Capítulo 31



Capítulo 31

Música: You And Me, Lifehouse

What day is it?
And in what month?
This clock never seemed so alive
I can’t keep up and I can’t back down

O sol começava a se pôr lentamente, fazendo com que as águas calmas do mar tomassem toda sua cor, fazendo um dos mais belos efeitos que ele poderia lembrar-se de um dia já ter visto.
Porém, apesar de já ser fim de tarde, o local estava cheio de jovens e crianças, as quais riam e conversavam animados, pouco notando o jovem, que caminhava lentamente pela orla do mar, com os sapatos seguros entre os dedos e a barra da calça dobrada até a metade das canelas, enquanto as íris verdes estavam correndo ao arredor, como que procurando alguém.
Mas, algo que eles não poderiam ver, somente supor, era que aquele rapaz de rebeldes cabelos negros, estava furioso, indeciso, chateado, esperançoso... E tantos outros sentimentos conflitantes, que parecia impossível que somente uma pessoa pudesse sentir tantas coisas ao mesmo tempo. Guardar tantas dores dentro de si.
Os olhos estavam nublados, no que deixava claro que ele tinha exatamente o que queria em mente; podia até mesmo não sair dali ao lado de quem viera procurar, porém era óbvio que ao menos faria questão de esfregar tantas coisas na cara de quem quer que fosse, que quem o observava sentia pena e medo.
Mas havia o algo mais; algo que somente o moreno poderia dizer o que era, mas que lhe dava um ar mais adulto, um ar mais maduro. Um ar mais apaixonado, mas ao mesmo tempo amedrontado e ferido.
Os passos eram lentos e curtos, onde deixava claro que ele não estava com a mínima pressa de fazer fosse o que fosse que viera fazer ali; como se precisasse reunir coragem.
E Harry realmente sentia que toda a coragem que tinha simplesmente havia se perdido em algum ponto dentro de si; um ponto que ele não fazia a mínima idéia de onde era, mas que havia surgido repentinamente, desde o momento onde conseguira fazer Melissa lhe contar onde Gina estava, mas... Demônios! Estava andando naquela praia quente dos infernos desde o meio dia e, no entanto, não achara a ruiva... Como se ela houvesse simplesmente sumido no ar; mas ele sabia que em algum lugar ela tinha que estar e não podia ser muito longe, afinal tinha menos de um quarto da praia para andar, antes de se dar por vencido naquele dia.
Diabo... Ainda podia lembrar-se com clareza do momento em que acordara e não vira Gina ao seu lado. Podia lembrar-se com clareza da dor que sentira; uma dor que logo fora substituída por raiva, frustração, chateação. E, quando finalmente parara, sentara, e colocara seus pensamentos em ordem, percebera que tudo o que sentira fora somente para mascarar o sentimento mais forte que tinha dentro de seu peito; medo.
Medo de ter perdido Gina para sempre. Medo que ela somente quisesse se divertir. Medo de que tudo o que ela fizera fosse somente parte do seu plano idiota. Sim, Melissa lhe contara tudo sobre o plano que Gina vinha arquitetando com ela e Brian, desde que decidira que seria interessante ver Harry e Cho sofrendo por tudo o que a fizeram passar há quase três anos.
Harry sabia que havia errado, ao permitir que Cho humilhasse Gina, quando esta não passava de uma mera criança. Porém não tinha culpa se naquela época era um imbecil, que estava totalmente abobalhado por estar ficando com a garota por quem tinha uma quedinha.
Uma quedinha que fora ficando cada vez mais fraca – até sumir de dentro de si – ao ver cada dia mais, a verdadeira personalidade de Cho Chang. Uma personalidade que ia além do sorriso gentil e meigo. Que ia além das palavras doces e que faziam qualquer garoto de treze anos, que acreditava estar apaixonado, sonhar que encontrara uma garota perfeita.
A garota perfeita... Isso era irônico. A garota que achara que era perfeita para si, se mostrara completamente vulgar, somente interessada no seu dinheiro e na fama que jogara fora; se mostrara totalmente superficial, somente preocupada com unhas e roupas; uma garota que não se importava se feria os sentimentos dos outros, ao tentar usá-los para seu próprio bem. Uma garota totalmente descartável, obrigado.
E, no entanto, a garota que sempre achara ser criança, boba, romântica e idiota, era a garota que, agora, ele sabia; era totalmente perfeita para si, pois, agora ele descobrira que, por baixo da face de medrosa e boba, havia uma mulher forte, desinibida, apaixonada, forte, decidida. Uma mulher que ele queria ter ao seu lado para o resto de sua vida. Uma mulher que ele temia não poder mais ter, por ser estúpido o suficiente para não notá-la antes que fosse tarde demais. Estúpido o suficiente para feri-la e não perceber. Burro o bastante para deixá-la escapar entre seus dedos, como areia.
Suspirando, passou uma mão pelos cabelos, deixando-os ainda mais bagunçados.
Fora estúpido o suficiente de nunca ter tido uma conversa mais séria com ela, mas agora faria tudo o que estivesse ao alcance de suas mãos para poder, ao menos, fazê-la ouvi-lo, nem que para isso tivesse que amarrá-la e arrastá-la para um lugar qualquer, onde pudessem ter privacidade.
Mas, antes, teria que conseguir achá-la. E este, ele admitia, estava sendo o seu maior problema, desde que saíra de Hogwarts, decidido que não voltaria para a Inglaterra, enquanto não conversasse com aquela ruiva folgada.
A cada passo que dava, mais seu coração se apertava em medo de não conseguir encontrá-la no meio daquela multidão, mas ele nunca desistira de nada que realmente quisesse... E ele realmente deseja Gina, a ponto de sentir que a cada momento que passava, seria capaz de se jogar na boca de algum tubarão, se essa fosse a única coisa que a faria sorrir.
A amava de tal maneira e em tal intensidade que chegava a doer. Chegava a dar medo somente o fato de cogitar não conseguir mais vê-la sorrindo para si... Os lábios vermelhos curvados em um sorriso sensual; as íris amêndoas brilhando de uma maneira que o enfeitiçava. A risada doce e delicada soando ao seu arredor, fazendo-o sentir-se melhor depois de ouvi-la.
