmo olhar de medo...
Ela sentiu um arrepio na espinha.
-Depois, em Hogsmeade, ele se embaralhou todo na hora de falar sobre quadribol. É claro, ele nem sabia sobre os jogos da temporada. Mas foi quando eu comecei a reparar nele, de uma semana para cá, o que , infelizmente, Rony entendeu errado, que eu notei as estranhas mudanças na pele, que às vezes estava mais clara que o normal. Draco tomava grandes doses da poção polissuco usando os cabelos de Vítor. Aquela mochila que ele carregava colada ao corpo, que ninguém podia tocar, lembra?
-Sim.
-Lá devia estar o verdadeiro Krum, encolhido, dentro de algum pote de vidro. Ou ainda chumaços e mais chumaços de cabelos dele.
-É verdade. Mas logo o Draco?
-Sim, Draco...
-Como você soube que era ele?
-Naquele dia do Profeta Diário, aquele que trouxe a notícia que Sibila tinha morrido e Karkarrof também, eu estranhei uma menina chamada Mônica Malfoy na lista. Ela não tinha motivos para ser morta sendo uma sonserina, e ela não era do primeiro ano, ela estava no sexto ano em Hogwarts. Gina a conhecia, ela, uma vez, me comentou de uma Mônica da Sonserina que a atormentava, já que as turmas tinham aulas juntas, como nós com o Draco. Mas não me dissera o sobrenome, nem eu podia imaginar, que o pai de Draco, Lúcio Malfoy, tivesse uma irmã, que morava no Egito com a filha, que foi selecionada para Hogwarts.
-Como você descobriu tudo isso? – perguntou Harry incrédulo.
-Essa irmã, a Isadora Malfoy, foi mãe solteira, pois engravidou de um trouxa, na língua de Voldemort, um sangue-ruim. Mas para remediar seu erro, ela casou com um bruxo famoso do Egito. Eu já viajei para lá, lembra?
-Sim.
-E eu conheci esse bruxo de vista, o Magnus Durandyf, que não quis registrar Mônica, que ganhou apenas o nome da mãe, e vi Isadora Malfoy com ele, mas a conhecia pelo nome de Isadora Durandyf. Mônica Malfoy, era então prima de Draco, mas para Voldemort era apenas mais um sangue-ruim. Por isso ele a matou. E adivinha?
-O que?
-Karkarrof está vivo.
-COMO?
-Foi um truque. Descobri isso hoje, a Ordem me contou que ele se juntou a ela. Então deram um jeito de fingir que ele morreu. Eu sei que foi arriscado, mas me correspondi com eles através de Pitchinho, perguntando sobre a morte de Karkarrof e sobre as demais mortes do fim de outubro. O Sr. Arthur respondeu que Mônica era sobrinha de Lúcio, filha de sangue-ruim. Eu deduzi então que Draco devia gostar dela mais do que uma simples prima, por isso ficou abalado com a notícia, pois sua “namoradinha” tinha morrido, por isso fingiu tristeza na morte de Karkarrof, apenas para não levantar suspeitas, já que todo o pessoal de Voldemort sabe que Karkarrof está vivo, mas se escondendo. E além do mais quantas vezes ele disse Potter num tom arrastado? Vítor te chamaria de Arry.
Os dois se olharam como se aquela história absurda tivesse sido analisada mais de cem vezes e ainda assim, apesar de ser sem pé nem cabeça, era comprovada em todas as análises.
-E agora o que vamos fazer Harry? – perguntou ela nervosa.
-Rony pegou todas as coisas dele, percebe como a barraca está mais vazia?
-Sim.
-Ele caminhou pela floresta para poder aparatar longe daqui, e deve ter sido pego no caminho por algum comensal. Mas como Draco foi burro e me deixou escapar facilmente, Voldemort é capaz de matar ele , e deixar Rony vivo como isca para me atrair. Quando ele me chamar, e ele vai me chamar por aqui – Harry apontou sua cicatriz – Eu vou buscar Rony. Enquanto isso vamos nos preparar com um plano para pedir desculpas a Rony pelo nosso suposto beijo.
Os dois riram.
-O Draco acabou com minhas chances com o Rony – disse Hermione desolada.
Harry lhe deu palmadinhas nas costas.
-Se acalma Mione, tudo vai dar certo.

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