Alvo: Draco Malfoy



CAPÍTULO 12


 


ALVO: DRACO MALFOY


 


 


 


 


 


 


 


 


A atual onda de mortes abalou a Bruxidade. Vários bruxos perdendo a vida em situações relacionadas uma à outra e com as Pragas. Moscas em Azkaban, carregando uma Peste que afetou aqueles que possuíam dons de Animagia e que culminou em um surto de úlceras, com rápida infecção generalizada naqueles que com eles tiveram contato. Por uma questão de segurança, os corpos de Sibila, Wormtail, Nigel, Crabbe, Goyle, Nott, Jugson, Amycus e Travers foram cremados e as cinzas foram entregues aos familiares.


Os outros Inseparáveis estavam com Luna e Neville, a loira tendo acionado a pira funerária de seu pai. Não chorava, mas tinha no rosto uma expressão bastante dura, lembrando a de Harry ao final do sétimo ano, quando fora o assistente de Seppuku de Voldemort. Os familiares receberam as urnas contendo as cinzas dos falecidos e a mãe de Annellise Carrow aproximou-se de Harry.


_Harry Potter, em outros tempos eu o teria agredido e julgado responsável pela morte de Amycus, já que foi graças a você e seus amigos que ele e Alecto foram parar em Azkaban. Hoje eu já penso um pouco diferente. Não nego que, na época, eu era partidária de Voldemort, embora nunca tenha me unido aos Death Eaters. Mas achava que ele estava certo e só depois que vocês o venceram foi que eu comecei a refletir em tudo o que Amycus fez em nome das Trevas e no que ainda faria, caso vocês tivessem sido derrotados. O que eu quero dizer, Harry Potter, é que eu gostaria muito que vocês, Aurores, conseguissem pegar o responsável pela morte não só de Amycus, mas também de todos os outros. Sibila e Peter Pettigrew, Ebenezer Crabbe, Sylvius Goyle, Arsenius Nott, Carl Jugson, David Travers e o Editor-Chefe do Pasquim, Nigel Lovegood não podem ter morrido em vão... _ Annellise interrompeu sua mãe.


_Olhe, Harry, Sou da Sonserina, como foram meus pais e irmãos, puro-sangue, orgulhosa, etc. Mas nunca fui fã das Trevas, ainda mais porque sei quem meu pai era e tudo o que ele e minha tia fizeram. Isso me faz querer ainda mais distância daquele lado. O que eu e minha mãe queremos dizer é que queremos que vocês peguem os responsáveis por isso. Não por vingança ou iríamos nos igualar a eles. É por justiça, Harry. Façam com que eles recebam o merecido castigo por tudo.


_Estamos trabalhando nisso, Annellise. _ disse Harry _ Prometo que faremos o possível para que o Círculo pague por tudo o que já fez e está fazendo.


Mãe e filha despediram-se e foram embora. Crabbe, Goyle, Nott e os filhos de Travers e Jugson fizeram o mesmo. Em seguida, foi a vez de Draco e Janine, acompanhados de Rony e Hermione. Janine já havia iniciado sua carreira como professora em Hogwarts. Harry e Gina foram com Luna e Neville para Ottery St. Catchpole, pois iriam para a Toca. As crianças foram primeiro, ficando sob as vistas de Molly Weasley.


 


Em Ottery St. Catchpole, Harry, Gina e Neville faziam companhia a Luna que, estranhamente, não derramara uma lágrima, parecendo estar em choque. Ela depositou a urna com as cinzas de seu pai em cima da lareira e pediu licença. Todos compreenderam que ela precisava ficar alguns instantes sozinha. Neville conjurou para ela uma caneca de chocolate, devidamente acrescida de uma boa dose de Brandy, para que a esposa relaxasse um pouco. Ela agradeceu, pegou a caneca e retirou-se para a biblioteca. Instantes depois, começaram a ouvir uma música de violino, que logo identificaram.


_Oh, oh! _ disse Harry _ Problemas à vista.


_A música é, se não me engano, “Variations of Sun”, de Alex Papadiamantis. _ disse Neville _ Ela está tocando violino.


_E toca muito bem. _ comentou Gina _ O problema é que nós sabemos o que vem depois.


_Ela fez aquilo de novo? _ perguntou Harry.


_Uma vez, há uns três anos atrás. _ respondeu Neville _ Estávamos na Harrod’s, comprando presentes para o aniversário de nossos filhos. De repente, um grupo de homens armados apareceu, assaltando a loja e fazendo vários reféns. Desaparatamos para fora e eu notei que Luna estava com aquele mesmo olhar. Ela me dissse: “Não posso permitir que eles ameacem aquelas famílias e suas crianças.” Em seguida desaparatou para dentro da loja, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. Ela transfigurou as roupas no traje Ninja e executou um Feitiço de Desilusão. Os caras sequer souberam o que os atingiu e devem estar doloridos até hoje.


_Ela é extremamente tranqüila mas, se ocorre algo capaz de indigná-la de verdade, ela deixa-se possuir pela fúria de guerreira e vira uma máquina de combate, lembrando aqueles dias em Azkaban e em Avalon. _ comentou Gina _ Lembram-se da primeira vez?


_Sim. Foi no nosso primeiro aniversário de casamento. No meio da festa, surgiram uns dez remanescentes dos Death Eaters, querendo me pegar como vingança pelo fim de Voldemort. _ disse Harry.


