A Grande Mentira

A Grande Mentira



Capítulo 1
A Grande Mentira


“Os mortos espreitam das esquinas
e a casa aguarda, de portas abertas”


Ela não achava muita coisa digna de lembrança em sua vida e nem mesmo podia dizer que tivesse uma memória privilegiada, nunca sentira necessidade de fato em guardar recordações. Era capaz de esquecer o que tinha comido no café da manhã ou de ignorar completamente o que dizia o velho professor de ciências políticas de sua classe. Não havia muitos rostos conhecidos aos quais pudesse guardar. Eram coisas simples, na verdade. Nada em sua vida era tão interessante que justificasse uma lembrança duradoura.

Virgínia tinha sido criada num subúrbio agradável da gelada e úmida Londres, apenas ela e sua mãe, e tirando a escola e algumas curtas viagens pela Europa, sua vida se resumia a seus livros, filmes e à babá Butterfield, que dormira em seu quarto até que fizesse doze anos. O senso de preocupação de sua mãe era tão exagerado, tão fora dos padrões daquela era, que chegara ao ponto de quase considerar seriamente a hipótese de levar a filha consigo em sua lua de mel. Controlada, vigiada sob as asas de um amor possessivo, era surpreendente que pudesse haver tanto afeto em sua relação com a mãe. Talvez, pensava a jovem, porque fosse ela quem sempre relevava. Quem seria a adulta naquela casa?

Foi quando sucedeu o casamento que as coisas se alteraram. Depois de anos de insistência, Michael Rosings finalmente vencera a desconfiança de Molly Prewett Morgan e conseguira concretizar seus sonhos de matrimônio. Mesmo com as negativas de Molly, como as duas não tinham família, o mais natural seria voltarem à América, onde residiam todos os parentes de Michael e a maioria dos seus negócios. Virgínia, na sua pouca idade, já desconfiava que o motivo do padrasto ter fixado residência em Londres se devia somente à sua mãe. Não sabia exatamente como, mas os dois pareciam se conhecer há anos, desde a época nebulosa em que Molly morara nos Estados Unidos e fora casada com seu falecido pai. Outro quebra-cabeças onde faltavam peças essenciais. Era extremamente difícil levar a mãe a responder qualquer coisa sobre seu pai. “Um homem ruivo, alto e brincalhão. Morreu num acidente de carro”, Virgínia juntava os fragmentos com ressentimento. A mãe com um homem brincalhão... Devia haver mais que isso e ela tinha o direito de saber, mas Molly se mostrava tão obstinada em esquecer o antigo marido e tão nervosa quando a filha insistia, que Virgínia raramente encontrava meios de furar o bloqueio.

Em posse da nova “família”, a garota percebeu que Michael seria o homem ideal para Molly, tão sério quanto a esposa e certamente mais... equilibrado. Não que pensasse mal da mãe, mas Molly possuía o modo mais bizarro de encarar a vida. Era como se houvesse uma nuvem negra sobre suas cabeças e uma tragédia pudesse se abater a qualquer minuto sobre todos.

Quando Virgínia desembarcou na agitada Nova York, lhe pareceu que foi enfiada numa escola católica antes mesmo que conseguisse aspirar o ar moderno da metrópole. Naturalmente a mãe tivera a precaução de que o colégio fosse seguro o suficiente, exclusivo o suficiente e, não menos importante, sexista. Não eram admitidos garotos em De La Salle Academy.

Foi um choque e uma dificuldade a princípio, mas felizmente ela não podia saber que com o correr do ano só ia piorar. A jovem, então com treze anos, conseguira fazer algumas poucas amigas, quase que simples conhecidas, sabia que as colegas a viam como “aquela garota estranha de sotaque inglês”, “a que fica nos encarando com aqueles olhos que furam”. Sua quietude e senso de observação foram facilmente confundidos com arrogância. Mas não era bem aquilo, a Virgínia de longos cabelos ruivos, de um tom de vermelho vibrante e escuro, que por mais que tentasse não passava desapercebida, a “esnobezinha inglesa”, como segredavam, simplesmente não podia explicar que muitas vezes não se aproximava das pessoas por “saber” que não gostavam dela ou não tinham bons pensamentos à seu respeito. Era algo perturbador que guardava para si mesma desde muito cedo. Algumas vezes adivinhava as coisas, já havia respondido à mãe perguntas que ainda não tinham sido feitas, deixando Molly à beira do desespero. Por isso a garota se calava, guardando suas impressões para si mesma e sentindo-se frequentemente como estranha e diferente das outras pessoas. Virgínia sentia-se inadequada em quase todos os lugares e na maior parte do tempo. Se soubessem as coisas que ela sentia, os sonhos que tinha... Não, fazer amigos era perigoso. Não precisava de ninguém olhando-a com estranheza e horror , já bastavam os cochichos.

