O Estranho na Park Lane



Título: Acerto de Contas


Autor:
Mari Gallagher


Contato: marigallagher(arroba)Hotmail(ponto)com ou mmaaryy(arroba)Hotmail(ponto)com


Shipper: Harry e Hermione


Spoilers: Livros 1 a 5


Gênero: Romance/Aventura


Status: Em andamento


Sinopse: (PÓS-HOG) Hermione está à beira do altar, pronta para casar-se e ser feliz para sempre. Mas algo faz com que ela simplesmente repense suas decisões. Harry Potter voltou, mais misterioso e charmoso do que nunca...


No capítulo anterior...
Harry Potter resolve voltar a Londres, enquanto que Draco Malfoy recebe um interessante convite: Ajudar a caçá-lo.


Capítulo IV – O estranho na Park Lane





“I turned on the lights, the TV and the radio

Still I can't escape the ghost of you

What has happened to it all?

Crazy, some'd say

Where is the life that I recognize?

Gone away”

Duran Duran – Ordinary World






Hermione sentou-se na espreguiçadeira, em sua varanda. Numa das mãos tinha uma taça de vinho, na outra uma coisa que há muitos anos não segurava, um cigarro. No som, ouvia Vivaldi, no último volume, precisava pensar. Estava entristecida. Ryan não queria vê-la, ou falar com ela. Finalmente a ficha parecia ter caído: no momento que abandonou o altar, perdeu não apenas o casamento, mas sim Ryan. Só então percebeu, que ele deveria estar furioso, sentindo-se rejeitado, o que não era verdade! Não o havia rejeitado, não a ele, apenas não estava pronta para dizer o "sim".

Provavelmente nunca teria a oportunidade de explicar isto e fazê-lo entender, se é que isto era possível. A consciência estava lhe importunando, fazendo-a se perguntar o tempo inteiro se havia enlouquecido de vez por largar o noivo daquela forma inaceitável e porquê mesmo antes de ver Harry se sentia tão desconfortável e alheia a tudo que estava prestes a acontecer. Não sabia estas respostas e isto a deixava com uma dúvida ainda maior: O que faria agora?

Tinha acabado de anoitecer, a rua estava razoavelmente movimentada, a mudança para o apartamento de cima finalmente havia começado e provavelmente no dia seguinte teria que fazer uma costumeira visita de boas vindas ao novo vizinho. No Hydes Park poucas pessoas caminhavam e conversavam, duas amigas, um casal, um rapaz fazia cooper, um ambulante vendia doces e um homem de sobretudo estava parado à beira da Park Lane, provavelmente esperando momento ideal para atravessar. Ela conseguiu captar em poucos minutos pelo menos meia dúzia de oportunidades para chegar ao outro lado. "Que imbecil", pensou, "Deve ser cego". Quanto mais observava a cena, mais ficava impaciente por ela mesma não poder estar fazendo a travessia. O homem continuava imóvel, mãos nos bolsos, posicionado exatamente à frente de seu apartamento. Permaneceu com seu olhar fixo sobre ele. O sobretudo negro possuía uma espécie de capuz e pela distância não conseguia ver sua face. Passaram-se muitos outros minutos, chegou à conclusão que fosse quem fosse, não estava pretendendo atravessar, embora não se movesse. Fez um gesto com as mãos e o som de “Winter” ecoou. Deixou a música penetrar em sua mente e o vinho em suas veias.

O desconhecido a inquietava, já estava lá há cerca de quinze minutos em frente à sua casa. Sim... Em frente a sua casa!

O coração deu salto. Hermione levantou-se e foi até o batente da varanda. Uma idéia lhe ocorreu. Olhou mais uma vez para o homem, então entrou em casa, desligou o som e pegou o sobretudo. Neste instante, pulou de susto, quando ao mesmo tempo o telefone tocou e três batidas na porta soaram. Ela olhou da porta para o aparelho que estava no segundo toque, dois segundos depois colocou o fone no ouvido.

