Lobo e Cordeiro, Ou o Contrári



Capítulo IX – Lobo e Cordeiro, Ou o Contrário


“Leave behind your fears, please believe, you will not falter
there's no danger here, you can breathe...’

(Oceanlab – Clear Blue Water)


--- Ah, eu ainda acho que essa história merece ser contada mais uma vez! --- Sirius disse, alegre, largando a caneca de cerveja amanteigada pesadamente sobre a mesa de madeira.

--- Almofadinhas, quer fazer o favor de calar a boca? --- Tiago disse, tapando o rosto com a mão enquanto todos riam – pela milésima vez - do dia em que Lily o empurrou para dentro do lago mandando ele ficar longe dela.

--- Acho que essa não é a melhor hora para trazer o passado à tona. --- Nat disse, rindo, depois de tomar mais um gole de sua cerveja amanteigada.

--- Ah, minha cara. Sempre é hora de trazer os podres do passado do Pontas à tona! --- Sirius disse, arrancando risadas de todos, até mesmo de Tiago.

--- Menos, Almofadinhas, muito menos. – Tiago disse, divertido.

O tempo ia correndo enquanto os adolescentes conversavam, sentados à mesa do Três Vassouras. Tiago olhou através da janela, avistando finalmente Remo lá fora, e... acompanhado? Aquela era uma cena que realmente não se via todo dia, mas não era surpresa para os marotos naquela hora... Discretamente, Tiago deu um jeito de cutucar Nat, para que ela se desse conta de que estava na hora de colocar o plano em ação.

--- Isa, vem no banheiro comigo? --- Ela perguntou, puxando a amiga pelo braço e tentando fazê-la levantar.

--- Ah, Nat. Vai você, não to afim de levantar.

--- Pode parar, Isa! Você vem sim... Anda, tenho que te contar uma coisa! --- Nat insistiu, fazendo com que Isa se desse por vencida e levantasse para ir junto ao banheiro.

--- Vocês têm certeza de que isso é uma boa idéia?! --- Lily sussurrou, observando as amigas se afastarem por entre as mesas.

--- É claro que é uma boa idéia. --- Sirius respondeu, confiante. --- E vai funcionar.

--- Tá, tá. --- ela concordou, a contra gosto. --- Mas anda logo com isso, Potter!

--- Calma, Ruivinha. Calma... --- Ele disse, levando a caneca de Isa para baixo da mesa sem que ninguém percebesse, e colocando-a de volta no mesmo lugar depois de alguns segundos.

Pouco tempo depois, as duas garotas saíram do banheiro, e o maroto fez um sinal afirmativo com a cabeça para que Nat entendesse que tudo estava correndo como o planejado. As garotas retornaram à mesa, sentando em seus respectivos lugares. Isa tomou um grande gole de sua cerveja amanteigada, o que fez todos se olharem confiantes.

--- Isso está com um gosto... Estranho. --- ela disse, largando a caneca em cima da mesa.

--- Que bobagem, Isa. --- Lily disse, culpando-se mentalmente por enganar a amiga, e tomando um gole da sua cerveja também para parecer convincente. --- A minha está com o mesmo gosto de sempre.

Deixando o assunto de lado, começaram a conversar animadamente por alguns minutos, até que Sirius sugeriu que fossem lá para fora, onde Remo já estava, e todos acabaram por concordar. Logo, acharam um banco, ainda perto do bar, onde podiam se sentar. Nat apressou-se para sentar ao lado de Isa.

--- Aquele lá não é o Aluado?! --- Tiago perguntou, fingindo estar surpreso. --- E ou meus olhos estão enfeitiçados, ou ele está com uma garota. E é uma garota bonita, por sinal! --- completou, rindo.

Ao ouvir aquilo, Isa olhou imediatamente para a direção que Tiago apontara. Não havia dúvidas, era Remo. E ele estava com uma garota loira da Corvinal – que realmente era bonita. Tentou disfarçar a raiva que sentiu ao ver aquela cena, nunca tinha visto o maroto com uma garota antes. Quer dizer, ela sabia que ele com certeza já havia ficado com alguma garota, mas nunca tinha o visto fazendo isso. Se bem que ele não estava beijando a garota, estavam apenas conversando... Mas as intenções dela estavam bem claras pelo jeito que falava com ele, ficando o mais perto possível. Uma raiva enorme começou a surgir dentro do peito de Isa, até quando teria que esconder o que sentia por ele? Sua vontade de ir até lá falar com ele era grande – e ela realmente não sabia de onde havia tirado coragem para sequer pensar em fazer isso. Como poderia ir até lá? Estaria jogando na cara de Remo que gostava dele, e ela tímida demais para isso. “Mas se alguém desse um empurrãozinho...” – pronto, ela estava começando a se assustar com seus próprios pensamentos. E o pior, jurou que Nat pudesse ouvi-los quando ela começou a falar.