Deus! Sua vida se resumia á Gina desde que a reencontrara após esse tempo todo onde ela ficara ali, em Los Angeles. Sua satisfação dependia do som da risada dela, enquanto sua vida dependia totalmente dela; faria fosse o que fosse, se isso a deixasse satisfeita.
Era um amor tão intenso, que ele não conseguia nem sequer achar todas as palavras necessárias para poder descrevê-lo. Era o tipo de amor que se sentia que, se o outro quisesse, se morreria.
Diabos! Por que tinha que se apaixonar justamente por Gina? Quer dizer, era uma sensação estranhamente maravilhosa, mas ao mesmo tempo aterrorizante e agonizante, a qual criava dentro de si uma felicidade imensa sempre que Gina lhe dirigia um único olhar; que, no entanto, sempre que passava um dia sem poder ver a ruiva na sua frente, era como se o mundo houvesse simplesmente parado, onde o fazia não saber nem mesmo qual era o dia onde estava. Ou, então, o que era dar um mero sorriso verdadeiro.
Estava perdido e sabia disso; perdidamente apaixonado, onde ele tinha a maior certeza de sua vida; poderia conseguir tirá-la de sua mente e coração, mas jamais de sua alma. Sabia que, podia ser o mais orgulhoso que quisesse e não insistir nunca mais para que Gina confiasse em si, porém tinha mais certeza ainda que a ruiva sempre seria lembrada como a não tão doce irmã do seu melhor amigo; aquela que lhe ensinara a amar e sentir o que era ser verdadeiramente feliz, mas que também lhe mostrara o que era sofrer por algo que não fosse ter o assassino de seus pais atrás de si vinte e quatro horas por dia.
Aquela que lhe mostrara que nem sempre basta querermos algo, mas que temos que lutar para conquistar tudo o que fazia parte de nossos sonhos.
Mas Harry cansara; cansara de tentar lutar para ter algo em sua vida. Cansara de pensar em mil e uma maneiras de fazer Gina acreditar totalmente que ele a amava e que era capaz de ser fiel a ela. Cansara de criar esperanças toda vez que Gina se permitia perder-se em algum momento entre eles.
Cansara de sonhar acordado com o momento onde Gina finalmente cairia na real e veria que ele já pagara um preço muito alto pelos seus erros do passado.
Era piegas e sabia disso, mas não tinha a mínima culpa se Gina o enfeitiçava de tal maneira, a fazê-lo sentir-se de uma maneira que jamais pudera pensar que se sentiria alguma vez em sua vida; idiotamente romântico.
Por mais que não gostasse de admitir isso, Gina o fizera mudar muito naqueles dois trimestres; ela o fizera crescer de uma maneira que ele achara não ser possível a um garoto de apenas dezsseis anos chegar. Ela o ensinara o verdadeiro significado de amar; ela lhe ensinara o que era respeitar; ela o ensinara o que era confiar; ela lhe ensinara o que era fidelidade. Ela, ela, ela e ela.
Sua vida girava ao arredor dela de uma maneira que nem mesmo Harry conseguia controlar; era como uma espécie de droga, onde se ele não pudesse provar mais uma única vez, ele sabia que ficaria num estado que não poderia ser classificado nem como sobrevivência. Criara uma incrível dependência de Gina, onde ele sabia que mesmo que pudesse tê-la até o último dia de sua vida, não seria o bastante para satisfazer a necessidade de vê-la e ouvi-la, que tinha dentro de seu peito.
Sabia que sua chance de ter algo com ela, que fosse além da amizade, naquele momento, estava completamente fora de cogitação, porém não custava nada tentar, não é? Não custava nada ver se, no final, ela não concordaria com ele e, assim, admitisse o que evitara o ano todo; que o amava.
Podia parecer arrogante de sua parte afirmar isso com tanta certeza, mas o que poderia fazer se Melissa lhe jurara de pé junto que Gina o amava mais do que há dois anos? Mesmo sem saber se isso era verdade, Harry sentira tanta felicidade, que pensara ser impossível guardá-la dentro de seu peito, até ter certeza de que era, de fato verdade... Até ouvir uma declaração da boca de Gina, nem que para isso tivesse que esperar anos.
Inferno! A maneira como Gina conseguia controlá-lo até mesmo a distância era incrível. Era incrível o fato de que justamente ele – aquele que jurara que jamais confiaria numa garota, desde o momento onde percebera que a maioria delas só se aproximavam por causa do seu dinheiro -, estivesse correndo atrás de uma garota; uma garota que, de certa maneira, o usara, antes de jogá-lo fora.
Mas não fora como as outras; ela não lhe usara para ter dinheiro ou fama. Usara-lhe somente para fazê-lo sentir-se como ela se sentira um dia. O usara para mostrar á ele o quão arrogante e desprezível ele estava se tornando, cada vez que levava uma garota diferente para sua cama toda à noite.
Ela lhe ensinara várias coisas, porém não lhe ensinara a esquecê-la; não lhe ensinara a não precisar dela; não lhe ensinara a tirá-la de sua mente; não lhe ensinara como poderia ser feliz sem tê-la.
Não lhe ensinara a fazer sua vida não depender de cada respiração dela.
Droga! Estava completamente envolvido naquela chama de paixão que a ruiva acendera dentro de si numa maneira que ele não sabia ser possível e não conseguia desvencilhar-se disso, por mais que tentasse.
Por mais que quisesse, sabia não ser capaz de ser ele mesmo se não a tivesse ao seu lado, mesmo que como amiga. Precisava dela, admitia, mas também precisava que ela, assim como ele, deixasse um pouco de seu orgulho para o lado e admitisse tudo o que sentia, mesmo que não entendesse o significado ou a intensidade a que chegava.
Sabia não ser capaz de deitar sua cabeça no travesseiro á noite, sem se lamentar sempre de ser burro a ponto de fazer a mulher que amava sofrer de uma maneira exorbitante, mas assim como ele estava fazendo, esperava que Gina pensasse em tudo o que lhe fizera naquele ano, vendo que se vingara dele até demais; ou que ao menos visse que ele sofrera tudo o que devia e, naquela vez, ele merecia ser perdoado por sua burrice do passado.
Precisava de Gina amando-o somente para saber que valia a pena continuar vivo.

