How to save a life



9. How to save a life


Quem não sabe o que é a vida, como poderá saber o que é a morte?


Confúcio


Fechou os olhos, desesperado, sentindo o seu coração bater furiosamente. Ele precisava de sair daquela sala maldita e ajudar os seus filhos. Ele sabia que algo estava a acontecer com eles, por Merlim, ele tinha os seus dois filhos ali! Ele precisava de agir como um pai! O que pensaria o Harry quando ele soubesse que estava ali sentado à espera de um milagre para agir? Ele precisava de sair daquela sala maldita!


Ele mandou mais um feitiço contra a parede mas ele foi absorvido como todos os outros. Olhou para o Dumbledore que estava em pé a observar a parede e a murmurar algo só para si. A sua postura parecia relaxada mas ele sabia, pelos seus olhos, que se encontravam com mais determinação do que ele alguma vez se lembrava, que aquela espera, aquela incapacidade também o estava a matar. Afinal, era a sua escola e os seus alunos.


- Por Merlim, eu quero torturar alguém.


O James fechou o punho mais uma vez ao ouvir as palavras do Sirius que estava a partir e a reconstruir uma cadeira, tentando acalmar-se.


Eles tinham ido para o Ministério para ter uma reunião, não era para terem ficado fechados numa sala sem conseguirem saírem, digna de uma prisão. Nada do que eles faziam, conseguia-os tirar de lá. Porque é que ele se acreditou na jovem que lhes tinha dito que o ministro queria falar com eles, naquela sala que nunca era usada? Ele devia de saber! Ele nunca a tinha visto e nunca tinha visto aquela sala a ser usada. Tudo cheirava a armadilha e ele nem desconfiou porque estava com o grande Albus Dumbledore e ninguém o enfrentava. Que estúpido, que irresponsável, que idiota!


Ele tinha encontrado o seu filho destruído, completamente sem forças, numa maldita cozinha a arder e agora nem o conseguia defender? Esteve 13 anos sem o ajudar e agora que finalmente conseguia fazer alguma coisa ele estava preso? PRESO? Algum Deus estava a brincar com ele, só podia! Era o seu filho! O seu bebé que teve uma vida que ninguém merecia!


Fechou os olhos ao lembrar-se do seu filho no chão daquela cozinha, com tudo a arder ao seu lado. Tinha sido tanta magia que até ele, o chefe dos Aurores foi àquela casa pensando ser algum atentado. Qual não foi o seu choque, ao ver uma criança ensanguentada e desmaiada, um jovem que não estava em melhores condições que a criança, um homem desmaiado quase a arder pelo fogo e logo à entrada uma mulher. Ele agiu por reflexo, pensando que era uma atividade dos Devoradores da Morte, salvando o homem do fogo (se soubesse quem ele era se calhar só o tinha deixado arder), dizendo aos seus aurores para verem se estava tudo em segurança e para apagarem o fogo. Quando se deslocou para a criança e o jovem, qual não foi o seu choque ao ver uma cópia exactamente igual a ele na sua adolescência e a parecer ter a idade que o seu Harry teria se estivesse vivo. Ele entrou em choque ao ver aquele corpo e a sua primeira reação depois de recuperar foi tentar detetar algum glamour ou alguma coisa do género. Mas não conseguia ver nada além de que o jovem estava em muito mal estado fisicamente e estava mergulhado em magia. Ele nunca na sua vida tinha visto tal coisa e nem sabia como é que não tinha reparado nisso mal tinha entrado. Ele estava com um nível de magia que se conseguia sentir e parecia extremamente perigosa. Era como se aquela magia tivesse viva e estivesse à volta do dono, tentando protegê-lo de qualquer mal.


Ele teve um momento de indecisão ao ver que os seus aurores iriam passar para os jovens e sabia que se eles olhassem com atenção para o jovem reparariam que ele era igualzinho a ele. Ele tinha que agir e rápido. Por isso, chamou o sub-capitão, disse-lhe para continuarem com os procedimentos normais e que ele levaria os adolescentes para serem tratados. Ele sabia que o procedimento padrão era levá-los para Santos Mungus mas ele não podia fazer isso, se havia a mínima hipótese de aquele ser o seu filho.


O seu filho morto.