_É verdade. Ela havia pintado um quadro e ia entregá-lo a você quando eles chegaram. No momento em que um deles danificou o quadro, eu quase não a reconheci. Ela simplesmente voou para cima dos trevosos e começou a bater neles de uma tal maneira que, certa hora, o líder do grupo pediu: “Em nome de Merlin, Harry Potter, leve-nos para Azkaban, mas tire Luna Longbottom de cima de nós!” _ disse Neville.


_E algo me diz que a história vai se repetir. _ disse Gina _ A perda do pai nessas circunstâncias é mais do que suficiente para...


Um estalido de desaparatação interrompeu as palavras de Gina. Foram para a biblioteca e viram o violino sobre a mesa, junto à caneca de chocolate intocada.


_Ela fez de novo. _ disse Neville.


_Alguns marginais vão ter muitos problemas. _ comentou Harry.


 


Munida de um rádio enfeitiçado para captar as transmissões da polícia trouxa, Luna estava no alto de um edifício, no West End. Com os fones no ouvido, monitorava as comunicações e em dado momento desaparatou, retornando minutos depois. Recolocou os fones e continuou a ouvir as transmissões da faixa policial.


Na porta de uma delegacia próxima, seis elementos de uma quadrilha que preparava-se para roubar um banco, encontravam-se amarrados com cordas conjuradas e com algumas contusões e olhos roxos. Ela havia maneirado na força dos golpes, para felicidade dos pretensos assaltantes.


E assim foi, por grande parte da noite. Uma tentativa de seqüestro frustrada, quando o pretenso seqüestrador caiu desmaiado, com uma lâmina em forma de lua crescente cravada na mão. Três homens que tentavam estuprar uma mulher em um beco foram duramente atingidos e viram-se dependurados no ar, como se uma força invisível os tivesse agarrado pelos calcanhares e depois enlaçado seus corpos com cordas apertadas, vindas sabe-se de onde. A quase vítima do estupro mal teve tempo de ver um vulto negro subir pelas paredes, como se fosse uma aranha, desaparecendo em meio aos prédios. Uma operação de venda de drogas foi abortada, com os seus participantes pregados no muro, todos eles inconscientes e bastante feridos. Aos seus pés, as maletas com pacotes de heroína e maços de dólares, junto a um cartaz que dizia: “ESCÓRIA HUMANA. MERCADORES DA MORTE E SANGUESSUGAS DA HUMANIDADE”. A polícia londrina estava admirada, pois a cada ocorrência que iam atender, ao chegarem viam que os marginais já estavam presos e com as provas de seus crimes bem ao lado. Não houve a menor dificuldade para lavrar os flagrantes.


Pelo final da madrugada, em um bairro residencial de Londres, uma garotinha chorava ao pé de uma árvore, chamando pelo seu gatinho. O bichano não estava conseguindo descer dos galhos. Então surgiu, vinda não se sabe de onde, uma mulher loira que vinha descendo da árvore sem a menor dificuldade, trazendo o gatinho nos braços.


_Aqui está, minha querida. Agora vá para dentro, pois você deveria estar na cama há muito tempo.


_Tippy! Muito obrigada, moça. A senhora é um anjo? É loira e bonita como as figuras de anjos que vemos nos livros e revistas.


_Não, meu bem. Sou apenas alguém que não gosta de ficar parada ao ver os outros sofrerem. _ deu um beijo na testa da garotinha e ficou observando-a entrar em casa. Quando ela ouviu um estalido e voltou-se, com o gatinho no colo, já não havia mais ninguém na calçada.


_Eu sabia. _ murmurou a menina _ Era mesmo um anjo.


 


De volta a Ottery St. Catchpole, Luna aparatou na sala, onde estavam Neville, Gina e Harry. Lílian, Tiago e Julius haviam ido para a Toca, na tarde anterior. Os Potter haviam passado a noite ali e iriam para a Toca naquele dia.


_Tudo bem, querida? _ perguntou Neville.


_A adrenalina já baixou, Nev. _ disse ela, beijando o esposo _ Gina! Harry! Passaram a noite aqui?


_Sim, Luna. _ respondeu Gina _ Mandamos as crianças para ficarem aos cuidados de minha mãe e ficamos a noite toda jogando conversa fora.


_Muitas ocorrências? _ perguntou Harry.


_Leiam o London Times de hoje. _ e, logo em seguida, Luna caiu no choro, finalmente rendendo-se à emoção. Foi abraçada por Neville e sentou-se em uma das poltronas da sala _ Acho que agora aquele chocolate cairia muito bem.


Gina conjurou outra caneca de chocolate com Brandy e Luna tomou.


_E então, você está um pouco melhor agora? _ perguntou Harry.


_Sim, Harry. Acho que eu explodiria se não fizesse isso. É algo raro e é minha única excentricidade, atualmente. Bem, muitos meliantes de Londres, grande parte deles ligada ao Círculo Sombrio, ficarão fora de circulação.


_Ainda bem que você não corre riscos desnecessários. _ comentou Neville.


_Sou meio excêntrica mas não sou louca nem burra. _ disse Luna, com um pequeno sorriso _ Tenho amigos e uma família para voltar. Agora, falando sério, por que você acha que acabaram atingindo meu pai, Harry?