I’ve been losing so much time
‘Cause It’s you and me and all of the people
Nothing to do, nothing to lose
And it’s you and me and all of the people

Flashback

Suspirando, deitou-se na confortável cama da casa de sua mais nova melhor amiga; Melissa, enquanto observava o teto branco ser tingido por várias tonalidades de laranja do pôr do sol.
Podia ouvir o barulho de portas sendo abertas e fechadas, no que ela sabia ser Melissa procurando desesperadamente seu diário, o qual seu irmão mais velho, Joseph, havia escondido, somente para provocá-la.
Sorrindo, Gina balançou a cabeça, num gesto inconformado. Podia entender como Melissa sentia-se, uma vez que Rony vivia fazendo a mesma coisa consigo, quando tinha nove anos... Rony; somente de pensar no irmão mais velho, fazia-a sentir-se destruída por dentro, pois ao pensar no irmão mais querido, lembrava-se daquele que acabara com todos os seus sonhos de garota. Lembrava-se daquele que nunca a olhara de um modo que não fosse como a idiota da escola.
Por mais que tentasse, Gina sabia que jamais conseguiria tirá-lo de sua mente, coração e alma. Por mais que odiasse admitir, Gina não podia esconder o amor que emanava por seu corpo, em uma intensidade tão assustadora, que ela realmente queria somente tirá-lo de dentro de si.
Mas sabia que jamais conseguiria isso, devido ao fato de aquele sentimento estar gravado dentro de si á ferro em brasa. Marcado em si tão profundamente de tal maneira que chegava doer somente pensar que jamais iria ver novamente as íris verdes esmeraldas brilhando alegremente.
Por mais que gostasse de pensar que já o esquecera, sabia que isso não passava de uma mentira para convencer a si mesma que crescera naquele ano em Los Angeles. Uma mentira para convencer-se de que sabia o que queria para si, sem precisar de nenhum garoto destruindo-lhe o coração, fazendo-a sentir-se ridícula. Fazendo-a achar que não tinha nem capacidade para fazer amigos.
Mas, no momento, sabia que isso tudo era mentira. Sabia que isso tudo não passava de um sonho, onde queria que algumas coisas pudessem ser realidade, enquanto as outras continuavam em sonhos.
Mas essa realidade que fantasiava dentro de si era boa demais, intensa demais, para que ela pudesse entender exatamente tudo que carregava dentro de seu peito desde que o vira pela primeira vez na Estação King Cross.
Bem, talvez se voltasse a ser aquela garotinha boba que fora, pudesse voltar para Hogwarts, fingir que nada acontecera e continuar a ser humilhada de uma maneira que a fazia pensar em matar-se todos os dias, mas que ela não conseguia criar coragem para tanto e, a cada dia que passava ao lado de seus amigos, agradecer por isso, pois o que estava vivendo naquele novo lugar, era maravilhosamente reconfortante.
Era incrível a maneira como aquele lugar podia fazê-la sentir-se terrivelmente amadurecida; arrogantemente sensual. Idiotamente apaixonada por um garoto que nunca a olhara duas vezes num mesmo dia.
-Eu somente queria poder sentir o gosto da sua boca uma única vez. – murmurou, sentindo os olhos encherem-se de lágrimas, enquanto levava a ponta dos dedos trêmulos aos lábios, como que se isso fosse fazer o gosto da boca nunca provada antes aparecer de repente.
Somente queria poder saber o que perdera. Somente queria saber o quanto adoraria se pudesse ter uma chance de provar á ele o quanto o amava.
-Pare com isso, Virginia. – murmurou para si mesma, num tom de ordem, enquanto fechava os olhos com força, fazendo as lágrimas escorrerem livremente pelo rosto alvo. – Você só está se ferindo ainda mais. – resmungou, por fim, enquanto erguia-se e caminhava lentamente até o banheiro do quarto, parando somente quando pôde alcançar a pia de mármore e fitar-se no espelho.
Mesmo estando ali há somente um ano, já sofrera tantas mudanças que, às vezes, ela mesma não se reconhecia. Os cabelos ruivos, antes curtos e quebradiços, caiam em cascata até o meio das costas, sedosos e brilhantes. Os dentes, antes desalinhados e amarelados, encontravam-se escondidos atrás de um aparelho discreto.
As linhas do rosto, antes cheio e masculino, estavam delicadas e femininas, dando-lhe um ar mais sensual.
Os lábios, antes rachados e quase brancos, estavam agora vermelhos como uma cereja e incrivelmente convidativos para serem saboreados.
Afastou-se da pia, de modo que pudesse olhar o próprio corpo, no espelho do teto ao chão, que havia do outro lado do banheiro.
Os seios, antes escondidos atrás de roupas largas demais, estavam agora à mostra, devido á parte de cima de um biquíni, que usava. A barriga, antes também cheia, estava reta e definida e levemente bronzeada.
As pernas, normalmente más depiladas e sempre escondidas, estavam á mostra devido ao curto short preto que usava; estavam bem torneadas, lisas e bronzeadas.
Sorriu de leve; sim, sofrera muitas mudanças físicas, porém não mudara completamente sua personalidade, onde ainda não conseguia esconder completamente seus sentimentos; onde ainda não conseguia fingir sentir algo que não sentia. Onde não conseguia evitar sentir-se machucada devido á algo que lhe haviam dito com a intenção de ferir-lhe.
Suspirou profundamente; aquela seria uma longa mudança, onde ela sabia que, no final, valeria a pena.
Somente não sabia que iria valer tanto.