Pegou numa chave de portal, que tinha de segurança dada pelo Dumbledore e agarrou no corpo dos dois, sendo puxado para o gabinete do Director. Lembrou-se de ver o Dumbledore chocado, ao vê-lo com dois corpos ensanguentados mas ele precisava de ser rápido e disse rapidamente ao Dumbledore que eles precisavam de ser vistos pela Madame Pomfrey em segurança. O Dumbledore ajudou-o prontamente e se reparou nas parecenças que o jovem tinha consigo, não comentou, levitando só um corpo e levando-o até a Madame Pomfrey. No caminho ele teve tantas dúvidas. Será que aquele era o seu filho? Não, não podia. Ele estava morto e todos sabiam disso. O livro das inscrições em Hogwarts dizia claramente que não havia um Harry Potter mágico. Ele desapareceu, tendo o seu nome riscado, o que só queria dizer que estava morto. O seu filho estava morto mas então quem era aquela pessoa, igual a si e que possuía magia? Ele queria saber e apesar de saber que o seu lado racional dizia que era impossível ser o seu Harry, algo dentre dele que estava morto, ressuscitou. A esperança de ter uma família, a esperança de ser o seu filho. No entanto, uma pequena parte de si dizia que se aquele fosse mesmo o seu filho, ele tinha errado e feito o imperdoável. Ele tinha abandonado o seu filho, não procurando por ele e deixando-o sozinho. Sentiu uma revolta contra si mesmo, atingi-lo. Se fosse o seu filho, ele estava ali, quase morto, por sua culpa. Ele não o tinha procurado. Ele não tinha tentando fazer tudo ao seu alcance para confirmar que o seu filho tinha mesmo morrido, só se tinha acreditado nas palavras do Dumbledore que corria ao seu lado por Hogwarts. Chegaram com rapidez à enfermaria e viu a cara chocada da Madame Pomfrey ao ver os dois corpos. Ela rapidamente tratou dos dois, dando-lhes poções e mais poções e ele não conseguiu evitar não olhar para a cara chocada da enfermeira ao olhar para o corpo do jovem. Ela tinha chegado à mesma conclusão que ele sem ele lhe dizer nada. Seria mesmo o Harry? Olhou para o Dumbledore e viu a cara dele fixa no jovem, com um pesar tremendo e ele percebeu naquele instante, que a vozinha que ele queria calar, poderia estar certa. Aquele podia ser mesmo o seu filho.


- Sirius, acalma-te. – Disse a voz do Dumbledore, finalmente parando de falar a língua estranha e acordando-o. – Guarda a energia para quando chegarmos a Hogwarts. Alguém entrou lá e é animagus.


O James sentiu um arrepio ao ouvir as palavras dele. Estando o Dumbledore ligado à escola, sendo o seu diretor, ele sabia sempre quando alguém, que não fosse um aluno ou professor, entrava em Hogwarts. E se era animagus só podia ser uma pessoa que ele prometeu destruir com as suas próprias mãos.


- Dumbledore, nós precisamos de sair daqui. – Ouviu a voz do Sirius cheia de desespero.


- Já saímos. – Ele murmurou. – Eu estive a baixar as defesas. Eles vão aprender a nunca atacar Hogwarts outra vez.


A voz do Dumbledore foi tão dura e a aura que ele emanava era tão poderosa que o James deu-se por feliz, por estar do lado dele.


- James, os teus aurores devem de estar a chegar. Comanda uma equipa e toma esta chave de portal. – Ele disse, entregando-lhe um botão. – Leva-te automaticamente para o salão. Sirius, vens comigo. – Disse e viu o Sirius saltar, agarrando rapidamente o botão que o Dumbledore tinha na mão. – Tudo vai correr bem James, acalma-te.


A última coisa que o James viu foi o sorriso fraco do Dumbledore. Mas isso não importava. O que importava era que estava livre e estava a ouvir os passos dos Aurores que deviam ter recebido o recado do Remus. Ele podia finalmente fazer alguma coisa e, por isso, correu até ao som, sentindo esperança.


 


---OLC---


 


Eu corri o máximo que conseguia, sempre descendo na dúvida. Mesmo já tendo visitado aquele castelo uma vez, eu não me lembrava de muito e, por isso, fui descendo para que eventualmente pudesse sair dali, para longe das crianças que ainda estavam na escola. Espantei-me no quão vazia estava a escola quando estava a virar num corredor à esquerda, no que presumia ser o segundo andar e parei de ouvir, estranhamente, os passos da Bellatrix que me tinham acompanhado até aquele momento. Isso não estava no plano. Ela precisava de me seguir!


Tive uma vontade enorme de voltar atrás mas não podia afinal podia ser uma armadilha. Eu era o alvo e, por isso, ela tinha que me seguir! Eu abrandei o passo, estando alerta para algum movimento à minha volta mas não ouvia mais nada. Desci mais um andar, ainda esperando que ouvisse alguma coisa mas todo o barulho que eu ouvia era feito por mim. Foi por causa desse silêncio, pelo castelo todo que eu mandei um salto quando uma armadura (uma armadura!) começou a andar sozinha. Eu admito, eu parei de correr porque ia quase tropeçando nos meus pés pelo susto e vi a armadura parar à minha frente como se me avaliasse e continuar em frente, como se eu fosse amigo. Por Merlim, o que estava a acontecer?


