Sopa de Esclarecimento





2-Sopa de esclarecimento


O resto do dia foi muito comum, nada que mereça ser narrado. A senhora Gallo deixou a formalidade (medonha) de lado e foi mostrar à senhora Rookwood sua coleção de artigos de astronomia. Quanto aos senhores, discutiam uns negócios secretos para um tal Senhor Superior. A irmã de Eva, Elektra, aprendia feitiços novos com o irmão de Julietta, Mítchel Gallo.

Os outros irmãos de Eva, Peter e Saris, já haviam se formado em Hogwarts há muito tempo, ambos já estavam formando suas próprias famílias. Nesta data, estavam na Escócia.

Elektra era um ano mais velha que Eva. Christopher era o mais novo de todos, tinha apenas dez anos e, no momento citado acima, estava dormindo, pois havia pegado um vírus, estava muito doente.

Os dias foram passando. Eva e Julietta se davam cada vez melhor. Julietta, ao contrário de Eva, era muito inteligente. A cada dia de férias que se passava, a srta. Gallo compartilhava mais seus conhecimentos com nossa personagem.

Falando um pouco sobre as férias no geral: os srs. Gallo e Rookwood raramente ficavam na casa, enquanto os outros, raramente saiam dela. Na própria “casinha” dos Gallo já tinha de tudo o que uma tradicional família de bruxos precisava para se divertir, além disso, ambas as famílias não gostavam muito de se misturar com outras “pessoas”. Mítchel era jogador profissional de quadribol, sempre divertia a todos com suas manobras originais. Paola, adorava arquitetura e design, todos os dias fazia algo fantástico para não deixar o ambiente monótono, sua principal feitoria fora quando transformara o chão do hall em um caleidoscópio de cores e formas, com apenas um toque da varinha. Julietta tinha bom gosto, adorava cozinhar, criava os mais diversos pratos, porém com mais freqüência àqueles que continham abóboras e massas. Quanto à família Rookwood? Bem, eles sabiam poções. Exceto o jovem Christopher, que nem poções sabia, porém este tinha o sonho de ser auror, para o desespero de seu pai.

A sra. Gallo, inesperadamente, resolveu ensinar às mulheres da família Rookwood a preparar sua secretíssima Poção dos Sonhos. No entanto, ninguém pode ver o resultado, pois as férias já estavam acabando e a poção demorava muito para ficar pronta.

Pulemos para o último dia de estadia dos Rookwood na mansão. Já era noite e um jantar especial ia ser servido para comemorar alguns negócios concluídos pelos chefes das famílias:

—Um brinde à nova família seguidora — gritava o sr. Gallo.

— À nova família seguidora — repetiam todos.

À mesa de jantar se encontravam Paola, Michelangelo, Mítchel, Julietta Gallo. Pai, mãe, Elektra, Eva e Cristopher Rookwood. Todos muito felizes, radiantes e satisfeitos com o magnífico verão, inclusive Paola Gallo.

Elfos passavam de um lado para outro servindo uma sopa verde, que liberava uma suave fumaça marrom, cheirava a couve de Bruxelas, mas o gosto até que era bom. A sala de jantar era enorme, redonda, quatro portas como acesso. As paredes cor de creme suportavam inúmeros quadros com elegantes bruxos e bruxas italianos, além de membros conhecidos pela família Rookwood. A mesa tinha seus cinco metros de comprimento, uma louça fina, muita prata e cálices de cristal. Cadeiras fofas e confortáveis. Não havia janelas. No teto, três lustres em forma de flor portavam velas, iluminando o local.

—Se continuarmos assim, vamos nos dar muito bem. Não é, papa? — disse Mítchel Gallo, interrompendo as conversas paralelas na sala.

— Sim filho, sim! Estamos entrando numa nova era, os tempos irão mudar — respondia alto o sr. Gallo, rindo, feliz.

Deixe-me apresentar Mítchel Gallo que, apesar de não ser tão importante para a história, era um bruxo que merecia ser lembrado: um rapaz muito notável, alto, branco, cabelos negros até o ombro, a franja lhe caía nos olhos. Ah, os olhos, muito verdes, combinavam com as vestes que usava aquela noite. Calças negras, blusa verde clara, capa, não longa, verde escura, botinas negras de quadribol. O que tinha de tão fantástico? Não, não era a beleza, era a essência. Assim como sua mãe, Mítchel aparentava ser sério e antipático, mas não o era. Dedicado, inteligente, bem humorado e bonito, o garoto sabia agradar a todos, pois era um ótimo diplomata. Podia ser definido por uma simples frase confusa... “Uma pessoa séria e quieta que depois de conhecida, se transformava completamente”.