--- Acho que você devia ir até lá falar com ele. --- comentou, como quem não quer nada.

--- Ir até lá? Não seja ridícula, Nat. --- Isa disse, tentando parecer desinteressada. --- Só porque ele está com uma garota você acha que eu vou me abalar, acha que eu quero algo com ele? Se ele quisesse estar comigo ele...

--- Isa, calma. Você conhece o Remo desde o primeiro ano, sabe que ele é tímido.

--- E o que ele está fazendo com aquela garota, então? Não me parece tão tímido perto dela. --- a garota disse, bufando. --- E do mesmo, eu nem gosto dele, tá legal?

--- Só porque ele não gosta dela. --- Nat disse, ignorando a parte em que a outra tentara mentir. --- E sinceramente, dá uma olhada naquela garota. Ela é a maior atirada! Aposto que ela que foi dar em cima dele, o coitado do Remo não deve ter tido nem escolha.

Mesmo que o que Nat estivesse falando não fosse verdade, estava sendo muito convincente. A cara de Remo não estava das melhores, ele não parecia estar gostando muito do ‘encontro’ embora parecesse à vontade.

--- Vamos, Isa. Vai perder essa chance? O Remo gosta de você. Todo mundo sabe disse, você sabe disso. Vai ficar aí esperando que alguém chegue e você o perca para sempre?

As palavras da amiga estavam causando um grande efeito na cabeça de Isa. Ela estava começando a cogitar a possibilidade de ir falar com Remo, e sentia-se estranhamente corajosa. Parecia que toda sua timidez havia ido embora num passe de mágica – e ela não fazia nem idéia do quanto estava certa sobre isso.

--- Eu não vou parecer uma boba indo lá? --- perguntou, tentando dissipar o último risco de dúvida que ainda havia em sua mente.

--- De maneira nenhuma. Aposto que Remo vai adorar a sua atitude, já que ele não tem coragem o suficiente para fazer isso. --- Nat disse, rindo. --- Agora levanta daí e vai lá falar com ele antes que seja tarde.

Isa refletiu por um último momento. O que ela tinha a perder? Bom, dependendo da reação do garoto ela não teria coragem de olhar para ele o resto do ano, mas não estava se preocupando com isso agora. Era realmente estranho se sentir corajosa daquele jeito, não parecia nem ser ela mesma. Mas quem liga? E ‘quem não arrisca não petisca’, então... Virou o rosto par Nat, fazendo um sinal afirmativo com a cabeça, e levantando-se. Os outros amigos a observavam o mais discretamente possível, mas abandonaram a discrição quando ela começou a caminhar em direção a Remo e a garota da Corvinal.

Por acaso, a tal garota era uma conhecida de Nat, e aceitou sem pensar duas vezes dar uma ajudinha, em troca de uma promessa de que conseguiria um encontro com Sirius ou Tiago. Nat sentia até pena em ver o quanto essas garotas eram capazes de se submeter pelos marotos – e o pior é que elas achavam que iam conquistá-los assim. Coitadas. Mas aquilo não era da conta dela. Tornou a prestar atenção em Isa que já alcançava Remo e a garota.




--- Remo, será que podemos conversar a sós por um minuto? --- disse, apoiando a mão no ombro do garoto que estava de costas para ela. Ele virou-se, completamente surpreso e um pouco corado.

--- Er... Tudo bem, eu acho. --- A outra garota confirmou com a cabeça, mas fazendo cara de quem não gostou muito. Despediu-se de Remo e saiu caminhando ao encontro de suas amigas. Ao passar por Nat e pelos marotos, deu uma piscadela e fez um sinal afirmativo com a mão. --- O que você quer falar comigo?

--- Não se faça de desentendido, eu sei que você já percebeu tudo. --- Ela respondeu, despejando as palavras sem nem pensar.

--- Perceber? Não estou te entendendo, Isa. --- Remo falou, com uma expressão confusa. No fundo, ele suspeitava o que ele deveria ter percebido. Mas não podia ser. Bem, os marotos sempre diziam que Isa gostava dele, mas ele nunca levara isso a sério, nunca realmente acreditou. Poderia ser verdade?

Isa balançou a cabeça negativamente, pensando no que poderia dizer para fazer com que ele entendesse. --- Certo, vou explicar então.

Sem se dar tempo para arrepender-se do que estava prestes a fazer, Isa inclinou-se na ponta dos pés e selou seus lábios nos do garoto. No primeiro momento, Remo se surpreendeu e não fez nenhum movimento, porém, dando-se conta da situação enlaçou Isa pela cintura e aprofundou o beijo. Ela sorriu mentalmente ao perceber que o beijo dele era exatamente como sempre imaginou... Calmo, carinhoso, e principalmente: muito bom. Ela estava nas nuvens, e os amigos do outro lado da rua já sorriam e se gabavam do plano ter dado certo.