_Uma conjunção de fatalidades, Luna. Seu pai já seria alvo do Círculo Sombrio algum dia, pois seus artigos no Pasquim causavam problemas para eles, expondo suas operações. Tanto que ele recebeu bilhetes de ameaça daqueles imundos. Além disso, ele não poderia deixar de ajudar a conduzir Wormtail e Sibila para a enfermaria de Azkaban, ao vê-los daquele jeito. E isso acabou por contaminá-lo com aquela maldita “Praga-Três-Em-Um” que o Círculo lançou.


_Muitas vezes as reportagens de “Scarab” eram publicadas no Pasquim, antes mesmo de irem para o Profeta Diário. _ disse Luna _ E isso pode ter contribuído para torná-lo um alvo.


_Ele chegou a me mostrar uma dessas ameaças. Era um pedaço de pergaminho simples, tendo escrita em uma das faces a frase “Você também vai nos pagar” e, do outro lado, um círculo negro pintado. _ disse Neville _ E tenho certeza de que muitos outros devem ter recebido “recadinhos amigáveis” do mesmo teor.


_É, inclusive eu. _ disse Harry _ Mas isso já era de se esperar. Agora estou preocupado em como poderemos antecipar as ações do Círculo e evitar que as próximas Pragas atinjam seus alvos.


_Já tivemos seis Pragas. _ comentou Gina _ Agora temos ainda “Barad”, o Granizo Flamejante; “Arbeh”, os Gafanhotos; “Chosech”, os Três Dias de Trevas e...


_... “Makat Bechorot”, a Morte dos Primogênitos. _ completou Harry.


_O pior de tudo é que não conseguimos pensar em quem poderão ser os atingidos e como. _ disse Neville _ Há muitas pessoas na Bruxidade que já prejudicaram o Círculo, sem contar que eles podem escolher um alvo aleatório, apenas como uma demonstração de poder.


_E ainda há o Necronomicon para complicar. Sabemos que eles tiraram o “Eser Ha-Makot” de um dos livros. Quem garante que não iriam utilizar os feitiços e conhecimentos existentes nos volumes que estão com eles para ameaçar a Bruxidade? _ comentou Luna.


_Não sei, Luna. _ disse Harry _ Acontece que “Escuridão” parecia estar atrás de uma coisa bem específica e eu acredito que ainda não tenha encontrado. Por isso toda essa expectativa pelo último volume que ainda não se manifestou.


_E o que você acha que poderia ser, Harry? _ perguntou Neville.


_Não sei com certeza, mas creio que deve ser algo muito poderoso e que irá ajudá-los a reerguer a Ordem das Trevas.


_Não podemos permitir que isso aconteça. _ disse Luna _ Mesmo não sendo Auror eu quero ajudar, Harry.


_Conte comigo também. _ disse Neville.


_E comigo. _ disse Gina.


_Para mim isso não é novidade. O “Espírito dos Inseparáveis” sempre estará presente. _ disse Harry, com um sorriso _ Mas a parte perigosa fica comigo, OK?.


_Tudo bem. _ disseram os outros.


E Harry pensava: “Por que ‘π’ não está mandando notícias?


 


Elas não iriam demorar.


 


Na Sala Precisa, Derek Mason havia encerrado uma série de exercícios e estava a executar um Kata. Dumbledore entrou e aguardou que ele terminasse.


_Bom dia, professor. Alguma novidade da parte de Harry?


_Não, Derek. Parece que o Círculo está meio que na sombra, depois das últimas Pragas. Mas a coisa está ficando cada vez pior, pois não estamos conseguindo antecipar os passos deles. Nem todas as vítimas morreram, conseguimos salvar Arabella Figg e Pomona Sprout. Dudley e Lavender Dursley conseguiram sair da casa sem levarem muitas picadas das abelhas. Os outros prisioneiros de Azkaban não manifestaram sinais ou sintomas de peste ou úlceras. Mas o Círculo parece estar um passo à nossa frente.


_Sim. Mas perdemos Filius Flitwick, Rita Skeeter, Mundungus Fletcher e agora Nigel Lovegood. Quatro pessoas que eram importantes para enfrentarmos o Círculo. Quem poderão ser os próximos?


_Preocupado com a família, Derek? _ perguntou Dumbledore.


_Não posso dizer que não estou, Alvo (Derek raramente chamava Dumbledore pelo primeiro nome, por respeito). É certo que Marilise e Sabrina estão sob Feitiços de Proteção e nossa filha tem o treinamento Ninja-Bruxo. Além disso, Marilise não fica indefesa em uma situação de corpo-a-corpo. Quando ainda era vivo, o Coronel Sandoval ensinou algumas coisas a ela, que aprendeu muito bem. Mas eu ainda fico pensando que deveria passar mais tempo com elas.


_Pensando em se aposentar, Derek?


_Não nego que a idéia já me passou pela cabeça, professor. Estou lecionando Defesa Contra as Artes das Trevas há cerca de quinze anos. Somando com o meu tempo de serviço como Auror Ativo, creio já ter o suficiente para me retirar, com vencimentos integrais. Mas ainda não chegou a hora. Gostaria de só sair quando tivesse um sucessor. Melhor, um substituto. Sei que ninguém é insubstituível, mas acho que fiz um bom trabalho aqui em Hogwarts e sinto que só deverei me retirar quando houver no meu lugar alguém que possa dar continuidade a ele.


_E já tem alguém em vista, Derek?


_O senhor sabe que sim. Mas ainda não é o momento.


_Esse momento chegará. Os bons filhos sempre tornam à casa. Você, Minerva, Severo, Hermione e Janine são bons exemplos disso.