 


---OLC---


 


- Professora! – A jovem gritou querendo que alguém a ouvisse. Porque é que a professora não a estava a atender? Ela tinha que os ajudar! Por Merlim, alguém precisava de os ajudar. Os seus colegas não tinham hipótese contra os Devoradores da Morte, se eles quisessem resgatar os colegas.


- Professora, por favor! – Voltou a insistir, batendo com força na porta.


Ela mordeu o lábio indecisa, continuando a bater na porta e ganhou a coragem para o próximo ato. Abriu a porta com um “Alohomora” e espreitou para dentro do escritório.


Dentro do escritório, estava o habitual, os quadros atrás da secretária e um serviço de chá. A única coisa fora do normal era a cara da professora que estava deitada na secretária, tendo inclusive, o seu chapéu caído da sua cabeça, - estando deitado em cima de secretária, ao lado da cabeça da professora -. Se fosse noutro momento, ela provavelmente pararia para apreciar a ironia da professora mais rígida de Hogwarts estar a dormir em cima da mesa mas ali, sabendo que estavam sob ataque, só queria dizer uma coisa. Alguém tinha atacado a professora e, por isso, correu até ela, sentido com alívio a pulsação.


- Enervate. – Murmurou e viu com horror nada acontecer. Eles precisavam da professora! Ela tinha que os salvar. – Por favor, professora, nós precisamos da senhora… - Ela murmurou mandando outro enervate mas nada fazia efeito, tendo a certeza que a tinham drogado.


Raios, ela precisava de um plano. Os seus irmãos poderiam ser atacados e não tinham plano nenhum. Com eles só estavam os irmãos Creevey. Nem a Hermione estava! Ela fechou os olhos e inspirou. Algo estava errado, muito errado. Ela tinha que os ajudar. Se estavam sem a professora McGonagall também deveriam de estar sem os outros professores.


A Madame Pomfrey! Ela iria até ela para salvar a professora do quer que a tivesse a atingir mas iria só passar primeiro pela Sala Comum dos Gryffindor para avisá-los de que estavam sem professores para ajudar e, por isso, para se esconderem.


Correu, até lá e viu assustada o quadro da Dama Gorda estar completamente destruído. Aquilo não estava assim quando tinha saído. Os Gémeos tinham tratado dos seus atacantes antes que eles se quer tivessem perto do quadro. Se eles pelo menos tivessem ficado ali em vez da missão estúpida que eles disseram que tinham… que provavelmente era só se porem em mais perigo para salvar todos.


Agarrou a varinha com força e abanou a cabeça, tentando fazer desaparecer aqueles pensamentos e focar-se no que estava à sua frente. Se tivessem atacado os seus irmãos, ela teria que arranjar uma maneira de os fazer ficar em segurança. Entrou na sala com cuidado tentando não fazer nenhum barulho mas assustou-se quando no centro viu o Ron amarrado, ao lado dos irmãos Creevey. Olhou para o resto da sala e não viu ninguém, nem os Devoradores da Morte. Ela sabia perfeitamente que aquilo dava a entender que eles tinham-nos amarrado e saído mas também sabia perfeitamente que a missão que eles tinham ali, tinha alguma coisa relacionada com ela e os gémeos, ou seja, eles queriam-nos. E que melhor armadilha do que pôr os seus amigos amarrados numa sala vazia?


Ela tentou dar um passo para trás, fugindo para pensar com calma mas embateu com um corpo. Girou nos seus calcanhares, olhando rapidamente para trás e para seu espanto viu um corpo aparecer do nada e a última coisa que ouviu foi:


- Olá querida. – Do mascarado antes de um raio vermelho a atingir.


 


---OLC---


 


Ele teve que piscar os olhos ao ver a claridade do salão. Quando a sua vista se ajustou finalmente conseguiu ver com precisão e, como esperava, viu um salão completamente vazio de pessoas. Olhou para o Dumbledore que já estava com a varinha de fora a murmurar alguma coisa e para seu completo espanto viu as armaduras e até algumas estátuas ganharem vida.


- A maior proteção de Hogwarts é o próprio castelo. – Ouviu o Dumbledore dizer enquanto já se estava a deslocar para sair dali.


- Dumbledore, eu… eu tenho que ver a Natalie. Eu não posso…


O homem mais velho só deu um sorriso e assentiu, percebendo a súplica no tom de voz do outro homem.


- Vai Sirius. Aconselhava-te em começar pelos vossos quartos afinal é onde é mais provável que ela esteja.


O Sirius expirou, aliviado pelo Dumbledore não o querer ao seu lado para o plano que ele tinha.