Remo também se distraíra beijando Isa. Era algo que ele sempre tivera vontade de fazer, e estava sendo maravilhoso, mas agora que a surpresa já passara, algo veio à sua mente. Ele não podia estar fazendo isso, não era justo com ela. Delicadamente, afastou a garota de si, interrompendo o beijo.

--- O que foi? Achei que você estivesse gostando. --- ela perguntou, insegura.

--- Não é isso, Isa. É só que... Isso não devia ter acontecido.

Ela o encarava, incrédula. Como ele podia dizer isso? Como podia ser tão cruel? Ela havia superado sua timidez – certo, com uma ajudinha milagrosa que ela ainda não sabia da existência – para ir falar com ele, ele retribuía o beijo, e agora dizia que ‘isso não devia ter acontecido’? Era demais para a cabeça dela. Num momento estava nas nuvens, e no outro caía no chão duro.

--- Você... Você não tem sentimentos! --- ela disse, antes de sair correndo na direção oposta, lágrimas solitárias escorrendo por seu rosto.

Os amigos olhavam para aquilo tudo sem entender completamente, mas é claro que os garotos podiam imaginar o porque de Isa ter saído correndo. Remo buscou ajuda olhando para eles, no que Sirius o olhou severamente.

--- Vá atrás dela, AGORA! --- ele gritou, indicando com a mão a direção por onde a garota saíra correndo segundos antes. --- Vamos, Aluado, deixa de ser idiota!

Remo pareceu entender o recado. Normalmente iria falar com os amigos e lhes explicar pela milésima vez que não podia se envolver com ninguém, mas dessa vez, resolver parar de se privar de sua felicidade. Fez um sinal afirmativo com a cabeça e saiu correndo atrás de Isa.

Teve que correr bastante até achar a garota, que se encontrava sentada em cima de uma grande pedra, cobrindo o rosto com as mãos. Ele foi até lá, ajoelhando-se na frente dela.

--- O que você disse não é verdade. --- Começou, sério. --- Eu tenho sentimentos, sim. E é por isso que eu não posso me envolver com você, Isa, porque eu gosto e me preocupo demais com você. Eu não posso colocá-la em risco.

--- Me colocar em risco por que? --- ela disse, levantando o rosto. --- Você está mentindo. Se gostasse mesmo de mim, você não ia hesitar em ficar comigo.

--- Você não entende, droga! --- ele retrucou, levantando-se e começando a andar de um lado para o outro. --- Você não sabe de nada, Isa.

--- Eu saberia se você me contasse! --- ela exclamou, olhando-o irritada.

--- Pra que? Pra envolver mais uma pessoa que eu amo nisso? --- Remo falava tão rápido que não percebeu a seriedade das suas palavras. Ele acabava de dizer ali, na cara dela, que a amava. Nunca admitira isso nem para os amigos, mas agora estava ali, na frente dela, confessando o que tentara negar para si mesmo por tanto tempo.

Alguns segundos se passaram, e ambos permaneciam em silêncio. Remo levou as duas mãos à cabeça, confuso. Estava prestes a cometer a maior loucura da sua vida, e algo que jurou que nunca faria. Mas também, que fosse para o inferno a porcaria do juramento.

--- Isa? --- ele a chamou, no que a garota tornou a encará-lo. --- Esqueça. Esqueça as bobagens que eu disse.

--- Eu... Eu não estou entendendo. --- ela disse, insegura.

Ele estendeu a mão para que ela segurasse, e a puxou para que ficasse de pé, próxima à ele.

--- Certo, eu vou explicar então. --- disse, imitando a fala de antes da garota.

Antes que ela pudesse ter qualquer reação, a envolveu em seus braços e a beijou. Isa correspondeu o beijo sem hesitar, e este foi ainda melhor que o anterior. Agora ambos estavam nas nuvens, e sem qualquer preocupação. Estavam fazendo o que sempre quiseram fazer. Aquele momento estava perfeito, e sabiam que não precisavam de mais nada para serem felizes. Era como se se completassem, era uma sensação inexplicável. Remo passava carinhosamente mão pelos cabelos castanhos da garota, enquanto ela acariciava timidamente suas costas. Nunca saberiam dizer por quanto tempo continuaram ali, simplesmente se beijando.



--- Das duas uma. --- Sirius disse, divertido. --- Ou eles se entenderam, ou estão brigando até agora.