Foi num final de tarde, cerca de um ano depois da chegada à América, que sua pouco utilizada memória foi ligada como num clique. Ela se lembrava exatamente da chuva fina, das aulas terminando mais cedo por causa da morte de uma das irmãs de hábito escuro e pele de pergaminho, a velha e ranzinza irmã Anne Marie, que no entender de Virgínia, não faria a menor falta. Recordava o motorista do padrasto guiando pelas avenidas molhadas, a deixando na porta do impecável prédio em Manhattan, o porteiro, Perkins, a saudara como se achasse divertido o contraste entre seus cabelos vermelhos e o uniforme comportado do colégio de freiras.

Normalmente ela não teria dado a mínima atenção a coisas tão comuns. Elas teriam se apagado de sua mente no momento em que abrisse seu esconderijo, a gaveta secreta do seu criado mudo, imitação do estilo Luís XVI, e mergulhasse no grosso volume de “O Nome da Rosa” e sua aventura de conhecimento, ignorância e caça às bruxas. A mãe não devia nem sonhar que andava lendo aquelas coisas.

Mas ao adentrar o apartamento, o livro foi varrido de sua cabeça. Em poucos passos sentiu que alguma coisa estava... não exatamente errada, mas diferente. Suas “antenas internas”, como ela secretamente chamava essas sensações, detectaram uma turbulência no ar, algo alterando a rotina religiosamente monótona da residência dos Rosings. E suas “antenas” nunca se enganavam.

Ela andou silenciosamente pelos cômodos, deixando o material escolar de qualquer jeito sobre uma cadeira. Sorriu um pouco ao pensar que teria que tira-lo dali antes que Molly o visse e se irritasse.

Na porta do escritório ela parou, atraída por vozes não muito baixas em seu interior. Evidentemente sua mãe e outra mulher. Mas o que, além de Virgínia, levaria sua reservada mãe a falar tão nervosamente? A usar aquele modo agudo de se expressar? Não dava para entender quase nada, mas o tom dizia que não era nada bom.

Não era seu hábito escutar atrás das portas e ela se preparou para girar nos calcanhares, foi quando ouviu o nome de seu pai. Virgínia sentiu o coração bater com força, e se aventurando a bem mais do que uma severa reprimenda, girou a maçaneta devagar. Algo simplesmente mais forte que ela a fez entreabrir a porta e entrar no gabinete com a metade do corpo.

No meio do grande aposento, duas mulheres se enfrentavam alheias a seu redor.

- Vocês não tem esse direito, Molly! Você não tem! Já basta o que fez durante todos estes anos. Já esperamos demais! E agora seu marido tentando nos manter afastados, como se não tivéssemos os melhores advogados desse país. Ah, Molly... ponha a cabeça no lugar...

Uma mulher, provavelmente mais jovem que a mãe, falava com uma mistura de energia e súplica. Era muito bonita, cabelos negros puxados para trás e um costume branco que a deixava com ares de grande dama, como nos filmes antigos que Virgínia colecionava. Tinha algo de familiar naquele semblante.

- Tenho todo o direito do mundo, Candie! O que meu marido tem feito é a meu pedido! Essa família a que você tanto se devota, destruiu minha vida!

- Esta família, Molly, é minha família. E já foi sua também. Nós não temos culpa pela morte dele, não temos culpa por todos aqueles boatos... Não existe nenhum Morgan em Nova Orleans que não tenha sofrido com a tragédia. Só não precisávamos ter sofrido por outro motivo também. Estúpido e egoísta.

- Ela é minha filha e eu decido o que é melhor para ela.

- É melhor viver sem uma família? Ignorar...

- Ela tem uma família. – a mãe trincou os dentes.

- Um homem que não é o pai dela e os parentes dele? - a mulher, Candie, franziu a testa horrorizada. - Molly, não percebe a crueldade? Vovó sem conhecer a única bisneta? Esperando por um capricho?

- Capricho?! – Molly se enfureceu. - Vou lhe dizer uma coisa, Candice, Eugênia tem centenas de parentes para se preocupar, Virgínia até hoje não lhe fez a mínima falta. E no dia em que você tiver seus próprios filhos, venha me falar sobre caprichos.