_Não nos esquecendo de Sirius e Ayesha. _ disse Mason _ Mas o senhor pode ficar tranqüilo. Quando chegar o momento, avisarei ao senhor e à Diretora McGonnagall.


 


No momento “p” tinha suas próprias preocupações. Estava ficando cada vez mais difícil cobrir seu rastro, pois “Escuridão” estava cada vez mais desconfiado, existindo coisas que ele não revelava nem mesmo a “Sombra”. Mas “p” sabia que não poderia descansar enquanto não ajudasse Harry a expor “Mantis”. Harry dissera já ter um plano, mas que ainda não havia chegado a hora de começar a executá-lo. Bem, teria de confiar no Auror. Havia recomendado para que Harry comparecesse ao encontro com sua própria aparência e o bruxo de óculos logo descobriu a razão.


Em um restaurante do Central Park, Harry Potter não sabia se ficava zangado ou se achava graça, pois “p” estava com a aparência de Gina.


_Que idéia foi essa, “p”, usar a aparência da minha esposa?


_Achei mais seguro. Ninguém desconfiaria de Harry Potter passeando com a esposa em um dia de folga. Sei que ela está na Toca e lá nenhum elemento do Círculo iria conferir se ela realmente está lá. O bandido não sairia vivo.


_Ainda assim, fica meio estranho. Quero dizer, é e não é minha esposa à minha frente.


_Se isso puder ajudar a diminuir seu constrangimento, Harry, eu lhe adianto que sou mulher. Você já deve ter percebido isso, pela vibração basal do Ki. Você não irá ficar por aí de mãos dadas com um cara. _ disse “Gina”, com um sorriso.


_Nada a ver. O disfarce é tudo nesses casos. Ainda que você fosse homem, eu teria de passear abraçado com você, se fosse necessário.


_Que bom. Você é um excelente profissional e uma excelente pessoa, Harry Potter.


_Obrigado. Você me disse que tinha informações que poderiam ajudar a expor “Mantis”. Como?


_Aquela operação que Anya estava investigando e que resultou na sua morte, visava descobrir como o Círculo estava estabelecendo novas conexões para o tráfico de drogas para a Europa e América. Ela avançou bastante, como você sabe, já que viu as informações que ela lhe deixou. Mas, para expor “Mantis”, acredito que será necessário seguir os passos de Anya.


_Eu já estava pensando nisso, “p”. E já sei por onde deverei iniciar minhas investigações.


_Por onde?


_Moscou. O início das investigações de Anya foi com um chefão da Máfia Russa, que comandava uma área de tráfico na cidade. Yevgeny Kerensky é o seu nome. A droga saía do Triângulo Dourado e ia para a Rússia, via Cazaquistão.


_Mas Kerensky foi morto há cerca de seis meses atrás, por um rival.


_Sim. Boris Goroschikov assumiu seu lugar, mas manteve os mesmos fornecedores e rotas. Piotr me mandou essa informação, na semana passada. A rota inversa leva de Moscou a Almaty, cidade mais populosa do Cazaquistão e de lá à região do Triângulo Dourado, principalmente Myanmar.


_Incrível como existem países cujos governos, mesmo hoje em dia, ainda financiam o tráfico e lucram com ele. _ comentou “p” _ E o Círculo leva a sua parte.


_E você tem alguma idéia do que “Escuridão” está pretendendo com o Necronomicon, “p”? _ perguntou Harry.


_Ainda não sei, Harry. Esse plano ele não revelou nem mesmo a “Sombra”. Só sei que ele ainda necessita do volume que ainda não se revelou.


_O sétimo. Então é um tipo de feitiço em duas ou mais partes. Bem que havíamos pensado em algo nesse sentido. Aposto que ele também não diz nada sobre quem serão os próximos alvos do “Eser Ha-Makot”.


_Não, Harry. Ele não diz nada, mas é bom que os Inseparáveis fiquem atentos, pois são alvos preferenciais. E ainda há mais quatro Pragas.


_ “Barad”, “Arbeh”, “Chosech” e “Makat Bechorot”. Espero que possamos detê-los antes da última. Bem, voltando às investigações de Anya, foi com base nas suas informações que ela seguiu o caminho inverso até Myanmar e lá descobriu uma outra conexão, cujo ponto final de distribuição da heroína na europa era Amsterdam.


_Sim. Eu não tive tempo de avisá-la para desaparecer e ela foi capturada pelo Círculo. Viciaram-na e depois provocaram uma Overdose para matá-la. Você sabe que foi “Mantis” quem a expôs, não sabe?


_Sei. E mais do que nunca nós temos de descobrir quem é “Mantis” e neutralizá-lo. Não será fácil, pois nem mesmo “Sombra” sabe quem é. Mas eu tenho um plano, “p”. Não posso dar todos os detalhes, mas estou certo de que culminará no desmascaramento desse desgraçado.


Terminaram de almoçar e saíram, rumo a uma estação de metrô. No meio da multidão, ninguém percebeu quando mudaram de aparência e separaram-se, indo cada um para um lado.