--- Considerando a timidez dos dois, não duvidaria que não estivessem fazendo nenhuma das duas coisas. --- Tiago disse, rindo.

--- Ah, Tiago. --- Nat disse, entrando na conversa. --- Isso só aconteceria se a gente não tivesse dado uma ‘ajudinha’ à Isa.

Todos riram abertamente do comentário da garota, até Lily, que no início não aprovara a idéia.

--- Isa nos mataria se descobrisse. --- A ruiva comentou, risonha.

--- Remo nos mataria se descobrisse. --- Sirius concordou, sorrindo maroto. --- Pontas, que tal irmos explorar o povoado um pouco?

--- Apoiado. --- Tiago respondeu, entendendo o sorrisinho do amigo. --- Ruivinha, não morra de saudades de mim, ok? --- ele disse, atirando um beijo para ela enquanto Sirius e ele se afastavam.

Lily bufou, mas não respondeu. Nat não pôde deixar de rir daqueles dois, todo santo dia a mesma coisa. Bom, ela já ouvira dizer que opostos se atraem. Se isso era verdade, Lily e Tiago provavelmente ficariam juntos para sempre – se um dia ela aceitasse sair com ele, é claro.

--- Sabe o que eu nunca entendi, em todos esses anos de convivência com você, Lily? --- ela comentou, olhando para o céu acima delas. --- Porque você odeia tanto o Tiago?

--- Ora, Nat, como se não fosse óbvio! --- ela respondeu, cansada de ter que responder tantas vezes a mesma pergunta. --- Porque ele é um galinha, arrogante, convencido...

--- Não estou falando dessa lista de inúmeras qualidades dele que você sempre cita. Estou falando de um motivo de verdade, e um bom motivo, de preferência.

Lily olhou para o lado, pensativa. --- Eu o odeio porque... Eu não sei. --- A ruiva baixou a cabeça, derrotada.

--- O Tiago não é esse monstro que você pinta, Lily. Devia dar uma chance para ele.

Antes que ela pudesse responder, Remo e Isa vinham se aproximando delas, e de mãos dadas.

--- Bom, acho que já sabemos que eles ficaram com a primeira opção. --- Nat sussurrou, contendo o riso, referindo-se ao comentário de Sirius de que ou os amigos teriam se entendido, ou teriam brigado muito.



Mais tarde, já de volta a Hogwarts e na sala comunal da Grifinória, os sete amigos estavam sentados nos sofás, encolhidos de frio. O inverno realmente se aproximava cada vez mais... Timidamente, Remo e Isa continuavam de mãos dadas, tentando chamar o mínimo possível de atenção dos outros.

--- É, parece que o nosso lobinho finalmente pegou a cordeirinha dele! --- Sirius disse, divertido, ao pousar o olhar nos amigos.

--- Acho que na verdade foi o contrário, Almofadinhas. A cordeirinha que pegou o lobo! --- Tiago falou, arrancando risadas de todos.

--- Realmente... Cordeirinha cheia de atitude a sua, hein Aluado?! --- Sirius falou, piscando para Nat, afinal, todos eles tinham uma parcela de culpa na coragem de Isa. E aquele, definitivamente, era um segredo que morreria ali. A garota corou, rindo timidamente e escondendo-se atrás do ombro de Remo.

--- Hey, Lily. --- Tiago disse, já vendo surgir no rosto da garota a típica expressão “É Evans, Potter”. Ignorando a cara que ela fez, ele continuou. --- O que você acha de seguir o exemplo do Aluado e da Isa e sair comigo? --- perguntou, abrindo seu tão conhecido sorriso.

--- No dia que eu sair com você, Potter, pode ter certeza de que vão ter colocado algo na minha bebida. --- Ela disse, piscando discretamente e rindo em seguida.




N/A: Tá, eu não tenho nem onde enfiar a cara pela demora. Não vou nem perder mais tempo me justificando. Eu nem corrigi o capítulo para poder postar logo, por tanto perdoem qualquer errinho que tiver.

Caso eu não tenha deixado bem claro e alguém não tenha entendido, o plano deles era combinar com uma garota de outra casa dela ir falar com Remo em Hogsmead para causar ciúmes na Isa, enquanto os outros colocavam dentro da bebida dela uma poção que deixava as pessoas, como eu posso dizer, mais desinibidas!

Tradução do trecho lá de cima:
“Deixe seus medos para trás, por favor, acredite, você não vai vacilar,
não há perigo aqui, você pode respirar...”

E a música que tem para tocar no capítulo é Nickelback – Savin’ Me

Minhas fics agora têm uma comunidade no orkut. Se quiserem entrar, ficaria muito grata. O endereço é http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=7049199

O capítulo dez sai logo porque já está praticamente pronto... Beijos, e, só para não perder o costume: comentem!

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