- Certo, Molly, – os olhos da bela mulher faiscaram de dor. – eu não tenho filhos meus, não pude tê-los. Mas quanto ao resto não podia estar mais enganada. Até o último verão, fizemos sua vontade! Contra todos os conselhos da família, de pessoas bem mais espertas que eu, defendi que você precisava de tempo! Não procuramos pelas provas, por algo que diria com certeza que ela tinha nosso sangue, que teria te obrigado a aproximar a menina de nós.

Candie viu que nada do que dizia provocava efeito, então respirou profundamente.

- Então começaram especulações... Parentes em Londres a viram, ficaram curiosos. Vieram à nossa casa dizer à vovó como ela tinha os cabelos de Arhtur, nossos traços... Minha avó sofreu, Molly... E você nunca permitiu qualquer aproximação. Você se tornou uma pessoa fria e cruel. Não pude ter filhos, meu único irmão está morto. E você esconde a única filha que ele teve, esconde a descendente direta de Eugênia Morgan, a mulher que a recebeu de braços abertos e que lhe tratou como uma filha por anos tão felizes. Minha avó está velha, não quer morrer sem conhecer a menina.

- Candie... – Molly se afundou no sofá, passando as mãos pelo rosto. – Não sou um monstro, apenas não quero minha única filha envolvida com... – ela fez uma careta, sem querer completar. – Você sabe.

- Sempre com essas crenças medievais... Quando vai crescer e deixar este raciocínio tacanho? – acusou Candie. – Não pedimos por isso! É natural em nós! – ela mordeu os lábios cansada, como se fosse uma estória antiga aquela discussão. - Não tem nada haver com a morte dele. É o que precisa entender de uma vez por todas.

- Aquilo é pecado, Candie. Seja qual for o nome que derem. O que vocês fazem... não vai infectar minha filha.

- Não é uma doença, mas pela sua fala... – a mulher apertou os olhos. – ela possui não é?

- Cale a boca! – Molly se ergueu como impulsionada por uma mola e gritou de verdade dessa vez. – Nunca mais volte a repetir... Minha filha não é uma... - os olhos da mãe se arregalaram quando perceberam a figura pálida da garota que assistia imóvel toda a cena.

A mulher morena também se voltou e pareceu à beira das lágrimas.

- Virgínia...

A garota terminou de entrar, fechando a porta às suas costas.

- Quem é a senhora? – falou como se pedisse uma confirmação que ela absolutamente já não precisava. Aqueles olhos cor de uísque, os traços do rosto... Em meio a toda confusão, agora entendia o motivo da mulher lhe parecer tão familiar. Não era num filme que tinha visto aquele semblante, aqueles gestos. Eles se mostravam cada vez que seu reflexo era percebido num espelho. Virgínia estava diante de alguém muito, muito parecida consigo mesma.

A mulher sorriu emocionada.

- Sou sua tia Candie. – e entreolhando magoada para Molly. - Candice Morgan. Nunca ouviu falar de mim, não é?

- Internet serve para alguma coisa. – Virgínia respondeu devagar. – Pesquisei cada rastro do sobrenome nesse país. Só não acreditei. Mãe...

Molly parecia ter perdido a capacidade de falar. Olhava para a filha como se não acreditasse em sua presença, como se o fato da garota estar ali, ter ouvido, pesquisado sobre a família que lhe fora negada, fosse mais assustador do que a mentira em si. Anos de cuidado e vigilância histérica não adiantaram de nada. Anos tentando ignorar a semelhança com aquela família, as coisas estranhas em sua doce menininha. E cada vez mais ela crescia e o nome Morgan se fazia presente em seus menores gestos.

- Ginny... – ela balançou a cabeça, atordoada. – Ah, Deus... Como? O que está fazendo aqui?

- É a casa onde eu moro. – ela recuperou um pouco da cor, enquanto seu medo era acordado. – Quero ouvir de você, mãe.

- Meu bem, tudo o que eu quis foi nos proteger. Te proteger de algo ruim, não natural...

- Não somos aberrações, Molly. – Candice falou defensivamente. – Nos culpar pela morte de Arthur não torna essa culpa real.

- Eles são minha família? Não têm apenas o mesmo sobrenome? – a garota insistiu, sem deixar o rosto da mãe por um segundo sequer. – Esses Morgan de Nova Orleans? Essa avó...

- Eugênia Morgan. Sua bisavó. – Candie falou suavemente. - E tia, primos, parentes em todos os graus e idades que sonhar, querida. – a mulher falava por Molly. – Todos tão ansiosos para te conhecer... Ah, aquelas fotos não eram nada. Quando eles virem que é igual a ele... igual a nós...