- Obrigada e se precisares de mim eu…


- Eu sei Sirius. Agora, vai, que temos vidas para salvar.


 


---OLC---


 


Eu parei de correr ao ver que ninguém vinha atrás de mim, no primeiro andar, e olhei para a janela que estava do meu lado esquerdo, vendo que estava a nevar. Eu não tinha esperado aquilo, o facto de eles não me perseguirem. E agora, o que eu tinha que fazer? Voltar atrás? Fazendo todos os atacantes voltarem também? Ficar ali, parado, à espera que alguém me descobrisse?


Tive que me agarrar à parede ao sentir a magia começar a falhar-me e o meu cansaço e as dores de ter sido torturado voltarem. Aquilo não podia estar a acontecer ali. Não quando era mais necessário! Para meu alívio, a adrenalina deve ter ajudado porque quando ouvi passos atrás de mim, o cansaço desapareceu e eu voltei a sentir-me normal.


Olhei para trás, com uma postura desafiadora, para não pensarem em voltar atrás outra vez, no entanto, para meu espanto, quem estava ali era a Lily Potter que correu até mim e me abraçou com força. Eu fiquei paralisado no lugar. Será que tudo já tinha acabado? Eu já podia finalmente descansar?


- Harry, estava tão preocupada. – Ela disse e apertou-me com tanta força que achei surpreendente um corpo, aparentemente, tão frágil como o dela, conseguir fazer aquilo. – Temos que voltar atrás. Pôr todos em segurança.


Eu pisquei os olhos surpresos. Se nós ainda não estávamos em segurança então o que ela estava a fazer ali?


- O Charles?


- Ele está bem. – Ela murmurou, finalmente me largando e olhou diretamente para os meus olhos. – Ele ficou com pessoas de segurança mas tu precisas de ir para lá também. Com vocês todos lá, - em segurança - eu depois vou ver o que está a acontecer no resto do castelo. – Ela murmurou e afastou-se de mim para olhar para um papel que tinha nas mãos.


- Deixaste o Charles sozinho? – Perguntei chocado. Que raio de mãe deixava o filho sozinho com perigo? Com psicopatas à porta?


- Não. Ele está com pessoas de confiança e a sala é segura. – Ela disse chocada com a ideia e olhou para mim um segundo antes de voltar a olhar para o mapa, perdendo a pouca cor que tinha no rosto. – Oh, não. Como é que eu não vi isto. – Ela murmurou e para meu espanto agarrou o meu braço como se tivesse medo de que eu fosse fugir a qualquer momento. – Harry, eu… - Ela começou mas foi cortada por uma voz mais fina e mais histérica, que eu aprenderia a nunca me esquecer.


- Harry Potter! – Eu arregalei os olhos ao ouvir a voz da Bellatrix pelo castelo todo e esperei que ela aparecesse das paredes a qualquer momento, afinal, a magia nunca se cansava de me espantar. – Não podes correr para sempre. – Ouvi a voz dela e desta vez identifiquei que parecia ser da rua. – Se não apareceres nos próximos cinco minutos, ao pé dos portões de Hogwarts, eu vou matar aqui os meus convidados um a um. – Eu olhei horrorizado para a imagem que me apareceu pela janela. Estavam na rua os mascarados todos e há frente estava a Bellatrix, rodeada por alunos que estavam presos com cordas. – Só para veres que não estou a brincar, até chegares aqui, não vou parar de os fazer sentir o que sentiste com o meu Crucio. – Eu ouvi o divertimento na voz dela, como se aquilo fosse um jogo e eu tive uma súbita vontade de vomitar. Torturar crianças? Matar crianças? Que mulher era aquela? – É bom que não demores, afinal, o que vão achar as pessoas do seu herói quando descobrirem que ele é um cobarde que só foge?


Eu senti a minha cabeça rodar com a risada dela e mais uma vez tive que me agarrar à parede para não cair. Aquela mulher era louca!


- Crucio. – Ouvi-a murmulhar e quando olhei para a rua vi um aluno que parecia ter cerca de 17 anos contorcer-se no chão. Vi-a rir-se ao ouvir os gritos dele e não aguentei ouvir o riso dela e os gritos dele ao mesmo tempo, vomitando para o chão.


- Harry, tu não podes ir!


Eu olhei para a Lily e percebi a aflição no tom dela mas eu não podia não ir. Um aluno estava a ser torturado só porque eu não estava ali. E ela disse que o ia matar. Senti o meu estômago revirar-se outra vez e tive que agarrar a barriga para tentar aliviar a dor.


- Dumbledore, se deres mais um passo que seja na minha direção, eu mato-o.