- Sim?

Sinal de ocupado.

- Interessante. - disse a sim mesma caminhando e abrindo a porta em seguida. Não havia ninguém e curiosamente as luzes do corredor estavam apagadas. - Muito interessante.

Algo estranho estava acontecendo, ela podia sentir. Vestiu o sobretudo, um gorro de lã e saiu de casa. Seu apartamento ficava no terceiro andar, desceu as escadas e chegou à rua. À beira da Park Lane ainda estava o desconhecido e aparentemente não a vira descer. Um vento esquisito passou a seu lado. Olhou em volta, tudo parecia normal. Esperou o semáforo fechar, atravessou a rua rapidamente e foi na direção dele.

- Hey! - chamou a alguns metros. O homem virou a cabeça instantaneamente para ela e depois deu as costas quase correndo na direção do Hyde's Park. - Hey! Espere!

Hermione o seguiu.

- Senhor, espere!

Quando se deu conta já estava no interior do parque, parou para voltar, mas ao virar-se para o lado da rua outras figuras vestidas de preto surgiram pouco a pouco... Uma... Três... Seis. Hermione pensou rápido. Já estava bem distante de casa, teria que se livrar dessa sozinha.

- Ah... Droga! - murmurou antes de embrenhar-se entre as árvores já com a varinha em mãos.

Conhecia bem o lugar, esta era sua única vantagem, apesar da escuridão. Correu rápido, contornando a trilha de caminhada pela área arborizada. Observou a alameda de uma clareira aonde havia chegado. Lado direito, vazio. Lado esquerdo, vazio. Girou nos calcanhares para continuar o retorno e entendeu porquê a trilha estava vazia. Agora, vindo de todos os lados, as figuras negras se aproximavam. Hermione pensou em correr, mas as luzes vermelhas já cintilavam em sua direção.

- Protego! - gritou fazendo recuar três delas e desviando-se entre as árvores de mais duas.

Um dos homens estava muito próximo.

- Pegamos você, espertinha!

- É mesmo, então pegue isto! Conjunctivitus Curse! - atirou-lhe. o Homem caiu gritando com as mãos nos olhos. - Estupefaça! - atingiu um segundo e no terceiro: - Locomotor Mortis!

Mais três se aproximavam em linha, vindo em sua direção. Hermione preparou-se com um sorriso satisfeito nos lábios. Um dos homens conjurou uma grande pedra para atingi-la.

- Impedimenta!

Um deles gargalhou.

- Acabou! Está encurralada!

- O que vamos fazer com ela, han?

- Levá-la para o nosso chefinho, é claro! Ela é muito preciosa...

- Quem são vocês? - indagou ela apreensiva.

- Logo logo você saberá... - os três apontaram a varinha para ela.

Assustou-se, estava frente à frente com os desconhecidos, não conseguiria repelir todos os feitiços ao mesmo tempo. Pensava seriamente em correr quando os três homens caíram um a um atingidos por luzes vindas de suas costas. Feitiços advindos do “nada” a haviam salvado. Intrigada caminhou devagar até o local onde a escuridão estava mais intensa, de onde provinham os encantamentos que derrubaram seus adversários. Não havia sinal de ninguém. Prosseguiu. Já estava a cerca de vinte metros de distância da Clareira, quase não ouvia mais os gritos do primeiro homem atingido nos olhos quando subitamente foi puxada pelo antebraço e uma mão firme a imobilizou e tapou sua boca.

Hermione debateu-se tentando inutilmente livrar-se do captor. Ele procurava arrastá-la para mais longe, mas ela resistia, tinha se tornado uma mulher muito forte após o treinamento de aurores, porém ainda estava dominada e quase sem fôlego. Não conseguiria defender-se por muito tempo, fez uma última tentativa de afastar o braço do homem em sua boca, não obteve sucesso, então num instinto mordeu a mão dele com toda força que pôde reunir. Ouviu um resmungo de dor e com o cotovelo num golpe derrubou o corpo do homem sobre os pedregulhos. Finalmente solta das garras apanhou velozmente a varinha e apontou para ele.

