Capítulo X





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Capítulo X – "Volta..."



“Querido diário...

F**** geral!!!!! Desculpe por esse descontrole emocional temporário, mas estou com vontade de gritar... coisas horríveis aconteceram hoje... ou melhor, ontem. O mais importante... que dia é hoje? Bem, hoje é domingo de manhã, um péssimo dia por sinal. Sei que se você tivesse sentimentos estaria totalmente angustiado de curiosidade, então lá vai...

James (sempre James!) jantou com todas nós, como era o previsto. Ele só levou para casa uma candidata mesmo (eu), para o desapontamento da Voguel.

Ontem, na hora da entrega da flor, ele me escolheu, escolheu a Julie (para meu alívio) e a Nathalie (para o meu real estresse).

Eu me despedia da Hil e da Lizzie quando Nathalie, em rede nacional, estragou tudo. Ela disse que Julie era casada. Todos olharam como se ela fosse louca, claro. Mas ela explicou com a vozinha enjoativa dela que Julie, apesar de estar solteira, não estava legalmente separada do marido.

Admito, foi bomba. Julie não contou a ninguém que fora casada. Na hora, ela se limitou a abaixar a cabeça. O mais incrível é que ela parecia ter contado a James, pois ele não estava nem um pouco abatido. Não até Nathalie dar a cartada final.

“Está escrito nos termos de contrato que não pode haver união legal de nenhuma candidata ao inscrever-se, o que torna você, Julie, desclassificada.”

Foi sujeira. Julie ergueu a cabeça, desafiadora. O apresentador disse apenas:

“Se as acusações forem legítimas, a Srta. Julie está automaticamente desclassificada. A não ser é claro, que seja provado o contrário. Isso a produção vai averiguar.”

E a gente saiu do ar. Com a maior audiência da história de O Solteirão.

O fato é que, não sei como, a Nathalie descobriu o segredo da Julie. A produção confirmou ontem a noite mesmo. Julie não é legalmente separada de Aaron Washburn. Este filho da... enfim, atrasou o divórcio pra tentar ganhar metade da casa da Julie.

Não é justo!

Aliás, é totalmente o contrário de justiça!!! E AGORA? O que eu vou fazer numa casa sozinha com a inimiga-mor-Nathalie? O que o James vai fazer, agora que tem que escolher entre mim e a Nathalie? Por falar em Jay, ele acabou de me mandar uma carta. Chegou na correspondência normal. Estranho. Vou colar aqui.

“Cara Lorainne,

Sinceramente não sei o que escrever. O QUE EU FAÇO?! Agora sem a Julie... Não posso escolher entre você e a Nathalie. Ela é totalmente repugnante. Desde ontem eu realmente a odeio. Mas você, o que eu faço com você? Eu não posso escolher a Nathalie, está fora de cogitação, porque eu a desprezo demais. Mesmo assim, eu não posso te escolher, porque eu te amo demais e porque você está nessa por minha causa. Julie falou comigo hoje de manhã. Ela me pediu desculpas e disse que está torcendo por você. Você não vai acreditar no que eu fiz Loren. Ela estava tão absolutamente linda na minha frente... Eu nem respondi. Eu só a beijei. Loren... você que me conhece: eu posso estar apaixonado?!
Não posso escrever mais.
J.P.”

Agora está tudo mais simples. James é louco pela Julie e vai ter que casar com outra. A final é sexta. Essa casa está bem mais tranqüila, já me acostumei com ela. Mas não com quem está nela. Mesmo assim está suportável porque eu pareço ter feito um acordo silencioso com a Voguel. A gente se ignora e ponto final. Exceto no café da manhã, é claro, porque eu estava descontrolada (assim como estou agora).

“Não descobriu nada podre de mim, não?” eu soltei no café.

“Ainda não...” ela sorria satisfeita.

“É melhor achar alguma coisa rápido... você só ganha se for assim não é? Suas vitórias são sempre erros dos outros, a verdade é que você não tem mérito para conseguir nada por si só”. Eu peguei pesado? Que se dane, é a Nathalie!

Pareceu que sim, mas ela disfarçou bem.

“Eu já venci, Loren. Ele nunca vai te escolher porque você é sem sal e desarrumada. Ele só te levou pra casa dele por dó. A verdade é que não aconteceu nada.” Ela falava com uma certeza que me fez arrepiar. Parecia ler minha mente.

MERLIN, OU MELHOR, DIÁRIO, EU JURO QUE NUNCA SENTI TANTA VONTADE DE VENCER!

Mesmo é claro, que eu não quisesse o prêmio. Eu só quero nesse exato momento que James chegue aqui e diga para a idiota-Voguel que me ama e que ela não é nada. E me beije. Mas eu estou querendo demais.

“Ele nunca vai gostar de você, Nathalie, porque você é perversa. Estragou suas chances, já nulas, ontem...”. Depois disso eu vim pra cá. Estudar e escrever, acho que é só o que vai me manter em sã consciência.

Há mais uma prova a ser cumprida e nós vamos tomar conhecimento dela agora. Espera só um instante.



Sei que o “instante” foram duas horas, mas só tive tempo agora.