Ao ouvir a voz séria da Bellatrix eu não aguentei e olhei para a janela. Ou melhor, encostei-me contra a janela porque estava outra vez estupidamente fraco e eu sabia que se fraquejasse na minha vontade de estar acordado mais um segundo, eu acabaria por desmaiar. Até ter os olhos abertos me custava imenso.


- Dumbledore, eu não estou a brincar.


Qualquer que seja o feitiço que ela fez, eu conseguia ouvir claramente o tom alerta que ela usou, parecendo pela primeira vez com medo.


- Bellatrix, achas necessário fazer crianças sofrer só para espalhar a palavra do teu Lord?- Eu ouvi a voz dele, cansada mas com um tom tão duro que eu percebi pela primeira vez que apesar de ele parecer inofensivo, ele não era nada inofensivo.


Eu vi uma figura com um chapéu pontiagudo e um fato colorido aparecer e percebi que só podia ser o Dumbledore.


A Bellatrix como se tivesse medo deu mais um passo para trás e os seus companheiros também deram, fazendo os alunos - que estavam todos agarrados uns aos outros -  baterem contra o chão, quando um mascarado puxou a corda para mais perto dos portões.


- Eu só quero o Harry Potter!


- O Harry Potter está morto como tu e o teu Lord sabem perfeitamente. – Ele murmurou, com a sua voz cada vez mais dura e dando mais um passo em frente, ignorando os avisos da Bellatrix.


- Ele não está! Eu já o torturei hoje e os gritos dele foram bem reais. – Ela disse e pôs tanto prazer na última parte que eu só senti o meu estômago se revirar outra vez. Aquela mulher era completamente maluca.


- O quê? – A descrença e a ameaça no tom do Dumbledore foram visíveis e até eu, a ver pela janela, senti a aura ameaçadora dele. – Como é que tens tanto prazer em torturar um rapaz de 14 anos? – Ele sibilou e eu vi-o agarrar a varinha, aparentemente se esquecendo da ameaça dela. – Ele é só um rapaz! Como o Cedric também é! – Ele disse apontando para o jovem que estava completamente deitado no chão, a transpirar e ser arrastado pela corda, enquanto alguns mascarados puxavam ainda mais os alunos para trás.


- Não dês mais um passo! – Ela disse, demonstrando medo pela primeira vez ao vê-lo aproximar-se.


- Bella, eu troco a minha vida pela deles. Solta-os e podes-me ter. O Tom iria querer que fizesses essa troca.


- Não o chames por Tom! É o Lord das Trevas. – Ela murmurou, parecendo perder o pouco da consciência que tinha. – E se deres mais um passo, eu juro que os começo a matar.


O Dumbledore parou, ficando ainda a uns bons metros deles.


- Eu troco a minha vida pela deles. Não é necessário ferir mais ninguém. – Repetiu.


- Nós não viemos aqui por um velho maluco. Nós queremos o Harry Potter e só saímos com ele. Ou então estes alunos morrem todos.


- Ele já está em segurança. – Ele murmurou. – Não o consegues atingir daqui. Ou me tens a mim ou não tens ninguém.


Ela riu-se ainda mais, mostrando a sua loucura que era visível nos seus gestos.


- Então, o pequeno cobarde fugiu mesmo. O Mundo mágico vai finalmente saber que ninguém se consegue esconder da ira do Lord. O herói que pensaram que estava morto este tempo, estava era escondido depois de ter visto todo o poder do nosso Lord. – Ela olhou para os alunos que estavam amarrados a olhar chocados para ela. Apontou a varinha para um pequeno, que não parecia ter mais de 11 anos e com um feitiço, fez as cordas à volta dele se soltarem.


- Lestrange! – Ouvi o grito do Dumbledore, pela primeira vez assustado.


Ela agarrou o garoto e puxou-o por um orelha, fazendo-o levantar-se.


- Se isso for verdade então ele que fique conhecido como o Harry Potter, o cobarde.


- Não Harry, tu não podes pensar em ir. – Ouvi a voz da minha mãe, agarrando-me o braço com tanta força que iria fazer uma nódoa negra. Eu olhei para ela por um segundo e vi os olhos dela, brilharem, assustados. Eu não lhe respondi observando só o que estava a acontecer e pensando num plano para eu agir. Eu não os poderia deixar sofrer.


- Eu… preciso. – Foi a única coisa que eu consegui murmurar mas mesmo assim ela ouviu porque me agarrou o braço com as duas mãos.


- Não, tu não precisas.


Eu engoli em seco e olhei mais uma vez lá para fora. A Bellatrix estava a segurar o rapaz com um braço em volta do pescoço dele e a varinha apontada à sua cabeça.


- Harry Potter, - ela chamou mais uma vez e eu tive um pressentimento que ela adorava o meu nome – se não apareceres nos próximos dez segundos, eu vou matar esta criança por causa da tua cobardia.