- Mãe! Diga alguma coisa! – era a primeira vez que levantava a voz para a mãe, a primeira vez que suas suspeitas tomavam corpo e cresciam descontroladas. Antes deixara suas investigações por não acreditar nelas. Sua mãe não tinha mentido. Sua mãe não faria aquilo com ela. Tinha que haver uma explicação, um mal entendido...

- Sim. – Molly falou quase sem mover a boca. – É verdade quem ela diz ser. Sim...

Nada mais que um sussurro e toda vida de Virgínia assumiu outra dimensão.

- Você é sobrinha de Candie, Arthur era o irmão mais velho dela, e com certeza ainda existem dezenas e dezenas de Morgan naquela cidade. Loucos e sem medo do inferno.

- O inferno está dentro de nós mesmos, Molly, - Candie disse com uma nota de profunda irritação. – e das coisas que fazemos de ruim conosco e com os outros.

- Então eu cavei o meu. - Molly tentou se aproximar da filha, que recuou como se tivesse medo daquele toque.

- Foi um detetive, Candie? O mesmo das fotos, que nos espreitava em Londres? Como fizeram o exame de DNA? – Molly falou, sem tirar os olhos da garota. – Ou, quem sabe, subornaram alguém dessa vez. O dinheiro compra tudo, como sempre. Devia ser a frase da sua família. Pode comprar de volta a paz que você matou? Pagar alguém para tirar esse olhar de horror da minha filha?

- Como você estaria no lugar dela? – Candice tornou, segurando com dificuldade sua raiva. – E para sua informação, Molly, foi suborno. Sua querida e santa igreja... muito fácil ter acesso aos exames de admissão de Virgínia na escola, mais fácil ainda conseguir uma amostra de seu sangue.

- Não meta a igreja nisso. – Molly a desafiou. - Pecadores se encontram em qualquer lugar.

- Inclusive nela. – Candie não se deu por achada.

- Discussões filosóficas não vão me esclarecer em nada. – a voz baixa da garota silenciou as mulheres imediatamente. – Eu não sei se acredito em qualquer coisa de céu ou inferno, o que eu sei é que vocês vão me dizer exatamente o que eu preciso saber, e você, mamãe, não vai mais me negar nenhuma informação.

Molly olhou para a filha derrotada. Sabia que o momento iria chegar, que era inevitável, se ao menos ela fosse mais crescida, se tivessem tido mais alguns anos...

- Acho melhor nos sentarmos, - a garota olhou para Candice e fez um gesto indicando o sofá. - vai ser uma longa conversa.

Disse num tom calmo, mas imperioso, que até aquele dia ela nem imaginava possuir.

- Não sei você, Molly, mas acho que preciso de uma bebida. – Candice Morgan sorriu para a sobrinha e Virgínia descobriu que futuramente, se houvesse futuramente, não seria impossível simpatizar com a tia.

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Arthur Weasley, ruivo, brincalhão, acidente de carro. Ao menos essas informações eram verdadeiras. No mais, quanta coisa debaixo do tapete. Uma família inteira com seu mesmo nome. Perfeitos estranhos. Tão esquisito a mãe ter se afastado, tão sem motivo... Quer dizer, pelos relatos Molly havia ficado extremamente traumatizada pela morte do marido, mas daí a romper definitivamente com a família e desaparecer estando grávida... Não, não fora um simples desentendimento e Virgínia estava decidida a ir fundo naquilo.

Alguma coisa, entretanto, fazia tanto sentido que era como se ela estivesse apenas esperando por aquela família. Candice, por exemplo, era curioso como tinha aceitado imediatamente a mulher como sua tia. Curiosa a sensação de que podia gostar dela, deles todos. Morgans espalhados por todo o mundo, por toda a cidade de Nova Orleans.

Michael tinha chegado do trabalho e o choque em vê-las simplesmente conversando, tensa mas civilizadamente, fora abafado com eficiência pela prática da cortesia. Candice fora convidada para jantar, mas recusou educadamente, elas ainda tinham muito a discutir e forçar uma situação em que se portariam como bons amigos parecia mais do que podia agüentar. Molly dissera a Michael, resignada, que precisavam continuar a conversa, a sós. Se desculpara com o marido e pedira para que avisasse a governanta, comeriam qualquer coisa no próprio escritório.

No momento em que terminaram o lanche noturno, Molly perguntou diretamente:

- O que vocês querem realmente, Candie? Uma simples apresentação formal de Ginny à Eugênia?

- Não. Mas se for o que puder nos oferecer à princípio, - enfatizou - aceitamos.

- Não vai perguntar o que eu quero? – Virgínia jogou o guardanapo sobre a bandeja e encarou a mãe.