Fim do Flashback

And I don’t know why I can’t keep my eyes of you
All of the things that I want to say
Just aren’t coming out right
I’m tripping on words, you got my head spinnig

-Eu ainda não acredito que você fez isso. – Joe resmungou, mal-humorado, enquanto Hillary brincava com as mechas loiras de seu cabelo, onde sua cabeça estava repousada sobre as coxas dela, que somente olhava para Melissa, como que esperando uma explicação da loira, que terminava de se trocar.
-Oras, se você não quer ver Gina feliz, dane-se você Joe. – Melissa resmungou, enquanto caminhava até a porta de madeira. – Pode voltar, Brian. – ela resmungou, depois de abrir a peça de madeira, chamando o namorado de volta para dentro do quarto, de onde o moreno fora brutalmente expulso por Joe, quando Melissa fez menção de se trocar.
-Eu não disse que não quero ver Gina feliz, Mel. – o loiro respondeu, entre um bocejo cansado. – Somente acho que você deveria ter dado um tempo á ruiva, para que ela pudesse pôr seus pensamentos em ordem. Idem pro Harry. – completou com a voz sonolenta, no que Melissa sabia ser causado pela cafuné de Hillary, que parecia não perceber que o namorado simplesmente não conseguia manter-se acordado por muito tempo, se alguém mexesse em seus cabelos por muito tempo.
-Nunca pensei que diria isso, mas concordo com Joe. – Brian resmungou, sentando-se na ponta da cama que fora ocupada por Gina aquele semestre. Melissa sabia que Brian e Joe se adoravam, mas também sabia que os dois não perdiam uma única oportunidade de se cutucarem, principalmente depois que Joe começara a vigiá-los com maior atenção, depois de ficar sabendo que eles estavam namorando. – Harry, principalmente, precisava de tempo para entender os próprios sentimentos... – isso pareceu fazer todo o sono que Joe sentia sumir por completo, fazendo o loiro sentar-se terrivelmente rápido.
-E Gina não precisa? – perguntou, fuzilando o moreno com os olhos. Brian bufou e cruzou os braços.
-Claro que precisa, mas não se esqueça que ela teve quase três anos para pensar e entender. Harry teve somente uma noite. Três meses no máximos, para tentar entender tudo o que se passa em sua cabeça e coração. – Joe pareceu considerar o que o cunhado falara.
-Pode ser, mas convenhamos que, se eles realmente passaram a noite juntos, Gina provavelmente ficou muito confusa. – o loira sentenciou.
Melissa sentou-se ao lado do namorado, pensativa.
-Gina sabe que não pode esquecer Harry, por mais que tente, assim como sabe que, se nesse momento, Harry for até ela e falar tudo o que ela quer ouvir, não vai conseguir se controlar como sempre faz. Ela vai acabar falando tudo o que sente para ele.
-E com um pouco de sorte, eles vão se entender e tudo isso vai simplesmente acabar. – Hillary completou, se manifestando pela primeira vez. Joe olho-a e sorriu. – Não podemos fingir que não nos sentimos incomodados com tudo o que aconteceu entre esses dois durante esse ano, mas não podemos simplesmente ignorar uma oportunidade perfeita, como essa, de juntar os dois.
-Finalmente alguém que seguiu meu raciocínio. – Melissa resmungou, jogando as mãos para cima, como que agradecendo aos céus por isso.
-Eu segui seu raciocínio. – Joe resmungou, olhando feio para a irmã mais nova. – Somente não concordo com ele.
-Você pode ter ouvido todos os problemas de Gina, Joseph, mas você não é psicólogo. – Brian resmungou, defendendo a namorada. – Tanto Melissa quanto eu, sabemos que Gina não vai poder lidar com uma conversa com Harry, na defensiva, se esse moreno idiota for falar com ela agora.
-Sim, eu ainda conheço a Gina o suficiente para saber disso também... – o loiro começou, mas foi impedido de continuar por Hillary, que deslizou a mão pela sua nuca, fazendo-o se arrepiar.
-Então pare de reclamar e pense que Gina finalmente poderá ser feliz, se conversar sinceramente com Harry. Uma conversa onde nenhum dos dois falará para ferir e, sim, para tentar ser feliz. – sorriu docemente. – Somente confie no destino deles, Joe, por favor. Confie no destino deles e deixe essa oportunidade deles se acertarem, rolar.
O loiro suspirou pesadamente, enquanto olhava para a namorada, parecendo cogitar seriamente o que ela acabara de lhe falar.
-Ah, está bem! – exclamou, vencido.
-Céus, nunca pensei que você fosse calar a boca. – Brian cutucou com um sorriso maroto.
Joe sorriu. Aquela seria uma longa tarde de espera para saber que fim levaria aquilo tudo.

I don’t know where to go from here
‘Cause it’s you and me and all os the people
With nothing to do, nothing to prove
And it’s you and me and all of the people

