Dois coelhos numa cajadada só

Dois coelhos numa cajadada só



Vítor Krum permaneceu calado nas duas semanas que se passaram. O outono ia indo embora com o mês de setembro. O grupo geralmente mandava ele comprar alimento, ou pescavam todos juntos, quando se sentiam protegidos o suficiente. Acampavam sempre perto de rios. Agora Krum sempre buscava o Profeta Diário pela manhã, e parecia se sentir muito feliz quando podia dar uma volta longe do trio. Hermione chegou a comentar com Harry, que na conversa que tivera com Vítor, ele tentara falar sobre os dois, mas que ela contara sobre seus sentimentos em relação ao Rony, e desde então Krum não falava muito com ela, somente o necessário.
-Você acha que ele ainda gosta de mim Harry? Será que ele está nessa missão conosco só por minha causa? – perguntou ela ao amigo, numa tarde de sol fraco, e bastante vento.
-Talvez. Sabe... Eu ainda não sei bem o que ele faz aqui. Pode ser que seja mesmo por você. – Concluiu Harry, como se alguma luz estivesse surgindo no final de um túnel escuro.
Ela ficava pensando que de um certo modo Vítor era muito útil na missão. Se não como eles iam saber das notícias do mundo bruxo, se ele não pegasse o Profeta? Havia morrido muitas pessoas naquelas duas semanas. Parecia que Cho Chang tinha sido apenas a entrada, e que agora Voldemort se fartava com o extenso prato principal. Muitos eram funcionários do Ministério da Magia, e Hermione notava que a expressão de Rony se tornava cada vez mais preocupada com a relação existente desses acontecimentos com seu pai. Certamente a próxima vítima seria atacada logo, logo, pois Voldemort ia pedir pela sobremesa, que sem dúvida era Harry.
Nesse instante Hermione limpava o medalhão. Resolveu pegar o espelho, e limpá-lo também. Quando estava preste a guardá-los, Rony voltava de seu ritual diário de ver como o dragão estava. Ela notava que sua aparência sempre melhorava depois dessas visitas. Agachada no chão, de cabelos ondulados, amarrados, lhe caindo na testa, e com uma calça jeans, e um moletom lilás, se sentia invisível na frente dele, ainda mais que estava cheia de fuligem da fogueira que fizera para preparar o café da manhã.
-Nossa! Como você tá suja Hermione! – brincou Rony.
-Seu idiota!
Rony sorriu em pedido de desculpa, e então ambos sorriram.
Ele se agachou, e se sentou ao lado dela, no chão, enquanto ela se ajoelhava para deixar o espelho e o medalhão de lado.
-Quer ajuda?
Ela adorou a gentileza dele.
-Não precisa. Já acabei.
Os dois se olharam por alguns segundos, como se o resto do mundo não existisse. Na verdade Harry terminava seu café lá fora, e Krum, tinha ido buscar o Profeta daquele dia.
-Deixa-me guardar essas coisas... – Hermione pegou novamente o medalhão e o espelho. E de repente sentiu Rony tocar em seu braço direito, imediatamente ela largou o pano que utilizava para lustrar os objetos, seu braço formigou.
-Espera Mione! – Pediu Rony com veemência.
Ela se virou, e achou que ele ia a beijar. Teve a nítida sensação que isso ia acontecer. E então...
-Não guarda isso ainda! – exclamou Rony. – Acho que vi algo no medalhão e no espelho... – ele largou o braço dela, e pegou os objetos da sua mão sem nem notar a expressão de ansiedade por um beijo que ela esperava, nem seu coração que pulsava acelerado.
Um certo alívio passou pela mente de Hermione, mas houve também uma pequena indignação por não ter acontecido nada. Continuou ajoelhada ao lado de Rony que olhava do espelho para o medalhão em flashes rápidos, permanecendo sentado.
-Veja Mione! Encaixam-se!