Segunda-feira: Eu vou passar o dia com os pais do James. Vai ser moleza.
Terça: A Nathalie vai.
Quarta e quinta: dois dias com James.
Sexta e sábado: Dois dias com a Voguel. Pobre James.

Sábado à noite o James diz com quem vai casar.

Acabei de saber que essa semana a gente não precisa ficar mais aqui. Parece que o escândalo Nathalie x Julie teve suas vantagens...

Eu posso ir para casa! Vou sair daqui hoje! Sou a pessoa mais feliz do mundo. (Tá bom, frase muito doce, cheia de arco-íris e ursinhos.)

Minha vida vai voltar ao normal.

Amém!


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Segunda-feira

“Passei o dia inteiro com a tia Hermione. Era difícil fingir que eu não conhecia bem a tia Mione e vice-versa. Mione e eu cozinhamos e Harry me ensinou umas técnicas de quadribol. Imagina! Logo eu, que há pouco tempo atrás nem sonhava em tirar os pés do chão. Parecia um dia normal, nos velhos tempos, quando eu passava as férias na casa do James ou o contrário. Esse contato me fez muito bem.

“Posso ver o quarto do Jay?” eu perguntei, à tarde.

“Claro, querida”

Eu não via o quarto de James desde Hogwarts. Não do James adulto, mas sim do adolescente. Do idiota que me atrasava nas aulas.

Estava limpo e organizado. Obra dos pais dele, com certeza. James não arrumava o quarto nem que Merlin prometesse a vida eterna. Havia pôsteres do Chudley&Cannons em uma parede, fotos em outra. Muitas fotos. Eu aparecia em mais da metade delas. Mitch em outras tantas.

James e eu tomando sorvete, eu derramando sorvete em Jay. James rodopiando comigo nos braços. Jay e eu abraçados. Eu e James na grama. James enterrado por mim na praia. James coberto de neve. James sujo de lama (em todos esses casos eu jogava as coisas nele. Eu judiava de James e nem sabia). Eu beijando o rosto de James.

Eu nunca me vi em tantas fotos de uma só vez!

“Melhores amigos para sempre!” ele me dizia todo dia.

Eu abri a gaveta de cima. Parecia trancada, mas abriu-se instantaneamente ao meu toque.

Dentro havia um papel dobrado e um colar.

Era na verdade uma corrente dourada e tinha um pingente com o formato de um pomo de ouro. Observei que era igual à corrente prateada que James me dera. Juntei as duas ao perceber a semelhança e os dois pomos se entrelaçaram. Minha visão embaçou e minha mente ficou vazia. Depois de alguns segundos percebi que estava em uma lembrança de James.

Era naquele mesmo quarto. Um James de dezessete anos conversava com o pai.

“Ela já viajou!” James socou o travesseiro, emburrado.

“Não fique assim, vai poder visitá-la às vezes.”

“Sabe como é o curso que pretendo fazer. Nunca vou ter tempo de vê-la, a não ser que eu viaje com ela.”

“O quê?! Enlouqueceu James? Não pode ir à Alemanha.”

“Posso sim...”

“Sua mão ficaria desolada”

James pareceu pensar melhor.

“Não posso ir. MAS também não quero que ela vá!”

“Ela JÁ foi James, aceite isso.” Harry virou-se para sair do quarto.

“Pai.” James o interrompeu. Harry o encarou por um longo momento.

“Eu também me desesperei quando sua mãe e eu paramos de nos ver. Sei que é difícil melhores amigos se separarem. Mas aparecerão outras amizades e ela não morreu, Jay, apenas viajou.”

“Valeu”. Harry o deixara sozinho. James puxou uma corrente dourada de dentro da camisa. Sorriu ao ver o pomo.

O mesmo que dera a mim.

Jay deitou-se na cama e suspirou, os lábios contraídos.

“Por que você fez isso, Loren?”

Minha visão voltou ao normal depois disso. Mas estava turva, porque eu estava chorando. Não fazia idéia do que James sentia quando eu o abandonei.

Abri o papel e descobri ser uma carta. Era uma carta que ele fez e nunca me enviou. Li três vezes seguidas.

“Cara Loren.

VOLTA! Está bem, não posso pedir isso, é muito egoísta da minha parte te querer do meu lado. Mas é que nada disso é a mesma coisa sem você! Que é que vai me chamar de idiota o tempo todo? E caminhar comigo toda a propriedade? E me ensinar Transfigurações Comparadas? Preciso de você, é sério...
Nas cartas as pessoas dizem como as outras estão, não é? Todo mundo aqui tá bem. E você? Estudando muito? Já arranjou um namorado? Tô estudando a beça, mas não estou namorando. Minha última namorada me largou porque achava que eu tinha um caso à distância com você. Ela tinha ciúme porque eu não parava de falar de você.
É só isso, responde logo. Se der pra voltar junto com a resposta...
Espero que ainda esteja com a minha corrente.

Com saudade,
James

P.S: Volta logo, te amo...”


Se James tivesse me mandado essa carta, eu terminaria tudo na Alemanha. Por que só Merlin sabe como eu agüentei ficar seis anos sem falar direito com meu melhor amigo. Eu só precisava de um “volta” dele, e na carta tinha três.

Mas... ele não mandou.





N/A: próximo cap... dois dias inteiros com o carinha e resultado final do concurso. Comentz???
;**


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