Flashback

Sentia-se terrivelmente nervosa com aquilo tudo. Sim, sim. Nervosa. Como poderia simplesmente supor que o irmão mais velho de sua melhor amiga ia puxá-la para um beijo assim, do nada, enquanto eles corriam apressados, tentando fugir da chuva.
Estavam, nesse momento, parado em baixo das gotas grossas e frias de chuva, se beijando como se suas próprias vidas dependessem daquele contato de lábios e línguas.
Okay. Não era pelo fato de Joe lhe estar beijando que ela se sentia nervosa e, sim, pelo fato de aquele estar sendo o primeiro beijo de sua vida e, embora estivesse sendo perfeito e do jeito que ela sempre desejara, havia algo errado e ela sabia exatamente o que era; o seu parceiro não era Harry, o cara que amava e que sonhava se entregar completamente, de corpo e alma, mas sim o irmão mais velho de seu melhor amiga. O cara que considerava um de seus melhores amigos.
Oh, certo. Admitia que Joe era lindo, beijava maravilhosamente bem – não que ela tivesse como comparar, mas... -, era fofo, atencioso, gentil, meigo, carinhoso e tudo o mais que uma garota queria, mas ele não a fazia sentir tudo o que lhe falaram uma vez que se sentia em um primeiro beijo; borboletas no estômago; não se sentia indo para o céu e nem nada do tipo.
Somente sentia um friozinho na barriga, tamanho era seu nervosismo. As pernas bambas por estar dando seu primeiro beijo com um garoto tão perfeito quanto Joe.
Mas havia um leve nó, no fundo de seu estômago; não era Harry que estava ali.
Pare de pensar nele!, sua mente ordenou, no mesmo instante em que seus lábios separavam-se dos de Joe, para que pudessem pegar ar.
-Nossa... – ele murmurou, após alguns segundo de silêncio, onde ficaram se olhando, ofegantes.
-É nossa de “nossa, que bom” ou “nossa, que ruim”? – ela perguntou, entre uma puxada de ar e outra. Joe riu.
-Nossa, que bom. – ele esfregou, docemente, a ponta de seu nariz no dela. – Onde você aprendeu a beijar assim? – perguntou, maroto e ela deu de ombros, encabulada.
-Acabei de aprender. – ele jogou a cabeça para trás, gargalhando, num gesto que o deixou mais sensual do que já era.
As gostas cristalinas de água escorriam pelo pescoço forte, num convite silencioso para provocá-lo. O peito forte estava nu, onde as gotas corriam livremente, fazendo-a desejar ser uma gota de chuva para poder tocá-lo da maneira que quisesse.
Ele voltou a olhá-la e, os lábios firmes molhados de chuva, a fez desejar beijá-lo novamente.
-Bem... – ele sorriu malicioso. – Foi muito bom, mas acho que você ainda pode melhorar ainda mais. – e se aproximou dela, capturando novamente os lábios vermelhos, onde ela finalmente conseguiu pensar em Joe e não em Harry.
Aquela seria a primeira, de muitas vezes, que conseguiria tirar Harry de sua mente.

Fim do Flashback

And I don’t know why I can’t keep my eyes of you
Something about you now
I can’t quite figure out
Everything she does is beatiful

Flashback

O silêncio pairava sobre as paredes do castelo de maneira sepulcral, enquanto o único som nas salas de aula, era o do arranhar de penas contra os pergaminhos, onde os alunos faziam suas provas, concentrados.
Mas ele não conseguia prestar atenção ao caderno de questão á sua frente e menos ainda pensar nas possíveis respostas para aquelas perguntas. Seus pensamentos estavam longe, naquela manhã e ele não sabia o porque, infernos, estava pensando tanto nela.
Fazia quatro meses que ela havia ido embora, no que ele esperava que fosse para sempre, porém naquele dia em particular, ele não conseguia parar de pensar de Gina estaria bem ou se estava conseguindo acompanhar o raciocínio que Wizard exigia.
Apesar de nunca ter olhado muito para ela, não podia evitar saber todos esses detalhes, uma vez que Cho não parava de tagarelar no seu ouvido sobre como esperava que a jovem Weasley se desse mal nessa nova vida, antes de voltar para a Inglaterra com o rabo entre as pernas, e totalmente igual á quando saíra.
Mas Harry sabia, pelos seus anos de amizade com Rony, que um Weasley jamais deixava de cumprir uma promessa que fizera e o moreno sabia; Gina prometera mudar completamente, antes de voltar e, enquanto ela não fizesse isso, não voltaria para Londres, nem que isso significasse passar a vida toda na América.
Pousando a pena sobre a mesa, apoiou o cotovelo sobre a superfície lisa, o queixo na palma da mão, enquanto as íris verdes miravam o azul do céu de verão.
Lembrava-se com perfeição do seu primeiro verão passado na A’Toca; ficara extremamente confuso quando Gina voltara correndo para seu quarto, quando o vira sentado na mesa, tomando café com os outros irmãos Weasley’s. Naquele momento sentira-se completamente deslocado, ao descobrir que a irmã caçula do seu melhor amigo tinha uma pequena quedinha por si.
Mas com o passar do tempo, somente se divertia á custas disso, somente achava engraçado a maneira como ela ficava repentinamente desastrada, somente porque ele estava no mesmo cômodo que ela. Ou então de como ela corava loucamente, quando ele lhe dirigia um sorriso de bom-dia.
Mas, então, no seu terceiro ano começara a namorar Cho e, aí, tornara-se o idiota que era. Okay, não era do tipo complexado, mas não tinha como evitar; amanhecera se achando o ser mais idiota e azarado do mundo e, tão logo fora tomar café da manhã, começara a descobrir o porque. Cho Chang estava no canto escuro do corredor que levava ás masmorras, se amassando com um garoto do sétimo ano da Lufa-Lufa, o qual Harry não fazia a mínima idéia de quem era.
Tudo bem que ele não era o melhor exemplo de fidelidade do mundo, mas ao menos ele era discreto.
Dando de ombros, entrara no Salão Principal e, ao sentar-se na mesa dos leões, fora obrigado á escutar um sermão de Hermione sobre moralidade. Okay, talvez ele não fosse tão discreto assim, já que a amiga o vira no maior amasso com uma loirinha bonitinha do quarto ano, na noite anterior.
Após o café, tão logo chegara á Sala de Transfiguração, recebera a péssima noticia de que haveria prova surpresa naquele dia; prova a qual, naquele momento, estava totalmente em branco á sua frente, enquanto o tempo dado pela professora corria rapidamente, fazendo faltar somente dez minutos para o sinal tocar.
Deu de ombros; nunca se preocupara com sua nota, não começaria fazer isso por causa de uma prova idiota.
Suspirou; culpa de Gina não estar conseguindo fazer sua prova.
Olhou para o caderno de questões. Gina o pagaria por isso.
Mal sabia que seria o contrário.