Ela viu que atrás do espelho havia um círculo do tamanho do medalhão, que ao ser colocado ficava com a borda para fora.
-Já ouvi falar disso Rony! É um sistema para destruir objetos mágicos.
-Por que Voldemort faria isso com suas horcruxes? Só se fosse muito biruta!
-Não foi ele! Esse espelho não tinha essa concavidade antes. Esqueceu que é um espelho mágico? Ele se protege sozinho, mas acho que Voldemort esqueceu de uma coisa na hora de colocar seu fragmento de alma aqui dentro...
-Do quê?
-Que ele se sente ameaçado quando está longe do dono, que nesse caso é o Voldemort, foi ele que cuidou do espelho por anos, até o espelho se sentir seguro em suas mãos. Mas agora o espelho nos considera uma ameaça, e como não consegue se proteger da gente quer se autodestruir...
-Mas isso é bom, não é? – perguntou Rony na dúvida.
-Isso é ótimo Rony! Você não vê?
-O que?
-Nós guardamos o medalhão junto com o espelho, e ele acha que o medalhão é um objeto importante para nós, e vai destruí-lo junto com ele como vingança. Matamos dois coelhos numa cajadada só!
Assim que Hermione terminou de dizer isso, Rony largou o espelho no chão, porque este começou a ficar quente, e cada vez mais quente. Hermione e Rony presenciaram o espelho, e o medalhão se derreterem, escutaram gritos agudos saírem dos dois objetos. Harry correu para dentro da barraca e seus olhos quase não acreditaram no que viram.
As duas horcruxes estavam derretidas, e sumindo no chão da barraca, deixando um buraco na lona da parte do chão daquela casa improvisada. Os fragmentos da alma de voldemort davam seu último grito agonizante e desapareciam, assim como quando Harry destruíra o diário de Tom Riddle.
-Uau! Mas como?
Seus dois melhores amigos contaram-lhe tudo que sabiam sobre o fim daquelas duas horcruxes. Agora era só procurar pelas que ainda faltavam.


Outubro chegou, e agora eles estavam no norte da Inglaterra, e o frio estava chegando ávido sobre suas cabeças. Hermione estava indignada, pois tentara avisar que no inverno era melhor ficar no sul, onde a neve era mais amena, e na primavera poderiam então ir para o norte. Mas Harry dizia que o frio poderia ajudar a esfriar a cabeça dele, e de Krum, que andava mudo demais, e aquilo podia ser um mau-humor disfarçado, um arrependimento de acompanhá-los nas viagens.
Rony ficou sabendo por intermédio de Harry, que Hermione estava achando que Krum tinha se chateado com ela porque percebera o envolvimento dela com o Weasley. No início ele achou aquilo tudo um máximo, mas com o fim de outubro chegando, e o inverno adentrando, ele gostaria que Krum abrisse o jogo, e lhes oferecesse pistas sobre os comensais e Voldemort. Era impossível que Karkaroff nunca tenha lhe dito nada. Hermione entregara o jogo, dizendo que gostava dele, mesmo que isso fosse bom para si, para o grupo não era, pensou Rony por último, antes de ir ver Saki, como fazia todos os dias. Agora o dragão estava numa gruta, perto do acampamento deles.
Chegando à gruta Rony se deparou com uma imensa surpresa: o dragão dormia profundamente. Isso nunca tinha acontecido antes, Saki sempre já estava acordado quando ele chegava para a conversa matinal.
-Será que é por causa do frio que ele está dormindo? – Rony perguntou em voz alta para si mesmo.
Quando ele se aproximava do dragão para cutucá-lo e acordá-lo, uma frase quase vaga, quase sem forma, com a voz familiar de Hermione, se formou na sua cabeça: Nunca acorde um dragão adormecido... ou era “Nunca cutuque um dragão adormecido”?