- Lestrange, ele não está aqui! – Ouvi a voz alarmada do Dumbledore.


- Não podes ir Harry. – Ouvi a minha mãe dizer e senti um aperto contra o meu braço que me impediu de correr até à entrada.


- Qual é o teu nome? – Ouvi a Bellatrix perguntar, com uma voz estranhamente doce.


- D-dennis Creevey. – O rapaz murmurou com a sua voz a demonstrar o medo que sentia.


- Tens 10 segundos, Potter. 10 segundos ou esta pobre e inocente criança irá morrer por tua causa.


- Lestrange! – Ouvi mais uma vez a voz do Dumbledore e vi-o levantar a varinha.


- Harry, tu não podes ir!


- Eu tenho que ir. – Disse e tentei mais uma vez correr mas ela agarrou-me os dois braços e impediu-me, agarrando-me fortemente.


- Eu não estou interessada em ti, Dumbledore. Potter ou nada.


- Não! – Ela disse mais uma vez e abraçou-me com força. Eu senti as lágrimas dela molharem a minha camisola mas eu não me importava. Eu precisava de ir e, por isso, tentei sair daquele abraço mas o aperto era demasiado grande. – Eu não te posso perder mais uma vez.


- Por favor, eu tenho que ir. – Eu supliquei mas ela não reagiu, só me agarrando com mais força e encostando a sua cabeça no meu ombro.


- Eu não posso! És o meu filho e eu finalmente te tenho.


- Se não me deixares ir, alguém vai perder o seu filho. – Eu murmurei com raiva, fazendo-a encolher-se mas mesmo assim ainda me conseguiu prender naquele abraço.


- Ele não está aqui Bellatrix. Ele está fora. O que vais fazer? Matar todas as crianças até eu lutar contigo?


Ela riu-se.


- Não, só as suficiente para fazer passar a mensagem que o Harry Potter é um garoto ingrato, cobarde e que não merece as honras que lhe deram. A única salvação é o nosso Lord. 5 segundos.


- Bellatrix, eu não te vou deixar matar um aluno meu à minha frente. – Ouvi o Dumbledore dizer.


- Mãe, - eu supliquei e vi-a estremecer ao ouvir-me chamá-la mãe – eu preciso de ir. Por favor. – Eu senti as minhas próprias lágrimas caírem.


- Tu não podes ir. – Ela murmurou. – Tu não podes ir. – Ela continuou a murmurar como se fosse uma cantiga, para me tentar distrair.


- Se levantares essa varinha com um único feitiço, os meus colegas atrás de mim vão torturar aquelas alunos. Se for um feitiço ofensivo, eles vão matar. É a tua escolha Dumbledore. 2 segundos.


- Por favor, Bellatrix. São crianças.


- Eu preciso mãe… eu preciso…


- Avada Kevadra. – Ouvi-a dizer e como que hipnotizado por aquele nome, olhei para a janela para ver uma visão que nunca mais me ia esquecer. Aquele rapaz, de cabelos castanhos, com a idade aproximada da Rose ser acertado por um feitiço verde e cair no chão sem vida. Ouvi o grito estrangulado do Dumbledore, de raiva e dor e o feitiço que ele fez para chamar o corpo para perto de si mas parou quando os outros alunos gritaram de dor, fazendo-o ver que a ameaça da Bellatrix era verdadeira.


- Lestrange, era um aluno! Um aluno. – Ele murmurou, com tanta angústia que eu sofri por ele.


Eu fechei os olhos, vendo aquela imagem do corpo da criança a cair no chão sem vida, o riso da Bellatrix, os gritos de dor dos outros alunos e algo mudou dentro de mim naquele momento. Ela iria matar todos. Eu sabia que ela iria matar só porque não me podia ter. Algum pai não iria ter o seu filho devido a mim.


A mim. Que não era nada de especial e que agora todos pareciam querer proteger. Eles nem me conheciam verdadeiramente e eu também não os conhecia. A única pessoa que iria sentir realmente a minha falta era a Rose mas ela iria sobreviver. Eu sabia que ela ia.


- Harry, não. – Ouvi a minha mãe murmurar, molhando-me ainda mais a camisola com as lágrimas dela.


- Aquele podia ser o Charles. – Eu murmurei, desejando com todo o meu ser estar lá fora, à frente da Bellatrix para ela parar de fazer sofrer os alunos. Ninguém merecia morrer por mim. Eu precisava mesmo de ir para lá! Por favor, a magia tinha que me ajudar. Eram a vida das outras pessoas que estavam em risco. A magia tinha que me fazer ir para lá e fazer as pessoas, ou melhor, as crianças pararem de sofrer.