Fim do Flashback

Everything she does is right
‘Cause it’s you and me and all of the people
With nothing to do, nothing to lose
And it’s you and me and all of the people
And I don’t know why I can’t keep my eyes of you

Sentiu o coração disparar dentro do peito no mesmo instante em que seus olhos pousaram sobre o corpo dela. Estava mais bela naquele momento, toda desleixada, do que na noite anterior, quando estivera toda arrumada. As pernas bem torneadas estavam a mostra, devido ao pequeno short branco. A barriga reta estava exposta, pois ela somente usava a parte de cima do biquíni. Os cachos rubros estavam presos em um rabo de cavalo frouxo. As íris amêndoas estavam escondidas atrás da lente dos óculos escuros.
Os braços delicados estavam cruzados em frente ao peito e o rosto virado para o outro lado, onde era possível ver o final do pôr do sol, que ia lentamente entrando atrás de uma montanha.
Suspirando pesadamente, Harry passou a mão pelos cabelos rebeldes, antes de voltar a caminhar na areia, saindo do calçadão, para onde havia ido.
Ela estava incrivelmente bela e ele não sabia se caminhava automaticamente até ela por estar por demais enfeitiçado por sua beleza ou se era porque simplesmente decidira parar de brigar consigo mesmo e admitir que a amava mais que tudo.
Colocou as mãos nos bolsos, no mesmo instante em que parava ao lado oposto ao qual o rosto dela estava virado. Olhou para frente, para a imensidão do mar, pensando como um simples amontoado de água poderia ser tão belo quando roubava a luz do sol para si.
Suspirou baixinho, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, a voz de Gina, pesando alto, o fez parar e sorrir enquanto ouvia.
-Você é um gênio, Virginia. – ela resmungou, antes de suspirar pesadamente. – Quando tudo finalmente dá certo, você ferra tudo. Parabéns pra mim. – Harry riu baixinho.
-Por que eu me vejo obrigado a concordar? – perguntou, fazendo-a dar um pulo de susto, antes de se virar para ele, surpresa.
-Caramba, Harry! – ela exclamou, levando a mão ao coração. – Vai assustar a put... – ela parou no meio do xingamento, enquanto ajeitava o corpo e a mão balançava ao lado do corpo. Os óculos escuros escorregaram levemente no nariz, dando-lhe um ar mais sensual. – Ahn... Harry, o que você está fazendo aqui? – perguntou, parecendo finalmente notar que ali não era a Inglaterra e, sim, Los Angeles e que, teoricamente, Harry não devia estar ali.
Ele deu de ombros.
-É uma coisa que eu estou me perguntando desde que cheguei. – murmurou, olhando para frente, com as mãos nos bolsos e Gina não pôde deixar de aproveitar para observá-lo; ainda usava a roupa da noite anterior, porém naquele dia ela parecia mais sensual no corpo dele; os cabelos negros estavam mais bagunçados que o normal e a expressão cansada deixava-a saber que ele não pregara o olho desde que notara sua falta. Oh, Deus! Esse garoto era simplesmente perfeito. Perfeitamente idiota, mas ainda assim perfeito. – Talvez seja só para saber porque você decidiu fugir de mim.
Ela sentiu o coração bater apressado em seu peito e as pernas bambearem. O ar parecia ter dificuldade em chegar até seus pulmões, mas ela sorria; sorria por saber que finalmente poderia colocar tudo em pratos limpos com ele; sorria por saber que ele fora atrás de si para saber o que estava acontecendo. Deus, amava esse garoto.
Tirou os óculos, colocando-o em cima de sua cabeça.
-Hum... – foi tudo o que disse e ele riu levemente, antes de virar-se para ela, ficando de frente.
-Hum? É tudo o que tem para me dizer? – ele perguntou, mas não parecia estar tão chateado quanto ela pensara que ele estaria. Ele sorria idiotamente, mas era um sorriso tão lindo que ela sabia que não tinha escapatória. Simplesmente sentia que não tinha.
Deu de ombros, virando o próprio corpo, de modo que ficasse de frente para ele, sem notar que os corpos estavam separados por pouco. Ergueu a cabeça de modo que pudesse olhá-lo nos olhos.
-E o que você quer que eu te diga? – perguntou e ele sorriu-lhe docemente, antes de dar de ombros.
-Só o que está se passando aqui... – pousou um dedo na têmpora dela. – E aqui. – completou num murmúrio, escorregando o dedo pela pele macia, até que esta alcançasse a altura do coração dela.
Um arrepio correu pelo corpo da ruiva, que somente sentiu um leve calor passar por suas bochechas. Sorriu de leve.
-É complicado demais para que eu posso explicar. – murmurou e ele deu um pequeno passo em sua direção, diminuindo mais ainda o espaço entre eles. –Harry, por favor. – pediu, finalmente notando o espaço quase nulo entre eles, dando um passo para trás.
-Eu quero você, Gi. – ele murmurou, não insistindo de se aproximar dela. – Você me perguntou o que eu estou fazendo aqui. – ele deu de ombros. – Bem, eu estou aqui para fazer o que você queria que eu fizesse. – segurou uma das mãos dela entre a sua. – Me desculpa por ter sido um idiota, Gi... Desculpa-me por nunca ter te protegido, quando tudo o que você precisava era de um amigo, de alguém se importando com você. Desculpa-me por ter sido idiota a ponto de te perder e me sentir feliz na época. – o sorriso sumira do rosto dele e uma grande magoa estava estampada nas íris verdes, o que deixava claro que, naquele momento, ele estava sendo completamente sincero. – Me desculpa por ter demorado tanto para notar a garota incrível que você é. Me perdoa por demorar tanto para admitir que te amo mais que tudo e que não vivo sem você.
Okay, de tudo o que esperava, isso era a última coisa que esperava dele. O moreno levou sua mão até a altura dos lábios firmes, beijando as costas da sua mão.
-Harry... – começou, a voz embargada e os olhos enchendo-se de lágrimas.
-Me perdoa por querer te ferir, porque você foi a primeira que me fez amar. – puxou-a de encontro a si, abraçando-a levemente. – Me perdoa por ter sentido medo de me ferir ao te amar. – sorrindo tristemente, ele colocou uma mecha vermelha, que escapara do elástico, atrás da orelha dela. – Me perdoa por sentir medo de amar. – ele suspirou. – Me perdoa por, este ano todo, só ter te provocado e nunca ter feito nada certo, que te deixasse saber que eu realmente te amo. – acariciou o rosto dela, como que para guardar na memória a textura da pele dela, que finalmente permitiu que a primeira lágrima escorresse. – Eu preciso de você, Gina. Eu... Inferno! Eu te amo de tal modo que eu mesmo não entendo. Eu te amo de tal modo que eu sinto medo, Gi; medo de nunca mais poder ver seu sorriso, de nunca mais poder ouvir sua risada ou sua voz. – ele olhou-a nos olhos e ela assustou-se ao ver as íris verdes marejadas. – Eu preciso de você somente para conseguir me lembrar como eu faço para sorrir.
O tempo parecia não existir mais para eles; as águas do mar pareciam ter congelado; o som das risadas das crianças e os pios dos pássaros simplesmente sumiram, como se alguém houvesse desligado o som. Eram somente os dois; Harry e Gina.
-Harry, eu... – ela puxou o ar com força e fechou os olhos, organizando os pensamentos. – Eu... Desculpe-me pela maneira que eu te tratei desde que voltei. – abriu os olhos. – Mas eu estava e estou assustada, Harry. Eu... Você nunca me deu esperanças para te amar; nunca sequer me deu um motivo. Eu somente queria que você soubesse como eu me sentia e... – as lágrimas escorriam livremente pelo seu rosto agora, com força. – Inferno! Eu te amo, seu idiota! Te amo mais que tudo e doeu saber que eu nunca conseguiria ficar ao seu lado. – ela soluçou baixinho. – Dói saber que, por mais que a gente converse e se ame, nunca dará certo ficarmos juntos. – resmungou, finalmente abraçando-o forte, escondendo seu rosto da curva do pescoço dele, que a enlaçou pela cintura e pousou o queixo no seu ombro, fechou os olhos e aspirou com força seu perfume.