- Está na minha mira! Melhor não tentar nada! - gritou ofegante. - Quem diabos é você?!

Discerniu na escuridão a figura encolhida massageando as costelas, buscando se levantar.

- Lumus!

Ele estava com a cabeça baixa até que a levantou e baixou o capuz do sobretudo para encarar a luz.

- Hermione, sou eu!

Hermione sentiu-se tonta, quase parou de respirar, boquiaberta ao ver seu rosto. A mesma pele alva, ligeiramente coberta por uma barba rala, os cabelos negros arrepiados até a nuca e os vibrantes olhos verde-azulados que havia visto no dia de seu casamento. Deixou cair a varinha numa manifestação de assombro e a luz que agora provinha apenas do chão se transformou em penumbra. Ele levantou-se com dificuldade e com uma expressão mais satisfeita e abriu os braços.

- Sou-eu. - repetiu como que para despertá-la.

Hermione de repente parecia ter perdido a voz, e como não conseguisse pronunciar uma palavra sequer sorriu e atirou-se em seus braços o apertando em um fortíssimo abraço, pôs toda a força que conseguia juntar naquele abraço, como se dele dependesse sua própria vida.

- Harry!! - exclamou ela, muito emocionada apertando entre os punhos o tecido do sobretudo de Harry. - Eu sabia! Eu sabia que estava vivo! Eu tinha certeza que era você em Buxton! Mal pude acreditar que não tinha morrido, eu quase enlouqueci! Não tenho feito outra coisa nos últimos dias além de tentar encontrar você. Ah Harry... Eu senti tanto, tanto a sua falta! Nós todos sentimos! Aconteceu tanta coisa, queria tanto que você estivesse aqui pra ver! - ela disse muito rápido e definitivamente já havia recuperado a fala.

Ele acariciou os cabelos dela sorrindo de seu ataque de tagarelice e do abraço sufocante que ainda não chegara ao fim. Não conseguiria descrever o quanto era bom rever Hermione e estar de volta.

- Hermione... Hermione... - murmurou agora olhando para ela. - Agora que está menos arisca posso dizer também senti muito sua falta, e de todos, quase morri de verdade de tantas saudades!

- Ah Merlin. - ela teve um sobressalto ao reparar a mão ensangüentada de Harry. - Desculpe, desculpe, desculpe. Eu sinto muito, não sabia que era você! Eu o machuquei não é?

Ele fez uma careta.

- Não... Está tudo bem, apenas cortei a mão e devo estar com uns arranhões devido a queda, não é nada...

Hermione o olhou num misto de preocupação, culpa e desespero.

- É claro que o machuquei, por favor, me perdoe. - fez uma pausa. - Não consigo acreditar que esteja realmente aqui! Estou... Muito, muito confusa. O que aconteceu? Por que encenou sua morte e escondeu isto de nós? Onde esteve durante todos esses anos? E quem são estas pessoas que me atacaram!?

Harry respirou fundo com o bombardeio de perguntas, mas sabia que tinha o dever de respondê-las.

- Calma Hermione. Eu vou contar tudo. Absolutamente tudo. – disse Harry em tom sério. – Mas antes tenho que tirá-la daqui antes que eles acordem. Vamos para a sua casa.

- Tudo bem!

Ele segurou a mão de Hermione.

- Leve-me até lá.

Ela acenou positivamente com a cabeça, respirou fundo e aparatou junto de Harry na sua sala. Ele olhou em volta ao chegar, a decoração leve nos quadros e cor das paredes, os móveis ajustados com perfeição e a quantidade de pequenos objetos que variavam em porta-retratos ou enfeites em alusão a cultura bruxa deixavam o apartamento simplesmente a cara de Hermione. Era espaçoso e ao mesmo tempo aconchegante.

- Este lugar é ótimo. – disse a ela com um sorriso.