- Harry, eu…


Ouvi-a dizer mas algo aconteceu porque de repente o meu mundo estava a girar e eu já não sentia os braços finos dela a agarrarem-me. Senti uma sensação estranha no meu umbigo e tive muito mas muito frio porque estava na rua, como tinha suplicado momentos antes, à frente do corpo da criança morta, a olhar diretamente para os olhos enlouquecidos da Bellatrix - que estavam arregalados - e à frente do Dumbledore que se eu tivesse olhado para trás também o tinha visto espantado porque eu tinha acabado de fazer o impossível. Aparecer dentro de Hogwarts.


- Chega! – Eu disse, observando os olhos dela que pareciam assustados. – Não é preciso ferir mais ninguém. Eu estou aqui. –Eu disse e ajoelhei-me à frente do corpo da criança, observando-a.


Ele parecia ter mesmo a idade da minha irmã, tinha um cabelo castanho encaracolado e uns olhos da mesma cor, que ainda estavam abertos. Senti o meu estômago revirar-se ao ver que estava mesmo morto mas não iria adiantar de nada eu entrar em pânico. Por isso, fechei os olhos da criança, fazendo-o ter um ar mais pacífico e levantei-me outra vez, vendo que até os outros alunos não diziam nada, apenas me observando, a maioria com lágrimas nos olhos.


Eu sabia que devia de ser uma visão estranha, ter aparecido do nada, a minha magia à volta de mim porque também ela estava revoltada. Uma criança tinha acabado de morrer por minha causa.


Uma criança!


- Harry… - Ouvi o Dumbledore chamar por mim mas ignorei-o.


- Eu entrego-me pacificamente se soltar os alunos. – Eu disse outra vez para a Lestrange, sabendo perfeitamente que ela não iria aceitar a minha proposta. Tinha que pensar em algo para os pôr em segurança que já chegava de mortes mas a minha mente estava completamente em branco. Como que se para dar uma ideia senti a minha aura branca preencher-me e rodear-me, como se dissesse, eu estou aqui.


- Se eu os soltar, vocês atacam-me. Entrega a tua varinha e vem para aqui pacificamente. – Ela disse, apontando-me a varinha.


- Eu não tenho varinha. – Eu disse e como que para confirmar levantei as minhas mãos.


- I-impossível. – Ela disse- Expelliarmus. – Eu reconheci aquele feitiço dos livros que tinha lido e, por isso, deixei-o atingir-me. No entanto, para meu espanto um escudo branco formou-se à minha frente, pela magia que me rodeava e absorveu o feitiço. – O que aconteceu?


Eu ri-me ao ver a cara assustada daquela mulher maluca. Então eu, que não sabia o que era magia até há pouco tempo, é que tinha que saber o que estava a acontecer?


- Não faço ideia. Mas eu não tenho varinha. Eu nem sabia o que era magia até há duas semanas por isso, solte os alunos. Eles são inocentes.


Ela olhou para os outros e fez um gesto com a cabeça. Eu não sei o que aquilo queria dizer mas sabia perfeitamente que não me podia acreditar naquela mulher. Por isso, mais uma vez tentei sentir a minha magia e comunicar com ela. Eu não sabia como e, sinceramente, nem queria saber mas ela precisava de tirar aqueles alunos dali, para segurança ou pelo menos para o pé do Dumbledore. Eu também me sentia cada vez mais cansado e sabia que se aquele diálogo demorasse mais tempo eu acabaria por ficar sem forças, por isso, precisava de agir depressa.


- Tem a minha palavra em como eu me entrego e não me desviou de nenhum feitiço se soltar os alunos.


Ela riu-se, parecendo ter recuperado do susto de me ver e deu-me um sorriso predatório.


- Pequeno Harry, como já te disse quem manda aqui não és tu. – Ela disse e apontou a varinha ao rapaz que tinha sido torturado e ainda estava no chão, completamente transpirado. Ele tinha um cabelo castanho escuro e uns olhos cinzas que olhavam para mim, assustados e cansados. Ela fez um gesto com a varinha e eu vi assustado a corda soltar-se e ela dirigir-se para o pé dele. Eu engoli em seco, lembrando-me que ela tinha feito o mesmo antes de matar. – Ou te entregas ou então eu vou matar aqui o teu amigo.


- Eu já disse que me entrego mas…


- Eu não os vou soltar. Eles são o nosso bilhete de ida mas eu prometo-te que não lhes faço mal.


Eu estreitei os olhos para ela tentando ser ameaçador mas eu sabia que não resultava. Eu não sabia fazer magia, se estava vivo até ali era por pura sorte e só tinha o Dumbledore atrás de mim que também não podia fazer nada. Eu tinha que me entregar e esperar que o Dumbledore os conseguisse pôr em segurança.