 


Naquela mesma noite, “Escuridão” estudava um dos volumes do Necronomicon, atentando para um detalhe que havia deixado passar (“Ora, ora! Que bom saber disso. Será um excelente plano alternativo, caso o sétimo volume venha a escapar de nossas mãos e também poderá servir como cortina de fumaça para que Dumbledore e Potter não saibam o que realmente pretendemos. Bem, agora é esperar que o sétimo volume se manifeste, seja em que parte do mundo for. Aqueles malditos me frustraram em Florença, Paraty e Bali, mas a vitória final será do Círculo e minha, em particular. Apreciarei bastante ver a vida escapando dos olhos surpresos de Harry Potter quando eu lhe revelar a minha identidade, sendo essa a última lembrança que ele terá na vida. Creio que a expressão será semelhante à dos olhos de Rita Skeeter. Rita... Bem, uma fofoqueira a menos neste mundo. Mas, para que os meus planos tenham sucesso, não poderei revelar detalhes importantes nem mesmo para ‘Sombra’ e a ajuda de ‘Mantis’ será muito importante. O pobre Harry Potter nem desconfia de onde virá o golpe que irá colocá-lo indefeso nas minhas mãos para receber o que merece”, pensou o bruxo, com um sorriso nos lábios). “Escuridão” guardou o volume do Necronomicon no cofre e serviu-se de uma dose de uísque de fogo de uma garrafa que estava em um aparador. Naquele momento, “Sombra” entrou na sala.


_Parece feliz, “Escuridão”. O que aconteceu?


_Digamos que nossas chances de sucesso aumentaram, “Sombra”. Agora, vamos cuidar dos detalhes de nossa ação contra o renegado Draco Malfoy. Nosso pessoal em Ulan Bator já está em posição?


_Sim. Apenas aguardam ordens para começarem a agir.


_Ótimo. Até que o momento chegue, deverão levar suas vidas normalmente, misturando-se à população local. Exatamente como os que já estão em Mandalay e outros lugares de Myanmar. E ainda será o gatilho para disparar a operação que irá deixar Harry Potter bem onde o queremos. Para isso, estou envolvendo “Mantis” na operação. Quer tomar alguma coisa?


_Sim, vou me servir. _ “Sombra” preparou uma dose de água de gilly e tomou um gole _ Então, tudo está correndo de acordo com o planejado?


_Como um relógio suíço, “Sombra”. Atingindo Draco Malfoy, dificilmente Harry Potter não se envolverá. De inimigos os dois passaram a grandes amigos e, conhecendo Harry Potter como o conhecemos, sabemos que ele não ficará parado vendo um amigo em dificuldades. Daí para que ele caia na nosssa armadilha será um pequeno passo.


_E então...


_... Então fecharemos a arapuca e Harry Potter será nosso. Ele tirou tudo de nós, quando derrotou Lord Voldemort e desmantelou a Ordem das Trevas. Mas ela ressurgirá. _ e os olhos verdes de “Escuridão” assumiram aquele brilho magnético e cruel, com o qual mesmo “Sombra” se assustava _ E eu revelarei minha identidade a ele, no final. Quero que essa seja a última coisa que ele fique sabendo, antes de seus olhos surpresos se fecharem e a vida abandonar seu corpo. Acredite, será um dia muito feliz para mim.


_E o primeiro passo será dado...


_Eu avisarei, não se preocupe. Agora, me dê licença. Preciso falar com “Mantis”.


_Tudo bem, “Escuridão”. _ “Sombra” terminou sua água de gilly e retirou-se. Por outra porta entrou “Mantis”, o espião do Círculo Sombrio entre os serviços de segurança trouxas.


_Então você está ciente do seu papel no plano, “Mantis”?


_Sem problemas, chefe. É questão de tempo e do pessoal em Ulan Bator e Mandalay entrar em contato. Creio que poderemos desfechar o golpe em Draco Malfoy dentro de uma semana.


_Tão cedo assim?


_Claro. As Empresas Malfoy não deixariam de ceder seus aviões de carga, depois do terremoto que houve na Mongólia, há uns dois dias atrás. Isso significa que é só aguardarmos. Os fatos irão se desenrolar sozinhos.


_Ótimo. Atingiremos Draco e isso atrairá Harry Potter.


_Harry Potter? O agente da InterSec?


_Mas claro. Você não sabia que ele também é um alvo do Círculo?


_Imaginava. Ele frustrou muitos dos planos do Círculo, isso eu soube desde que passei a estar a seu serviço. Mas vejo que há um interesse especial nele. O que seria?


_Ora, “Mantis”, você não sabia que Harry Potter além de tudo ainda é um bruxo?


_Isso para mim é novidade, chefe. E ainda explica muitas dúvidas que eu tinha antes.


_Meu caro “Mantis”, há algumas coisas que você precisa saber e eu acho que chegou a hora de dizê-las. Pegue uma bebida e sente-se.


Mantis” serviu-se de uma dose de uísque de fogo e sentou-se em uma poltrona, à frente de “Escuridão”. Este começou a lhe contar uma história, ao mesmo tempo que pegava a varinha e apontava para o espião.


_ “Totalus Desobliviate”! _ “Mantis” foi atingido por um Feitiço de Recuperação de Memória _ Este feitiço estava no Necronomicon. É o mais eficiente para recuperar memórias, “Mantis”. Prepare-se, pois todas as suas recordações que foram suprimidas irão voltar.


As lembranças de “Mantis”retornaram e ele encarou o co-líder do Círculo.


_Então esse é o meu passado? Foi isso o que aconteceu comigo?


_Exatamente. Mas seu segredo está a salvo comigo e aqui você sempre terá o seu lugar.


_Como eu disse, estou a seu serviço. Com tudo isso eu deveria sentir raiva de bruxos, mas não sinto. Os responsáveis por isso já pagaram e, se eu tiver a oportunidade de pegar o metido do Potter, melhor ainda.