Hermione suspirou. Pensou em dizer um “obrigada” ou algo parecido, mas o fato de Harry, uma pessoa que considerava estar morta, fazer elogios À decoração de seu apartamento era algo surreal demais para ser apenas agradecido.

- Realmente não consigo acreditar que esteja aqui. – foi o que ela respondeu.

- Eu entendo... – retrucou Harry com um tom sério. – Deve ser o choque.

Ela o olhava ainda com certa incredulidade. Era o mesmo Harry, mas com as devidas diferenças que dez anos poderiam causar, não era mais o garoto Harry, de jeito nenhum. Era um homem que ela encarava como atraente, sedutor e maduro. Os traços estavam mais definidos e sincronizados até mesmo caprichados, as roupas eram elegantes e misteriosas ao mesmo tempo. Estava mais vivo do que nunca.

- Você quer beber alguma coisa? – o que poderia dizer?

Antes que Harry respondesse, Hermione ouviu a campainha. Ele a olhou, interrogativo.

- Está esperando alguém?

- Não...

- Hermione... Não é bom que me vejam ainda, não antes que eu conte tudo a você, então preciso me esconder ou se você achar melhor eu volto outra hora e...

- Não! – ela negou com convicção. – Vá pra o quarto de estudos, é a segunda porta a esquerda no corredor. Nem-pense em ir embora, entendeu?

Harry concordou sorrindo do familiar tom exigente da amiga e saiu. Hermione foi até a porta e a abriu. Era a última pessoa que esperava que batesse à sua porta. Pela segunda vez na noite, se sentiu tonta. Ali na sua porta estava ninguém mais ninguém menos que...

- Ryan?!

- Olá. – disse ele com voz baixa e um semblante impassível. – Posso entrar?

Hermione abriu caminho.

- Claro. – respondeu.

Ryan entrou e sentou-se no estofado. Hermione tomou espaço à frente dele. Estava visivelmente perturbada. Então ele queria vê-la. Não era maravilhoso? Talvez.

- Soube que esteve na minha casa. Desculpe pela minha mãe, ela estava... Alterada. Não avisou que você tinha ido me visitar, e não me chamou. Sinto muito.

Hermione sentiu um aperto no peito.

- Ryan, por favor, pare. Entendo perfeitamente a Margery. Eu que devo desculpas a você. Agi muito mal, nem sei se há perdão para o que eu fiz você passar. Tenho certeza que o decepcionei demais, você tem todos os motivos para ficar chateado e eu... Eu me sinto péssima...

Ele não falou nada de imediato, até que com os olhos brilhantes parou de encarar o chão e olhou para ela.

- O que aconteceu, Hermione? Por que fez aquilo? Há uma outra pessoa? Ou você simplesmente desistiu de se casar porque não gosta mais de mim? Se era este o caso, por que não me procurou para contar? Não precisava ter deixado a situação chegar ao ponto que chegou!

Ryan fazia suposições razoáveis que Hermione não havia nem cogitado que pudessem ser feitas e involuntariamente sentiu-se vil, mesquinha por mesmo sem intenção tê-lo feito sofrer.

- Não há uma outra pessoa... E nem eu havia desistido de casar! Até aquele momento era o que eu mais queria! Ryan... Preciso que me escute: Eu nunca menti para você em relação a meus sentimentos, nunca. Sempre fui absolutamente sincera com você, era nisso que o nosso relacionamento se baseava lembra? Sinceridade e confiança. Eu jamais subiria ao altar com você se houvesse uma outra pessoa.

- Então qual foi o problema, Hermione? Por que desistiu do nosso casamento? Por quê?!

“Por quê”. Era a pergunta que vinha se fazendo com freqüência desde que embarcara no trem de volta para Londres. Curiosamente, deparou-se com a verdade: Não sabia por quê. Não sabia.