- Harry não. – Ouvi a voz desesperada do Dumbledore.


- Já chega de mortes. – Eu disse e dei um passo em frente para perto da Lestrange. –Eu não sou mais do que ninguém e se a minha vida é o preço para parar com estas mortes, eu troco-a de bom grado.


- Pensa nos teus pais.


Aquela frase fez-me parar mas não pelos motivos que o Dumbledore queria.


- Eles pensaram que eu estava morto este tempo todo não é como se fizesse grande diferença, pois não? – Eu perguntei, virando-me para trás e vendo que ele estava a agarrar a varinha com força e parecia realmente assustado com a ideia de eu ir para lá.


- Harry, eles não vão aguentar perder-te outra vez.


Eu ri-me e sei que o riso foi mórbido porque era esse o meu estado de espirito e voltei a olhar para a Lestrange, ignorando.


- Se eles não conseguem e passaram este tempo todo a pensar que eu estava morto, o que os pais destas crianças vão pensar? Eles também têm pais e família que os adoram, por isso, não, a minha vida não vale mais do que a das outras pessoas.


- Muito bem! – Disse a Bellatrix rindo para mim e eu senti um arrepio. Eu não me acreditava mesmo naquela mulher maluca e supliquei mais uma vez para a minha magia fazer os alunos estarem em segurança. Nem que fosse a última coisa que eu fizesse.


Por isso, dei mais um passo em frente, para perto dos alunos que pareciam desesperados, daquela mulher maluca e dos outros mascarados, suplicando e tentando reunir toda a minha magia para aqueles alunos. Eles precisavam de viver. Eles tinham que viver! Senti com prazer enquanto andava, a minha magia reunir-se num ponto dentro de mim e eu sabia que ela estava a concentrar-se para explodir, com um único feitiço, onde iria colocar aqueles alunos em segurança. Eu podia achar que aquele mundo era amaldiçoado, cheio de dor, mas de uma coisa eu tive a certeza, a magia, a minha magia, tinha feito mais por mim do que qualquer outra pessoa.


Fechei os olhos quando senti que a minha magia estava pronta e tive uma estranha certeza de que iria ficar completamente sem forças depois daquilo, por isso, que o Dumbledore estivesse atento e os pusesse em segurança depois.


Voltei a abrir os olhos, vendo o prazer que estava na cara da Bellatrix ao ver-me a seguir as ordens dela.


- O Lord vai ter um grande prazer em te ver. – Ela disse rindo. – Afinal, não morres aqui.


Aquele riso de criança dela fez-me ter um arrepio mas eu não me podia concentrar naquilo, tinha que pensar neles, porque eles tinham que viver. Parei de andar, estando a poucos metros dela e fechei os olhos. Senti que ela começou a dizer alguma coisa mas a minha concentração estava toda na magia, que estaca completamente aglomerada no centro do meu peito. Aquilo iria resultar, eu sabia que ia! Por isso, abri os olhos, vi a varinha dela apontada para mim e os seus lábios mexerem-se numas palavras que eu não conseguia compreender e soltei toda a minha magia para proteger aquelas crianças. Vi, uma onda branca sair de dentro de mim e a Bellatrix tentar se proteger mas ela não foi contra ela, foi contra os alunos, fazendo-os ficar tapados e num segundo a onda e eles desaparecerem para deixarem só um espaço em branco. Sorri, ao ver a figura irada dela e sorri ainda mais quando observei todos os mascarados e ela levantarem a varinha contra mim e como esperado, tive o meu descanso quando vi aqueles raios todos contra mim, ficando perdido num mundo sem cores.


N.A. Ok, mais um capítulo. Este demorou mais um bocadinho mas é porque eu estou com complicações em escrever as cenas posteriores e, por isso, não sei quando sairá o próximo capítulo. Sobre este, volto a realçar que existe um motivo para o Harry fazer o impossível e que não é porque ele é super-poderoso que consegue isso. Bem, não me lembro de mais nada a dizer, por isso, dúvidas, críticas, sugestões, é só comentar =).


Neuzimar de Faria: A relação dele com os pais irá ter ainda mais algumas complicações afinal, ele ainda tem muitos assuntos para resolver, principalmente a sua insegurança. Obrigada pelo comentário ^^.

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Comentários (3)

  • Neuzimar de Faria

    Você desaparatou?! Accio Capítulos Novos! rsrsrsrs 

    2013-03-02
  • rosana franco

    Ele realmente é muito especial não pela magia mais pelo carater e determinação em proteger a todos, realmente eu espero que ele seja poderoso pois as coisas para ele não serão faceis!

    2013-02-23
  • Neuzimar de Faria

    Ansiosa pelo desenrolar dos acontecimentos.

    2013-02-20
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