_Você parece não gostar muito dele.


_Acho que você já sabe as razões, “Escuridão”. Bem, agora devo dar prosseguimento à minha parte dos planos. Com licença, chefe. _ terminou seu uísque de fogo e retirou-se da sala.


Com um sorriso maldoso nos lábios, “Escuridão” observou a saída de “Mantis” (“Realmente, ainda existem auxiliares com os quais se pode contar inteiramente. Basta que haja a motivação correta e os objetivos bem definidos. E isso ele tem. Mas foi uma grande sorte aquele prisioneiro de Azkaban que morreu ter me contado sobre o passado da família de “Mantis” e o que o pai dele teve de fazer. Sua gratidão é a segurança de sua fidelidade e a certeza de que ele desempenhará bem a sua parte nos planos. Se Lord Voldemort não era desprovido de gratidão, quem sou eu para ser ingrato? Bem, Harry Potter e Draco Malfoy que se preparem”, pensou o bruxo).


 


Saindo do esconderijo do Círculo, “Mantis” foi até a banca mais próxima e comprou a edição mais nova da “Guns & Ammo”, uma de suas revistas preferidas. Sentou-se à mesa de um bar, pediu um café e começou a lê-la. Sempre havia sido um perito em armamento desde a adolescência, o que contara muitos pontos para sua atual posição, depois de uma brilhante e breve carreira como Advogado Criminalista. Acompanhara a ascenção de um jovem que tivera uma rápida passagem pela Interpol e que logo fora, imaginem, convidado para prestar os testes de admissão à InterSec e fora aprovado logo da primeira vez. Um novato, um inglesinho meio atlético, de óculos redondos e com uma estranha cicatriz na testa, uma cicatriz em forma de raio. O nome dele? Harry Tiago Potter. Desde aquela época, “Mantis” já espionava os serviços de segurança trouxas para o Círculo e tendo, com surpresa, descoberto que ainda existiam bruxos verdadeiros no mundo e que interagiam com os trouxas, de maneira mais ou menos sigilosa. Mas jamais imaginava que Potter fosse um bruxo. Para ele, o jovem era apenas um agente com um avançadíssimo treinamento Ninja e possuidor de um privilegiado raciocínio analítico-dedutivo. Agora viera a saber que a tudo isso somavam-se poderes mágicos o que, após a recuperação de sua memória pelo Feitiço Desobliviador que “Escuridão” usara nele, fazia com que pensasse em redobrar seus cuidados, para que sua posição não fosse revelada. Sua primeira missão de maior importância fizera com que subisse na hierarquia do Círculo e havia sido descobrir quem era o espião dos Aurores, que viera a saber serem Agentes Secretos Bruxos, responsáveis por combater bruxos das Trevas e, depois da queda de seu líder, Lord Voldemort, envidavam seus esforços contra o Círculo Sombrio. Descobrira que era uma espiã, uma Auror Russa chamada Anastasia Ivánovna Artamonov, uma bela loira que havia sido contemporânea do Potter em Hogwarts e na Academia Européia de Aurores. Com muita competência e habilidade revelara a identidade da jovem mas ela havia conseguido fugir e passar semanas escondida, repassando para os Aurores o que um informante dentro do Círculo lhe fornecia. Tendo descoberto o seu esconderijo, procedera à captura da Auror, liderando um grupo de bruxos e trouxas do Círculo, já utilizando o codinome “Mantis”, o Louva-a-Deus. Após a captura, procedera ao interrogatório da jovem, o que fora relativamente fácil depois que ela tornara-se dependente química. Tendo obtido as informações de que o Círculo precisava, ele providenciou uma Overdose para a bruxa russa e livrou-se dela, jogando-a no Rio Amstel.


Mas parecia que ela ainda estava viva, pois soubera que havia água nos pulmões. Com aquilo e mais outros dados, Potter e aquela policial holandesa, a tal Van de Vries, ligaram as pontas e aventaram a hipótese de assassinato. Praga! Tinha de dar um jeito de livrar-se do Potter o mais breve possível ou correria o risco de ter sua posição comprometida, pois Harry Potter não era nenhum idiota e logo acabaria descobrindo onde era o vazamento de informações e ele estaria ferrado. Mas “Escuridão” parecia estar bastante seguro de si quando dissera que iria pegá-lo e ele iria colaborar (“Espero que seja um bom plano e que dê um fim no Potter. Se ele não morrer, será um perigo para mim”, pensou o espião). Bem, aquilo era coisa para ser vista a seu tempo. Terminou de ler sua revista e saiu, apenas aguardando o momento de agir.


 


Ele só não sabia que Harry Potter já desconfiava dele e estava armando um arriscadíssimo plano para expô-lo.


 


As crianças bruxas estudavam em uma Escola de Ensino Infantil e Fundamental, na qual também estudavam filhos de trouxas que tinham acesso ao mundo mágico, em uma convivência harmoniosa. Entre as crianças bruxas, logo cedo Tiago Weasley Potter despontava como líder dos Criadores de Confusão, digno herdeiro dos seus tios, Fred e Jorge Weasley. A turma, liderada por ele e Julius, tinha como membros Lílian, Mafalda, Narcisa, Randolph, Sabrina, Fernanda e Simone. Suas traquinagens eram bastante elaboradas e suas pegadinhas sempre atingiam o alvo, no caso alunos metidos a valentões que gostavam de incomodar os mais fracos. Os “Anjinhos” jamais falhavam e conseguiam levar os professores à loucura, mas “só um pouquinho”. Depois das aulas normais, tinham instruções de controle de magia, ministradas por Tonks, com varinhas fornecidas pela Casa Olivaras, com potência reduzida, não disparando feitiços muito fortes o que, com o poder que as crianças estavam manifestando, não adiantava muito. Ainda assim, as crianças achavam as varinhas um tanto fracas.