-No que depender de mim, vai dar certo, Gi. – murmurou. – No que depender de mim, você será feliz, mesmo que eu tenha que ir até o inferno para poder te fazer feliz.
-Pára! – ela exclamou, soltando-se dele; o rosto lavado em lágrimas; as íris amêndoas brilhando em pura dor. – Pára de mentir para mim, Harry! Isso dói! Pára de fazer promessas que você não pode cumprir! Pára, pára, pára. – pediu, baixinho, chorando mais. – Eu cansei de sofrer, Harry! Cansei de ser aquela garotinha que acreditava em conto de fadas. Pára de mentir para mim, dizendo essas palavras fofinhas e bonitinhas. Chega! Será que você já não está satisfeito o suficiente por tudo o que está me fazendo passar?
Gina arrependeu-se imediatamente dessas palavras, pois nesse instante finalmente percebeu que ele também chorava. Lágrimas rolavam pelo rosto, onde uma expressão de profunda dor estava.
Ele engoliu com força.
-Eu... – puxou o ar com força e olhou para o chão. – Eu não sabia que você não podia e não queria acreditar em mim. – ele voltou a olhá-la. – Se soubesse, teria evitado vir até aqui, somente para tentar te fazer entender que eu não vivo mais sem você. – ele colocou as mãos nos bolsos. – Sinto muito se te faço sofrer. – resmungou, antes de fechar os olhos e puxar o ar com força. – Mas... – ele abriu os olhos e olhou ao arredor. – São tantas pessoas a nossa volta, Gi... E mesmo assim, mesmo sem saber o por quê, eu não consigo parar de te olhar. – voltou a se aproximar. – Eu não consigo parar de te amar. Eu não consigo parar de depender de você. Eu não consigo te tirar da minha mente, do meu coração e da minha alma. Eu não sei como faço para parar de te amar.
Gina sentiu seu coração parar de bater, antes de voltar a bater descompassado. O ar parecia não existir mais em seus pulmões e, se Harry não houvesse mencionado, ela não teria se lembrado de que havia montes de pessoas ao seu arredor.
-Eu não consigo te dar uma chance para me provar isso, Harry, porque sempre que você me beijava nesse semestre, eu não conseguia evitar pensar em como eu sofri e sofro por você. – acariciou o rosto dele. – Eu não quero sofrer mais ainda, Harry. É uma dor tão grande, que, às vezes, eu penso que vou morrer. – mais uma lágrima. – É um sentimento to profundo, que parece que vai me dominar de tal maneira a não me permitir fazer mais nada, sem que eu tenha você ao meu lado, mas... Eu cansei de sofrer, Harry. Sofri demais por sua causa e não quero sofrer mais.
-E eu não quero que você sofra mais ainda por minha causa. – ele murmurou. – Gi, como você acha que eu fico sempre que sei que você está triste, desde que me permiti descobrir que te amava? Droga, Gina, eu não posso te ver sofrendo, menos ainda se souber que é por minha causa. Mas tudo o que eu peço é que você me dê uma única chance; uma chance apenas para te provar que eu posso fazer dar certo. Uma chance apenas para te provar que eu posso fazer alguma coisa certa e te provar que te amo. Uma única chance para tentar ser feliz ao seu lado.
Ela suspirou e deu um passo para trás.
-Eu tenho medo, Harry. – murmurou, após alguns minutos em silêncio.
-Eu também. – ele murmurou, sorrindo levemente. – Eu tenho medo de errar mais uma vez com você, Gi. Tenho medo de, agora, falar algo errado, que te faça me odiar. Mas eu tenho que arriscar, senão nunca saberei se eu teria minha chance de te amar. – deu de ombros. – Mas parece que, realmente, não fomos feitos para ficarmos juntos. – suspirou e, tirou a mão do bolso. – Só quero que você fique com esse presente. – disse, estendendo para ela a gargantilha que lhe dera na noite anterior, a qual ela pegou de volta, receosa.
-Harry... – murmurou e ele fez uma cara de quem ia tentar se conformar.
-A gente se vê. – ele murmurou, antes de dar a volta sobre os calcanhares e começar a caminhar na mesma direção pela qual viera.
-Harry. – murmurou novamente, apertando a jóia contra o próprio peito, enquanto as lágrimas escorriam com mais força. – Harry. – repetiu, mas ele não estava mais perto o bastante para ouvir. Soluçou. – HARRY, SEU IDIOTA! – gritou, chorando compulsivamente. – EU TE AMO! FELIZ AGORA? SUA MULA, EU PRECISO DE VOCÊ. – soluçou, a cabeça virada para baixo, os olhos apertados com força. – Eu não sei viver sem você. – completou, num tom tão baixo que ela não sabia se falara mesmo ou se somente pensara.
-E eu não sei viver sem você. – a voz rouca e sensual do moreno soou sussurrada ao lado de seu ouvido, fazendo-a se arrepiar. – Eu preciso muito de você. – completou, antes de depositar um pequeno beijo na bochecha dela. – Olha pra mim.
Ela ergueu a cabeça para olhá-lo, trêmula. Sorriu de leve.
-Eu te amo. – murmurou, parecendo uma garotinha assustada. Ele sorriu.
-Eu também te amo. – murmurou, antes de encostar seus lábios nos dela, delicadamente e, sem pensar, sem pestanejar, Gina entreabriu os lábios, dando passagem para a língua dele, que juntou-se a sua, sem medo, sem pressa.
Somente calma, num beijo apaixonado, onde ele parecia querer provar tudo o que sentia por ela, com somente aquele beijo.
As mãos quentes dele estava pousadas delicadamente sobre sua cintura, fazendo-a se aproximar ainda mais o corpo do dele. Passou os braços trêmulos ao arredor do pescoço dele, segurando-se com firmeza para não cair.
Continuaram beijando-se sem pressa, somente tentando matar a saudade que sentiam dentro de si, mesmo que houvessem ficado menos de vinte e quatro horas longe um do outro.
-Amo você. – ele murmurou, quando os lábios se separaram. As testas coladas, as íris fixas uma na outra; sorrisos bobos idênticos nos lábios. – Muito. – ela riu.
-Eu também me amo muito. – ele riu. – É verdade. – ele sorriu, molhando os lábios com a língua.
-Tenho uma coisa para você, senhorita egocêntrica. – ela franziu o cenho e afastou-se levemente para que ele pudesse colocar a mão no bolso. Afastando-se dela, ele lhe sorriu, antes de lhe estender uma caixinha de veludo azul marinho. – Não sei fazer isso muito bem. – coçou a nuca, sem jeito. – Mas... Você quer namorar comigo? – perguntou, abrindo a caixinha, revelando um anel de ouro branco, onde havia uma única pedra, a qual era vermelho sangue.
-Eu... – ela balbuciou, olhando do anel para ele e de volta para o anel. – Mas é claro! – exclamou, animada, antes de dar impulso nas pernas, pulando no pescoço dele, que perdeu o equilíbrio, caindo de costas sobre a areia fofa, rindo. Ela beijava repetidas vezes os lábios dele.
-Okay. Gina, pára. – ele pediu, entre um beijo e outro. – Gina, controle-se. – riu, enquanto colocava dois dedos sobre os lábios vermelhos. – Ei, ruiva, relaxa, eu não vou sair correndo. – ela riu e sorriu marota.
-Nunca se sabe. – resmungou, antes de capturar os lábios dele num beijo. Mas Harry estava se sentindo bobo demais para conseguir conter a risada, que escapou de sua garganta no meio do beijo.
-Certo, Gina. É só um pedido de namoro, vindo de um cara patético, então controle-se. – ela riu.
-Você é pateticamente lindo. – ela resmungou, enquanto o provocava, beijando-o no pescoço. – Pateticamente perfeito. Pateticamente meu. Pateticamente apaixonado. Pateticamente sedutor. – beijou-o na boca.
-E pateticamente gostoso? Irresistível? – ele perguntou, quando o beijo acabou e ela riu.
-Claro, claro. – resmungou, voltando a depositar breves e repetidos beijos nos lábios dele. – Harry?
-Sim? – ele perguntou, enquanto tentava fazê-la parar de lhe beijar para poder colocar a aliança no dedo dela.
-Você é o tapado mais fofo que eu já conheci. – completou, antes de beijá-lo apaixonadamente.