- Gostaria de ir comigo até Nova Orleans, querida? – Candie evitou olhar para Molly. – Conhecer sua família?

- Isso está fora de cogitação. – Molly falou rispidamente. - Se Ginny quiser, irei levá-la pessoalmente.

- Você em Nova Orleans? – a mulher se espantou com algum traço de ironia. – O lugar em que jurou nunca mais pôr os pés?

- Para você ver o que somos capazes de fazer por um filho. Mas, naturalmente, é compreensível que não saiba.

Candice fingiu que as palavras não eram dirigidas no intuito de machucar. Fingiu e quase conseguiu convencer. De frente para a tia, Virgínia registrou o abismo entre as duas mulheres, entre ela própria e aquela família. Então olhou para a mãe. Quanto tempo demoraria para que a perdoasse? A maior mentira de sua vida. E, principalmente, quando saberia exatamente do que ela tinha medo? Tinha algo ali, muita coisa, ela adivinhava, mas Virgínia era esperta o suficiente para esperar, para reconhecer os limites da mãe, limites que já tinham sido suficientemente forçados por uma noite.

Os medos de Molly sempre foram relacionados a algo de ruim acontecendo à sua Ginny, a fazer o que é certo, a não pecar. E até aquele dia a garota achava que era só. Mas os medos de Virgínia... Estes eram tão reais quanto improváveis.

Desde muito cedo ela “via” coisas. Pessoas que conversavam com ela e que ninguém mais via. Sensações de que algo ruim ia acontecer... Foi assim com a antiga vizinha, a senhora Fielding. Na manhã em que ela conversava com Molly na calçada, Virgínia soube que tinha algo errado, que a velha e bondosa senhora ia morrer em breve, muito breve. Foi o que disse à mãe quando era levada a escola. Molly a tinha mandado parar com aquela bobagem, mas quando a menina voltou do colégio e soube que a vizinha tinha falecido, infarto fulminante, ou o que ela pôde entender daquilo, a mãe lançara um daqueles olhares assustados e não quisera mais conversar à respeito. Era como se a filha pertencesse à outra raça, que não a humana.

Situações embaraçosas que a fizeram ignorar aquelas aparições, aqueles presságios. Hoje em dia, tirando um vislumbre ou outro, tinha parado de ver figuras fantasmagóricas, ter sonhos proféticos. Conscientemente eliminou o que podia. As coisas que sentia agora, mal passavam de sensações, tão reais quanto fugazes. E quanto às antenas internas...bem, a conversa que presenciara entre Molly e a tia mostrava claramente que ainda estavam em forma.

Tantas estórias, pesadelos, tantos segredos... E o maior de todos não havia sido seu, afinal.

- Quando vamos, mamãe? – ela disse, forçando um pequeno sorriso sem alegria, como se de fato não pretendesse sair direto daquela conversa para seu quarto, se afundar no colchão e chorar e chorar.

Já fazia tempo que não tinha este consolo.



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N/A: Sim, está curtinho, mas me dêem um desconto, foi escrito em cerca de 24 hrs depois de ter a idéia da fic.
O colégio católico citado realmente existe, está situado na cidade de New York, mas se é exclusivamente feminino, não faço idéia.

Arinha: Brigada por me tolerar e por ter sempre palavras de incentivo. Vamos pôr as “raízes” pra funcionar. KKKKKKKKKKKK. Beijo, mana.

Remaria: Vamos ver se o surto de inspiração não me deixa na mão, querida. Beijo enorme.

Márcia: Pois é, querida, fazendo o possível pra agradar. Obrigada pelo incentivo. Aqui e na comû. Bjoca.

Sally: Que a fada madrinha ruiva das fic-writters esteja comigo. Se bem que ter você apoiando já é o máximo. Bjo, bjo, bjo.

Lívia: Siiimmm! A mansão Morgan promete. Tenho altas má intenções. Daquelas... Ahuahuahuahauhuahua! E manda bala na sua fic, heim?

Dianna.Luna: Bom, espero que continue interessante. Do lado de cá, prometo me esforçar. Um beijo.

Priscila: Pri! Quem é demais é você! Mãe, escritora, boa amiga e guerreira. Brigada por tudo (e tomara que ache o livro *roendo as unhas de ansiedade*). Mega beijo, sister.


“Biservação”: Se alguém puder ajudar, estou tentando achar o e-Boock “Taltos”, da Anne Rice.

Abraços e até breve,
Georgea.


PS: Quero saber as especulações. O que espera nossa ruivinha em Nova Orlea

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