_Essas varinhas podem ser boas, mas eu acho que elas não são capazes de acompanhar a evolução dos nossos poderes. _ comentou Narcisa.


_Pois é. _ concordou Tiago _ Ou eles conseguem varinhas mais fortes ou nos autorizam a termos as nossas próprias.


_Isso dificilmente acontecerá, mano. _ disse Lílian _ Aqui não é o Brasil, onde as crianças podem ter suas próprias varinhas e praticar magia sob supervisão de adultos. Larissa e Vicenzo já possuem as deles.


_E, inclusive, já as utilizaram em combate. _ comentou Mafalda, olhando à volta e falando baixo _ Ouvi papai comentar isso com o Tio Harry, outro dia. E Vicenzo acabou indo parar no hospital.


_Sei, ele e Larissa envolveram-se em uma operação contra o Círculo Sombrio e foi atingido de raspão por um “Sectumsempra”. _ disse Sabrina _ Ela me mandou uma coruja, contando.


_Espero que ela não tenha esquecido de codificar a mensagem ao mandá-la, minha filha. _ Marilise chegou sem fazer ruído, surpreendendo a todos.


_Uau, Tia Marilise! _ Randolph quase deu um pulo _ Não é à toa que é casada com um Mestre Ninja!


_Menos, menos, Randy. Como se vocês todos também não tivessem treinamento em Ninjutsu. Eu estava passando e não pude deixar de ouvir parte da conversa. Acho que a Casa Olivaras acabará tendo de fornecer umas varinhas um pouco mais poderosas, realmente. Vocês já ultrapassaram o nível das que estão usando, foi o que Tonks me disse.


_Que bom, vovó! _ disse Narcisa _ Assim não iremos tão crus para Hogwarts.


_Ah, que saudades de Hogwarts! _ disse Marilise, sentando-se no pórtico, junto às crianças _ Vocês sabem que foi lá que eu e Derek nos conhecemos, não é?


_Sim, sabemos. _ disse Lílian _ Foi no Baile de Formatura da turma do meu pai, não foi mesmo?


_Sim, Lílian. Sabem, crianças, eu pensava que jamais alguém iria tocar meu coração novamente, depois que Adriano morreu. Mas, naquela noite, Derek aproximou-se e me convidou para conhecer Hogwarts e foi como se eu tivesse retornado à adolescência. Jamais me esqueci de Adriano, muito pelo contrário. Foi como se o seu espírito tivesse me visitado naquele momento e tivesse me incentivado a seguir em frente e buscar por uma nova chance de ser feliz. Tanto é que eu e Derek já estamos casados há cerca de catorze anos e temos uma filha linda.


_Ah, mamãe, assim eu fico sem jeito. _ disse Sabrina e todos riram.


_Inclusive me veio à mente a frase que Adriano disse, logo antes de morrer, depois que sofreu aquele acidente de pára-quedismo.


_E qual foi, Tia Marilise? _ perguntou Randolph.


_Foi “Eu amo vocês. Jamais se entreguem”. E sempre procuramos levar a sério o seu conselho. Alguns anos depois, Janine conheceu Draco, os dois começaram a namorar e ela manifestou dons de magia.


_Por isso ela é famosa na Bruxidade. _ disse Simone _ Manifestou magia na adolescência e passou a ser conhecida como “A- Trouxa-Que-Virou-Bruxa”.


_Quase foi sacrificada por Voldemort, participou da derrota dele em Avalon e agora é professora em Hogwarts. _ comentou Fernanda _ E minha mãe gosta muito dela. Sua mãe é especial, Narcisa.


_Obrigada, Fernanda. Eu também gosto muito de sua mãe. _ Janine havia chegado para buscar Narcisa e ouvira o final da conversa _ Pansy e eu tornamo-nos grandes amigas, contrariando a antiga rivalidade Grifinória/Sonserina. Vamos indo, Narcisa? Temos todo este final de semana, antes que eu tenha de retornar para Hogwarts.


Janine despediu-se de sua mãe e das outras crianças. Abraçou Narcisa e desaparataram para Wiltshire, onde Draco a esperava. Logo em seguida os pais chegaram para levar seus filhos para casa e, por último, Derek chegou e beijou a esposa e a filha. Abraçou as duas e também desaparataram.


Em Godric’s Hollow, Harry estudava as informações que Anya lhe havia deixado e dava os últimos contornos no plano que ele e Miep haviam traçado para revelar “Mantis” e desmantelar a Conexão Russa de tráfico de drogas do Círculo. O plano era arriscadíssimo e haviam chances dele não voltar, mas haviam alguns detalhes que assegurariam seu sucesso, dos quais nem mesmo Miep tinha conhecimento. Dando-se por satisfeito, guardou os documentos em um cofre com vários Feitiços de Segurança e foi para o Centro de Treinamento Subterrâneo, onde fez os últimos treinamentos nos detalhes secretos e em seguida pôs-se a meditar. Logo Harry Potter estava, novamente, levitando a um metro do chão, em posição de lótus e circundado pela aura dourada do seu Ki. Tudo corria bem, era só aguardar pelo momento de entrar em ação.