- Eu... Eu não sei o que me deu, ou melhor... Eu sei sim. Ryan... Fui tomada por alguma espécie de pânico sem procedentes, me senti muito assustada e também perturbada com o que aconteceu naquele dia... Eu... Você era a pessoa certa, eu só... Não estava preparada. Descobri isto um pouco tarde... Sei que isto é imperdoável, mas, me desculpe.

Ele piscou lentamente.

- Não é imperdoável. É de casamento que estamos falando, qualquer pessoa está sujeita a sentir o que você sentiu. Se não estava sé sentindo preparada, fez a coisa certa ao optar por não se casar naquele momento. Eu entendo. Não precisa nem pedir desculpas. Eu a amo.

Hermione sorriu, comovida com a compreensão dele.

- Muito obrigada. Você está sendo maravilhoso. De verdade.

- Você disse que... Ficou muito perturbada com o que aconteceu naquele dia. O que aconteceu? Foi a minha mãe? Ela fez alguma coisa que eu não saiba?

- Não, não. A Margery não fez nada, ninguém fez. Foi uma outra coisa. Não tem absolutamente nada a ver com nós dois...

- Só me fale se puder.

Hermione refletiu por alguns segundos.

- Eu posso falar. – disse decidida. – Confio em você. Só peço que não comente com ninguém.

- Tudo bem. Não comentarei.

- Naquele dia, exatamente no momento que subi no altar eu descobri que um grande amigo de muitos anos atrás não havia morrido. – falou com cautela. Ryan permaneceu com uma expressão compreensiva. – Fiquei muito abalada, não podia simplesmente continuar lá, dizer sim e viajar em lua de mel depois desse choque.

- Ah... Eu entendo. Entendo perfeitamente. – calou-se por instantes. – Quero que saiba que... Se por acaso ainda gostar de mim eu... Adoraria que reatássemos.

Ela sorriu desacreditada.

- Fala sério?

- Sim. Ainda quero me casar com você, se me aceitar, é claro. - Sentiu novamente o mesmo pânico do dia fatídico que deveria se casar. Ryan percebeu. – Calma, não me entenda mal. Sei que se não estava preparada há três dias não é agora que vai estar. Falo de planos futuros, para o dia que você quiser.

- Ryan... Eu realmente preciso pensar muito, amadurecer esta idéia. Preciso de tempo. Seria capaz de me esperar?

- Eu amo você. – foi o que ele respondeu. – Espero o tempo que for necessário.

Hermione apertou as mãos Ryan entre as suas.

- Obrigada. – murmurou.

Ele respirou fundo.

- Mas... E o seu amigo? Como está? Aliás... Quem é ele?

Ela tomou fôlego para responder.

- Sou eu. – a voz de Harry respondeu da ponta do corredor.

Hermione soltou instintivamente as mãos de Ryan e se levantou.

- Ah Harry... Este é...

- Olá. – Harry interrompeu caminhando e estendendo a mão para Ryan. – Harry Potter, muito prazer.

O loiro hesitou até que se pôs de pé e cumprimentou o outro.

- Ryan Carmichael. – disse em tom baixo.

- O ex-noivo de Hermione. – afirmou Harry, e o outro não pareceu se agradar. – Conheço-o de nome. Sua família é proprietária da L.R pesquisas, não é mesmo?

- Sim. – respondeu sem emoção.

- Faz estudos em todas as áreas de cultura bruxa.

- Exatamente.

- Acho um trabalho brilhante.

- Obrigado.

Hermione nunca vira Ryan tão monossilábico. Ele sem dúvida estava tão surpreso quanto ela por saber que Harry estava muito bem informado a respeito de seus negócios.

- De nada. Já ouvi pessoas próximas mencionarem muito esta firma. Interessante. – disse pensativo.

- Também já ouvi muito falar de você...

- Tenho certeza que sim. – retrucou imediatamente.

Os dois se encararam até que Ryan rompeu o contato visual e virou-se para Hermione.

- Eu... Não sabia que estava com visitas. Vou embora. Nos falamos depois.