Rony não tinha certeza se aquilo era verdade, ou qual era a frase certa. Mas resolveu não mexer em Saki por uma questão de sexto sentido. Voltou ao acampamento desnorteado, Krum chegava com o Profeta do dia e parecia abalado.
-O que houve? – perguntou Rony instintivamente.
-Morreu... – Krum parecia não ter palavras, seus olhos estavam chocados. – Morreu Karkaroff...
Um sentimento novo cresceu em relação a Krum, Rony sentiu pena, e deu palmadinhas nas costas dele.
-Tudo bem cara, vai ficar tudo bem...
Rony pegou o Profeta da mão dele. Morrera muita gente. A professora Sibila, o que chocou um pouco Rony, que por um momento se arrependeu de brincar nas aulas dela; Morreu alguns alunos de Hogwarts, Silvano Duran da Lufa-Lufa, Mônica Malfoy da Sonserina, Margaret Tróia da Grifinória e Carlos Benzilho da Corvinal. Os dois últimos, recém entrados na escola, eram de famílias trouxas. Morrera também outro professor da Durmstrang, além de Karkaroff.
-Puxa! Voldemort não está perdoando ninguém.
-Isso é um aviso para que Potter pare de bancar a marica e lute frente a frente com ele!
-Mas do que você está falando Krum?
-Todas essas mortes! Você não vê? Ele está matando até os próprios aliados!
-Queria saber como ele adentrou a escola...
Nessa hora Hermione chegou, e tomou o Profeta das mãos de Rony, como costumava fazer todos os dias quando Rony tinha o jornal nas mãos, era um sinal de provocação, para atiçar ele, mas Rony prometera não falar mais com ela sobre a relação conturbada dos dois, não até tudo acabar, era isso que ela queria, era o que ia ter então.
-Eu... Eu... sinto muito Krum! – Disse Hermione com a voz embargada após ler a matéria de capa. – Nossa! A professora Sibila, Rony!
Como se uma placa dura e gelada tivesse atingido Rony, Hermione abraçou-o, e começou a chorar.
-Está tudo bem Mione! Calma...
Ele teve receio, mas quase que automaticamente pousou suas mãos nas costas dela, e depois acariciou as pontas de seus cabelos cheios e macios. Sentiu seu perfume adocicado, e encostou aninhadamente a cabeça dele no ombro dela, como ela já tinha encostado a sua no ombro dele, que por sinal estava ficando encharcado.
Ficaram assim por um tempo que pareceu a eternidade para Rony. Quando Hermione parou de chorar e limpou suas lágrimas, ela saiu de perto de Rony, que só então vivo a cara furtiva de Krum para os dois.
-Viu Rony? – perguntou Hermione, depois que já tinham falado com Harry e mostrado a ele o Profeta, a reação de Harry em relação à Sibila só foi menos pior do que a reação à morte da Cho. Era óbvio que ele se sentia culpado. “Voldemort está conseguido invadir Hogwarts?” Foi à primeira pergunta que fez a Hermione, mas o Profeta afirmava que os alunos tinham sido mortos fora, só não dizia aonde, o que por dedução significava dentro da escola.
-Vi o que Hermione? – perguntou Rony, que estava pensando no mesmo que Harry: na segurança de Gina.
-Morreu uma menina de sobrenome Malfoy. Eu nunca tinha ouvido falar dela... Vocês sabem de alguma coisa?
-É só coincidência Mione, existem vários sobrenomes Potter em Hogwarts – disse Harry secamente para Hermione.
-Tem razão Harry. Mas vocês estão achando que Gina ainda está em Hogwarts, sendo filha de integrantes da Ordem? Eu acho que seus pais, Rony, já tiraram ela de lá há um tempo, assim que Cho morreu.
-Eu não tinha pensado nisso Mione. É pode ser. Tomara mesmo!
O rosto de Rony clareou e ele ficou mais feliz. Harry se contagiou com aquela possibilidade e também ficou mais tranqüilo.

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