Bem, mas como disse, o jovem senhor Gallo não é fundamental, ou pelo menos não tanto como a irmã de Eva, Elektra Rookwood. Essa é perfeita para exemplificar um autêntico membro da família, pouco inteligente como a irmã, porém muito esperta. Não gostava de transfigurações nem feitiços, odiava herbologia e quadribol mas, adorava Defesa Contra as Artes das Trevas, além de saber poções. Acabara de terminar Hogwarts e ia agora, estudar para se tornar componente do exército de desfazedores de Magia Negra. Era uma garota de poucas palavras, aparentava não merecer confiança, era independente e mesquinha. Também era um pouco feia, ou, muito feia, no mínimo, estranha: seus olhos eram pequenos e seu nariz muito grande, era corpulenta e usualmente vestia longas roupas. Tinha cabelos loiros e curtos, uma franja quadrada e era extremamente orgulhosa de ser o que era.

Elektra e Eva se davam muito bem, na verdade, Eva se dava bem com todo mundo, pois sua burrice a tornava uma pessoa vulnerável aos espertos e confiável aos amigáveis. A pessoa que a nossa personagem mais gostava era Cellin, porém, esta não era bem vista por sua família, logo vocês entenderão o porquê. Também gostava muito de um tal rapaz que estudava em sua escola, que... Bem, vocês devem ficar um pouco curiosos a respeito deste caso.

Voltando à sala de jantar, os nossos personagens comiam, se divertiam, brindavam. Existiu ali, como já disse, algo importante para a formação psicológica de nossa querida menina ingênua:

— Sim, sim, nós tentamos, conversamos com o Sr. Dippet, mas não houve jeito — o sr. Gallo falava e demonstrava um certo rancor neste momento — Depois, pedimos ao Ministério da Inglaterra para analisar as listas dos alunos, e sabe o que constataram??? — e aqui, Michelangelo dava um soco na mesa, todos prestavam atenção — Foi constatado que cinqüenta por cento dos alunos novos eram sangues-ruins!!!

Eis o raro momento em que Eva se manifestava coerentemente:

— Mas que horror!!! O sr. está dizendo que Hogwarts preferiu um aluno sangue ruim a um aluno sangue-puro estrangeiro? — ela interrompera Michelangelo. Caira sua ficha do porquê ela mesma não gostava de sangues-ruins.

— Sim, jovem Eva. Aquele Dippet disse que na Itália havia duas escolas de magia com vagas disponíveis, e que não havia necessidade de migração para poder estudar, principalmente pelo fato de Hogwarts não ter tantas vagas quanto jovens bruxos e blá blá blá... Aquele velho! Se Hogwarts fosse como as nossas escolas e parasse de aceitar sangues-ruins, provavelmente teria vaga para Mítchel aquele ano!

— Ridículo, absurdo, insano!!! Tantos inúteis naquelas casas, a Grifinória e a Lufa-lufa e o professor Dippet negou a ensinar um garoto sangue-puro e tão inteligente quanto Mítchel?! — dizia Elektra.

— Bom, eu queria muito ir para a Inglaterra, pois Hogwarts é a melhor escola que existe, mas achei que foi melhor assim, não sei se conseguiria me misturar com trouxas! — disse Mítchel do seu assento distante, em calmo e bom tom.

— Tem razão querido, não podemos nos misturar. Mas, Rookwood, por que não colocou seus filhos em Durmstrang? — perguntou Paola Gallo ao virar-se para a sra. Rookwood.

— Simples, todos os amigos da família, os Malfoy, Lestrange, Black e outros, já haviam colocado seus filhos, e nós também já havíamos estudado lá — respondia a mãe de Eva.

Fora uma simples conversa, mas para a nossa mocinha, aquilo havia esclarecido muita coisa. Sua família, inclusive ela, sempre odiou trouxas. Contudo, Eva nunca entendia o porquê, simplesmente atribuía o título de incompetência a todos aqueles que tinham trouxas em suas famílias, mesmo sem notar nenhuma diferença com relação a bruxos sangues-puros. Agora, ela compreendera, e pensava: Por que dar a vaga de um menino tão fantástico como o Gallo para alguém que nasceu sem ao menos conhecer magia? Mas, como já cansei de lembrar, a mente de Eva não era muito aberta, ela não conseguia assimilar que Hogwarts era uma escola voltada para alunos do Reino Unido, e os alunos italianos deveriam estudar na Itália. Um pequeno desvio, que fez uma gigantesca diferença no futuro da srta. Rookwood, pois as raras coisas que entendia (ou não entendia bem, como neste caso), fazia questão de mostrar para todos que se dispunham a escutar.


Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.