Ela deu de ombros e o levou até a saída.

- Desculpe se interrompi a conversa de vocês. – disse Harry ao vê-la retornar.

Estava tão feliz que a última coisa que faria seria se aborrecer com Harry por futilidades.

- Não tem importância.

Ele andou de um lado para outro lentamente com a mão no queixo, pensativo. Até que se dirigiu a Hermione.

- Ele não simpatizou comigo. Porque... Acha que não simpatizei com ele, o que é verdade. Pensa que sou arrogante e indiscreto, o que... – sorriu. – Não é de todo mentira. Vai acabar interpretando todas as minhas supostas demonstrações de gentileza como pretensão. Um sujeito apático, realmente.

Hermione estava em silêncio ao fim dos comentários de Harry. Como era possível que ele tivesse tirado tantas conclusões a respeito de alguém que acabara de conhecer e com quem falara por três minutos?

- Que feitiço é este que você está usando? – indagou interessada. Harry riu.

- O feitiço de Decifrar pessoas, minha querida. – respondeu, Hermione franziu a testa. – Calma! Não há feitiço algum, apenas percepção. – voltou a sorrir meio incrédulo. – E você ia mesmo se casar com ele... – murmurou com ar reflexivo.

- Sim. – disse Hermione embora Harry não tivesse feito uma pergunta. – Por que tenho a impressão de que está um pouco... Incrédulo?

Ele sacudiu a cabeça devagar.

- Você pretende remarcar o casamento?

- Isto não vêm ao caso. Pode falar o que acha. Eu quero ouvir.

Harry assumiu de súbito uma postura empolgada e de alívio.

- Seu ex-noivo é o homem mais passivo que tive a oportunidade de me deparar, suas reações são indolentes e enganosas. As respostas são estereotipadas, sem originalidade e previsíveis. Ele não possui magnetismo, não sabe como se portar diante de uma mulher, mete os pés pelas mãos, segue rótulos. Falta ousadia e imprevisibilidade, o elemento surpresa, mesmo, além ser incapaz de exercer atração arrebatadora no sexo oposto. Ele tem boa aparência, maduro, é muito rico, no entanto, monótono e antiquado. Vocês não têm química alguma, mas a culpa não é sua de ele não ter tido a capacidade de encanto suficiente para aliciá-la. Ele fala repetidas vezes que a ama e o máximo que consegue em troca é um “obrigada”. Uma lástima. Seu casamento seria absurdamente enfadonho e a vida maçante! – concluiu sem fôlego com um outro sorriso. – E eu não gostei muito dele.

Hermione pestanejou várias vezes e cruzou os braços.

- Quem é você e o que fez com meu amigo Harry?

Ele levantou os ombros.

- Você disse que queria ouvir o que eu achava...

- Não estou te reconhecendo... Se eu fizesse esta pergunta a você antigamente teria como resposta um “Legal”, “Eu não sei” ou “Está ok, Hermione”. – imitou a voz mansa e indiferente do Harry adolescente.

- Oh Merlin... Das duas uma: Ou me tornei um tagarela inconveniente ou finalmente consegui reunir forças para dizer tudo que penso sem estar sob pressão.

- Fico satisfeita com a opção dois. – fez uma pausa. – Você realmente pensa tudo isso sobre o Ryan?

- Humrum. E você também, ou não o teria largado no altar. – afirmou com naturalidade.

- É mais complicado do que parece. – alegou.

- Você acha sim.

Hermione virou os olhos.

- Eu estou tão feliz de vê-lo aqui que... – calou. – Estou sem palavras.

- Eu vejo... Depois, quando a sua capacidade de argumentação voltar ao normal, discutiremos a respeito disso.

Hermione acenou com a cabeça em concordância.

- Agora... Supondo-se que nenhuma visita irá nos interromper, é hora de conversarmos Sr. Potter...

Harry refletiu e respirou fundo.

- Sim... E será uma longa conversa...



xxx



CONTINUA

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