You and Me and all of the people
With nothing to do, nothing to prove
And it’s you and me and all of the people
And I don’t know why I can’t keep my eyes of you
What day is it?
And in what moth?
This clock never seemed so alive...

Continua...

N/A: Penúltimo capítulo postado. \o\
YAEH! Eu sei que demorei, mas eu demorei a pegar no tranco nele. Fazer o quê?
Eu sei que ele ficou relativamente pequeno, mas ele tem tudo o que deveria ter. =D~
Espero que tenham gostado. =))))
Vou tentar escrever o mais rápido possível o próximo capítulo, onde é o Epílogo. Sim, é triste, mas o fim se aproxima. ^.^
Mesmo que eu não esteja prometendo agilidade com o que eu disse aí em cima; porque mesmo estudando, eu estou me ferrando cada vez mais na escola. U.u Vou ter que pegar muito pesado, pelo que ando vendo. U.u
Mas enfim... COMENTEM! =DDD
Bjins
S. Bluemoon.

Tradução:

You And Me – Lifehouse

Você e Eu

Que dia é hoje e de que mês?
O relógio nunca pareceu tão vivo
Eu não posso prosseguir
E eu não posso desistir
Tenho perdido tempo demais

Porque somos você, eu e todas as pessoas
Com nada para fazer
Nada para perder
E somos você, eu e todas as pessoas
E eu não sei por quê
Não consigo tirar meus olhos de você

Todas as coisas que quero dizer
Não estão saindo direito
Viajando em mim mesmo
Você deixou minha mente girando
Eu não sei pra onde ir daqui

Porque somos você, eu e todas as pessoas
Com nada para fazer
Nada para provar
E somos você, eu e todas as pessoas
E eu não sei por que
Não consigo tirar meus olhos de você

Existe algo sobre você agora
Que não consigo compreender completamente
Tudo o que ela faz é bonito
Tudo o que ela faz é certo

Porque somos você, eu e todas as pessoas
Com nada para fazer
Nada para perder
E somos você, eu e todas as pessoas
E eu não sei por que
Não consigo tirar meus olhos de você

Porque somos você, eu e todas as pessoas
Com nada para fazer
Nada para provar
E somos você, eu e todas as pessoas
E eu não sei por que
Não consigo tirar meus olhos de você

Que dia é
e em que mês
Este relógio nunca pareceu tão vivo!

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