 


Passaram-se cerca de duas semanas. Draco e Janine estavam almoçando em um restaurante da Londres trouxa e conversavam sobre os últimos acontecimentos que culminaram em mais uma ação conjunta dos aviões da “Malfoy Import & Export” junto à Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras e Varinhas Solidárias. O terremoto ocorrido na Mongólia há cerca de um mês atrás havia sido bastante forte e extenso, ocasionando um grande número de mortos, feridos e desabrigados. As Empresas Malfoy estavam tendo um importantíssimo papel na reconstrução do país e Draco havia sido indicado para receber um prêmio pelas atividades humanitárias levadas a cabo.


Haviam terminado a sobremesa e ocupavam-se de seus Espressos, quando quatro homens em elegantes ternos que disfarçavam muito bem o volume das pistolas que carregavam adentraram o restaurante e dirigiram-se à mesa do casal. O chefe do grupo apresentou-se:


_Sra. Malfoy, Sr. Malfoy, Sou Nikolas Pieterzoon, da InterSec. Gostaria que o senhor me acompanhasse, por favor.


_O que está havendo? _ perguntou Janine.


_A senhora pode vir junto, se assim o desejar. Há um carro lá fora à nossa espera. Vamos indo, sim?


 


O casal acompanhou os agentes da InterSec e entrou no carro. Todos eles os tratavam com gentileza, mas não era possível disfarçar que algo muito sério estava acontecendo. O carro dirigiu-se para as instalações da “Malfoy Import & Export” nos arredores de Londres, onde situava-se o campo de pouso particular da empresa. Draco não pôde deixar de lembrar-se que dali haviam partido para aquela operação da cabeça-de-ponte em Azkaban, aos dezesseis anos. Os aviões estavam na pista e nos hangares, mas havia um Hércules C-130 que estava cercado por viaturas policiais. Achando aquilo estranho, Draco perguntou:


_O que está havendo?


_Já vai descobrir, Sr. Malfoy. _ disse Pieterzoon _ Gostaria de estar conhecendo vocês em outras circunstâncias, pois Potter fala muito bem de vocês e seu trabalho humanitário é reconhecido internacionalmente.


_Você conhece Harry? _ perguntou Janine.


_Sim, Sra. Malfoy. Eu o conheço, embora trabalhemos em setores diferentes. Eu sou da Divisão de Repressão ao Tráfico de Drogas. Potter é da Divisão de Segurança e Combate ao Terrorismo.


_Ainda não entendo por que estamos aqui. _ disse Draco, quando o carro parou junto ao avião.


_Este C-130 veio da Mongólia, Sr. Malfoy. O senhor confirma?


_Sim, claro. Estava prestando ajuda às vítimas do terremoto que ocorreu há um mês. Retornou hoje, trazendo pessoal médico e feridos que necessitavam de tratamento aqui na Inglaterra.


_Acontece que ele trouxe algo mais, Sr. Malfoy. Algo que ele recolheu perto de Mandalay.


_Mas eu não autorizei nenhuma escala em Myanmar. Inclusive, a “Malfoy Import & Export” não tem nenhum negócio naquele país. Eu me recuso a comerciar com uma nação que tolera e baseia grande parte da sua economia no tráfico de drogas.


_Acontece, Sr. Malfoy, que vários dos aviões de suas empresas já foram identificados, fazendo escalas em Myanmar e no Cazaquistão. Fomos alertados por agentes em Almaty para o fato de suas aeronaves estarem descarregando volumes que depois foram para a Rússia.


_Não acredito. Eu teria conhecimento de que algo assim estivesse acontecendo.


_Este avião veio direto de Mandalay para Londres e, segundo informações, há outras coisas além de pessoal para internação hospitalar.


 


Entraram no compartimento de carga do C-130 e viram vários fardos, os quais pareciam conter pacotes do tamanho aproximado de tijolos. Nikolas Pieterzoon retirou um dos pacotes de dentro do fardo e pegou um canivete no seu bolso. Rasgou o invólucro e introduziu a lâmina do canivete no seu conteúdo. Retirou-a, vendo que havia uma substância pastosa aderida a ela.


_Chambers, traga o kit de reagentes. Vamos ver o que temos aqui.


O Agente Chambers aproximou-se, com um kit de reagentes químicos. Pieterzoon raspou um pouco da substância que estava aderida à lâmina de seu canivete e deixou cair dentro do tubo de ensaio, onde já havia uma certa quantidade de reagente. Imediatamente, o líquido mudou de cor.


_Ora, ora. _ disse Chambers _ Mas o que temos aqui?


_Ópio. _ disse Pieterzoon _ Ópio de qualidade superior que, depois de refinado, inundaria a Inglaterra e grande parte da Europa com uma grande quantidade de heroína.


 


Draco e Janine olhavam para aquilo sem acreditarem no que estavam vendo. Aviões das Empresas Malfoy sendo utilizados para o tráfico internacional de drogas, acobertados pelas ações humanitárias? Impossível. Foi quando Draco lembrou-se da conversa que tivera com “π” no Cemitério Pére-Lachaise, onde o informante do Círculo dissera que um golpe seria desfechado contra ele. E foi com uma expressão firme em seu rosto que sustentou o olhar de Nikolas Pieterzoon, quando ele disse:


_Sr. Draco Black Malfoy, o senhor está preso, sob a acusação de associação para o tráfico internacional de drogas.

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